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Volta do jogo bonito vale ouro

Mais do que o título inédito, o futebol ofensivo, com DNA brasileiro, fez a torcida voltar a se orgulhar da seleção. Uma ótima herança para Tite

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 20 ago 2016, 21h04 - Publicado em 20 ago 2016, 21h03

A medalha de ouro olímpica conquistada com drama e emoção neste sábado no Maracanã era quase uma obsessão para os brasileiros. Muito mais por ser o único título que faltava à seleção e por causa do histórico recente de decepções do que propriamente pelo valor da Olimpíada para a modalidade. Agora que os traumas foram expurgados – e, melhor ainda, contra a Alemanha –, é possível que o Brasil praticamente ignore o futebol a partir dos Jogos de Tóquio-2020. No entanto, mais importante do que a inédita a medalha foi a forma ofensiva como a seleção atuou na Rio-2016. Mesmo que tivesse perdido para a Alemanha, a filosofia de jogo definida pelo técnico Rogério Micale devolveu ao torcedor a alegria de torcer com a camisa amarela. E representa uma herança importante para Tite, que guiará o Brasil à Copa do Mundo da Rússia em 2018.

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Treinador com experiência na base e pouco conhecido antes da Rio-2016, o baiano Micale teve pouco mais de um ano de trabalho na CBF, mas já conseguiu impor sua mentalidade. Gosta de jogadores velozes, com bom passe e consciência tática. Defende a movimentação constante dos atletas de frente – a qual chama de “caos” – e acredita que zagueiros e até o goleiro são responsáveis pela criação das jogadas. Sua vocação ofensiva ficou evidenciada a partir da terceira partida (justamente o momento de virada do time), quando Luan se juntou a Neymar, Gabriel Jesus e Gabriel Barbosa, e o time foi montado com quatro atacantes de origem. Além de dois laterais que apoiam (Zeca e Douglas Santos), dois volantes técnicos (Walace e Renato Augusto). E tudo isso sem levar gols. Os mais céticos dirão que a escalação só foi possível por se tratar de uma Olimpíada, de nível bastante inferior. Há, no entanto, a esperança de que sirva de guia para Tite, que acompanhou as partidas in loco e chegou a auxiliar Micale na Granja Comary.

O chamado “jogo bonito”, expressão que se popularizou no mundo todo graças ao talento dos jogadores brasileiros, não se via há muito tempo. A última seleção que efetivamente encantou o mundo com dribles, gols e fantasia foi enterrada com o fracasso na Copa do Mundo de 2006. Neste caso, o “caos” protagonizado por Adriano, Ronaldo, Ronaldinho e cia era outro, e o Brasil errou ao colocar a qualidade técnica e a falta de profissionalismo no mesmo balaio. Durante as duas eras Dunga (2006 a 2010 e 2014 a 2016) e a segunda passagem de Luiz Felipe Scolari (2012 a 2014), o jogo da seleção era baseado em comprometimento, afinidade entre comissão e os atletas, força física e, sobretudo, no resultado. Vencer era o único que importava. E foi assim que perdemos tudo.

O último treinador a tentar dar um padrão de jogo definido ao time foi Mano Menezes, que também cometeu erros, mas foi demitido quando seu trabalho dava os primeiros sinais de desenvolvimento. Quando Mano foi demitido? Pouco após o fracasso na Olimpíada de Londres, na qual o time – que contava Oscar, Paulo Henrique Ganso, Alexandre Pato, Leandro Damião e outros talentosos atletas que jamais se confirmaram craques – decepcionou na decisão contra o México. É preciso também evitar outro erro: a Olimpíada não pode ser ilusória, como as conquistas da Copa das Confederações de 2009 e 2013. A vitória deste sábado no Maracanã é apenas o primeiro passo e nada significará caso a estrutura do futebol continue a mesma. O “jogo bonito” depende também da capacidade (e honestidade) dos cartolas brasileiros.

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