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Assembleia de Deus impõe meta para eleger Russomanno

Integrantes do Ministério em Santo Amaro criam comitê informal dentro de igreja, imprimem panfletos associando líderes religiosos ao candidato do PRB

A Assembleia de Deus Ministério em Santo Amaro, da zona sul, montou um comitê eleitoral informal em sua sede, imprimiu material de campanha e até estabeleceu meta de votos a ser atingida por seus pastores a fim de tentar eleger o candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno.

Nesta sexta-feira à noite são esperados milhares de fiéis para o “lançamento oficial da campanha” do candidato do PRB à Prefeitura paulista aos seguidores das 269 igrejas do pastor Marcos Galdino. Russomanno confirmou presença. “Ao término do culto, os pastores orientarão os fiéis a não apenas votar, mas conseguir votos para o nosso candidato”, diz o filho do líder da igreja e também pastor Renato Galdino, que se apresenta como coordenador político da congregação. Filiado ao PSDB de José Serra até a semana passada, ele oficializará nesta sexta-feira no culto com Russomanno sua filiação ao PRB. “O objetivo de cada pastor é trazer no mínimo cem votos para o Celso.”

O Ministério em Santo Amaro tem 500 pastores para 82 mil fiéis. Outros 2,8 mil líderes religiosos, à frente de grupos de jovens, mulheres e idosos, foram convocados a unir-se ao exército de caçadores de votos. Russomanno já conta com o apoio da Igreja Universal, do bispo Edir Macedo, dono da TV Record, congregação ligada ao PRB. Ele lidera as pesquisas de intenção de voto. O apoio do Ministério em Santo Amaro a Russomanno foi intermediado pelo bispo Atílio Francisco, da Universal, candidato a vereador pelo PRB.

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O material de campanha produzido pela igreja inclui 1,2 milhão de cópias de uma carta – “Carta Aberta aos Cristãos” – assinada pelo pastor Marcos Galdino, em que ele pede explicitamente voto para Russomanno. É acompanhada por outro impresso com “7 motivos para votar em Russomanno”, em que o pastor Renato usa sete provérbios bíblicos.

O material inclui 25 mil adesivos para carros e 269 cavaletes com a foto do pastor e de Russomanno, “um para cada igreja” de Marcos Galdino. A propaganda será veiculada no Jornal ADBrasil, com 50 mil exemplares distribuídos gratuitamente pelo Ministério em Santo Amaro, além da TV on-line, onde os pastores pedirão voto para o candidato do PRB. Os integrantes e fiéis da Igreja estão sendo orientados a fazer o mesmo nas redes sociais.

Na calçada – Fazer propaganda eleitoral em templos é proibido pela lei 9.504/97. “Mas nós não vamos distribuir o material dentro dos templos. Teremos uma equipe para fazer isso na porta das igrejas, ao fim de cada culto. E não existe nenhuma lei que proíba propaganda na calçada”, disse Renato. Para evitar problemas, o material está sendo doado por Marcos Galdino como pessoa física, com o uso de seu CPF e não do CNPJ da igreja.

Sobre o pedido de voto pelos pastores, Renato defende: “O pedido será feito pelos pastores como pessoa física. E os fiéis não são obrigados a concordar, entende?” A jurisprudência dos tribunais eleitorais tem demonstrado que o entendimento da Justiça é outro. “A Justiça tem entendido que nos templos qualquer ato ou fala com o objetivo explícito de obter votos para um candidato é proibido por lei”, afirma o advogado Alberto Rollo, especialista em legislação eleitoral.

Os Galdino alegam perseguição do prefeito Gilberto Kassab (PRB). Eles foram multados em R$ 10 mil por irregularidades no tamanho do luminoso com o nome da congregação na porta da igreja. A multa é de agosto. “O Russomanno veio aqui na igreja no dia 19. Dois dias depois, recebemos essa multa nova da Prefeitura. Você não acha isso perseguição?”, disse. “A verdade é que somos perseguidos.”

Russomanno diz que vai regularizar a situação de igrejas que, como o Ministério em Santo Amaro, são alvo de processos administrativos da Prefeitura. Outras duas seções da Assembleia de Deus anunciaram apoio a candidatos. O Ministério do Brás apoia Gabriel Chalita (PMDB). A Convenção Geral, que reúne o maior número de igrejas, pede votos para Serra.

(Com Agência Estado)