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Bento XVI quebra silêncio e fala sobre renúncia e papa Francisco

O papa emérito faz autocrítica ao admitir que uma de suas fraquezas foi 'a pouca determinação' que teve em algumas ocasiões na hora de 'tomar decisões'

Por Da redação - Atualizado em 9 set 2016, 08h37 - Publicado em 9 set 2016, 08h35

Após sua renúncia em fevereiro de 2013, Bento XVI afirmou que viveria “afastado do mundo”, e em muito poucas ocasiões quebrou seu silêncio, mas nos últimos dias foram anunciados dois livros-entrevista nos quais pela primeira vez o papa emérito confessou os detalhes de sua decisão. Um deles é, em versão italiana, “Ultime conversazioni” (“Últimas conversas”), à venda a partir desta sexta-feira e escrito pelo jornalista alemão e biógrafo do papa emérito, Peter Sewald.

Joseph Ratzinger fala sobre seus oito anos de pontificado, sobre como aceita a proximidade da morte, sobre seus pensamentos a respeito do papa Francisco e o contexto no qual apresentou sua renúncia. “O texto da renúncia eu escrevi. Não posso dizer com precisão quando, mas no máximo duas semanas antes. Eu o escrevi em latim porque algo tão importante se faz em latim”, declarou.

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Sua decisão foi uma ação serena e meditada, livre de pressões e fruto de um “estado de ânimo pacífico” que lhe permitiu “passar tranquilamente o governo” a seu sucessor. “Não se tratou de uma retirada sob pressão dos eventos ou de uma fuga pela incapacidade de encará-los”, disse. A saída também não foi uma consequência de uma desilusão ou algum tipo de coação: “Não o teria permitido”, nem “teria renunciado” ao pontificado se tivesse estado “sob pressão”, reiterou.

Papa Francisco — Ao longo de suas francas confissões, o pontífice emérito falou sobre Francisco, reconhecendo que “não tinha pensado nele” para sucedê-lo e que sua escolha foi “uma grande surpresa”. Em relação ao atual papa, ele agradece as atenções recebidas ao longo de seus já três anos de pontificado e admira, por exemplo, que seja “um homem de reforma prática”, com capacidade para “colocar a mão nas ações de caráter organizativo”.

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Pedofilia — Em outro capítulo, Bento XVI lembra seus anos à frente da Igreja Católica e faz autocrítica ao admitir que uma de suas fraquezas foi “a pouca determinação” que teve em algumas ocasiões na hora de “governar e tomar decisões”. Bento XVI também lembrou escândalos de pedofilia, de cuja existência era ciente, embora nunca pensou que pudessem ser tantos.

“Últimas conversas” não é o único livro-entrevista sobre Bento XVI comentado nas últimas semanas, já que no dia 30 de agosto foi lançado “Servitore di Deo e dell’umanità” (“Servidor de Deus e da humanidade”), do italiano Elio Guerriero.

Na obra, o papa emérito explica que a decisão de renunciar ao Pontificado começou a ser pensada após uma viagem a México e Cuba, em março de 2012, onde comprovou “os limites” de sua “resistência física” e tomou consciência de que não poderia suportar uma viagem ao Brasil em 2013 para liderar a Jornada Mundial da Juventude.

(Com agência EFE)

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