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O perigo dos futuros data centers que orbitarão no espaço

Propostas da SpaceX e Blue Origin, agências espaciais privadas de Elon Musk e Jeff Bezos, querem colocar centros de dados em satélites

Por Lorenzo Souza Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 jul 2026, 18h22
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Com o avanço da exploração espacial, observada em especial pelas missões Artemis, da agência espacial americana, a Nasa, outras empresas também querem conquistar seu espaço em meio ao vácuo sideral. Dentre elas, destacam-se a SpaceX, do trilionário Elon Musk, e a Blue Origin, de Jeff Bezos, que pretendem lançar ao espaço os centros de dados, infraestrutura que segue uma linha polêmica com a ascensão da inteligência artificial (IA). Porém, segundo especialistas americanos, os projetos das empresas podem trazer danos ‘catastróficos’ ao planeta Terra. 

As organizações sem fins lucrativos Public Employees for Environmental Responsibility (Peer), Earthjustice e DarkSky International, além de vários outros grupos, assinaram uma petição no início do mês endereçada à Comissão Federal de Comunicações (FCC) em que pedem pela revisão dos planos de construção desses centros de dados em áreas espaciais. O órgão americano é o responsável por aprovar esse tipo de infraestrutura fora do planeta. 

Satélites podem causar problemas à atmosfera da Terra durante todo seu trajeto, desde a chegada ao céu até seus desligamentos, que geralmente acontecem de cinco a quinze anos após sua instalação. O lançamento emite carbono negro, óxidos de nitrogênio, monóxido de carbono, óxido de alumínio, gases cloro, e quando já estão em órbita, mercúrio. Quando são desligados, a descida de volta à Terra libera metais com a alta temperatura do trajeto, e esses compostos são liberados na estratosfera. 

Só a SpaceX, empresa de exploração espacial do trilionário Elon Musk, enviou à FCC um pedido para instalar em órbita uma constelação de um milhão de satélites para o desenvolvimento de centros de dados para a IA no espaço. No início de julho, um estudo do Observatório Europeu do Sul (ESO) publicado na revista Astronomy & Physics alertou para o perigo que os futuros planos de aumentar as constelações de satélites — não só da SpaceX, como também da Reflect Orbital, que quer colocar 50 mil máquinas em órbita até 2035 — podem trazer para o céu noturno e para as observações astronômicas, ameaçadas pela luminosidade que os satélites podem trazer. 

De acordo com informações do The Guardian, funcionários do braço espacial do governo americano duvidam da viabilidade dos datacenters espaciais. Para Steve Volz, ex-diretor da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), colocar milhões de satélites, além dos que já estão em órbita, criaria um risco ambiental significativo. Ao jornal, ele disse que “existem materiais complexos nessas coisas, e que se elas queimam, você não vai querer preencher a atmosfera com detritos deles mais do que você gostaria se viesse de uma chaminé”. 

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