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mensalão

22/04/2014

às 6:00 \ Disseram

Acabou assim mesmo?

“Quando viajo, nos aeroportos, os cidadãos comuns vêm até a mim pra dizer: mas como? Estão revendo tudo? Erraram anteriormente?”

Marco Aurélio Mello, ministro do Supremo Tribunal Federal, sobre a decepção de muita gente com o resultado final do julgamento do mensalão, em entrevista ao site Congresso em Foco

19/04/2014

às 19:00 \ Política & Cia

REYNALDO-BH: “Tenho asco pela figura política de José Dirceu, mas ele não pode ter seus direitos desrespeitados como presidiário. Ele está recebendo uma pena adicional a que não foi condenado”

Direitos são de todos — até de José Dirceu. (Foto: Eliária Andrade/Agência O Globo

Direitos são de todos — até de José Dirceu. (Foto: Eliária Andrade/Agência O Globo)

POST DO LEITORA jornalista Eliane Cantanhêde publicou no dia 17 de abril, na Folha de São Paulo, um artigo dirigido ao ministro Joaquim Barbosa, onde pede que se dê a José Dirceu o que lhe é devido. Lemos que os amigos e parentes de Dirceu estão preocupados com o estado físico e depressivo do chefe do bando. Até um ator histriônico veio em socorro do mensaleiro.

Eliane assina como cidadã. E eu assino embaixo.

Nenhuma outra figura política desta republiqueta bolivariana de “esquerda” me causa tanto asco como José Dirceu. Tenho meus motivos, sólidos e eternos. Não sou justiceiro. Não sou incoerente. Não sou – ou tento não ser – cínico.

José Dirceu tem direito ao trabalho externo que pleiteia. A tentativa anterior de trabalhar em um hotel – de propriedade no mínimo suspeita – ficou para a história. O que o réu condenado requer é um direito garantido pelas leis do país.

José Dirceu é um ícone? Sim, para o bem ou para o mal. Representa a aplicação da lei acima de poderes totalitários. E isso é bom. É um ícone do destempero e destemor com que montou o maior plano de tomada de poder através de um esquema fraudulento, criminoso e corrupto.

Não se pede liberdade para o condenado. Pede-se o que a lei dá aos outros mensaleiros enjaulados.

Se há excessos permitidos pelo governo do Distrito Federal, que seja o próprio governo responsabilizado, processado e inibido por essas práticas. Um erro não justifica o outro.

A verdade é que José Dirceu está cumprindo um plus de pena, uma espécie de pena adicional, que é contra o Estado de Direito. E sem este, insisto sempre, resta a ausência de minhas garantias como cidadão. Transformar José Dirceu em “exemplo” é uma pena acrescida que não encontra amparo em nenhum escopo judicial.

É ir além – talvez até onde o próprio Dirceu gostaria de ter ido, o que me faz ainda mais defender seu direito à cidadania e à prestação jurisdicional a que todos podemos requerer.

Se houver motivos para uma eventual negativa — e, aparentemente, não há —, que seja explicitado. Senão, que se proceda ao que a lei determina como direito de réus condenados na mesma situação de José Dirceu.

Não vale o argumento que este equidade de tratamento não é observada (e não é!) entre os mensaleiros e outros presos. O erro não está para ser consertado por outro. Que as regalias cessem, e que o direito do ladrão-mor seja garantido.

Não pelos pedidos de familiares, de manifestantes chamando-o de herói ou pelos punhos erguidos. Heróis não são condenados por roubo e cumprem penas em pleno estado democrático com o direito da defesa assegurado e julgamento público pelo colegiado (e não por um único juiz) da mais alta corte do país.

Pelo atendimento ao direito que nos protege, e que sempre exigimos como norte na consolidação de nossa incipiente e ameaçada democracia.

Assim, só me resta dirigir-me a Eliane Cantanhêde (mesmo neste espaço do Setti, de discussões) para perguntar: onde assino?

Continuo sem alterar uma linha do que já escrevi e falei sobre este ser pernicioso ao Brasil. Só prefiro manter coerência com o que sempre defendi.

Democracia não é vingança nem censura — é obediência à lei. Por parte de todos.

01/04/2014

às 15:00 \ Política & Cia

Encontros políticos, caminhadas ao ar livre, uma passadinha no McDonald’s: vejam como os mensaleiros condenados zombam da Justiça

(Foto: Sergio Lima / Folhapress)

Valdemar Costa Neto, ex-deputado condenado, continua fazendo política no horário em que deveria estar trabalhando fora da cadeia. Aproveita para uma consulta médica, uma passadinha no McDonald’s…  (Foto: Sergio Lima / Folhapress)

Do site de VEJA

Apesar de condenado no julgamento do mensalão a 7 anos e 10 meses de prisão, pena que cumpre no Distrito Federal, o ex-deputado Valdemar Costa Neto não se afastou da política.

Pelo contrário: autorizado a trabalhar pela Justiça, o ex-presidente do PR, que cumpre pena no regime semiaberto, recebe membros da sigla para discutir as movimentações do partido. É o que informa reportagem publicada na edição desta terça-feira do jornal Folha de S. Paulo.

Costa Neto, aliás, não é o único a burlar as regras que deveriam seguir os presos autorizados a trabalhar. O jornal flagrou também ‘escapadinhas’ de Bispo Rodrigues (condenado a 6 anos e 3 meses) e Jacinto Lamas (condenado a 5 anos).

Costa Neto foi condenado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele era presidente do PL (atual PR) e foi acusado de receber mais de 8 milhões de reais do esquema em troca de apoio do partido no Congresso Nacional. Em 2006, foi eleito deputado federal e, em 2010, reeleito. Ao ser preso, em dezembro, renunciou ao mandato.

O ex-deputado dá expediente como gerente administrativo em um restaurante industrial em Brasília. Mas aproveita as horas longe da cadeia para receber figuras como o líder do PR, Bernardo Santana (MG) e o deputado Vinicius Gurgel (PR-AP). Um dos temas tratados durante o encontro com companheiros de legenda foi como a sigla iria se posicionar diante do blocão, o grupo de deputados aliados que se rebelou contra o governo. À época da reunião, o PR negociava também um espaço na reforma ministerial que foi feita pela presidente Dilma Rousseff.

Um dia antes de receber os membros do partido, Valdemar foi a uma consulta médica em um centro comercial. Para tanto, tinha autorização da chefia do presídio. Ao deixar o local, no fim da tarde, o carro em que o mensaleiro estava aproveitou para passar no “drive-thru” do McDonald’s, distante cerca de 19 quilômetros do restaurante onde Valdemar trabalha.

De acordo com as normas do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, o trabalho para presos em regime semiaberto deve ocorrer exclusivamente dentro da empresa, “sob fiscalização direta do empregador ou responsável indicado” e “excepcionalmente o sentenciado poderá se deslocar do local de trabalho até cem metros, durante o horário de almoço para fazer suas refeições”.

Já Lamas aproveitou para passar na paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, na Asa Norte, região central de Brasília, antes de chegar ao trabalho. O ex-tesoureiro do PR ainda aproveitou para fazer caminhadas em frente ao prédio que abriga o escritório onde trabalha e recebeu a mulher no estacionamento do centro comercial. Bispo Rodrigues aproveitou as horas livre para visitar uma rádio ligada à Igreja Universal, segundo o jornal.

O diretor do Centro de Progressão Penitenciária, Carlos Henrique Gomes Lima, afirmou ao jornal que a lei não permite as “escapadinhas” dos condenados.

“A autorização é para ir trabalhar e voltar. Qualquer outra movimentação precisa de autorização”. A solicitação para atividades excepcionais ou até para desvio de percurso entre a cadeia e o local de trabalho precisa ser feita à direção do presídio ou diretamente à Vara de Execuções Penais.

Comentário do blog

Como é que o juiz de Direito Bruno Silva Ribeiro, titular da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, pode fiscalizar esse tipo de coisa se ele, encarregado do acompanhamento do cumprimento de penas dos mensaleiros pelo presidente do Supremo Tribunal, ministro Joaquim Barbosa, está sendo objeto de um “procedimento investigativo” por parte da Corregedoria do Tribunal de Justiça do Distrito Federal justamente por tentar coibir as regalias recebidas pelos mensaleiros?

 

O juiz de Direito Bruno Ribeiro: fiscalizador das penas dos mensaleiros, está sendo investigado (e, portanto, pressionado) pelo Tribunal de Justiça do DF (Foto: Reprodução TV Justiça)

O juiz de Direito Bruno Silva Ribeiro: fiscalizador das penas dos mensaleiros, está sendo investigado (e, portanto, pressionado) pelo Tribunal de Justiça do DF (Foto: Reprodução TV Justiça)

A abertura da investigação, como já comentei em post anterior, ocorreu após o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), ter respondido a um questionamento do próprio juiz sobre privilégios que seu governo vem propiciando a mensaleiros, principalmente ao ex-ministro José Dirceu e ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.

O governador Agnelo Queiroz ficou ofendidinho porque o juiz se dirigiu diretamente a ele, indagando — A PEDIDO DO MINISTÉRIO PÚBLICO — sobre regalias e mordomias que mensaleiros graúdos do PT estariam recebendo na Penitenciária da Papuda, no Distrito Federal.

E é notória a influência, digamos assim, que os governadores do DF têm sobre o Tribunal de Justiça local.

Assim, o juiz que tenta cumprir seu dever vem sendo espremido pelo Tribunal — e os mensaleiros, como mostrou a Folha, estão se espalhando e zombando do Supremo. 

23/03/2014

às 19:00 \ Política & Cia

Carlos Brickmann: Dilma adoçou a boca do ministro Marco Aurélio

"A filha do ministro Marco Aurélio, do STF, foi nomeada desembargadora do TRF por Dilma. Como diz o provérbio, quem agrada a meus filhos adoça meus lábios"

“A filha do ministro Marco Aurélio, do STF, foi nomeada desembargadora do TRF por Dilma. Como diz o provérbio, quem agrada a meus filhos adoça meus lábios”

Nota da coluna que o jornalista Carlos Brickmann publica hoje, domingo, em vários jornais

 SANGUE NÃO É ÁGUA

Carlos Brickmann1 – Paulo Roberto Costa, que era diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras, um dos autores do contrato de compra da refinaria de Pasadena, preso pela Polícia Federal na Operação Lava-Jato, despertou suspeitas ao ganhar de presente de um conhecido doleiro uma Range Rover Evoque, no valor de 200 mil reais.

Range Rover – lembra do Mensalão, que também tinha o caso que ficou famoso de uma Land Rover dada de presente a um figurão da turma do poder?

2 – Paulo Roberto Costa era o homem forte do antigo presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, que em sua gestão comprou a Refinaria de Pasadena. Costa e Gabrielli sempre foram muito ligados. Talvez hoje, quem sabe, Gabrielli, lá na Bahia, se sinta mais distante do velho companheiro caído em desgraça.

3 – Estão jogando a culpa do “resumo mal feito” do contrato de compra de Pasadena em Nestor Cerveró, ex-diretor da Área Internacional da Petrobras. Cerveró tem pura linhagem governista: foi indicado por Renan Calheiros.

Cerveró, por coincidência, saiu de férias para lugar incerto e não sabido, talvez na Europa, na véspera da ação da Polícia Federal.

Lembra de Henrique Pizzolatto, do Mensalão? Também viajou para a Europa. Pizzolatto tem dupla nacionalidade.

De Nestor Cuñat Cerveró, até agora, não se sabe se tem uma nacionalidade ou mais.

4 – Ah, a família! Letícia Mello, a jovem e brilhante filha do ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, foi nomeada desembargadora do Tribunal Regional Federal-2 por Dilma.

Como diz o provérbio, quem agrada a meus filhos adoça meus lábios.

[Comentário do blog:

Como observei em julho do ano passado, a doutora Letícia Mello, 37 anos, formou-se em Direito no Centro Universitário de Brasília (CEUB), uma universidade privada da capital, não tem qualquer curso de pós-graduação e, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, havia atuado em apenas cinco processos até então.]

Diga-me com quem andas…

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, criação do prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, começou seu trabalho tentando fazer esquecer os feitos do antecessor, Alexandre Padilha. Sua primeira missão foi um vasto tour no Carnaval, em companhia da esposa, a bordo de jatinho da FAB.

A explicação é que foi ao Rio, Salvador, Recife e Olinda para distribuir camisinhas (algo que os postos de saúde fariam com mais eficiência, a custo mais baixo, sem sobrecarregar a já insuficiente frota da FAB).

Mas não ficou nisso: deixou seu carro oficial por seis horas na vaga reservada a deficientes físicos, no Congresso. Chioro seguiu o exemplo de seus orientadores políticos: disse que não sabia de nada. E pôs a culpa no chofer. Esse ainda vai pegar uma bela multa e perder muitos pontos na carteira.

…e te direi quem és

Seu antigo colega de Secretariado de Marinho, Benedito Mariano, foi flagrado em alta velocidade no acostamento da Via Anchieta [rodovia que liga São Paulo a Santos], rodando em faixas privativas de ônibus e usando equipamento proibido, o Giroflex (aquelas luzes de teto privativas de viaturas policiais).

Ele também, claro, diz que não sabia de nada.

22/03/2014

às 20:14 \ Disseram

Rogério Ceni: “Até para o mensalão eles arrecadam mais do que para o esporte”

“O governo brasileiro vai sediar a Olimpíada e atleta (…) tem de fazer vaquinha para poder treinar? (..) Até para o mensalão eles arrecadam mais do que para o esporte”

Rogério Ceni, goleiro do São Paulo e um dos principais nomes do Bom Senso FC, em seminário promovido pelo movimento

22/03/2014

às 17:30 \ Política & Cia

Lula prometeu revelar segredos tremendos depois do julgamento do mensalão. O que tem a dizer, agora, o sherloque de chanchada?

Lula sobre o mensalão, em 2010: "Eu acho que tem um mistério que foi a tentativa de golpe no governo" (Foto: Reprodução)

Lula sobre o mensalão, em 2010: “Eu acho que tem um mistério que foi a tentativa de golpe no governo” (Foto: Reprodução)

Artigo do amigo e irmão Augusto Nunes

LULA PROMETEU REVELAR SEGREDOS TREMENDOS DEPOIS DO JULGAMENTO DO MENSALÃO. O QUE TEM A DIZER O SHERLOQUE DE CHANCHADA?

O colossal acervo de bravatas, bazófias e bobagens enunciadas por Lula foi enriquecido em janeiro de 2010 pela incorporação de um monumento à inventividade irresponsável.

Durante o programa É Notícia, apresentado na RedeTV! pelo jornalista Kennedy Alencar, o ainda presidente anunciou, entre um pontapé na gramática e uma bofetada na sensatez, que tão logo deixasse o cargo faria muito mais que provar por A + B que o mensalão nunca existiu.

Colocando os pingos nos is e dando nomes aos bois, Lula deixaria claro que a quadrilha empenhada em algemar o Estado de Direito foi apenas uma invencionice forjada pelos golpistas de sempre para camuflar uma trama destinada a despejar do Planalto o maior dos governantes desde Tomé de Souza.

Confira um trecho da entrevista:

“Eu acho que tem um mistério que foi a tentativa de golpe no governo. Eu vou, depois que deixar a presidência, eu vou querer me inteirar um pouco mais disso, que como presidente, eu não posso ficar futucando, mas eu quero saber porque eu acho que foi a maior armação já feita contra um governo. Como presidente, eu quero me guardar para não ficar utilizando o cargo de presidente para levantar minhas teses, que é muito desagradável isso. Mas um dia, nós vamos conversar sobre isso. Falta só um ano para eu deixar a presidência”.

O sumiço de quase três anos foi interrompido em 13 de novembro de 2013, quando o sherloque de chanchada reapareceu numa quermesse do PT em Campo Grande (MS).

Em vez do resultado das investigações, revelou com uma única frase que ainda não era hora de contar o que descobriu:

“Tenho dito para todo mundo: eu, quando terminar toda a votação sobre o mensalão, aí eu quero falar algumas coisas que eu penso a respeito disso”, disse em 13 de novembro de 2013.

Quarenta e oito horas depois, o primeiro lote de mensaleiros condenados foi para a gaiola.

Mas Lula preferiu guardar três dias de silêncio antes de frustrar a plateia, em 18 de novembro de 2013, com outro adiamento:

“Eu vou esperar o julgamento total, que eu tenho muita coisa a comentar e eu gostaria de falar sobre o assunto. Por enquanto, por enquanto, por enquanto, não, Eu tô aguardando que a lei seja cumprida e quem sabe eles fiquem em regime semiaberto”.

O estoque de desculpas esfarrapadas está esgotado.

Lula já não é presidente, o julgamento terminou, as sentenças foram fixadas, não há mais nada a votar.

O que espera para apresentar as provas do complô?

Desde que deixou a presidência da República, ele tem desempenhado simultaneamente várias atividades.

Enquanto enriquece como camelô de empreiteiro disfarçado de palestrante, é tutor de Dilma Rousseff, único Deus da seita companheira, conselheiro do mundo, imperador do PT, fabricante de acordos eleitoreiros, colecionador de diplomas de doutor honoris causa, candidato ao prêmio Nobel da Paz, prefaciador de livros escritos por Aloizio Mercadante e colunista do jornal The New York Times.

A conversa fiada sobre o mensalão informa que consegue tempo para distrair a plateia encarnando um detetive de picadeiro.

22/03/2014

às 15:00 \ Política & Cia

Fernão Mesquita: Por que o Brasil encontra-se hoje na inédita situação do país que sofreu um golpe de Estado mas ainda não percebeu

Petrobras paga o equivalente a 277,64 vezes o valor de Pasadena, e Dilma, que na época era presidente do conselho de administração e assinou o contrato, vem a público declarar que “foi mal informada sobre a operação” (Foto: Estadão Conteúdo)

A Petrobras paga o equivalente a 277,64 vezes o valor da refinaria de Pasadena, e Dilma, que na época era presidente do conselho de administração e assinou o contrato, vem a público declarar que “foi mal informada sobre a operação” (Foto: Estadão Conteúdo)

Artigo publicado no blog Vespeiro

GOLPE COM ANESTESIA

Em 11 de julho de 2012 O Estado de S. Paulo publicou a primeira e quase única matéria que saiu na “grande” imprensa brasileira até a quarta-feira, dia 19, sobre o verdadeiro assalto praticado contra a “nossa” Petrobras envolvendo uma refinaria obsoleta em Pasadena, Texas, que nos foi empurrada goela abaixo daquela forma risonha e franca habitual entre os que têm a certeza da impunidade.

Naquela ocasião, já lá vão 20 meses, o destaque dado à matéria foi inteiramente desproporcional ao escândalo que ela relatava e que envolvia diretamente ninguém menos que a atual presidente da Republica, Dilma Rousseff, presidente do Conselho de Administração da Petrobras quando a falcatrua foi aprovada.

Veja bem, o resumo do caso é o seguinte:

Em 2005 a família Frére, da Bélgica, compra a refinaria de Pasadena por US$ 42,5 milhões. Era uma refinaria pequena que estava desativada e que não tinha condições técnicas de processar o petróleo pesado produzido no Brasil.

Em 2006, ela vende à Petrobras 50% do que comprou por US$ 360 milhões, ou seja, 8,47 vezes mais do que pagou pela refinaria inteira ou 17 vezes mais que o que pagou por 100% de suas ações. O agente direto dessa transação, Alberto Feilhaber, é um desses patriotas que pululam neste governo. Tinha 20 anos de Petrobras em seu currículo mas, àquela altura estava empregado da Astra, a empresa dos tais belgas.

Mas essa primeira mordida não foi bastante. Segundo informou na quarta-feira O Estado de S. Paulo com 20 meses de atraso em relação à sua primeira matéria, a Petrobras se comprometeu por contrato a comprar o restante das ações ao fim de um certo prazo acrescidas de um lucro anual de 6,9%.

Em 2012, ao fim de uma batalha judicial, a Petrobras paga aos felizardos belgas mais 820 milhões e quinhentos mil dólares pelos 50% restantes, perfazendo 1 bilhão e 180 milhões de dólares pelo “mico” inteiro, o equivalente a 277,64 vezes o que eles tinham pago pela empresa, o que obviamente não quer dizer que eles embolsaram sozinhos toda essa multiplicação.

José Dirceu; Antonio Palocci; Dilma Rousseff; Sérgio Gabrielli e Graça Foster: imagine a festa (Fotos: Marcello Casal Jr / ABr :: Gustavo Miranda / Agência O Globo :: Marcus Boeira :: AFP)

José Dirceu; Antonio Palocci; Dilma Rousseff; Sérgio Gabrielli e Graça Foster: imagine a festa (Fotos: Marcello Casal Jr / ABr :: Gustavo Miranda / Agência O Globo :: Marcus Boeira :: AFP)

No meio do caminho, desde 2008 quando entrou em litígio nos EUA contra seus sócios belgas, a Petrobras contrata um escritório de advocacia ligado aos próprios signatários da falcatrua para defendê-los naquele país pela bagatela 7 milhões e novecentos mil dólares…

E quem foi o arquiteto de toda essa operação transcorrida em pleno ano eleitoral?

Um certo senhor Nestor Cerveró, nomeado Diretor Internacional da Petrobras, segundo consta por ninguém menos que José Dirceu, o mais VIP entre os hospedes da ala VIP da Penitenciária da Papuda que ele divide com metade da diretoria do Partido dos Trabalhadores que ainda nos governa, depois que ele já tinha sido apeado da Casa Civil da Presidência da Republica de Lula por causa do Mensalão.

Este senhor Cerveró continuava até hoje na Petrobras como Diretor Financeiro da BR-Distribuidora, imaginem vocês que festa!

As demais figuras de proa envolvidas na operação não estão mais lá.

Dilma Rousseff, a presidente do Conselho de Administração que assinou o negócio proposto pelo preposto de Dirceu, virou presidente da Republica e publica nota oficial no Estado para dizer, candidamente, que “foi mal informada sobre a operação” que aprovou (e certamente continua sendo, posto que o “omisso” mor continua onde estava). Vale a pena ler aqui esta ode à cara-de-pau.

Sérgio Gabrielli, então diretor da Petrobras, é hoje Secretário de Planejamento do governo da Bahia chefiado por Jaques Wagner, que pretende suceder no governo daquele estado, e que na época também fazia parte do Conselho da Petrobras e também assinou o esbulho. Andam juntos desde sempre, esses dois.

Outro figurão cuja assinatura consta desse contrato-confissão é o hoje “consultor de empresas” e então ministro da Fazenda e membro do Conselho da Petrobras, Antônio Palocci.

O arquiteto da história é Nestor Cerveró, que continua na Petrobras como diretor financeiro (Foto: Agência Petrobras)

“O arquiteto dessa obra ocorrida em pleno anoa eleitoral é Nestor Cerveró, que continua na Petrobras como diretor financeiro” (Foto: Agência Petrobras)

Apesar de todos esses elementos já estarem presentes desde a primeira matéria, ela saiu, como disse, perdida numa das páginas internas do jornal.

Dez dias depois, a 21 de julho, o mesmo jornal publica uma matéria assinada pelos mesmos repórteres que assinavam a primeira para, sem mencionar o caso Pasadena uma única vez, contar ao distinto público que dona Graça Foster, que substituiu Gabrielli na presidência da Petrobras, estava “passando um pente fino” em todos os contratos da estatal, além de afastar quatro diretores ligados ao ex-presidente, com quem, entretanto, seguia mantendo as melhores relações: “A gente é amigo… A diferença é que você é menino e eu sou menina”.

Não é um amor?

Sobre Pasadena, porém, ela nada mais disse nem lhe foi perguntado.

O resto da grande imprensa brasileira, com exceção da VEJA, praticamente ignorou o assunto.

Seguiu publicando, aqui e ali, os dossiês regulamentares a que figuras nunca nomeadas lhe “dão acesso”, tais como, entre outros, o caso Alstom, velho de 31 anos e envolvendo, entre outras figuras menores do partido, um grande número de membros já falecidos do PSDB, que nesse meio tempo mereceu dúzias das manchetes que todos negaram ao caso da multiplicação por 277 vezes do preço de um bem que não nos serve para nada numa transação aprovada pela atual presidente da Republica candidata à reeleição em pessoa.

Nesse meio tempo, ainda, a Petrobras, por essas razões e por outras ainda piores, teve seu valor de mercado reduzido em 43% (desde 2010), algo equivalente a R$ 165 bilhões de prejuízo para seus acionistas ao redor do mundo, os mesmos de cujo dinheiro depende a reforma da infraestrutura brasileira que, nestes 12 anos à frente do destino da Nação, o PT permitiu que se transformasse em sucata depois de dissipar na compra de votos e na contratação de “companheiros” todo o dinheiro que poderia tê-la resgatado e modernizado minimamente.

(PARA TERMINAR DE LER, CLIQUE AQUI)

17/03/2014

às 18:51 \ Política & Cia

RESULTADO DA ENQUETE: Leitores do blog são praticamente unânimes: troca de ministros no STF durante julgamento do mensalão afetou o resultado final

Luís Roberto Barroso ocupa a vaga deixada pelo ministro Carlos Ayres Britto, no STF: leitores acham que trocas influenciaram na diminuição das penas dos mensaleiros (Foto: José Cruz/ Agência Brasil)

Luís Roberto Barroso (dir.) ocupa a vaga deixada pelo ministro Carlos Ayres Britto, no Supremo. Ele foi um dos que ajudaram a aliviar a cadeia dura dos principais mensaleiros. E os leitores acham que trocas de ministros ao longo do julgamento influenciaram na diminuição das penas a eles impostas (Foto: José Cruz/ Agência Brasil)

Perguntamos aos leitores: Você acha que a aposentadoria de dois ministros do Supremo no curso do julgamento do mensalão, e sua troca por novos, influiu na amenização das penas de mensaleiros graúdos?

Dos 4.542 votos totais que recebemos, 95%, ou 4.316 votos, eram de leitores que acham que sim, a troca de ministros ocorrida durante o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (Teori Zavascki substituiu Cézar Peluso e Luís Roberto Barroso substituiu Carlos Ayres Britto, em ambos os casos por aposentadoria compulsória dos titulares, que completaram 70 anos de idade) influenciou no resultado final, que diminuiu as penas aplicadas ao ex-ministro José Dirceu, ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e aos ex-deputados João Paulo Cunha e José Genoino.

Apenas 3%, ou 154 dos leitores que votaram acham que não, que o resultado teria sido esse mesmo com Ayres Britto e Cezar Peluso no plenário;
1%, ou 28 leitores de quem votou acha que influenciou sim, mas só um pouco, e 43 pessoas não souberam responder.

Nos cometários, leitores indignados falam de “apagão da justiça” e de eleição pelo povo para ministros do STF.

Nossa pergunta na nova enquete leva em conta a polêmica envolvendo a realização da Copa do Mundo e quer saber se isso afetará o ânimo de torcedor dos leitores.

Assim sendo, perguntamos: você torcerá para a Seleção Brasileira na Copa?

Sua opinião é importante para nós. Não deixe de votar, ali à direita, no local reservado às enquetes.

Vamos lá! Se quiser, dê aqui sua opinião sobre o tema.

17/03/2014

às 15:00 \ Política & Cia

Que plim-plim é esse? Que diabo é isso de a Globo chamar o mensalão de “mensalão do PT”???? Mensalão, felizmente, houve um só até agora — e foi uma tentativa de golpe de Estado branco

Globo

Epa! A Rede Globo já começou, há dias — seguida pela Globo News — a chamar o mensalão, o velho mensalão propriamente dito, de “mensalão do PT”.

Isso significa, obvia e evidentemente, que o jornalismo da emissora, agora que acabou o julgamento do mensalão propriamente dito, tem a intenção de qualificar o propinoduto mineiro como “mensalão tucano”.

Não sou daqueles que patrulham a Globo, não.

Acho que a Globo tem grandes méritos, é disparado uma das melhores emissoras de televisão aberta do mundo, exerceu e exerce um papel importantíssimo na vida e na cultura brasileiras.

Por isso mesmo é que tenho moral para chiar com essa hipótese que mencionei acima.

Chamar o propinoduto mineiro de “mensalão tucano”, como tudo indica que vai ocorrer durante a cobertura do caso, é uma absoluta impropriedade. Por várias razões.

A primeira, mas não a mais importante, é que, além do ex-governador tucano Eduardo Azeredo, único tucano de importância envolvido, há gente de outros partidos, inclusive o PMDB, embrulhados na maracutaia.

O mais importante, o fundamental, é que, embora em Minas tudo indique ter havido CRIME, sim — dinheiro ilegal utilizado em campanha eleitoral, ou seja, fato grave, criminoso, que deve ser punido, e que deve levar o tucano Azeredo para a cadeia se for provada sua culpa — é afirmação absurda afirmar que, em Minas, houve um “mensalão”.

Mensalão, o mensalão propriamente dito, que veio à tona em 2005, foi um esquema de pagamento a deputados corruptos, com uso de dinheiro público, para COMPRAR APOIO parlamentar para o governo lulopetista.

É igualmente CRIME, tanto como o propinoduto, mas muito mais grave porque, como bem disse durante julgamento o então presidente do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto, foi uma tentativa de “golpe de Estado branco” — de um Poder do Estado, o Executivo, garantir apoio em outro Poder, o Legislativo, mediante corrupção.

Chamar de mensalão o propinoduto que teria beneficiado — vamos esperar a comprovação — o à época governador tucano Eduardo Azeredo em sua tentativa de reeleição, em 1998, não é apenas uma impropriedade e um absurdo.

É uma MENTIRA.

 

15/03/2014

às 19:00 \ Política & Cia

J.R. GUZZO: A mágica que fez um crime, julgado como crime, não virar mais crime

Ricardo Lewandowski, Barroso-Zavascki-Toffoli (Fotos: STF)

“Hoje é possível obter o mesmo resultado, sem a necessidade de usar a tropa – basta, com um pouco de paciência, ir colocando nas próximas vagas ministros como Ricardo Lewandowski ou Luís Roberto Barroso, Teori Zavascki ou José Dias Toffoli. Mas os novos juizes não teriam de comprovar alto saber jurídico? Que piada” (Fotos: STF)

Artigo publicado em edição impressa de VEJA

DE DOSE EM DOSE

J. R. GuzzoO tribunal mais alto do país resolve que um crime foi cometido e, passado algum tempo, decide que esse mesmo crime não é mais crime – coisa incompreensível, no entendimento comum, quando se leva em conta que o tal tribunal existe justamente para dar sentenças que não podem mais ser mudadas.

Mas no Brasil não é assim que funciona, e por via dessa mágica, três estrelas do mensalão, recém-condenadas pelo Supremo Tribunal Federal por crime de quadrilha, não cometeram crime de quadrilha.

Nesse meio-tempo, o governo Dilma Rousseff substituiu dois ministros que acabavam de se aposentar por dois nomes exatamente a seu gosto, ficou com maioria de 6 a 5 no plenário e o que valia passou a não valer mais. Desanimado? Talvez não seja o caso; não compensa comprar por 100 um aborrecimento que não vale nem 10.

No fundo, esse último show encenado no picadeiro do STF não quer dizer lá grande coisa. Problema, mesmo, é a lata de formicida Tatu que o governo parece interessado em nos servir, em doses bem calculadas, no futuro aí à frente.

Dirceu & cia. foram absolvidos do crime de quadrilha? Sim, foram – mas e daí? Continuam condenados por corrupção ativa: não é um certificado de boa conduta. Sim, o PT festeja – mas festeja o quê? Não mudou nada no que realmente tem importância: três dos maiores heróis da Era Lula estão liquidados para a vida política brasileira, pelo menos no grau de grandeza que julgavam merecer.

Seu futuro morreu. Que diferença faz, então, saber se vão cumprir X ou Y meses a mais de sua pena, ou onde estão dormindo? Se fosse mantida a condenação, não iriam ficar muito mais tempo no xadrez, levando em conta que todos os criminosos brasileiros, por mais selvagens que sejam, têm direito a cumprir só um sexto da pena – mesmo gente como o casal de São Paulo que matou a própria filha de 5 anos, jogada do alto do seu prédio.

De mais a mais, daqui a pouco todos eles começarão a ficar velhos, o que é castigo suficiente para qualquer ser humano. A velhice, como é bem sabido, não inspira muita pena, nem simpatia – e, uma vez que se entra nela, não é possível voltar.

O verdadeiro perigo armado contra o Brasil se chama Supremo Tribunal Federal, e o perverso sistema pelo qual os seus membros são nomeados. Para simplificar: o STF deixou de ser uma corte de justiça. Hoje é um amontoado de onze cidadãos dividido em grupinhos, cabalas e intrigas, com um partido pró-governo e outro que se junta ou separa ao sabor das circunstâncias.

Há gangues inimigas – onde, justamente, deveria haver esforço comum para a prestação de justiça. Suas Excelências têm, é certo, a soma daqueles pequenos talentos que servem de combustível para subir na vida, mas é só o que têm. O senso moral desapareceu na atuação dos juízes.

Como pode funcionar um tribunal supremo onde o fator que determina as decisões não é a lei, mas o ódio individual entre ministros e a obediência a doutrinas políticas? A situação já estaria suficientemente ruim se ficasse assim como está. Mas pode ficar pior ainda, dependendo do sucesso que tiverem no futuro próximo as forças que têm o sonho de rebaixar o STF à condição de repartição pública, ocupada por despachantes encarregados de executar ordens do governo.

Durante toda a vigência do Ato Institucional Nº5, a ditadura militar garantiu o controle sobre o STF através das “aposentadorias compulsórias” dos ministros que não obedeciam a suas ordens. Para que o trabalho de fechar o Supremo, se ele podia ser controlado pela força armada?

- Hoje é possível obter o mesmo resultado, sem a necessidade de usar a tropa – basta, com um pouco de paciência, ir colocando nas próximas vagas ministros como Ricardo Lewandowski ou Luís Roberto Barroso, Teori Zavascki ou José Dias Toffoli. Mas os novos juizes não teriam de comprovar alto saber jurídico? Que piada.

Toffoli, advogado do PT, foi nomeado ministro do STF depois de levar bomba em dois concursos para juiz de direito – provavelmente, um caso único no sistema Judiciário mundial. Os demais, com ligeiras diferenças que não alteram o produto, são nulidades.

Quando se aceita, como hoje, a ideia de que não é preciso ter princípios nem valores morais na atividade de governar, tudo começa a valer – e o resultado desse vale-tudo são aberrações como a “democracia da Venezuela”, que tanto encanta Lula, Dilma e o PT.

Destruir o Supremo é destruir a pátria. País sem Supremo é país sem lei, e país sem lei não é mais nada – apenas um ajuntamento de gente submetida à vontade do mais forte.

 

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