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PSDB vira a ‘noiva da vez’ na eleição da Câmara

Tucanos anunciaram apoio à chapa de Julio Delgado (PSB), mas perda de força da candidatura intensificou assédio dos dois adversários na reta final

Com uma bancada de 54 deputados, o PSDB passou a ser cortejado como nunca na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados. Embora tenha anunciado apoio ao candidato Julio Delgado (PSB-MG), o partido sofre intenso assédio de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que no início da semana se reuniu com a bancada paulista e ofereceu a vice-presidência da Casa em troca da parceira. E Cunha não é o único: aliados de Arlindo Chinaglia (PT-SP) também negociam com os tucanos.

Nesta quinta-feira, Chinaglia ligou para o líder do PSDB, Antônio Imbassahy (BA) – algo que não acontece no cotidiano. “Nós conversamos longamente sobre questões institucionais. Mas, se ele toma a iniciativa de ligar para mim, é porque naturalmente quer uma aproximação”, disse Imbassahy ao site de VEJA.

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Na última segunda-feira, Cunha também buscou votos dos tucanos em uma reunião em São Paulo. Após o encontro, boa parte dos deputados chegou a defender a retirada da candidatura de Delgado, considerada enfraquecida nesta altura da corrida, e cogitaram uma debandada em direção ao peemedebista. O movimento pró-Cunha tem a articulação de influentes nomes tucanos, entre eles o deputado Carlos Sampaio (SP), que deve ser o próximo líder do partido nesta legislatura.

Os tucanos estão no centro da disputa não apenas pelo tamanho da bancada, mas também pela constatação de que a candidatura de Delgado está fragilizada às vésperas da eleição, o que provoca a antecipada costura do apoio do partido em um segundo turno sem a sua participação do socialista.

Para cobrar a fidelidade do partido, o senador Aécio Neves (MG), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e os governadores Marconi Perillo (GO) e Beto Richa (PR) iniciaram uma força-tarefa ligando para deputados de seus Estados pedindo o cumprimento do voto – que é secreto.

“Inocente é aquele que disputa esse processo e acha que não haverá dissidência nos blocos. Será que meus concorrentes imaginam que não haverá defecções? O que eu posso afirmar é que o nosso bloco é o que terá o menor número de defecções”, disse Delgado nesta quinta-feira.

O candidato afirmou nesta tarde que não cogitou desistir da candidatura e, em um gesto para tentar dar musculatura à campanha, anunciou que o processo de coleta de assinaturas para formalizar o bloco já está em andamento. O arco de apoios do candidato é composto por PSB, PSDB, PPS e PV. A aliança será oficializada no domingo, poucas horas antes da eleição.

Ainda em busca de conter as dissidências, Delgado passou a enviar, pelo serviço de mensagens Whatsapp, vídeos personalizados pedindo votos aos deputados. Foram cerca de 400 gravações diferentes, todas cumprimentando o parlamentar nominalmente.