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Penitenciária de Pedrinhas

15/02/2014

às 19:00 \ Política & Cia

J.R. Guzzo: Outras perguntas dirigidas às autoridades federais. Por exemplo: por que o governo só olha — sem fazer nada — o estelionato cometido com o dinheiro do Fundo de Garantia?

"O governo não reconhece a existência no Brasil de cidadãos capazes de ter dúvidas — brasileiros que terminaram o ensino básico, pensam com a própria cabeça e podem, eventualmente, não entender direito que diabo está acontecendo com seu país" (Foto: Getty)

“Encaminhamos às autoridades federais, novamente, algumas perguntas, mesmo sabendo que, como sempre, não haverá nenhuma resposta, uma vez que o governo não reconhece a existência no Brasil de brasileiros que terminaram o ensino básico, pensam com a própria cabeça e podem, eventualmente, não entender direito que diabo está acontecendo com seu país” (Foto: Getty)

Artigo publicado em edição impressa de VEJA

OUTRAS PERGUNTAS

J. R. GuzzoEncaminhamos à apreciação das autoridades federais, novamente, algumas perguntas sobre questões de possível interesse para o leitor.

Como costuma acontecer, não virá nenhuma resposta, mas é dever desta revista fazer o que pode, mesmo sabendo que o governo não reconhece a existência no Brasil de cidadãos capazes de ter dúvidas — brasileiros que terminaram o ensino básico, pensam com a própria cabeça e podem, eventualmente, não entender direito que diabo está acontecendo com seu país. 

1. Por que o governo continua a olhar sem fazer nada, como se o fato estivesse acontecendo na Transilvânia, o estelionato praticado sistematicamente contra o trabalhador brasileiro pelas altas autoridades que decidem qual é o saldo que ele tem, ao fim de cada mês, no Fundo de Garantia? 

Ao longo dos últimos quinze anos, cerca de 20% do dinheiro que os trabalhadores têm no FGTS sumiu, mastigado por cálculos de reajuste que sempre ficam abaixo da inflação. O Partido dos Trabalhadores, a esse respeito, já teve onze anos inteiros para fazer alguma coisa a favor dos trabalhadores.

Não fez. Por quê?

2. Os jornalistas Gustavo Patu e Mario Kanno, do blog Dinheiro Público & Cia, tiveram a paciência de ler do começo ao fim a ata que o Banco Central soltou depois de sua última reunião, no fim de janeiro.

Chegaram a uma conclusão assombrosa: os dirigentes do BC precisaram escrever nada menos de 74 parágrafos para explicar por que subiram a taxa de juro em 0,5 ponto percentual.

Embora o idioma oficial do Brasil seja o português, a maior parte do texto era ocupada por frases como a seguinte: “O Copom entende ser apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso”.

Ou: “Não obstante a concessão neste ano de reajuste para o salário mínimo não tão expressivo quanto em anos anteriores, bem como a ocorrência nos últimos trimestres de variações de salários mais condizentes com as estimativas de ganhos de produtividade do trabalho, o Comitê avalia que a dinâmica salarial permanece originando pressões inflacionárias de custos”.

Se era para ninguém entender nada, por que escrever tanto?

3. Haveria alguma explicação lógica para a presidente da República anunciar a “construção de 6 mil” creches e, ao fim do prazo fixado para isso, entregar só mil?

Ou, pior ainda, por que Dilma prometeu um ano atrás construir “mais de 880 aeroportos regionais”, como lembrou há pouco o colunista Lauro Jardim, de VEJA, e conseguiu a proeza de não entregar nenhum — um só que fosse?

Como se pode explicar, mesmo para uma classe do 1º ginasial, que um governo com um mínimo de amor-próprio cometa erros tão grosseiros assim?

Dilma também prometeu ferrovias que não vai entregar, e águas que não vai transpor, nem do São Francisco nem de lugar nenhum.

“Falta de dinheiro” é a resposta comum em todos esses casos.

Mas então por que, se o dinheiro está tão escasso, o governo paga 54000 reais por mês de aluguel para dar um teto ao seu diplomata-mor em Nova York?

4. O Brasil, como já se estima há bom tempo, deve ter uma safra recorde de 90 milhões de toneladas de soja em 2014.

Também já se sabe que mais de 20% desse total será simplesmente jogado no lixo, porque os portos brasileiros não têm condições de escoar uma produção de tamanho volume.

Por que, sabendo perfeitamente disso tudo, o governo aplicou miseráveis 15 milhões de dólares em seus portos em todo o ano de 2013 — contra, por exemplo, 1,4 bilhão de reais gastos para construir o Estádio Mané Garrincha, em Brasília?

Pior: por que Dilma deu de presente a Cuba um porto novo em folha, no valor de 1 bilhão de dólares, enquanto nossa soja ficará apodrecendo no pé?

5. Sabe-se que o bacharel José Eduardo Cardozo é ministro da Justiça, mas de que país?

Recentemente, comentando os horrores sem paralelo ocorridos na penitenciária de Pedrinhas, no Maranhão, ele disse o seguinte: “O sistema carcerário no Brasil é medieval”.

E quem é o responsável por isso? O governo brasileiro, claro, e especialmente a área dirigida por ele próprio, Cardozo. Não dá para dizer que a calamidade — o Brasil tem no momento 550 000 presos para 350 000 vagas na cadeia — seja obra das elites de direita: o PT já está há onze anos no governo, e isso é tempo mais do que suficiente para melhorar alguma coisa, por menor que seja, em qualquer situação de catástrofe.

De lá para cá, o ministro não mexeu um palito para eliminar o inferno de Pedrinhas; fez questão, porém, de levar a “solidariedade” do Palácio do Planalto à governadora Roseana Sarney, a quem cabe cuidar do presídio.

Por quê?

22/01/2014

às 16:53 \ Política & Cia

ENQUANTO ISSO, NO BRASIL-MARAVILHA…

"A Nau dos Insensatos" (Xilogravura de Sebastian Brandt, 1549)

“A Nau dos Insensatos” (Xilogravura de Sebastian Brandt, 1549)

Títulos de primeira página de jornais e sites de notícias de ontem, terça, 21, e de hoje, quarta, 22:

Criação de emprego em 2013 é a menor em 10 anos

 Déficit da Previdência sobre e vai a R$ 50 bilhões em 2013

Internet móvel pode falhar na Copa

A barbárie continua: outro preso é morto em Pedrinhas, São Luís

Com obras atrasadas, Curitiba pode ficar fora da Copa

Brasil: ONG aponta tortura e caos em presídios

Detento paga propina a diretor de cadeia com cartão de crédito

​61 milhões [de brasileiros] estão fora da força de trabalho

Arrecadação de impostos atinge R$ 1,1 tri em 2013 e bate recorde​

​Planalto e PT agem para evitar onda de violência na Copa e dano eleitoral​

Jovem morre ​afogado durante alagamento no DF

Passageiros indignados em dias de caos nos trens do Rio​

Em Davos, Dilma tentará melhorar expectativa em relação ao Brasil

Futuro ministro da Saúde é investigado em SP por improbidade

​Por 3,5 milhões de reais, versão blindada do Audi A-8 suporta até granada

13/01/2014

às 9:00 \ Política & Cia

Comissão de Direitos Humanos do Senado vai hoje ao Maranhão e sua presidente fala até em possibilidade de intervenção federal

 

Senadora Ana Rita:

Ana Rita: horrorizada com as cenas que viu da Penitenciária de Pedrinhas, no Maranhão, considera a situação no Estado “muito grave”  (Foto: Pedro França / Agência Senado)

Da Agência Senado

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) fará uma diligência em São Luís do Maranhão nesta segunda-feira, 13.

O objetivo é ver de perto a situação do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, onde foram assassinados cerca de 60 detentos em 2013.

Segundo a presidente da comissão, senadora Ana Rita (PT-ES), a visita também servirá para que a CDH se posicione sobre a possibilidade de uma intervenção federal no Estado.

Em entrevista à Agência Senado, Ana Rita disse que a comissão está acompanhando as notícias pela imprensa e que considera a situação “muito grave”.

A senadora afirmou que assistiu a um vídeo divulgado na internet em que detentos, comemorando, mostram corpos de colegas decapitados no presídio em dezembro passado e se disse horrorizada. Segundo a senadora, a sociedade está com dificuldades de ter acesso ao presídio e os parentes de detentos estão preocupados.

De acordo com a senadora, por enquanto, estão confirmados na diligência os senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e João Capiberibe (PSB-AP), vice-presidente da CDH. Ela está convidando outros membros da comissão para a viagem.

Ana Rita adiantou alguns compromissos da programação da diligência. Pela manhã, haverá uma reunião com a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos e uma visita ao presídio.

À tarde, a comissão deve se reunir com as autoridades locais da administração penitenciária, do Tribunal de Justiça, da Defensoria Pública e outros.

- É um primeiro passo para dialogar com a sociedade e definir os próximos encaminhamentos – disse Ana Rita.

A CDH deverá encaminhar pedidos de informação aos órgãos governamentais e vai tratar do assunto no dia 5 de fevereiro, em sua primeira reunião do ano.

09/01/2014

às 17:13 \ Política & Cia

MARANHÃO: Catástrofe na segurança pública piora chances de Roseana eleger sucessor

roseana-pedrinhas copy

Roseana: chances de fazer o sucessor diminuem diante da catástrofe na segurança pública no Maranhão, em especial a situação na Penitenciária de Pedrinhas (na foto à direita, parentes, desesperados, querem notícias de detentos (Fotos: Marcelo Camargo/Folha Imagem e Honório Moreira/OIMP/D.A Press)

Além do horror que provocam perante o país, os acontecimentos na Penitenciária de Pedrinhas e outros flagrantes da catastrófica situação da segurança pública no Maranhão fazem minguar as chances de a governadora Rosena Sarney (PMDB) — que ocupa o cargo pela quarta vez — fazer como sucessor o candidato oficial, o secretário estadual de Infraestrutura, Luís Fernando Silva.

Roseana fechou acordo com o PT no final do ano passado para que o lulopetismo não tenha candidato próprio e apoie Silva, que tem como principal rival Flávio Dino, o presidente da Embratur e ex-deputado federal pelo PCdoB, partido aliado histórico dos petistas.

Flávio Dino, presidente da Embratur e candidato a governador do Maranhão pelo PCdoB, ofereceu palanque a Aécio e Eduardo Campos -- e não fará campanha para Dilma no Estado devido à aliança da presidente com o clã Sarney (Fotos: Ag. Câmara :: Ag. Estado :: Fernando Conrado)

Flávio Dino, presidente da Embratur e candidato a governador do Maranhão pelo PCdoB, ofereceu palanque a Aécio e Eduardo Campos — e não fará campanha para Dilma no Estado devido à aliança da presidente com o clã Sarney (Fotos: Ag. Câmara :: Ag. Estado :: Fernando Conrado)

Dino por enquanto lidera com folga as pesquisas de intenção de voto. E, em manobra ousada e surpreendente para quem integra um partido da base aliada do governo e ocupa um cargo de confiança da presidente Dilma Rousseff, mesmo antes do acordo PMDB-PT, ele já havia procurado o presidenciável do partido arquiadversário do PT — o senador Aécio Neves, do PSDB — para oferecer-lhe o palanque no Maranhão.

Disse a Aécio que, devido ao apoio da presidente Dilma ao clã Sarney, ao qual se opôs durante toda sua carreira política, ele não fará campanha pela presidente no Estado.

A mesma oferta chegou depois ao presidenciável do PSB, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

 

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