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Rio terá um dia de segurança ‘padrão Fifa’

Esquema de policiamento do Maracanã envolve 10.000 homens, entre os quais 6.000 PMs - mais do que o efetivo total responsável por Rio e Niterói

Por Cecília Ritto e Leslie Leitão Atualizado em 10 dez 2018, 10h00 - Publicado em 29 jun 2013, 08h52
Torcedores voltam ao Maracanã e Itália vence o México pela Copa das Confederações
Torcedores voltam ao Maracanã e Itália vence o México pela Copa das Confederações VEJA

Depois de protestos que terminaram de forma dramática em Belo Horizonte e em Fortaleza durante a semana, as autoridades de segurança do Rio de Janeiro têm uma prova de fogo neste domingo. Estão previstas duas manifestações no entorno do estádio do Maracanã, às 10h e às 15h, com convocações pelo Facebook e um número ainda incerto de participantes. O temor das autoridades é de repetição das cenas de destruição e tumulto das duas capitais onde foram mais graves os conflitos entre manifestantes e policiais. A incerteza sobre o tamanho do protesto torna duvidosa, até o momento, as participações da presidente Dilma Rousseff, do governador Sérgio Cabral e do prefeito Eduardo Paes – num surpreendente recuo dos governantes da ‘era olímpica’ do Rio.

Para minimizar as chances de um vexame, o esquema de policiamento programado é inédito, e segue o ‘padrão Fifa’ de qualidade que os cidadãos têm cobrado para áreas como segurança, educação e saúde. Ao todo, 10.000 agentes estarão envolvidos na proteção dos torcedores, segundo a secretaria de Grandes Eventos, do Ministério da Justiça. Na primeira partida da Copa das Confederações, o total era de 6.000. A mobilização do efetivo começará seis horas antes do início da partida. Às 15h, parte das forças de contingencia entrará no estádio. O esquema especial de segurança ficará a postos até duas horas depois do fim do jogo.

O maior contingente é o da Polícia Militar, que mobilizou 6.000 homens para o esquema de domingo – para se ter uma ideia do tamanho desse contingente, uma partida entre Flamengo e Vasco, o clássico que mais mobiliza torcedores e PMs, tem tradicionalmente cerca de mil homens envolvidos na segurança. Estarão em ação também 600 homens da Força Nacional de Segurança (FNS), agentes de trânsito e guardas municipais bloqueando vias num raio de dois quilômetros ao redor do Maracanã e policiais civis de prontidão.

‘Padrão Fifa’ – O contingente da PM é maior que todo o efetivo disponível para o Rio de Janeiro e Niterói. Somados os 17 batalhões da capital e a unidade responsável pela cidade vizinha, a PM tem lotados no policiamento de rua 5.646 homens. Se for considerada a escala, por dia, só metade destes PMs garante a segurança da população.

Uma das preocupações da Polícia Militar é com os confrontos entre representantes de partidos de esquerda e grupos de extrema direita. Nas manifestações da Avenida Presidente Vargas e da Alerj, na semana passada, militantes com bandeiras do PSTU foram duramente agredidos. A PM monitora grupos vindos de outros estados – principalmente São Paulo – para participar do protesto no Maracanã. A comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado (Alerj), presidida pelo deputado Marcelo Freixo (PSOL), recebeu imagens de agressões entre os manifestantes – supostamente entre grupos de extrema direita e partidos de esquerda.

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Manifestantes – Líderes do movimento das 10h, encabeçado pelo Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas, organizaram pelas redes sociais o protesto chamado de “Ato Nacional na Final da Copa das Confederações”, para o qual mais de 18.000 pessoas confirmaram presença pelo Facebook. A reivindicação principal é a anulação da privatização do Maracanã e o fim das remoções para as obras da Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 – concentradas principalmente na região que receberá os corredores de ônibus no Rio.

O comitê é um movimento criado na época do Pan-Americano, em 2007, e que voltou a se reorganizar em 2009. O grupo era contra a gestão de 2007 e, agora, é contra os governos Cabral e Paes – sem representação partidária formal. “Domingo é um dia importante para colocar, mais uma vez, as nossas pautas. Esperamos que ganhe visibilidade e que as nossas demandas sejam efetivadas”, diz Renato Cosentino, integrante do comitê. O ponto final da passeata será na rua Afonso Pena, também na Tijuca, para evitar tumultos nas imediações do Maracanã.

O deputado estadual Marcelo Freixo, do PSOL, teve um encontro de uma hora e meia com o secretário estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, na quinta-feira para discutir, entre outros pontos, a preparação do governo para a final da Copa das Confederações. “Ninguém tem que ficar esperando acontecer alguma coisa. Por isso, tomei a iniciativa de conversar com o secretário e sugeri que ele chamasse, antes do jogo, alguns grupos que farão protestos para reduzir as chances de problemas. Estou propondo o diálogo”, diz Freixo.

No mesmo dia, à noite, foi feita uma plenária, no Largo de São Francisco, onde fica o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, IFCS, da UFRJ, no Centro do Rio, para definir a participação de militantes de partidos, integrantes de organizações estudantis e de movimentos da sociedade, como o ‘Pare o aumento’. Havia duas propostas: a de integrar o ato das 10h e o das 15h, ambos tendo o mesmo ponto de partida e a chegada ao Maracanã. A definição, ao final, foi o de participar dos dois. Os partidos sairão em uma coluna para se protegerem, em caso de ataques, assim como fizeram na quinta-feira, dia 13, na Avenida Presidente Vargas. “Achamos as duas manifestações legitimas”, diz Cyro Garcia, presidente do PSTU no Rio de Janeiro.

Interdições – Todas as vias do entorno do Maracanã estarão fechadas a partir das 13h de domingo, duas horas antes da abertura dos portões. No total, sete vias ou viadutos estarão fechados. Para os torcedores que escolherem o metrô ou o trem para chegar ao estádio, a passagem será de graça, desde que apresentem o ingresso do jogo. Na saída do Maracanã, a gratuidade valerá até duas horas depois do término da partida nas estações de metrô da São Francisco Xavier, São Cristóvão e Maracanã. Haverá 735 agentes da CET-Rio e da Guarda Municipal, e o Centro de Operações Rio vai monitorar a região com 42 câmeras.

Brasil e Espanha se enfrentam às 19h, mas é esperado movimento desde o fim da manhã, em função das manifestações e do trânsito de torcedores que, preocupados com os protestos, devem antecipar a chegada ao local do jogo. De acordo com um dos envolvidos no planejamento de segurança, uma das particularidades do evento é a presença de torcedores de fora do Rio – a maioria dos ingressos foi comprada por moradores de outros estados brasileiros. Portanto, os maiores fluxos de trânsito devem partir de hotéis da Zona Sul da cidade.

Vídeo: Protesto no Rio termina em pancadaria e destruição (20/6)

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O MP, agora, também vai às ruas protestar

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17h30 – Manifestantes chegam de metrô ao Centro do Rio

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18h – Em coro, multidão chama mais pessoas para as ruas

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18h15 – Chuva de papel picado dos prédios da Av. Rio Branco

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18h45 – ‘Sem violência’, pedem manifestantes

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19h30 – Policiais que faziam segurança da Alerj são atacados

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19h40 – Vândalos invadem e depredam prédio da Alerj

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19h55 – Policiais atiram ao alto para conter baderneiros

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20h – Policiais são apedrejados e agredidos

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20h25 – Vândalos viram carro que seria incendiado depois

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20h50 – Carro é incendiado no entorno do Alerj

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21h10 – Bombeiros chegam e são ovacionados pela multidão

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