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Rorion Gracie, inventor do UFC: ‘Antes era briga, agora é só show’

Depois de vencer várias lutas na garagem de sua casa na Califórnia, nos Estados Unidos, onde ministrava aulas de jiu-jítsu, o brasileiro Rorion Gracie

Por Davi Correia Atualizado em 18 mar 2021, 21h29 - Publicado em 12 mar 2012, 07h11

Depois de vencer várias lutas na garagem de sua casa na Califórnia, nos Estados Unidos, onde ministrava aulas de jiu-jítsu, o brasileiro Rorion Gracie, incentivado pelo aluno Art Davie, decidiu criar um torneio para descobrir qual era o estilo de luta mais eficaz – exatamente como seu pai e tios faziam desde os anos 30, no Rio, depois de desenvolver o jiu-jitsu de forma a aproveitar melhor alavancas e imobilizações, e inventar o vale-tudo. Eles espalharam anúncios em diversas revistas de lutas anunciando o campeonato, que seria disputado sem regras, com várias lutas na mesma noite com os mesmos lutadores. “As pessoas não entendiam que não havia regras, mas era simples: entravam dois na jaula e saia apenas um”, diz Rorion Gracie.

O primeiro nome escolhido por Rorion e sua trupe para o torneio foi World’s Best Fighter, mas o brasileiro logo decidiu trocar para Ultimate Fighting Championship, UFC. A primeira edição aconteceu em 1993, com direção artística do cineasta John Milius (um dos roteiristas de Apocalypse Now e Conan, o Bárbaro). A expectativa era vender 40.000 pacotes de PPV – o número final chegou a 85.000. Rorion vendeu sua parte no torneio em 1995, por não aceitar a ideia de que os confrontos fossem divididos em tempos, ou rounds, e tivesse regras. A seguir, Rorion conta como imaginou o UFC e o que acha do torneio hoje.

Um dos primeiros desenhos do octógono

Como surgiu a ideia do torneio? Eu e Art Davie resolvemos descobrir qual era a luta mais eficiente. Eu acreditava que era o jiu-jitsu, mas podia existir alguém em outro país que fosse melhor. Chamamos o John Millius para ser o diretor criativo, e ele me ajudou a criar o octógono. Nosso slogan no comercial da época era: “Não existem regras.” É instinto masculino querer saber quem é bom na pancada. É o espírito guerreiro que todo homem tem, embora às vezes esteja meio adormecido. No começo, o pessoal não entendia, mas era simples: entravam duas pessoas na jaula e saía apenas uma. Por que a forma de octógono? Não queria que um lutador fugisse pelas cordas do ringue, como acontecia no boxe. No final, optamos pelo octógono, sucesso até hoje. Devia ter feito alguma coisa rodeada de jacarés e tubarões. Se o cara fugisse da briga, seria comido pelos animais! Como surgiu o nome UFC? O Meyrowitz e o pessoal dele ajudaram na criação do nome, foi de comum acordo. O UFC dava a ideia de ser o maior torneio de todos. Por que vendeu o torneio? Eles começaram a implementar regras contrárias à minha visão das lutas. Não me arrependo. Os meus sócios alegaram que era um show de televisão e precisavam colocar tempo nas lutas. Mas era um show de televisão sobre uma briga, uma briga de verdade. Eles já estavam financiando os eventos, e quem tem o dinheiro manda no negócio. O UFC tinha um propósito, o torcedor podia escolher qual arte marcial era melhor, não era uma luta sanguinária. Agora é um show de entretenimento. Os competidores têm um conhecimento muito parecido das lutas, passou a ser uma comparação de atletas. O foco passou a ser o indivíduo, e não o estilo de luta. Como é sua relação com Dana White, presidente do UFC? Almocei com ele no começo de fevereiro e lhe dei os parabéns, porque faz um evento espetacular. Disse a ele: “Eu fui o pai da criança, você a adotou, mandou para a faculdade de Harvard e ela, agora, manda em Wall Street.” Dana é gente boa, gosta de mim. E sabe está trabalhando por comecei tudo isso.

Outro dos primeiros desenhos do octógono

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