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Times históricos: São Paulo de 1998

O time que teve o retorno de Raí, mas terminou o ano com um grande time perdido

Foi o ano da volta de Raí. E foi mágico para o Tricolor. Apesar de alguns tropeços naquele ano, o time voltou a conquistar um título, com o goleiro Rogério Ceni, arqueiro-artilheiro, conquistando seu primeiro título como titular do clube.

Rogério Ceni marcou três gols pelo São Paulo em 1998 – ALEXANDRE BATTIBUGLI

Contudo, além do goleiro, aquele time, dirigido por Darío Pereyra no começo do ano tinha um elenco formidável. Na lateral direito, Zé Carlos, que imitava um Galo como ninguém, começou tão bem o ano que chegou a ser convocado para a Copa do Mundo e, inclusive, jogou a semifinal do Mundial contra a Holanda. Em sua posição, havia também um jovem Belletti, que também jogava como volante e aos 22 anos estava em seu terceiro ano no Tricolor. No milo da zaga, o tetracampeão do mundo Márcio Santos era o destaque, mas o time ainda tinha Bordon, que depois brilharia na Alemanha. Além deles, outro jogador de muito destaque na defesa, que seria pentacampeão do mundo, era Edmílson, que ainda tinha técnica para sair jogando como volante.

Na esquerda, dois craques de bola. Fábio Aurélio seria titular em qualquer lugar, mas não naquele ano. Revelação do clube, o lateral ainda era muito jovem. Naquele ano, Serginho era disparado um dos melhores jogadores do futebol brasileiro, indo muito bem na esquerda antes de sair, no ano seguinte, para o Milan, onde ficaria até o fim de sua carreira.

Serginho foi lateral esquerdo de destaque no São Paulo do 1° semestre – ALEXANDRE BATTIBUGLI

Entre os volantes, um brigador, como Alexandre Pitbull, um clássico, Capitão, ex-Portuguesa, e um habilidoso, especialmente nas bolas paradas, Gallo. Mais à frente, Fabiano e Carlos Miguel era jogadores de destaque, de grande técnica. Contudo, há um ano no clube, Marcelinho Paraíba começava a se tornar ídolo naquele ano. O time ainda tinha o habilidoso Souza, ex-Corinthians, e um jovem meia mais ofensivo, de muita técnica, que se tornaria o maior negócio do futebol brasileiro por ano: Denílson. O jogador deixaria o Tricolor logo após o título paulista.

Alexandre Pittbull tinha a pegada no meio de campo do São Paulo – ALEXANDRE BATTIBUGLI

Contudo, para aquela final de Paulista, um craque e já muito ídolo do Tricolor estava de volta. Tratava-se de Raí, grande ídolo da equipe que viria para ser campeão e depois liderar o time pelo resto daquele ano.

Já no ataque, um trio de fazer inveja a qualquer time no Brasil e até do mundo. Dodô, artilheiro dos gols bonitos, no São Paulo desde 1995, vivia seu melhor ano no clube. Já França, na equipe desde 1996, seguia mostrando sua qualidade artilheira, com muito brilho. Por fim, o time ainda tinha Aristizábal, extremamente habilidoso atacante revelado no Atlético Nacional, que jogaria no estadual sua última competição pelo time, antes de ir ao Santos.

E o Tricolor, naquele ano, começou sendo treinado por Darío Pereyra. E o primeiro torneio do clube foi o Rio-São Paulo. E o São Paulo começou mal. Empatou com o Flamengo fora por 2 x 2 e venceu o Fluminense em casa por 2 x 1. Até aí tudo bem, mas dois empates em 1 x 1, com Santos (fora) e Flamengo (casa) deixaram o treinador uruguaio ameaçado. No 25 de janeiro, o time ainda fez um amistoso para comemorar o aniversário de sua refundação e o aniversário da cidade, contra um combinado Santos/Flamengo, empatando em 1 x 1, com um gol de Rogério Ceni.

No dia 11 de fevereiro, contra o Fluminense, o São Paulo perdeu por 1 x 2 (gol de Dodô) e demitiu seu treinador Darío Pereyra, trazendo Nelsinho Baptista para o restante da temporada. Com o empate em 1 x 1 com o Santos em Prudente, o Tricolor se classificou em segundo da chave, com sete pontos, um a mais que o Fluminense. Na semifinal, enfrentaria o primeiro colocado da outra chave, o Palmeiras. No jogo de ida, no Pacaembu, com mando do São Paulo, derrota por 1 x 2, com gol de Dodô. Já na volta, com mando do Palmeiras, em Campinas, vitória por 1 x 0, com gol de Dodô, e triunfo nos pênaltis por 3 x 2. A decisão seria contra o Botafogo. No primeiro jogo, no Morumbi, mesmo com os gols de Dodô e França, o São Paulo perdeu por 2 x 3. Na na decisão, no Maracanã, o empate por 2 x 2 deu a taça ao Fogão. Adriano e Dodô marcaram pelo São Paulo.

Restavam nesse semestre a Copa do Brasil e o Paulista. No primeiro torneio, Darío Pereyra já havia passado pelo Sampaio Corrêa na primeira fase. Após 0 x 0 em São Luís, o Tricolor fez 4 x 0 em casa, com gols de Carlos Miguel, Dodô, Marcelinho Paraíba e Adriano.

Capitão levanta a taça do título estadual do Tricolor – ALEXANDRE BATTIBUGLI

Nas oitavas, contra o Grêmio, o São Paulo venceu no Morumbi por 2 x 0, com gols de Carlos Miguel e França. Já no Olímpico, casa do atual campeão do torneio, o Tricolor fez novo 2 x 0, com gols de Alexandre e Dodô.

Nas quartas, o rival seria o Vasco, mas um tropeço em casa atrapalhou tudo. No Morumbi, o Vasco vencia por 1 x 0, mas Gallo empatou antes do fim, resultado em 1 x 1. A volta, em São Januário, foi um grande jogo. Raí, já de volta, abriu o placar com um minuto de jogo. Luizão e Pedrinho viraram para o Vasco, mas Bordon empatou para o Tricolor. Ainda no primeiro tempo, Donizete fez 4 x 2 para o Vasco, que sofreria novo gol de Raí na segunda etapa.

Já no Paulista, o Tricolor estreava na segunda fase e fez uma campanha incrível. O time caiu no grupo 2, com Portuguesa, Santos, Matonense, Rio Branco e São José. E contra esses rivais, em dez jogos, foram oito vitórias, um empate e uma derrota, com 31 gols pró (melhor ataque disparado) e dez derrotas (melhor defesa na fase).

A estreia da fase foi contra o Santos, na Vila Belmiro, com vitória por 3 x 2, gols de Carlos Miguel, Fabiano e Denílson. Em casa, contra o Rio Branco, goleada por 5 x 0. A única derrota nessa fase viria na terceira rodada, em derrota na cidade de Matão, para a Matonense, por 0 x 2. Em casa, contra a Portuguesa, o empate por 0 x 0 foi o último dessa fase. A partir daí, foram seis vitórias seguidas, incluindo um 6 x 1 no São José, com dois de Arsitizábal e um de Rogério Ceni.

Nelsinho Baptista comandou o São Paulo campeão paulista, com Carlos Miguel, Cláudio e Raí – ALEXANDRE BATTIBUGLI

Na semifinal, o rival seria o Palmeiras, segundo na outra chave. O São Paulo, por ter a melhor campanha de todos os semifinalistas, decidiria em casa e com vantagem. Na ida, no Morumbi, com mando do Palmeiras, vitória são-paulina de virada, com gols de Denílson e Dodô, esse aos 45 do segundo tempo. Já no jogo da volta, também no Morumbi, o São Paulo se classificou com vitória por 3 x 1, com dois de França e um de Rogério, contra.

A decisão seria contra o grande rival, Corinthians. No Morumbi, mas com mando corintiano, o Timão fez 2 x 1 no rival, que marcou com Fabiano. Para o jogo da volta, muita polêmica. Raí fora contratado, mas poderia jogar? Acabou jogando, e abriu o placar com 30 do primeiro tempo. Didi empatou para o Corinthians, mas o São Paulo marcou outros dois, com França, tornando-se campeão paulista.

Raí voltou bem para a partida decisiva contra o Corinthians e foi importante para a conquista – ALEXANDRE BATTIBUGLI

Restavam as disputas da Copa Mercosul, que surgia naquele ano, e do Campeonato Brasileiro.  No torneio sul-americano, o Tricolor fez campanha ruim e caiu na primeira fase em um grupo com Colo-Colo-CHI, San Lorenzo-ARG e Cruzeiro. Em casa, venceu o Colo-Colo (1 x 0), San Lorenzo (2 x 1) e empatou com o Cruzeiro (1 x 1). Já fora, perdeu todas: 1 x 5 para o Cruzeiro, 1 x 2 para o Colo-Colo e 2 x 3 para o San Lorenzo. Nesse jogo contra o San Lorenzo, o Tricolor tinha chances de classificação, mas acabou ficando de fora, pois precisava vencer. Nos últimos dois jogos, o treinador já era Mário Sérgio.

Capitão marca Beto, do Flamengo, em jogo pelo Brasileiro de 1998 – ALEXANDRE BATTIBUGLI

Nelsinho Baptista caiu após goleada sofrida contra a Portuguesa no Campeonato Brasileiro. O time estreou com derrota para o Palmeiras por 1 x 2, venceu Guarani e Internacional, mas depois emendou cinco derrotas, para Cruzeiro, Botafogo, Sport e Santos. Aplicou 6 x 1 no América-RN, com três de Dodô, empatou com a Ponte Preta fora e perdeu para o Atlético-MG, também fora. Venceu o Bragantino fora (2 x 1) e empatou com o Vasco em casa (1 x 1). Contudo, no dia 20 de setembro, no Pacaembu, com mando do São Paulo, o time passou vergonha contra a Portuguesa. A Lusa abriu 6 x 0. Serginho e Marcelinho Paraíba descontaram para o Tricolor, mas Da Silva, aos 45 do segundo tempo, fez o sétimo no goleiro Roger, que substituía Rogério Ceni naquele dia. Ricardo Lopes, inclusive, marcou um gol do meio de campo no goleiro são-paulino.

Na vitória de 3 x 1 sobre o América-MG, fora de casa, e no empate com o Flamengo, sem gols, no Morumbi, o time foi treinado pelo interino Pita. Nas rodadas finais, Mário Sérgio foi contratado, mas o Tricolor fez campanha péssima. Perdeu para o Vitória, venceu Paraná e Goiás, e, em seguida, perdeu quatro seguidas para Coritiba, Grêmio, Corinthians e Juventude. Na rodada final, no Morumbi, venceu o Atlético-PR por 2 x 0, com gols de Dodô e França, despedindo-se do ano de forma melancólica, escapando de vez do rebaixamento. O time chegou na última rodada a três pontos e duas posições da zona de rebaixamento.

São Paulo na finalíssima contra o Corinthians no Paulista – ALEXANDRE BATTIBUGLI

Naquele Brasileiro, foram oito vitórias, três empates e 12 derrotas, com 34 gols pró e 35 contra, na 15ª colocação geral, não chegando aos playoffs, a apenas quatro pontos da zona de rebaixamento.

Naquele ano, contando o amistoso, foram 60 jogos, com 26 vitórias, 13 empates e 21 derrotas, com 109 gols pró e 83 gols contra. Dodô e França, com 23 gols cada, foram os artilheiros do time. 

SÃO PAULO CAMPEÃO PAULISTA DE 1998 – Dodô, Zé Carlos, Aristizábal, Gallo, Rogério Ceni, Márcio Santos, Raí, Roger e Bordon; Marcelinho Paraíba, Alexandre, Denílson, França, Fabiano, Carlos Miguel, Serginho, Cláudio e Capitão – Revista Placar