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inflação

26/01/2015

às 14:00 \ Política & Cia

Roberto Campos e preços que subiram 32 quatrilhões de vezes

(Foto: Getty Images)

Os zeros de um quatrilhão: do ano da proclamação da República, 1889, até 1991, os preços mundiais subiram em média 23 vezes. No Brasil, elevaram-se 32 quatrilhões de vezes, segundo as contas de Roberto Campos (Foto: Getty Images)

Alguns leitores devem se lembrar que já informei, aqui, estar em fase de organização de meu site pessoal, contendo milhares de textos, fotos, vídeos, áudios e outros materiais de várias décadas de carreira.

O site ainda não está pronto, mas pretendo disponibilizá-lo aos amigos do blog quando a transferência de material para ele estiver em fase mais adiantada.

Pois bem, o ato de organizar o site me tem dado a oportunidade de reencontrar todo tipo de material, desde longas reportagens, artigos de que não me lembrava mais e alguns milhares — sim, milhares — de notas que publiquei em colunas nos jornais e revistas em que trabalhei.

Uma delas é muito relevante para os leitores pós-Plano Real, que não sabem medir a importância que teve a ação dos governos Itamar Franco (1992-1995) e Fernando Henrique Cardoso (1995-2003) na derrubada da inflação — esta mesma inflação que, irresponsavelmente, a presidente Dilma deixou desandar em seu primeiro mandato.

A notinha abaixo dá uma ideia do que foi o horror da inflação que por décadas flagelou os brasileiros, principalmente os mais pobres.

Ela foi publicada no longínquo dia 24 de setembro de 1991 na “Coluna do Estadão” — coluna que não existe mais no jornal de que fui editor-chefe entre 1990 e 1992, tendo o Augusto Nunes como diretor de Redação. Cita o economista, ex-embaixador, ex-senador, ex-deputado, diplomata e gênio da raça Roberto Campos, falecido em 2001 aos 84 anos de idade:

O País da inflação

Vale replay este trecho do artigo dominical de Roberto Campos  no Estado:

“Enquanto nos 101 anos desde a proclamação da República os preços mundiais aumentaram em média 23 vezes, no Brasil eles subiram 32 quatrilhões de vezes!”

22/01/2015

às 19:30 \ Política & Cia

AÉCIO NEVES, em entrevista: “A candidata Dilma escolheu o caminho da mentira. Mentiu aos brasileiros sobre o que disse que faria”

(Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Com o governo fazendo o oposto do que prometeu em campanha, quem vai pagar a conta são os trabalhadores (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Entrevista a Marcelo Sakate publicada em edição impressa de VEJA

Aécio Neves foi atacado pela candidata à reeleição Dilma Rousseff durante a campanha eleitoral de 2014. O senador, que alertava para a necessidade de correção de distorções na política econômica, foi acusado de planejar uma receita de aumento de impostos e de juros para reequilibrar as contas públicas e combater a inflação – receita, agora, seguida por Dilma.

A VEJA, Aécio diz que a presidente está fazendo o oposto do que prometeu, como a decisão de promover mudanças nas regras para a concessão de alguns benefícios sociais. “Isso explica o grande sentimento de frustração e perplexidade que se percebe hoje no país”, diz o senador.

A presidente Dilma Rousseff tem adotado ou sinalizado medidas que atacou na eleição, como corte de gastos do governo e aumento de impostos e de juros. As circunstâncias mudaram?

As contradições são enormes. As circunstâncias não mudaram. Há muito tempo o PSDB alerta sobre as medidas equivocadas do governo Dilma na área econômica, que se traduziram em baixo crescimento, desequilíbrio fiscal, perda de competitividade da indústria e desequilíbrio externo.

Na campanha, falei diversas vezes da necessidade de ajustes para que a economia voltasse a crescer e pudéssemos continuar com a melhoria da renda e a redução das desigualdades e da pobreza, que, agora, estão em risco.

A candidata Dilma, mesmo conhecendo a gravidade do quadro econômico, não apenas negava a necessidade de ajuste como atacava aqueles que faziam o alerta.

Assistimos agora a um estelionato eleitoral sem precedentes, pois o governo terá de fazer um ajuste fiscal muito mais duro do que seria necessário no caso do PSDB, porque o mercado sabe que foi a própria presidente Dilma que, deliberadamente, entregou ao seu segundo mandato uma herança maldita.

Apesar dos alertas, a presidente deixou de tomar uma série de medidas e não hesitou em permitir que os problemas do país se agravassem, pensando apenas em vencer as eleições.

Quais as consequências de a presidente ter prometido uma política econômica e agora adotar outra?

Existe uma grande questão que, acredito, deve preocupar muitos dos aliados do governo: refiro­me à perda de credibilidade. E credibilidade é um ativo essencial a qualquer governo.

Na campanha, a candidata tinha dois caminhos: respeitar o povo, o que significa respeitar a verdade, ou mentir sobre a realidade e sobre as suas reais intenções.

A candidata escolheu o caminho da mentira. Mentiu aos brasileiros sobre o que disse que faria.

Vejo três grandes problemas. Primeiro, o estelionato eleitoral. O governo prometeu uma série de medidas que não vai cumprir e está agora elaborando, às pressas, um novo plano de governo que não discutiu com os eleitores.

Segundo, como o governo não se preparou para uma agenda de reformas, as providências estão sendo tomadas por meio de medidas provisórias, sem o debate com a sociedade e, principalmente, com os trabalhadores. O que se anunciou até agora são medidas isoladas que não fazem parte de uma agenda estrutural. Mudanças de tributos deveriam integrar uma reforma tributária, e não medidas isoladas com o único propósito de aumentar a arrecadação.

Terceiro, as medidas de ajuste estão sendo anunciadas pela equipe econômica, e não pela presidente, que deveria ter a responsabilidade de fazê-lo. Tem-se a impressão de que ela não está muito convicta das propostas e que, a qualquer momento, pode desautorizá-las.

Há quem argumente que campanha é uma situação e que o dia a dia do governo é outra.

Esse é o discurso de quem não respeita a população, de quem acredita que vale tudo, que se pode fazer o diabo para vencer uma eleição, até enganar o próprio povo.

Compromissos de campanha devem ser compromissos de governo. Se não for assim, as campanhas serão transformadas em concursos para ver quem mente mais e melhor.

É antiético prometer uma coisa e fazer algo totalmente diferente depois de eleito. A candidata prometeu que não iria mudar direitos sociais e, agora, propõe dificultar o acesso ao seguro-desemprego.

Falei na campanha da necessidade de reduzir os subsídios dos bancos públicos e de o governo cortar despesas, preservando investimentos sociais. A candidata Dilma prometia aumentar os subsídios e agora quer fazer um corte radical, prejudicando os trabalhadores.

Assistimos a um governo fazendo o oposto do que prometeu. Isso explica o grande sentimento de frustração e perplexidade que se percebe no país. Muita gente se sente enganada.

Dilma terá apoio político para levar adiante um programa econômico que ela e o PT tanto criticaram?

Há uma imensa confusão quando se fala que as medidas do governo são as mesmas que seriam adotadas pela oposição.

Não são. As medidas em um governo do PSDB seriam previamente discutidas com a sociedade, feitas de forma gradual e negociadas no Congresso. O governo terá problemas para aprovar algumas propostas.

O PT escolheu fazer o ajuste fiscal pela via simplista de aumento de impostos e redução de direitos trabalhistas, por meio de medidas provisórias, sem nenhuma discussão com a sociedade e sem enfrentar as questões estruturais.

Para usar uma expressão cara à presidente, trata-se de uma solução “rudimentar”. E injusta com os brasileiros.

Qual a avaliação do senhor em relação às medidas anunciadas?

Há um equívoco com relação ao instrumento utilizado. As medidas deveriam passar por amplo debate na sociedade e no Congresso. E eu não dificultaria o acesso ao seguro-desemprego em um período de baixo crescimento, em que o desemprego tende a aumentar. Isso é injusto com o trabalhador.

No caso do abono salarial, por que retirar totalmente o direito a esse benefício de quem trabalhou por menos de seis meses?

O correto não é tirar o benefício, mas sim torná-lo proporcionalmente maior para quem trabalhou por mais tempo.

O governo não quer o debate e repete, cada vez com menos constrangimento, a velha e carcomida fórmula de garantir apoio às suas propostas por meio da distribuição de cargos e espaços de poder aos aliados.

Infelizmente, quem vai pagar a conta serão, mais uma vez, os brasileiros e, em especial, os trabalhadores.

22/01/2015

às 14:00 \ Política & Cia

DOCUMENTO: Leia a íntegra do artigo de José Dirceu criticando a condução da economia pelo governo Dilma

Caminhamos para uma recessão. Com o governo consciente disso, esperamos

Texto publicado a 20 de janeiro de 2015 no Blog do Zé, do ex-ministro José Dirceu

Que 2ª feira! Calor, aumento de impostos num pacotaço anunciado pelo ministro da Fazenda, de juros e queda de energia em importantes cidades do país causada pela onda de calor inédita no pais…Ontem nem parecia uma 2ª feira, estava mais para uma 6ª feira 13. Só noticias ruins.

O aumento de impostos e dos juros são apenas consequências, desdobramentos da busca de um superavit de 1,2% do PIB este ano. A elevação dos juros visa derrubar a demanda e vem casada com o aumento do IOF – Imposto sobre Operações Financeiras para os empréstimos às pessoas físicas. Aí, também refreando o consumo.

Caminhamos assim – conscientemente, espero, por parte do governo – para uma recessão com todas as suas implicações sociais  e políticas. Fica evidente, empiricamente, pela prática, que o aumento dos juros não refreou a inflação cujas causas estão fora do alcance da politica monetária do Banco Central (BC), mas nos preços administrados, serviços e alimentos.

Quando a inflação cair…se cair…

Assim, quando a inflação cair – se cair… – será pela queda violenta da demanda e não pela alta dos juros. O que espanta é o silêncio de nossas autoridades sobre os efeitos da atual taxa Selic de 11,75% – o sonho de consumo do mercado financeiro – e sobre o serviço da divida interna de R$ 250 bi ao ano, ou o correspondente a 6% do PIB nacional. É a maior concentração de renda do mundo no período de um ano e para uma minoria detentora dos títulos públicos de nossa divida interna.

[Atualização: o Conselho de Política Monetária (Copom) aumentou nesta quarta-feira ara 12,25%.]

Como a arrecadação cairá com a recessão é preciso de novo que nossas autoridades expliquem como farão o superávit e manterão os investimentos públicos e os gastos sociais.  Têm de explicar: como o pais voltará a crescer?

Fora o fato que as autoridades da área econômica diariamente criticam abertamente os bancos públicos e seu papel de vanguarda no financiamento subsidiado (porque necessário) de nossa indústria, agricultura, infraestrutura social e econômica.

A pergunta que não cala é: quem os substituirá, quem continuará a desempenhar esse papel dos bancos oficiais?

Semana começa com muita apreensão sobre os rumos do país

Sobre o efeito maléfico e daninho dos juros altos na valorização do real e nas contas externas também nada, nem uma palavra… Nossa indústria que se vire. A semana começa, assim, com muita apreensão pelos caminhos do país. Mas podem ter certeza, com muita festa no mercado financeiro e nas redações de nossa mídia.

Mesmo que haja algum choro e ranger de dentes pelo aumento dos impostos, no fundo dirão, melhor assim que uma reforma tributária que taxe os ricos, o patrimônio e a renda, as fortunas e heranças e os fantásticos lucros financeiros. Isso, talvez, explique o silêncio dos responsáveis pela política econômica e pelo governo sobre a volta da CPMF ou de algum outro imposto ou tributo equivalente e que cumpra seu papel.

20/01/2015

às 16:30 \ Política & Cia

Veto de Dilma ao reajuste de 6,5% da tabela do Imposto de Renda é um retrocesso

(Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Prejuízo: ao vetar o reajuste da tabela do Imposto de Renda, a presidente Dilma pune o contribuinte (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Avaliação é de Cláudio Damasceno, presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal. Prejuízo do contribuinte ante o IPCA já é de 64,28%

O veto da presidente Dilma Rousseff ao reajuste de 6,5% para a tabela do Imposto de Renda de Pessoa Física este ano – como previa emenda do deputado Mendonça Filho (DEM-PE) ao Projeto de Lei de Conversão 018/2015 – é um retrocesso e mais uma pesada punição imposta ao contribuinte.

A avaliação é de Cláudio Damasceno, presidente do Sindifisco Nacional (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal), ao comentar a decisão presidencial, publicada hoje no “Diário Oficial da União”.

Com o fechamento do IPCA de 2014 em 6,41%, a defasagem da tabela do IRPF acumulada desde 1996 chega a 64,28%. Pelo índice oficial de inflação e reajustes salariais que superam os 8%, muitos contribuintes passaram a descontar IRPF – ou mudam de faixa de alíquota, e com isso são mais tributados – pelo simples fato de terem melhorado seus ganhos nas datas-base.

A ideia do Governo Federal seria o reajuste de 4,5%, como já deu a entender o ministro Pepe Vargas (Relações Institucionais) – restabelecendo aquilo já anunciado por Dilma em 30 de abril passado, cuja medida provisória perdeu a validade no final de 2014. Se o Palácio do Planalto enviar MP ao Congresso com esse percentual, no final de 2015 a defasagem (mantida a projeção para o IPCA em 6,79%) estará em 67,88%.

Prejuízo de 75% – Porém, pode ser pior. Basta que o Governo Federal, por conta do ajuste fiscal que pretende impor, dê reajuste zero à tabela. Assim, a defasagem pode chegar ao final deste ano em 75,43% – caso o IPCA feche nos previstos 6,79%. Estudo elaborado pelo Sindifisco Nacional, com base em informações da Receita Federal e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), chega a essa conclusão.

“O contribuinte mais uma vez é o maior sacrificado. E a situação preocupa, porque não há regra prevista. Há somente acenos da parte do Governo”, lamentou Damasceno.

17/01/2015

às 18:00 \ Política & Cia

A campanha eleitoral cínica e mentirosa feita por Dilma vem sendo desmascarada a cada dia. Agora, é a vez da pancada nas contas de luz — que podem subir em média 40%

Reajuste na conta varia de distribuidora para distribuidora (Foto: Itaci Batista/Estadão Conteúdo)

Aumentos na conta de luz: governo empurrou os custos reais das elétricas para debaixo do tapete para mascarar a inflação, causou um rombo de mais de 17 bilhões ao setor, teve que lhe emprestar dinheiro — e, agora, chegou a vez de o consumidor pagar a conta (Foto: Itaci Batista/Estadão Conteúdo)

Post originalmente publicado às 18h56 de 14 de janeiro de 2014

Ficou para a história do mau caratismo em campanhas eleitorais o debate pela TV, no segundo turno da eleição presidencial do ano passado, no qual a presidente Dilma afirmou que seu oponente, o tucano Aécio Neves, iria adotar “medidas impopulares”, o que ela simplificou de forma calhorda para “ou seja, medidas contra o povo”.

Em país sério, líder que anuncia adotar e principalmente líder que põe em prática medidas impopulares — pensando no bem do país, em consertar erros, em colocá-lo no rumo e não, como gênios do mal, esfregando as mãos de prazer em prejudicar “o povo” –, independentemente de sofrer prejuízos eleitorais, é candidato certo a estadista.

No manequeísmo primário que vivemos no Brasil, porém, quem toma medidas pensando em futuras gerações, e não em futuras eleições, é apedrejado demagogicamente pelos adversários — e o pior de tudo é que eles sabem que, uma vez no poder, terão que fazer muito, ou tudo, do que criticavam no outro.

O caso da presidente Dilma já está se tornando clássico. No afã de obter votos, ela atribuiu a Aécio até iniciativas que ele não chegou a prometer — as “medidas impopulares”, que certamente precisariam ser levadas a efeito para fazer frente à herança maldita dilmista, foram referidas pelo economista e ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, que seria o ministro da Fazenda de Aécio.

Pois foi só passar a eleição, e foi aquilo que vimos, e estamos vendo: subida nos juros, depois uma paulada em meia dúzia de benefícios da Previdência Social que não excluiu nem viúvas, um brutal corte de despesas etc etc… Agora, como jornalistas independentes cansaram de repetir durante a campanha eleitoral, chega a vez de começar pagar a conta da demagogia de empurrar para debaixo do tapete custos enormes, que tornariam ainda pior a inflação da herança maldita que Dilma acabaria deixando para si própria.

Dilma debatendo com Aécio na Globo: confundindo de propósito "medidas impopulares" com "medidas contra o povo" -- que, agora, ela está adotando (Foto: Reprodução TV Globo)

Dilma debatendo com Aécio na Globo: confundindo de propósito “medidas impopulares” com “medidas contra o povo” — que, agora, ela está adotando (Foto: Reprodução TV Globo)

No caso, da energia elétrica, com preços artificialmente controlados pelo governo anterior de Dilma, o que levou as empresas geradoras e distribuidoras a um monumental déficit, coberto aqui e ali por empréstimos favorecidos pelo governo para que as empresas não quebrassem. Mas a brincadeira está acabando, e, para compensar o arrocho artificial na eletricidade, vem aí — preparem-se, todos! — uma paulada considerável nas contas de energia elétrica. A coisa pode chegar a… 40% EM MÉDIA, ou seja, haverá muitos casos em que estará acima deste patamar — isso num país em que, jurava a presidente-candidata, a inflação “está sob controle”.

A estimativa de que as contas de energia elétrica devem subir, em média, 40% em 2015 vêm de uma estimativa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que foi apresentada na segunda-feira à presidente Dilma Rousseff e aos novos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e de Minas e Energia, Eduardo Braga.

O aumento é bem maior do que o que consta no relatório de inflação do Banco Central, que previa alta de 17% e pode representar um acréscimo de 1,2 ponto porcentual no índice de inflação (IPCA) deste ano.

Segundo o jornal Valor Econômico, referido em matéria de VEJA.com, na estimativa da Aneel já está previsto o fim da ajuda do Tesouro às elétricas.

Diz ainda VEJA.com que “em ano de corte de gastos, o governo disse na segunda-feira que não bancará mais o rombo financeiro, deixando para trás a política tão defendida pela presidente em 2012, baseada em subsídios ao setor”.

Só em 2014 as elétricas precisaram tomar emprestados colossais 17,8 bilhões de reais.

Agora, quem começará a pagar a conta somos nós, consumidores.

24/12/2014

às 18:45 \ Política & Cia

A charge de SPONHOLZ: “Ho, ho, ho…”

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22/12/2014

às 17:00 \ Política & Cia

Rumo à tempestade: se as previsões se concretizarem, 2015 será um enorme desafio para o Brasil

(Imagem: Business Review USA)

O ano que vem traz diversos obstáculos à economia brasileira, que depende da americana, da russa, da chinesa… (Imagem: Business Review USA)

NO RUMO DA TEMPESTADE

Editorial publicado no jornal O Estado de S. Paulo

Se os maus presságios se confirmarem, o Brasil terá de enfrentar em 2015 uma tempestade quase perfeita — aumento de juros nos Estados Unidos, financiamento mais caro, preços em queda no mercado de matérias-primas, crise na Rússia, crescimento menor na China e recuperação muito lenta na Europa.

Nem tudo será ruim: a economia americana continuará avançando e o ritmo da expansão chinesa, embora mais fraco, ainda será próximo de 7% e isso também contribuirá para algum dinamismo no comércio global. Mas o país estará pouco preparado para aproveitar as oportunidades. Depois de anos de mau governo e de baixo investimento, os fundamentos da economia nacional são frágeis e a indústria compete com muita dificuldade no mercado global.

Para o Brasil, as projeções mais otimistas apontam um crescimento econômico próximo de 1,5% no próximo ano. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) incorpora como referência a estimativa de 0,8%. No mercado financeiro a mediana das previsões está próxima de 0,7%.

O futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy, promete um ajuste balanceado das contas públicas, mas, de toda forma, ele deverá trabalhar por um superávit primário — dinheiro para o pagamento de juros — equivalente a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB). Para ser fiel a esse compromisso ele deverá dosar o aperto de acordo com as condições internas e externas — e estas poderão ser muito desfavoráveis.

Além disso, o Banco Central (BC) terá de cuidar de pressões inflacionárias ainda muito fortes e de responder, ao mesmo tempo, aos problemas causados por um cenário internacional potencialmente turbulento. O presidente do BC, Alexandre Tombini, já indicou a disposição de intervir no mercado cambial de acordo com o tamanho dos desafios.

Câmbio, custo de financiamentos no mercado internacional e pressões inflacionárias dependerão em boa parte de como o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ajustar sua política de juros. A próxima elevação da taxa ocorrerá quase certamente em 2015, talvez no meio do ano, segundo as indicações do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), formado por dirigentes do Fed.

Depois de sua última reunião, na quarta-feira, o comitê divulgou as novas projeções formuladas por seus integrantes: crescimento econômico entre 2,6% e 3% em 2015, desemprego na faixa de 5% a 2,5% e preços ao consumidor com aumento entre 1% e 1,6%.

A inflação ainda bem abaixo da meta de longo prazo (2% ao ano) poderá retardar o aumento de juros, há vários anos mantidos entre zero e 0,25% ao ano. Mas todos os membros do comitê projetam juros mais altos em 2015. A mediana das estimativas indica taxas de 1,125% para o fim de 2015 e de 2,5% para 2016. O quadro ficará pior se a crise russa se prolongar e a aversão ao risco desviar capitais dos emergentes.

Se a política do Fed resultar em valorização do dólar, no Brasil e os dirigentes do BC terão de enfrentar um dilema. Um real depreciado facilitará as exportações e a melhora do saldo comercial, mas também poderá alimentar a inflação. Neste ano, preferiu-se limitar a desvalorização da moeda nacional e conter o risco inflacionário.

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19/12/2014

às 14:00 \ Política & Cia

Governo Dilma II e o otimismo baseado no governo Lula I

Dilma: para 'Forbes', o mercado não quer a presidente (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Segundo mandato de Dilma: equipe econômica liderada por Joaquim Levy gerou otimismo exagerado (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

DILMA E AS CIRCUNSTÂNCIAS DO GOVERNO QUE HERDOU

Artigo de Paulo Moura*

A presidente Dilma esforça-se para transparecer que o momento é de normalidade e que reina a calmaria na cena política. O anúncio da equipe econômica foi o lance principal desse esforço para impor uma agenda positiva ao noticiário dominado pelo escândalo da Petrobras e pelos números cada vez piores da economia.

O “mercado”, dizem, reagiu bem aos três nomes. Sempre acho estranha essa propensão ao otimismo e ao desejo de acreditar no governo que essa entidade abstrata que chamam de “mercado” revela pela boca de certos comentaristas. Qualquer analista com conhecimentos parcos da teoria econômica poderia prever, com base nos livros e na experiência, que as aventuras de Dilma e Mantega na condução da economia só poderia dar no que deu.

As estripulias começaram quando Mantega assumiu o ministério da Fazenda esforçando-se para destruir o trabalho de Henrique Meireles no BC, para conter a inflação. Isso, no entanto, não impediu a conceituada revista The Economist de insuspeitas inclinações liberais, de publicar aquela capa com o Cristo Redentor disparando aos céus como um foguete a representar a suposta consistência dos rumos do Brasil sob comando petista.

Não bastaram a teoria e as experiências pregressas com as concepções econômicas de Dilma e Mantega para The Economist projetar o cenário que hora se apresenta. Foi preciso o fracasso se apresentar como evidência e prova para que The Economist publicasse outra capa com nosso Cristo voando como galinha rumo ao fundo da baía da Guanabara.

E o erro se repete com a anúncio da “nova” equipe econômica. A toada dos comentaristas chapa branca reconhece os tempos difíceis, afinal, não dá para negar o óbvio, mas revela otimismo e confiança de que Dilma teria se rendido e jogado os livros nos quais estudou economia no lixo e mudado de posição para o extremo oposto.

O fiador desse otimismo injustificado é Joaquim Levy. Somente ele. Nelson Barbosa reza pela cartilha de Dilma e Mantega em matéria econômica e somente saiu do governo por discordar da criatividade de Arno Augustin no trato da contabilidade governamental.

O aumento dos juros logo após a eleição foi percebido pelo “mercado” como sinal de independência do BC. É o contrário. O aumento dos juros se fazia necessário muito antes da eleição e só não aconteceu porque Tombini obedeceu as ordens de João Santana. Tombini somente foi guindado à presidência do BC por ser submisso a Dilma.

As tintas com que mandaram pintar a fachada da “nova” política econômica, de fato, respondem à necessidade incontornável de corrigirem-se as trapalhadas de Dilma e Mantega nos dois últimos mandatos presidenciais. Levy é um cavaleiro solitário lutando contra o exército de ministros da Dilma, todos sedentos por gastar, gastar e gastar.

Os otimistas baseiam seu otimismo na comparação entre o governo Dilma II com o governo Lula I. Ocorre que os ajustes ortodoxos patrocinados por Palocci no governo Lula I foram implementados tendo como base uma economia com os fundamentos organizados legados por FHC ao seu ingrato sucessor.

A situação atual é muito diferente. Não há mais dinheiro sobrando no mundo com disposição para correr riscos em apostas em quem pensa e governa como Dilma e o PT. Há quem confunda inflação com o índice que o IBGE divulga de tempos em tempos. O índice é apenas o índice. Inflação é um fenômeno econômico decorrente do descontrole do gasto público e não do aumento ocasional do preço do chuchu, do tomate, da carne ou dos ovos.

Enquanto os fundamentos da economia não forem reorganizados, não bastará ao BC aumentar ainda mais, e sem convicção, os juros, para conter a inflação. A bagunça é tamanha que torna difícil entender-se a pressa com que o “mercado” sorriu para Dilma olhando para Joaquim Levy.

As análises mais sérias que se podem encontrar nas páginas dos jornais projetam um cenário de prolongada estagnação (ou recessão) com inflação cercando o teto da meta nos próximos dois anos, somente caminhando para um crescimento de 2% do PIB em 2018, ano em que Lula decidiu voltar à Presidência da República. Isso, é claro, se Dilma deixar Joaquim Levy fazer tudo o que precisa ser feito para consertar seus estragos.

Faltou combinar com os árabes, que decidiram derrubar os preços do petróleo para um patamar próximo dos U$ 50,00 o barril, por cerca de quatro ou cinco anos, para tornar desinteressante aos americanos o investimento nos novos métodos de produção do ouro negro e do gás de xisto.

Essa decisão levará a Venezuela ao colapso nos próximos dias e forçou Cuba a abrir as pernas para Obama, pois os Castro sabem que da Venezuela e do Brasil não receberão mais almoço “grátis” às nossas custas. Só o capitalismo, de mercado ou de estado, salvará Cuba de um destino venezuelano. E isso tem fortes impactos políticos sobre o projeto bolivariano hegemonista que o Foro de São Paulo projetava para o continente. Dilma terá que se virar sozinha para sair dessa enrascada.

Tudo indica que recém começa-se a perceber o tamanho do estrago que a quebra da Petrobras causará à economia brasileira. Os custos econômicos dessa aventura patrocinada pelos corsários do lulopetismo ainda não são claros e crescem assustadoramente a cada dia que passa. Lula e Dilma gastaram os créditos futuros do pré-sal. A Petrobras não tem dinheiro nem crédito para financiar a exploração no mar profundo. Explorar esse petróleo se tornou desinteressante com o barril a U$ 50,00.

Isso que as investigações nas demais obras públicas de todo o país e de vários ministérios, da lista de 750 encontradas na planilha de Alberto Youssef, sequer começaram. Dadas as circunstâncias, não convém, também, menosprezar a declaração do Procurador Federal Hélio Telho Corrêia Filho ao afirmar que o escândalo do BNDES poderá ser sete vezes maior do que o do petrolão.

Terá Dilma a humildade, a competência e a coragem para desfazer a enorme trapalhada de Lula quando resolveu mudar o sistema de exploração do petróleo do modelo de concessões criado por FHC, pelo modelo de partilha? Será possível recuperar a Petrobras sem privatizá-la? E se a privatização for inevitável, Dilma venderia o que sobrou da “nossa” queridinha? E a Eletrobras? E o BNDES? Duvido!

*Paulo Moura, professor universitário, é cientista social, consultor de comunicação e marketing político em campanhas eleitorais e analista político e de pesquisas de opinião e de mercado.

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09/12/2014

às 20:15 \ Vasto Mundo

ARGENTINA: A mentira da inflação oficial e outros contos-do-vigário do governo Cristina Kirchner

(CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)

Post publicado originalmente a 29 de março de 2013

Reportagem de Duda Teixeira, de Buenos Aires, publicada na edição de VEJA que está nas bancas

Campeões-de-audiênciaO CONTO ARGENTINO

Cristina Kirchner faz com as estatísticas econômicas o mesmo que os seus militantes com os fatos históricos – uma manipulação grosseira da realidade. Quem sofre é o povo

A Argentina é um país onde o passado parece sempre mais auspicioso que o presente e o futuro. A falsificação da própria história é um traço da cultura nacional. O populista Juan Domingo Perón, que fez a desindustrialização forçada do país e o tomou dependente de importações pagas em dólares de produtos que vão de escovas de dentes a automóveis, é tido como grande inovador da economia.

Da sua mulher, Evita, não basta constatar que magnetizou as massas na Argentina como política, é preciso acreditar que ela também foi uma atriz de grandes méritos. Os kirchneristas representam muito bem essa característica e recorrem à manipulação do passado. A tentativa de enxertar no currículo do papa Francisco, um crítico do governo, um episódio de colaboração com a ditadura militar é só a mais recente dessas invenções.

Para esconder a ruína de seu desgoverno, Cristina Kirchner recorre à fabulação do presente tão intensamente quanto o faz em relação ao passado. As estatísticas econômicas oficiais viraram piada. A inflação anual oficial foi de apenas 10%. O valor real é 24%, com a projeção de bater em 30% no fim de 2013.

O ilusionismo kirchnerista é um desastre anunciado e um atentado à economia popular. Um argentino que acredite no governo e aceite a remuneração média dos investimentos em bancos, em tomo de 13%, poderá imaginar que está protegendo seu dinheiro da desvalorização. Está sendo depenado pela inflação real. Ao argentino está vedada até mesmo a fuga para o mercado imobiliário, opção preferencial em momentos de incerteza, já que as transações eram quase todas feitas em dólar.

A exemplo do que ocorre em Cuba, na Argentina ter dólar é impatriótico. Agora, a compra e a venda de imóveis têm de ser, por força de lei, em pesos. Como a maioria dos argentinos — escolados por décadas de regras econômicas voláteis — tem poupança em dólares, ser obrigado a convertê-los em pesos pelo câmbio oficial irreal equivale a ser roubado pelo governo. Por causa dessa imposição, a oferta supera em muito a procura e o valor das propriedades na Argentina está encolhendo. No último ano, a queda foi de 30%.

Como governos autoritários não precisam demonstrar coerência, a Argentina oficial sem inflação precisou recorrer ao congelamento de preços. A realidade é outra. E a realidade econômica morde. Obviamente, como se aprende no 1º ano da faculdade de economia, quando se congelam preços nos supermercados o consumo aumenta e, por uma incontornável lei econômica, pressiona a alta dos preços. É o que ocorre agora na Argentina.

 

Argentina: Cristina Kirchner defende inflação "oficial" muito inferior aos cálculos do mercado (Divulgação/Casa Rosada)

Argentina: Cristina Kirchner defende inflação “oficial” muito inferior aos cálculos do mercado (Foto: Divulgação / Casa Rosada)

O governo reagiu com a patética tentativa do secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, de proibir que os supermercados publiquem ofertas nos jornais. Moreno jogou mais gasolina na fogueira: “Ficou mais difícil para os consumidores comparar preços. Como resultado, a concorrência entre os supermercados diminuiu, o que estimula a inflação”, diz o economista Juan Luis Bour, da Fundação de Investigações Econômicas Latino-americanas (Fiel), em Buenos Aires. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

08/12/2014

às 14:00 \ Política & Cia

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