Ex-presidente Juscelino Kubitschek entra oficialmente no rol de vítimas da ditadura militar
Grupo vai expedir um comunicado oficial à família de JK e, caso não haja oposição familiar, dará seguimento ao processo de retificação da certidão de óbito
A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, do Ministério Público Federal (MPF), inseriu oficialmente o ex-presidente da República Juscelino Kubitschek na lista de vítimas da ditadura militar (1964-1985). “Nós temos a honra de comunicar que hoje houve o reconhecimento da condição de morte não natural, violenta, causada pela perseguição política do Estado brasileiro em relação à pessoa do ex-presidente Juscelino Kubitschek”, disse a procuradora Eugênia Augusta Gonzaga, que preside a comissão.
Durante coletiva de imprensa, o relatório aprovado pela comissão foi apresentado com evidências de que o ex-presidente foi assassinado em 1976 e não vítima de acidente de carro — conforme sempre foi dito. Agora, o grupo vai expedir um comunicado oficial à família de JK e, caso não haja oposição familiar, dará seguimento ao processo de retificação da certidão de óbito.
“Além disso, a comissão vai oficiar o estado de Minas Gerais e a cidade natal do ex-presidente, os locais públicos que se refiram à sua vida, informando sobre as conclusões do relatório e dará também ciência ao Memorial JK da decisão, bem como ao Ministério da Educação, para providências cabíveis em relação aos conteúdos dos currículos e livros didáticos”, disse nota do MPF.
Esta previsto ainda pedidos de desculpas a Josias Nunes de Oliveira, motorista do ônibus que foi apontado como suposto causador do acidente, de acordo com a versão oficial da época. “As investigações das autoridades durante a ditadura militar apontaram que o Opala que conduzia o ex-presidente pela Via Dutra atravessou o canteiro central e bateu de frente com uma carreta, causando a morte de JK e do motorista que o conduzia, após supostamente o ônibus conduzido por Josias colidir na traseira do veículo. O motorista do ônibus chegou a responder criminalmente por ter causado o acidente, mas foi absolvido em 1978. A absolvição foi por falta de materialidade, sob o fundamento de que não houve colisão entre o ônibus e o Opala que conduzia o ex-presidente”, registra o MPF.
O relatório que aponta a morte de JK tem mais de 1.300 páginas e cerca de 6.000 páginas de anexos documentais. É considerada o relatório mais completo sobre o caso.







