Ciência
Especial 3D
O império do 3D
Avatar foi só o começo. Os cinemas estão cheios de filmes em três dimensões, TVs já exibem programas usando a tecnologia, e a maior fabricante de videogames do planeta prepara seu aparelho 3D
O diretor James Cameron durante discurso pronunciado em Seul, capital da Coreia do Sul, em maio deste ano. "Os filmes 3D vão suplantar os filmes 2D em poucos anos", disse. (AFP)
Foram precisos 12 anos, US$ 237 milhões e um diretor premiado com o Oscar para fazer o cinema em três dimensões deixar o gueto nerd e se tornar um fenômeno de massa. Desde que estreou, no final de dezembro do ano passado, Avatar quebrou recordes de público e de bilheteria, arrecadando quase US$ 3 bilhões. E, ao se tornar a maior bilheteria da história do cinema, o filme do diretor James Cameron deu início a uma corrida que deve terminar na sala da sua casa, onde televisores e videogames com tecnologia 3D substituirão em breve os aparelhos tradicionais.
Nos cinemas, filmes 3D são cada vez mais numerosos. Em 2009, 13 longa-metragens foram lançados com essa tecnologia, incluindo Avatar. Até o final de 2010, serão 25, quase o dobro. E, ano que vem, espera-se que o total de filmes seja ainda maior, somando 31. Não é difícil prever que o público afeito ao 3D vai querer a mesma experiência em casa, na forma de televisores equipados com a tecnologia.
Aparelhos com óculos especiais existem desde 1989 — os primeiros foram fabricados pela empresa americana 3DTV Corp — mas só agora as gigantes do ramo, como a Sony, LG e Samsung, estão investindo em modelos capazes de reproduzir o conteúdo tridimensional. Alguns até realizam a façanha de converter imagens convencionais para 3D.
O problema inicial é que, por enquanto, as TVs são caras, com preços que variam entre R$ 6.000 e R$ 15.000, além de precisarem de óculos especiais para que o efeito 3D seja percebido. No Brasil, muitos dos primeiros clientes só tiveram acesso aos primeiros televisores vendidos no país no mês passado. “Se até a copa de 2014 o televisor 3D virar um padrão, ele irá custar o mesmo que os LCDs de hoje”, afirma o economista Alberto Serrentino, sócio sênior da GS&MD - Gouvêa de Souza, empresa de consultoria de consumo. “Mas para isso deverá existir uma quantidade de conteúdo televisivo suficiente para justificar a compra”.
Por enquanto, a Rede TV é a única emissora brasileira transmitindo algum conteúdo 3D na TV aberta. As transmissões começaram no dia 23 de maio, com o programa Pânico na TV. Entre as operadoras de canais por assinatura, a NET fez a primeira transmissão 3D mostrando o carnaval deste ano em parceria com a TV Globo. No momento, a maioria das emissoras está se concentrando em exibir a programação em alta definição completa (Full HD), para depois investir na tecnologia 3D. A Copa do Mundo da África do Sul serviu, porém, de laboratório para iniciativas do gênero. A TV Globo exibiu algumas partidas do Brasil em cinemas da rede Cinemark, em caráter de teste, utilizando a tecnologia tridimensional. Apesar disso, a emissora não possui planos definidos no momento para o 3D.
Olhando para o futuro, mais precisamente para 2014, pesquisadores de São Paulo e Minas Gerais deverão transmitir jogos da Copa do Mundo que será realizada no Brasil para cinemas do mundo todo utilizando uma tecnologia de ponta chamada 4K. A técnica utiliza uma resolução quatro vezes maior que o cinema atual. O projeto 2014k mostrou as caras em maio, durante uma partida entre Grêmio e Internacional, pelo final do Campeonato Gaúcho. As imagens viraram um clipe de 10 minutos exibido utilizando uma técnica 100% brasileira em Joanesburgo, durante a copa da África do Sul.
Videogames - O mundo dos videogames ainda está à espera de seu Avatar, o jogo que vai popularizar a tecnologia. Mas, desde abril, o Sony PlayStation 3, possui quatro jogos que utilizam a tecnologia 3D.
O principal candidato a Avatar dos games não é um jogo, e sim um videogame portátil. A maior fabricantes de videogame do mundo, a japonesa Nintendo — depois de ter lançado o Virtual Boy, em 1995, primeiro videogame do mundo capaz de promover a sensação 3D — vai lançar em março de 2011 a versão 3D do videogame portátil mais vendido na história da humanidade: o Nintendo 3DS.
A empresa tenta fazer as pazes com a tecnologia depois do fracasso que foi o Virtual Boy, colocado à venda há 15 anos e retirado do mercado apenas um ano depois. O produto era tão ruim, que a própria Nintendo recomendava que não se jogasse mais do que 30 minutos por vez, dando descanso aos olhos. O videogame consistia em capacete que, acoplado à cabeça, exibia uma imagem monocromática vermelha.
Desta vez, a Nintendo deixou o capacete de lado. O 3DS usurá uma tecnologia chamada barreira de paralaxe, que dispensa o uso de óculos. E nada de imagens monocromáticas, todos os jogos serão coloridos. Se fizer tanto sucesso quanto o Nintendo DS, que já vendeu 129 milhões de unidades desde o seu lançamento, em 2004, será o fim dos jogos em apenas duas dimensões.




Conferência sobre Mudança Climática em Bonn termina sem avanços
No Rio, exposição 'Oceanos' traz imagens inéditas do fundo do mar
Humanidade precisará de "três planetas" em 2050
Começa conferência sobre mudanças climáticas em Bonn

Comentários
George Max
O era do 3D tem muito a evoluir e avançar!!!!
25.07.2010
Lee de Abreu
Por enquanto, o melhor é ter dois pés no chão e dois olhos na tela. Como são poucos os filmes em 3D, ao final de um ano não fica tão caro deliciar os sentidos. Mas há também o IMax, disponível apenas em São Paulo e Curitiba. Eu diria que o 3D trabalha da tela para dentro e o IMax vai até pertinho dos olhos do espectador. Gra(..)
24.07.2010
| Ler Mais
Gwerson Antonio
Interessante,embora não consegui presenciar.
24.07.2010
José Raphael Daher
Em 2004 será o fim dos jogos? Não seria 2010, 2011 ou 2014?
24.07.2010
Adelino da Silva Filho
Demorou, mas ja esta ai na atualidade, parabens pela reportagem
24.07.2010