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Eleição em Porto Velho está nas mãos da Justiça

Campanha ultrapassa as páginas de política e chega ao noticiário policial

Por Marcela Mattos Atualizado em 24 ago 2016, 19h01 - Publicado em 23 ago 2016, 12h51

O mundo político ainda se recuperava do estremecimento provocado pelas condenações decorrentes do julgamento do mensalão quando o Congresso Nacional voltou a ser protagonista de um vexame nacional: criou, em 2013, a figura do deputado-presidiário, um feito até então inédito mesmo em um Parlamento já manchado por grandes escândalos. Natan Donadon, à época deputado federal e representante de um dos mais poderosos clãs de Rondônia, acabou atrás das grades por desviar 8,4 milhões de reais da Assembleia Legislativa do estado.

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O episódio teve repercussão nacional e reprisou uma situação comum de Rondônia, que acumula casos de corrupção e de prisão envolvendo escândalos na assembleia.

Três meses antes do desfecho sobre Donadon, a capital do estado passou por um outro caso de polícia: o ex-prefeito de Porto Velho Roberto Sobrinho (PT) fora preso por fraudes em licitações em um desdobramento da Operação Luminus, da Polícia Federal. Ele foi afastado do cargo em 2012 pelas suspeitas de desvios milionários.

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Ignorando a fila de processos e de denúncias a que responde, Sobrinho tenta voltar ao comando do município nas eleições deste ano. Em decisão recente, a Justiça manteve, em segunda instância, a condenação do petista por improbidade administrativa, tornando-o inelegível pelos próximos seis anos. Ainda assim, o ex-prefeito insiste em ser candidato.

“O Roberto Sobrinho foi julgado por um órgão colegiado em ação de improbidade em que restou reconhecido que ele agiu com dolo, causou prejuízo ao erário e teve enriquecimento ilícito. Ou seja, ele está enquadrado da Lei Ficha Limpa e, portanto, inelegível. A lei é clara. Acho pouco provável que ele possa reverter a situação”, afirmou ao site de VEJA o desembargador Gilberto Barbosa, relator do caso.

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A Procuradoria Eleitoral já pediu a impugnação da candidatura de Sobrinho. “Alguns políticos pensam que são superiores à ordem jurídica”, afirmou o promotor eleitoral Héverton Aguiar. “Se o Roberto Sobrinho for eleito, ele vai ter de ficar entrando com ações judiciais para se manter no cargo por todo o mandato, além de enfrentar as inúmeras ações em andamento”, continuou.

Apesar dos problemas na Justiça, o ex-prefeito mantém a popularidade em alta principalmente nos rincões da capital onde, durante o mandato, investiu em asfaltamento e na construção de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Pesquisas internas feitas por diversos partidos, inclusive adversários, colocam o petista no topo da disputa pela prefeitura.

No páreo com o petista, conforme as sondagens, está Léo Moraes, jovem deputado estadual que tenta ser um contraponto ao histórico nebuloso da política de Rondônia e tem a ética e a moralidade como uma de suas principais bandeiras. Pesquisas colocam o candidato do PTB como um forte nome para ir ao segundo turno contra Sobrinho. Apesar de não ter problemas judiciais, o petebista é filho do ex-deputado estadual e ex-Secretário de Segurança Paulo Moraes, que foi condenado a ficar inelegível por três anos sob a acusação de abuso de autoridade em prol da candidatura de sua esposa, Sandra Moraes, para a cadeira de vereadora. O episódio deve ser relembrado ao longo da campanha.

Adversários – Em busca da reeleição, o prefeito Mauro Nazif (PSB) também pode ter problemas judiciais pela frente. O Ministério Público estadual apresentou denúncia contra o candidato e o irmão dele, Gilson Nazif, por suspeita de compra de votos na eleição de 2012. A Justiça ainda vai decidir se acolhe ou não o pedido do MP.

O candidato pelo PMDB, Williames Pimentel, foi preso pela Polícia Federal em 2010 sob a suspeita de desviar recursos da Fundação Nacional da Saúde (Funasa), órgão vinculado ao Ministério da Saúde. Ao contrário do que informava a primeira versão deste texto, a investigação sobre o peemedebista foi encerrada e o nome dele acabou excluído do processo.

Ex-secretário de Saúde, Pimentel, por outro lado, responde a ação ingressada pelo Ministério Público de Rondônia que questiona a contratação, sem licitação, de serviços para a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) do estado. A Justiça arquivou o caso em primeira instância. Houve recurso do MP e a investigação segue inconclusa.

 

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