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Cientistas chineses criam “Sol artificial” mais ‘longo’ que já existiu na Terra

O experimento durou 102 segundos e representou um grande avanço na corrida para conseguir criar uma fonte de energia viável a partir da fusão nuclear, imitando o processo que acontece no Sol

Por Da Redação - Atualizado em 6 maio 2016, 15h58 - Publicado em 15 fev 2016, 10h29

Cientistas do Instituto de Ciência Física, na China, conseguiram alcançar temperaturas três vezes maiores que a do nosso Sol ao realizar uma fusão nuclear. O experimento durou 102 segundos, e transformou a equipe de cientistas nos autores do “efeito solar artificial” mais longo que já existiu na Terra. O feito representou um grande avanço na corrida para tornar realidade um dos maiores desafios científicos do século XXI: conseguir criar uma fonte de energia viável a partir da fusão nuclear, imitando o processo que acontece no Sol.

Utilizando o reator de fusão termonuclear EAST (sigla em inglês de Tokamak Superconductor Experimental Advanced), os pesquisadores elevaram a temperatura do hidrogênio para aproximadamente 50 milhões de graus Celsius, três vezes a temperatura do núcleo do Sol (de cerca de 15 milhões de graus Celsius), transformando o gás hidrogênio em plasma.

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O maior obstáculo da fusão para ser viável como fonte de energia, segundo os especialistas, é o confinamento do plasma durante tempo suficientemente longo. Esta foi a grande façanha dos chineses, que chegaram mais longe do que ninguém nesse aspecto. Li Ge, pesquisador do Instituto de Ciência Física, explicou que o processo “foi conseguido através de um aquecimento com um plasma confinado por uma supercondução magnética”, ou seja, o plasma foi retido dentro do reator graças a um sistema de potentes ímãs.

Conseguir uma fusão nuclear estável e controlada é uma das grandes ambições da comunidade científica internacional, uma vez que tem potencial como fonte de energia limpa e é um recurso quase inesgotável. A Academia de Ciências da China definiu seu resultado como um “marco”.

Recorde – A novidade do experimento chinês não está nessa alta temperatura alcançada, mas no tempo que conseguiram mantê-la: em dezembro de 2015, uma equipe do Instituto Max Planck da Alemanha conseguiu atingir 80 milhões de graus Celsius em um teste similar. No entanto, enquanto os cientistas alemães, e antes deles outros europeus, japoneses e americanos, consideraram um sucesso chegar a estas temperaturas em uma fração de segundo, os chineses mantiveram o processo durante um minuto e 42 segundos.

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Controlar esta operação por tanto tempo demonstra uma evolução técnica que aproxima os pesquisadores da chegada de reatores nucleares de fusão capazes de imitar o processo que acontece no Sol de forma natural, gerando energia.

Entenda – A fusão é uma reação química que consiste na união de dois átomos para formar um maior, liberando uma enorme quantidade de energia no processo – utilizado, por exemplo, na bomba de hidrogênio. A energia obtida neste tipo de processo é mais potente que a vista nas usinas nucleares, que realizam fissão de átomos, partindo grandes partículas em átomos menores.

Estados Unidos, União Europeia, China, Rússia, Japão, Índia e Coreia do Sul formaram uma aliança incomum para explorar a viabilidade da fusão de hidrogênio para a geração de energia no projeto ITER (Reator Internacional Termonuclear Experimental), que está sendo construído no sul da França. O EAST chinês é uma espécie de versão em pequena escala do ITER, e os dados de seu último experimento serão disponibilizados aos parceiros internacionais que participam desse projeto, segundo anunciou a Academia de Ciências da China.

O próximo objetivo dos pesquisadores chineses é chegar aos 100 milhões de graus e preservá-los durante 1.000 segundos (16 minutos e 40 segundos). Antes de chegar a esse ponto, a Academia de Ciências da China adverte que “ainda há muitos desafios científicos e técnicos” e Li Ge acredita que o reator termonuclear terá que ser “atualizado”.

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(Com EFE)

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