Advogados de Jairinho negam tortura e atribuem morte de Henry a hospital
Defesa do ex-vereador sustenta que investigação foi manipulada; menino morreu em março de 2021
Ao apresentar os argumentos finais no julgamento sobre a morte do menino Henry Borel, a defesa do ex-vereador carioca Jairo Souza Santos, o Dr. Jairinho, procurou convencer os jurados de que ele não agrediu a criança e que a investigação foi manipulada. A versão dos advogados é a de que o ex-vereador e a criança tinham um bom relacionamento e que as “bandas” e “mocas” relatadas por Henry eram uma brincadeira e não podem ser consideradas uma forma de tortura. “Esse menino não apanhou do Jairinho. Eu também brincava com meu filho. Banda, moca, lutinha”, minimizou o criminalista Zanone Manuel de Oliveira Júnior.
A situação do ex-vereador ficou ainda mais complicada depois que a professora Monique Medeiros, mãe de Henry e sua ex-companheira, afirmou pela primeira vez, no interrogatório, que acredita que Jairinho tenha matado o filho. “Mesmo acusando, ela não tem certeza”, rebateu Zanone.
Depois que foi presa e rompeu com o ex-vereador, Monique contratou advogados próprios e mudou a explicação que apresentou nos primeiros depoimentos. A versão inicial, de que Henry foi encontrado por ela caído no quarto, foi retificada. Ela sustenta agora que estava dormindo e que não presenciou o que aconteceu com o filho na madrugada do dia 8 de março de 2021. Também acusa Jairinho de agressões e traições.
Os advogados do ex-vereador afirmam que Henry passou mal porque se acidentou enquanto estava com o pai, Leniel Borel, durante o final de semana. “Leniel entrega uma bomba relógio para Monique e para o Jairo”, sustentou o advogado Fabiano Lopes, que também defende o ex-vereador.
A equipe jurídica também alega que a criança estava viva quando deu entrada na emergência do hospital Barra D’or, caso contrário a equipe médica não teria empreendido tanto esforço na tentativa de reanimação, e atribui a morte – e os machucados identificados no corpo – às manobras de ressuscitação e entubação. “Esse menino não sofreu lesões no interior do Magestic. Ele chegou vivo ao hospital”, disse Zanone.
O julgamento do caso já é o mais longo do Tribunal do Júri do Rio de Janeiro desde 2008, quando o rito dessas decisões foi alterado no país para torná-las menos demoradas. É o décimo dia ininterrupto de sessão.







