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Vacina contra dengue é recomendada pela OMS

Imunizante da farmacêutica Sanofi, aprovada no Brasil em dezembro, deve ser usada em conjunto com ações para o controle do mosquito

Um comitê de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou nesta sexta-feira o uso da vacina contra a dengue elaborada pela farmacêutica Sanofi Pasteur nos países onde o vírus é endêmico. A decisão foi feita com base em um parecer do Grupo Estratégico Consultivo de Estratégico de Especialistas (Sage) da OMS, que se reuniu para discutir o assunto em Genebra. A vacina foi aprovada pela Anvisa em setembro e é a única registrada no mundo para combater a dengue.

Os especialistas aconselham que, nos países onde a doença é endêmica, a introdução da vacina contra a dengue seja feita como em conjunto com medidas de combate ao mosquito Aedes aegypti (transmissor da dengue, chikungunya e zika) e a educação contínua das comunidades. A estratégia integrada deve permitir que esses países cumpram os objetivos da OMS de reduzir em 25% a proporção de pessoas infectadas e em 50% a mortalidade da dengue até 2020.

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Vacina da dengue – O imunizante da Sanofi, que exigiu 20 anos de pesquisa e um investimento de 1,5 bilhão de euros, foi submetida às autoridades de saúde de cerca de 20 países em 2015, e espera-se que seja apresentada para a autorização a outros 15 países até o fim deste ano.

De acordo com a farmacêutica, a vacina, chamada DengVaxia, que além de aprovada no Brasil também foi homologada no México, Filipinas e El Salvador, protege contra a doença em 60,8% dos casos e deve prevenir oito em cada dez hospitalizações. Ela também é capaz de impedir até 93% dos casos de dengue grave, incluindo a dengue hemorrágica. Três doses devem ser tomadas, com intervalo de seis meses entre cada uma delas.

No país, ela aguarda a definição de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), a partir do que poderá ser vendida pelos laboratórios.

Outras vacinas contra a dengue estão em estudo pelos cientistas. A que está em estágio de pesquisas mais avançado e tem previsão de alta eficácia está sendo desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com o National Institutes of Health (NIH, na sigla em inglês). Atualmente, está na fase de testes clínicos, que confirmou que uma única dose do imunizante oferece proteção completa contra a dengue – acima de 90%. Após essa fase, a vacina deve ser enviada à Anvisa para registro.

Outras vacinas estão sendo feitas pelo GlaxoSmithKline, em parceria com a Fiocruz, pela Takeda Pharma e pela americana Merck.

Aumento de casos de dengue – O número de casos de dengue foi multiplicado por 30 nos últimos cinquenta anos. A doença infecta 390 milhões de pessoas ao ano no mundo, 96 milhões das quais precisam de tratamento, segundo a OMS. Apenas os casos mais graves, ou cerca de 500 000 ao ano, resultam em internações – uma grande proporção desses casos é de crianças e idosos.

No Brasil, cerca de 58 000 casos de dengue no Estado de São Paulo estão fora das estatísticas oficiais, de acordo com um levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo. Segundo os dados, há divergência entre os número de casos autóctones da doença registrados pelos municípios e as informações publicadas no site do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), da Secretaria Estadual da Saúde.

A maior diferença foi encontrada na cidade de São Paulo, que confirmou 100.431 casos em 2015, dos quais apenas 45.359 estão registrados pela pasta estadual. Neste ano, a capital registrou 1.983 casos, mas o CVE aponta apenas 67.

(Com AFP)