O termo Omertà, que dá nome à operação, refere-se ao rígido código de honra e silêncio da máfia italiana que proíbe qualquer cooperação ou contato com as autoridades policiais e judiciais. Quebrar esse juramento significa trair o grupo e, na cultura mafiosa, o preço pago por falar é a morte, informou o MP.
Vereadores são presos acusados de pagar ‘pedágio’ ao Comando Vermelho no Ceará
Segundo a Operação Omertà, a facção cobrava até 60.000 reais para permitir campanha eleitoral em bairros dominados pela organização criminosa
Uma operação desencadeada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) e a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) resultou na prisão de três vereadores da cidade de Sobral, a 250 km, nesta terça-feira, 11. Eles são investigados por suposto pagamento de uma espécie de “pedágio” ao Comando Vermelho (CV) para realizar campanha eleitoral em determinadas áreas dominadas pela organização criminosa. Foram presos Carlos Evanilson Oliveira Vasconcelos, conhecido como Carlos do Calisto (PSB); Raimundo Nonato do Nascimento, o Junim do Povo (Podemos); e Mário Vicktor Linhares Cavalcante (União Brasil). O espaço está aberto para manifestação das defesas.
Ao todo, sete mandados de prisão foram cumpridos, o que envolve integrantes do CV. Outros 25 mandados de busca e apreensão foram executados. “Conforme as investigações, a organização criminosa cobrava ‘pedágio’ de cerca de 60. 000 reais dos candidatos para acessar alguns bairros de Sobral durante a campanha eleitoral,” diz nota da Promotoria. Além disso, o grupo tentava manipular a escolha política dos eleitores por meio de coação e ameaça. Se condenados, os investigados podem responder pelos crimes de integrar organização criminosa, realizar domínio social estruturado, extorsão, lavagem de dinheiro, corrupção e impedimento de exercício de propaganda eleitoral.
As investigações continuam. Segundo o Ministério Público Eleitoral cearense, a Câmara Municipal de Sobral ainda terá que fornecer a lista completa de todos os ocupantes de cargos comissionados, de confiança e temporários contratados pelo Poder Legislativo, indicando as atribuições, carga horária e se houve análise de antecedentes criminais antes ou após as respectivas nomeações.







