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Khalil Ibrahim, o inimigo do regime de Cartum

Por Da Redação 25 dez 2011, 11h45

Cartum, 25 dez (EFE).- Neste domingo, com a morte do dirigente rebelde Khalil Ibrahim, líder máximo do principal grupo insurgente de Darfur, o Movimento de Justiça e Igualdade (MJI), saiu de cena um dos principais inimigos do regime de Cartum.

O médico trocou a roupa branca pelo uniforme de guerrilheiro para pegar em armas à frente do MJI em 2003, em protesto contra a pobreza e a marginalização que os habitantes de sua região natal viviam.

Ibrahim, membro da tribo Zaghawa, nasceu há 54 anos na aldeia de Tina, na província de Darfur do Norte, perto da fronteira com o Chade.

Após estudar Medicina em seu país, mudou-se para a Arábia Saudita, onde trabalhou por alguns anos, e retornou ao Sudão depois da chegada de Omar al-Bashir ao poder, em meados de 1989.

Durante um tempo, trabalhou em um hospital de Omdurman, setor oeste de Cartum, antes de começar sua atividade política junto ao governo de Al-Bashir, no início da década de 1990.

Foi responsável de Saúde no Executivo regional de Darfur e depois foi designado titular de Educação na administração de Darfur do Norte, para depois se deslocar para a província do Nilo Azul, no sudeste do país, como encarregado de Engenharia.

Quando em 1999 ocorreu a divisão nas fileiras islâmicas entre o líder histórico da governista Frente Islâmica Nacional, Hassan al Turabi, e Al-Bashir, Ibrahim se inclinou a favor do primeiro e chegou a ser um dos dirigentes de sua legenda.

No ano 2000, publicou um livro no qual acusava os árabes de terem uma representação desproporcional nos altos cargos do governo. Um ano mais tarde anunciava oficialmente a formação do MJI, cuja origem remonta a 1994.

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O MJI é de tendência islâmica e a maioria de seus membros pertence a tribos africanas.

Em fevereiro de 2003, o MJI pegou em armas junto ao Movimento de Libertação do Sudão (MLS), liderado por Abdul Wahid al Nur.

Uma das maiores ações armadas do grupo aconteceu em maio de 2008 contra Omdurman, quando morreram 255 insurgentes e 77 membros dos corpos de segurança. Após esse ataque, dezenas dos combatentes do MJI foram condenados a morte, incluindo dois irmãos de Ibrahim.

Depois da ofensiva, o MJI tomou parte em negociações de paz, promovidas pelo Catar, e assinou dois memorandos de entendimento com o governo sudanês, mas suspendeu sua participação nas conversas ao considerar que era inútil negociar com o regime, ao qual acusou de manter uma atitude inflexível.

Em maio de 2010, Cartum pediu à Interpol (polícia internacional) a detenção de Ibrahim pelo ataque de 2008 contra Omdurman, enquanto as autoridades do Chade retiraram o apoio que tinham dado a ele até aquele momento, visto que suas diferenças com o governo do Sudão haviam terminado.

Os dois países assinaram um acordo de normalização de relações em janeiro de 2010, no qual se comprometeram a não apoiar movimentos armados opositores do outro Estado.

Assim, quando Ibrahim tentou entrar em Darfur através do Chade, em maio de 2010, após uma viagem ao Egito, as autoridades chadianas o impediram e ele teve que se refugiar em Trípoli, protegido por Muammar Kadafi.

Depois de mais de um ano na Líbia, Ibrahim retornou a Darfur em 11 de setembro deste ano após um apelo do MJI à comunidade internacional, que pediu o resgate de seu líder depois que Kadafi fugiu de Trípoli por conta do avanço dos revolucionários líbios.

No entanto, foi morto neste domingo em seu país, onde agora se inicia um futuro incerto para o MJI. EFE

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