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Diversidade de línguas da humanidade era maior há 3 mil anos do que hoje, segundo novo estudo

Mais de 75 mil línguas diferentes podem ter existido no planeta entre 1 e 3 mil anos atrás, de acordo com modelo demográfico

Por Lorenzo Souza Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 jul 2026, 19h38 | Atualizado em 28 jul 2026, 15h55
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Em um mundo globalizado, tornou-se comum que alguns idiomas — como o inglês ou espanhol, ao menos no Ocidente — sejam mais amplamente falados. Ainda assim, o planeta comporta hoje cerca de 7.500 línguas conhecidas e ainda utilizadas de alguma forma. Porém, o passado da humanidade mostra que esse número é bem menor do que já existiu. No início do período Holoceno (há cerca de 12 mil anos), a humanidade falava ainda menos línguas do que hoje mas, com o aumento das populações há cerca de 1 a 3 mil anos, o mundo chegou ao seu pico de línguas faladas, com quase 75 mil delas. A descoberta vem por meio de um estudo publicado esta semana na revista Science, produzido por pesquisadores dos EUA, Espanha e Alemanha.

O período Holoceno começa logo após o fim da última Era Glacial do planeta. Neste ponto da história, existiram diversas sociedades e grupos menores de humanos, cada um quase sempre com sua diversidade linguística própria. Os únicos registros de linguagem humana, porém, só vão até 6 mil anos atrás, o que prejudica a compreensão de como se formou, ao longo do tempo, os padrões de comunicação durante a história humana. Para isso, os pesquisadores desenvolveram um modelo demográfico que leva em conta os dados conhecidos de 171 sociedades de caça e coleta da época, utilizadas como base para populações humanas iniciais. 

Esses grupos de caça e coleta, menores e “culturalmente coesos” por natureza, tipicamente falavam uma língua própria. O modelo levou em conta seus tamanhos e estimativas da população mundial antiga para inferir o número de línguas que existiram durante o início do Holoceno. À época, entre 4,4 e 7 milhões de pessoas existiam no planeta, e o modelo calculou que existiam entre 3.300 a 7.800 línguas. Para os cientistas, esse número foi menor do que o esperado. “Uma das primeiras surpresas foi que o mundo antes da agricultura provavelmente não era excepcionalmente rico em línguas”, diz Russell Gray, pesquisador do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva em Leipzig. 

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Foi a partir do advento da agricultura e da produção mais estável de comida que a população global cresceu, e com ela também suas formas de comunicação. Para capturar a complexidade dos crescimentos sociais, os pesquisadores criaram diferentes trajetórias do modelo que conectava o início do Holoceno com o presente. O descoberto foi que, diferente do que se esperava — que era uma queda gradual de uma suposta grande diversidade linguística do início da humanidade — o planeta teve seu grande pico de línguas entre 1 e 3 mil anos atrás, quando os números chegaram a valores entre 30 mil e até mais de 75 mil línguas. 

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“O resultado mais inesperado é o quão recente esse pico acontece. O período da grande diversidade linguística pode ter acontecido durante a era de expansão de estados e jovens impérios”, explica uma das autoras do estudo, a cientista Claire Bowern, da Universidade de Yale. Esse é o período descrito pelo estudo como “era de ouro” da linguagem. O modelo também explica que essa mesma seção da história foi sucedida por um rápido colapso nos dois mil anos seguintes, quando a expansão das sociedades substituiu de forma abrangente as comunidades menores, que carregavam línguas diversas. Para os autores, a crise atual dos idiomas é o ponto final de um longo processo de homogeneização cultural, impulsionado não apenas pelo colonialismo, mas também pela expansão geral da população humana. 

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Apesar da grande descoberta, os pesquisadores avisam que os resultados existem não por uma contagem real de todas as línguas que existiram durante o período, mas sim por um cálculo realizado através de um modelo que levou em conta dados pré-existentes de sociedades de caça e coleta antigas. Diferenças regionais e históricas, com toda certeza, existiram e colapsos linguísticos causados por eventos específicos e diferentes não podem ser contabilizados pelo modelo demográfico. 

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