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CBF diz que não mudará protocolo anti-Covid; sindicato estuda ação

Na última semana, ao menos 45 atletas testaram positivo e ficaram ausentes do Brasileirão ou competições internacionais

Por Klaus Richmond Atualizado em 23 nov 2020, 16h59 - Publicado em 17 nov 2020, 19h22

A comissão médica especial da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) avisou que não fará alterações nas medidas já definidas para o protocolo de saúde do Campeonato Brasileiro. Na última semana, ao menos 45 atletas foram diagnosticados com a Covid-19 e ficaram ausentes da 21ª rodada da competição. O departamento diz que está alicerçado por extenso acompanhamento de resultados e diz que o aumento de casos acompanha uma tendência geral na sociedade.

“Vamos divulgar ainda, mas temos uma análise sólida com resultados de mais de 1000 jogos. Não há nenhuma evidência de contaminação durante os jogos, podemos garantir. Temos as melhores referências para continuar. O que temos visto, e há quinze dias reiterei nos grupos de WhatsApp, é que há um afrouxamento no isolamento e isso tocou no futebol, também. É preciso tomar mais cuidados em hotéis, concentrações, embarques em aeroportos”, disse a PLACAR o médico da entidade, Jorge Pagura.

“Falam de parar o campeonato, mas com qual evidência? Temos mais de 40.000 testes feitos, com uma equipe de cinco infectologistas, e não há nada que nos indique uma mudança de alteração no protocolo”, acrescenta.

  • No fim de setembro, entidades sindicais, com apoio de alguns jogadores, debateram mudanças no protocolo. Entre as sugestões, a adoção de um critério fixo para adiamentos em casos de surtos como ocorridos com o Palmeiras, que anunciou nesta terça-feira, 17, ter chegado a 15 jogadores contaminados. Na última semana, o Santos teve 17 casos na equipe masculina, incluindo comissão técnica, e outros 22 na feminina.

    “Estamos juntando boletins médicos, analisando com uma equipe a possibilidade de ingressarmos com uma ação no Ministério Público do Trabalho. Falamos em parar o campeonato, mas isso é um caso extremo. O protocolo ficou estático em uma pandemia totalmente dinâmica. Queremos esse dinamismo, senão criamos algo incoerente”, argumentou Rinaldo Martorelli, presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo.

    A CBF adota, atualmente, critério similar ao utilizado pela Uefa, em que o time precisa de ao menos 13 jogadores para atuar. O envio dos diagnósticos ocorrem até 24 horas para times mandantes e 12 horas antes de viagens no caso de visitantes. “Existe um negacionismo muito grande em relação às entidades. Ninguém quer brigar com a CBF, mas o futebol é um reflexo do comportamento da sociedade. Se todos enxergam que está tudo bem, também baixam a guarda”, explicou o médico do sindicato, Renato Anghinah.

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    Anghinah questiona, principalmente, que não há coerência no calendário montado pela entidade para evitar excessos de viagens e exposição dos jogadores. Antes do início da competição, o presidente do Fortaleza, Marcelo Paz, afirmou ter questionado a entidade com relação a quantidade de deslocamentos e que sugeriu estruturar o calendário com jogos sequenciais contra equipes da mesma cidade – Internacional e Grêmio, em Porto Alegre, por exemplo. A mudança nem sequer foi cogitada.

    “Há uma diferença grande da CBF para a finalização do Campeonato Paulista: deslocamento. Quanto mais a tabela roda, mais chances temos de surtos. No Paulista, fizemos adaptações ao protocolo, era algo dinâmico, não dá para comparar e dizer que temos o mesmo sistema. Há uma segunda onda [da doença] chegando, imagine o impacto?”, afirmou Anghinah.

    Palmeiras desfalcou Uruguai x Brasil

    Nesta terça, o jornal uruguaio Ovación atribuiu ao Palmeiras a origem para o surto que atingiu a seleção do país que se prepara para enfrentar o Brasil, em jogo válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. O Uruguai não terá o lateral Matías Viña, do clube brasileiro, além do atacante Luis Suárez, do Atletico de Madrid, e o goleiro Rodrigo Muñoz, do Cerro Porteño. Já a seleção brasileira perdeu o lateral Gabriel Menino, pelo mesmo motivo.

    Para as associações sindicais seria necessário o cumprimento de um isolamento completo da equipe em casos extremos, não somente de alguns atletas. “O Gabriel Menino testou positivo e não tivemos mais contaminados na seleção. Não é o mesmo caso do Vinã? Não podemos contar histórias, trabalhamos com uma base científica extremamente responsável”, ponderou Pagura.

    A próxima rodada do Campeonato Brasileiro inicia na sexta-feira, 20, com o confronto entre Red Bull Bragantino e Bahia, com jogos no sábado, domingo e, também, na segunda-feira.

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