A catástrofe espacial que criou o sistema de satélites de Netuno
Pesquisadores utilizaram Telescópio James Webb para descobrir como evento do passado destruiu suas luas antigas
Há bilhões de anos, no longínquo fim do Sistema Solar, um corpo celeste atrapalhou a dinâmica existente dos planetas e satélites vizinhos da Terra e fez com que uma catástrofe modificasse as localizações e os formatos dos corpos que rodeavam o Sol. Entre os envolvidos na “tragédia”, estão Netuno e sua maior lua, Tritão, originária do Cinturão de Kuiper antes de ser capturada pela gravidade de Netuno e causar uma catástrofe que reescreveu o sistema de luas do planeta azul, segundo um novo estudo publicado na revista Science Advances.
Netuno é o último planeta do Sistema Solar e um dos quatro planetas formados por gases, como Júpiter, Saturno e Urano. Perto de seu corpo, ele possui três satélites (ou “luas”) menores, Proteus, Larissa e Galatea, além de uma maior, Tritão, que tem quase o mesmo tamanho do antigo planeta Plutão. Foi essa última que, há bilhões de anos, causou uma catástrofe no sistema de luas do planeta azul.
A pesquisa, realizada por cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia e do Instituto de Ciência do Telescópio Espacial, identificou, por meio do Telescópio James Webb, da Nasa, que as três luas menores de Netuno são formadas por minerais geralmente encontrados apenas em corpos celestes nos limites do Sistema Solar, como o planeta anão Ceres, que orbita entre Marte e Júpiter. De acordo com o estudo, como Proteus, Larissa e Galateia são muito pequenas, elas não poderiam ter formado esses minerais de forma natural, pela interação frequente e longa entre rocha e água. A única explicação, portanto, seria um evento catastrófico que teria destruído um corpo antigo e que de seus restos se formaram as luas menores.
À agência de notícias Reuters, a pesquisadora Ryleigh Davis, autora principal do estudo, explicou que o interior das luas de planetas gelados geralmente fica escondido da ciência, devido à dificuldade de analisá-lo. “As luas internas de Netuno podem ser o único exemplo no Sistema Solar em que podemos observar diretamente o material, porque a destruição dos mundos fez com que eles fossem virados do avesso”, diz.
A principal culpada por essa situação, a lua maior Tritão, teria causado a catástrofe após ser capturada pela gravidade de Netuno. À época, as grandes luas que orbitavam o planeta foram destruídas pela chegada do “gigante”, que, com sua própria gravidade, fez com que os outros satélites se atraíssem e fossem destruídos. Segundo o estudo, foi desses restos “mortais” internos que se formaram as luas menores do planeta.
Netuno possui atualmente 16 luas conhecidas e é um dos únicos gigantes gasosos cujos satélites não têm uma movimentação ordenada. Tritão, sua maior lua, se movimenta de forma contrária à rotação do planeta, o que mostra que ela não foi formada com Netuno desde o início. Nereide, uma das luas de Netuno com a trajetória elíptica mais diferente, aparenta ser a única sobrevivente da catástrofe de bilhões de anos. Sua composição, revelada por outro estudo, sugere que ela foi uma das últimas grandes luas a sobreviver.







