Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Novo antibiótico pode ser eficaz contra superbactérias

Cientistas identificaram substância que, em testes laboratoriais, destruiu bactérias que são resistentes aos medicamentos disponíveis atualmente

Cientistas americanos desenvolveram um antibiótico que parece ser eficaz no combate de uma série de doenças provocadas por bactérias, inclusive por aquelas que desenvolveram resistência aos medicamentos disponíveis atualmente, conhecidas por superbactérias. Segundo os pesquisadores, não é possível determinar se as bactérias também se tornarão resistentes a esse antibiótico no futuro. No entanto, caso isso ocorra, é provável que leve décadas até que os primeiros casos apareçam.

Leia também:

A era pós-antibiótico

Cientistas apontam alternativa para combater superbactérias sem antibiótico

A pesquisa foi coordenada por Kim Lewis, pesquisador do Centro de Descobertas Antimicrobianas do Departamento de Biologia da Universidade Northeastern, nos Estados Unidos. Lewis e sua equipe analisaram cerca de 10 000 compostos isolados de uma cultura de bactérias retiradas de um campo de gramado e com potencial para compor um antibiótico. Elas descobriram que uma dessas substâncias, chamada teixobactina, tem uma “atividade excelente” contra superbactérias como a Mycobacterium tuberculous e a Methicillin Resistant Staphylococcus aureus (MRSA).

De acordo com os pesquisadores, a teixobactina destrói a parede das células das bactérias. Baseados nos testes feitos com a substância em laboratório, os autores do estudo estimam que pode levar 30 anos até que as bactérias desenvolvam resistência à droga. O estudo completo foi publicado nesta quarta-feira na revista científica Nature​.

O antibiótico ainda precisa ser testado em humanos para que os pesquisadores tenham certeza de sua eficácia e, consequentemente, aprovem o uso clínico do medicamento.

As superbactérias, que são os microrganismos que deixam de responder a todos ou à maioria dos antibióticos disponíveis, se tornaram um grande problema de saúde pública. Uma recente pesquisa britânica sugere que, caso nada seja feito em relação ao problema, as mortes provocadas pelas superbactérias poderão passar das atuais 700 000 para 10 milhões ao ano no mundo em 2050. Esse número é superior ao total de óbitos causados pelo câncer atualmente, que é de 8,2 milhões ao ano.