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Operação ‘lixo escondido’ funciona na Baía de Guanabara

Governo do Rio aumenta presença de ecobarreiras para conter poluição durante provas de vela. Atletas elogiam águas

Por Thiago Prado Atualizado em 8 ago 2016, 21h35 - Publicado em 8 ago 2016, 18h29

O Rio de Janeiro escapou do vexame de transmitir para o mundo inteiro a imagem de um velejador próximo ao lixo que polui há décadas a Baía de Guanabara. No primeiro dia de competições de vela, o governo do Estado concentrou esforços em ações paliativas para conter a poluição das águas. Atletas e torcedores saíram felizes da Marina da Glória, especialmente com o belo visual do local que junta no mesmo cenário a praia e o Pão de Açúcar ao fundo. “A Baía estava perfeita”, definiu Robert Scheidt, esperança de medalha do Brasil na classe Laser.

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É unanimidade entre os organizadores dos Jogos Olímpicos que o Rio perdeu nos últimos sete anos uma excelente oportunidade de despoluir a Baía de Guanabara – promessa sempre propalada pelos políticos desde 1995, quando o primeiro (e bilionário) programa de limpeza do cartão-postal carioca foi lançado. Em 2009, quando venceu a disputa pela sede da Olimpíada contra Madri e Chicago, o Rio se comprometera no dossiê da candidatura a tratar 80% do esgoto despejado nas águas até 2016 (hoje, o governo afirma cuidar de 51%). Como cidades da Baixada Fluminense e São Gonçalo, na Região Metropolitana, carecem de saneamento básico, acabam despejando lixo nas águas da Guanabara diariamente. 

Sem ter dado fim à poluição crônica, restou ao governo do Estado uma contínua operação de enxuga gelo para evitar o colapso ambiental da Baía. Diariamente desde o início do ano, o que vem sendo feito é a coleta e bloqueio de lixo por meio de barcos e ecobarreiras. Desde janeiro, mais de 2 400 toneladas de dejetos foram retiradas das águas. Hoje, uma espécie de força-tarefa aumentou ainda mais a maquiagem. Até o dia 18, último dia das competições de vela, haverá dois sobrevoos diários na Baía para detectar se o lixo vai invadir alguma área de competição. A quantidade de ecobarcos em ação também aumentou – passou de dez para dezesseis. “A Baía não é homogênea. Tem lugares bons e ruins e o local da vela nunca foi uma preocupação. É boa inclusive para mergulho. O desafio é o lixo, lixo zero não existe em nenhuma baía”, afirma o secretário estadual de Meio Ambiente, André Correa.  

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