Pesquisa descobre como camundongo consegue viver a 6.700 metros de altitude
Descoberta pode trazer informações valiosas para a medicina e o tratamento de doenças
Um grupo de pesquisa da Universidade de Montana, nos Estados Unidos, descobriu como um camundongo chileno consegue viver a 6.700 metros de altitude, segundo estudo publicado na última quinta-feira, 9, na revista Science. A descoberta, de acordo com os autores, pode trazer informações valiosas para a medicina.
A espécie estudada foi o camundongo-orelhudo-andino. Esses animais vivem desde o litoral até alguns dos picos mais altos do Chile – e do mundo –, questionando os limites fisiológicos conhecidos. Os roedores foram descobertos há seis anos e conquistaram o recorde mundial de mamíferos capazes de viver na maior altitude.
A pesquisa mostrou que tanto os camundongos que vivem no litoral, quanto os roedores dessa espécie que habitam as montanhas são geneticamente semelhantes, assim como os seres humanos que vivem em diferentes altitudes. Tal qual as populações tibetanas, os camundongos resistentes a 6.700 metros possuem somente alguns genes diferentes associados à adaptação à hipóxia – condição caracterizada pela quantidade insuficiente de oxigênio.
A diferença dos seres humanos do Tibet é que esses roedores enfrentam as condições extremas de outra forma. Eles não produzem mais glóbulos vermelhos para captar oxigênio, como alguns mamíferos fazem, mas respiram mais rapidamente graças a uma enzima modificada que reduz os efeitos negativos dessa respiração acelerada.
Os camundongos também possuem outras habilidades incomuns. A partir de experimentos realizados em câmaras frias, percebeu-se que eles têm a capacidade de manter o calor corporal. Além disso, por conta de seu metabolismo, os roedores subsistem alimentando-se de plantas escassas e tóxicas.
Com base nas descobertas sobre o pequeno animal, a equipe de pesquisadores compreenderam que sua capacidade de adaptação a ambientes extremos pode ser útil para a medicina de uma maneira geral. Várias doenças cardíacas estão relacionadas a uma alteração no fornecimento de oxigênio. Nesse sentido, o entendimento dessa resistência pode ser importante para o avanço em relação ao modo de lidar com condições semelhantes.
(com AFP)







