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mensalão

18/09/2014

às 16:00 \ Política & Cia

ELIO GASPARI: Lula requenta o truque de 2006

(Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

“Durante a campanha eleitoral de 2006, o comissariado encurralou o tucanato, acusando-o de tentar privatizar a Petrobras. Era mentira, mas deu certo. Agora, Lula requentou o truque (…), mas fica-lhe difícil achar que falar em petrorrobalheira possa prejudicar a empresa”  (Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

“Nosso Guia” quer confundir a Petrobras com a gestão do comissariado petista com que ele próprio aparelhou a empresa

Artigo publicado no jornal O Globo

elio gaspariLula fez uma involuntária defesa do voto útil, aquele que vai para qualquer lugar, desde que o PT vá embora. Foi para a frente do prédio da Petrobras e disse o seguinte:

“Já houve três pedidos de CPI só na Petrobras. Eu tenho a impressão de que essas pessoas pedem CPI para, depois, os empresários correrem atrás delas e achacarem esses empresários para ganhar dinheiro. (…) Se alguém roubou, esse alguém tem mais é que ser investigado, ser julgado. Se for culpado, tem que ir para a cadeia.”

A Petrobras petista apareceu em várias CPIs. A primeira, de 2005, foi a do mensalão. Duas outras foram específicas e, com a ajuda do comissariado, deram em nada. Se Nosso Guia acha (e tem motivos para isso) que, incentivando-as, há “pessoas” achacando empresários que correm “atrás delas”, não se conhece uma só fala de petista denunciando achacados ou achacadores. O relator da comissão que está funcionando é o petista Marco Maia.

O primeiro comissário apanhado em malfeitorias relacionadas com a Petrobras foi o secretário-geral do PT, Silvio Pereira. “Silvinho” fez um acordo com Ministério Público e trocou o risco de uma condenação por 750 horas de trabalho comunitário. Ele ganhara um reles Land Rover de um fornecedor da Petrobras.

Nem Lula nem o PT condenaram-no publicamente. Se o tivessem feito, teriam emitido um sinal. Afinal, dissera o seguinte: “Há cem Marcos Valérios por trás do Marcos Valério.” Ele está na cadeia. Salvo a bancada da Papuda, os demais estão soltos.

Em 2009, quando foi instalada a primeira CPI para tratar exclusivamente da Petrobras, o comissariado disse que a iniciativa tentava tisnar a imagem da empresa. Resultou que ela tisnou a imagem do instituto da CPI e os petrocomissários continuaram nos seus afazeres. Paulo Roberto Costa estava na diretoria da Petrobras desde 2004. Em oito anos, amealhou pelo menos US$ 23 milhões.

A CPI de hoje é abrilhantada também pelos petistas Humberto Costa, José Pimentel e Sibá Machado. Nenhum deles, nem Marco Maia, deve vestir a carapuça da fala de Lula, mas jamais apontaram um achacador. “Paulinho” foi preso em abril pela Polícia Federal e em seu escritório foram recolhidas abundantes provas de seus malfeitos. Ele prestou um depoimento à CPI em junho e o senador Humberto Costa considerou-o “satisfatório”.

“Paulinho” disse o seguinte: “A Petrobras não é uma empresa bandida nem tem bandidos em seus quadros.” Tinha pelo menos um, hoje confesso: ele próprio. Nessa comissão, como na anterior, a bancada governista não se deu conta do risco que corria. Descobriu-o há poucas semanas, quando “Paulinho” começou a colaborar com a Viúva.

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14/09/2014

às 16:00 \ Política & Cia

FERNANDO GABEIRA: Abençoado por Deus e roubado com naturalidade

(Foto: Wilson Junior/Agência Estado)

Fernando Gabeira, sobre o escândalo do Petrolão e corrupção: “Partimos daí: os presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados são acusados de assaltar a Petrobras” (Foto: Wilson Junior/Agência Estado)

Artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo

Tá lá o corpo estendido no chão. Acabou uma época imprensada entre a crise econômica e uma profunda desconfiança da política. Não quero dizer com isso que o atual governo federal, com sua gigantesca capacidade, milhões de reais e a máquina do Estado, perderá a eleição. Não o subestimo. Quando digo que acabou uma época quero dizer que algo dentro de nós se está rompendo mais decisivamente, com as denúncias sobre o assalto à Petrobras.

De um ponto de vista externo, você continua respeitando as leis e as decisões majoritárias. Mas internamente sabe que vive uma cisão. A contrapartida do respeito à maioria é negada quando o bloco do governo se transforma num grupo de assaltantes dos cofres públicos.

Uma fantástica máquina publicitária vai jogar fumaça nos nossos olhos. Intelectuais amigos vão dizer que sempre houve corrupção. Não se trata de um esquema de dominação. Ele tem seus métodos para confundir e argumentar.

O elenco escolhido pelo diretor da Petrobras para encenar o grande assalto na política não chega a surpreender-me. O presidente do Senado, Renan Calheiros, e o presidente da Câmara, Henrique Alves, são atores experimentados. A diferença agora é que decidiram racionalizar.

Renan e Alves viveram inúmeros escândalos separadamente. Agora estão juntos na mesma peça. Quem escreve sobre escândalos deve ser grato a eles. Com a presença num mesmo caso, Renan e Alves nos economizam um parágrafo. Partimos daí: os presidentes do Senado e da Câmara brasileira são acusados de assaltar a Petrobras.

Deixamos para trás um Congresso em ruínas e vamos analisar o governo. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, foi acusado, o tesoureiro do PT também foi denunciado. As declarações deixam claro que Lula levou o diretor para o posto e elogiava seu trabalho na Petrobras.

Em termos íntimos, não há governo nem Congresso para respeitar. Ambos já mudaram de qualidade. Os que se defendem afirmando que sempre houve corrupção não percebem a fragilidade do argumento. É como se estivessem diante do incêndio do Rio e alguém sussurrasse: “O Nero, lembra-se? O Nero também incendiou Roma”.

Grande parte dos analistas se interessa pela repercussão do escândalo na corrida presidencial. Meu foco é outro: a repercussão na sensação de ser brasileiro. Quem talvez conheça melhor essa sensação são as pessoas que vivem em favelas, dominadas pelo tráfico ou pela milícia.

Existem diferenças entre as favelas e o Brasil que as envolve. Diante de escândalos políticos somos livres para protestar, o que não é possível nos becos e vielas. E contamos com a Justiça. No caso do mensalão, o processo foi conduzido por um juiz obstinado e com dor nas costas, pouco tolerante a artifícios jurídicos.

Neste caso da Petrobras há indícios de que o juiz Sérgio Moro, competente em analisar crimes de lavagem de dinheiro, pretende avançar nas investigações. E avançar por um território que não é virgem, mas extremamente inexplorado: o universo das empreiteiras que subornam os políticos.

Lembro-me, no Parlamento, dos esforços do velho Pedro Simon para que se investigassem também as empreiteiras nos escândalos de suborno. Falar disso no Congresso é falar de corda em casa de enforcado. Ele não conseguiu. Mas Simon queria mostrar também que os políticos não se corrompem sozinhos. Desgastados, polarizam tanto a rejeição que poucos se interessam por quem deu dinheiro e com que objetivo.

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08/09/2014

às 18:20 \ Política & Cia

JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO: Marina e a terceira onda

(Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

Marina Silva já tomou de volta seu eleitorado de 2010. Agora, seus novos votos serão tirados de Dilma e Aécio (Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

Artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo

A primeira lhe chegou como quem vem do passado. Trouxe 20% de eleitores, com o mesmo perfil dos que haviam votado em Marina Silva em 2010. A segunda correu por sobre a primeira. Trouxe descontentes, anuladores e distraídos. Somados aos jovens e velhos protestantes, equipararam-na a Dilma Rousseff e seus petistas e bolsistas. Haverá uma terceira onda? O tsunami definitivo de petróleo, lama e votos? Não imediatamente.

Todas as pesquisas divulgadas e não divulgadas mostram que a segunda onda de Marina espumou. Tampouco há sinais de crescimento da candidata do PSB nos trackings telefônicos dos partidos. O motivo é simples: não há mais eleitores à toa.

Marina raspou o que havia em excesso de votos nulos, brancos e indecisos – só sobraram as proporções históricas e esperadas. Transformou o Pastor Everaldo (PSC) em nanico e levou a maioria dos nanicos de volta à taxa zero. Para voltar a crescer, Marina precisa obrigatoriamente tirar de Aécio Neves ou de Dilma.

A presidente encontrou seu bastião da resistência no eleitorado que se beneficia do Bolsa Família e nos petistas históricos e militantes. É bem mais difícil Marina seduzir esses eleitores de Dilma do que os que estavam sem candidato ou haviam nanicado. Sobra-lhe o eleitorado aecista.

O tucano está se segurando, por enquanto, nos 15%. São eleitores mais velhos, de renda mais alta, nível superior, brancos e católicos. Estão concentrados principalmente no Sudeste. São antipetistas, mas não são eleitores típicos de Marina. Só votariam nela no primeiro turno se tivessem a certeza de que Aécio não tem mais chance e de que o seu “voto útil” em Marina liquidaria logo a eleição e tiraria o PT do poder de vez.

Esse consenso ainda não se formou, porém. Apesar de ter precisado convocar entrevista para dizer que não iria renunciar, Aécio ainda se imagina no jogo. E está mais animado depois da última denúncia envolvendo a Petrobras e meia dúzia de partidos.

Há a deduragem de um réu confesso (no Brasil, quanto mais suja a fonte, mais transparente ela quer parecer): nomes vazados; provas, nem tanto. Pouco importa a precisão na eleição. O que decanta, para o grosso da opinião pública, é mais um escândalo envolvendo políticos. É mais do mesmo. Só reforça a antipolítica e a despolitização que desgastou Dilma e submergiu Aécio.

Tanto faz o adjetivo: o maior escândalo, mensalão 2 (mensalão 3 seria mais apropriado, mas deixa estar), a mãe de todas as corrupções. Pode-se exagerar os superlativos até matar Joaquim Barbosa de inveja por ter julgado um caso, por comparação, menor. De tanto martelar que política é sinônimo de corrupção, grande parte dos eleitores acabou acreditando.

Quem é o símbolo da antipolítica na eleição presidencial de 2014? PT e PSDB é que não são. Difícil imaginar que possam colher algum voto de mais um escândalo. Podem se acusar o quanto quiserem, só estarão pregando para convertidos. Se alguém pode crescer no tiroteio, é quem se vende e é comprado como “o novo”.

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08/09/2014

às 15:57 \ Política & Cia

VÍDEO ILUSTRATIVO — Marina Silva, ao deixar o governo do PT depois de 5 anos e 4 meses: elogios a Lula e nem uma palavra, nem uma só restrição, a bandalheiras como o mensalão

Vale a pena conferir este vídeo com noticiário da Globo News sobre a saída de Marina Silva do governo Lula, em 2008, após participar dele durante cinco anos e quatro meses do lulalato.

Marina se queixa da dificuldade de realizar o que pretendia no Ministério do Meio Ambiente, refere-se a discussões com o então ministro Ciro Gomes, mas não inclui qualquer restrição moral como razão de sua saída do governo — nem sequer menciona o mensalão, que a esta altura já completava 3 anos desde que denunciado pelo deputado Roberto Jefferson e fora objeto de denúncia formal do procurador-geral da República ao Supremo Tribunal Federal.

07/09/2014

às 20:28 \ Política & Cia

AÉCIO, EM ENTREVISTA: “A minha diferença maior para as duas candidatas é que em nenhum momento eu participei desse governo. No momento em que esse governo assaltava o país, eu fazia oposição”

Aécio Neves:   (Foto: Douglas Magno/VEJA.com)

Aécio Neves: “O atual governo e a própria presidente da República são beneficiários daquilo que a Polícia Federal denominou organização criminosa instalada dentro da Petrobras” (Foto: Douglas Magno/VEJA.com)

Candidato do PSDB à Presidência afirma que Dilma Rousseff não poderá alegar que não sabia de megaesquema de corrupção na Petrobras

Por Bruna Fasano, de Presidente Prudente (SP), para VEJA.com

A menos de 30 dias do primeiro turno, as campanhas da petista Dilma Rousseff e da ex-senadora Marina Silva (PSB) tentam estancar a todo custo a sangria provocada pelos depoimentos do ex-dirigente da Petrobras e controlar uma possível fuga de votos das candidatas.

Terceiro colocado nas pesquisas de intenção de votos na corrida presidencial, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) avalia que as revelações do ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, sobre a montagem de um balcão de distribuição de propina a deputados, senadores, governadores e até um ministro de Estado aliados ao Palácio do Planalto podem mudar o resultado das eleições de outubro.

“O governo do PT patrocinou um assalto à Petrobras. No momento em que esse governo assaltava o país, eu fazia oposição”, disse Aécio em entrevista exclusiva ao site de VEJA.

Os nomes de autoridades citados por Paulo Roberto Costa como participantes do esquema de propina são essencialmente da base de sustentação do governo da presidente Dilma Rousseff. O senhor acha que houve conivência por parte dela?

Não dá mais para vir com essa história de que não sabia de nada. Nós estamos falando de algo talvez ainda mais grave do que o mensalão 1, que é o mensalão 2, que coexiste há mais de nove anos no poder.

Continua a haver um processo, desde o início, que não foi interrompido: utilização de dinheiro público, empresas públicas, superfaturamento de obras para beneficiar um grupo político que quer se manter a qualquer custo no poder.

O PT perdeu, a meu ver, a autoridade sequer para apresentar um projeto de continuidade desse modelo que está aí. É vergonhoso o que aconteceu. As investigações tem que ir a fundo. Espero que o Brasil conheça o que aconteceu e as punições possam vir.

A presidente da República tem, sim, que dizer o que aconteceu na empresa que ela comandou com mão de ferro. Ela foi do conselho da Petrobras durante doze anos.

Com as denúncias de Paulo Roberto Costa, cai a tese da presidente Dilma Rousseff de acusar setores oposicionistas de tentar desmoralizar a Petrobras? 

As denúncias do senhor Paulo Roberto mostram que a Petrobras vem sendo assaltada ao longo dos últimos anos por um grupo político, comando pelo PT, com o objetivo de perpetuar-se no poder.

Quando nós apresentamos a proposta da criação da CPMI da Petrobras os líderes do governo diziam que isso era uma jogada eleitoral da oposição apenas para prejudicar o governo nas eleições. A presidente da República chegou a dizer que nós estávamos, com os ataques que fazíamos a Petrobras, depondo contra a imagem da nossa principal empresa.

Quem desmoralizou a nossa principal empresa foi esse governo comando pela atual presidente da República. Não é possível, sentada na mesa com esses mesmos réus, em especial com esse diretor que está preso hoje, dizer que não tinha ideia do que está acontecendo.

Ainda que pela incapacidade de ver o que acontece no seu entorno, ela não pode querer disputar novamente a Presidência da República.

Segundo a delação premiada feita por Paulo Roberto Costa, o ex-governador de Pernambuco e ex-candidato do PSB, Eduardo Campos, estaria envolvido no esquema.

Eu tenho muito cuidado com relação a isso. São acusações que eu não conheço. Li pela manhã e me dei conta do tamanho dessas denúncias. Todos nós vamos ter que estar prontos para dar explicações sobre quaisquer questões. Eu acho que não dá é para pessoas envolvidas dizerem que não sabiam de nada.

Vamos dar tempo ao tempo e esperar que, realmente, essas acusações que hoje citam nominalmente algumas pessoas possam ser comprovadas, com indícios mais claros. Eu vejo tudo isso com alguma cautela. Mas eu reafirmo, e não há dúvidas em relação a isso, é que o governo do PT foi conivente com o maior assalto que já se fez aos cofres da maior empresa brasileira, a Petrobras.

O governo do PT patrocinou um assalto à maior empresa brasileira. Isso jamais ocorreu na história do Brasil.

A citação de Eduardo Campos entre os que teriam recebido propina desconstrói o discurso da candidata Marina Silva sobre a “nova política”? É possível atender a interesses de aliados sem cair em esquemas de corrupção? 

Nós estávamos desde lá de trás denunciando esse governo. Eu vejo hoje críticas ao PSDB por uma pseudopolarização com o PT. Nós estávamos desde sempre, lá atrás, desde 2003, combatendo esse governo, denunciando o aparelhamento da máquina pública, as nomeações políticas na Petrobras.

Será que quem estava certo era quem estava dentro desse governo durante todo esse período? De alguma forma, até se beneficiando, mesmo que não diretamente. Se beneficiando dessa estrutura que se manteve para sustentar o governo.

A minha diferença maior para as duas candidatas é que em nenhum momento eu participei desse governo. No momento em que esse governo assaltava o país, eu fazia oposição. De nenhuma forma eu participava disso. Nem diretamente nem indiretamente. Os cargos que eu ocupei não foram, de alguma forma, sustentados por esse governo corrupto.

O esquema do mensalão movimentou 173 milhões de reais. A Polícia Federal estima que, no caso da operação Lava-Jato, sejam pelo menos 10 bilhões de reais. É mais grave que o escândalo que colocou a cúpula do PT na cadeia?

O mensalão 2, esse atual, a meu ver, é mais grave do que o mensalão 1 até pelo tempo que durou esse assalto. Um processo que não pode ser agora atribuído a uma pessoa, a alguém que se utilizou de determinado momento de um cargo que ocupou em benefício próprio.

É uma engrenagem institucionalizada para roubar no seio da nossa maior empresa para beneficiar o grupo que está no poder. O atual governo e a própria presidente da República são, no mínimo, beneficiários daquilo que a Polícia Federal chamou de organização criminosa instalada na Petrobras.

Dilma foi beneficiária desse esquema. E esse esquema é que vem sustentando o seu governo, dando a ela maioria no Congresso e pagando diretamente sua base de apoio. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

05/09/2014

às 16:15 \ Política & Cia

“Nós não desistimos do Brasil, mas cansamos de ser brasileiros”. (Carlos Nejar, escritor)

(Foto: Agência Brasil)

“Cansamos de ser enganados, cansamos da derrota e do fracasso, cansamos de suportar a corrupção organizada, cansamos de ver a ordem e o progresso desaparecendo”, diz Carlos Nejar (Foto: Agência Brasil)

NÃO DESISTIMOS DO BRASIL, MAS CANSAMOS

Artigo de Carlos Nejar* publicado no jornal O Globo

Luis Fernando Verissimo escreveu uma crônica defendendo que o 7 x 1, com que a Alemanha abateu o Brasil na Copa do Mundo, não existiu. Ou existiu num universo à parte, postulando que a CBF deveria pedir a anulação do jogo e sua repetição no mundo real. A Nuvem Letícia, sorrindo, observou ter sido um erro de ótica. As bolas não entravam em nossa trave, saíam , pois até elas estavam envergonhadas.

Quantas coisas gostaríamos que nunca tivessem existido, começando por esta Copa, ou pela construção de estádios, verdadeiros elefantes brancos em lugares distantes, prestes a serem abandonados. Gostaríamos que não fosse extraviado tanto dinheiro público, que serviria para a educação, saúde ou cultura.

Gostaríamos que a Petrobras não realizasse a compra de Pasadena, no Texas, que foi péssimo negócio para o país e bom para alguns, e houvesse justiça, não ocultamento. E talvez tenha Verissimo razão: é melhor fingir que o 7 X 1 não tivesse havido. E muito menos a trágica morte de Eduardo Campos, num acidente até agora não explicado, estando alguns mais preocupados com a origem do avião, do que com a forma estranha com que ele explodiu nos ares.

Gostaríamos que não existissem certos políticos mensaleiros e outros rinocerontes da coisa pública. Nem gostaríamos que a Presidência indicasse os ministros por motivos óbvios e visíveis. E, numa espécie de esquecimento coletivo, não houvesse Lula, ou esquecesse de existir e continuasse um meritório torneiro-mecânico, sem estar cercado de tanta riqueza contra a qual ele lutou; muito menos Dilma (que ficasse na sua loja de Porto Alegre que dizem que faliu, para não falir o Brasil), com os tais de trinta e tantos ministérios, como pedras um batendo noutro, em carambola.

E se não tivéssemos tanta indignação, tanto dano e os craques voltassem ao tempo dos que tinham arte e não precisavam ser milionários, preferiam a honra de ganhar, suando a camiseta. E de fato a memória coletiva está envenenada e nem as eleições nos tirarão do choque de realidade, o baque do desastre que nos impuseram.

O naufrágio foi tamanho em nossas mentes, com a crescente e incontornável inflação, que não nos resignamos, não podemos nos resignar com tanta mediocridade, ao lado de tamanha propaganda. E cansamos de ser enganados, cansamos da derrota e do fracasso, cansamos de suportar a corrupção organizada, cansamos de ver a ordem e o progresso desaparecendo.

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*Carlos Nejar é escritor

02/09/2014

às 15:00 \ Política & Cia

Falando de forma direta: Dilma não suporta mais Rui Falcão, o presidente do PT. Saibam as razões

(Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

Dilma Rousseff e Rui Falcão: rivalidade dentro do PT em plena campanha eleitoral (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

PONTO DE EBULIÇÃO

Nota publicada na seção “Holofote” de edição impressa de VEJA

O PT não morre de amores por Dilma Rousseff, e Dilma Rousseff não gosta do PT — ou, pelo menos, do comandante do partido, Rui Falcão.

Desde o início do governo, o presidente petista causa constrangimentos à presidente.

Ele articulou a instalação da CPI do Cachoeira, criticou a condenação de companheiros no processo do mensalãoe fez lobby pela aprovação da regulamentação da mídia, três pautas das quais Dilma sempre se manteve distante.

No caso do mensalão, Dilma adotou a posição oficial de não comentar decisões do Supremo Tribunal e não se solidarizou com os mensaleiros.

Agora, como coordenador oficial da campanha da presidente, Falcão não para de exaltar as qualidades de Lula, em contraponto aos defeitos de Dilma.

Detalhe: tudo isso é feito em público.

Na lista negra do Planalto, Falcão só está atrás, por motivos óbvios, da ex-ministra Marina Silva.

31/08/2014

às 19:00 \ Política & Cia

NEIL FERREIRA: “Marina continuará a favor de tudo, até de FHC se juntando a Lula, não saberá explicar claramente sua posição com relação a qualquer tema sobre o qual qualquer candidato tem obrigação de se pronunciar”

(Foto: Joel Silva/Folhapress)

A vida política de Marina foi construída sobre os caixões de Chico Mendes e Eduardo Campos, diz Neil Ferreira (Foto: Joel Silva/Folhapress)

Artigo de Neil tomando suco de laranja Ferreira, publicado na sexta, 29, no Jornal do Comércio, de São Paulo

neil-ferreiraEu não vi o debate da Bandeirantes por alguns motivos que considero legítimos:

(1) Acho que cada candidato prega para seus fiéis.

(2) Duvido que o debate faça com que o eleitor de um candidato mude para outro; pra mim os indecisos, brancos ou nulos que já se decidiram pela Santa Marina, não mudam para Dilma ou Aécio.

(3) Já declarei neste espaço que este DC me permite usar, que meus votos vão para Aécio, Alckmin e Serra e não os mudarei em nenhuma hipótese.

(4) Duvidei, e acertei, que nenhum candidato prensaria a Santa Marina sobre o laranjal implicado na propriedade do avião acidentado, que a transformou na candidata que estourou na pesquisa do Ibope e, imagino, que também estourará no DataFalha de hoje.

Um Psedista disse: “A documentção estava dentro do avião e queimou” (sic), ara ara sô.

Santa Marina saiu do debate como legítima Padroeira do Laranjal e assim vai continuar. Não acredito que nenhum candidato terá coragem de prensá-la sobre qualquer tema: temem que a encostar na parede poderá parecer abuso de força contra sua falsa fragilidade, muito bem explorada pela imagem que vende na tv.

Ela continuará a favor de tudo, até FHC se juntando a Lula, não saberá explicar claramente sua posição com relação a qualquer tema que qualquer candidato tem obrigação de se pronunciar.

Apenas sei que ela é a favor do decreto da Dilma que, aprovado, poderá criar a censura do pensamento ainda livre e da existência da imprensa não amansada, neste nosso “país dos mais de 80%”.

Peço licença e tocar nuns assuntos que raramente são lembrados devido, repito, à falsa fragilidade da imagem que Santa Marina explora na tv, com habilidade marqueteira:

Sua carreira de política profissional (nunca foi outra coisa na vida) foi construída sobre um palanque construído sobre dois caixões: (1º) o de Chico Mendes e (2º) o de Eduardo Campos.

E, como Lula, explora uma pobreza de marré marré de si e analfabetismo e pés descalços na infância e adolescência. Respeitamos seu esforço para vencer situação tão dramática, como respeitamos o de Lula.

Foi senadora pelo Acre, estado em que perdeu a eleição de 2010, apanhando uma sova do Serra e da Dilma. Ela teve a cara de pau de explicar que “ninguém é profeta na sua terra”. Mas recebeu no total surpreendentes 20 milhões de votos e ficou em 3º lugar.

Evangélica, acredito que sincera, aparece, me parece, como uma personagem messiânica, tocada por Deus para salvar o Brasil, trocando seu comando de seis por meia dúzia. Eleita, será o PT do B vencendo o PT .

Santa Marina confessou-se lulopetista ao “deixar” o PT, numa carta a Lula, afirmando “deixo a nossa casa mas continuamos no mesmo bairro” (sic). “Saiu” para organizar o PT do B, vulgo “Rede de Sustentabilidade” (sustentabilidade dos Petistas do B), partido que não conseguiu formar por falta de público.

Foi petista de carteirinha, militando no partido por mais de 30 anos; foi ministra do Lula por 5 anos. Perto do epicentro do Mensalão, não abriu os santos ouvidos, não ouviu nada; nem os santos olhinhos, não viu nada; e nem o santo biquinho, não trinou nada.

Falei dela em certa ocasião: “uma vez petista, sempre petista” e uma leitora me chamou de antissemita porque, na opinião dela, eu teria querido dizer “uma vez judeu, sempre judeu”; não se pode relar na Santinha nem com uma rosa. Parece o Neymar, encostou, caiu. Vivendo e aprendendo.

Viu, com toda certeza, o seu correligionário Tião Viana, petista governador do Acre, despachar para o sul como lixo humano os haitianos “importados” a troco de alguns lanches e títulos de eleitores, imagine pra votar em quem. Também não ouviu nada, não viu nada, não falou nada.

Mesmo depois de deixar o governo e por muito tempo, seu marido nadou de braçada no governo do Tião Viana, supostamente com carregamentos de mogno e outras madeiras nobres, não sei havidas como (sei) e nem destinadas para não sei quais destinos (sei).

A suposta mamata foi temporariamente suspensa pois apareceu a possibilidade de posteriores mamatas maiores ainda, certamente asseguradas pelas pesquisas primeiro do DataFalha e depois do Ibope, mais o “tracking” dos partidos adversários. Tem outro DataFalha hoje.

Há mais e mais graves indícios de que a Santa Padroeira dos Laranjais é um perigo para o nosso já quase falido país: ela não tem a menor experiência em exercer cargos executivos.

(Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

“PT x PT do B: quanto pior, pior” (Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

Não será nada melhor do que a Dilma, que é esse desastre em que vivemos e que correremos o risco de piorar. Num 2º turno de PT x PT do B, nós perdemos.

Tomo a liberdade de citar uma frase atribuída a Montesquieu: “(Numa democracia, com o voto livre e direto) Cada povo tem o governo que merece”.

Prezamos o sistema democrático, respeitamos a vontade da maioria ainda que reeleja a maior corrupção nunca antes vista neçepaíz, ou que eleja mais do mesmo. O voto popular lá os colocou e só o voto popular poderá tirá-los de lá.

Mas não aceito essa passação de mão na cabeça do povo; é do povo a responsabilidade da escolha de um governo mensaleiro ou talvez pós-mensaleiro purificado, da Santinha do Pau Oco Padroeira dos Laranjais.

Neste momento, do Ibope de anteontem e certamente do DataFalha de hoje, estou com Aécio, minoria ocasional e não mudo meu voto.

Aprendi aritmética com uma certa dificuldade mas o que aprendi não esqueci: Santa Marina Padroeira dos Laranjais chegou nos 29 pontos no Ibope e com toda certeza repetirá a façanha no DataFalha de hoje.

Faço as contas juntando meus 10 dedos (tenho mais do que 9). Santa Marina com todos seus laranjas, roubou apenas 1 ponto do Aécio e uns 3 ou 4 da Dilma, então 25 ela foi buscar nos indecisos e votos em branco – na minha opinião ela bateu no teto.

A Padroeira dos Laranjais não cresce mais (minha esperança). Dilma não cresce mais (minha certeza: quem cresce é o candidato de verdade que aparece nos programas da tv, o Da Çilva).

Aécio cresce, se apresentar um discurso de oposição, forte o suficiente para levar para a urna os seus eleitores e os ainda simpatizantes e que se contraponha ao festival de mentiras do qual já é alvo. E simples o suficiente para que seja compreendido por parte do “país dos 80%”. É minha esperança, mas precisamos agir, quem espera nunca alcança.

Santa Marina Padroeira dos Laranjais e Dilma, PT x PT do B: quanto pior, pior.

24/08/2014

às 19:00 \ Política & Cia

NEIL FERREIRA: Santa Marina, Santinha do pau oco

(Foto: Ernesto Rodrigues/Agência Estado)

“Eu, você, todo mundo e a torcida do Flamengo sabemos o que é ‘santinha do pau oco’”, opina Neil Ferreira (Foto: Ernesto Rodrigues/Agência Estado)

Artigo de Neil pecador Ferreira, publicado no Jornal do Comércio, de São Paulo

Santa Marina Cheia de Graça, santinha do pau oco, os otários estão convosco entre as duas mulheres, garantidos os votos pela tragédia, amém.

Às duas mulheres, atiro uma das mais nocivas pragas judaicas: “—Que cada uma engula a outra e que as duas se engasguem”. Tenho um livro, “As Melhores Pragas Judaicas”, que é uma preciosidade.

Uma das Bruxas de Eastwick, ela disse que “o povo saberá” dissociá-la do PT. É impossível dissociar tal figura do ninho paterno. O petismo é incurável: uma vez petista, petista e pelo resto da vida.

A santinha do pau oco é petista de coração há mais de 30 anos e foi Ministra do Lula da Çilva por 5 anos no auge do Mensalão. Não viu nada, não escutou nada, não abriu o santo biquinho pra nada e fez de conta que não havia o que houve e estava havendo.

Agora, quando seu correligionário Tião Viana despachou uma turma de haitianos pra outros estados, como se fossem lixo humano, ela também não viu nada, não escutou nada, e não abriu o santo biquinho. Não era com ela.

Na eleição presidencial de 2010, teve absurdos e surpreendentes 20 milhões de votos e chegou em 3º lugar. No seu estado, seu reduto eleitoral, perdeu para o Serra e para a Dilma. Os eleitores sabiam de quem se tratava e deram-lhe a merecida surra.

Quando saiu do governo, escreveu uma carta ao Da Çilva, distribuída à imprensa pra que todo mundo soubesse o que estava acontecendo.

A carta está esquecida; Santa Marina está mandando “recados ao Mercado”, tentando acalmar as forças da Economia, do mesmo jeito com que Da Çilva fez na famosa “Carta aos Brasileiros”.

Os barões do capital imediatamente acreditaram, porque queriam acreditar; adotaram Da Çilva como seu amuleto, seu operário “in residence”.

Fizeram alegres e refinadas sessões de charutos importados, talvez os famosos Cohibas cubanos, de 30 dólares cada.

Poucos anos depois, para comprovar que já era um deles, Da Çilva disse a eles que “—Nunca os senhores ganharam tanto como no meu governo”.

Ganharam mesmo, os balanços dos bancos explodiam de alegria. O nosso operário, sabotado pela zelite segundo ele acusava, virou milionário.

Até a Lei de Responsabilidade Fiscal, que o PT foi à Justiça para impedir sua votação e aprovação, a santinha deu a entender que respeitaria. Ela quer enganar milhões de bobos na casca do ovo.

Marina aceitou oficialmente ser a candidata à Presidência da República. Não sei se notaram que no velório de Eduardo Campos, o caixão virou palanque.

Marina recebia os pêsames como a viúva política que era, no lugar da viúva real, Renata, mãe dos 5 filhos do candidato que nos deixou prematuramente e de imediato foi canonizado, até o seu petismo histórico e a nomeação da sua mãe ao TCU foram esquecidos. No seu enterro houve foguetório, onde já se viu.

Estava escrito na sua carta de “despedida” do PT e aqui vale o que estava escrito: “—Saio da nossa casa, mas continuamos no mesmo bairro” (sic).

Pra bom entendedor, um pingo é letra e ela fez uma declaração que não deixa dúvida e então ela me vem e fala dessa “dissociação”. Nem eu nem você somos otários, mas, como todo petista, ela quer é nos fazer de trouxas.

Você está vendo que o meu voto é aberto: Aécio, Serra e Alckmin, não tenho nada a esconder. Apenas quero repartir o que sei e as razões pelas quais estou escrevendo essas recordações.

Se a Marina for para o 2º turno, sabemos que o PSDB tapa o nariz e vai votar nela, para supostamente derrotar Da Çilva ao derrotar Dilma. Puro engano.

Se Aécio for para o 2º turno, eu sei – tenho certeza — que Marina vai descarregar na Dilma os votos que puder, dos que recebeu. Isso está mais do que explicado naquela frase da carta de “despedida” que mandou ao Da Çilva, “—(…) continuamos no mesmo bairro.”(sic).

O recente DataFalha, deu Marina com 21%, Aécio com 20% (como no outro DataFalha) e Dilma, que caiu para 35% mas sua aprovação subiu 6%, vá a gente entender. Num 2º turno, Marina venceria Dilma que venceria Aécio. Mas estou com Carlinhos Sensitivo, que previu que Aécio ganha, apertado mas ganha.

Quem está neste momento escolhendo a Marina, está pensando que ela é ambientalista, que foi pé descalço que venceu a pobreza, que foi aliada do Chico Mendes.

Pode ter sido tudo isso e mais ainda, e a admiro se realmente foi. Mas quem foi, foi; como Eduardo Campos que infelizmente e tragicamente se foi.

Eu, você, todo mundo e a torcida do Flamengo sabemos o que é “santinha do pau oco”. Na minha cidadezinha, “santinha do pau oco” era a menina sapequinha que aprontava muito além da conta; era o sonho de consumo da meninada, mas que não perdia missa e comunhão aos domingos.

Fumava escondida do papai e da mamãe e chupava bala de hortelã pra disfarçar o bafo do cigarro e nas brincadeiras dançantes bebia copinhos de cerveja no toalete com outras amiguinhas, então ditas “da pá-virada”.

Eram as mais populares, os meninos viviam atrás delas; não perdiam dança e iriam às matinês do cinema nos domingo com um bando de meninos sentados atrás e dos lados dela; não enganavam ninguém, só o papai e a mamãe.

Marina é um perigo para a democracia. Eleita, não entraremos numa Era Evangélica. Continuaremos no petismo que cada vez mais se aproxima dos 70 anos do PRI mexicano. Ela precisa ser derrotada, tanto quanto a Dilma e isso só depende de nós: Seu voto sua arma. Atire para matar.

Marina é Lula. No 2º turno, Marina é Dilma. Marina é o Ouro dos Tolos.

20/08/2014

às 17:18 \ Política & Cia

MENSALÃO: Essa história de cumprir pena de prisão em regime aberto é uma tremenda dureza. Vejam só

Genoino quando deixava o edifício onde se situa a Vara de Execuções Penais e Medidas Alternativas do DF, na qual recebeu autorização para cumprir o restante de sua pena em regime aberto (Foto: Alan Marques/Folhapress)

Genoino quando deixava o edifício onde se situa a Vara de Execuções Penais e Medidas Alternativas do DF, na qual recebeu autorização para cumprir o restante de sua pena em regime aberto (Foto: Alan Marques/Folhapress)

Amigos, como todos sabem, na semana passada a Vara de Execuções Penais e Medidas Alternativas do Distrito Federal autorizou dois dos condenados do mensalão, o ex-deputado José Genoino e o ex-tesoureiro do PL (atual PR, Partido da República) Jacinto Lamas, a cumprir o restante de suas penas de cadeia em casa, no chamado “regime aberto”.

Penas em regime aberto devem ser cumpridas, segundo a Lei de Execução Penal, em casas de albergado — estabelecimentos prisionais nos quais o condenado deve dormir e frequentar em determinadas condições e que, segundo a nossa ultra-benevolente e em alguns casos cômica Lei de Execução Penal, deve “caracterizar-se pela ausência de obstáculos físicos contra a fuga”.

Há muito poucas no país inteiro e, em sua quase totalidade, estão com suas vagas preenchidas por condenados ao regime semiaberto.

Na prática, então, os condenados ao regime aberto “cumprem a pena” em suas próprias casas. É o que ocorrerá com Genoino, condenado a 4 anos e 8 meses de cadeia pelo crime de corrupção no processo do mensalão, e Jacinto Lamas, que pegou 5 anos por lavagem de dinheiro.

“Na realidade, (…) tem-se que o preso em regime aberto não tem sua liberdade tolhida de forma alguma, sobretudo porque ninguém fiscaliza se o detento cumpre o compromisso de se recolher em sua residência no período noturno e aos finais de semana”, escreve em seu blog o juiz de Direito Marcelo Bertasso, titular da 2ª Vara Cívil de Umuarama (PR).

Tem toda razão o magistrado. As “terríveis limitações” do regime aberto — que, como ele assinala, ninguém fiscaliza — limitam-se a permanecer em casa entre 21 horas e 5 horas da manhã, não se encontrar com outros sentenciados em cumprimento de pena, não portar armas (como se portá-las fosse um direito generalizado…), não ingerir bebidas alcoólicas (como fiscalizar, se o camarada está em sua própria casa? parece piada…) e não “frequentar locais de prostituição, jogos, bares e similares”.

(É curioso que a lei equipare bares a locais de prostituição, para esse efeito, mas este é o Brasil, não é mesmo?)

A lei que dá moleza a bandidos foi sancionada… durante a ditadura!

A Lei de Execução, essa mesma que permite que mesmo assassinos sanguinários, responsáveis por atos pavorosos, fiquem livres, leves e soltos após cumprir apenas UM SEXTO da pena, está em discussão para ser reformada pelo Congresso.

O relator do projeto no Senado é o senador Pedro Taques (PDT-MT), candidato ao governo de seu Estado.

Sugiro encher a caixa de email dele de pedidos para que apresse a mudança nessa lei que só dá moleza a bandido. O link para o site do senador está aqui.

Ah, um detalhe importante: sabem quando foi promulgada essa lei cômica, que desmoraliza o senso de justiça dos brasileiros?

Durante o REGIME MILITAR, pelo então general-presidente João Figueiredo, em 1984.

Isso é para quem acredita que a ditadura teria sido “dura” com os bandidos.

Não foi! A criminalidade apresentava índices horríveis! A ditadura foi implacável — e cruel — ao combater a luta armada, só que levando de roldão gente inocente e, nos casos dos implicados, atropelando leis e direitos humanos. Com os bandidos, foi um fracasso gigantesco.

 

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