As novas pistas da ciência sobre a existência de matéria escura
Experimento feito debaixo da terra nos EUA pode ter observado pela primeira vez uma reação entre átomos que confirma a existência desse tipo de matéria
No laboratório subterrâneo de Stanford, na Dakota do Sul, um grupo de cientistas pode ter alcançado o mais novo patamar na ciência sobre a existência de matéria escura, substância do universo que compõe, supostamente, mais de 70% de todas as coisas do espaço. A nova descoberta, divulgada na última terça-feira, 1, e enviada a uma revista científica para publicação, narra a observação de sinais da matéria escura durante experimentos.
A observação dos cientistas encontrou uma interação antes hipotética entre partículas, chamada WIMP (em inglês, Weakly Interacting Massive Particle, ou partícula massiva que interage fracamente). Esse tipo de interação é um dos candidatos na ciência a ser classificado como uma partícula de matéria escura.
No laboratório subterrâneo, que fica a 1,6 quilômetros abaixo da superfície, o experimento chamado de Lux-Zeplin (LZ) foi pensado para capturar os momentos em que partículas de matéria escura interagem com matéria comum. No universo, a matéria escura, mesmo compondo a maior parte da existência, não interage em geral com o restante da matéria comum, que compõe as estrelas, planetas, pessoas e todo o resto visível. A única pista da real existência da matéria escura está nos efeitos gravitacionais que ela imprime em escalas galácticas, já que ela é invisível aos olhos e aos telescópios.
O projeto usa dez toneladas do gás nobre xenônio em formato líquido, inserido dentro de um dispositivo detector. O elemento é utilizado para verificar quais partículas entram em contato com ele nos momentos de espalhamento, quando dois átomos interagem e se dispersam. Nesses momentos, geralmente flashes de luz aparecem, e as propriedades dessa luz indicam aos pesquisadores qual outra partícula interagiu com o xenônio.
No experimento mais recente, que levou à divulgação dos resultados em uma conferência e no envio de uma pesquisa para a revista Physical Review Letters, uma dessas interações com o xenônio se deu, de acordo com eles, com uma partícula que é considerada pela ciência como um WIMP.
Apesar da descoberta ser um ponto de mutação para a física e a astronomia, os pesquisadores responsáveis deixaram claro que toda a observação ainda não pode ser utilizada para confirmar a descoberta de matéria escura. O autor líder do estudo, o físico Sam Eriksen, explicou que “Mesmo de suma importância, por ser um evento único, não vamos determinar que é matéria escura”.
A matéria escura é uma das características mais misteriosas do universo, com diversas teorias que podem explicar sua existência (ou inexistência). A ciência ainda não tem um consenso geral sobre os principais traços da matéria escura, da mesma forma que ainda não há consenso também sobre as naturezas da energia escura, um tipo de energia cósmica relacionada à matéria.





