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inflação

28/07/2014

às 15:20 \ Política & Cia

NÚMEROS DO GOVERNO DA GERENTONA: Mercado prevê crescimento do PIB cada vez menor para este ano. Agora, é de 0,9%

O nível de atividade econômica está baixo -- e a previsão de inflação para o ano que vem é de mais subida (Foto: Drawlio Joca/Exame)

O nível de atividade econômica está baixo — e a previsão de inflação para o ano que vem é de mais subida (Foto: Drawlio Joca/Exame)

Os analistas ouvidos na pesquisa semanal Focus do Banco Central (BC) melhoraram a expectativa para a inflação neste ano, mas pioraram o indicador de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

A mediana das estimativas para o PIB passou de expansão de 0,97% na semana passada para 0,90% nesta. Para o ano que vem, as estimativas para a atividade econômica permaneceram na média de 1,5%.

[A pesquisa Focus ouve cerca de uma centena de especialistas de bancos, corretoras e outras instituições ligadas ao mercado.]

O mercado manteve a perspectiva de que a Selic (principal taxa de juros no Brasil, definida pelo BC e que serve de referência para praticamente todas as demais taxas de juros) encerrará este ano a 11% após o BC sinalizar na ata de sua última reunião que não a reduzirá.

Pesquisa Focus, divulgada nesta segunda-feira, mostrou ainda que o mercado está apostando em uma inflação a 6,41% neste ano, pouco abaixo da estimativa da semana passada (6,44%), mas ainda muito próximo do teta da meta, de 6,5%.

Para 2015, os economistas pioraram a expectativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que passou de alta de 6,12% para 6,21%. Isso significa que eles estão apostando que a elevação dos preços que está sendo contida em 2014 vai pesar no bolso dos brasileiros em 2015.

Leiam ainda:

Copom vê inflação resistente nos próximos trimestres
Inflação de tarifas públicas vai voltar com força em 2015

(Com agência Reuters)

17/07/2014

às 16:19 \ Política & Cia

SARDENBERG: Não, a Copa não salva o ano

Até agora, foi só festa. O Brasil ainda se lembra do que reivindicava antes da Copa? (Foto: J. F. Diorio/Estadão)

Até agora, foi só festa. O Brasil se lembra do que reivindicava antes da Copa? (Foto: J. F. Diorio/Estadão)

O QUE ERA MESMO?

Artigo de Carlos Alberto Sardenberg publicado no jornal O Globo

Do que a gente estava falando antes?

Isso, antes das férias de verão, esticadas pelo carnaval tardio, semana santa e antes da Copa — o que era mesmo?

Havia uma preocupação com a combinação entre crescimento e inflação. Esta parecia estar subindo em relação a 2013, quando já fora alta. E a economia parecia desacelerar.

Essa percepção piorou. De fato, os preços sobem mais que o esperado e o crescimento é mais fraco. Não, a Copa não salva o ano.

Claro que trouxe turistas e dinheiro — até mais que se calculava. Mas houve uma espécie de compensação: os negócios relativos à Copa bombaram: roupas e calçados esportivos, por exemplo, e, claro, hotéis e restaurantes. Os demais minguaram por causa do excesso de feriados e falsos dias úteis. Também por causa do espírito geral: com a festa, quase todo mundo distraído com jogos e movimentação de torcedores, era difícil se concentrar no trabalho.

Pessoal reunido na Feira Internacional de Moda em Calçados, nesta semana, em São Paulo, constatou: o primeiro semestre foi de férias, perdido. Companhias aéreas, que poderiam ser favorecidas, também sofreram com a compensação. A Tam, por exemplo, calcula que demanda de passageiros caiu 5% no período da Copa.

Ocorre que os “voos corporativos” — das pessoas que estão a trabalho, em eventos, reuniões, consultas, treinamento — simplesmente sumiram. Foram substituídos pelos turistas nacionais e estrangeiros, com forte aumento das viagens para as cidades da Copa. Mas não foi o suficiente. No balanço geral, deu uma pequena perda.

Foram criados empregos, mas temporários na maior parte. O fato de algumas obras não terem terminado até pode ajudar neste quesito: o pessoal continua trabalhando nelas. Com impacto limitado, porém. Antes da Copa, mesmo durante a construção de estádios, a geração de vagas formais continuou enfraquecida.

Tudo considerado, e como aconteceu em outros países, o efeito positivo do grande evento está mais na psicologia do povo. Fez-se uma grande festa. Ainda mais entre nós, dado o temor de que algo ruim pudesse ter acontecido. Foi alegria e alívio. Isso pode animar estrangeiros a voltarem para o turismo, mas vai depender lá na frente da cotação do dólar e dos preços por aqui.

Veremos.

Outra coisa que poderia ser positiva neste momento seria o fim das manifestações oportunistas, como greve nos transportes na véspera dos jogos. Não há mais instrumento de chantagem.

O problema é que se aproximam as eleições, outra oportunidade para reivindicações, justas ou não, democráticas ou não. Se as eleições se radicalizarem, preparem-se.

E assim chegamos à campanha eleitoral com um ambiente econômico pior do que no início deste ano. A população, na imensa maioria, se concentrou na Seleção e suspendeu a bronca com a inflação, a paradeira na criação de empregos e a má qualidade dos serviços públicos. Como se sentirá agora?

Reparem: foram 26 mil homens na segurança da final no Maracanã. Tudo em paz. Mas quantos estarão disponíveis numa próxima final Flamengo e Fluminense? Os trens e ônibus “expressos da Copa” andaram bem em quase todas as cidades, mas em dias feriados ou falsos úteis. Agora, voltam todos ao normal, que é não é bom.

Como a população voltará a esses temas? Difícil avaliar, ainda mais que o ambiente estará tomado pela campanha eleitoral no rádio e tevê, ou seja, pela capacidade (ou incapacidade) dos candidatos em fazer a cabeça e a mente dos eleitores.

E nem ganhamos a Copa.

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16/07/2014

às 19:37 \ Política & Cia

O governo da presidente Dilma é baseado em mentiras que ilustram um Brasil inexistente

(Foto: Eraldo Peres)

“Como as pesquisas têm indicado, a população em geral já percebeu qual é a qualidade do atual governo” (Foto: Eraldo Peres)

O DESCARAMENTO COMO POLÍTICA

Editorial publicado no jornal O Estado de S. Paulo deste domingo, 13 de julho

O programa de governo Dilma Rousseff 2014 é uma peça publicitária, com forte dose de ficção. Um dos tópicos, intitulado Os 12 anos que transformaram o Brasil, é constrangedor. Ali, a mentira parece adquirir status de verdade histórica.

O que primeiro choca é a incongruência entre o título do programa (Mais mudanças, mais futuro) e o conteúdo proposto. Era de esperar que, com resultados tão pífios — reconhecidos não apenas por analistas econômicos, mas, como as pesquisas têm indicado, pela população em geral, que já percebeu qual é a qualidade do atual governo —, o leitor do programa se deparasse com algo diferente do que viu nos últimos anos.

Mas o que lá está é mais do mesmo, com a reedição de “programas” pontuais e desconexos, sem uma visão ampla do que o Brasil precisa. Vê-se logo que é um programa feito pró-forma, em que o país é um simples acessório.

Furtando-se de analisar os seus anos de governo — o que seria mais honesto —, sempre que pode Dilma inclui os oito anos de Lula nas suas comparações. Disso resultam afirmações que se chocam com a verdade. Por exemplo, “ao final de três mandatos, todos os indicadores do período são positivos e sempre muito melhores do que os vigentes em 2002″. Haja criatividade nos números para tamanha miopia!

Em relação ao seu calcanhar de aquiles — a inflação —, não tendo o que apresentar, usa bravatas pouco convincentes. “Entendemos o poder devastador da inflação (…) e por isso jamais transigiríamos ou transigiremos com um elemento da política econômica com esse potencial desorganizador da vida das pessoas e da economia”.

Se de fato Dilma entendeu o poder devastador da inflação, seus anos de governo são um exercício explícito de má-fé. O que ela de fato compreendeu foi o efeito político da inflação, daí a manipulação de números e os preços e tarifas administrados.

Há passagens que são a mais deslavada mentira. “Os governos do PT assumiram a histórica tarefa de investir na infraestrutura logística brasileira. (…) O Brasil dos governos do PT e de seus aliados ficará marcado como o período da história recente com mais entregas de grandes obras de infraestrutura.” Será uma piada de mau gosto?

Se há um setor onde existe uma distância abissal entre o que o país necessita — e o governo prometeu — e a administração petista entregou, este é o da infraestrutura. É dessa forma que a Mãe do PAC vê os resultados pífios do seu mandato?

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16/07/2014

às 17:00 \ Política & Cia

MARCO ANTONIO VILLA: no 15º aniversário da morte de Franco Montoro, democrata e campeão das “Diretas Já”, vemos como estão escassos os políticos de verdade

(Foto: Agência Brasil)

“O esquecimento de Franco Montoro é um ato perverso para a jovem democracia brasileira, tão carente de exemplos que dignifiquem o compromisso com o interesse público” (Foto: Agência Brasil)

MONTORO, PEDAGOGO DA POLÍTICA

Texto de Marco Antonio Villa* publicado no jornal O Estado de S. Paulo de 15 de julho

Marco-Antonio-Villa-veja.abril_.com_.br_-300x168Amanhã, dia 16 de julho, completam-se 15 anos do falecimento de André Franco Montoro. Ele percorreu um caminho raro entre os políticos brasileiros: foi vereador, deputado estadual, deputado federal, senador, governador de e ministro de Estado. Contudo nunca afastou o exercício da função pública da elaboração de ideias que tivessem aplicação prática na vida das pessoas.

O fortalecimento da sociedade civil sempre foi uma preocupação central da sua ação, isso num país onde o papel do Estado foi superdimensionado, tanto pela direita como pela esquerda.

Montoro teve na democracia cristã do pós-guerra a sua matriz ideológica. E com base nesse pensamento agiu como um pedagogo da política, escrevendo, debatendo e formando militantes.

Por onde passou foi deixando a sua marca. Nos dez meses em que esteve à frente do Ministério do Trabalho, durante o Gabinete Tancredo Neves, foi pioneiro no incentivo à sindicalização rural – tema, à época, explosivo – e criou o salário-família.

Na Câmara dos Deputados destacou-se na defesa dos trabalhadores e da democracia. Tanto que, após a extinção dos partidos políticos, em 1965, foi um dos primeiros a organizar o MDB. Cinco anos depois foi eleito senador, numa eleição marcada pelo medo, no auge do regime militar.

Nos anos de vida parlamentar foi um incansável propagador da integração econômica e cultural com a América Latina. De início foi voz solitária. Poucos se interessavam. Mas a pregação foi ganhando adeptos até ser incorporada à Constituição de 1988.

Assumiu o governo de São Paulo em março de 1983. O país estava em recessão – o produto interno bruto (PIB) caiu 2,9% – e com uma inflação anual de 211%. A economia estadual passava por uma profunda crise. O número de desempregados não parava de aumentar. E as finanças estaduais estavam em petição de miséria após o trágico quadriênio Maluf-Marin [Observação do colunista: sim, este mesmo José Maria Marin, decrépito presidente da CBF e à época, na política, capacho da ditadura militar].

Organizou um secretariado de nível ministerial. Teve entre seus principais colaboradores (incluindo os bancos e empresas estatais paulistas) José Serra, João Sayad, Luiz Carlos Bresser-Pereira, Almino Affonso, Miguel Reale Júnior, Almir Pazzianotto, José Gregori, Paulo Renato e Paulo de Tarso, entre outros.

Nomeou para a Prefeitura de São Paulo Mário Covas [a Constituição do regime militar não admitia eleições diretas para as capitais.]. Entendeu que na administração pública deviam ser escolhidos os melhores. E que o governador não devia temer a competência dos seus auxiliares, muito pelo contrário.

Pôs em prática os princípios defendidos desde os anos 1950. Fez da descentralização um dos carros-chefes do governo. Insistiu na tese de que o município é a base da democracia, da boa gestão e onde o cidadão vive. Fez o saneamento financeiro zerando o déficit orçamentário graças à austeridade nos gastos. Diversamente do governo anterior, deu à ética um papel central.

Relacionou-se com a Assembleia Legislativa de forma republicana. Acentuou a necessidade da participação do cidadão nos negócios públicos. E foi o primeiro governador a ter preocupação (e ação) com o meio ambiente – basta recordar o tombamento da Jureia, onde Paulo Maluf queria construir duas usinas nucleares.

Conviveu com diversos movimentos grevistas. Reivindicações contidas à força pelos governos anteriores acabaram eclodindo. Soube buscar soluções harmoniosas em meio à tensão política.

No tristemente célebre episódio da derrubada das grades do Palácio dos Bandeirantes agiu com moderação. Sabia que estavam em jogo a abertura democrática e o exercício da autoridade. Era uma provocação arquitetada pelos extremismos à direita e à esquerda. Tomou as decisões necessárias e saiu engrandecido.

A volta da democracia: primeiro governador de São Paulo eleito por voto direto após as imposições da ditadura, Montoro aparece em campanha eleitoral junto com Miro Teixeira, Tancredo Neves e Orestes Quércia (Foto: Angelo Perosa)

A volta da democracia: primeiro governador de São Paulo eleito por voto direto após as imposições da ditadura, Montoro aparece em campanha eleitoral junto a Raphael de Almeida Magalhães (primeiro à esquerda), Orestes Quércia, Tancredo Neves e Miro Teixeira, entre outros (Foto: Angelo Perosa)

A campanha das diretas teve início – efetivamente – no dia 25 de janeiro de 1984, no comício da Praça da Sé, por iniciativa do governador. Foi um ato de ousadia e coragem política. Poucos acreditaram no sucesso do comício. E a participação de 300 mil pessoas demonstrou a correta análise de conjuntura do governador Montoro. A partir daí, a campanha deslanchou. Foram realizados dezenas de atos por todo o Brasil. E em São Paulo, em 16 de abril, foi encerrada com o maior comício da História do Brasil. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

14/07/2014

às 0:00 \ Disseram

Não há cura para a inflação

“A inflação é uma doença que vai nos ameaçar sempre (…). É como o alcoolismo: não existe cura, só abstinência.”

Gustavo Franco, economista, ex-presidente do Banco Central e um dos formuladores do Plano Real, na Folha de S. Paulo

19/06/2014

às 18:00 \ Disseram

O Brasil está dando passos para trás

“As reformas pararam [durante o governo Dilma Rousseff] e há uma ansiedade nas ruas. O Brasil se desindustrializa, [há] estagnação com inflação e desesperança.”

Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, em discurso no lançamento de Aécio Neves como candidato do PSDB à Presidência da República

11/06/2014

às 18:00 \ Disseram

Seu trabalho estava feito

“A inflação de 0,5% em setembro (de 1995), a menor em 22 anos, foi a gota d’água.”

Edmar Bacha, economista e membro da equipe econômica do Plano Real, ao brincar sobre o motivo de sua saída da presidência do BNDES

11/06/2014

às 12:20 \ Política & Cia

VÍDEO: Programa eleitoral do DEM criticou o “pibinho” do país, a inflação, os altos juros e a paradeira da economia

Amigas e amigos do blog, devido a minha ausência do país por uns dias deixei de cumprir o compromisso de reproduzir no blog os programas partidários dos principais partidos que concorrem às eleições deste ano em relação ao vídeo do DEM que foi ao ar no final de maio.

O partido, aliado do PSDB na disputa presidencial, aproveitou seu tempo de TV para fazer duras críticas ao governo do PT e aponta a inflação, juros elevados, baixo índice de investimento e economia estagnada como os principais problemas que travam o crescimento do país. O programa lembra que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, em 2013, foi o segundo pior da América Latina. Poderia ter lembrado que foi o pior da América do Sul.

“O Brasil se tornou um país caro. Caro para quem quer investir aqui e para os brasileiros que sabem que a feira da semana que vem será mais cara da que se faz hoje”, disse o presidente da legenda, senador José Agripino (RN). Agripino comentou ainda a perda da credibilidade do governo e sua incapacidade de atrair investimentos para o país e ressaltou haver “um clima de desconfiança dos mercados e um desânimo na sociedade”.

O partido também lembrou o prejuízo bilionário do país com a compra da refinaria de Pasadena (EUA), os indícios de corrupção na Petrobras, as obras inacabadas e as promessas não cumpridas pela presidente Dilma Rousseff, além fazer de críticas à péssima situação da saúde pública e à crise no setor elétrico, causada por “uma gestão incompetente e irresponsável”.

Como proposta para combater a pasmaceira na economia, o partido defendeu a redução da máquina pública, mais privatizações e concessões de serviços públicos e o aumento da taxa de investimento para 25% do PIB. Quer também menos impostos e menos burocracia, mais apoio ao agronegócio e incentivo aos jovens empreendedores.

Participaram do programa os deputados federais Mendonça Filho (PE), Ronaldo Caiado (GO) e Onyx Lorenzoni (RS), além do pré-candidato ao governo da Bahia, Paulo Souto, e do ex-prefeito do Rio de Janeiro César Maia.

05/06/2014

às 18:16 \ Política & Cia

Números do governo da “gerentona”: sobre a transposição do Rio São Francisco

As obras de transposição do São Francisco, prometidas para 2012, ainda inacabadas (Foto: Ernesto Rodrigues/Folhapress)

As obras de transposição do São Francisco, ainda inacabadas, em Sertania, interior de Pernambuco: o orçamçento? Estouradíssimo. O prazo? Idem (Foto: Ernesto Rodrigues/Folhapress)

Nada como um governo eficiente, que mantém a inflação sob controle e promove um belo crescimento econômico, não é mesmo?

Os belíssimos índices de crescimento do Produto Interno Bruto (que este ano não chegará a 2%) e da inflação (que o governo luta, até com armas de mágica contábil, para não estourar o TETO da meta, que é de 6,5%) estão aí para não deixar ninguém mentir, não é?

E nada como um governo, como o da “gerentona” Dilma Rousseff, que é rigoroso nos custos das obras que promove, bem como implacável quanto aos prazos.

Vejamos o caso da famosa transposição das águas do Rio São Francisco.

Os custos iniciais, estimados em 4,6 bilhões de reais, já apontam para um numerozinho um pouco maior: 8,2 bilhões reais.

Padrão estádios de futebol, como se vê.

Os prazos? Ora, os prazos. Já que o trem-bala está atrasado 5 anos e nem se sabe quando vai se realizar a próxima licitação para sua construção — e nem SE vai haver licitação –, o que é uma pequena reestruturação de prazos de entrega que deixa de ser 2012 (dois anos atrás) e pula para 2015?

Pois então.

03/06/2014

às 15:00 \ Política & Cia

Ao apregoar a inflação do último ano de FHC, Dilma se esquece (de propósito?) do “efeito Lula” — o temor do que o PT faria no governo. Foi isso que detonou a inflação em 2002

Dilma com o ex-presidente Fernando Henrique: relações cordiais, mas uma injustiça aqui, outra ali (Foto: Agência Estado)

Dilma com o ex-presidente Fernando Henrique: relações cordiais, mas uma injustiça aqui, outra ali (Foto: Agência Estado)

A favor da presidente Dilma, diga-se que, diferentemente de Lula, ela teve a dignidade de estabelecer relações cordiais com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a quem convidou para várias solenidades oficiais e a quem sempre tratou com fidalguia — além de ter publicamente reconhecido, mais de uma vez, feitos do governo do grão-tucano, sobretudo seu papel na estabilidade econômica.

Nos últimos dias, porém, Dilma vem se deixando contaminar pelo clima de campanha eleitoral. Em sucessivas conversas que vem tendo com empresários, a presidente costuma se referir ao fato de que, em seus três anos e meio de gestão, a inflação — notoriamente sendo varrida para debaixo do tapete com medidas artificiais que explodirão mais adiante — vem se mantendo em média pouco superior a 6%, ao passo que chegou a 12% no último ano de FHC.

Sim, é verdade. Mas Dilma se esquece de algo que fez disparar os percentuais em 2002, ano eleitoral: o “efeito Lula”, ou seja, o temor generalizado dos mercados do que poderia representar um governo petista, uma vez que Lula passou a maior parte de sua carreira na oposição propondo desvarios como, por exemplo, o calote da dívida externa — algo que desmoralizaria o país por uma geração e pioraria enormemente a vida dos brasileiros.

O mercado, os investidores internacionais e boa parte do eleitorado só começaram a se acalmar no final de junho de 2002, quando o PT publicou sua Carta do Povo Brasileiro (muitas vezes, erradamente, lembrada como “Carta aos Brasileiros”, que é outro documento importante, de outra época), em que Lula deu sinais de que continuaria com os pilares da política econômica de FHC e não faria loucuras.

A essa altura, porém, as expectativas sobre o que faria Lula no Planalto já haviam catapultado a inflação.

Pelo menos 4 pontos nesses 12% podem ser atribuídos ao “efeito Lula”.

Dilma, naturalmente, lançando mão de memória seletiva, deixa de mencionar esse pequeno detalhe quando relembra o passado recente.

 

 

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