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Tite identifica problema no meio e Renato Augusto vira alternativa

Meia ficou fora de vários treinos com dores no joelho, mas já ganhou chance contra a Suíça e pode ser solução para falta de circulação de bola

Por Luiz Felipe Castro - Atualizado em 20 jun 2018, 15h14 - Publicado em 20 jun 2018, 07h01

SOCHI – Em cerca de duas semanas, Renato Augusto foi de provável cortado por lesão a possível solução para um problema identificado por Tite no meio-campo da seleção brasileira: a falta de cadência e circulação da bola. Logo após o empate com a Suíça, na estreia da Copa do Mundo no último domingo em Rostov, o técnico lamentou a reação do time após sofrer o gol e disse que há momentos em que o Brasil deve ser menos “aceso”. Na ocasião, Tite mandou Renato Augusto a campo aos 22 minutos da segunda etapa, na vaga de Paulinho. As declarações dos envolvidos e também de Philippe Coutinho deixaram claro: Tite, um obcecado pelo setor de meio-campo, quer um time mais sólido.

Tite aprovou a atuação brasileira no primeiro tempo, mas viu um time afoito após levar o gol. “Temos uma equipe acesa, que busca sempre o gol, mas às vezes é preciso trabalhar a bola atrás, fazer o adversário correr e sofrer. Depois do gol, emocionalmente a equipe sentiu. É um momento de aprendizado”, disse Tite, logo após o jogo na Arena Rostov.

Tabela completa de jogos da Copa do Mundo de 2018

Na coletiva desta terça-feira, Coutinho praticamente repetiu o diagnóstico. “Criamos bastante, poderíamos ter finalizado melhor e ter trabalhado mais a bola, isso foi conversado entre nós. Poderíamos ter virado mais o jogo, muitas vezes queremos pegar a bola e atacar, fazer o gol, então temos de ter esse equilíbrio, girar um pouco mais a bola para entrar no momento certo.”

Antes da Copa, Tite revelou sua busca por um “ritmista”, um articulador que ditaria o ritmo do setor. Testou Diego, Lucas Lima, Rodriguinho, mas nenhum o convenceu. E é justamente nessa fragilidade do time que tanto Renato Augusto quanto Fred, os dois atletas que mais conviveram com problemas físicos durante a preparação, podem ganhar espaço.

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Renato Augusto ficou quase uma semana sem treinar com bola durante a preparação na Inglaterra, alegando dores no joelho esquerdo, e levantou suspeitas de um possível corte. O jogador de 30 anos, atualmente no Beijing Guoan, da China, trabalhou com Tite no Corinthians e é admirado por sua frieza, inteligência tática e liderança.

Mesmo sem ter participado dos amistosos, Renato teve quase meia hora de jogo na estreia e participou de algumas boas jogadas de combinação. “O Renato é mais articulador e o Paulinho não estava em seu melhor dia”, justificou Tite. Na zona mista, Renato Augusto falou pela primeira vez com os jornalistas e negou que tenha corrido risco de corte. Revelou que a inflamação no joelho foi causada por excesso de treino e deu a entender que sua ausência se deu apenas por precaução.

“Eu não cheguei abaixo do meu nível, cheguei num nível bem alto e infelizmente sofri um uma sobrecarga de peso e acabei perdendo uma parte importante da preparação, mas estou 100% e a hora que o Tite precisar estarei à disposição. Eu estava treinando normal com o grupo há duas semanas, não é porque eu não fui para o jogo com a Áustria que eu não estava treinando”, disse.

Na segunda-feira, os reservas fizeram alguns exercícios em campo reduzido. Num deles, a comissão deu ênfase à criação de jogadas contra defesas fechadas (uma tendência neste Mundial) e foi possível ver Renato com a responsabilidade de girar a bola, servir os pontas e aparecer para finalizar da entrada da área. Tanto ele quanto Fred se destacaram na atividade, uma das poucas que os jornalistas puderam acompanhar na íntegra.

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Mas quem poderia sair?

Tite ainda não deu sinais claros de que mexerá no time e o treino desta quarta, que antecede a viagem a São Petersburgo, será fechado. Portanto, uma possível mudança só deve ser descoberta na quinta (caso Tite repita o hábito de não esconder o time) ou apenas no jogo da sexta-feira. A princípio, até pelo discurso de Coutinho, Tite acredita que as mesmas peças possam desempenhar o papel de “cadenciar” o meio.

“Sim, essa função é de quem está ali no meio, minha, do Casemiro, do Paulinho, temos de girar a bola, com certeza vamos ajeitar isso para o próximo jogo.” Mas caso Tite queira, de fato, alterar a formação, dois atletas surgem como candidatos a deixar o time: Willian e Paulinho.

O primeiro batalhou muito por uma vaga no time titular e mostrou serviço nos amistosos contra Croácia e Áustria, convencendo o treinador de que era a opção mais adequada na disputa com Fernandinho. Mas não brilhou na estreia, em jogo em que o lado direito foi pouquíssimo acionado – devido à qualidade de Marcelo, Neymar e Coutinho no canto oposto, mas também por causa da falta de circulação de bola. Caso Willian deixe o time para a entrada de Renato, o Brasil voltaria a atuar com a formação das eliminatórias.

Já Paulinho, segundo revelou o próprio Tite no período de preparação, recebe cuidados especiais por estar desgastado fisicamente – está há quase dois anos sem férias, depois de ter trocado a China pelo Barcelona. Após o empate, o meio-campista, um dos destaques do Brasil nas eliminatórias, disse estar preparado para a sequência do Mundial.

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“Claro que tem o cansaço, principalmente depois que a Suíça empatou, mas todo jogo gera cansaço. Todos perguntam sobre minha condição física, até o professor Tite falou, mas trabalho muito com a preparação física e os fisioterapeutas para que eu possa sempre estar bem para as partidas.”  O Brasil enfrenta a Costa Rica na sexta-feira, às 9 horas (de Brasília).

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