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Seleção Brasileira

23/07/2014

às 12:00 \ Disseram

A Seleção precisa chorar menos

“Brasileiros sempre choram. Toca o hino? Choram. Eliminam o Chile? Choram. Perdem para a Alemanha? Choram. O que eles devem mostrar é que são homens e que são fortes.”

Lothar Matthäus, capitão da seleção alemã campeã do mundo em 1990, num balanço, para o francês Le Journal du Dimanche, da participação do Brasil na Copa de 2014

22/07/2014

às 18:00 \ Disseram

O Brasil não está mais no topo

“Já não somos mais os melhores. Este é um trabalho de conscientização de todos nós.”

Dunga, novo técnico da Seleção Brasileira, sobre a qualidade do futebol brasileiro, na primeira entrevista coletiva após o anúncio de seu retorno ao cargo

22/07/2014

às 16:00 \ Tema Livre

J. R. GUZZO: O futebol, a Seleção e a imensa resistência do Brasil em ser adulto

(Foto: facho.br)

A obsessão com o “país do futebol” não nos deixa ver que, pelo menos agora, não somos os melhores do mundo (Foto: facho.br)

COM MUITO ORGULHO

Artigo de J. R. Guzzo publicado em edição impressa de VEJA

J. R. GuzzoNunca antes na história deste país tinha acontecido nada igual. Não só na história deste país: o que se viu no 8 de julho de 2014, um dia que viverá para sempre, jamais tinha ocorrido em 100 anos de existência da seleção nacional de futebol. Também não havia acontecido em toda a história da Copa do Mundo desde a sua criação, em 1930 – não num jogo de semifinal, disputa privativa de gigantes da bola.

Pois aconteceu: a Alemanha enfiou 7 a 1 no Brasil, comprovando uma vez mais que tudo o que não é impossível pelas leis da natureza é, por definição, possível de acontecer um dia qualquer.

Quem poderia imaginar um resultado desses? Seria mais fácil o velho camelo da Bíblia passar pelo buraco de uma agulha. Mas os camelos do futebol, como se vê no mundo das realidades, são bichos capazes de fazer as coisas mais incríveis. Fizeram de novo, no Estádio de Minas Gerais.

Fim de linha para a seleção e para o “hexa”, por falência de múltiplos órgãos.

E daí? E daí nada, realmente – apenas uma derrota esportiva, risco que existe em toda competição e do qual está livre só quem não compete.

Numa sociedade razoavelmente adulta, capaz de separar futebol de honra nacional, felicidade do povo, “vergonha na cara” e outros valores, reais ou imaginários, o massacre que o time do Brasil viveu no Mineirão seria uma derrota horrenda, constrangedora e francamente exótica – mas uma derrota num jogo de bola, só isso, sem nenhum prejuízo material para ninguém, para o país ou para o equilíbrio psicológico de quem quer que seja.

Acontece que o Brasil tem uma imensa resistência em ser adulto, e aí a coisa complica. Como resultado da pressão neurótica aplicada ao futebol pelos meios de comunicação e pelo noticiário esportivo, autoridades públicas, políticos em geral, departamentos de marketing de grandes empresas, agências de publicidade e interesses econômicos que envolvem bilhões de dólares, constrói-se sistematicamente no Brasil um ambiente artificial de histeria que contamina a sociedade quase inteira, quando se trata de futebol e de Copa do Mundo.

Assim ficam estabelecidas exclusivamente duas possibilidades, ambas falsas: a vitória que transforma a nação num paraíso de coragem, competência e superioridade sobre todos os demais povos do mundo; ou, então, a derrota que nos reduz ao pó, com vergonha, choro e ranger de dentes.

É assim que se criou, entre outras invenções cultivadas com obsessão, a extraordinária lenda segundo a qual o Brasil sofreu um “trauma” sem limites ao perder no jogo final contra o Uruguai no Maracanã, em 1950, na primeira Copa aqui disputada.

A derrota é vendida como uma “tragédia” sem igual na história brasileira, um momento de desgraça que jamais poderíamos viver de novo e que clamava aos céus por redenção e vingança – a ser providenciadas, enfim, em 2014, pela graça dos 23 rapazes convocados para a seleção do técnico Luiz Felipe Scolari e dos cartolas da CBF.

Mas não existe trauma nenhum – como poderia existir, se apenas os brasileiros hoje com mais de 70 anos estavam vivos em 1950, em idade para entender minimamente o que aconteceu? Ninguém sofre, na vida real, por contrariedades que jamais experimentou.

Mas aí está: impõe-se ao país o disparate segundo o qual uma partida de futebol disputada 64 anos atrás, o “Maracanazo”, foi uma bomba atômica jogada no Rio de Janeiro, e que “jamais o Brasil iria permitir” que a calamidade se repetisse nesta segunda Copa sediada pelo Brasil. No jogo contra a Alemanha aconteceu muito pior do que uma repetição: um “Mineirazo”, com inéditos 7 a 1 no lombo.

Essa mesma lavagem cerebral nos força a ficar repetindo que o Brasil é “o país do futebol”, que nenhuma outra nação chega perto da nossa habilidade sobrenatural com a bola e que vamos ganhar sempre por causa da ginga, do jogo de cintura, da malandragem etc., pois amarramos “o coração na chuteira”, somos “brasileiros com muito orgulho” e outras tolices. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

22/07/2014

às 13:50 \ Tema Livre

Dunga chega na retranca: ‘Assumo culpa e estou pronto para receber críticas’

Dunga, em entrevista na sede da CBF, no Rio: em busca de mudanças na relação com a imprensa (Foto: Reprodução/TV)

Dunga, em entrevista na sede da CBF, no Rio: em busca de mudanças na relação com a imprensa (Foto: Reprodução/TV)

Treinador disse que vai mudar sua relação com a imprensa, que sempre foi tumultuada

Do site de VEJA

Ao reassumir o cargo de técnico da seleção brasileira nesta terça-feira, Dunga quis evitar de cara novos desgastes com a imprensa, fato comum durante sua passagem entre 2006 e 2010. O treinador pediu desculpas aos jornalistas e prometeu uma relação mais aberta.

“Uma pessoa dificilmente muda no que diz respeito à ética, ao caráter e ao trabalho, mas sei que tenho de melhorar muito no contato com os jornalistas. Fiz uma reflexão nos últimos anos e assumo minha culpa. Estou pronto para receber críticas e sugestões, em favor da seleção. Tudo o que for bom para a seleção, estaremos abertos para trocar ideias e obter o resultado.”

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Dunga, no entanto, discordou de um repórter que perguntou se sua missão seria resgatar a beleza do jogo da seleção pentacampeã.

“O que é o futebol arte? Uma boa defesa do goleiro, uma interceptação do goleiro também é futebol arte. O que não podemos é querer que exista um Pelé a cada dia, achar que será como no passado. Um ídolo não se cria de uma hora para a outra. Temos talento, mas temos de aliá-lo ao comprometimento, ao equilíbrio emocional, organização.”

O treinador ainda comentou sobre as pesquisas nesta semana que apontaram enorme rejeição a seu retorno. “Respeito as enquetes, mas na minha viagem de São Paulo ao Rio encontrei pessoas que me apoiam, não sinto essa rejeição no supermercado, nos aeroportos por onde passo. Mas é como numa eleição, nem sempre ganha o favorito nas pesquisas e tenho de buscar força nesses que me dão suporte e tenho de conquistar o restante que não me apoia.”

Principais trechos da entrevista:

Trabalho – O torcedor está machucado, mas vamos reconquistar o carinho do público através de resultados.  O torcedor e a imprensa já me conhecem, não vou vender um sonho, a realidade é que precisamos de muito trabalho. Não podemos achar que somos os melhores, já fomos os melhores, mas temos de ser humildes e reconhecer que outras seleções trabalharam muito para chegar onde estão.

Retranca – O futebol muda a cada instante, a cada dia. Todos falam de futebol ofensivo e acham que basta colocar quatro atacantes na frente, mas o que se viu na Copa foram atacantes que marcam. Se em 2010 tivéssemos essa atitude, iriam dizer que era um futebol defensivo.

Agora, em 2014, dizem que isso é ser ofensivo. O importante é chegar no ataque com vários homens, com movimentação. Vimos craques participando o jogo todo, como Robben e Müller. Vimos até o goleiro Neuer jogando como líbero, com os pés, isso não acontecia antes. Temos de seguir por este caminho.

Alemanha – Parece que o mundo descobriu a Alemanha só agora. Eles sempre foram organizados, sempre tiveram centros de treinamento, deram apoio às categorias de base. O que aconteceu é que a Alemanha encontrou uma geração de jogadores ótimos, conseguiu encaixar as peças, teve tempo, e não obteve resultados nos primeiros campeonatos. A Alemanha foi vencedora com amplo merecimento.

Concorrentes – Vimos seleções sul-americanas crescerem, justamente nesta mescla entre jovens talentos e jogadores experientes. O futebol mudou, antes só brasileiros e argentinos iam para a Europa, mas hoje vemos jogadores de vários países se destacando. A Eliminatória será muito difícil.

Retrospecto – A camisa brasileira e a argentina são respeitadas e sempre serão. Mas os adversários nos respeitam tanto que querem sempre ganhar de nós, porque vencer o Brasil é notícia no mundo todo. Não podemos achar que vamos ganhar um jogo pelo peso da camisa, na véspera.

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22/07/2014

às 0:00 \ Disseram

Seleção chorona

“Nunca vi uma seleção que chorasse tanto.”

Galvão Bueno, narrador esportivo da Globo, sobre o time de Felipão, em entrevista às Páginas Amarelas de VEJA

21/07/2014

às 19:53 \ Tema Livre

Galvão Bueno: ‘Nunca vi uma Seleção que chorasse tanto.’ Narrador desistiu de se aposentar e tem contrato com a Globo até 2019

Galvão Bueno: 'Tenho contrato até depois da Copa de 2018. Não tenho motivos para parar agora' (Foto: Marcelo Correa)

Galvão Bueno: ‘Tenho contrato até depois da Copa de 2018. Não tenho motivos para parar agora’ (Foto: Marcelo Correa)

O locutor esportivo mais famoso do Brasil diz que vive ‘no fio da navalha’, equilibrando-se entre a missão de ‘animar a brincadeira’ e ser inteiramente fiel à ‘realidade dos fatos’

Entrevista a Pedro Dias LeiteBela Megale publicada em edição impressa de VEJA

Desde 1974, o Brasil ouve Galvão Bueno narrar a Copa do Mundo. Foram onze até hoje. E, se depender dele, outras virão. O locutor esportivo chegou a anunciar que não narraria mais Mundiais, mas mudou de ideia e acaba de renovar contrato com a Rede Globo até 2019.

Nesta entrevista, ele diz que a derrota épica do Brasil para a Alemanha e a perda do hexa em casa não abalam a mística do país do futebol e que não pode ser acusado de elogiar demais — seja a seleção, o Felipão ou o Neymar. “As pessoas esquecem que estou lá para animar o espetáculo.”

Galvão Bueno recebeu VEJA para a conversa que se segue pouco antes de embarcar para a Alemanha, onde vai narrar o Grande Prêmio de Fórmula 1 deste fim de semana.

Derrotado em casa, humilhado pela Alemanha e ultrapassado pela Argentina — o Brasil ainda pode ser chamado de o país do futebol?

Não há dúvida de que a derrota para a Alemanha foi humilhante e que fomos ultrapassados pela Argentina. Mas a mística da seleção não sofre impacto. O mundo todo ainda nos ama e nos vê como o país do futebol por tudo o que fizemos nestes quase 100 anos, pela maneira com que sempre jogamos. Quem teve Garrincha e Pelé?

O que precisa ser feito é uma revisão de valores, para que se possa retomar o caminho certo. Não se pode confundir o desempenho de um time com a riqueza de uma história.

A reação à derrota para a Alemanha por 7 a 1 foi exagerada? O apresentador Luciano Huck, seu colega, chegou a dizer que aquilo foi o nosso 11 de Setembro.

Houve reações exageradas, sim. No caso do Luciano, eu falei na hora para ele: “Pois é, Luciano, são coisas diferentes. Lá as consequências foram outras”. Mas quem não erra na vida? Já falei um monte de bobagem.

Nas eliminatórias da Copa de 1990, eu me atrapalhei e narrei um gol errado. E comecei a dar desculpas. No dia seguinte, o Armando Nogueira (jornalista esportivo morto em 2010) me chamou e disse: “Você perdeu a maior chance da sua vida de ter sido simpático com o telespectador e reconhecer o seu erro em vez de ficar dando desculpas”. Daquele dia em diante, cada vez que erro, e sei que errei, reconheço e peço desculpas.

O senhor foi acusado de ter elogiado o técnico Luiz Felipe Scolari durante todo o torneio e passado a criticá-lo para valer só depois do 7 a 1. Isso foi um erro?

Desde o primeiro jogo desta Copa, o Casagrande, o Ronaldo e eu sempre fizemos críticas à forma como a seleção estava jogando. Eu disse, em alguns momentos, que o trabalho do Felipão era coerente. Mas em momento algum elogiamos a seleção nem dissemos que era uma maravilha.

Entre as muitas coisas que aprendi com o Armando Nogueira é que devemos elogiar sem bajular e criticar sem ofender. Eu pauto a minha vida com base nisso. Nunca fiz uma crítica que carregasse ofensa pessoal. E nunca fiquei babando ovo para ninguém.

Mas no jogo contra Camarões, quando o Ronaldo criticou a seleção, o senhor perguntou se ele não estava sendo “exigente demais”.

Você não pode esquecer que eu também tenho o papel de animador da brincadeira. Sou um vendedor de emoções que anda no fio da navalha. De um lado, tem a emoção que você tem de vender e, do outro, a realidade dos fatos.

Na Copa do Mundo, mesmo que o time não tenha feito uma grande partida, tem a festa, todo aquele envolvimento das pessoas. Mas em momento algum nós dissemos que a seleção jogou um grande futebol.

O que eu disse foi: a comissão técnica tomou um caminho na Copa das Confederações e acertou em cheio. Persistiu nesse caminho na Copa do Mundo e o trabalho não funcionou. O erro, pareceu-me, foi a falta de humildade de reconhecer que a Alemanha era melhor. E acabar jogando com pouca cautela.

Os jogadores brasileiros choram demais?

Nunca vi uma seleção que chorasse tanto. Criou-se um clima um pouco exagerado em cima desta Copa no Brasil. Acho que isso tem a ver com essa coisa do hino cantado a capela. Era emocionante mesmo. Nas primeiras vezes que ouvi, fiquei com lágrimas nos olhos. Mas não precisava ser algo levado a um nível tão extremo. Tenho minhas dúvidas se isso não abalou o emocional do time.

Houve um exagero na contusão do Neymar também, aquela coisa meio fúnebre, de levar a camisa dele no jogo contra a Alemanha. Tinha visto isso na Copa das Confederações, quando morreu o jogador de Camarões, em 2003. Pode ter prejudicado também.

Fala-se muito em time de guerreiros, grupo de guerreiros, mas futebol é um esporte. O Brasil criou a fama do futebol dele com arte, não com um time de guerreiros. É um momento de retomada desse caminho.

Foi a Copa das Copas?

Esse termo “Copa das Copas” é fruto de um interesse político que não me interessa nem me agrada. Mas foi uma Copa especial, disputada com intensidade, como poucas vezes eu vi. Teve a Colômbia, os Estados Unidos, a Costa Rica… Foi uma Copa de superações.

A de 1982 talvez tenha sido, de todas de que participei, a mais fantástica, pelo time que o Brasil tinha, pelo fato de ter sido batido pela Itália. Esta foi uma Copa de muita emoção. Não vou dizer que tenha sido a mais bela ou a mais técnica.

Agora virou moda dizer que o futebol brasileiro precisa mudar. Quais as mudanças necessárias, na sua opinião? » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

21/07/2014

às 16:25 \ Tema Livre

SELEÇÃO: Escolha de Dunga tem que ser analisada técnica e politicamente — não com superstições idiotas ligadas ao passado

(Fotos: EFE/Kim Ludbrook :: Arquivo Folha)

Perdedor em 2010, Dunga volta agora. Os treinadores que voltaram ao cargo, como Zagallo, não deram certo. Mas e daí? Não é esse tipo de bobagem que precisa ser analisado no caso do novo técnico da Seleção (Fotos: EFE/Kim Ludbrook :: Arquivo Folha)

Já vou dizendo de início: não acho que Dunga seja o pior técnico do planeta para dirigir a Seleção, mas sua escolha também não me entusiasma nem um pouco.

Agora, é francamente ridículo o balanço que vem sendo feito em diferentes veículos, por diferentes comentaristas, sobre o “azar” que propiciaria uma escolha de um técnico para dirigir a Seleção uma segunda vez. Ah! — relembram –, Vicente Feola levou o Brasil a vencer uma Copa pela primeira vez em 1958, na Suécia, mas fracassou redondamente em 1966, na Inglaterra. Zagallo ganhou em 1970, no México, afundou diante dos holandeses em 1974, na Alemanha, e voltaria a perder contra os franceses, em 1998, em Paris. Telê Santana montou uma Seleção que encantou o mundo em 1982, na Espanha, mas não venceu. Voltou em 1986, na segunda Copa do México, e também caiu. E por aí vão os “levantamentos”.

Pergunto: e daí? De que vale esse bestialógico?

Entre as muitas pragas do futebol brasileiro — claro que não se situa entre as mais importantes — estão as superstições idiotas como essa, os chamados “tabus”.

Ninguém se lembra mais, mas no México, em 1970, havia um tabu que durava 40 anos, desde a criação das Copas, em 1930, no Uruguai: quem fazia o primeiro gol na final, perdia o título. Como se fosse uma maldição. Havia até malucos que torciam para que sua seleção NÃO abrisse a contagem numa final.

Pois bem, Pelé, o Rei, no auge do esplendor de seu futebol, foi lá e, logo aos 18 minutos de jogo contra a fortíssima Itália, numa cabeçada espetacular contra o goleiro Albertosi, estufou as redes esmagou o tabu. Placar final, como se sabe: 4 a 1 para a Seleção.

Uma bobagem qualquer é um “tabu” até que, de repente, de um piparote, deixa de ser — e ninguém mais fala no assunto.

A charge de Sponholz: será que Dunga e Marin ajudam Dilma na eleição?

A charge de Sponholz: será que Dunga e Marin ajudam Dilma e Lula na eleição?

O que é preciso fazer é analisar a escolha sob o ponto de vista técnico e o, digamos, político.

Do ponto de vista técnico Dunga tem, sim, virtudes: foi um excelente jogador — ele atuou em meu time, o Corinthians, clube pelo qual mais vezes jogou no Brasil, e Deus sabe como a torcida gostava –, defendia como poucos volantes fazem e, sim, sabia muito bem passar a bola, ao contrário do mito. Era um líder em campo, nos times cuja camisa envergou no Brasil, na Itália, na Alemanha, no Japão e também na Seleção, e mesmo seus críticos mais ácidos não podem negar que envergava com galhardia a faixa de capitão.

Dunga sabe montar um esquema tático, sabe levar os jogadores a segui-lo, sabe comandar um grupo.

As dúvidas sobre um Dunga treinador, porém, não são poucas. É certo que ele levou a Seleção a vencer uma Copa das Confederações e uma Copa América, mas o fiasco de Felipão na Copa 2014 mostrou o quanto essas vitórias podem ser ilusórias. É verdade que, com ele, a Seleção foi mais longe em 2010 do que seria em 2014. Seu currículo como técnico, porém, é magérrimo – pouco mais de cinco anos, sendo quase todos na Seleção e um ano bastante sofrível no Inter. Não se sabe o quanto ele acompanha o futebol internacional. Como treinador, sempre fugiu de inovações — é turrão e conservador, algo complicado para uma Seleção que anseia por uma reviravolta. Ademais, ele não tem perfil de garimpador de talentos.

Do ponto de vista político, a escolha parece ter sido pinçada em microscópio pelo decrépito presidente da CBF, José Maria Marin, e por seu sucessor “eleito”, o atual vice Marco Polo Del Nero, com a função de atrair as atenções e a ira do público e da mídia para um treinador talhado para isso –teimoso, agressivo e com traços persecutórios, Dunga, como se sabe, mantém relações muito difíceis com a imprensa, que é a intermediária entre a Seleção e a torcida.

Os mesmos cartolões que escolheram um agente de jogadores para gerir a Seleção, como Gilmar Rinaldi, estão por trás da ressurreição de Dunga, e isso não é o melhor dos mundos. Além do mais, tendo sido homem de absoluta confiança do hoje auto-exilado Ricardo Teixeira, Dunga é alguém “da casa”, de copa e cozinha com a CBF, suas mumunhas e caixas-pretas, a despeito de sua reconhecida honradez pessoal.

São fatores assim que importam na escolha de um treinador da Seleção — e não as asneiras sobre tabus e feitiçarias.

18/07/2014

às 21:20 \ Tema Livre

Não temos técnico no Brasil à altura da Seleção? Como não???? Temos, sim — só que não vão convidá-lo nunca, e também ele não aceitaria

(Foto: Pedro Silvestre/Folhapress)

Tostão: por suas qualidades, seria o técnico a recuperar a dignidade da Seleção. Justamente por suas qualidades, porém, jamais será convidado — e, se fosse, não aceitaria (Foto: Pedro Silvestre/Folhapress)

Saio do sério quando ouço e leio que não temos ninguém à altura de ser técnico da Seleção Brasileira de futebol.

Que é preciso importar alguém do exterior (nada tenho contra, acho que técnicos estrangeiros, de uma forma geral, ajudam a enriquecer o futebol brasileiro).

Pois nada disso. Embora só Deus saiba quem será o treinador escolhido por Gilmar Rinaldi, o novo e controvertido “coordenador” da Seleção ou de seleções da CBF, temos muita gente boa e apta: para começar, o grande Zico, o igualmente grande Falcão (que não alcançou sucesso na Seleção porque, como técnico, teve coragem e ousadia para iniciar uma renovação radical de que o país estava muitíssimo necessitado), Tite, que foi campeão do mundo pelo Corinthians…

Mas, para mim, acima de tudo, está aí, vivinho e atuante, alguém que seria o treinador perfeito para recuperar a dignidade e o bom futebol da Seleção. Seu nome é Eduardo Gonçalves de Andrade, ele tem 67 anos, é médico formado pela Universidade Federal de Minas Gerais e doutor, pós-graduado e PhD em futebol: Tostão.

O tricampeão de 1970, melhor comentarista do Brasil. traria para o cargo a experiência de ter sido um dos maiores craques da história, um profundo conhecimento do esporte no Brasil e no mundo — que aborda sempre com enorme propriedade –, algo como 20 anos de andanças e observações pelo mundo graças à profissão de jornalista, que abraçou, além de um caráter acima de qualquer dúvida e a independência de alguém que jamais se omitiu diante das incontáveis mazelas do futebol brasileiro.

Por tudo isso, Tostão, infelizmente, jamais será convidado para o post.

Por tudo isso, Tostão, infelizmente, jamais aceitaria o convite, se viesse.

18/07/2014

às 6:00 \ Disseram

Como o novo técnico, superação

“Ele irá fazer uma coisa que eu gosto: estudar, se atualizar. Vamos viajar muito, assistir a treinamentos, interagir com outros treinadores. Nós temos de adaptar métodos bem sucedidos do mundo todo ao nosso estilo e à nossa cultura.”

Gilmar Rinaldi, ex-goleiro e agente Fifa e novo coordenador geral da Seleção Brasileira, sobre o que aguarda o novo técnico, que deve ser anunciado até terça-feira

16/07/2014

às 21:15 \ Tema Livre

COPA 2014: Os donos da bola

(Foto: Ivan Pacheco/Veja.com)

Os alemães conseguiram, de algum jeito, humilhar a Seleção Brasileira e conquistar a sua torcida. Um time realmente excepcional (Foto: Ivan Pacheco/Veja.com)

Por Heraldo Palmeira*

O Maracanã, solene como de costume, renasceu com o ícone mundial e juntou-se ao Estádio Azteca, da Cidade do México, na honrosa galeria de palcos que abrigaram duas finais de Copa. E nos garante perenidade em algum panteão honroso do futebol mundial.

Num cenário de tanta força histórica, o povo vaiou sem piedade quem não merecia colocar a mão na taça. E os alemães pareceram levemente impactados pelo peso de uma final, pois não exerceram com desenvoltura sua clara superioridade sobre uma seleção da Argentina sem grande brilhantismo.

Ou, de forma subliminar, reforçaram nossa certeza de que não precisava muito jogo para desmanchar aquela Seleção Brasileira que vimos rastejando em campo.

Ao final, placar justo. Taça nas mãos de quem, durante o torneio inteiro, mais mereceu dentro de campo.

Uma seleção exemplar que ainda deu-se ao luxo de esbanjar categoria fora dele. Pelo respeito e pela integração à comunidade de gente simples do pedaço paradisíaco da Bahia onde decidiu instalar sua delegação. Pela convivência extraordinária com o povo brasileiro em todos os jogos. Até na goleada humilhante que nos aplicaram, onde souberam bater no dono da casa e conquistar o apoio de toda sua família.

Mais do que tudo, os alemães deixaram uma montanha de lições para nossos “mestres” do futebol. De fora para dentro do campo, mostraram como o esporte que mais apaixona o mundo pode ser tratado como projeto de nação, sem um milímetro das papagaiadas que dominam tudo por aqui.

Sem criar ídolos de pano com a função de carregar time e país nas costas. Apostando exclusivamente na ideia de grupo forte, homogêneo e competente.

Prepararam-se anos a fio planejando detalhes milimétricos. Como trabalhar com rigor diversas gerações de jogadores promissores. Como instalar a delegação no Brasil em lugar isolado, com ambiente de calor tropical e sem ar condicionado. Como treinar todos os dias e usufruir um único dia de folga. Vieram para ganhar o título. E ganharam sem surpresa, sem contestação.

A Argentina não trouxe um grande time e nem deveria estar na final, pois a Holanda apresentou bem mais credenciais e só perdeu na loteria dos pênaltis. Ao fim, comandados por seu semideus Lionel Messi, os hermanos mostraram a cara verdadeira, demonstrando completo desconforto com o merecido papel de coadjuvantes e falta de educação com os campeões e com o público.

Messi, que além de jogador quase perfeito sempre pareceu um gentleman, quebrou seu próprio encanto. Ao invés de agradecer pelo prêmio imerecido de melhor jogador da Copa – que caberia como uma luva no holandês Arjen Robben –, desprezou o troféu, a medalha de vice-campeão e mostrou-se descortês com todos. Com cara de menino mimado, causou decepção generalizada inclusive pelo baixo rendimento no jogo.

(Foto: FIFA/Getty Images)

A postura de Messi ao sair de campo foi a mesma até receber o troféu de melhor da Copa e a medalha de vice — para ele, prêmios descartáveis, aparentemente (Foto: FIFA/Getty Images)

Seus defensores alegam que ele passou mal durante a partida e ficou indisposto. Jornais argentinos, lambendo as feridas, já carregam a mão acusando-o de problemas físicos ou emocionais (diante de grandes pressões), que provocam crises de vômito como a que ele enfrentou durante a partida. Faltou explicar a deselegância que contagiou todos os jogadores do time na hora das premiações.

Os hermanos, com a surrada viola enfiada no saco, voltaram para casa para curtir mais uma de suas tradicionais tragédias.

No fundo, já sabem que Messi – para quem preparam um andor dando-lhe a braçadeira de capitão que cabia ao gigante Javier Mascherano – é muito mais espanhol do que argentino, dificilmente ganhará uma Copa, nunca vai chegar ao patamar de Maradona, que nunca foi melhor do que Pelé.

Que cheguem em paz, pois passou da hora do papá voltar para debaixo da saia da mamá. Antes que descubra um alemão debaixo dela, com a taça na mão.

*Heraldo Palmeira é documentarista e produtor musical.

 

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