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mensalão

22/12/2014

às 12:00 \ Disseram

Tantos “ões”…

“Estamos no pior momento da nossa história em termos éticos, com todos esses “ões”: mensalões, petrolões.”

Bernardinho, treinador da seleção masculina de vôlei, em entrevista a VEJA

21/12/2014

às 15:30 \ Política & Cia

MENSALÃO: Fuga do ladrão Pizzolato é um tapa na cara dos brasileiros decentes — e coisa de país mequetrefe

O delegado Marcelo Nogueira, da Polícia Federal, observado por colegas, recebe telefonema do advogado Marthius Lobato sobre a fuga de Henrique Pizzolato (Foto: Cecília Ritto)

O delegado Marcelo Nogueira, da Polícia Federal, observado por colegas, recebe telefonema do advogado Marthius Lobato sobre a fuga para a Itália do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato (Foto: Cecília Ritto)

Post publicado originalmente a 16 de novembro de 2013

Foi a crônica de uma fuga anunciada.

campeões de audiência 02Amigas e amigos do blog, é nisso que dá a legislação frouxa e as autoridades “compreensivas” que temos “neztepaiz”: o ladravaz condenado Henrique Pizzolato, ex-diretor de marketing do Banco do Brasil durante o lulalato e personagem de proa do processo do mensalão, se manda para a Itália, lançando mão da dupla nacionalidade de que dispõe, para escapar da merecida cadeia a que foi condenado no Brasil.

Pergunto: adianta condenar, oito anos depois de denunciada a bandalheira, após ingente trabalho do Supremo Tribunal Federal consubstanciado em 50 mil páginas de processo, se não há a menor preocupação de manter vigilância sobre os condenados depois que se tornou claríssimo que haveria condenação?

Pergunto de novo: adianta confiar na palavra de réu condenado, que prometia se apresentar?

Pergunto ainda uma vez: se ele escapuliu de Ponta Porã (MS) para Pedro Juan Caballero, no Paraguai, de onde seguiu para a Europa, como fica a vigilância de nossas fronteiras?

Pizzolato era o único dos réus com dupla nacionalidade.

Pizzolato já havia estado na Itália semanas atrás — provavelmente providenciando moradia e tomando outras medidas para instalar-se no país.

Passou a perna nas autoridades todas, fez a Polícia Federal de tonta, desmoralizou o Supremo, deu um tapa na cara dos brasileiros de bem.

Neste caso, como em tantos outros, agimos como o que somos: um país mequetrefe, de terceira categoria, que não leva nada a sério, que não se dá o respeito, cujas autoridades, por negligência, debocham do povo brasileiro — um país que agora é humilhado internacionalmente por um criminoso de colarinho branco se dizendo perseguido político em plena vigência de um regime democrático.

E — ironia das ironias — o condenado foragido alega buscar uma suposta “justiça” na Itália, a mesma Itália onde o lulalato alegava que o terrorista e assassino Cesare Battisti seria “perseguido” caso fosse, como deveria, extraditado do Brasil para lá pagar por seus crimes.

Agora, toca “eztepaiz” a lançar mão de toda uma série de providências jurídicas e diplomáticas intermináveis, de resultado incerto — uma vez que, sendo formalmente cidadão italiano, mesmo que ele desconheça por completo o idioma, é bem possível que a Itália não extradite Pizzolato para o Brasil –, para que o criminoso cumpra, aqui, sua pena.

Para ver a trabalheira que dará tentar trazer o ladrão de volta, e constatar o cinismo de quem, ainda por cima, critica a Justiça — e, naturalmente, a imprensa — do país, leiam a reportagem do site de VEJA intitulada Pizzolato foge para a Itália e debocha das autoridades brasileiras.

21/12/2014

às 12:00 \ Disseram

Pecadilho

“Houve um pecadilho quanto à imposição do regime de cumprimento das penas.”

Marco Aurélio Mello, ministro do STF, comentando, no jornal O Estado de S. Paulo, o fato de que condenados do núcleo político do mensalão estão no semiaberto ou em prisão domiciliar

18/12/2014

às 17:00 \ Política & Cia

ZUENIR VENTURA: Num dia você diz “não é possível”; no outro, fica ainda pior. Esse é o Brasil em que vivemos

(Imagem: Reprodução/Fabiocampana.com.br)

Depois de mensalão e petrolão, está certo o ministro Jorge Hage: “não me assusto com mais nada”, disse (Imagem: Reprodução/Fabiocampana.com.br)

EM CASA COM O INIMIGO

Artigo publicado no jornal O Globo

carinha_colunista_zuenir_venturaDepois de 12 anos como ministro-chefe da Controladoria-Geral da União, órgão de fiscalização do governo, Jorge Hage, saturado, desabafou: “Não me assusto com mais nada.” Mesmo sem ter investigado cartéis, quadrilhas, esquemas e escândalos, como ele, posso dizer que no meu caso o que acabou foi a surpresa. Temo não me espantar com mais nada.

Muitos leitores já estão assim: blasés, cínicos. É tamanha a overdose de mais do mesmo todo dia que pode estar ocorrendo uma certa anestesia após as reações iniciais.

Primeiro, os escândalos produziram choque; em seguida, indignação; depois, apatia; e agora, impotência, como se nada pudesse ser feito. A política tornou-se um espetáculo tristemente enfadonho, alternando personagens e proezas que se superam diariamente: os de hoje são mais incríveis do que os de ontem, e certamente menos do que os de amanhã.

Num dia você diz “não é possível”, ao ler que o desvio no petrolão é seis vezes maior do que o do mensalão. No dia seguinte, são os e-mails de uma ex-funcionária mostrando que a cúpula da empresa, incluindo a presidente, fora alertada sobre uma série de graves irregularidades antes do início da Operação Lava-Jato. E assim por diante.

Um gerente se compromete a devolver US$ 100 milhões desviados, e ninguém explica como um gerente — não um diretor — conseguia acumular essa fortuna sem que um superior percebesse, numa empresa com hierarquia e níveis de comando e de controle?

A geração que nos anos 50 saiu às ruas gritando “O petróleo é nosso” jamais podia imaginar que o inimigo não estaria fora, mas dentro da estatal, e que o orgulho nacional um dia viraria caso de polícia ou, como disse um procurador da República, “uma aula de crime”. De fato, o vocabulário a ela associado passou a ser o da crônica policial: propina, suborno, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, desvio, roubo.

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17/12/2014

às 17:00 \ Política & Cia

No PT, o “partido que muda o Brasil”, acredita quem quer

(Foto: André Coelho/O Globo)

“Mais uma vez, os petistas apostam tudo na propaganda como forma de construção da realidade” (Foto: André Coelho/O Globo)

Editorial publicado no jornal O Estado de S. Paulo

O Partido dos Trabalhadores (PT), envolvido nos maiores escândalos de corrupção do Brasil na última década, está preocupado com sua imagem. Conforme dirigentes do partido discutiram em recente reunião da corrente majoritária da legenda “Partido que Muda o Brasil”, o PT precisa agir para resgatar a aura “ética” que criou e cultivou nos primeiros anos de sua existência.

Mais uma vez, os petistas apostam tudo na propaganda como forma de construção da realidade. No entanto, está cada vez mais claro que a imagem de partido que abriga corruptos não está associada ao PT à toa – e será preciso muito mais do que golpes de marketing para alterar essa percepção.

“É preciso passar o PT a limpo”, disse Jorge Coelho, um dos vice-presidentes do partido, durante o encontro. A recomendação é pertinente, mas é difícil de acreditar que haverá qualquer esforço autêntico para que essa limpeza seja realmente realizada. Não se trata de ceticismo, mas de constatação: basta lembrar que os principais dirigentes do partido envolvidos no escândalo do mensalão, por exemplo, foram tratados pela militância e pelos líderes petistas como “presos políticos” e “guerreiros do povo brasileiro”.

Agora, com a roubalheira na Petrobras sendo exposta em detalhes sórdidos, para dar a impressão de que não tolera corrupção, o PT aprovou uma resolução segundo a qual os filiados envolvidos em falcatruas serão expulsos. Tal disposição para lidar com os malfeitores como se deve, dizem os dirigentes petistas, ficou comprovada pela posição adotada pelo partido no processo contra o deputado André Vargas na Câmara.

A bancada do PT foi orientada a votar a favor da cassação do ex-petista, denunciado por sua ligação com o doleiro Alberto Youssef, pivô do escândalo da Petrobras. “Quando o PT pede a cassação do André, dá um exemplo concreto”, disse o presidente nacional do partido, Rui Falcão.

A singela narrativa petista, contudo, tem falhas de roteiro. A principal é que Vargas estava havia mais de 20 anos no partido, sendo uma de suas principais lideranças. Por essa razão, é preciso muito esforço para crer que, na cúpula petista, ninguém soubesse de suas traquinagens.

O fato é que Vargas perdeu apoio no PT somente quando o escândalo que o envolvia começou a ameaçar os planos eleitorais do partido – e então ele foi pressionado a abandonar a legenda à qual prestou tantos serviços, entre os quais desqualificar os ministros do Supremo Tribunal Federal que condenaram os caciques petistas à prisão no caso do mensalão.

Como o resgate da imagem “ética” do PT não pode ter contradições como essa, o partido decidiu criar uma TV na internet para dar a sua versão dos fatos. O projeto se alinha à tese segundo a qual foi a imprensa que criou o mito da corrupção petista e que é necessário mostrar ao país que, ao contrário do que sugere o noticiário diário, o PT não é conivente com as fraudes e os desvios de dinheiro público.

A esse propósito – e fica aqui a sugestão de pauta para a TV petista -, seria interessante conhecer a versão do partido para a manutenção de João Vaccari Neto como seu tesoureiro, a despeito das inúmeras denúncias de seu envolvimento com o escândalo da Petrobras.

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16/12/2014

às 18:45 \ Política & Cia

MENSALÃO: De dentro da cadeia, Dirceu reclama de Lula

José Dirceu quando votava nas eleições de 2012, em São Paulo, num ângulo em que parece estar preso (Foto: O Globo)

José Dirceu quando votava nas eleições de 2012, em São Paulo, num ângulo em que parece estar preso (Foto: O Globo)

Post publicado originalmente a 25 de novembro de 2013

De VEJA.com

DIRCEU DITA AS REGRAS E COBRA LULA DE DENTRO DA CADEIA

Ex-ministro queixa-se sobre a forma como Lula administrou o escândalo do mensalão. E acredita que o episódio pode interferir na campanha de reeleição de Dilma

Campeões-de-audiênciaPreso em uma cela de 6 metros quadrados, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu criticou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela forma como ele administrou até agora o escândalo do mensalão. A insatisfação com Lula foi manifestada por Dirceu a pelo menos três amigos que o visitaram, nos últimos dias, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, onde ele está preso desde o dia 16 de novembro.

Irritado com a falta de posicionamento do Planalto, Dirceu perguntou: — E o Lula não vai falar nada? Mesmo de dentro da prisão, Dirceu pressionava o ex-presidente a fazer um pronunciamento. Três dias depois do recado dado, Lula fez o mais veemente discurso desde que os petistas foram condenados. Sugeriu, na quinta-feira passada, que o rigor da lei só vale para o PT e dirigiu ataques ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa.

Irritação

Dirceu está contrariado com a falta de posicionando do ex-presidente. E a irritação não vem de hoje. Na visão do ex-ministro-chefe da Casa Civil, a falta de uma posição clara de Lula em defesa dos mensaleiros pode abalar a imagem do PT e interferir na campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição.

Interlocutores de Dirceu afirmam que ele sempre reprovou a forma “conciliatória” como Lula conduziu o caso desde que o escândalo estourou, em junho de 2005. Em conversas mantidas dentro da cela, no presídio da Papuda, Dirceu tem dito que Lula errou ao não fazer o “enfrentamento” necessário para não deixar a denúncia de corrupção virar um fantasma que abala o PT e o governo.

Para José Genoino, os condenados no mensalão não têm escapatória, mesmo se conseguirem reduzir suas penas, pois perderam a batalha da comunicação. — Estamos marcados como gado — resumiu Genoino a um amigo.

Na avaliação de Dirceu, Lula deixou a CPI dos Correios [que investigou o mensalão] prosperar, em 2005, quando ainda teria condições de barrá-la. Por esse raciocínio, ao não politizar a denúncia da compra de votos no Congresso, Lula abriu caminho para a “criminalização” do PT.

O partido até hoje insiste que nunca corrompeu deputados em troca de apoio e só admite a prática do caixa dois.

Influência

Arquiteto da campanha que levou o PT ao Palácio do Planalto em 2003, Dirceu revelou que Lula chegou a consultá-lo sobre a nomeação de Luiz Fux para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal. “Se você está dizendo que sim, quem sou eu para dizer que não?”, disse Dirceu, segundo relato de amigos, antes de ser procurado por Fux, que pediu sua ajuda para conquistar o cargo.

Fux acabou nomeado em 2011 por Dilma. Petistas juram que ele prometeu “matar no peito” a acusação, em sinal claro de que absolveria os réus petistas. Quando Fux deu o voto pela condenação dos mensaleiros, o espanto no governo e no PT foi generalizado.

“Desmontar a farsa do mensalão”

Num café da manhã com Dirceu, em novembro de 2010, Lula prometeu que, quando estivesse fora do Planalto, desmontaria a “farsa do mensalão”.

A promessa não foi cumprida sob a alegação de que era preciso blindar o primeiro ano do governo Dilma. Depois vieram as disputas municipais de 2012 e agora o ano é pré-eleitoral. E a insatisfação de Dirceu com Lula continua.

09/12/2014

às 17:00 \ Política & Cia

‘Resposta aos que assaltaram a Petrobras será firme’, diz procurador-geral da República

(Foto: Sérgio Lima/Folhapress)

Ao lado de José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, Janot afirmou que o Brasil ainda é um país muito corrupto (Foto: Sérgio Lima/Folhapress)

Em conferência de combate à corrupção, Rodrigo Janot pediu ainda a demissão de toda a cúpula da estatal – e a reformulação da gestão da petroleira

Por Laryssa Borges, de Brasília, para VEJA.com

No mais duro discurso desde que assumiu a chefia do Ministério Público Federal, em setembro de 2013, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, criticou nesta terça-feira o aparelhamento da máquina estatal, apontou o combate à corrupção como prioridade e, diante do escândalo do petrolão, pediu a demissão da cúpula da Petrobras e a reformulação da estatal, como informou a coluna Radar, de Lauro Jardim.

Ao participar da Conferência Internacional de Combate à Corrupção, Janot afirmou: “A resposta àqueles que assaltaram a Petrobras será firme, na Justiça brasileira e fora do país”.

“Urge um olhar detido sobre a Petrobras, em especial sobre os procedimentos de controle a que está submetida. Em se tratando de uma sociedade de economia mista, com a presença de capital majoritário da União – e, pois, do povo brasileiro – é necessário maior rigor e transparência na sua forma de atuar”, disse ele.

“Esperam-se as reformulações cabíveis, inclusive, sem expiar ou imputar previamente culpa, a eventual substituição de sua diretoria, e trabalho colaborativo com o Ministério Público e demais órgãos de controle”.

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Janot prosseguiu: “O Brasil ainda é um país extremamente corrupto. Estamos abaixo da média global, rateando em posições que nos envergonham e nos afastam de índices toleráveis. Envergonha-nos estar onde estamos”, resumiu ele, que atribuiu o ranqueamento do país a “maus dirigentes, que se associam a maus empresários, em odiosas quadrilhas, montadas para pilhar continuamente as riquezas nacionais”.

Assim que tomou conhecimento dos processos relacionados à Operação Lava Jato da Polícia Federal, que resultou na prisão de executivos das maiores empreiteiras do país, Janot havia se espantado como o volume de dinheiro movimentado pelos criminosos – os policiais estimam que pelo menos 10 bilhões de reais tenham sido desviados em um mega esquema de lavagem de dinheiro e fraude em contratos e licitações.

“O volume do dinheiro é enorme e as investigações procedem. Eu nunca vi tanto dinheiro na minha vida”, disse em julho, ainda antes da fase da Lava Jato que acertaria o coração das principais construtoras brasileiras.

Ao avaliar o escândalo do petróleo e os impactos na imagem da Petrobras – o escritório de advocacia americano Wolf Popper LLP processa a estatal brasileira por não revelar “a cultura de corrupção dentro da companhia” – Janot classificou com um “cenário tão desastroso” a gestão da companhia e que o esquema criminoso “produz chagas que corroem a probidade administrativa e as riquezas da nação”.

Para ele, “a sociedade brasileira espera é a mais completa e profunda apuração dos ilícitos perpetrados, com a punição de todos, todos os envolvidos”.

Em tom duro, o procurador-geral lamentou a falta de regulamentação da Lei Anticorrupção, relembrou as recentes condenações no escândalo do mensalão e defendeu que corruptos e corruptores cumpram pena na cadeia e disse que o Poder Judiciário e o Congresso precisam ser “convencidos” de que a corrupção não é um crime menor, e sim “um perigo concreto, real e profundo”.

“Precisamos, nos limites do Estado Democrático de Direito e do devido processo legal, afastá-los da sociedade, confiscar o produto do ilícito e tratá-los como os criminosos que são”. “O dano causado ao país é grave: serviços mal prestados e obras mal executadas não apenas sangram os cofres públicos com o ônus da reexecução, mas causam males muito tangíveis: a fiscalização desidiosa de hoje é a causa do acidente de amanhã; a obra mal executada de hoje também é a causa do desastre de amanhã. Corruptos e corruptores precisam conhecer o cárcere e precisam devolver os ganhos espúrios que engordaram suas contas, à custa da esqualidez do tesouro nacional e do bem-estar do povo. A corrupção também sangra e mata”, afirmou.

“O país não tolera mais a corrupção e a desfaçatez de alguns maus agentes públicos e maus empresários”, disse.

Em seu discurso, Rodrigo Janot também fez um balanço das atividades do Ministério Público no combate à corrupção e avaliou que, ao longo dos anos, os órgãos de controle aprimoraram seu trabalho, dificultando parte da atuação de corruptos e corruptores. “Quem puder negar que hoje é muito mais difícil que há 25 anos corromper e corromper-se no Brasil atire a primeira pedra”, resumiu.

Ditadura – A uma plateia formada por ministros, procuradores e pelo chefe da pasta da Justiça, José Eduardo Cardozo, o procurador-geral atribuiu aos anos de ditadura militar a pouca cultura de transparência nas empresas.

“A opacidade, o fetiche do sigilo e a cultura da autoridade deram o tom e o traço das relações dos agentes públicos com a sociedade civil por muito tempo, talvez por tempo demais, neste país”, comentou.

05/12/2014

às 15:36 \ Política & Cia

FERNANDO GABEIRA: O único crime do PT foi violar a lei

(Foto: Reuters)

Gabeira: agora, Dilma dedica seu tempo a plantar as sementes do próximo escândalo de seu governo (Foto: Reuters)

IMPREVISÍVEL ANO NOVO

Artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo

Fernando Gabeira O GloboCostumo comprar um suco de laranja chamado Do Bem, na padaria da esquina. Não levei o nome a sério porque, nesta altura da vida, suspeito que o bem e o mal coexistem e se entrelaçam. Apenas comprava. A caixa era cheia de histórias. E o slogan: feito por jovens cansados da mesmice.

Tanta novidade num suco de laranja e descubro agora que o suco Do Bem mentia ao informar que suas laranjas vinham direto da fazenda do seu Francisco no interior de São Paulo. Elas vêm dos grandes fornecedores. Da marca às historinhas, era tudo uma conversa de marketing. E isso me lembrou a atmosfera geral no país.

A própria campanha política foi uma narração dos marqueteiros: progressistas contra reacionários, desprendidos reformadores sociais contra uma elite obtusa. Muitos dos vencedores não acreditam nessa história. Sabem que o bem e o mal se entrelaçam e, passada a campanha, é preciso aproximar-se um pouco mais da realidade.

O PT contou sua história: decidiu, a partir de agora, expulsar os corruptos do partido, dando-lhes o direito de defesa. Em tese, assino embaixo. Mas há algumas laranjas do seu Francisco nesse enredo. No penúltimo escândalo, o do mensalão, os condenados foram saudados por muitos militantes como guerreiros do povo brasileiro.

Uma nota completa voltaria ao tema, ou para dizer que se equivocou ou para confirmar a cínica tese de que não houve corrupção da base aliada. Nesse caso, sugiro a fórmula de Homer Simpson: seu único crime foi violar a lei.

O escândalo do petrolão segue seu curso. Esta semana foi denunciado mais um intermediário da propina. Um antigo assessor de Nei Suassuna, que foi senador pelo PMDB. Questionado sobre a atividade do ex-assessor, disse não acreditar que estivesse relacionado com o escândalo da Petrobras: era algo em altas esferas, muito alto para ele.

Pode ser verdade ou mais uma historinha, ao menos admite que se o assessor tivesse mais estatura, no universo das propinas, assaltaria também a estatal. E que na corrupção existe o topo de linha e uma segundona cujos times não jogam no campo da Petrobras.

Uma outra narração é essa de cortar os gastos. O novo ministro da Fazenda é especialista nisso e trouxe grande otimismo ao mercado. Houve gente comemorando o crescimento de 0,1%. Os sinais são ambivalentes, pois o governo, ao mesmo tempo que fala em cortar, pode estar querendo também arrecadar mais.

Fala-se na volta da Cide e da CPMF, que, ao lado dos aumentos da gasolina e da energia, iria sobrecarregar a sociedade. Talvez Dilma esteja muito ocupada com a formação do novo Ministério. Um novo presidente eleito leva vantagem nessa performance: ainda não é o presidente, não precisa responder às questões que não param de acontecer.

Nesta semana em que o mundo discutiu as mudanças climáticas no Peru, creio que duas preocupações deveriam ocupar algum espaço na agenda do governo. As divergências entre Minas, Rio e São Paulo em torno do uso do Rio Paraíba do Sul serão mediadas pelo ministro Luiz Fux. No meu entender, isso é tarefa para a Presidência, que deve ter a visão global de nossos recursos hídricos.

O petrolão suscita outro tema para além do suborno. Dilma está longe de considerá-lo, pois dedica seu tempo agora ao loteamento dos cargos, plantando as sementes do próximo escândalo. Trata-se da influência das empreiteiras no planejamento energético do Brasil. Elas querem construir e a construção ostensiva interessa ao governo, assim como as fortunas doadas à campanha eleitoral.

Esse mecanismo inibe os investimentos em eficiência energética. Afasta-nos de um movimento forte no mundo a julgar pelo relatório da ONU.

Um dos polos nessa busca pela sustentabilidade é a produção descentralizada de energia, o outro é a eficiência energética. Nada disso interessa às empreiteiras, logo, nada disso interessa também aos políticos.

Especialista em energia, a presidente é muito distante. O ministro Lobão, de certa forma, já não está entre nós. A crise hídrica atravessa mandatos. Ela diz respeito não só à água, como à matriz energética brasileira. É mais complicada do que construir barragens e hidrelétricas.

Nesses temas um dirigente máximo não pode vir com as laranjas do seu Santana.

Estamos diante de um imprevisível ano novo. O governo vai só economizar ou nos fará gastar mais? Até onde não conflitam o propósito de economizar com a compra de deputados, a montagem de 39 ministérios? Quem garante que os corruptos do mensalão não se transfigurem, de novo, em guerreiros do povo brasileiro?

Guerreiros com guerreiros fazem zigue, zigue, zá: tudo pode acontecer.

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05/12/2014

às 14:00 \ Política & Cia

Lula mente descaradamente ao enxergar “pensamento único” da imprensa, a favor, durante o governo FHC — e omite que ele próprio foi “blindado” de críticas por longo período

Lula durante a entrevista com veículos amigos: reescrevendo a história — inclusive a dele mesmo (Foto: Instituto Lula)

Post publicado originalmente a 25 de setembro de 2013

campeões de audiência 02Como ele só fala para a companheirada, encontra sempre ouvidos amigos e aplausos. Com jornalistas minimamente independentes, de quem foge como o diabo na cruz, ele não se encontra há séculos.

Ontem, Lula concedeu uma entrevista a jornalistas de publicações sindicais ou ligados ao movimento sindical. Veículos amigos, portanto.

Disse que não haveria “perguntas proibidas”, mas nada respondeu de concreto sobre o mensalão, uma vez mais — embora alegue estar com “cócegas na garganta” e ter “muito a contar” –, alegando que espera o final do julgamento.

Nada disse, nem lhe foi perguntado, sobre o escândalo de sua amiga do peito Rosemary Noronha, que fez do escritório da Presidência em São Paulo um balcão espúrio de tráfico de influências.

O blog de Augusto Nunes lembrou esta semana que Lula ultrapassou a vergonhosa barreira dos 300 dias de absoluto silêncio sobre um caso no qual tem a irrecusável responsabilidade de haver colocado “Rose” — a Rose de tantas viagens no jato presidencial sem qualquer função definida — no cargo desde o início de seu governo e, depois de seus oito anos no Planalto, ter pedido à presidente Dilma que a mantivesse.

Entre outros pontos escandalosos de sua entrevista, há a crítica — inevitável, em se tratando do grão-senhor do lulalato — à imprensa. Fantasiosa, como sempre, e, no caso específico, mentirosa.

Vejam só:

“Muita coisa evoluiu no Brasil, mas os meios de comunicação não quiseram evoluir. Saíram de um momento de pensamento único em defesa do governo anterior ao nosso e passaram a um pensamento único contrário. Até hoje continua assim”.

Pensamento único em defesa do “governo anterior”? (Ele agora deu de não mais citar sua obsessão freudiana, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.)

Como assim, cara-pálida? Lula está querendo reescrever a história recente! Mas ela foi vivida por milhões de brasileiros!

Tudo bem que Lula não gosta de ler, mas, durante o governo FHC (1995-2003), para qualquer pessoa que haja acompanhado com um mínimo de sentido comum o período, o presidente não passou uma semana sem levar bordoada.

FHC não teve sequer os tais 100 dias de lua de mel.

Mal sentado na poltrona de seu novo gabinete no Planalto, para começar, FHC já enfrentou uma enorme barragem de críticas — corretas, aliás — por não ter peitado o Congresso e vetado lei que anistiou o então senador Humberto Lucena (PMDB-PB) de condenação por crime eleitoral.

A partir daí, jornais como a Folha de S. Paulo encontravam alguma razão para criticar o presidente dia sim, dia não.

Qualquer pessoa com um mínimo de equilíbrio que consultar a coleção de VEJA desde seu lançamento, em 1968, disponível neste link, constatará que a revista publicou no mínimo uma centena de reportagens que não agradaram ao Planalto durante o governo FHC, e dezena e meia de reportagens de capa.

FHC foi criticado — em jornais, revistas, sites noticiosos, blogs, emissoras de rádio e TV por gente de esquerda e de direita, por intelectuais, por colunistas, por sindicalistas,  – por sua aliança com o então PFL (hoje DEM), por ser apoiado pelos fisiológicos do PMDB (os mesmos que foram depois, correndo, para o colo de Lula), por privatizar estatais, pela forma como privatizou, por privatizar muito, por privatizar pouco, por ter iniciado a reforma da Previdência (veja-se o que se diz, até hoje, do fator previdenciário, instituído por lei proposta por seu governo), por não ter ido fundo na reforma da Previdência, por haver conseguido quebrar o monopólio estatal sobre o petróleo, por não ter aprofundado a quebra de monopólio, por criar o Ministério da Defesa — sempre ocupado por um civil, com a extinção dos ministérios militares –, por não haver reformado mais ainda as Forças Armadas, por ter criado uma “rede de proteção social” (origem do Bolsa Família do lulalato), por não ter ampliado suficientemente a rede…

A coisa não acaba mais. E a metralha de críticas sobre a REELEIÇÃO? Já esqueceram?

E as críticas por não ter recusado o apoio de Maluf em 1998? E por haver abrigado ministros como Renan Calheiros ou Íris Rezende?

FHC foi tão criticado como qualquer outro presidente.

Achar que houve “blindagem” a ele e seu governo pela “mídia” — como se a grande imprensa fosse algo compacto, unívoco, de pensamento único, posicionamento e interesses únicos, e de teor invariavelmente conspiratório — é simplesmente trombar escandalosamente com os fatos.

Blindagem houve, sim, a ele, Lula, por parte da maior parte dos veículos de imprensa, e sobretudo dos repórteres encarregados de cobrir suas atividades desde os primórdios de sua atuação sindical, nos anos 70. O fato de Lula nunca admitir esse fato notório também integra sua tendência a querer reescrever a história — no caso, a sua própria.

A lua-de-mel longuíssima somente começou a acabar no dia em que um repórter da Folha de S. Paulo — para espanto absoluto de Lula e de seu séquito — ousou contar que o já então ex-deputado constituinte e ex-candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva havia se referido ao Presidente Itamar Franco (1992-1995), numa rodinha com jornalistas supostamente “amigos”. como sendo um “filho da puta”.

Este foi o ponto fora da curva na cobertura de um Lula de que até então, de forma esmagadora, ressaltava sobretudo o carisma, a liderança, a capacidade de mobilização, a astúcia nas negociações, a energia e disposição com que o pobre migrante nordestino subiu na vida até fundar e colocar de pé um partido político – deixando de fora seu lado escuro e criticável.

Lula mente descaradamente quando afirma que não houve críticas a FHC e torna a tapar o sol com a peneira ao fingir que não existe um monumental esquema de sustentação à presidente Dilma e ao lulopetismo nos meios de comunicação, sobretudo na internet, mas que abrange também revistas e um sem-número de colunistas, inclusive na grande imprensa “burguesa”.

O fato de que parte desse esquema se assente sobre espaços alugados e pagos não exclui a realidade de que eles não apenas sustentam ideias e ações do lulopetismo, como metralham de forma incessante e frequentemente vil os adversários, especialmente do PSDB, e mais ainda se próximos a FHC.

O Lula que pediu desculpas aos brasileiros pela TV pelo mensalão em 2005, sem contudo explicar nada nem admitir nada, e nem esclarecer quem supostamente o “traiu”, continua o mesmo.

02/12/2014

às 14:00 \ Política & Cia

MENSALÃO: ao condenar por corrupção ativa os outrora poderosos Dirceu, Genoino e Delúbio, Joaquim Barbosa entra para a História e lava a alma dos brasileiros de bem

Joaquim Barbosa, presidente do STF (Foto: STF)

Joaquim Barbosa, presidente do STF (Foto: STF)

Post publicado originalmente a 3 de outubro de 2012

Amigas e amigos do blog, independentemente do que ocorra no restante do julgamento do escândalo do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, o ministro relator do processo, Joaquim Barbosa, no Supremo desde 2003, acaba de entrar para a História da República.

Foi o relator de um processo que, pela primeira vez, condenou em seu voto, por corrupção ativa, dois políticos de alta catadura e graúda condição: o ex-todo-poderoso chefe da Casa Civil do lulalato, José Dirceu, que pretendia chegar um dia à Presidência da República, e 0 ex-deputado e ex-presidente do PT, o partido do governo, José Genoino, também ex-candidato muito bem votado a governador de São Paulo em 2002 — perdeu de longe para o tucano Geraldo Alckmin no segundo turno, mas obteve imponentes 8,4 milhões de votos (41,3% do total).

Dirceu, Delúbio e Genoino: o voto do ministro Joaquim contra figuras poderosas do poder e do partido do governo em crimes tão graves é inédito na história do Supremo (Fotos: veja.abril.com.br)

Nunca, nos quase 123 anos de história do regime proclamado em novembro de 1889, figuras que foram chave no exercício do poder estiveram, como estão Dirceu e Genoino — além de Delúbio Soares, integrante algo apagado do PT, mas fundamental para a bandalheira do mensalão –, tão próximos das grades de uma cadeia.

O ministro Joaquim Barbosa votou depois de desenvolver um trabalho árduo, quase desumano, ao relatar um processo com 38 réus, mais de 700 testemunhas ouvidas, e cujos autos são constituídos por quase inacreditáveis 50 mil páginas, 234 volumes e 500 apensos, e com vários crimes diferentes sendo imputados, em graus diferentes, aos acusados.

Sua tenacidade e coragem recuperam a imagem dos homens públicos no Brasil e dão esperanças, aos brasileiros decentes, de que a violação da lei “neztepaiz” por parte dos que muito podem não continue a ser como sempre, vergonhosamente, foi: impune.

 

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