Blogs e Colunistas

mensalão

24/08/2014

às 19:00 \ Política & Cia

NEIL FERREIRA: Santa Marina, Santinha do pau oco

(Foto: Ernesto Rodrigues/Agência Estado)

“Eu, você, todo mundo e a torcida do Flamengo sabemos o que é ‘santinha do pau oco’”, opina Neil Ferreira (Foto: Ernesto Rodrigues/Agência Estado)

Artigo de Neil pecador Ferreira, publicado no Jornal do Comércio, de São Paulo

Santa Marina Cheia de Graça, santinha do pau oco, os otários estão convosco entre as duas mulheres, garantidos os votos pela tragédia, amém.

Às duas mulheres, atiro uma das mais nocivas pragas judaicas: “—Que cada uma engula a outra e que as duas se engasguem”. Tenho um livro, “As Melhores Pragas Judaicas”, que é uma preciosidade.

Uma das Bruxas de Eastwick, ela disse que “o povo saberá” dissociá-la do PT. É impossível dissociar tal figura do ninho paterno. O petismo é incurável: uma vez petista, petista e pelo resto da vida.

A santinha do pau oco é petista de coração há mais de 30 anos e foi Ministra do Lula da Çilva por 5 anos no auge do Mensalão. Não viu nada, não escutou nada, não abriu o santo biquinho pra nada e fez de conta que não havia o que houve e estava havendo.

Agora, quando seu correligionário Tião Viana despachou uma turma de haitianos pra outros estados, como se fossem lixo humano, ela também não viu nada, não escutou nada, e não abriu o santo biquinho. Não era com ela.

Na eleição presidencial de 2010, teve absurdos e surpreendentes 20 milhões de votos e chegou em 3º lugar. No seu estado, seu reduto eleitoral, perdeu para o Serra e para a Dilma. Os eleitores sabiam de quem se tratava e deram-lhe a merecida surra.

Quando saiu do governo, escreveu uma carta ao Da Çilva, distribuída à imprensa pra que todo mundo soubesse o que estava acontecendo.

A carta está esquecida; Santa Marina está mandando “recados ao Mercado”, tentando acalmar as forças da Economia, do mesmo jeito com que Da Çilva fez na famosa “Carta aos Brasileiros”.

Os barões do capital imediatamente acreditaram, porque queriam acreditar; adotaram Da Çilva como seu amuleto, seu operário “in residence”.

Fizeram alegres e refinadas sessões de charutos importados, talvez os famosos Cohibas cubanos, de 30 dólares cada.

Poucos anos depois, para comprovar que já era um deles, Da Çilva disse a eles que “—Nunca os senhores ganharam tanto como no meu governo”.

Ganharam mesmo, os balanços dos bancos explodiam de alegria. O nosso operário, sabotado pela zelite segundo ele acusava, virou milionário.

Até a Lei de Responsabilidade Fiscal, que o PT foi à Justiça para impedir sua votação e aprovação, a santinha deu a entender que respeitaria. Ela quer enganar milhões de bobos na casca do ovo.

Marina aceitou oficialmente ser a candidata à Presidência da República. Não sei se notaram que no velório de Eduardo Campos, o caixão virou palanque.

Marina recebia os pêsames como a viúva política que era, no lugar da viúva real, Renata, mãe dos 5 filhos do candidato que nos deixou prematuramente e de imediato foi canonizado, até o seu petismo histórico e a nomeação da sua mãe ao TCU foram esquecidos. No seu enterro houve foguetório, onde já se viu.

Estava escrito na sua carta de “despedida” do PT e aqui vale o que estava escrito: “—Saio da nossa casa, mas continuamos no mesmo bairro” (sic).

Pra bom entendedor, um pingo é letra e ela fez uma declaração que não deixa dúvida e então ela me vem e fala dessa “dissociação”. Nem eu nem você somos otários, mas, como todo petista, ela quer é nos fazer de trouxas.

Você está vendo que o meu voto é aberto: Aécio, Serra e Alckmin, não tenho nada a esconder. Apenas quero repartir o que sei e as razões pelas quais estou escrevendo essas recordações.

Se a Marina for para o 2º turno, sabemos que o PSDB tapa o nariz e vai votar nela, para supostamente derrotar Da Çilva ao derrotar Dilma. Puro engano.

Se Aécio for para o 2º turno, eu sei – tenho certeza — que Marina vai descarregar na Dilma os votos que puder, dos que recebeu. Isso está mais do que explicado naquela frase da carta de “despedida” que mandou ao Da Çilva, “—(…) continuamos no mesmo bairro.”(sic).

O recente DataFalha, deu Marina com 21%, Aécio com 20% (como no outro DataFalha) e Dilma, que caiu para 35% mas sua aprovação subiu 6%, vá a gente entender. Num 2º turno, Marina venceria Dilma que venceria Aécio. Mas estou com Carlinhos Sensitivo, que previu que Aécio ganha, apertado mas ganha.

Quem está neste momento escolhendo a Marina, está pensando que ela é ambientalista, que foi pé descalço que venceu a pobreza, que foi aliada do Chico Mendes.

Pode ter sido tudo isso e mais ainda, e a admiro se realmente foi. Mas quem foi, foi; como Eduardo Campos que infelizmente e tragicamente se foi.

Eu, você, todo mundo e a torcida do Flamengo sabemos o que é “santinha do pau oco”. Na minha cidadezinha, “santinha do pau oco” era a menina sapequinha que aprontava muito além da conta; era o sonho de consumo da meninada, mas que não perdia missa e comunhão aos domingos.

Fumava escondida do papai e da mamãe e chupava bala de hortelã pra disfarçar o bafo do cigarro e nas brincadeiras dançantes bebia copinhos de cerveja no toalete com outras amiguinhas, então ditas “da pá-virada”.

Eram as mais populares, os meninos viviam atrás delas; não perdiam dança e iriam às matinês do cinema nos domingo com um bando de meninos sentados atrás e dos lados dela; não enganavam ninguém, só o papai e a mamãe.

Marina é um perigo para a democracia. Eleita, não entraremos numa Era Evangélica. Continuaremos no petismo que cada vez mais se aproxima dos 70 anos do PRI mexicano. Ela precisa ser derrotada, tanto quanto a Dilma e isso só depende de nós: Seu voto sua arma. Atire para matar.

Marina é Lula. No 2º turno, Marina é Dilma. Marina é o Ouro dos Tolos.

20/08/2014

às 17:18 \ Política & Cia

MENSALÃO: Essa história de cumprir pena de prisão em regime aberto é uma tremenda dureza. Vejam só

Genoino quando deixava o edifício onde se situa a Vara de Execuções Penais e Medidas Alternativas do DF, na qual recebeu autorização para cumprir o restante de sua pena em regime aberto (Foto: Alan Marques/Folhapress)

Genoino quando deixava o edifício onde se situa a Vara de Execuções Penais e Medidas Alternativas do DF, na qual recebeu autorização para cumprir o restante de sua pena em regime aberto (Foto: Alan Marques/Folhapress)

Amigos, como todos sabem, na semana passada a Vara de Execuções Penais e Medidas Alternativas do Distrito Federal autorizou dois dos condenados do mensalão, o ex-deputado José Genoino e o ex-tesoureiro do PL (atual PR, Partido da República) Jacinto Lamas, a cumprir o restante de suas penas de cadeia em casa, no chamado “regime aberto”.

Penas em regime aberto devem ser cumpridas, segundo a Lei de Execução Penal, em casas de albergado — estabelecimentos prisionais nos quais o condenado deve dormir e frequentar em determinadas condições e que, segundo a nossa ultra-benevolente e em alguns casos cômica Lei de Execução Penal, deve “caracterizar-se pela ausência de obstáculos físicos contra a fuga”.

Há muito poucas no país inteiro e, em sua quase totalidade, estão com suas vagas preenchidas por condenados ao regime semiaberto.

Na prática, então, os condenados ao regime aberto “cumprem a pena” em suas próprias casas. É o que ocorrerá com Genoino, condenado a 4 anos e 8 meses de cadeia pelo crime de corrupção no processo do mensalão, e Jacinto Lamas, que pegou 5 anos por lavagem de dinheiro.

“Na realidade, (…) tem-se que o preso em regime aberto não tem sua liberdade tolhida de forma alguma, sobretudo porque ninguém fiscaliza se o detento cumpre o compromisso de se recolher em sua residência no período noturno e aos finais de semana”, escreve em seu blog o juiz de Direito Marcelo Bertasso, titular da 2ª Vara Cívil de Umuarama (PR).

Tem toda razão o magistrado. As “terríveis limitações” do regime aberto — que, como ele assinala, ninguém fiscaliza — limitam-se a permanecer em casa entre 21 horas e 5 horas da manhã, não se encontrar com outros sentenciados em cumprimento de pena, não portar armas (como se portá-las fosse um direito generalizado…), não ingerir bebidas alcoólicas (como fiscalizar, se o camarada está em sua própria casa? parece piada…) e não “frequentar locais de prostituição, jogos, bares e similares”.

(É curioso que a lei equipare bares a locais de prostituição, para esse efeito, mas este é o Brasil, não é mesmo?)

A lei que dá moleza a bandidos foi sancionada… durante a ditadura!

A Lei de Execução, essa mesma que permite que mesmo assassinos sanguinários, responsáveis por atos pavorosos, fiquem livres, leves e soltos após cumprir apenas UM SEXTO da pena, está em discussão para ser reformada pelo Congresso.

O relator do projeto no Senado é o senador Pedro Taques (PDT-MT), candidato ao governo de seu Estado.

Sugiro encher a caixa de email dele de pedidos para que apresse a mudança nessa lei que só dá moleza a bandido. O link para o site do senador está aqui.

Ah, um detalhe importante: sabem quando foi promulgada essa lei cômica, que desmoraliza o senso de justiça dos brasileiros?

Durante o REGIME MILITAR, pelo então general-presidente João Figueiredo, em 1984.

Isso é para quem acredita que a ditadura teria sido “dura” com os bandidos.

Não foi! A criminalidade apresentava índices horríveis! A ditadura foi implacável — e cruel — ao combater a luta armada, só que levando de roldão gente inocente e, nos casos dos implicados, atropelando leis e direitos humanos. Com os bandidos, foi um fracasso gigantesco.

18/08/2014

às 23:49 \ Política & Cia

ELEIÇÕES: Dilma faz uso perfeito do “dilmês” no “Jornal Nacional” e não responde a qualquer pergunta mais dura

Dilma na telinha da Globo:

Dilma na telinha da Globo:

Presidente-candidata abusou de frases longas e rodeios e esquivou-se dos temas mais espinhosos – em alguns casos, simplesmente porque não respondeu

Do site de VEJA

Em entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, nesta segunda-feira, a presidente-candidata Dilma Rousseff lançou mão do mais puro dilmês: frases longas e confusas, engatadas umas nas outras. Por mais de uma vez, ela insistiu em concluir suas longas explanações: ”Só um pouquinho, Bonner”, dizia.

Dilma ultrapassou em quase 50 segundos o tempo de 15 minutos destinado a ela. Mas desta vez o dilmês pode ter jogado a seu favor. Numa sala do Palácio da Alvorada, e não nos estúdios da Rede Globo, os entrevistadores — além de Bonner, Patricia Poeta — só conseguiram lhe fazer quatro perguntas.

Se da entrevista não resultou nenhum slogan de campanha, ela tampouco será lembrada por uma frase negativa, com o reconhecimento de um erro ou malfeito. Diante das interpelações mais duras, Dilma se escondeu atrás de sua barragem de frases.

Na primeira pergunta, William Bonner tratou dos muitos escândalos do governo petista e perguntou se era difícil escolher pessoas honestas para preencher os cargos do governo.

A presidente não respondeu diretamente: optou por tratar das instâncias de combate à corrupção. “Nós fomos o governo que mais estruturou os mecanismos de combate à corrupção, a irregularidades e malfeitos”, disse ela, que também minimizou os escândalos. “Nem todas as denúncias de escândalo resultaram em realmente a constatação que a pessoa tinha de ser punida e seria condenada”.

A petista também se escudou convenientemente no cargo e foi evasiva quando o apoio do PT aos mensaleiros condenados por currupção pelo Supremo Tribunal Federal foi colocado em pauta: “Eu não vou tomar nenhma posição que me coloque em confronto, conflito, ou aceitando ou não (sic). Eu respeito a decisão da Suprema Corte brasileira. Isso não é uma questão subjetiva”.

Em seguida, Dilma afirmou que a troca de César Borges por Paulo Sérgio Passos no Ministério dos Transportes – uma exigência do PR, envolvido em casos de corrupção na própria pasta, para apoiar a reeleição da petista – foi feita com base na integridade do nome indicado pela sigla. “Os partidos podem fazer exigências. Mas eu só aceito quando considero que ambos são pessoas íntegras e não só integras, são competentes”, afirmou.

Quando o assunto foi economia, a tática foi a mesma: William Bonner perguntou se o governo não havia errado em nenhum momento na reação à crise internacional.

A resposta foi o discurso-padrão apresentado pela presidente nos últimos meses: ”Nós enfrentamos a crise pela primeira vez no Brasil não desempregando, não arronchando salário, não aumentando tributos e sem demitir”, disse ela.

Em um dos poucos momentos significativos da entrevista, a presidente acabou admitindo que a saúde não está em padrões minimamente razoáveis: “Não acho”, disse ela, antes de desandar a falar sobre o Mais Médicos, uma das bandeiras de sua campanha.

Já com o tempo estourado, Dilma ainda tentou pegar carona na comoção que tomou o país com a morte do candidato do PSB, Eduardo Campos, cuja frase final no Jornal Nacional – “Não vamos desistir do Brasil” –virou lema do PSB. ”Eu acredito no Brasil”, disse Dilma, que foi interrompida uma última vez enquanto tentava pedir votos aos eleitores.
Leiam também:

Aécio: ‘Segundo turno agora é certeza
Datafolha: Marina empata com Aécio no 1º turno e com Dilma no 2º

12/08/2014

às 15:30 \ Política & Cia

MERVAL PEREIRA: Governistas e sua vasta rede de militantes que atuam na internet procuram banalizar ações criminosas na web, como se fossem corriqueiras

Não faz sentido que o ministro Gilberto Carvalho tome a parte pelo todo e confunda o Brasil com o PT (Foto: Richard Casas / PT)

Como é que o ministro Gilberto Carvalho pode afirmar que é uma “bobagem” a alteração maldosa de perfis de críticos do governo na Internet por computadores situados em instalações do governo e ficar tudo bem? (Foto: Richard Casas / PT)

 A BANALIZAÇÃO DO CRIME

Artigo de Merval Pereira publicado no jornal O Globo

Sem ter como desmentir as recentes denúncias de manipulação criminosa, os governistas e sua vasta rede de militantes que atuam na internet passaram a uma bem orquestrada ação de banalização dessas atividades ilegais, como se fossem corriqueiras.

É o caso da preparação dos ex-diretores da Petrobras para depoimentos na CPI que apura a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, acusada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) de prejudicial aos cofres da empresa.

A própria presidente Dilma abriu essa discussão ao acusar publicamente o ex-diretor Nestor Cerveró de ter produzido um relatório falho tecnicamente, que induziu o Conselho Administrativo da Petrobras, presidido por ela na ocasião, ao erro de aprovar uma transação que se mostrou equivocada. Pois bem, como é sabido a Petrobras demitiu Cerveró, que à época trabalhava na BR Distribuidora, e a própria presidente da estatal, Graça Foster, admitiu no Congresso que aquela não fora uma boa compra.

Descobre-se agora que a Petrobras está pagando as multas com que os ex-diretores foram punidos pelo TCU, e que todos eles, inclusive o culpado pelo prejuízo, estavam recebendo orientações especiais e treinamento para o depoimento na CPI da Petrobras.

Não bastasse a estranheza de a estatal prejudicada bancar a defesa de ex-diretores acusados de malversação de dinheiro público, gravações de uma reunião na sede da Petrobras revelaram que a chegada de Cerveró à sede da empresa foi cercada de preocupações e cautelas para que sua presença não fosse notada.

E que as perguntas que seriam feitas a ele e a outros diretores já estavam previamente preparadas pelos próprios membros da CPI da base aliada do governo.

O ministro das Comunicações Paulo Bernardo, para justificar essa tramoia, deu uma declaração absolutamente absurda: segundo ele, desde Pedro Álvares Cabral, as CPIs são arranjadas.

Esqueceu-se de que a CPI que derrubou o então presidente Collor foi liderada pelo PT, e que outras, como a dos Correios, acabaram levando à cadeia diversos líderes petistas envolvidos no mensalão.

(PARA TERMINAR DE LER, CLIQUEM AQUI)

12/08/2014

às 14:28 \ Política & Cia

AÉCIO NEVES AO “JORNAL NACIONAL”: “Farei o que for necessário para controlar a inflação, retomar o crescimento e fazer voltar a confiança perdida no Brasil”

 

06/08/2014

às 15:00 \ Política & Cia

Tesoureiro do PT chia que o governador do DF não paga o que deve ao partido

(Ilustração: Paffaro)

(Ilustração: Paffaro)

O HOMEM DO PIRES

Nota publicada na seção “Holofote” de edição impressa de VEJA

Depois do escândalo do mensalão, João Vaccari Netose como tesoureiro do PT, substituindo o notório Delúbio Soares.

É ele quem passa o pires junto aos empresários, paga fornecedores e, sobretudo, cobra dos militantes o famoso dízimo mensal ao partido.

Semanas atrás, Vaccari estava enfurecido com o governador do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz. “Vou lá cobrar os 6 milhões de reais que ele me deve”, reclamou a um companheiro de longa data.

Seis milhões?! Se o tesoureiro não confundiu valores, Agnelo, com o salário que ganha, teria de trabalhar 21 anos sem gastar um tostão só para saldar a dívida com o partido — ou não.

26/07/2014

às 18:00 \ Política & Cia

O grande mistério do Itaquerão: como é que o Corinthians vai pagar a obra bilionária?

(Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)

A princípio, o próprio governo de São Paulo achou o orçamento de 800 milhões absurdo para a construção de um estádio — no fim, o Corinthians gastou 1,2 bilhão. Como é que o clube vai pagar isso? (Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)

A SAGA DE ITAQUERA

O Estádio do Corinthians, que abriu a Copa, custou 1,2 bilhão de reais. É um caso ímpar no uso de dinheiro público para fins privados – e ninguém sabe como o clube pagará a conta

Reportagem de Maria Luíza Filgueiras e Thiago Bronzatto publicada em edição impressa de EXAME

Não há nada que alegre tanto um político quanto “vistoriar” uma obra prestes a ser concluída — num país como o Brasil, onde as obras feitas com dinheiro público teimam em não acabar nunca, a alegria vem em dobro.

Assim, a presidente Dilma Rousseff era só sorrisos no dia 8 de maio, quando visitou a Arena Corinthians (o Itaquerão), o estádio do Corinthians, que recebeu o primeiro jogo da Copa do Mundo, no dia 12 de junho. Ganhou um capacete com seu nome, tirou selfies com operários, andou pelas arquibancadas e escapou por pouco de cair ao pisar no gramado. “É uma maravilha de estádio”, disse ela.

Mas, escondida pelo que parecia o júbilo geral, havia uma espessa camada de tensão — uma tensão concentrada nos dois cicerones de Dilma.

Marcelo Odebrecht, dono da construtora que ergueu o Itaquerão, e Andrés Sanchez, o ex-presidente do Corinthians que assumiu a administração do estádio, não tinham muito a comemorar. Faltavam, afinal, 350 milhões de reais para fechar a conta do Itaquerão. E ninguém sabia de onde viria esse dinheiro.

André Sanchez, o gestor do Itaquerão: ainda faltam 350 milhões de reais para fechar a conta do estádio (Foto: Alexandre Battibugli/EXAME)

Andrés Sanchez, o gestor do Itaquerão: já em cima da hora do jogo inaugural da Copa ainda faltavam 350 milhões de reais para fechar a conta do estádio (Foto: Alexandre Battibugli/EXAME)

O buraco nas contas havia sido cavado por duas pás. Primeiro, o orçamento da obra estourou. O custo da construção do Itaquerão, cujo teto havia sido fixado em 820 milhões de reais, foi 250 milhões de reais maior do que o previsto inicialmente.

Além disso, o Corinthians precisava de pelo menos 100 milhões de reais para pagar a Odebrecht, que foi obrigada a financiar ela própria o início das obras, já que ninguém queria emprestar um tostão ao clube. Era preciso, então, encontrar um banco disposto a bancar os 350 milhões de reais que faltavam.

O problema, aqui, é que não havia instituição financeira disposta a entrar nessa. Dilma, então, deu aos dois a notícia que eles tanto esperavam. A Caixa Econômica Federal, banco 100% estatal, cobriria o buraco.

No fechamento desta edição, os últimos detalhes do acordo estavam sendo concluídos. Assim, o total de empréstimos da instituição ao Corinthians chegará a 750 milhões de reais. (Procurada, a Caixa não comentou o novo empréstimo.)

Dez dias depois da visita de Dilma, o Corinthians foi derrotado pelo Figueirense na inauguração do Itaquerão. Os quase 40 000 presentes chegaram e foram embora sem sustos, os banheiros funcionaram, a luz iluminou direitinho e por aí vai.

Ninguém duvida que o Corinthians tenha tamanho e torcida para ter sua própria casa, um sonho antigo de quem jogou durante as últimas décadas no estádio municipal do Pacaembu.

No aspecto esportivo, portanto, o Itaquerão faz muito mais sentido do que os elefantes brancos construídos para a Copa em cidades como Brasília, Cuiabá, Manaus e Natal, que não têm um time sequer na primeira divisão do Campeonato Brasileiro.

Mas em nenhum caso o bom senso financeiro e o interesse público foram atropelados de forma tão clara para beneficiar diretamente uma entidade privada — no caso, o Corinthians, que ganhou de presente um estádio bancado pelo Erário. É verdade, o clube tem uma dívida de 750 milhões de reais. Mas, como se verá adiante, dificilmente terá como pagá-la.

Não surpreende que o Itaquerão seja um dos estádios mais investigados e fiscalizados entre os 12 que serão usados no Mundial. Três autarquias diferentes apuram os repasses de dinheiro público para a construção do estádio.

Para financiar "uma maravilha de estádio", Dilma liberou dinheiro da Caixa Econômica Federal (Foto: Jorge Araujo/Folhapress)

Para financiar “uma maravilha de estádio”, Dilma liberou dinheiro da Caixa Econômica Federal (Foto: Jorge Araujo/Folhapress)

O Ministério Público Federal (MPF) e o Tribunal de Contas da União avaliam as condições em que o dinheiro foi liberado — sobretudo, se as garantias oferecidas pelo Corinthians tiveram seu valor inflado. Um relatório preliminar do MPF aponta indícios de que os terrenos dados em garantia valem muito menos do que o dito no contrato.

Já o Ministério Público Estadual apura o benefício fiscal de 420 milhões de reais concedido pelo então prefeito Gilberto Kassab ao clube. Em julho de 2011, Kassab alterou uma lei que concedia incentivos fiscais para empresas que investissem na zona leste da capital — e incluiu no texto a construção de estádios.

Antes, a lei previa benefícios somente para empresas com atividades comerciais, industriais ou de serviços. O MP diz que a modificação só serviu para transferir dinheiro público para a Odebrecht e para o Corinthians, causando prejuízo ao Erário. “O impacto econômico disso para o país é muito maior que o do mensalão”, diz o promotor Marcelo Milani, responsável pela investigação.

O ex-prefeito se defende: “Não teve subsídio algum. No caso do estádio do Corinthians, é uma lei de incentivos, já que o estádio vai gerar muitos investimentos locais. O projeto é muito positivo, já que trouxe a abertura do maior evento esportivo para São Paulo”. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

22/07/2014

às 18:01 \ Política & Cia

É um espanto que juristas invistam contra o Judiciário e a polícia por causa da prisão de baderneiros violentos. É um INSULTO aos democratas brasileiros que arruaceiros acusados de crimes sejam considerados “presos políticos”!

(Foto: Ernesto Rodrigues/Folhapress)

Em São Paulo, um bando de idiotas despreza as conquistas democráticas do povo brasileiro e pede a libertação de “presos políticos” inexistentes — o que há são pessoas violentas acusadas de crimes capitulados no Código Penal (Foto: Ernesto Rodrigues/Folhapress)

Estou perplexo e revoltado, como brasileiro e como democrata.

Quer dizer que uma advogada de baderneiros, ela própria baderneira e sob acusação de prática de crimes aceita PELA JUSTIÇA, se considera uma “perseguida política” e pede asilo ao consulado do Uruguai no Rio?

E o mesmo fazem dois jovens que a acompanhavam?

“Asilo político” como, cara pálida???

“Libertem nossos ‘presos políticos’ como, caras-pálidas — os palhaços que vêm se reunindo em São Paulo, portando faixas e cartazes, para “exigir” a soltura de baderneiros envolvidos em atividades criminosas, capituladas no Código Penal.

Como se o Brasil não fosse uma democracia, um Estado de Direito, com uma Constituição votada por representantes do povo, um Ministério Público que age em defesa do cumprimento da lei e um Judiciário independente e soberano?

Como se o Brasil fosse uma Cuba, uma Coreia do Norte, uma Síria?

Como se toda a luta dos brasileiros para colocar um fim a uma ditadura de 21 anos não tivesse valido nada?

Isso é uma OFENSA contra incontáveis brasileiros que lutaram pela democracia. Uma ofensa e um INSULTO!

E quem são os que inventaram ser perseguidos políticos”, santo Deus?

No Rio, essa advogada — nem vou citar o nome dela!!! — se considera uma “ativista de direitos humanos”, mas há contra elas provas levantadas pela Polícia, sustentadas pelo Ministério Público e ACEITAS PELA JUSTIÇA segundo as quais, junto a outros 22 réus, se associaram para a prática de crimes em protestos públicos, INCLUINDO DEPREDAÇÕES DE BENS PÚBLICOS E PARTICULARES E AGRESSÕES A POLICIAIS.

O grupo, conforme a denúncia que a Justiça aceitou, fabricava coquetéis molotov e outros artefatos explosivos para uso em manifestações, inclusive contra a Copa do Mundo.

Baderneiros mascarados (Foto Estadão)

Baderneiros mascarados: gente que sai à rua mascarada pode ter boa intenção? É um “manifestante” quem fabrica coquetéis molotov, depreda bens públicos e privados e investe contra agentes da lei? (Foto: Estadão)

Para espanto dos brasileiros democratas, um esquadrão de quase 100 advogados, desta vez em São Paulo, estão investindo contra a Polícia, o Ministério Público e a Justiça devido à prisão — decretada com base NA LEI — de dois “manifestantes”, integrantes dos arruaceiros violentos black blocs, por acusações inocentes e leves como as de “associação criminosa, porte ilegal de armas e incitação ao crime”, entre outros delitos.

Os advogados signatários acham que as autoridades, inclusive o Judiciário, estão “criminalizando” ativistas, “em claro vilipêndio ao direito constitucional de se reunir e de se manifestar”.

Como se dizia nos Estados Unidos nos anos 60, um liberal é um conservador que ainda não foi assaltado.

Aqui no Brasil, espero em Deus que certas pessoas — defensoras de suposto “direito à livre associação” de criminosos e arruaceiros, que desprezam o Estado de Direito e a democracia e zombam da lei e de seus agentes — não precisem perder um filho atingido por um coquetel molotov, um tiro ou um rojão (como ocorreu com o cinegrafista Santiago Andrade, da Rede Bandeirantes, morto assim em fevereiro, no Rio) para rever sua posição absurda e espantosa.

Para nenhuma surpresa, está do lado dos que criticam a repressão a criminosos travestidos de manifestantes o advogado e ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos — o mesmo que defendeu a concessão de asilo ao terrorista assassino italiano Cesare Battisti e disse que “o mensalão não existiu”.

Em compensação, o jurista Ives Gandra Martins disse o que o bom senso dita ao afirmar, sobre o caso todo:

– A polícia não está violando a Constituição, está buscando proteger a sociedade.

Mas quem de fato encerrou o assunto não foi um brasileiro — foi a cônsul do Uruguai no Rio, Myriam Fraschini Chalar.

Ela recusou receber a advogada e os dois jovens que buscavam “asilo político” informando-os que seu país reconhece o Brasil como um Estado democrático — e, por isso, não poderia conceder a medida.

16/07/2014

às 0:00 \ Disseram

Em vez de explicar, Lula distrai o povo

“Para se defender, Lula ataca. Jamais se explica, sempre acusa. Acostumado a atirar pedras, Lula é incapaz de autocrítica. Quando deveria, de forma rigorosa, abominar a prática da corrupção, ele tenta distrair a opinião pública jogando culpa nos outros.”

Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República, em artigo publicado no portal Observador Político; FHC afirmou ainda que Lula nunca explicou o mensalão

03/07/2014

às 15:12 \ Política & Cia

Buscado por motorista particular, Dirceu deixa a cadeia pela primeira vez para trabalhar fora

José Dirceu deixa a cadeia e se prepara para subir em sua caminhonete Hilux, rumo ao escritório do advogado em que vai receber 2,1 mil reais por mês (Foto: Jorge William/O Globo)

O ex-ministro José Dirceu deixa a cadeia e se prepara para subir em sua caminhonete Hilux, rumo ao escritório do advogado de Brasília em que vai receber 2,1 mil reais mensais (Foto: Jorge William/O Globo)

Reportagem de Eduardo Bresciani, do jornal O Globo

O ex-ministro José Dirceu deixou o Centro de Progressão Penitenciária do Distrito Federal na manhã desta quinta-feira para o seu primeiro dia de trabalho, após a prisão pela condenação no processo do mensalão. Dirceu deixou o prédio sozinho, às 7h25m, e entrou em sua caminhonente Hilux, dirigida por um motorista que atende o petista em Brasília.

Ele vestia paletó cinza escuro, calça jeans e camisa azul.

O petista vai trabalhar no escritório do advogado José Gerardo Grossi.

Pelo contrato de trabalho, Dirceu deverá trabalhar das 9 às 18 horas, com direito a duas horas de almoço.

O ex-ministro terá como atribuição organizar a biblioteca do escritório que, segundo Grossi, está bagunçada.

Dirceu, que foi o principal ministro da primeira fase do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, terá salário de R$ 2,1 mil por mês.

— Minha biblioteca está uma bagunça. Se ele quiser trabalhar, terá muito trabalho. Se não quiser, será mandado embora como qualquer outro funcionário — disse Grossi.

(PARA CONTINUAR LENDO, CLIQUEM AQUI)

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados