Eclipse solar total escurecerá parte da Europa e do Ártico no dia 12
Fenômeno cruzará Groenlândia, Islândia e Espanha em 2026, mobilizando cientistas e exigindo proteção ocular rigorosa dos observadores
No fim da tarde do dia 12, um eclipse solar total varrerá regiões do Hemisfério Norte, projetando sombra sobre Groenlândia, Islândia, norte da Rússia, Portugal e Espanha. O fenômeno ocorre quando a Lua se interpõe entre a Terra e o Sol e encobre por completo o disco solar, escurecendo o céu por instantes em pleno dia. Será o primeiro eclipse solar total a cruzar o território continental espanhol em mais de um século, e a data ainda coincidirá com o pico da chuva de meteoros Perseidas e um alinhamento de planetas — reunindo três espetáculos celestes em uma mesma janela de dias.
A sombra da Lua nascerá sobre o Ártico e atingirá sua maior duração, 2 minutos e 18 segundos, sobre as águas do Atlântico Norte. Em solo, o ponto de escuridão mais prolongada ficará no penhasco de Látrabjarg, no extremo oeste da Islândia, onde a totalidade se estenderá por 2 minutos e 13 segundos. Já na região de León, na Espanha, moradores e turistas poderão testemunhar cerca de 1 minuto e 45 segundos de escuridão total — um raro eclipse observado próximo ao horizonte, pouco antes do pôr do sol.
O clima será decisivo para quem planeja acompanhar o fenômeno a céu aberto. Segundo o meteorologista Jay Anderson, o fiorde de Scoresbysund, na Groenlândia, funciona como um microclima raramente nublado, com mais de 70% de chance de céu limpo no dia do eclipse. Na Espanha, a meseta de Castilla y León também desponta entre as regiões mais promissoras, embora o relevo local eleve o risco de nuvens convectivas se formarem repentinamente ao fim da tarde, o que pode comprometer a visibilidade em poucos minutos.
O evento mobilizará grandes agências espaciais. A Nasa transmitirá o eclipse ao vivo a partir das 13h15 e lançará balões científicos na Islândia e na Espanha para monitorar as reações da atmosfera terrestre durante a passagem da sombra lunar. A Agência Espacial Europeia (ESA) promoverá um evento público em León e fará cobertura a partir do Observatório Astrofísico de Javalambre.
Apesar do fascínio que desperta, autoridades de saúde reforçam os riscos de observar o Sol sem proteção adequada. A exposição direta pode causar retinopatia solar, uma lesão ocular permanente e sem cura. Fora dos breves instantes de totalidade, a observação segura exige óculos com certificação internacional ISO 12312-2, já que óculos de sol comuns não bloqueiam a radiação solar de forma eficaz. O Instituto de Astrofísica das Ilhas Canárias alerta que até mesmo a pequena fração do Sol que permanece visível durante o eclipse parcial emite radiação suficiente para destruir de forma definitiva as células fotossensíveis dos olhos.
Quem estiver fora da faixa de totalidade — ou for surpreendido por nuvens — poderá acompanhar o eclipse pelos canais oficiais da NASA e da ESA na internet. Para a Espanha, o evento de agosto marca apenas o início de um ciclo raro: o país voltará a receber a sombra da Lua em agosto de 2027 e em janeiro de 2028, consolidando os próximos anos como um período excepcional para a observação de eclipses solares em seu território.







