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inflação

20/10/2014

às 14:00 \ Política & Cia

Enquanto a economia mundial vai para um lado, a brasileira vai para o contrário — os outros temem a deflação, enquanto nós aqui estamos às voltas com a inflação

(Ilustração: Amarildo)

A justificativa da presidente Dilma e de seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, para os problemas econômicos brasileiros não procede (Ilustração: Amarildo)

ECONOMIA BRASILEIRA NA CONTRAMÃO DO MUNDO

Editorial publicado no jornal O Globo

Os mercados mundiais passam por turbulências que há algum tempo não se viam. E, como sempre ocorre nesses momentos, engrossou o fluxo de divisas em busca da segurança dos títulos do Tesouro americano, cuja rentabilidade ficou, na quarta-feira, abaixo dos 2% — quanto maior a procura, menor a taxa. Há um ano isso não acontecia.

A centelha de ignição desse movimento de fuga de aplicações de maior risco, em todo o mundo, tem sido o temor de que a Europa, ainda na fase de digestão da grande crise deflagrada em 2009, entre em deflação.

A redução de preços chega a ser tão ou mais perigosa que a elevação deles, pois os lucros das empresas são corroídos, como reflexo da retração das vendas — o consumidor adia as compras, à espera de preços cada vez mais baixos — e as economias tendem à depressão.

O próprio Fundo Monetário Internacional alertou, no último fim de semana, para a probabilidade de a Europa voltar à recessão, um péssimo sinal a fortalecer o temor de uma deflação.

O prognóstico é reforçado pela informação de que, nos 18 países da zona do euro, a inflação anualizada, no mês passado, foi de ínfimo 0,3%, a taxa mais baixa dos últimos cinco anos. Nessa circunstância, nem a recuperação americana parece ser capaz de compensar o marasmo europeu, até porque seria afetada por ele.

Visto o mundo por este ângulo e colocado o Brasil nele, o álibi apresentado pela candidata-presidente Dilma Rousseff e seu ministro da Fazenda em aviso prévio, Guido Mantega, para os problemas da economia brasileira — o país está quase estagnado devido à conjuntura externa — fica bastante frágil.

Uma prova sólida de que grande parte da responsabilidade das panes observadas internamente é doméstica está no fato de que, no exterior, a ameaça é a deflação, enquanto no país o perigo é a inflação, entre outros.

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19/10/2014

às 13:00 \ Política & Cia

NEIL FERREIRA: Não tem carne? Coma frango, ovo…

(Foto: Marcos Fernandes/Coligação Muda Brasil)

“O PT treme por temer estar enfrentando o fantasma de FHC quando Aécio encosta Dilma na parede, em debates tensos e cheio de mentiras do outro lado” (Foto: Marcos Fernandes/Coligação Muda Brasil)

Artigo de Neil fazendo churrasco Ferreira publicado no jornal Diário do Comércio, de São Paulo

Antes Scriptum: Mais terrorismo da terrorista. Nos bastidores do debate do SBT, foi “vazado” aos jornalistas amansados o boato de que haveria uma “arma secreta” a ser disparada contra Aécio. Seria uma bomba carregada de mais mentiras?

DataFalha e Ibofe: a.M (antes de Marina): Aécio 51 Dilma 49. E d.M (depois de Marina): Aécio 51 e Dilma 49. Isso quer dizer que o apoio de Marina, que custou tão caro a Aécio, não aumentou a posição de Aécio nem em meio ponto. Terá Aécio comprado gato por lebre?

Dilma faz acusações ao FHC sobre pastas de várias cores. Cadê a “Pasta Rose”, que o Aécio ainda não chamou para o centro do debate?

Eu tenho carne, voto no Aécio. Tomara que o leitor seja outro, diferente, porque o texto é o mesmo. Meu texto é como os debates, são sempre os mesmos: um dos debatedores tenta levar a sério e respeitar os telespectadores que ficam acordados até tarde (eu não fico) ou com fome até depois da hora da janta (eu não fico).

A outra debatedora, mentindo e fugindo das perguntas. Ela perdeu nas terras do Lula, lá em cima em Pernambuco, e aqui embaixo, no ABC. Ela não presta pra presidente nem pra debate.

O Poste Padilha perdeu para o Alckmin em 644 cidades das 645 do Estado de São Paulo e o Lula teve que enfiar de novo o rabo no meio das pernas, como é condenado a fazer em todas as eleições majoritárias, com exceção dessa em que o brimo Haddad ganhou a brefeitura de Sum Baulo, bor um acidente da democracia.

Não vi o debate da Band, mas nós ganhamos. Aécio desafiou Dilma a olhar nos seus olhos e chutou o pênalti: “Não seja leviana. A senhora está sendo leviana”. Eu pude ir dormir satisfeito depois dessa. Fui.

Também não vi o do SBT, mas nós ganhamos. Nós ganhamos todos os debates.

Nem precisamos ver pra saber o que ela faz. Rosna, mente, ofende, joga sujo, não respeita o cargo que ocupa, de presidente, que é; nem a condição de candidata, que é. Ela não presta pra presidente nem para debate (repito).

Sabemos que Aécio faz: é firme, informado, dá um banho de conhecimento, educação, respeito aos espectadores, a ele próprio e à adversária. Dá a ela aulas gratuitas do país em que vivemos e de como somos obrigados a sofrer o que a corrupção do seu governo nos obriga a sofrer. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

17/10/2014

às 6:00 \ Disseram

Para combater a inflação…

“Se você acha que essa inflação vai baixar sem desemprego, está errado. Vai triplicar.”

Dilma Rousseff, ao dirigir-se ao oponente Aécio Neves (PSDB) no debate presidencial promovido por SBT, Rádio Jovem Pan e UOL

15/10/2014

às 14:00 \ Política & Cia

Em manifesto, economistas de peso dizem que ‘crise internacional’ alardeada por Dilma não existe

(Foto: Agência Brasil)

Para justificar o fracasso econômico de seu governo, a presidente Dilma Rousseff continua usando o argumento da “crise internacional” (Foto: Agência Brasil)

Documento leva a assinatura de 164 professores de economia de universidades brasileiras e estrangeiras

De VEJA.com

Um grupo de 164 professores de Economia de universidades brasileiras e estrangeiras assinou um documento nesta terça-feira rechaçando os principais argumentos defendidos pela presidente Dilma Rousseff para justificar o fracasso econômico de seu governo.

Aquele que tem sido o mais usual na gestão da presidente (e em sua campanha pela reeleição) é o de que a crise internacional é a culpada pelos males que afligem o país, como a inflação e a recessão.

Dizem os acadêmicos: “Não há, no momento, uma crise internacional generalizada. Alguns de nossos pares na América Latina, uma região bastante sensível a turbulências na economia mundial, estão em franca expansão econômica. Projeta-se, por exemplo, que a Colômbia cresça 4,8% em 2014, com inflação de 2,8%. Já a economia peruana deve crescer 3,6%, com inflação de 3,2%. O México deve crescer 2,4%, com inflação de 3,9%.1 No Brasil, teremos crescimento próximo de zero com a inflação próxima de 6,5%. Entre as 38 economias com estatísticas de crescimento do PIB disponíveis no sítio da OCDE, apenas Brasil, Argentina, Islândia e Itália encontram-se em recessão. Como todos os países fazem parte da mesma economia global, não pode haver crise internacional generalizada apenas para alguns. É emblemático que, dentre os países da América do Sul, apenas Argentina e Venezuela devem crescer menos que o Brasil em 2014.”

Leiam também:
Dez fatos econômicos que você precisa saber antes de votar

Acadêmicos brasileiros de centros como a Universidade de São Paulo, a Fundação Getulio Vargas, o Insper, a Universidade de Yale, a London School of Economics, a Unicamp, a Universidade de Cambridge, a PUC-SP e a PUC-Rio se reuniram para redigir o texto.

Segundo eles, a presidente mente ao se dirigir ao grande público: “Ao usar de sua propaganda eleitoral e exposição na mídia para colocar a culpa pelo fraco desempenho econômico recente na conjuntura internacional, se eximindo da sua responsabilidade por escolhas equivocadas de políticas econômicas, o atual governo recorre a argumentos falaciosos”, diz o texto.

Segundo Eduardo Zilberman, da PUC-Rio, a ideia foi escrever um documento apartidário e técnico, justamente para conseguir a adesão de economistas de diversas vertentes ideológicas. “Nossa intenção era mostrar um parecer mais técnico. O fato de conseguirmos tantas assinaturas de um grupo tão heterogêneo reflete isso”, afirma.

Entre os que endossam o manifesto estão dois economistas ligados à campanha de Marina Silva: Marco Bonomo e Tiago Cavalcanti.

Trata-se da terceira vez que economistas se reúnem em manifesto em pouco mais de um mês. A primeira ocorreu em meados de setembro, quando reportagem de VEJA revelou que o Banco Central havia processado o economista Alexandre Schwartsman por discordar de suas críticas ao órgão. A segunda ocorreu logo após o primeiro turno, quando economistas assinaram um documento pedindo pelo apoio de Marina Silva ao tucano Aécio Neves.

No seio do PT, também houve um manifesto. A militância conseguiu, com grande esforço, coletar uma lista de onze nomes encabeçada por Maria da Conceição Tavares, que adotou com desfaçatez o slogan da campanha petista “O Brasil não pode parar” para veicular um texto de apoio à candidatura de Dilma Rousseff.

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14/10/2014

às 15:00 \ Política & Cia

POST DO LEITOR: Adeus, presidente Dilma!

(Foto: blogdogasparetto.com.br)

O médico Milton Pires, dirigindo-se à presidente Dilma: “A senhora e seu partido assassinaram suas próprias reputações. Seu governo acabou” (Foto: blogdogasparetto.com.br)

Post de Milton Simon Pires*

Post do LeitorExma. Sra. Presidente da República, Dilma Rousseff,

Aproveitando o ensejo da aproximação do dia 18 de outubro, data que ficou conhecida no Brasil como “Dia do Médico” e que, se dependesse da senhora, mudaria de nome para “Dia do Trabalhador da Saúde”, dirijo-me uma vez mais (se Deus quiser a última) ao seu governo nesse apagar das luzes da Ditadura Bolivariana Tupiniquim.

Escrevo no Dia das Crianças – essas pequenas maravilhas de Deus, desse mesmo Deus em que a senhora não acredita, mas que hoje juntam-se aos verdadeiros médicos numa oração de esperança num Brasil livre da senhora em 2015.

Difícil seria, presidente, em poucas linhas conseguir resumir toda a desgraça provocada pelo PT na saúde pública brasileira. Eu poderia mencionar os hospitais fechados desde 2003, poderia falar nos milhares de viciados em crack vagando pelas ruas de São Paulo, nos leitos desativados, lembraria dos contratos criminosos com laboratórios fantasmas que seu ex-ministro e candidato ao governo do Estado mais rico da nação assinou para desviar dinheiro para o PT…

Enfim: a lista das barbaridades que a senhora e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, protagonizaram não tem fim.

Se eu quisesse levar esta carta para o lado pessoal, lembraria o drama que vivo como médico do Grupo Hospitalar Conceição em Porto Alegre – essa instituição que é grande demais para ser um hospital e pequena demais para ser um de seus ministérios.

Acusado de um crime não cometi, eu, como milhares de outros colegas brasileiros durante o governo PT, fui assediado moralmente, humilhado e provocado até o limite da sanidade mental, sendo mais um exemplo típico daquilo que a senhora e seus comparsas fizeram de melhor no período em que tiveram o poder – destruir reputações de opositores.

Deixo, porém, meu drama de lado para me reportar ao panorama da minha profissão no Brasil, presidente.

Não tenho dúvida alguma em afirmar que a história da medicina nesse país se divide entre antes e depois do PT.

Mais irônico, mais indigno ainda é observar que a senhora teve, e ainda tem, da parte de alguns pseudomédicos apoio suficiente para ser manifestado nesse documento chamado “Médicos com Dilma”…nessa verdadeira imundície assinada por mais de 600 ex-colegas que esqueceram tudo que aprenderam e traíram tudo que juraram para cerrar fileiras com um partido de mensaleiros, de ladrões da Petrobras, de assaltantes de fundo de pensões…

Enfim, com a ralé da classe política brasileira que formou essa organização criminosa chamada Partido dos Trabalhadores.

Esses infelizes, que não são dignos de levar um “Doutor” na frente do nome, são a prova máxima de que a ambição política e o fanatismo cego não reconhecem limites nem dentre aqueles incumbidos de preservar a vida e a dignidade da condição humana em primeiro lugar.

Quando lhe escrevi pela primeira vez, presidente, disse da guerra que a senhora enfrentaria conosco… com essa nossa classe na qual a senhora escolheu colar o rótulo de “inimigos do povo” e da qual tentou, até aqui sem sucesso, tirar dividendos eleitorais. Vejo hoje, com imensa satisfação, que o país inteiro dá as costas a esse seu governo de estelionatários, a esse seu discurso do ódio e a sua fingida indignação social capazes de fazer com que um ministro recomende ao povo comer ovos e frango ao invés de carne para controlar a mesma inflação que a senhora insiste em dizer “jamais ter sido tão baixa”.

Seu partido é hoje um fantasma de si mesmo, presidente. A senhora mesma não consegue mais se reinventar, se substituir nem se superar. Ao seu criador e chefe do mensalão, Luís Inácio Lula da Silva, pouco mais resta fazer do que dizer que “está de saco cheio”com a denúncias contra o PT. Ele que espere e se prepare para aquelas que virão quando a senhora estiver fora do governo.

Não foram os médicos que derrotaram a senhora, presidente. Não são nossos pacientes que convencemos a votar em Aécio nem as mentiras da repórter do IG sobre “castração química de nordestinos” que não funcionaram para lhe reeleger.

A senhora e seu partido assassinaram suas próprias reputações. Seu governo acabou – Adeus, Presidente Dilma!

Porto Alegre, 12 de outubro de 2014.

*Milton Simon Pires é médico intensivista em Porto Alegre (RS)

14/10/2014

às 6:00 \ Disseram

Infeliz

“Acho que as pessoas têm direito de comer carne, de comer ovo e de comer frango.”

Dilma Rousseff, ao comentar e chamar de infeliz a afirmação de Márcio Holland, secretário de Política Econômica, de que os brasileiros deveriam trocar a carne por ovo e frango por conta da inflação

12/10/2014

às 16:15 \ Política & Cia

“Comparações com governo FHC precisam ser mais honestas”, diz Armínio Fraga

(Foto: Ana Paula Paiva/Valor/Folhapress)

Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central e coordenador econômico da camapnha de Aécio Neves (PSDB): “a economia precisa ser debatida e entendida” (Foto: Ana Paula Paiva/Valor/Folhapress)

Futuro ministro da Fazenda de um possível governo de Aécio Neves, Armínio Fraga se defende de acusações do PT sobre a gestão econômica nos anos FHC e pede um debate mais transparente durante a campanha

Por Ana Clara Costa, para VEJA.com

Mal começou a segunda fase da corrida presidencial e a artilharia petista já se empenha em desconstruir os feitos do governo Fernando Henrique Cardoso (FHC) para atacar a campanha de Aécio Neves. A retórica dos “fantasmas do passado” tem sido usada para assustar eleitores. Dilma Rousseff cita os juros altos da época e a taxa de desemprego como tática de guerra, sem explicar que tais medidas foram necessárias para que o país recuperasse a estabilidade.

Nesta quarta, em Teresina, a candidata chegou a dizer à população da capital piauiense que o PSDB “despreza o Nordeste”. Segundo Armínio Fraga, que pilota a equipe econômica da campanha de Aécio e será o ministro da Fazenda caso o tucano vença, as comparações precisam ser contextualizadas. “É natural que, passados doze anos, muita coisa tenha melhorado no Brasil, como resultado do controle da inflação e da estabilidade. É preciso ser cuidadoso na hora de comparar”, afirmou o economista em entrevista ao site de VEJA.

Segundo Fraga, que foi presidente do Banco Central de 1999 a 2002, a alta dos juros era a única forma de permitir o controle da inflação após a flutuação cambial colocada em prática em 1999. Após os ajustes, a economia retomou a trajetória de crescimento. “Apresentadas fora de contexto, as informações não fazem jus ao desafio que se enfrentou anos atrás. Fernando Henrique assumiu o país com hiperinflação, moratória, onde um telefone custava o equivalente a 30.000 reais. E entregou a Lula um país com inflação controlada, um país estável”, diz. Leia trechos da entrevista.

O debate econômico é de extrema importância nestas eleições. Mas, de certa forma, o eleitor médio nem sempre entende as informações que são apresentadas. Como o PSDB tem feito para se comunicar com esse eleitor sobre os problemas econômicos que o Brasil enfrenta?

O brasileiro está percebendo aos poucos o que está acontecendo. É da natureza do modelo populista que as interferências na economia demorem um tempo até serem percebidas. E as pessoas já estão sentindo a inflação pesar no bolso, as coisas estão mais caras, o orçamento está mais apertado e, para muita gente, pagar o crediário tem sido um desafio.

Na outra ponta, o emprego já não é mais o mesmo, a indústria está cortando vagas e a população está vendo isso. Há uma percepção clara de que as coisas não estão bem.

Uma das principais reclamações dos empresários em relação ao governo Dilma é a mudança de regras. Se Aécio Neves ganhar, abandonar de imediato as políticas de intervencionismo significa mudar novamente as regras. Como conduzir isso sem maiores estragos?

A base de tudo é a clareza e a transparência, algo que não vemos hoje. O problema não são as regras, mas a forma como são impostas. O que atrapalha é quando a mudança é arbitrária, aleatória, feita de acordo com o ponto de vista de um indivíduo ou de um setor.

Em infraestrutura, por exemplo, os investimentos estão travados. Dar clareza para esse investidor em relação às condições de investimento e sobre como o governo vai cumprir sua parte é primordial. A infraestrutura depende, em muitos aspectos, do governo. Não se pode ignorar isso.

Para que o dinheiro volte a entrar no setor, é preciso mudar todo o regime, não apenas regras. É preciso que o investidor confie novamente.

O setor elétrico foi alvo de muitas mudanças regulatórias que impactaram a saúde das empresas, em especial as distribuidoras de energia. Agora, o contribuinte paga a conta. Num possível governo de Aécio Neves, como recuperar o equilíbrio?

O setor elétrico será prioridade no primeiro ano e requer urgência. O investimento em energia está atrasado e defasado. Não adianta dizer que o problema é apenas falta de chuva, se o investimento que precisava ser feito não aconteceu. O Brasil foi pego desguarnecido pela estiagem. E esse é um problema criado pelo governo. O que “aliviou” um pouco a pressão sobre o setor foi o baixo crescimento. Uma constatação triste, dado o potencial do país.

O senhor tem prometido conduzir a recomposição da meta fiscal e a queda da inflação ainda em 2015, em caso de vitória. É possível cumprir um prazo tão curto?

Não só é possível, como faremos isso. Muita coisa tem de ser corrigida e eu penso que uma resposta a esse quadro de inflação alta e crescimento baixíssimo exige mais do que um acerto macroeconômico. Também será preciso conduzir a agenda estrutural microeconômica o mais rápido possível. E é possível porque não pretendo fazer tudo sozinho. Há pessoas engajadas cuidando de diversas áreas. Se não for assim, não se conduz a economia de um país.

A reforma tributária com criação do imposto único (o IVA) também em 2015 seria uma hipótese viável?

A reforma tributária vai ter como foco com os impostos indiretos, como ICMS, IPI e PIS-Cofins, e será apresentada logo no início. Estamos trabalhando precisamente nisso. Ela tem algumas etapas que podem ser postas em prática antes de outras. É difícil estimar um prazo exato para se chegar ao fim da linha com o IVA. Mas isso deve ser concluído num prazo de um a dois anos. Talvez mais para dois.

Colocar em prática essa reforma logo no primeiro ano de governo, ao mesmo tempo em que se pretende recompor a política fiscal, não é missão impossível? Afinal, a reforma pode impactar a arrecadação.

Não acho, porque nós não esperamos impacto negativo. Esperamos um impacto inicial neutro, mas que a arrecadação rapidamente se recupere e melhore com a queda na incerteza dos empresários em relação à economia. Em especial, os empresários brasileiros.

O PT já sinalizou que vai usar o desempenho da economia durante o governo FHC para atingir Aécio. Trata-se de um período de taxa de juros e de desemprego mais altas. Qual será a contra-artilharia?

Primeiramente, é preciso olhar as coisas em seu devido contexto.  É muito natural que, passados doze anos, muita coisa tenha melhorado no Brasil, como resultado do controle da inflação. É preciso ser cuidadoso na hora de comparar isso.

O caso dos juros é um ótimo exemplo. No início de 1999, a taxa de câmbio flutuou aqui no Brasil e criou-se um grande receio de que a inflação voltaria. E fez parte do processo de estabilização lidar com a flutuação do câmbio. Sabia-se, no início, que o trabalho de estabilização não terminaria da noite para o dia. Sabia-se naquele momento que a expectativa de inflação estava desgovernada, entre 20% e 50% ao ano. Havia uma expectativa de que o PIB cairia 4%.

Nós tomamos as providências que hoje são bem conhecidas e, no fim, houve crescimento positivo no PIB naquele ano. A inflação encerrou em 9%, bem abaixo das expectativas. Preservaram-se os ganhos do Plano Real e se evitou a indexação. Apresentadas fora de contexto, as informações não fazem jus ao desafio que se enfrentou anos atrás. Fernando Henrique assumiu o país com hiperinflação, moratória, onde um telefone custava o equivalente a 30.000 reais. E entregou a Lula um país com inflação controlada, um país estável.

Eu acho sempre bom trazer o exemplo daquela época de maneira honesta. Isso enriquece o debate. Mas, mais importante que isso é se perguntar onde o país está, quais são as perspectivas e o que será feito no ano que vem pra melhorar um quadro econômico que já é bastante desolador.

O investimento está travado, a inflação está alta, apesar de todos os controles. Há um quadro fiscal extremamente preocupante, um potencial de crescimento em tendência de queda, recessão técnica. Ou seja, a economia precisa ser debatida e entendida.

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11/10/2014

às 16:00 \ Política & Cia

SARDENBERG: A cebola está cara por causa da inflação? Troquem por tomate — se também não estiver caro…

(Foto: Fxmed.com.br)

Com a inflação no teto da meta, os preços não são confiáveis (Foto: Fxmed.com.br)

TROQUEM PELO TOMATE

Artigo publicado no jornal O Globo

Carlos-Alberto-Sardenberg1Um bom azeite, cebola, um tantinho de sal – é o que basta para cozinhar muita coisa boa, inclusive um bom bife. Mas a cebola está cara, subiu muito durante o ano, e a carne bovina mais ainda. Qual o problema? Troquem por tomate, recomenda o secretário de Política Econômica da Fazenda, Márcio Holland.

Não deve ser bom cozinheiro. Churrasco sem carne bovina não vale, mas, vá lá, o combo coxa/asa de frango quebra o galho em dias de orçamento apertado. Tudo bem com o tomate, mas só neste momento. O produto não é confiável a médio prazo, pois o preço costuma ter altas espetaculares a qualquer problema climático. Pode-se tentar a batata, também baratinha por ora.

Agora, sem cebola não dá. Alguns sugerem o alho, erradamente. O alho vai bem com a cebola, não em vez dela. Além disso, o alho também não é confiável. Sabiam que o maior produtor mundial é a China? Pois então, quando a safra chinesa é boa, o preço cai por aqui, por causa da importação. Quando dá algum problema por lá, como aconteceu no início deste ano, o preço local dispara. Além disso, o governo brasileiro não acha errado tocar imposto no alho chinês, tornando-o mais caro, para ajudar os produtores locais.

Pois é, não tem jeito. Solta daqui, aperta dali. E quando esse tipo de conversa é colocado por uma autoridade como o secretário de Política Econômica, encarregado de definir as grandes linhas, é sinal de que a inflação está espalhada, é persistente e o governo não encontra nada melhor que um tomate para combatê-la.

Cozinheiros e consumidores têm até o direito de se sentirem ofendidos. Não fazem outra coisa senão procurar as alternativas mais em conta. Macarrão caro? Vamos de batata. A carne pelo frango, o frango pelo peixe, o feijão pela mandioca e assim se toca o orçamento doméstico. Não precisa o secretário explicar. O ambiente fica desconfortável, como agora, quando a alta de preços é muito espalhada, o que estreita as margens de escape.

Tudo considerado, isso quer dizer o seguinte: o governo não sabe o que fazer para derrubar a inflação. Também parece que não sabe muito bem a causa. Já disse que era só uma inflação de alimentos. Só comida?

Depois disse que estava todo mundo enganado. Na verdade, sustentavam a presidente Dilma, o ministro Mantega e o secretário Holland, não havia inflação, pois o índice oficial de preços, o IPCA, estava dentro da meta. A presidente chegou a dizer, em debates do primeiro turno, que a inflação era zero. Zero! Baseava-se no índice de um único mês, que todo mundo sabia ser um acontecimento único.

Nem era zero, nem estava na meta. Esta, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 4,5% no ano, com margem de tolerância de dois pontos. Logo, 6,5% é o teto tolerado para situações excepcionais – e não por quatro anos seguidos. Muito azar, não é mesmo?

Depois, quando a inflação estourou mesmo os 6,5%, como agora… ora, por que não comem tomate?

Repararam na sequência? É só alimentos; está na meta; não comam carne bovina. Neste momento, portanto, eis o que sugere o secretário, o índice só furou o teto porque a população não sabe fazer compras.

Será que eles acreditam nisso ou seria mais uma dessas “coisas de campanha”? É difícil para a presidente que busca a reeleição admitir que tem inflação. Mas se ela sustenta que sua política econômica está correta, então deveria ter como explicar o fenômeno. Às vezes, problemas ocorrem mesmo quando se aplica a política conveniente. E o segundo turno poderia ser um momento adequado para se explicar isso.

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09/10/2014

às 18:00 \ Disseram

Comparações injustas

“É natural que, passados doze anos, muita coisa tenha melhorado no Brasil, como resultado do controle da inflação e da estabilidade. É preciso ser cuidadoso na hora de comparar.”

Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central e ministro da Fazenda caso Aécio Neves (PSDB) seja eleito, ao falar sobre as comparações feitas por petistas envolvendo a economia durante o governo FHC

07/10/2014

às 12:00 \ Disseram

As verdadeiras preocupações

“É surpreendente abrir os jornais e ver a candidata oficial falar em fantasmas do passado. Na verdade, os brasileiros estão muito preocupados com os monstros do presente: inflação alta, recessão e corrupção.”

Aécio Neves, candidato tucano à Presidência da República, a respeito de declarações feitas por sua oponente, a presidente Dilma Rousseff (PT), após a divulgação dos resultados do primeiro turno das eleições

 

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