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Partido Comunista Brasileiro

24/11/2014

às 20:00 \ Política & Cia

Ferreira Gullar, grande poeta e crítico, ex-militante do Partido Comunista: “Não tenho dúvida nenhuma de que o socialismo acabou, só alguns malucos insistem no contrário”

Ferreira Gullar: "O empresário é um intelectual que, em vez de escrever poesias, monta empresas" (Foto: Ernani D'Almeida)

Ferreira Gullar: “O empresário é um intelectual que, em vez de escrever poesias, monta empresas” (Foto: Ernani D’Almeida)

Post publicado originalmente a 27 de setembro de 2012

Entrevista a Pedro Dias Leite publicada em edição impressa de VEJA

UMA VISÃO CRÍTICA DAS COISAS

O poeta diz que o socialismo não faz mais sentido, recusa o rótulo de direitista e ataca: “Quando ser de esquerda dava cadeia, ninguém era. Agora que dá prêmio, todo mundo é”

Um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos, Ferreira Gullar, 82 anos, foi militante do Partido Comunista Brasileiro e, exilado pela ditadura militar, viveu na União Soviética, no Chile e na Argentina.

Desiludiu-se do socialismo em todas as suas formas e hoje acha o capitalismo “invencível”.

É autor de versos clássicos — “À vida falta uma parte / — seria o lado de fora — / para que se visse passar / ao mesmo tempo que passa / e no final fosse apenas / um tempo de que se acorda / não um sono sem resposta. / À vida falta uma porta”.

Gullar teve dois filhos afligidos pela esquizofrenia. Um deles morreu. O poeta narra o drama familiar e faz a defesa da internação em hospitais psiquiátricos dos doentes em fase aguda. Sobre seu ofício, diz: “Tem de haver espanto, não se faz poesia a frio”.

 

O senhor já disse que “se bacharelou em subversão” em Moscou e escreveu um poema em que a moça era “quase tão bonita quanto a revolução cubana”. Como se deu sua desilusão com a utopia comunista?

Não houve nenhum fato determinado. Nenhuma decepção específica. Foi uma questão de reflexão, de experiência de vida, de as coisas irem acontecendo, não só comigo, mas no contexto internacional. É fato que as coisas mudaram. O socialismo fracassou. Quando o Muro de Berlim caiu, minha visão já era bastante crítica.

A derrocada do socialismo não se deu ao cabo de alguma grande guerra. O fracasso do sistema foi interno. Voltei a Moscou há alguns anos. O túmulo do Lenin está ali na Praça Vermelha, mas pelo resto da cidade só se veem anúncios da Coca-Cola. Não tenho dúvida nenhuma de que o socialismo acabou, só alguns malucos insistem no contrário. Se o socialismo entrou em colapso quando ainda tinha a União Soviética como segunda força econômica e militar do mundo, não vai ser agora que esse sistema vai vencer.

 

Por que o capitalismo venceu?

O capitalismo do século XIX era realmente uma coisa abominável, com um nível de exploração inaceitável. As pessoas com espírito de solidariedade e com sentimento de justiça se revoltaram contra aquilo. O Manifesto Comunista, de Marx, em 1848, e o movimento que se seguiu tiveram um papel importante para mudar a sociedade.

A luta dos trabalhadores, o movimento sindical, a tomada de consciência dos direitos, tudo isso fez melhorar a relação capital-trabalho. O que está errado é achar, como Marx diz, que quem produza riqueza é o trabalhador e o capitalista só o explora. É bobagem. Sem a empresa, não existe riqueza. Um depende do outro. O empresário é um intelectual que, em vez de escrever poesias, monta empresas. É um criador, um indivíduo que faz coisas novas.

A visão de que só um lado produz riqueza e o outro só explora é radical, sectária, primária. A partir dessa miopia, tudo o mais deu errado para o campo socialista. Mas é um equívoco concluir que a derrocada do socialismo seja a prova de que o capitalismo é inteiramente bom. O capitalismo é a expressão do egoísmo, da voracidade humana, da ganância. O ser humano é isso, com raras exceções.

O capitalismo é forte porque é instintivo. O socialismo foi um sonho maravilhoso, uma realidade inventada que tinha como objetivo criar uma sociedade melhor. O capitalismo não é uma teoria. Ele nasceu da necessidade real da sociedade e dos instintos do ser humano. Por isso ele é invencível.

A força que torna o capitalismo invencível vem dessa origem natural indiscutível. Agora mesmo, enquanto falamos, há milhões de pessoas inventando maneiras novas de ganhar dinheiro. É óbvio que um governo central com seis burocratas dirigindo um país não vai ter a capacidade de ditar rumos a esses milhões de pessoas. Não tem cabimento.

 

O túmulo do Lenin está ali na Praça Vermelha, mas pelo resto da cidade só se veem anúncios da Coca-Cola (Foto: ViagensImagens)

“O túmulo do Lenin está ali na Praça Vermelha, mas pelo resto da cidade só se veem anúncios da Coca-Cola” (Foto: ViagensImagens)

 

O senhor se considera um direitista?

Eu, de direita? Era só o que faltava. A questão é muito clara. Quando ser de esquerda dava cadeia, ninguém era. Agora que dá prêmio, todo mundo é. Pensar isso a meu respeito não é honesto. Porque o que estou dizendo é que o socialismo acabou, estabeleceu ditaduras, não criou democracia em lugar algum e matou gente em quantidade. Isso tudo é verdade. Não estou inventando.

 

E Cuba?

Não posso defender um regime sob o qual eu não gostaria de viver. Não posso admirar um país do qual eu não possa sair na hora que quiser. Não dá para defender um regime em que não se possa publicar um livro sem pedir permissão ao governo. Apesar disso, há uma porção de intelectuais brasileiros que defendem Cuba, mas, obviamente, não querem viver lá de jeito nenhum. É difícil para as pessoas reconhecer que estavam erradas, que passaram a vida toda pregando uma coisa que nunca deu certo. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

18/03/2013

às 20:14 \ Política & Cia

Esse Partido Socialista adora um capitalista…

Um socialismo pra lá de capitalista, com a formação de uma aliança entre Eduardo Campos e José Batista Jr, dono da Friboi (Fotos: Capa da Exame :: Alo'isio Moreira)Um socialismo pra lá de capitalista, com a formação de uma aliança entre Eduardo Campos e José Batista Jr, dono da Friboi (Fotos: Capa da Exame :: Alo'isio Moreira)

O bilionário José Batista Jr., um dos donos do conglomerado JBS-Friboi (cuja ação empresarial lhe valeu reportagem de capa na revista "Exame"l), será candidato a governador de Goiás pelo PSB de Eduardo Campos. Outros grandes empresários flertam com o partido ou já estão nele (Fotos: Capa da Exame :: Alo'isio Moreira)

Parecia piada, em 2010, quando o Partido Socialista Brasileiro registrou como seu candidato a governador de São Paulo o que na França se chamaria “patrão dos patrões” do capitalismo: Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o organismo empresarial mais poderoso do país.

Parecia piada, mas não foi: Skaf fez sua campanha, ficou em quarto lugar e obteve 1,038 milhão de votos (4,56% do total), num pleito vencido no primeiro turno pelo governador Geraldo Alckmin, com 50,63% dos votos (11,5 milhões).

Ainda não se sabe se Skaf voltará a tentar o Palácio dos Bandeirantes no ano que vem, mas, de todo modo, os socialistas de Eduardo Campos estão de namoro firme com capitalistas poderosos: o bilionário José Batista Júnior, um dos donos do grupo JBS-Friboi — a maior empresa em processamento de proteína animal do planeta –, será o candidato do PSB a governador de Goiás; no Mato Grosso do Sul, os socialistas devem apoiar a candidatura do senador Waldemir Moka, do PMDB, grande porta-voz do agronegócio no Congresso; e, no Mato Grosso, estão atraindo para a legenda o senador Blairo Maggi, do PR, ex-governador do Estado e maior produtor de soja do mundo.

No caso de Maggi, não surpreende: este megaempresário se elegeu originalmente pelo PPS, sucessor do Partido Comunista Brasileiro.

02/12/2012

às 19:30 \ Livros & Filmes

A biografia de Carlos Marighella: muito esforço e muitas páginas para um coadjuvante da História

COADJUVANTE VOCACIONAL -- Marighella mostra as pancadas recebidas de policiais em 1964, na redação do Jornal do Brasil (Foto: Ag. JB / Braz)

COADJUVANTE VOCACIONAL -- Na redação do "Jornal do Brasil", no Rio, Marighella mostra as pancadas recebidas de policiais em 1964 (Foto: Agência JB / Braz)

Resenha de Augusto Nunes, publicada em edição impressa de VEJA

 

MUITA AÇÃO, POUCAS IDEIAS

Marighella é quase irretocável como biografia. Mas nem que fosse perfeito o livro poderia elucidar o porquê de dedicar tanto trabalho, e tantas páginas, a esse personagem

Repórter obstinado, pesquisador competente e escritor talentoso, o jornalista Mário Magalhães dedicou-se nos últimos nove anos ao resgate da história de Carlos Marighella (1911-1969), militante comunista na juventude, deputado constituinte com menos de 40 anos e fundador, já cinquentão, da Ação Libertadora Nacional (ALN), a mais conhecida das siglas que afundaram na opção pela luta armada contra a ditadura militar.

Magalhães desmonta versões fantasiosas, corrige equívocos, resgata documentos dados por perdidos, escava episódios desconhecidos – e reconstitui detalhadamente a trajetória do inspirador de Marighella – O Guerrilheiro que Incendiou o Mundo (Companhia das Letras; 732 páginas; 56,50 reais). Ao imprimir ritmo de thriller à narrativa, o autor torna possível completar, sem tantas pausas ofegantes, a extensa travessia do que prefere qualificar de reportagem.

Faltam a devoção a Stalin, o terrorista confesso…

As estantes ganhariam uma biografia exemplar se o biógrafo tivesse tratado Marighella sem tanta brandura. O baiano jovial que fazia versos e gracejava com parceiros de aventuras poderia ter doado alguns dos numerosos parágrafos que ocupa ao devoto de Stalin que celebrava “a beleza que há em matar com naturalidade”.

E a presença do guerrilheiro urbano é tão opressiva que não sobra espaço para a aparição do terrorista confesso. No Minimanual do Guerrilheiro Urbano, publicado em 1969, o biografado reserva um capítulo inteiro ao terrorismo, “uma arma que o revolucionário não pode abandonar”.

Se essa face escura ganhasse a atenção devida, a figura desenhada não pareceria inverossímil.

Ainda assim, seguiria sem resposta a única interrogação de bom tamanho que o autor não conseguiu remover: com tantos protagonistas da história do Brasil à espera de um bom biógrafo, por que consumir tantos anos de investigação e tantas centenas de páginas na exumação de um coadjuvante vocacional?

Coragem de sobra e juízo de menos

O guerrilheiro que incendiou o mundo – um título que nem os admiradores de Che Guevara ousaram reivindicar – só existiu no título do livro. O que emerge da leitura é um homem de ação com coragem de sobra e juízo de menos, e que só desempenhou papel de número 1 na organização clandestina que, de 1967 a 1969, comandou com uma arma na mão e nenhuma ideia sensata na cabeça.

O Marighella militante e depois dirigente do Partido Comunista Brasileiro foi apenas mais um cumpridor das ordens do onipresente Luís Carlos Prestes, convencido de que vale tudo na implantação da ditadura do proletariado. O Marighella deputado constituinte foi o mais aplicado companheiro de bancada de um Jorge Amado já na antessala da consagração como romancista.

Só soube do sequestro do embaixador americano depois

O Marighella surpreendido pelo golpe militar de 31 de março de 1964 só virou notícia por ter enfrentado a socos e pontapés os policiais que o prenderam, dois meses depois do mergulho na clandestinidade, em um cinema do Rio de Janeiro. Como não havia testemunhas da luta corporal, a própria notícia foi às redações dos jornais assim que saiu da cadeia. Provou o que dizia exibindo as marcas da pancadaria.

BATALHAS PERDIDAS -- Ao ser fuzilado numa rua de São Paulo, em 4 de novembro de 1969: só batalhas perdidas

BATALHAS PERDIDAS -- Ao ser fuzilado numa rua de São Paulo, em 4 de novembro de 1969: só batalhas perdidas

Mesmo o comandante supremo da ALN teve seus poderes frequentemente confiscados por subordinados hierárquicos. Mário Magalhães descobriu, por exemplo, que Marighella só soube do sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick depois de consumada, em parceria com o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), a mais espetacular operação promovida por partidários da luta armada.

O número 2 da ALN, Joaquim Câmara Ferreira, endossou e ajudou a executar o plano por estar convencido de que o chefe gostaria da ideia. Errou, revela o livro. Num raro surto de lucidez, Marighella compreendeu que o sequestro de um embaixador dos Estados Unidos provocaria retaliações extraordinariamente superiores, em intensidade e violência, ao poder de fogo da minúscula tropa empenhada na perseguição do paraíso socialista.

Sucumbiu a uma emboscada do delegado Fleury

Capturado em 4 de setembro de 1969, Elbrick foi solto dois dias mais tarde em troca da libertação de quinze presos políticos. Em 4 de novembro, Marighella foi fuzilado numa rua de São Paulo por um grupo de policiais chefiado pelo delegado Sérgio Fleury. Até sucumbir à emboscada, ele passara dois anos sonhando na cidade com a guerrilha rural sempre adiada por um assalto a banco, um atentado a bomba ou a execução de um empresário.

O guerrilheiro urbano que se imaginava incendiando os campos do Brasil jamais entrou em combate contra tropas regulares do Exército. Só enfrentou a polícia política. Como em todas as batalhas anteriores, perdeu.

03/11/2011

às 15:11 \ Política & Cia

Roberto Pompeu de Toledo: o PC do B, coerente só no stalinismo

Patrícia Galvão e Olga Benário: apropriação indébita

Patrícia Galvão e Olga Benário: apropriação indébita (Fotos: Wikipédia)

Amigos, para mim é sempre um privilégio poder publicar artigos, sempre originais, inteligentes e primorosamente escritos, do jornalista Roberto Pompeu de Toledo. Ainda mais como, neste caso, e como quase sempre, concordo com cada palavra do texto, publicado na edição de VEJA que está nas bancas desta semana.
O título original é o de abaixo. Os intertítulos foram colocados por nós.
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‘À moda stalinista’

Roberto Pompeu de ToledoPouco antes de jogar a toalha, na semana passada, e entregar a cabeça do ministro do Esporte, Orlando Silva, o PC do B tentou reinventar seu passado.

No programa de propaganda obrigatória que foi ao ar no dia 20, apresentou como emblemas do partido Luís Carlos Prestes, Olga Benario, Jorge Amado, Portinari, Patrícia Galvão (a Pagu), Oscar Niemeyer e Carlos Drummond de Andrade.

Era uma fraude similar às operações do programa Segundo Tempo. Dos sete, os seis primeiros pertenceram ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), o arquirrival do Partido Comunista do Brasil (PC do B). O sétimo, o poeta Carlos Drummond de Andrade, não foi nem de um nem de outro.

Safar-se do escândalo pegando carona

O partido tentava, num programa de TV em que jogava as últimas fichas para safar-se do escândalo no Ministério do Esporte, pegar carona num casal de ícones da história brasileira (Prestes e Olga) e em algumas das mais queridas figuras da cultura do país.

O caso menos grave é o de Oscar Niemeyer, o único vivo do grupo. Apesar de ter sido militante do PCB, já apareceu em programas anteriores do PC do B, do qual aceita as homenagens.

O mais grave é o de Prestes. O PC do B surge, em 1962, do grupo que, no interior do PCB, discordou da denúncia do stalinismo promovida na União Soviética após a morte do ditador. O PC do B, com um curioso “do” no meio da sigla, será daí em diante o guardião da pureza stalinista. Os outros são a “camarilha de renegados”. E o renegado-mor, claro, é Prestes, o líder do PCB.

Apropriando-se de Prestes, o “renegado-mor”

No verbete “PC do B” da Wikipédia, escrito num tão característico comunistês que não deixa dúvida quanto à sua procedência oficial, Prestes é tratado de “revisionista” (insulto grave, em comunistês) e acusado de ter “usurpado a direção partidária”. Também se diz ali que “abandonado à própria sorte, em idade avançada”, Prestes “dependerá de amigos como Oscar Niemeyer para sobreviver”.

Eis colocadas na mesma cloaca da história (o comunistês é contagiante) duas figuras que agora o PC do B alça ao altar de seus santos.

Entre os outros casos de usurpação biográfica, a alemã Olga, primeira mulher de Prestes, foi fiel soldado das ordens de Moscou. Morreu muito antes de surgir o desafio do PC do B, mas é de apostar que essa não seria a sua opção. Portinari e Pagu morreram, no mesmo 1962 do cisma comunista, ele fiel à linha de Moscou, ela convertida ao trotskismo, portanto inimiga do stalinismo.

Jorge Amado na década de 60 já tinha o entusiasmo mais despertado pelo cheiro de cravo e pela cor de canela do que pela causa do proletariado. Em todo caso, sua turma era a de Prestes, o “Cavaleiro da Esperança” que cantara num livro com esse título.

portinari-prestes

Portinari morreu no ano do "racha" e Luís Carlos Prestes, o "revisionista": o primeiro não mudou de lado e o segundo desprezava o PC do B e era furiosamente combatido pelo partido

O caso estapafúrdio do poeta Drummond

O caso mais estapafúrdio é o de Drummond. Nos anos 1930/1940 ele praticou uma poesia de cunho social e filocomunista. Chegou a colaborar com o jornal Tribuna Popular, do PCB. Mas nunca se filiou ao partido. Cultivou a virtude de nunca ser firme ideologicamente. O namoro com o comunismo, dividia-o com a fidelidade ao Estado Novo, ao qual serviu no Ministério da Educação.

No pós-guerra, mitigava o comunismo com a sedução pela UDN do amigo e mentor Milton Campos. Em 1945 votou para senador em Luís Carlos Prestes, do PCB, e para presidente em Eduardo Gomes, da UDN. E, em 1964, apoiou o golpe militar. “A minha primeira impressão foi de alívio, de desafogo, porque reinava realmente, no Rio, um ambiente de desordem, de bagunça, greves gerais, insultos escritos nas paredes contra tudo. Havia uma indisciplina que afetava a segurança, a vida das pessoas”, explicou numa entrevista, transcrita em livro recente (Carlos Drummond de Andrade, Coleção Encontros).

Agora vem o PC do B dizer que Drummond foi um dos seus!?

Um partido coerentemente stalinista

Desconcertante história, a desse partido. A defesa do stalinismo levou-o a festejar o grande timoneiro Mao Tsé-tung e, quando o timão do chinês emperrou, buscar inspiração na Albânia do “Supremo Camarada” Enver Hoxha.

Arriscou uma aventura guerrilheira nos barrancos do Araguaia. E, em anos recentes, encantou-se pela UNE e pelo monopólio da carteirinha de estudante, declarou ao esporte um amor insuspeitado em quem associava o partido à figura franzina do patrono João Amazonas (1912-2002) e recrutou, para reforço de suas chapas, jogadores de futebol (Ademir da Guia, Muller) e cantores (Netinho de Paula, Martinho da Vila) em quem nunca se suporia inclinação pela causa da foice e do martelo.

Se há uma coisa em que manteve a coerência, é no vezo stalinista. Stalin mandava cortar das fotos dirigentes do partido caídos em desgraça. O PC do B inclui em suas fileiras gente que lhe foi alheia.

Pelo avesso, chega ao mesmo fim de falsificar a história.

10/10/2011

às 20:21 \ Política & Cia

Senador mais votado da história vai relatar projeto que cria a Comissão da Verdade

Aloysio Nunes: ex-integrante da luta armada, ex-ministro da Justiça e o senador mais votado até hoje (Foto: Agência Senado)

Amigos, o PT cedeu para os rivais tucanos o cargo de relator de um dos projetos caros ao governo, o de criação da Comissão da Verdade. O projeto foi para as mãos de um homem que já esteve dos dois lados, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). Ex-membro do então ilegal Partido Comunista Brasileiro durante o regime militar, deixou o “Partidão” para filiar-se ao grupo terrorista Ação Libertadora Nacional, onde esteve intimamente associado ao então inimigo público número 1 do regime, o dirigente Carlos Marighella.

Exilado em Paris, voltou ao Brasil com a anistia, em 1979, e a partir daí passou a jogar as regras do jogo: advogado, filiou-se ao PMDB, foi deputado estadual, deputado federal, vice-governador de São Paulo (1991-1995) e, já como integrante do PSDB, ministro da Justiça do presidente Fernando Henrique Cardoso de 2001 a 2002.

Depois de trabalhar com o prefeito e sucessivamente governador José Serra, candidatou-se ao Senado nas eleições do ano passado e tornou-se o senador mais votado da história do país, com 11,2 milhões de votos.

Roldão Arruda — Agência Estado

Agora é oficial. O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) será o relator, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), do projeto de lei que cria a Comissão da Verdade – destinada a apurar violações de direitos humanos ocorridas no período da ditadura militar. A indicação, que teve o apoio do PT, foi confirmada no final da tarde de hoje pelo presidente da CCJ, Eunício Oliveira (PMDB-CE).

Nunes disse que pretende entregar o seu relatório e o parecer sobre o projeto de lei na próxima quarta-feira. “Vou trabalhar intensamente para entregar tudo ao presidente da Comissão de Justiça na quarta-feira. Não sou de segurar nenhum projeto”, afirmou.

O senador também adiantou que considera bom o texto do projeto, apresentado ao Congresso pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Contou que chegou a debater o assunto com Nelson Jobim, quando ele ainda ocupava o cargo de ministro da Defesa.

Para o senador tucano, o projeto dá continuidade a uma série de medidas de resgate da verdade no País. “O tema não constitui nenhuma novidade para o meu partido, o PSDB. A Comissão da Verdade se insere num processo amplo do qual faz parte a Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, instituída em 1995, no governo de Fernando Henrique Cardoso.”

A indicação de Aloysio já era dada como certa. Mesmo sem ter sido oficializado no cargo, ela já vinha reunindo informações e debatendo o tema com especialistas.

Na sexta-feira recebeu familiares de mortos e desaparecidos em seu escritório político, em São Paulo. Ontem à tarde conversou com o advogado Belisário dos Santos Júnior, que foi secretário de Justiça do Estado de São Paulo no governo de Mário Covas.

 

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