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Platini é liberado após depor sobre escolha do Catar como sede da Copa

Advogado do ex-presidente da Uefa diz que a detenção foi 'desproporcional' e houve 'muito barulho por nada'

Por AFP - 19 jun 2019, 01h57

O ex-craque francês e ex-presidente da Uefa Michel Platini foi liberado, na noite desta terça-feira 18, depois de ter sido detido e interrogado sobre a suposta corrupção na escolha do Catar como sede da Copa do Mundo de 2022.

“A prisão preventiva foi revogada”, disse o advogado do ex-astro francês, William Bourdon, que lamentou que se faça “muito barulho por nada”.

“Esta detenção de Michel [Platini] foi injusta e desproporcional”, acrescentou o advogado.

Na saída do Escritório anticorrupção da Polícia Judiciária, em Nanterre, Platini comentou que “embora eu devesse me apresentar livremente, fui colocado imediatamente sob custódia. Isso foi doloroso”.

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De acordo com o ex-jogador da seleção francesa, nessas dependências policiais o interrogaram “sobre a Euro 2016, a Copa do Mundo da Rússia [em 2018], a Copa do Mundo do Catar, o Paris-Saint Germain e a Fifa”.

Platini garantiu que durante todo o interrogatório se manteve “sempre sereno, já que me sinto completamente alheio a qualquer negócio”.

Já o advogado Bourdon disse que “de nenhuma maneira Michel Platini pode ser considerado suspeito de qualquer coisa. Para nós este é um caso encerrado”.

Além de Platini, de 63 anos e que ocupou o cargo de vice-presidente da Fifa até 2015, também foi detida a ex-conselheira de Esportes do governo Sarkozy, Sophie Dion, segundo uma fonte judicial.

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Platini e Dion foram levados ao escritório anticorrupção da polícia judicial, em Nanterre, perto de Paris, onde também está sendo interrogado o secretário-geral do Palácio do Eliseu durante a presidência de Sarkozy, Claude Guéant.

A Procuradoria Nacional de Finanças (PNF) abriu em 2016 uma investigação preliminar por suspeitas de corrupção no processo de escolha da Fifa para as sedes dos Mundiais de 2018 (Rússia) e 2022 (Catar).

A justiça francesa se interessa particularmente por uma “reunião secreta” que teria acontecido no Palácio do Eliseu em 23 de novembro de 2010, na qual teriam participado o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, o príncipe do Catar Tamim bin Hamad al-Thani e Michel Platini, que na época era presidente da Uefa e vice-presidente da Fifa.

“Acordo diplomático”

Em 2 de dezembro de 2010, a Copa do Mundo-2018 foi atribuída à Rússia, enquanto que a Inglaterra foi eliminada da disputa para sediar o torneio na primeira votação. Já o Catar foi o escolhido para organizar a Copa de 2022, ganhando surpreendentemente dos Estados Unidos.

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A escolha do Catar, um país rico em petróleo, como sede da Copa de 2022 pelos membros do comitê executivo da Fifa foi um dos estopins da grave crise que abala a entidade desde 2015.

No fim daquele ano, 16 membros do comitê executivo da Fifa foram expulsos, suspensos ou investigados.

Em outubro de 2015, o ex-presidente da Fifa Sepp Blatter acusou a França. O dirigente suíço mencionou um “acordo diplomático” para que os Mundiais de 2018 e 2022 acontecessem na Rússia e Estados Unidos, mas este plano fracassou após “a interferência governamental de Sarkozy”. O ex-presidente francês nega qualquer intervenção.

Michel Platini “não tem absolutamente nada para se recriminar e alega ser totalmente alheiro aos fatos dos quais é acusado”, afirmaram nesta terça-feira os advogados do ex-jogador francês.

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“Não é de forma alguma uma detenção, mas sim uma audiência como testemunha no processo dos investigadores”, continuaram.

Platini “depôs com serenidade e precisão, respondendo a todas as perguntas. Ele está absolutamente confiante sobre a continuação do processo”, concluíram os advogados.

Depoimento de Blatter

Nesta terça-feira, Blatter, que também depôs como testemunha na Suíça em 2017, a pedido da justiça francesa, afirmou à emissora suíça RTS sua “grande surpresa”. “Acreditava que o caso Catar estava fechado de uma vez por todas”, declarou.

O ex-presidente da Fifa voltou a citar uma conversa por telefone com Platini, seu ex-amigo e aliado, que teria acontecido após a reunião de 23 de novembro de 2010.

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“Lembro deste momento. Era final do mês de novembro de 2010, depois dele ter sido convidado ao Palácio do Eliseu, onde se reuniu com o presidente Sarkozy, que havia conversado com o príncipe herdeiro e atual emir do Catar”, afirmou Blatter.

“E ele me disse que o consenso que tínhamos para ir em 2018 à Rússia e em 2022 aos Estados Unidos talvez não aconteceria porque Sarkozy pediu a Platini e a outros para votaram no Catar”, concluiu o suíço.

Blatter foi suspenso por seis anos pela Fifa “de toda atividade ligada ao futebol” por um pagamento polêmico de 2 milhões de francos suíços (1,8 milhão de euros) a Platini, também suspenso por quatro anos.

Suíça e Estados Unidos também iniciaram investigações relacionadas ao processo de escolha das sedes das duas Copas.

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