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PF prende chefe do tráfico do Complexo da Maré

Traficante 'Menor P.' tem, entre outros crimes, a tortura contra o jogador Bernardo, do Vasco, punido por ter se envolvido com uma de suas amantes

Por Leslie Leitão
26 mar 2014, 20h41

Mais procurado traficante do Complexo da Maré, o bandido Marcelo Santos das Dores – conhecido como Menor P. – foi preso na tarde desta quarta-feira pela Polícia Federal. Entre outros “feitos”, Menor P. tem no currículo a tortura e as ameaças sofridas pelo jogador Bernardo, do Vasco, como punição por ter se envolvido com uma de suas mulheres.

Menor P. foi preso com uma camisa do Flamengo, em um apartamento no bairro de Jacarepaguá, na Zona Oeste. Ele se preparava para assistir, com amigos, ao jogo Flamengo e Cabofriense, esta noite, pelo Campeonato Carioca.

A prisão foi feita pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Superintendência da Polícia Federal no Rio. A ação é parte da cooperação de forças que deve resultar, a partir do dia 7 de abril, na ocupação do Complexo da Maré, com apoio do Exército, das polícias federais e da Força Nacional de Segurança. Nesta quarta-feira, a Marinha anunciou que sua participação na operação será apenas de “apoio logístico” – como ocorreu no Complexo do Alemão, quando foram cedidos blindados e equipamentos.

Em nota, a Secretaria de Estado de Segurança do Rio de Janeiro informou que o secretário José Mariano Beltrame vai conversar com o superintendente da Polícia Federal do Rio, Roberto Cordeiro, para que o criminoso seja enviado a um presídio federal.

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Bandido – Menor P. passou a faturar alto em 2009, quando assumiu o controle de quase todas as favelas do Complexo da Maré, localizado às margens da Linha Vermelha e da Avenida Brasil, rotas obrigatórias para turistas que chegam ao Rio de Janeiro pelo Aeroporto do Galeão. A fama do bandido é de uso da violência e de ganância. Investigações da Polícia Civil indicam que ele extorquiu cerca de 2 milhões de reais de empreiteiras que faziam obras públicas que passavam em seu reduto. Para aumentar seus domínios, capitaneou disputas pelo território que deixaram quase uma centena de mortos, punindo traidores com a sentença de morte do tráfico.

O criminoso adotou também políticas assistencialistas, distribuindo gás, remédios e presentes para moradores da favela em datas festivas como Natal, Dia das Crianças, promoveu shows de artistas famosos, como o cantor Naldo, e grandes cultos evangélicos para angariar a simpatia de todos os gêneros. Tudo isso, misturado à corrupção de parte das forças policiais a quem paga.

Menor P. – ou Astronauta – é tão confiante que gostava de dar recados no baile. Numa das gravações que foram parar no YouTube, ele pede a união de todos os moradores e reclama que a polícia e o Diabo tentaram ‘ceifar sua vida’. E em seguida cita uma passagem bíblica: “Eu sou que nem o Monte Sião, que não se abala nunca mas permaneço para sempre”. O traficante encerra seu discurso demagogo pedindo gritos mais altos dos presentes ao baile: “Quero ouvir toda a comunidade gritando, porque quem manda na comunidade é vocês (sic), a gente só administra”.

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