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Daniel Alves: ‘Sou persistente e quero jogar a Copa de 2022’

Em entrevista a VEJA/Placar, lateral defende o companheiro Neymar, elogia Mbappé e comenta a ida de Buffon ao PSG

Por Lucas Mello - Atualizado em 10 jul 2018, 17h59 - Publicado em 7 jul 2018, 12h54

O lateral direito Daniel Alves, ex-capitão da seleção brasileira, foi cortado desta Copa do Mundo semanas antes da convocação final por causa de uma lesão nos ligamentos do joelho direito. Ainda assim, esteve com os jogadores de Tite antes do jogo contra a Sérvia, na primeira fase do Mundial, para conversar com os colegas e desejar boas vibrações na jornada que estava por se iniciar. Nestas sexta-feira, antes do jogo contra a Bélgica, ele concedeu entrevista para VEJA/PLACAR, em São Paulo, durante o evento Torcida Good Crazy, que reuniu cerca de 60 pessoas entre famosos e amigospara assistir a partida do Brasil.

Daniel falou sobre seus planos para os próximos anos e até sobre uma possível carreira artística. Defendeu o companheiro Neymar e elogiou o companheiro de time Mbappé. Foi cordial e animado até o momento em que o jogo começou. A partir de então começou a sofrer com uma televisão que teimava em não funcionar, deixando-o na dependência do aplicativo de celular do fotógrafo de VEJA. Depois, foi o sofrimento final com a derrota da seleção brasileira. Não quis mais falar.

Tabela completa de jogos da Copa do Mundo 2018

Veja abaixo a entrevista completa com o lateral direito do Brasil:

Daniel Alves, no evento "Torcida Good Crazy" em que se reúne com amigos para assistir ao jogo da seleção brasileira contra a Bélgica - 6/7/2018
Daniel Alves, no evento “Torcida Good Crazy” em que se reuniu com amigos para assistir ao jogo da seleção brasileira contra a Bélgica. Heitor Feitosa/VEJA

Aos 35 anos você já ganhou tudo. Quais são seus objetivos atualmente?

Consegui tudo, mas ao mesmo tempo não consegui nada. Não são os títulos que se ganha ou quão famoso se é que importa, mas sim o legado que se deixa. Por isso digo que ainda não consegui nada. Meu grande prêmio será deixar um legado para as pessoas depois que eu parar de jogar.

Jogar a Copa do Mundo do Catar em 2022 é um plano? 

DA: Esse é um objetivo que eu tenho traçado na minha vida. Normalmente, sou muito persistente nos meus planos e eu nunca deixarei de tentar aquilo que considero ser uma chance, uma possibilidade de poder lutar. Outros jogadores já foram a copas com idades mais avançadas e eu acredito, por que não? Vou tentar. Tenho um cuidado muito grande com a minha profissão e colho os frutos desse cuidado. Então, é uma possibilidade, sim.

O Neymar foi perseguido pela imprensa internacional, por toda essa coisa de ser chamado de cai-cai. Você conversou com ele antes do jogo contra a Sérvia. Acha que algo mudou depois disso? 

DA: Tem coisas que as pessoas não sabem sobre o Neymar. A pressão sobre ele é muito grande, mas acredito que isso serve para criar uma casca. Neymar tem consciência de que a seleção brasileira não é só ele, é muito mais que isso. Ele é o nosso diferencial e sua arma é tentar desestabilizar o adversário com o seu talento. Ele não é cai-cai! Cair é a uma forma de se defender. Às vezes, você salta para que não te machuquem. E as pessoas acham que, para te machucarem, para você sentir dor, tem que ser uma porrada.

Daniel Alves, no evento “Torcida Good Crazy”. Heitor Feitosa/VEJA.com

O Neymar do Brasil é diferente do Neymar do PSG?

DA: Neymar só existe um. É um atleta de quem se espera muito, porque ele pode dar muito. A gente só cobra de quem pode dar. Quem não pode dar nada não tem cobrança, porque seria perda de tempo.

 

 

 

 

Daniel Alves, no evento “Torcida Good Crazy”. Heitor Feitosa/VEJA.com

Mbappé é craque mesmo?

DA: Ele é um fenômeno, me faz lembrar o Thierry Henry (campeão do mundo em 1998). A comparação com o Pelé, para mim, é demasiada. Coloca uma pressão desnecessária em um jovem que aspira ser um grande jogador. Não gosto muito de certas comparações. Às vezes, elas podem ser boas como referência, mas não são boas quando acrescentam um peso desnecessário, que a profissão já traz. Então, acredito que ele é um moleque bom e tem uma família bastante consciente de que ainda falta muito para ser comparado ao Pelé.

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Buffon é cotado para ser contratado pelo PSG. Como seria jogar com ele novamente, como aconteceu na Juventus?*

Buffon é uma grande referência no futebol. Tem histórico de responsabilidade, sentimento, de defender a profissão. Acredito que esse tipo de jogador é o que precisamos, eles trazem experiência, são sempre bem-vindos. Não sei o grau de interesse de ambas as partes (Buffon e PSG), mas se vier, será bem-vindo. *Após a entrevista, o goleiro foi anunciado como reforço do clube francês

 

Daniel Alves, no evento “Torcida Good Crazy”. Heitor Feitosa/VEJA.com

 

No ano passado, após a morte do jogador Astori, você foi criticado por postagens nas redes sociais sobre o assunto. Você se arrependeu? (Na ocasião, o brasileiro fez um post, que foi tratado como frio e indiferente, sobre a morte do italiano Davide Astori . O jogador se defendeu na ocasião e pediu desculpas em seu perfil)

As pessoas sempre levam as coisas para a parte que interessa a elas. Não contaram tudo que estava escrito. Colocaram um título para chamar atenção, aumentar a audiência. Eu comecei minha frase dizendo que sentia muito pelo acontecido, meus pêsames a família, mandando abraço caloroso e afetuoso a eles, mas eu não gosto de falar de morte. Gosto de falar de vida. As pessoas têm o direito de morrer em paz, e eu não gosto de perturbar esse momento delas. Eu acredito que chegamos com uma data de nascimento e validade. E quando ela chega, eu não vou chorar ou me desesperar, porque isso acontece todos os dias.

Você pretende voltar ao Brasil antes do fim de sua carreira?

Não tenho planos para isso. Já falei para quais times torço (São Paulo), e não coloco barreira na vida. Sempre tem possibilidade de eu voltar para o Brasil, mas não tenho essa pretensão agora.

Daniel Alves, no evento “Torcida Good Crazy”  e suas tatuagens Heitor Feitosa/VEJA.com

E carreira na música, pretende seguir?

É uma possibilidade. Sou apaixonado por música, cresci com ela. A vida me conduziu para outro lugar, para a realização do sonho de meu pai (jogar futebol), mas estou para viver o que gosto e o que eu amo.

Quantas tatuagens você tem e de onde vem o apelido Good Crazy?

Perdi as contas. Eu falo que tenho uma só, porque começaram a se unir. Elas todas têm um significado, relacionadas a pessoas próximas a mim, sentimentos e poder de consciência, de paz. O apelido fui eu quem criei, porque as pessoas pensavam e falavam que eu era louco e eu dizia ‘Ah, mas sou um bom louco’. Prezo pela felicidade das pessoas, não sou egoísta, tento fazer com que o ambiente sempre esteja fluindo, com as coisas acontecendo à minha volta. Eu não me considerava um louco, mas como as pessoas estavam falando, sou um louco do bem. Um pouco de loucura todos têm que ter, mas sou um louco responsável.

 

Daniel Alves, no evento “Torcida Good Crazy”. Heitor Feitosa/VEJA.com
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