Infantino sob fogo cruzado após fracasso de projeto comercial na Fifa
Após recuar de projeto bilionário com investidores privados, presidente enfrenta pressão de Concacaf, Alemanha e Inglaterra por mais transparência
Gianni Infantino enfrenta a maior pressão institucional de sua gestão à frente da Fifa. Neste sábado, 1º, a Concacaf e a Federação Alemã de Futebol (DFB) uniram-se a outras entidades continentais para exigir explicações sobre a elaboração do plano que permitiria a entrada de investidores privados na Copa do Mundo — projeto que a própria Fifa acabou por abandonar após a forte reação contrária de federações ao redor do mundo.
A proposta, revelada na última terça-feira, previa a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária avaliada em 20 bilhões de dólares que separaria as operações comerciais da entidade, com cerca de 20% de participação destinada a investidores privados dispostos a aportar até 4,2 bilhões de dólares no negócio. A nova empresa passaria a administrar torneios como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes, em um modelo que Infantino apresentou como forma de ampliar o financiamento ao desenvolvimento do futebol mundial. Entre os potenciais investidores estaria a Thrive Eternal, companhia ligada a Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente americano Donald Trump.
O plano, no entanto, esbarrou na resistência da Uefa, que chegou a ameaçar boicote às competições da Fifa, e de outras confederações, levando Infantino a recuar neste sábado. Em comunicado, o dirigente afirmou que a intenção sempre foi “unir e melhorar” o futebol e que, diante da divisão gerada, “essa proposta não seguirá adiante”.
O recuo, porém, não encerrou a crise. Em nota, a Concacaf classificou a condução do processo como “um ato unilateral e flagrante de má governança e liderança”, que se soma a “um padrão de erros e comportamentos semelhantes”. Para a confederação que reúne América do Norte e Central, “uma ampla prestação de contas desta presidência é indispensável” — uma cobrança direta pela revisão do estilo de gestão de Infantino à frente da entidade.
Na Alemanha, a DFB seguiu na mesma linha. A federação, que já havia se posicionado ao lado da Uefa contra a proposta e chegou a defender um boicote às competições da Fifa, pediu neste sábado uma “investigação completa” sobre como o plano de investimento privado foi elaborado, além de uma “mudança cultural fundamental” na entidade. O presidente da DFB, Bernd Neuendorf, foi incisivo ao criticar a falta de transparência do processo, afirmando à agência SID, filiada à AFP, que o presidente da Fifa agiu “de forma unilateral” e “irresponsável” em relação aos interesses do futebol. Neuendorf defendeu que decisões futuras voltem a ser debatidas pelos órgãos de governança da entidade, e não impostas de cima para baixo.
A federação alemã não está sozinha nessa cobrança: a Federação Inglesa (FA) também se manifestou nas redes sociais, pedindo uma “revisão completa e rigorosa da liderança da Fifa” para garantir transparência na gestão do futebol mundial. A Conmebol, por sua vez, chegou a convocar uma reunião extraordinária de seu conselho para avaliar o projeto antes do recuo de Infantino.
Com o episódio, cresce entre as confederações a pressão por mecanismos mais rígidos de fiscalização sobre as decisões do presidente da Fifa, num momento em que a entidade se prepara para a Copa do Mundo de 2026, sediada nos Estados Unidos, México e Canadá.
(Com AFP)







