Blogs e Colunistas

inflação

21/08/2014

às 16:00 \ Vasto Mundo

VENEZUELA: Não faltava mais nada. Agora, governo bolivariano instalará controles eletrônicos para impedir as pessoas de… comprar!

Retrato da Venezuela hoje: filas enormes de consumidores que esperam encontrar produtos básicos em supermercado da capital, Caracas (Diego Braga Norte/Veja.com/VEJA)

Retrato perfeito da Venezuela bolivariana: filas enormes de consumidores que esperam encontrar produtos básicos em supermercado da capital, Caracas — e raramente encontram. O mercado negro dispara (Diego Braga Norte/Veja.com/VEJA)

Governo quer impedir que pessoas comprem o mesmo produto duas vezes na mesma semana. Medida desastrada é paliativa e pune a população

Do site de VEJA

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, decretou na noite desta quarta-feira a instalação de um mecanismo de “controle biométrico” para limitar as compras de produtos e alimentos nos supermercados e mercados públicos e privados do país. “A ordem já está dada, através da superintendência de preços, para que se crie um sistema biométrico em todos os estabelecimentos e redes distribuidoras e comerciais da República”, disse Maduro durante mensagem em rede nacional de rádio e TV.

A regulação do consumo nas redes públicas já vinha sendo aplicada sistematicamente na Venezuela desde o início do ano, mas é a primeira vez que o governo Maduro interfere nas redes privadas de supermercados do país. Em 2010, o então presidente Hugo Chávez desapropriou as lojas da cadeia de supermercados Exito, do grupo francês Casino.

Mercado negro é alternativa para supermercados estatais vazios

Com a escassez crônica, o mercado negro – mantido por pessoas que estocam produtos básicos para revendê-los – na Venezuela é uma alternativa aos supermercados estatais vazios, porém limitar o consumo não é uma medida que ataca a origem do problema: a péssima gestão econômica do país.

Há ainda outra questão problemática na medida anunciada por Maduro, pois limitar o consumo em redes privadas é um ato ilegal, que interfere na administração e nos possíveis lucros das empresas. A medida desastrada ainda penaliza justamente a parte mais afetada pela escassez, a população.

Inflação já passa dos 60% ao ano

O mecanismo utilizará leitores óticos de impressões digitais para reconhecer cada comprador de produtos básicos. Segundo Maduro, “o sistema biométrico será perfeito” e servirá para evitar o que chamou de “fraude” envolvendo milhões de litros de gasolina e toneladas de alimentos subsidiados pelo governo, no momento em que a Venezuela enfrenta a falta de diversos produtos básicos e uma inflação anual que supera os 60%.

O sistema visa a impedir que uma pessoa compre o mesmo produto duas vezes na mesma semana, em qualquer supermercado das redes governamentais e privadas da Venezuela. Vários funcionários do governo Maduro indicaram que no prazo de 90 dias haverá um “programa piloto” para iniciar a venda controlada de produtos básicos no país “de maneira ordenada e justa”.

Maduro também anunciou “um sistema de referência” que processará a informação de tudo o que for distribuído e armazenado “para todos os produtos e insumos que movem a economia do país”. O presidente ordenou ainda o “confisco, de maneira imediata, de todos os elementos” utilizados para contrabando, incluindo galpões e veículos, que serão revertidos para os programas estatais de alimentos.

Maduro convocou as forças militares e policiais para deter todos os envolvidos em desvios e contrabando.

Leiam mais
Supermercado estatal é o retrato da falência da Venezuela
Venezuela: crise e escassez fazem roubos de alimentos dispararem

Racionamento: os consumidores são fichados e recebem senhas para comprar na rede estatal

O sistema de controle de compras é a mais nova tentativa paliativa de Maduro para combater a escassez causada pela ingerência econômica de seu próprio governo. Desde março, as compras na rede estatal de supermercados – com preços subsidiados – são possíveis apenas dois dias por semana e com limite de produtos por consumidor.

Os venezuelanos interessados são fichados e recebem senhas, que funcionam em sistema de rodízio. Nas segundas-feiras podem comprar aqueles com as senhas terminadas em 1 e 2, 3 e 4; às terças e  quartas-feiras são os dias para os finais 5 e 6, 7 e 8. As quintas e sextas-feiras são reservadas aos consumidores com senhas que terminam em 9 e 0.

Violência: 65 mortos por dia

A Venezuela atravessou uma violenta onda de protestos entre fevereiro e final de maio devido à inflação, à falta de produtos básicos – como papel higiênico, açúcar, farinha ou leite – e à altíssima violência e criminalidade, que provocam em média 65 mortes por dia no país.

Os protestos foram repreendidos e resultaram na morte de mais de 40 pessoas, além de mais de 700 feridos.

20/08/2014

às 0:00 \ Disseram

“Não sei”

“Eu não sei, eu não sei da onde que estão seus dados.”

Dilma Rousseff, falando seu tradicional dilmês, em entrevista ao Jornal Nacional, ao “responder” à pergunta de William Bonner sobre “inflação alta, indústrias com estoques elevados, ameaça de desemprego ali na frente”

16/08/2014

às 16:00 \ Vasto Mundo

Após sete anos tentando, a Lituânia finalmente entrará para a zona do euro. O país comemora como um passo adiante

(Foto: Delfi.lt)

Em julho, a casa da moeda da Lituânia já começou a produzir euros em preparação para o ano que vem, quando adotará a moeda (Foto: Delfi.lt)

O último dos países bálticos da antiga União Soviética finalmente adotará o euro no início do ano que vem. A Lituânia, país de 3 milhões de habitantes e cerca de 65 mil quilômetros quadrados, já está produzindo a moeda comum europeia, que deve entrar em circulação em 1º de janeiro de 2015.

O anúncio de que a Lituânia se tornaria o 19º membro da zona do euro foi feito no dia 23 de julho por líderes europeus.

A introdução do país na moeda comum marcará também uma mudança de regras no Banco Central Europeu. Por enquanto, todos os membros do Conselho têm direito de voto nas políticas adotadas, mas, a partir da entrada da Lituânia, o poder de cada país será baseado em seu tamanho.

Com a mudança, os cinco maiores países terão, em conjunto, quatro votos, e os catorze restantes terão onze.

A Lituânia investe na missão de entrar na zona do euro desde 2007. Na época, a inflação nacional era um pouco alta, o que fez com que a União Europeia perdesse o interesse no país.

Desde que foi determinada a adoção do euro, a Casa da Moeda nacional tem trabalhado a todo vapor — e em três turnos. Saulius Vaitiekunas, diretor do órgão, afirmou que a produção é de mais de dois milhões de moedas a cada 20 horas.

Vytis, o símbolo ancestral da Lituânia

Vytis, o símbolo ancestral da Lituânia, estará no verso do euro que circulará no país

Enquanto alguns lobos solitários desaprovam a medida, sob o argumento da luta da Lituânia pela independência e pela moeda própria, a maior parte da população está entusiasmada — comerciantes já sabem calcular seus preços em ambas as moedas, e a facilidade deverá atrair turistas. Alguns dizem até que a Lituânia teria superado a crise global de 2008 mais rapidamente se utilizasse o euro.

Repete-se, com a Lituânia, o que ocorreu com vários outro países da Europa Oriental: enquanto muita gente fora da Europa e na própria Europa Ocidental veja com ceticismo a União Europeia e seu futuro, os países ex-comunistas sob a órbita da antiga URSS transformam em festa nacional sua adesão ao grupo e, quando chega a vez, à moeda comum. Encaram esses degraus como importantes passos adiante no progresso do país e em sua integração à comunidade internacional.

Foi assim na Polônia, na Hungria, na República Checa, na Eslovênia, na Eslováquia… Eu estava na Europa quando a Croácia foi admitida na UE, em julho do ano passado — e lembro-me de que o país inteiro comemorou como se fosse um Carnaval.

Mais do que em qualquer outra parte, na ex-área de domínio e influência da extinga URSS a União Europeia é vista como sinônimo de estabilidade política, fortalecimento econômico (apesar da brutal crise que se abate sobre a Europa desde a crise mundial de 2008), democracia, direitos humanos e crescimento civilizatório.

O argumento normalmente usado contra o euro (e que, em alguns casos, foi verdadeiro), de que sua introdução provoca um nivelamento para cima dos preços, parece que não vai ocorrer na Lituânia. As autoridades econômicas do país estimam que o aumento de preços com a troca da moeda será de 0,2% — contra uma inflação prevista para 1,5% no ano que vem.

Para manter o máximo possível da identidade nacional na moeda, o artista plástico lituano Antanas Zukauskas foi contratado para personalizar a parte de trás da versão lituana do euro com Vytis, o “Cavaleiro Branco”, símbolo heráldico do país desde 1366. O ícone foi proibido na época soviética e adotado como símbolo da luta pela independência em relação à ex-URSS.

16/08/2014

às 15:00 \ Política & Cia

SARDENBERG: A possibilidade de Marina Silva substituir Eduardo Campos como candidata leva o jogo das eleições de volta ao início

(Foto: ABr)

“Campos, na chapa, era o lado amigável ao mercado e, Marina, o social. (…) Agora, ela deve atrair os votos dos eleitores arrependidos, mas vai precisar de muita habilidade para manter a aliança original”  (Foto: Agência Brasil)

COMEÇAR DE NOVO

Simplificando, para facilitar, se poderia dizer que Campos era o lado ‘amigável ao mercado’; Marina, o social

Artigo publicado no jornal O Globo

Carlos-Alberto-Sardenberg1Há pesquisas eleitorais já prontas para divulgação, outras em campo. Não servem para mais nada. Marina Silva no lugar de Eduardo Campos muda o jogo na política e nas perspectivas econômicas.

Confirmada candidata a presidente, Marina pode obter entre 15% e 20% logo na primeira pesquisa. Com isso, chega nos calcanhares de Aécio Neves e torna praticamente inevitável o segundo turno.

O sentido da candidatura também muda. Sim, havia uma aliança, um acordo entre Campos e Marina, mas o candidato era o ex-governador de Pernambuco, com seu perfil: de esquerda e “amigável aos negócios”, como dizem os economistas para os líderes que se propõem a buscar justiça social no quadro do regime capitalista.

O papel de Marina, no essencial, era atrair os votos das pessoas que foram às ruas em junho do ano passado e que, apontavam as pesquisas, não se identificavam com os políticos tradicionais. Ao contrário, manifestavam uma bronca geral com a política. Marina estava fora disso. As pesquisas também indicaram que, entre os políticos conhecidos, era a única aprovada pelos manifestantes.

Aquelas manifestações não tinham uma agenda política determinada. Talvez por isso mesmo tenham sido tão amplas. O pessoal estava de bronca com a política, com a corrupção, com a inflação, com os serviços públicos, especialmente saúde e escolas, e com tudo o mais.

A chapa Campos/Marina era uma boa ideia por isso: uma tentativa de atrair esse pessoal, ou seja, os votos de Marina, para uma posição institucional, organizada, com metas e programa, representada pelo ex-governador de Pernambuco. Eis a terceira linha. Poderia ou não convencer o eleitor, mas fazia sentido.

Marina é certamente de esquerda, com o forte lado do ambientalismo. Há empresários e economistas ortodoxos ou próximos disso no seu time, mas ela está à esquerda deles. Nos meios econômicos, nos quais Eduardo Campos estava ganhando espaço, a restrição à chapa era justamente a presença de Marina.

Simplificando, para facilitar, se poderia dizer que Campos era o lado “amigável ao mercado”; Marina, o social. Ainda nos meios econômicos, era crescente a admiração pela administração de Campos em Pernambuco, sobretudo pela introdução de métodos de gestão privada inclusive nas áreas de educação e saúde.

De outro lado, ia por aí mesmo a bronca de muitos militantes da Rede Sustentabilidade, o verdadeiro partido de Marina Silva. Reclamavam da falta de maior compromisso do time de Campos com o social e a sustentabilidade.

O que reduzia essas tensões era a atuação pessoal dos dois líderes.

Resumindo: confirmada candidata, Marina Silva deve aparecer com talvez o dobro das intenções de voto obtidas até aqui por Campos. Deve atrair votos de eleitores de Dilma arrependidos. Mas terá de mostrar muita habilidade política para manter a aliança original.

De todo modo, ela deve garantir um segundo turno. Alcançará Aécio? Só se conseguir juntar os votos dela com todos aqueles dos eleitores de Campos e mais um pouco do centrão.

Aécio fica sozinho no centro, naquela região em que se quer mudar a política econômica num sentido mais conservador, mais pró-negócios. Deve herdar os eleitores de Campos que se aproximavam desse lado.

Isso no lado da oposição. Dilma deve ficar onde está — ou perder um tanto se Marina for mais para a esquerda. Ou seja, o jogo mudou. Aqui estão as primeiras especulações, mas vai começar de novo.

(PARA CONTINUAR LENDO, CLIQUEM AQUI)

01/08/2014

às 20:00 \ Política & Cia

Vocês tiveram perdas com a poupança devido aos planos econômicos dos anos 80 e 90? Se sim, mesmo ganhando na Justiça, receberão muito menos do que o previsto

REALISMO — Rodrigo Janot, o procurador-geral: cálculos corrigidos e mais precisos (Foto: Wilson Dias/ABr)

REALISMO — Rodrigo Janot, o procurador-geral: cálculos corrigidos e mais precisos (Foto: Wilson Dias/ABr)

FOI BEM MENOR

Uma nova avaliação reduz drasticamente os ganhos estimados dos bancos graças aos planos econômicos, enfraquecendo a defesa dos poupadores no STF

Reportagem de Giuliano Guandalini publicada em edição impressa de VEJA

Caiu por terra um dos pontos centrais da peça de defesa dos poupadores que tentam, há anos, recuperar supostas perdas com os planos econômicos dos anos 80 e 90. Pelo argumento de seus advogados, houve prejuízo porque as correções das cadernetas ficaram abaixo da inflação. Ao mesmo tempo, os bancos teriam auferido lucros extraordinários, por terem pago um rendimento inferior ao devido.

As ações dizem respeito aos planos Bresser, Verão, Collor I e Collor II. A defesa se ancorava em uma estimativa feita em 2010 pela Procuradoria-Geral da República (PGR), segundo a qual as instituições financeiras teriam ganhado 441,7 bilhões de reais graças aos planos.

Para os advogados dos poupadores e também para as organizações de defesa dos consumidores, esse dinheirão todo seria suficiente para pagar os chamados expurgos das correções devidas nas cadernetas. Na semana passada, entretanto, a PGR divulgou uma nova estimativa e a conclusão foi bem diversa. Os lucros bancários teriam sido, na verdade, de 21,9 bilhões de reais, um valor 95% mais baixo.

A discrepância se deve a um erro grosseiro cometido na avaliação anterior. Havia sido considerado como lucro o saldo total na chamada faixa livre de depósitos da poupança. Parte dos recursos da caderneta tem destino carimbado, devendo ser empregada em financiamentos habitacionais e agrícolas. Mas 20% dos depósitos podem ser usados livremente pelos bancos.

Na avaliação anterior, a PGR havia contabilizado como lucro o total de recursos disponíveis nessa faixa – ou seja, confundiu saldo com ganhos. Os 21,9 bilhões de reais, pelos valores revistos, seriam o lucro bruto. Descontando-se os tributos e os custos operacionais, o ganho líquido dos bancos, se houve algum, não superou 15 bilhões de reais.

Mesmo admitindo que os bancos de fato tenham lucrado esses 15 bilhões, o montante é enormemente inferior aos mais de 100 bilhões de reais de custos estimados para o sistema financeiro em caso de vitória dos poupadores no Supremo Tribunal Federal.

Nesse cenário, haveria consequências preocupantes para a economia. Os bancos ficariam descapitalizados, o que derrubaria a concessão de crédito. “Faz bem o Supremo em analisar essa questão com todo o cuidado que ela merece”, afirma uma fonte do governo.

O julgamento foi suspenso em maio, justamente para que a PGR pudesse fazer uma reavaliação dos valores. Tanto os bancos como o governo haviam apontado as falhas da análise anterior. Os novos números acabaram ficando próximos dos calculados anteriormente pelo Ministério da Fazenda e pelo Banco Central.

LUCRO-BANCO

(Gráfico: VEJA)

 

Independentemente das cifras, os bancos sustentam que apenas cumpriram as leis de implementação dos planos e não tinham alternativa senão seguir as determinações do governo. Por isso não podem ser condenados a arcar com o custo dos expurgos.

Existem mais de 500 000 processos correndo na Justiça, alguns há mais de duas décadas. O veredicto, entretanto, deverá ficar para depois da eleição. Para o governo, pela complexidade do tema, o STF optará por julgar o assunto fora do período eleitoral.

31/07/2014

às 0:00 \ Disseram

“Placar perverso”

“O 7 a 1 que me preocupa é o que o governo deixará, espero que para nós.”

Aécio Neves, candidato tucano à Presidência da República, em sabatina promovida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), referindo-se ao “placar perverso” da  inflação de 7% contra o 1% de crescimento, em trocadilho com o resultado do jogo do Brasil contra a Alemanha na Copa do Mundo

28/07/2014

às 15:20 \ Política & Cia

NÚMEROS DO GOVERNO DA GERENTONA: Mercado prevê crescimento do PIB cada vez menor para este ano. Agora, é de 0,9%

O nível de atividade econômica está baixo -- e a previsão de inflação para o ano que vem é de mais subida (Foto: Drawlio Joca/Exame)

O nível de atividade econômica está baixo — e a previsão de inflação para o ano que vem é de mais subida (Foto: Drawlio Joca/Exame)

Os analistas ouvidos na pesquisa semanal Focus do Banco Central (BC) melhoraram a expectativa para a inflação neste ano, mas pioraram o indicador de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

A mediana das estimativas para o PIB passou de expansão de 0,97% na semana passada para 0,90% nesta. Para o ano que vem, as estimativas para a atividade econômica permaneceram na média de 1,5%.

[A pesquisa Focus ouve cerca de uma centena de especialistas de bancos, corretoras e outras instituições ligadas ao mercado.]

O mercado manteve a perspectiva de que a Selic (principal taxa de juros no Brasil, definida pelo BC e que serve de referência para praticamente todas as demais taxas de juros) encerrará este ano a 11% após o BC sinalizar na ata de sua última reunião que não a reduzirá.

Pesquisa Focus, divulgada nesta segunda-feira, mostrou ainda que o mercado está apostando em uma inflação a 6,41% neste ano, pouco abaixo da estimativa da semana passada (6,44%), mas ainda muito próximo do teta da meta, de 6,5%.

Para 2015, os economistas pioraram a expectativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que passou de alta de 6,12% para 6,21%. Isso significa que eles estão apostando que a elevação dos preços que está sendo contida em 2014 vai pesar no bolso dos brasileiros em 2015.

Leiam ainda:

Copom vê inflação resistente nos próximos trimestres
Inflação de tarifas públicas vai voltar com força em 2015

(Com agência Reuters)

17/07/2014

às 16:19 \ Política & Cia

SARDENBERG: Não, a Copa não salva o ano

Até agora, foi só festa. O Brasil ainda se lembra do que reivindicava antes da Copa? (Foto: J. F. Diorio/Estadão)

Até agora, foi só festa. O Brasil se lembra do que reivindicava antes da Copa? (Foto: J. F. Diorio/Estadão)

O QUE ERA MESMO?

Artigo de Carlos Alberto Sardenberg publicado no jornal O Globo

Do que a gente estava falando antes?

Isso, antes das férias de verão, esticadas pelo carnaval tardio, semana santa e antes da Copa — o que era mesmo?

Havia uma preocupação com a combinação entre crescimento e inflação. Esta parecia estar subindo em relação a 2013, quando já fora alta. E a economia parecia desacelerar.

Essa percepção piorou. De fato, os preços sobem mais que o esperado e o crescimento é mais fraco. Não, a Copa não salva o ano.

Claro que trouxe turistas e dinheiro — até mais que se calculava. Mas houve uma espécie de compensação: os negócios relativos à Copa bombaram: roupas e calçados esportivos, por exemplo, e, claro, hotéis e restaurantes. Os demais minguaram por causa do excesso de feriados e falsos dias úteis. Também por causa do espírito geral: com a festa, quase todo mundo distraído com jogos e movimentação de torcedores, era difícil se concentrar no trabalho.

Pessoal reunido na Feira Internacional de Moda em Calçados, nesta semana, em São Paulo, constatou: o primeiro semestre foi de férias, perdido. Companhias aéreas, que poderiam ser favorecidas, também sofreram com a compensação. A Tam, por exemplo, calcula que demanda de passageiros caiu 5% no período da Copa.

Ocorre que os “voos corporativos” — das pessoas que estão a trabalho, em eventos, reuniões, consultas, treinamento — simplesmente sumiram. Foram substituídos pelos turistas nacionais e estrangeiros, com forte aumento das viagens para as cidades da Copa. Mas não foi o suficiente. No balanço geral, deu uma pequena perda.

Foram criados empregos, mas temporários na maior parte. O fato de algumas obras não terem terminado até pode ajudar neste quesito: o pessoal continua trabalhando nelas. Com impacto limitado, porém. Antes da Copa, mesmo durante a construção de estádios, a geração de vagas formais continuou enfraquecida.

Tudo considerado, e como aconteceu em outros países, o efeito positivo do grande evento está mais na psicologia do povo. Fez-se uma grande festa. Ainda mais entre nós, dado o temor de que algo ruim pudesse ter acontecido. Foi alegria e alívio. Isso pode animar estrangeiros a voltarem para o turismo, mas vai depender lá na frente da cotação do dólar e dos preços por aqui.

Veremos.

Outra coisa que poderia ser positiva neste momento seria o fim das manifestações oportunistas, como greve nos transportes na véspera dos jogos. Não há mais instrumento de chantagem.

O problema é que se aproximam as eleições, outra oportunidade para reivindicações, justas ou não, democráticas ou não. Se as eleições se radicalizarem, preparem-se.

E assim chegamos à campanha eleitoral com um ambiente econômico pior do que no início deste ano. A população, na imensa maioria, se concentrou na Seleção e suspendeu a bronca com a inflação, a paradeira na criação de empregos e a má qualidade dos serviços públicos. Como se sentirá agora?

Reparem: foram 26 mil homens na segurança da final no Maracanã. Tudo em paz. Mas quantos estarão disponíveis numa próxima final Flamengo e Fluminense? Os trens e ônibus “expressos da Copa” andaram bem em quase todas as cidades, mas em dias feriados ou falsos úteis. Agora, voltam todos ao normal, que é não é bom.

Como a população voltará a esses temas? Difícil avaliar, ainda mais que o ambiente estará tomado pela campanha eleitoral no rádio e tevê, ou seja, pela capacidade (ou incapacidade) dos candidatos em fazer a cabeça e a mente dos eleitores.

E nem ganhamos a Copa.

(PARA CONTINUAR LENDO, CLIQUEM AQUI)

16/07/2014

às 19:37 \ Política & Cia

O governo da presidente Dilma é baseado em mentiras que ilustram um Brasil inexistente

(Foto: Eraldo Peres)

“Como as pesquisas têm indicado, a população em geral já percebeu qual é a qualidade do atual governo” (Foto: Eraldo Peres)

O DESCARAMENTO COMO POLÍTICA

Editorial publicado no jornal O Estado de S. Paulo deste domingo, 13 de julho

O programa de governo Dilma Rousseff 2014 é uma peça publicitária, com forte dose de ficção. Um dos tópicos, intitulado Os 12 anos que transformaram o Brasil, é constrangedor. Ali, a mentira parece adquirir status de verdade histórica.

O que primeiro choca é a incongruência entre o título do programa (Mais mudanças, mais futuro) e o conteúdo proposto. Era de esperar que, com resultados tão pífios — reconhecidos não apenas por analistas econômicos, mas, como as pesquisas têm indicado, pela população em geral, que já percebeu qual é a qualidade do atual governo —, o leitor do programa se deparasse com algo diferente do que viu nos últimos anos.

Mas o que lá está é mais do mesmo, com a reedição de “programas” pontuais e desconexos, sem uma visão ampla do que o Brasil precisa. Vê-se logo que é um programa feito pró-forma, em que o país é um simples acessório.

Furtando-se de analisar os seus anos de governo — o que seria mais honesto —, sempre que pode Dilma inclui os oito anos de Lula nas suas comparações. Disso resultam afirmações que se chocam com a verdade. Por exemplo, “ao final de três mandatos, todos os indicadores do período são positivos e sempre muito melhores do que os vigentes em 2002″. Haja criatividade nos números para tamanha miopia!

Em relação ao seu calcanhar de aquiles — a inflação —, não tendo o que apresentar, usa bravatas pouco convincentes. “Entendemos o poder devastador da inflação (…) e por isso jamais transigiríamos ou transigiremos com um elemento da política econômica com esse potencial desorganizador da vida das pessoas e da economia”.

Se de fato Dilma entendeu o poder devastador da inflação, seus anos de governo são um exercício explícito de má-fé. O que ela de fato compreendeu foi o efeito político da inflação, daí a manipulação de números e os preços e tarifas administrados.

Há passagens que são a mais deslavada mentira. “Os governos do PT assumiram a histórica tarefa de investir na infraestrutura logística brasileira. (…) O Brasil dos governos do PT e de seus aliados ficará marcado como o período da história recente com mais entregas de grandes obras de infraestrutura.” Será uma piada de mau gosto?

Se há um setor onde existe uma distância abissal entre o que o país necessita — e o governo prometeu — e a administração petista entregou, este é o da infraestrutura. É dessa forma que a Mãe do PAC vê os resultados pífios do seu mandato?

(PARA CONTINUAR LENDO, CLIQUEM AQUI)

16/07/2014

às 17:00 \ Política & Cia

MARCO ANTONIO VILLA: no 15º aniversário da morte de Franco Montoro, democrata e campeão das “Diretas Já”, vemos como estão escassos os políticos de verdade

(Foto: Agência Brasil)

“O esquecimento de Franco Montoro é um ato perverso para a jovem democracia brasileira, tão carente de exemplos que dignifiquem o compromisso com o interesse público” (Foto: Agência Brasil)

MONTORO, PEDAGOGO DA POLÍTICA

Texto de Marco Antonio Villa* publicado no jornal O Estado de S. Paulo de 15 de julho

Marco-Antonio-Villa-veja.abril_.com_.br_-300x168Amanhã, dia 16 de julho, completam-se 15 anos do falecimento de André Franco Montoro. Ele percorreu um caminho raro entre os políticos brasileiros: foi vereador, deputado estadual, deputado federal, senador, governador de e ministro de Estado. Contudo nunca afastou o exercício da função pública da elaboração de ideias que tivessem aplicação prática na vida das pessoas.

O fortalecimento da sociedade civil sempre foi uma preocupação central da sua ação, isso num país onde o papel do Estado foi superdimensionado, tanto pela direita como pela esquerda.

Montoro teve na democracia cristã do pós-guerra a sua matriz ideológica. E com base nesse pensamento agiu como um pedagogo da política, escrevendo, debatendo e formando militantes.

Por onde passou foi deixando a sua marca. Nos dez meses em que esteve à frente do Ministério do Trabalho, durante o Gabinete Tancredo Neves, foi pioneiro no incentivo à sindicalização rural – tema, à época, explosivo – e criou o salário-família.

Na Câmara dos Deputados destacou-se na defesa dos trabalhadores e da democracia. Tanto que, após a extinção dos partidos políticos, em 1965, foi um dos primeiros a organizar o MDB. Cinco anos depois foi eleito senador, numa eleição marcada pelo medo, no auge do regime militar.

Nos anos de vida parlamentar foi um incansável propagador da integração econômica e cultural com a América Latina. De início foi voz solitária. Poucos se interessavam. Mas a pregação foi ganhando adeptos até ser incorporada à Constituição de 1988.

Assumiu o governo de São Paulo em março de 1983. O país estava em recessão – o produto interno bruto (PIB) caiu 2,9% – e com uma inflação anual de 211%. A economia estadual passava por uma profunda crise. O número de desempregados não parava de aumentar. E as finanças estaduais estavam em petição de miséria após o trágico quadriênio Maluf-Marin [Observação do colunista: sim, este mesmo José Maria Marin, decrépito presidente da CBF e à época, na política, capacho da ditadura militar].

Organizou um secretariado de nível ministerial. Teve entre seus principais colaboradores (incluindo os bancos e empresas estatais paulistas) José Serra, João Sayad, Luiz Carlos Bresser-Pereira, Almino Affonso, Miguel Reale Júnior, Almir Pazzianotto, José Gregori, Paulo Renato e Paulo de Tarso, entre outros.

Nomeou para a Prefeitura de São Paulo Mário Covas [a Constituição do regime militar não admitia eleições diretas para as capitais.]. Entendeu que na administração pública deviam ser escolhidos os melhores. E que o governador não devia temer a competência dos seus auxiliares, muito pelo contrário.

Pôs em prática os princípios defendidos desde os anos 1950. Fez da descentralização um dos carros-chefes do governo. Insistiu na tese de que o município é a base da democracia, da boa gestão e onde o cidadão vive. Fez o saneamento financeiro zerando o déficit orçamentário graças à austeridade nos gastos. Diversamente do governo anterior, deu à ética um papel central.

Relacionou-se com a Assembleia Legislativa de forma republicana. Acentuou a necessidade da participação do cidadão nos negócios públicos. E foi o primeiro governador a ter preocupação (e ação) com o meio ambiente – basta recordar o tombamento da Jureia, onde Paulo Maluf queria construir duas usinas nucleares.

Conviveu com diversos movimentos grevistas. Reivindicações contidas à força pelos governos anteriores acabaram eclodindo. Soube buscar soluções harmoniosas em meio à tensão política.

No tristemente célebre episódio da derrubada das grades do Palácio dos Bandeirantes agiu com moderação. Sabia que estavam em jogo a abertura democrática e o exercício da autoridade. Era uma provocação arquitetada pelos extremismos à direita e à esquerda. Tomou as decisões necessárias e saiu engrandecido.

A volta da democracia: primeiro governador de São Paulo eleito por voto direto após as imposições da ditadura, Montoro aparece em campanha eleitoral junto com Miro Teixeira, Tancredo Neves e Orestes Quércia (Foto: Angelo Perosa)

A volta da democracia: primeiro governador de São Paulo eleito por voto direto após as imposições da ditadura, Montoro aparece em campanha eleitoral junto a Raphael de Almeida Magalhães (primeiro à esquerda), Orestes Quércia, Tancredo Neves e Miro Teixeira, entre outros (Foto: Angelo Perosa)

A campanha das diretas teve início – efetivamente – no dia 25 de janeiro de 1984, no comício da Praça da Sé, por iniciativa do governador. Foi um ato de ousadia e coragem política. Poucos acreditaram no sucesso do comício. E a participação de 300 mil pessoas demonstrou a correta análise de conjuntura do governador Montoro. A partir daí, a campanha deslanchou. Foram realizados dezenas de atos por todo o Brasil. E em São Paulo, em 16 de abril, foi encerrada com o maior comício da História do Brasil. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados