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Norman volta como um Édipo moderno em ‘Bates Motel’

Série que estreia no Brasil nesta quinta-feira, no canal Universal, tem Freddie Highmore no papel do submisso personagem do clássico 'Psicose'

Por Patrícia Villalba, do Rio de Janeiro 4 jul 2013, 16h01

Como explicar o que levou o doce e submisso Norman Bates a se vestir como a mãe e promover um banho de sangue no motel da família? A dúvida, a perseguir os admiradores do thriller Psicose desde 1960, é digna de uma nova história, preâmbulo macabro de uma tragédia cujo final todo mundo conhece. Bates Motel, série do Universal Channel que foi ao ar nos Estados Unidos em março e chega ao Brasil nesta quinta-feira (4), às 22 horas, é isso e um pouco mais. “A série é interessante porque na maioria dos programas de TV você não sabe qual é o final; aqui, sim. Então, o melhor é saber como se desenvolveu a relação desses dois personagens, Norma e Norman”, observou o ator inglês Freddie Highmore, que visitou o Rio há duas semanas para divulgar a série.

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Em vez de aparecer como uma megera, perfil que o filme faria supor, Vera Farmiga preenche com seu charme aquela figura enigmática e embalsamada do filme, tão bela, confusa e inconsequente quanto uma verdadeira personagem feminina de Alfred Hitchcock. “Vera defende tão bem a personagem, que temos certeza de que ela controla o filho pensando que isso é o melhor a fazer”, diz Highmore, que chegou a corar ao ser questionado, durante a entrevista coletiva, se a beleza da atriz ajuda a criar o clima edipiano da história. “Ela é, sem dúvida, muito bonita. Se tornou uma amiga da família”, disse ele, entre muitas voltas, filho de uma experiente agente de atores e namorado da atriz Emma Roberts.

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Com dez episódios e uma segunda temporada a caminho, Bates Motel usa com inteligência as referências ao filme. Mostra como, por exemplo, Norman aprendeu a arte da taxidermia, essencial no filme. Vera e Freddie ensaiaram bastante até chegarem ao modelo de voz usado nas discussões entre mãe e filho que se parecem assustadoramente com o diálogo imaginário que Perkins protagoniza no longa-metragem – a semelhança entre os dois atores é notável e não deixa dúvida para o telespectador de que aquele adolescente se tornará o tão conhecido personagem. “Perkins foi uma referência o tempo todo. Era parte do trabalho fazer acreditar que nós somos a mesma pessoa”, admitiu o ator.

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Há, ainda, uma criação livre sobre a árvore genealógica do personagem, que ganha um irmão, Dylan (Max Thieriot), filho de um primeiro casamento de Norma, e algumas histórias paralelas um tanto desnecessárias. Mas se pode arriscar dizer que Alfred Hitchcock aprovaria o spin-off televisivo do seu clássico.

Em 1960, ele mesmo escalou atores do seu programa de TV para o elenco do filme, por restrições no orçamento – de 800 mil dólares, que renderam 50 milhões de dólares. Sem se revelar para o autor Robert Boch, para poder pagar uma ninharia, comprou os direitos do livro Psicose (Pshyco) e pôs no papel principal um perfeito e desconhecido Anthony Perkins – como o personagem, filho de uma mãe dominadora.

Foi um Norman Bates tão impactante que o ator acabou marcado pelo papel. Com 21 anos, e até agora recebendo elogios por interpretar garotos bonzinhos, Highmore jura que não sente o peso do ícone. “Há certa pressão, mas para mim é mais um desafio, como os outros da minha carreira”, disse ele, aluno de Letras da Universidade de Cambridge. “Comecei muito pequeno, e acho natural que os papeis tenham mais complexidade à medida que vou ficando mais velho.”

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Filmada em Vancouver, no Canadá, a série reproduz os cenários do filme original, mas traz a história para os dias atuais. Mas não dispensa o saudosismo, e adota uma estética entre os anos 50 e 60. Norman, mesmo assim, tem iPhone. “Acho que é mais fácil criar identificação com o público num contexto contemporâneo”, justifica o ator, que usa o jeito de bom menino para compor a personalidade de um assassino vitimizado que apela para nosso coração mole – tem tipo mais atual? “Isso faz parte do motivo pelo qual me convidaram para o papel”, explica. “Você vê Norman como uma vítima porque ele sofre com a pressão da mãe, mas isso não quer dizer que ele é totalmente bom. Ele tem um lado mau e sombrio, e a gente sabe disso porque conhecemos o final da história.”

O ator conta que o melhor momento dos quase quatro meses de filmagens foi o da primeira entrada no cenário do Motel Bates. “Foi quando caiu a ficha – essa é minha casa, esse é o Motel Bates”, lembrou. “Não é o lugar mais agradável para estar.”

O lugar é agora palco de uma dose muito maior de sangue e tragédia. “Vi o filme quando tinha 13 anos e claro que gritei naquela cena do chuveiro. Mas não cheguei a ter pesadelos porque é tudo mais sugestivo, não acho muito explícito. Na série, podemos mergulhar no lado mais sombrio do personagem”, observou, que não deve aparecer tão cedo vestido com as roupas da mãe – a mania teria começado com ela ainda viva ou somente depois de morta? “Muita gente me pergunta isso. Quem sabe um dia apareça essa cena? Acho que é uma tentação a que ainda vamos resistir por um tempo”, desconversou.

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