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Seleção Brasileira

28/07/2014

às 18:39 \ Política & Cia

Goleada da Alemanha sobre a Seleção Brasileira “bate” na imagem de Dilma nas redes sociais

(Ilustração: Lézio Junior)

(Ilustração: Lézio Junior)

 

GOLS CONTRA

Nota publicada na seção “Holofote” de edição impressa de VEJA

A Brandviewer, empresa de monitoramento de mídias sociais, concluiu que a derrota do Brasil por 7 a 1 na Copa teve, sim, impacto negativo sobre a imagem de Dilma Rousseff na internet.

Durante a semana que antecedeu o jogo, 55% do total de citações à presidente eram positivas. Após a goleada, o índice caiu para 32% — em apenas uma semana, ela perdeu 23 pontos porcentuais.

Ao mesmo tempo, os dados mostram que o número de citações negativas subiu de 27% oara 46%.

O levantamento foi feito no Twitter e no Facebook, de 2 a 7 de julho e, depois, de 8 a 13 do mesmo mês.

Entre um período e o outro, as citações sobre Dilma pularam de 273. 964 para 482.014.

27/07/2014

às 16:00 \ Tema Livre

HERALDO PALMEIRA: Com a nova era do futebol brasileiro, continuaremos deprimidos de quatro em quatro anos

(Foto: Jamie McDonald/Getty Images)

O alemão Schürrle comemora seu segundo gol contra o Brasil, nos 7 a 1 da Alemanha, com Júlio César caído. Segundo Heraldo Palmeira, “a morte por corpo mole da Seleção Brasileira, assassinada pela Geração Tóis” (Foto: Jamie McDonald/Getty Images)

DEPRESSÃO PÓS-PARTO

Por Heraldo Palmeira*

A Copa do Mundo de 2014 ofereceu ao mundo o estilo de acolhimento dos brasileiros. Não restou espaço para ninguém se meter a dono da festa, para nenhum pateta comer superamendoim e tirar onda de superpateta.

O cartunista Ziraldo, eterno menino maluquinho, encheu o pé: “Está tudo num verso mínimo de Manuel Bandeira, nosso grande poeta: ‘Tão Brasil!’. Tudo que ia dar errado (merda) deu certo! Existe coisa mais brasileira que isso?”.

Pelo visto, o oposto também foi fato. Muito do que ia dar certo deu merda. A julgar pelas reclamações de hoteleiros, taxistas, comerciantes e até representantes de grandes shoppings, que viram o faturamento encolher. A julgar pela quantidade de obras de mobilidade urbana que ficaram incompletas, desmoronaram ou sequer saíram do papel.

Já se vibrou o suficiente com a vitória germânica. Também se tentou diminuir com argumentos risíveis a conquista dos campeões. Muitas viúvas ainda choramingam à míngua os quase gols hermanos de uma quase vitória que não veio.

Para falar de quase gol, melhor lembrar a pintura de Pelé contra o Uruguai na Copa de 1970. Um drible de corpo no goleiro Ladislao Mazurkiewicz passou à história da bola, por justíssima licença poética, como um dos gols mais bonitos de todos os tempos. Só ficou faltando a bola entrar trave adentro e beijar a rede.

Sem contar que na súmula do jogo consta Brasil 3 x 1 Uruguai. Algo muito além de um reles Gonzalo Higuaín atordoado jogando fora um gol feito para um time que não fez nenhum outro. Portanto, esse papo de quase gol argentino já deu preguiça.

E nem devemos começar a conversa de campeão moral, porque o assunto morre na Seleção Brasileira na Copa de 1982. Que foi assassinada por um bonde chamado Cerezo. Não adianta: justo ou não, resultado é aquele que consta na súmula do jogo.

Já se disse tudo o que podia ser dito a respeito da morte por corpo mole da Seleção Brasileira, assassinada pela Geração Tóis, definitivamente amaldiçoada pelos deuses da bola e merecidamente execrada na história do nosso futebol. Foi um parto de ouriço atravessado que massacrou uma pátria-mãe subtraída de um sonho possível: o sexto filho.

Neymar, o Tóis-mor, deverá seguir seu rumo de Robinho passado a limpo pela turma do marketing – ou a ridícula entrevista ao Fantástico teve outra função a não ser tentar salvar o mascate da falência da loja de horrores de Felipão?

O Tóis-histriônico Dani Alves, filósofo da internet nas horas vagas, foi informado de que o novo técnico Luis Enrique está curiosíssimo para “conhecer suas aspirações” no Barcelona. Precisa apresentar correndo algo além do fashion-ridículo que adora ostentar.

O resto dos canarinhos sem penas seguirá arrastando pela vida a pena do silêncio de quem não sabe cantar. Nem voar.

A anunciada renovação do futebol brasileiro é a depressão pós-parto. Gilmar Rinaldi?! Dunga?!

O jornalista Raphael Gomide escreveu: “Após o vexame brasileiro na Copa do Mundo, a CBF anuncia um agente de jogadores sem experiência internacional como coordenador de seleções”. O jornalista Reinaldo Azevedo completa a jogada balançando a rede: “Dunga é a contramão da modernidade; é o atraso orgulhoso, machão e, lamento muito, meio abestado”.

O próprio Gilmar, depois da derrota para a Holanda e ainda defendendo a permanência de Felipão e sua “família” de chorões, deixou no Twitter uma boa pista do estilo que poderá pontuar a Era Dunga II: “…direcionar as coisas na direção certa”.

Agora, temos dois caminhos: contar com um milagre para ninguém direcionar as coisas na direção errada, ou escolher uma segunda seleção para torcer depois dos nossos apagões. E não custa lembrar que, antes de sonhar com técnicos estrangeiros de primeira linha, é bom ter em mente que eles sabem perfeitamente a roubada que é treinar a Canarinho. Ainda mais porque o ninho dela é essa CBF repleta de falcões.

O jornalista Fernando Gabeira liquida a fatura: “Podemos ser um país melhor. Antes teremos de perder esse espírito de fodões de que com tóis ninguém pode, vem quente que estou fervendo. Ele favorece os apagões, nas semifinais da Copa ou na noite de núpcias. Foi-se o tempo em que pensávamos que os alemães eram limitados porque eram apenas organizados e bem treinados. São tudo isso e têm talento. É a única combinação que leva à vitória ou, ao menos, a uma derrota honrosa”.

No mais, a seguir como está, ficaremos desfiando tangos e tragédias, apostando em milongas e jeitinhos, transformando jogos de futebol em partos de ouriços atravessados. E sofrendo de depressão pós-parto por quatro anos, de quatro em quatro anos.

*Heraldo Palmeira é documentarista e produtor musical.

26/07/2014

às 20:00 \ Tema Livre

ROBERTO POMPEU DE TOLEDO: Como no comércio internacional, o Brasil se tornou exportador de matéria-prima no futebol

(Foto: AP Photo/Felipe Dana)

“Do lado brasileiro, o grande craque da Copa foi o Cristo Redentor” (Foto: AP Photo/Felipe Dana)

RESCALDO DO RESCALDO

Artigo publicado em edição impressa de VEJA

Um anúncio da safra da Copa… anúncio de quê, mesmo? Houve tempo em que os anúncios iam direto ao ponto – “Beba Coca-Cola”. Hoje a criatividade sufoca as marcas.

Houve um anúncio da safra da Copa, sabe-se lá do quê, em que um homem, de costas, vinha e depositava no chão a maleta que trazia no braço, na pose de quem chegava a algum lugar. “O futebol está voltando para casa”, dizia o locutor. E não é que o futebol voltou mesmo para casa? Voltou para a querida Europa de nascença.

País do futebol, hoje, 100 anos depois de o kaiser Guilherme II dar o pontapé inicial à I Guerra Mundial, 91 anos depois do putsch de Munique, 75 anos depois do início e 69 do fim da II Guerra Mundial, 53 depois da construção e 25 da derrubada do Muro de Berlim, nove anos depois da eleição e um depois da renúncia do papa Ratzinger, é a Alemanha.

É lá que se joga um futebol alegre e bonito. No Brasil, joga-se um futebol “de resultados” dotado da singular característica de não produzir resultados.

Do lado brasileiro, o grande craque da Copa foi o Cristo Redentor. Durante a transmissão da final, a televisão fez seguidas tomadas do Cristo com o Maracanã ao fundo, ou com a Lagoa Rodrigo de Freitas e a orla de Ipanema ao fundo. A Copa no Brasil teve obras superfaturadas, estádios destinados à ociosidade, promessas de obras viárias não cumpridas, viaduto desabado e operários mortos, mas no momento final apareceu o Cristo para segurar as pontas.

O milagre que faltou no gramado veio do alto, como é próprio dos milagres. O Redentor entrou em campo, em transmissão ao vivo captada até os confins do universo, para marcar um gol mais bonito do que o de Robben contra a Espanha.

A vitória do Brasil na Copa de 1958 iniciou uma revolução copernicana na geopolítica do futebol. A vitória de 1970, a terceira em quatro Copas, consolidou a convicção de que subdesenvolvidos, em futebol, eram os europeus. A Copa de 2014 repõe as coisas em seus lugares. Rico é rico, pobre é pobre, e rico fala mais alto e mais grosso que pobre em tudo.

Tal qual ocorre no geral do comércio internacional, subdesenvolvido é o exportador de matéria-prima. O Brasil, no futebol, virou exportador de matéria-prima, e não se vislumbra como possa escapar dessa sina.

Há uma coisa chamada mercado, em primeiro lugar. Em segundo, há internamente uma engrenagem reunindo cartolas, técnicos, empresários, olheiros e outros agentes mancomunados no grande negócio, ilícito em boa parte, da exportação de jogadores. Em terceiro, de modo cruelmente insidioso, já se introjetou no moleque das peladas o sonho de jogar no Barcelona, não no Corinthians ou no Flamengo.

Angela Merkel assistiu ao jogo inaugural da Alemanha, contra Portugal, e, mostrada várias vezes na TV, festejou cada um dos quatro gols do seu time. Voltou para assistir à final, contra a Argentina, e festejou a conquista do torneio. Como diria o Ancelmo Gois, deve ser terrível viver num país onde o futebol é explorado para fins políticos.

Dois turistas alemães foram presos por roubar uma escultura alusiva ao futebol no saguão do Aeroporto de Guarulhos. Deve ser terrível a criminalidade naquele país.

O craque alemão Schweinsteiger, depois da conquista, fez uma “saudação especial” a Uli Hoeness, ex-presidente do Bayern de Munique, hoje cumprindo pena por evasão fiscal. Deve ser terrível viver num país em que se incentiva o crime.

Dia do jogo Brasil x Alemanha, num bairro central de São Paulo. O vizinho amanhece já tocando sua vuvuzela. Jogo do Brasil é assim. A festa começa muitas horas antes. Há um clima de eufórica espectativa no ar. Vuvuzelas, buzinas, bandeiras. O clamor da vuvuzela do vizinho intensifica-se à medida que vai chegando a hora.

Aí começa o jogo. Um a zero para a Alemanha, dois, cinco a zero. Vuvuzela calada. Seis a zero, sete a zero. Então, aos 45 minutos do segundo tempo, Oscar escapa, engana o goleiro Neuer e marca. Gol do Brasil!!! A vuvuzela dispara. Fica-se imaginando o vizinho levantando do sofá, aturdido, arrasado, mas atento ao chamado do dever.

Nem Oscar comemorou. Mas quem possui uma vuvuzela assumiu com ela um compromisso moral, mesmo que seu grito esganiçado àquela altura soasse como um gemido.

25/07/2014

às 18:00 \ Disseram

Mudança de rumo na CBF

“[A CBF] tem um presidente eleito, não vejo como mudar. Isso é uma coisa muito complicada de discutir e de responder numa frase.”

Galvão Bueno, narrador esportivo da Globo, respondendo às Páginas Amarelas de VEJA à pergunta sobre se, sem mudanças no comando da CBF, achava possível a Seleção dar um salto como deu a Alemanha a partir da Eurocopa de 2000

24/07/2014

às 16:00 \ Tema Livre

Técnico estrangeiro para a Seleção virou questão acadêmica. Se fosse pra valer, porém, teria faltado combinar com o lado de lá: quem seria louco de assinar um contrato com… a CBF?

(Fotos: Reuters :: AP :: Getty Images :: Martin Rose/Getty Images)

Guardiola, Mourinho, Klopp e Ancelotti: cogitar não paga imposto — mas qual deles faria a loucura de aceitar? (Fotos: Reuters :: AP :: Getty Images :: Martin Rose/Getty Images)

Com a genial e criativa decisão da CBF de trazer de volta o técnico Dunga para resolver todos os problemas da Seleção Brasileira, tornou-se uma questão acadêmica a contratação ou não de um treinador estrangeiro para o time canarinho.

A polêmica, porém, rolou freneticamente durante os poucos dias decorridos entre a estranha demissão de Felipão — que não teve a hombridade de sair de imediato após o fracasso, mas colocou o cargo “à disposição”, como se não estivesse sempre assim diante da direção da CBF — e a formalização de Dunga como seu substituto.

Foi discutida nas emissoras de rádio e TV, nos canais pagos especializados, nas redes sociais e, certamente, nos botecos Brasil afora.

A CBF e seus asseclas, altivos, asseguraram que “nunca” se pensou em treinador estrangeiro, agindo como parte ofendida com a mera cogitação da hipótese. Como se seleções de peso ao longo da história do futebol não tivessem sido comandadas por treinadores não nascido nos países que os times representam.

Os ingleses, inventores do futebol moderno, já foram treinados por um italiano (Fabio Capello, entre 2007 e 2012), o qual, por sinal, está há dois anos no comando da seleção da ultranacionalista Rússia. Na Copa recém-encerrada, abundaram os treinadores de países distintos daqueles de sua seleção — como os técnicos do Chile e da Colômbia (argentinos), de Camarões (um alemão), da Costa Rica (um colombiano)… e por aí vai.

Treinador estrangeiro não diminui seleção alguma, salvo naqueles países com invencível complexo de vira-latas.

O curioso em tudo isso, para mim, ficou concentrado na suposta “altivez nacionalista” da CBF, irritada com a mera possibilidade de arrastar um grande nome de fora do país para a Seleção.

Curioso e engraçado, porque, no caso, faltou combinar com o inimigo, como diz a piada.

Quem, no universo do futebol, acredita que o espanhol da Catalunha Pep Guardiola (Bayern de Munique), ou o português José Mourinho (Chelsea), ou o alemão Jürgen Klopp (Borussia Dortmund) ou o italiano Carlo Ancelotti (Real Madrid) sequer PENSARIAM em aceitar um convite da CBF?

Esqueçamos os colossais salários que cada um deles recebem. A CBF, embora à custa dos clubes, é riquíssima e provavelmente até poderia pagar. Mas, conhecedores da péssima fama da entidade e de seus cartolas, e vivendo nos ambientes rigorosamente profissionais em que atuam, a possibilidade de um dos quatro — ou outros do mesmo porte — toparem a empreitada era semelhante à de um camarada ir de bicicleta até o planeta Plutão.

23/07/2014

às 12:00 \ Disseram

A Seleção precisa chorar menos

“Brasileiros sempre choram. Toca o hino? Choram. Eliminam o Chile? Choram. Perdem para a Alemanha? Choram. O que eles devem mostrar é que são homens e que são fortes.”

Lothar Matthäus, capitão da seleção alemã campeã do mundo em 1990, num balanço, para o francês Le Journal du Dimanche, da participação do Brasil na Copa de 2014

22/07/2014

às 18:00 \ Disseram

O Brasil não está mais no topo

“Já não somos mais os melhores. Este é um trabalho de conscientização de todos nós.”

Dunga, novo técnico da Seleção Brasileira, sobre a qualidade do futebol brasileiro, na primeira entrevista coletiva após o anúncio de seu retorno ao cargo

22/07/2014

às 16:00 \ Tema Livre

J. R. GUZZO: O futebol, a Seleção e a imensa resistência do Brasil em ser adulto

(Foto: facho.br)

A obsessão com o “país do futebol” não nos deixa ver que, pelo menos agora, não somos os melhores do mundo (Foto: facho.br)

COM MUITO ORGULHO

Artigo de J. R. Guzzo publicado em edição impressa de VEJA

J. R. GuzzoNunca antes na história deste país tinha acontecido nada igual. Não só na história deste país: o que se viu no 8 de julho de 2014, um dia que viverá para sempre, jamais tinha ocorrido em 100 anos de existência da seleção nacional de futebol. Também não havia acontecido em toda a história da Copa do Mundo desde a sua criação, em 1930 – não num jogo de semifinal, disputa privativa de gigantes da bola.

Pois aconteceu: a Alemanha enfiou 7 a 1 no Brasil, comprovando uma vez mais que tudo o que não é impossível pelas leis da natureza é, por definição, possível de acontecer um dia qualquer.

Quem poderia imaginar um resultado desses? Seria mais fácil o velho camelo da Bíblia passar pelo buraco de uma agulha. Mas os camelos do futebol, como se vê no mundo das realidades, são bichos capazes de fazer as coisas mais incríveis. Fizeram de novo, no Estádio de Minas Gerais.

Fim de linha para a seleção e para o “hexa”, por falência de múltiplos órgãos.

E daí? E daí nada, realmente – apenas uma derrota esportiva, risco que existe em toda competição e do qual está livre só quem não compete.

Numa sociedade razoavelmente adulta, capaz de separar futebol de honra nacional, felicidade do povo, “vergonha na cara” e outros valores, reais ou imaginários, o massacre que o time do Brasil viveu no Mineirão seria uma derrota horrenda, constrangedora e francamente exótica – mas uma derrota num jogo de bola, só isso, sem nenhum prejuízo material para ninguém, para o país ou para o equilíbrio psicológico de quem quer que seja.

Acontece que o Brasil tem uma imensa resistência em ser adulto, e aí a coisa complica. Como resultado da pressão neurótica aplicada ao futebol pelos meios de comunicação e pelo noticiário esportivo, autoridades públicas, políticos em geral, departamentos de marketing de grandes empresas, agências de publicidade e interesses econômicos que envolvem bilhões de dólares, constrói-se sistematicamente no Brasil um ambiente artificial de histeria que contamina a sociedade quase inteira, quando se trata de futebol e de Copa do Mundo.

Assim ficam estabelecidas exclusivamente duas possibilidades, ambas falsas: a vitória que transforma a nação num paraíso de coragem, competência e superioridade sobre todos os demais povos do mundo; ou, então, a derrota que nos reduz ao pó, com vergonha, choro e ranger de dentes.

É assim que se criou, entre outras invenções cultivadas com obsessão, a extraordinária lenda segundo a qual o Brasil sofreu um “trauma” sem limites ao perder no jogo final contra o Uruguai no Maracanã, em 1950, na primeira Copa aqui disputada.

A derrota é vendida como uma “tragédia” sem igual na história brasileira, um momento de desgraça que jamais poderíamos viver de novo e que clamava aos céus por redenção e vingança – a ser providenciadas, enfim, em 2014, pela graça dos 23 rapazes convocados para a seleção do técnico Luiz Felipe Scolari e dos cartolas da CBF.

Mas não existe trauma nenhum – como poderia existir, se apenas os brasileiros hoje com mais de 70 anos estavam vivos em 1950, em idade para entender minimamente o que aconteceu? Ninguém sofre, na vida real, por contrariedades que jamais experimentou.

Mas aí está: impõe-se ao país o disparate segundo o qual uma partida de futebol disputada 64 anos atrás, o “Maracanazo”, foi uma bomba atômica jogada no Rio de Janeiro, e que “jamais o Brasil iria permitir” que a calamidade se repetisse nesta segunda Copa sediada pelo Brasil. No jogo contra a Alemanha aconteceu muito pior do que uma repetição: um “Mineirazo”, com inéditos 7 a 1 no lombo.

Essa mesma lavagem cerebral nos força a ficar repetindo que o Brasil é “o país do futebol”, que nenhuma outra nação chega perto da nossa habilidade sobrenatural com a bola e que vamos ganhar sempre por causa da ginga, do jogo de cintura, da malandragem etc., pois amarramos “o coração na chuteira”, somos “brasileiros com muito orgulho” e outras tolices. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

22/07/2014

às 13:50 \ Tema Livre

Dunga chega na retranca: ‘Assumo culpa e estou pronto para receber críticas’

Dunga, em entrevista na sede da CBF, no Rio: em busca de mudanças na relação com a imprensa (Foto: Reprodução/TV)

Dunga, em entrevista na sede da CBF, no Rio: em busca de mudanças na relação com a imprensa (Foto: Reprodução/TV)

Treinador disse que vai mudar sua relação com a imprensa, que sempre foi tumultuada

Do site de VEJA

Ao reassumir o cargo de técnico da seleção brasileira nesta terça-feira, Dunga quis evitar de cara novos desgastes com a imprensa, fato comum durante sua passagem entre 2006 e 2010. O treinador pediu desculpas aos jornalistas e prometeu uma relação mais aberta.

“Uma pessoa dificilmente muda no que diz respeito à ética, ao caráter e ao trabalho, mas sei que tenho de melhorar muito no contato com os jornalistas. Fiz uma reflexão nos últimos anos e assumo minha culpa. Estou pronto para receber críticas e sugestões, em favor da seleção. Tudo o que for bom para a seleção, estaremos abertos para trocar ideias e obter o resultado.”

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Dunga, no entanto, discordou de um repórter que perguntou se sua missão seria resgatar a beleza do jogo da seleção pentacampeã.

“O que é o futebol arte? Uma boa defesa do goleiro, uma interceptação do goleiro também é futebol arte. O que não podemos é querer que exista um Pelé a cada dia, achar que será como no passado. Um ídolo não se cria de uma hora para a outra. Temos talento, mas temos de aliá-lo ao comprometimento, ao equilíbrio emocional, organização.”

O treinador ainda comentou sobre as pesquisas nesta semana que apontaram enorme rejeição a seu retorno. “Respeito as enquetes, mas na minha viagem de São Paulo ao Rio encontrei pessoas que me apoiam, não sinto essa rejeição no supermercado, nos aeroportos por onde passo. Mas é como numa eleição, nem sempre ganha o favorito nas pesquisas e tenho de buscar força nesses que me dão suporte e tenho de conquistar o restante que não me apoia.”

Principais trechos da entrevista:

Trabalho – O torcedor está machucado, mas vamos reconquistar o carinho do público através de resultados.  O torcedor e a imprensa já me conhecem, não vou vender um sonho, a realidade é que precisamos de muito trabalho. Não podemos achar que somos os melhores, já fomos os melhores, mas temos de ser humildes e reconhecer que outras seleções trabalharam muito para chegar onde estão.

Retranca – O futebol muda a cada instante, a cada dia. Todos falam de futebol ofensivo e acham que basta colocar quatro atacantes na frente, mas o que se viu na Copa foram atacantes que marcam. Se em 2010 tivéssemos essa atitude, iriam dizer que era um futebol defensivo.

Agora, em 2014, dizem que isso é ser ofensivo. O importante é chegar no ataque com vários homens, com movimentação. Vimos craques participando o jogo todo, como Robben e Müller. Vimos até o goleiro Neuer jogando como líbero, com os pés, isso não acontecia antes. Temos de seguir por este caminho.

Alemanha – Parece que o mundo descobriu a Alemanha só agora. Eles sempre foram organizados, sempre tiveram centros de treinamento, deram apoio às categorias de base. O que aconteceu é que a Alemanha encontrou uma geração de jogadores ótimos, conseguiu encaixar as peças, teve tempo, e não obteve resultados nos primeiros campeonatos. A Alemanha foi vencedora com amplo merecimento.

Concorrentes – Vimos seleções sul-americanas crescerem, justamente nesta mescla entre jovens talentos e jogadores experientes. O futebol mudou, antes só brasileiros e argentinos iam para a Europa, mas hoje vemos jogadores de vários países se destacando. A Eliminatória será muito difícil.

Retrospecto – A camisa brasileira e a argentina são respeitadas e sempre serão. Mas os adversários nos respeitam tanto que querem sempre ganhar de nós, porque vencer o Brasil é notícia no mundo todo. Não podemos achar que vamos ganhar um jogo pelo peso da camisa, na véspera.

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22/07/2014

às 0:00 \ Disseram

Seleção chorona

“Nunca vi uma seleção que chorasse tanto.”

Galvão Bueno, narrador esportivo da Globo, sobre o time de Felipão, em entrevista às Páginas Amarelas de VEJA

 

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