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Times históricos: Paysandu de 2002

O time que levou a região Norte para a Copa Libertadores

Por Redação PLACAR Atualizado em 8 mar 2017, 14h50 - Publicado em 26 jan 2017, 15h23

O Papão teve sua maior conquista em um ano atípico para o futebol brasileiro. Os estaduais foram colocados um pouco de lado, enquanto os torneios regionais ganharam mais peso em 2002. Naquele ano, a Copa do Campeões teve uma versão estendida, dando vaga ao campeão na Copa Libertadores. E foi aí que o Paysandu brilhou e tornou-se a primeira, e até aqui única, equipe da região Norte a disputar o torneio Sul-americano.

E aquele time do Paysandu, dirigido por Givanildo Oliveira, tinha jogadores interessantes, que se deram muito bem naquele ano.

O time era formado por muitos jogadores surgidos no Pará, representando a força do Estado. Lecheva era um dos destaque da equipe, com sua técnica na meia. 

Vandick, o atacante, era outro exemplo de bom jogador naquela equipe, que tinha a dupla Vélber e Jóbson na meia.

Além do artilheiro Jajá, com passagem por muitos clubes, campeão gaúcho de 2000 pelo Caxias. Além disso, surgia naquele ano um jovem Magnum, que ajudaria muito na conquista do clube.

Sandro Goiano era um volante de pegada e ajudava na marcação daquele time, muito bem montado pelo experiente Givanildo. 

E o ano começava com a disputa do Campeonato Paraense e Copa Norte. Para jogar a Copa dos Campeões, o Papão precisaria ir bem na Copa Norte. 

Diferentemente de outros estaduais pelo Brasil, o Paraense teria a presença de todos os clubes. Oito clubes jogaria turno e returno na primeira fase. Com campanha incrível, o Paysandu venceu dez e emaptou quatro dos 14 jogos que fez, com 32 gols pró (melhor ataque) e nove gols contra (melhor defesa). Contra o maior rival, Remo, dois empates: 2 x 2 e 0 x 0.

Na semifinal, o time enfrentaria o Ananindeua e, no Mangueirão, logo do jogo de ida, venceu por 6 x 1, com dois de Zé Augusto. Na partida de volta, também no Mangueirão, uma vitória de 1 x 0, com gol de Valdomiro, classificaria o time para a final, diante da Tuna Luso, que passara pelo Remo.

Em dois jogos no Mangueirão, o Papão venceu os dois, por 3 x 1 e 3 x 0. No segundo jogo, Valdomiro, Sandro Goiano e Albertinho fizeram os gols da conquista invicta do Papão, que foi muito superior a todos os rivais, com 14 vitórias e quatro empates em 18 jogos, com 45 gols pró e onze contra, com melhor ataque e defesa do torneio.

Jóbson e Valdomiro, com nove gols cada, foram os artilheiros do torneio, com o 40° título estadual do Paysandu.

Um pouco mais difícil daquele ano seria a disputa da Copa Norte, que daria vaga vaga ao vencedor na Copa dos Campeões.

Torcida do Paysandu esteve presente na decisão da Copa dos Campeões – CARLOS SILVA/Futura Press

O torneio era disputado por times de todos os estados da região Norte, além de clubes do Maranhão e Piauí, do Nordeste, mas encostados na Região Norte.

E o grupo seria regionalizado. No grupo B, estariam clubes do Amapá e Pará. Pelo primeiro, estariam Independente e São José. Pelo Pará, além do Papão, estaria o rival Remo.

Na estreia, no Amapá, vitória de 1 x 0 sobre o Independente. Novamente como visitante, empate contra o maior rival Remo, por 1 x 1. Em casa, fechando o turno, 2 x 1 no São José.

No returno, em casa, goleada de 7 x 1 no Independente, empate em 0 x 0 com o Remo (seguia sem vencer o maior rival) e empate sem gols no Amapá, contra o São José. Em seis jogos, três vitórias e três empates, com onze gols pró e três contra, primeiro lugar da chave e vaga na segunda fase.

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Dessa vez, o time iria para o grupo F, com Moto Club-MA e Ríver-PI, além, claro, do Remo.

Em casa, Albertinho e Valdomiro marcaram na vitória de 2 x 1 sobre o Moto Club. Em casa, contra o Remo, derrota por 0 x 1, gol de Balão, que depois viria reforçar o Papão. No último jogo do turno, em Teresina, contra o Ríver, vitória por 4 x 0, com gols de Miro, Alberto, Trindade e dele, do centroavante matador Zé Augusto.

No returno, em São Luís, derrota de 1 x 2 para o Moto Club. Lecheva marcou pelo Papão. Como visitante, contra o Remo, a primeira e única vitória contra o rival naquele ano, por 2 x 1, com gols de Gino e Lecheva. Balão marcaria novamente pelo Remo. A vitória deixou o Paysandu na frente do Remo e perto da vaga. E ela veio, com vitória de casa diante do lanterna Ríver, por 3 x 1.

Com o triunfo, o Papão se classificou para a final contra o já tricampeão do torneio, São Raimundo-AM. No primeiro jogo, em casa, vitória por 1 x 0. No segundo, fora, triunfo por 3 x 0 e título ao Paysandu.

Paysandu campeão da Copa Norte de 2002 – Marcão, Pedro Paulo, Róbson, Sérgio, Sandro Goiano, Gino e Luis Fernando; Vélber, Albertinho, Vandick, Luís Carlos Trindade, Rato, Souza, Rogerinho, Marcos, Vânderson, Jóbson e Jajá – JOSÉ LEOMAR

Foi o primeiro título do Paysandu no torneio e ainda teve Lecheva como artilheiro, com nove gols.

Neste primeiro semestre, o Paysandu ainda jogava a Copa do Brasil. Na primeira fase, disputou contra o Atlético-RR. Na ida, fora de casa, vitória por 1 x 0. Em casa, triunfo por 3 x 0.

Na segunda fase, contra o Fluminense, perdeu em casa por 1 x 2 e fora por 0 x 2, sendo eliminado por um time que enfrentaria em outro torneio qualificatório para a Libertadores.

Como campeão da Copa Norte, o Paysandu foi jogar a Copa dos Campeões. E o Papão foi classificado no grupo A, com Náutico e os favoritos Fluminense e Corinthians.

Jogando em casa, no Mangueirão, o Paysandu estreou contra o Corinthians, com empate por 1 x 1, gol de Albertinho.

Gino fez contra o Cruzeiro no Brasileiro – EUGENIO SAVIO

Novamente no Mangueirão, contra o Fluminense, empate por 0 x 0. Até então, no grupo, só empates. A vaga seria definida na última rodada, contra o Náutico. Com gols de Marcos, Vandick e Jóbson, o Papão fez 3 x 2 no Náutico e passou com o primeiro lugar da chave, com o Flu em segundo.

Nas quartas de final, ainda em Belém, o Paysandu enfrentou o Bahia e venceu por 2 x 1, com gols de Jajá e Jóbson, esse aos 48 do segundo tempo. O gol do Bahia foi marcado por Róbson. Sim, ele, o Robgol, que depois vestiria a camisa do Paysandu e se tornaria ídolo.

Na semifinal, ainda em Belém, o Papão enfrentaria o Palmeiras, que vinha fazendo grande competição e havia passado pelo Fluminense. E Nenê fez 1 x 0 para o Verdão, mas Vandick, Trindade e Albertinho viraram para o clube do Norte, que chegava à decisão.

E o rival seria outra potência, o Cruzeiro, do artilheiro Fábio Júnior. Seriam dois jogos, sendo o primeiro em Belém e o segundo em Fortaleza. Em casa, o Papão saiu atrás, com gol de Fábio Júnior. Sandro Goiano empatou para o Paysandu, mas Joãozinho deu a vitória ao Cruzeiro, por 2 x 1.

A decisão, pois, ficava para o Castelão, em Fortaleza. E logo com nove minutos, Fábio Júnior fez 1 x 0, aumentando a vantagem cruzeirense. Contudo, aos 11 e 22 do primeiro tempo, Vandick virou para o Pauysandu e estava levando o jogo para os pênaltis. Aos 39, Cris empatou tudo, mas um minuto depois, Vandick marcou seu terceiro, fazendo 3 x 2 ainda no primeiro tempo. No segundo, logo com três, Fábio Júnior fez outro pelo Cruzeiro, mas aos 12, Jóbson garantiu a vitória do time do Norte.

Com o resultado de 4 x 3, o jogo foi para os pênaltis. Ricardinho perdeu para o Cruzeiro, chutando no travessão. Jóbson marcou para o Paysandu. Vânder perdeu para o Cruzeiro, também chutando no travessão. Vélber fez para o Papão. Jussiê perdeu para o Cruzeiro, com Marcão pegando com os pés e Luis Fernando tinha nos pés a bola do título. Ele converteu e levou o Papão ao título e para a Copa Libertadores.

No Brasileiro 2002, o Paysandu praticamente apenas cumpriu tabela. Dos 26 clubes participantes, ficou em 20°, a dois perigosos pontos da zona de rebaixamento, com nove vitórias, dois empates e 14 derrotas, com 35 gols pró e 46 gols contra. A campanha em casa mostrava como era o forte o Papão no Mangueirão. Foram 13 jogos, com oito vitórias, um empate e quatro derrotas, com 27 gols pró e 20 gols contra.

Jósbson foi o artilheiro do time no torneio, com dez gols marcados, mesma marca da dupla campeão Diego e Robinho.

Paysandu, campeão da Copa dos Campeões de 2002 – Marcão, Sandro Goiano, Sérgio, Gino e Luís Fernando; Marcos, Jajá, Rogerinho, Jóbson, Vélber e Vandick – JOSE LEOMAR

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