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Idosos que caminham tão rápido quanto pessoas mais jovens correm menor risco de ter Alzheimer

Estudo projeta o conceito de supercaminhantes, pessoas que estariam mais protegidas do declínio físico e cognitivo

Por Diogo Sponchiato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 jun 2026, 07h00 | Atualizado em 29 jun 2026, 10h04
Idosos que caminham tão rápido quanto pessoas mais jovens correm menor risco de ter Alzheimer Priorizar nos meus resultados Google

Supercaminhantes. Eis um conceito novo criado por cientistas para se referir a idosos na casa dos 80 anos que caminham tão rápida e vigorosamente quanto indivíduos três décadas mais jovens do que eles. A definição foi proposta pelo grupo do neurologista americano Joe Verghese e, agora, guia uma série de estudos que buscam estabelecer uma ligação entre essa habilidade física e a proteção contra doenças, inclusive cerebrais.

Após uma análise de dados de populações previamente acompanhadas, o time do professor, baseado na Universidade Stony Brook, em Nova York, descobriu que os chamados “super movers”, segundo a classificação em inglês, apresentavam menor risco de desenvolver comprometimento cognitivo, o primeiro passo para o Alzheimer.

O trabalho, publicado na revista médica Neurology, se ancora na avaliação de idosos que vinham sendo monitorados em pesquisas americanas e internacionais. Ao compararem as pessoas que caminhavam rápido na faixa dos 80 anos com aquelas sem essa capacidade durante períodos que variavam de três a cinco anos, os especialistas notaram que os supercaminhantes encaravam uma probabilidade significativamente menor de apresentar o quadro por trás de prejuízos à memória, ao raciocínio e à autonomia diária.

O grupo do professor Verghese identificou, em um dos estudos examinados, que os “super movers” apresentavam um declínio cognitivo mais lento e uma maior preservação do hipocampo, a área do cérebro responsável pelo processamento da memória de curto prazo.

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A análise também levou em conta achados de autópsias entre pessoas que se enquadravam ou não na classificação proposta. Nesse caso, observou-se que entre os supercaminhantes havia uma menor prevalência de Alzheimer e outras demências diagnosticadas clinicamente, reforçando o elo entre a capacidade física e a proteção mental.

A caminhada rápida reflete, segundo os cientistas, uma habilidade de preservar e integrar diversos sistemas do corpo, tais quais o cardiovascular, o muscular e o nervoso. “Os super movers parecem representar um fenótipo de envelhecimento excepcional, caracterizado por uma menor carga de doenças, estilos de vida mais saudáveis ​​e, potencialmente, uma idade biológica mais jovem”, afirmou o líder da pesquisa.

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Trata-se de uma combinação particularmente benéfica para o cérebro e a longevidade.

Nos últimos anos, estudos têm apontado que a capacidade e a atividade física são fatores que influenciam diretamente a propensão ao Alzheimer e a outras doenças que corroem a cognição. Quem mantém aos 80 anos a velocidade de marcha de uma pessoa de 50 anos ostenta, assim, um organismo mais resguardado contra problemas de diversas ordens, inclusive os cerebrais.

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