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Megafauna foi crucial para fertilizar a Amazônia

Com a extinção de animais como os mastodontes e as preguiças gigantes, a dispersão de fósforo na bacia amazônica teria despencado 98%

Por Da Redação - Atualizado em 6 Maio 2016, 16h18 - Publicado em 11 ago 2013, 17h36

Durante milhares de anos, os animais gigantes fertilizaram a bacia amazônica ao espalhar nitrogênio, fósforo e outros nutrientes contidos em seus excrementos, antes de desaparecerem abruptamente. Com isso, privaram definitivamente a região deste aporte maciço de adubo, revelou um estudo publicado neste domingo na revista Nature Geoscience.

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PLEISTOCENO

Corresponde ao intervalo entre 1,8 milhão e 11.500 anos atrás. Na escala geológica, faz parte do período Quaternário da era Cenozoica. Aves e mamíferos gigantes, como mamutes e búfalos, caracterizam essa época. No pleistoceno ocorreram as mais recentes Eras do Gelo.

No período do Pleistoceno, a América do Sul se parecia muito com a atual savana africana. E os dinossauros, há muito tempo desaparecidos, deram lugar a uma megafauna impressionante: mastodontes, antepassados dos elefantes, preguiças gigantes de cinco toneladas e os gliptodontes, tatus do tamanho de um pequeno carro.

Predominantemente herbívoros, estes mamíferos gigantes consumiam quantidades importantes de vegetais, absorvendo nitrogênio e fósforo que liberavam nas fezes e na urina por onde passavam. Segundo o estudo, eles também contribuíram para redistribuir esse adubo natural em distâncias muito grandes – sem ele, os solos permaneceriam estéreis, particularmente na bacia amazônica.

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Mas o que aconteceu depois que esta megafauna desapareceu há 12 mil anos, depois de uma extinção maciça provavelmente vinculada a uma mudança climática e às atividades humanas?

Segundo cálculos dos pesquisadores, a dispersão do adubo cessou rapidamente com o desaparecimento da megafauna, há 12.000 anos. Assim, a redistribuição de adubo acabou limitando-se aos sedimentos transportados dos Andes por meio dos rios e ribeirões. Segundo o modelo matemático desenvolvido por eles, a dispersão de fósforo na bacia amazônica teria, desta forma, despencado 98%.

“Em outras palavras, os grandes animais são como as artérias de nutrientes para o planeta. Se eles desaparecem, é como se cortássemos essas artérias”, diz o principal autor do estudo, Christopher Doughty, da Universidade de Oxford, no Reino Unido. “Porque a maioria destes animais desapareceu, o mundo tem muito mais regiões pobres em nutrientes do que teria tido caso contrário.”

Cone Sul – O estudo se concentrou na Amazônia, mas o estudioso considera provável que essas transferências de nutrientes tenham ocorrido em todo o continente sul-americano, também na Austrália e em outras regiões do planeta. Em todos os cenários, as transferências foram interrompidas com o desaparecimento da megafauna.

“Mesmo que 12.000 anos seja uma escala de tempo que não tenha grande sentido para a maioria das pessoas, com esse modelo mostramos que as extinções que ocorreram na época continuam a afetar atualmente a saúde do nosso planeta”, afirmou Doughty. Segundo ele, o modelo concebido para o estudo pode ser adaptado ao nosso mundo moderno. “Podemos estimar os efeitos de longo prazo na fertilidade do solo se animais como os elefantes desaparecessem”, disse.

“Se os humanos contribuíram para a extinção em massa dos animais gigantes há 12.000 anos, então podemos concluir que eles começaram a afetar o meio ambiente muito antes do surgimento da agricultura”, diz Adam Wolf, pesquisador em Ecologia da Universidade de Princeton, nos EUA, que participou do estudo.

(Com agência France-Presse)

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