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Prótese de retina restaura visão em ratos

Pesquisadores conseguiram traduzir sinais usados pelos neurônios para se comunicar com o cérebro

Pesquisadores da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, desenvolveram uma prótese que é capaz de restaurar a visão em retinas danificadas. Todas as próteses desenvolvidas até agora eram capazes de permitir uma percepção rudimentar da luz, sem grandes detalhes visuais. Agora, os pesquisadores conseguiram superar essa limitação ao incorporar, em um dispositivo de alta resolução, o código normalmente usado pela retina para se comunicar com o cérebro. A pesquisa foi realizada em ratos e publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

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RETINITE PIGMENTOSA

A retinite pigmentosa é um tipo de degeneração da retina que leva à perda da visão. Pacientes afetados sentem, inicialmente, cegueira noturna seguida de redução do campo visual. Muitas pessoas com retinite pigmentosa não ficam cegas até os 50 anos e alguns permanecem com parte da visão a vida toda.

Mais de 20 milhões de pessoas ao redor do mundo são cegas ou estão em risco de ficar por causa de doenças degenerativas que afetam a retina, como a degeneração macular e a retinite pigmentosa. Nos olhos saudáveis, quando uma imagem entra na retina, ela é transformada em padrões de impulsos elétricos, que são transportados ao cérebro pelos neurônios da região. Nessas doenças, as células responsáveis por fazer essa tradução, os fotorreceptores, estão danificadas. Enquanto isso, as outras células ficam intactas.

As próteses fazem uso dessa característica ao contornar o tecido danificado e providenciar estímulo direto às células que sobreviveram. O que os pesquisadores da Universidade de Cornell fizeram foi entender o código usado para dirigir a tradução das imagens em impulsos elétricos e construir uma prótese capaz de imitar o processo.

Ao usar o dispositivo, ratos cegos, conseguiram transmitir as informações visuais de modo correto em 90% das vezes. Com as próteses, os animais foram capazes de discernir traços faciais e rastrear visualmente uma imagem. De acordo com os autores, essa pesquisa deve levar, no futuro, ao desenvolvimento de uma prótese de retina efetiva para uso em humanos.

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