Blogs e Colunistas

Seleção Brasileira

21/08/2014

às 16:44 \ Tema Livre

RESULTADO DA ENQUETE: Maioria esmagadora dos leitores do blog não aprova a escolha de Dunga como técnico da Seleção. Nova enquete já está no ar

(Foto: Getty Images)

Os amigos do blog não gostaram da volta de Dunga (Foto: Getty Images)

Em 21 de julho, com o anúncio que Dunga voltaria a comandar a Seleção Brasileira após o fracasso na Copa de 2010, abrimos nossa enquete — afinal, os leitores do blog aprovam ou não a volta do ex-jogador ao comando da Seleção? Um mês e 5 303 votos depois, eis o que apuramos.

Os resultados não deixaram dúvida: esmagadores 74% das respostas (3 910 votos) foram “não”. Em seguida, com 18% (ou 961 votos), vieram os que aprovaram a escolha. Os 9% restantes se dividiram entre “talvez” (5%, ou 241 votos) e “não sei” (4%, ou 191 votos).

As conclusões não foram surpreendentes, já que a contratação de Dunga foi, em geral, mal recebida.

Nossa nova enquete já está no ar, no lugar de sempre, à direita desta coluna.

O tema é outro — e não poderia deixar de ser a eleição presidencial.

Vamos lá, pessoal, vamos votar!

11/08/2014

às 6:00 \ Disseram

Como transformar o Brasil em uma Alemanha?

“Tivemos, todo mundo sabe, uma série de problemas na gestão do Ricardo Teixeira [na presidência da CBF], que foi excessivamente longa e deixou sombras que o obrigaram a renunciar. Mas foi uma gestão com várias conquistas esportivas. Seria muito melhor que elas tivessem acontecido sem as sombras. Está respondido?”

Galvão Bueno, narrador esportivo da Globo, respondendo às Páginas Amarelas de VEJA à pergunta sobre se, sem mudanças no comando da CBF, achava possível a Seleção dar um salto como deu a Alemanha a partir da Eurocopa de 2000

08/08/2014

às 0:00 \ Disseram

7 a 1 é passado

“Se a Copa do Mundo acabasse nas quartas de final não haveria essas questões. Esse é o futebol (…). Mas isso é parte do passado.”

David Luiz, zagueiro da Seleção Brasileira, agora no Paris Saint-Germain, sobre as dúvidas em relação à sua atuação no Mundial, do qual o Brasil saiu humilhado

03/08/2014

às 6:00 \ Disseram

Gols são meros detalhes

“A bola entrar ou não é um detalhe mínimo.”

Carlos Alberto Parreira, então técnico da Seleção Brasileira, em agosto de 1993; menos de um ano depois, o Brasil conquistaria seu quarto título mundial

31/07/2014

às 16:20 \ Tema Livre

Agora é a vez de Dunga — e o novo treinador da Seleção quer mais jogadores como ele

REABILITAÇÃO — Dunga, de volta depois de perder a Copa da África do Sul: "Quem não ganha está fora"

REABILITAÇÃO — Dunga, de volta depois de perder a Copa da África do Sul: “Quem não ganha está fora”

DUNGA QUER DUNGAS

Entrevista a Leslie Leitão publicada em edição impressa de VEJA

Reconduzido ao comando da seleção, o gaúcho Carlos Caetano Bledorn Verri, o Dunga, de 50 anos, diz que a derrota nesta Copa mostrou que é preciso mudar o futebol brasileiro, sim, mas “com calma”.

Em seu modo sem sutilezas, estilo que a CBF está tentando suavizar, Dunga reconhece que a maré de craques anda baixa, ataca a Lei Pelé e fala que há muito jogador por aí mais preocupado com a imagem do que com a bola.

“Organização” foi a palavra que mais repetiu nesta entrevista, dada já em sua nova sala, no Rio de Janeiro, onde não faltaram as usuais frases feitas e citações ao ídolo Nelson Mandela.

A VIDA SEM CRAQUES

Convocar um time todo formado por gente muito jovem não vai resolver o problema. Nosso futebol não é terra arrasada. Aquele 7 a 1 contra a Alemanha foi uma fatalidade.

Não acho que seja o caso de começar tudo do zero. É no contato com jogadores mais experientes que os novos experimentam o gosto de vencer e vão crescendo.

Hoje, temos bons atletas que podem até virar craques, mas o Neymar sobressai. Só que talentos como ele, Romário, Ronaldo não aparecem toda hora. Por isso, temos de descobrir mais Dungas, mais Jorginhos e Mauros Silva, para formar um grupo forte, compacto, guerreiro. O importante é ter organização.

MAIS ESFORÇO

Todo mundo fala dos grandes ídolos da Copa de 70 – Pelé, Jairzinho, Carlos Alberto – como se só o talento tivesse levado à conquista da taça. Foi muito mais do que isso: aquela era uma equipe bem organizada, que sabia se defender, sabia atacar e se preparou fisicamente. Em 1994, o time podia não ser tão técnico, mas era organizado, tinha laterais que cruzavam, diversificação de jogo.

Para mim, está claro que precisamos nos esforçar mais. Não podemos botar na cabeça de um menino de 14 anos que ele é gênio, que vai ganhar todas sem marcar nem correr.

ESCOLA ALEMÃ

Na Alemanha, o futebol sempre teve planejamento e contou com ótima estrutura. O que realmente fez a diferença na Copa foi esta safra excepcional de jogadores. Durante toda a competição, o treinador fazia substituições e o padrão continuava igual.

Se o time achar a maneira de jogar, independentemente do técnico, vai ganhar. A Alemanha foi a equipe mais regular do Mundial e mereceu o título. Mas o futebol é engraçado: se a Argentina tivesse vencido aquele jogo, estaríamos todos falando dela. E como é mesmo o futebol na Argentina?

PEDRA NO CAMINHO

Para fazer uma revolução para valer no futebol brasileiro, é preciso começar com uma revisão na Lei Pelé (ela diz que o passe do jogador pertence a ele, e não ao clube).

Antes, o atleta cultivado nas categorias de base chegava ao time principal com 22, 23 anos, quando estava formado técnica, tática e psicologicamente. Agora, aos 18, os que se destacam vão para a Europa. O resultado é ruim para o jogador, que é imaturo e muitas vezes amarga o banco lá fora, e para o clube.

Não dá para investir em 2 000 meninos ao longo de dez, quinze anos, descobrir uma pedra preciosa e, na hora em que ela começa a brilhar, perdê-la.

CHORORÔ DEMAIS

Uma cena de choro como a do jogo contra o Chile pega mal no meio do futebol. Nós somos machistas, temos aquela coisa de que homem não chora, mas precisamos saber respeitar. E, quanto a Thiago Silva não querer bater pênalti, a situação é braba mesmo. Você pensa: se eu errar, não posso mais pisar no Brasil. Ele pelo menos foi honesto e teve coragem de dizer que não estava pronto.

O que não me agradou mesmo foi aquele gesto de chegar todo mundo com “Força, Neymar” escrito no boné. A mensagem que passou foi: perdemos um guerreiro. Só que, se vamos para a guerra, não podemos ficar chorando perdas. Temos é que dar força ao soldado que entrou no lugar.

CLIMA DE “JÁ GANHOU”

Pressão sempre aparece. Em 1994, por exemplo, sentíamos o peso de uma seleção que não conquistava um título fazia mais de duas décadas. A gente sofria com isso. Nesta Copa, a história de que o hexa era nosso atrapalhou. A coisa tomou uma proporção absurda nas ruas.

A verdade é que, desde os 10, 12 anos, o menino já começa a lidar com a pressão no futebol. Não sei se psicólogo resolve. Nada contra, mas somos desconfiados, temos sempre o pé atrás. Dificilmente um jogador vai se abrir em cinco minutos. A primeira coisa que pensa é: “Será que ela vai contar ao treinador o que eu falei?”.

“NÃO GOSTO DE BRINQUINHO”

Tem jogador investindo muito mais na imagem do que no campo. O cara quer colocar dois brinquinhos, um boné torto, e acaba perdendo o foco no trabalho. O jogador fica na mira dos holofotes. Se ganha, tudo bem. Mas, como não vai ganhar sempre, cria uma carga desnecessária de expectativa.

Além disso, quando veste o uniforme da seleção, não existe mais o individual. Os atletas precisam entender. Eu não vou proibir esse tipo de coisa. As pessoas falam que sou durão, mas nunca proibi nada. Só deixo bem claro: “Se vai por esse caminho, assuma as consequências”. O pior é decidir pelos outros.

A DEMISSÃO

Quando fui demitido, depois da derrota na Copa de 2010, fiquei decepcionado. Mas no Brasil é assim: não ganhou, está fora. Faz parte do jogo. Não tenho nenhum arrependimento do meu trabalho com aquela seleção. Falam muito de eu não ter convocado o Adriano, mas tentei. Conversei com ele na Inglaterra e fizemos um trato. Uma semana depois, ele começou a faltar aos treinos no Flamengo e decidi deixá-lo de fora.

Até hoje o povo cobra por eu não ter levado o Neymar e o Ganso para a África do Sul, mas não perdemos pela falta de um ou outro jogador. Perdemos, sim, pelos nossos erros. Agora, o fracasso marca. Veja o que fizeram com o Barbosa, o goleiro da derrota para o Uruguai em 1950. Hoje todo mundo diz que perdoa, mas é pura demagogia. Passaram sessenta anos batendo no cara. E quem vê o lance percebe que nem foi só culpa dele.

O RETORNO

Não vejo nas ruas essa rejeição toda a meu nome que as pesquisas mostram. De dez pessoas entrevistadas, dez estão contra mim. Ora, nem Judas teve isso. Estavam falando que era a vez do Tite. Sempre falam que é a vez de outro. Agora é a minha.

31/07/2014

às 0:00 \ Disseram

“Placar perverso”

“O 7 a 1 que me preocupa é o que o governo deixará, espero que para nós.”

Aécio Neves, candidato tucano à Presidência da República, em sabatina promovida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), referindo-se ao “placar perverso” da  inflação de 7% contra o 1% de crescimento, em trocadilho com o resultado do jogo do Brasil contra a Alemanha na Copa do Mundo

30/07/2014

às 18:00 \ Disseram

Recuperação pós-Copa

“Neste momento em que eu também preciso de um abraço, de um carinho, em que preciso de pessoas que me ajudem, eu sei que o Grêmio é  esse time, que tem essa filosofia, que tem torcedores e os jogadores vão estar comigo.”

Felipão, ex-técnico da Seleção Brasileira, sobre a contratação pelo Grêmio após o período de massacre que sofreu após o infame 7 a 1 contra a Alemanha na Copa do Mundo

29/07/2014

às 18:00 \ Disseram

Não se vendem sonhos

“Não vou vender um sonho (…) E a realidade é de muito trabalho.”

Dunga, na coletiva que oficializou seu retorno ao cargo de técnico da Seleção Brasileira, quatro anos depois de haver sido demitido pelo fracasso na Copa de 2010

28/07/2014

às 18:39 \ Política & Cia

Goleada da Alemanha sobre a Seleção Brasileira “bate” na imagem de Dilma nas redes sociais

(Ilustração: Lézio Junior)

(Ilustração: Lézio Junior)

 

GOLS CONTRA

Nota publicada na seção “Holofote” de edição impressa de VEJA

A Brandviewer, empresa de monitoramento de mídias sociais, concluiu que a derrota do Brasil por 7 a 1 na Copa teve, sim, impacto negativo sobre a imagem de Dilma Rousseff na internet.

Durante a semana que antecedeu o jogo, 55% do total de citações à presidente eram positivas. Após a goleada, o índice caiu para 32% — em apenas uma semana, ela perdeu 23 pontos porcentuais.

Ao mesmo tempo, os dados mostram que o número de citações negativas subiu de 27% para 46%.

O levantamento foi feito no Twitter e no Facebook, de 2 a 7 de julho e, depois, de 8 a 13 do mesmo mês.

Entre um período e o outro, as citações sobre Dilma pularam de 273. 964 para 482.014.

27/07/2014

às 16:00 \ Tema Livre

HERALDO PALMEIRA: Com a nova era do futebol brasileiro, continuaremos deprimidos de quatro em quatro anos

(Foto: Jamie McDonald/Getty Images)

O alemão Schürrle comemora seu segundo gol contra o Brasil, nos 7 a 1 da Alemanha, com Júlio César caído. Segundo Heraldo Palmeira, “a morte por corpo mole da Seleção Brasileira, assassinada pela Geração Tóis” (Foto: Jamie McDonald/Getty Images)

DEPRESSÃO PÓS-PARTO

Por Heraldo Palmeira*

A Copa do Mundo de 2014 ofereceu ao mundo o estilo de acolhimento dos brasileiros. Não restou espaço para ninguém se meter a dono da festa, para nenhum pateta comer superamendoim e tirar onda de superpateta.

O cartunista Ziraldo, eterno menino maluquinho, encheu o pé: “Está tudo num verso mínimo de Manuel Bandeira, nosso grande poeta: ‘Tão Brasil!’. Tudo que ia dar errado (merda) deu certo! Existe coisa mais brasileira que isso?”.

Pelo visto, o oposto também foi fato. Muito do que ia dar certo deu merda. A julgar pelas reclamações de hoteleiros, taxistas, comerciantes e até representantes de grandes shoppings, que viram o faturamento encolher. A julgar pela quantidade de obras de mobilidade urbana que ficaram incompletas, desmoronaram ou sequer saíram do papel.

Já se vibrou o suficiente com a vitória germânica. Também se tentou diminuir com argumentos risíveis a conquista dos campeões. Muitas viúvas ainda choramingam à míngua os quase gols hermanos de uma quase vitória que não veio.

Para falar de quase gol, melhor lembrar a pintura de Pelé contra o Uruguai na Copa de 1970. Um drible de corpo no goleiro Ladislao Mazurkiewicz passou à história da bola, por justíssima licença poética, como um dos gols mais bonitos de todos os tempos. Só ficou faltando a bola entrar trave adentro e beijar a rede.

Sem contar que na súmula do jogo consta Brasil 3 x 1 Uruguai. Algo muito além de um reles Gonzalo Higuaín atordoado jogando fora um gol feito para um time que não fez nenhum outro. Portanto, esse papo de quase gol argentino já deu preguiça.

E nem devemos começar a conversa de campeão moral, porque o assunto morre na Seleção Brasileira na Copa de 1982. Que foi assassinada por um bonde chamado Cerezo. Não adianta: justo ou não, resultado é aquele que consta na súmula do jogo.

Já se disse tudo o que podia ser dito a respeito da morte por corpo mole da Seleção Brasileira, assassinada pela Geração Tóis, definitivamente amaldiçoada pelos deuses da bola e merecidamente execrada na história do nosso futebol. Foi um parto de ouriço atravessado que massacrou uma pátria-mãe subtraída de um sonho possível: o sexto filho.

Neymar, o Tóis-mor, deverá seguir seu rumo de Robinho passado a limpo pela turma do marketing – ou a ridícula entrevista ao Fantástico teve outra função a não ser tentar salvar o mascate da falência da loja de horrores de Felipão?

O Tóis-histriônico Dani Alves, filósofo da internet nas horas vagas, foi informado de que o novo técnico Luis Enrique está curiosíssimo para “conhecer suas aspirações” no Barcelona. Precisa apresentar correndo algo além do fashion-ridículo que adora ostentar.

O resto dos canarinhos sem penas seguirá arrastando pela vida a pena do silêncio de quem não sabe cantar. Nem voar.

A anunciada renovação do futebol brasileiro é a depressão pós-parto. Gilmar Rinaldi?! Dunga?!

O jornalista Raphael Gomide escreveu: “Após o vexame brasileiro na Copa do Mundo, a CBF anuncia um agente de jogadores sem experiência internacional como coordenador de seleções”. O jornalista Reinaldo Azevedo completa a jogada balançando a rede: “Dunga é a contramão da modernidade; é o atraso orgulhoso, machão e, lamento muito, meio abestado”.

O próprio Gilmar, depois da derrota para a Holanda e ainda defendendo a permanência de Felipão e sua “família” de chorões, deixou no Twitter uma boa pista do estilo que poderá pontuar a Era Dunga II: “…direcionar as coisas na direção certa”.

Agora, temos dois caminhos: contar com um milagre para ninguém direcionar as coisas na direção errada, ou escolher uma segunda seleção para torcer depois dos nossos apagões. E não custa lembrar que, antes de sonhar com técnicos estrangeiros de primeira linha, é bom ter em mente que eles sabem perfeitamente a roubada que é treinar a Canarinho. Ainda mais porque o ninho dela é essa CBF repleta de falcões.

O jornalista Fernando Gabeira liquida a fatura: “Podemos ser um país melhor. Antes teremos de perder esse espírito de fodões de que com tóis ninguém pode, vem quente que estou fervendo. Ele favorece os apagões, nas semifinais da Copa ou na noite de núpcias. Foi-se o tempo em que pensávamos que os alemães eram limitados porque eram apenas organizados e bem treinados. São tudo isso e têm talento. É a única combinação que leva à vitória ou, ao menos, a uma derrota honrosa”.

No mais, a seguir como está, ficaremos desfiando tangos e tragédias, apostando em milongas e jeitinhos, transformando jogos de futebol em partos de ouriços atravessados. E sofrendo de depressão pós-parto por quatro anos, de quatro em quatro anos.

*Heraldo Palmeira é documentarista e produtor musical.

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados