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Tatuagens podem aumentar o risco de contrair hepatite C

Outros riscos relacionados à tatuagem apontados pelo estudo incluem reações alérgicas, HIV, hepatite B, infecção de fungos e bactérias

O estudo também revelou que uma nova tendência tem surgido entre os jovens: uma tinta que brilha no escuro, cujos riscos ainda são desconhecidos

Encher o corpo de tatuagens pode estar diretamente ligado com as chances de contrair hepatite C. A descoberta foi publicada no International Journal of Infectious Diseases, editado pela Sociedade Internacional para Doenças Infecciosas, baseada nos Estados Unidos.

Os pesquisadores da Universidade da Columbia Britânica, EUA, analisaram 124 estudos de 30 países, incluindo Brasil, Canadá, Irã, Itália e Estados unidos. Os resultados mostram que jovens, presos e indivíduos com múltiplas tatuagens que cobrem grande parte do corpo têm mais chances de contrair a hepatite C e outras doenças sanguíneas.

O estudo foi publicado em uma época em que as tatuagens ficam cada vez mais populares. Só nos Estados Unidos, o estudo estima que 36% das pessoas com idade abaixo de 30 anos possuem tatuagens. No Canadá, aproximadamente 8% dos estudantes do ensino médio possuem pelo menos uma tatuagem e 21% dos que não têm querem uma. Durante o processo de tatuagem, a pele é perfurada de 80 a 150 vezes por segundo para injetar os pigmentos coloridos.

Os pesquisadores ressaltam que os instrumentos entram em contato com o sangue e fluidos corporais. Com isso, infecções podem ser transmitidas se o instrumento é usado em mais de uma pessoa sem ser esterilizado ou devidamente higienizado. Além disso, as tintas próprias da tatuagem não são mantidas em embalagens esterilizadas e podem servir de transporte para infecções. Outros riscos relacionados à tatuagem apontados pelo estudo incluem reações alérgicas, HIV, hepatite B, infecção de fungos e bactérias, e outros riscos associados à remoção de tatuagens.

Os cientistas querem estimular a criação de diretrizes de controle de infecção para tatuadores e tatuados, e o reforço dessas diretrizes por meio de inspeções, relatório de ocorrências adversas e registro de procedimentos.

Eles também recomendaram programas de prevenção que se concentram nos jovens – parcela da população mais propensa a fazer uma tatuagem – e prisioneiros, que enfrentam maior prevalência da hepatite C, para diminuir a contaminação da hepatite. No Canadá, de 12 a 25% das infecções de hepatite C entre os prisioneiros estão associadas com indivíduos tatuados, comparado aos 6% da população em geral.

Os ingredientes químicos nas tintas de tatuagem podem incluir tinta de paredes, de impressoras ou carbono industrial. Toxinas presentes nessas substâncias podem entrar nos rins, pulmões e nódulos linfáticos por meio do sistema circulatório. O estudo também revelou que uma nova tendência tem surgido entre os jovens: uma tinta que brilha no escuro, cujos riscos ainda são desconhecidos.