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inflação

30/08/2014

às 15:00 \ Política & Cia

ENTREVISTA: Com Aécio presidente, a economia brasileira voltará a correr. Quem diz é Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central e coordenador econômico da campanha tucana

(Foto: Antonio Milena)

Como ministro da Fazenda caso Aécio Neves seja eleito, Armínio Fraga pretende tirar o país “dessa UTI de subsídios e proteções” (Foto: Antonio Milena)

CONFIANÇA E COMPETIÇÃO

O ex-presidente do Banco Central e futuro ministro da Fazenda, no caso de uma vitória de Aécio Neves nas eleições, traça seu projeto para dar um novo ímpeto à economia brasileira

Entrevista a Lauro Jardim e Giuliano Guandalini publicada em edição impressa de VEJA

Se o senador mineiro Aécio Neves conseguir vencer as próximas elei­ções para presidente da República, um integrante de peso de seu futuro governo já é certo. Será o ministro da Fazenda, o economista Armínio Fraga, que no comando do Banco Central foi o responsável por restabelecer a confiança na economia brasileira depois da desvalorização cambial de 1999.

Aos 57 anos, Fraga coordena a área econômica do candidato do PSDB. Os eixos do programa se amparam em resgatar a previsibilidade e a transparência na condução da economia, combatendo a inflação e o inchaço do setor público, ao mesmo tempo em que as reformas estruturais serão promovidas. Diz Armínio Fraga: “O Brasil foi colocado em uma trajetória populista, com resultados desastrosos e previsíveis”.

Quais são as evidências de que estamos entrando em uma tempestade na economia?

A opção feita no segundo mandato do Lula por um modelo com ênfase no incentivo ao consumo e na participação elevada do setor público na economia já se esgotou. Funcionou por algum tempo, graças em parte a um cenário externo favorável. Não houve, entretanto, sucesso em aumentar o investimento, que permanece baixo em relação ao tamanho da economia, nem a produtividade, que tem crescido pouco.

O engajamento do governo com o setor privado consiste cada vez mais de soluções improvisadas que não dão conta do recado. Temos uma infraestrutura totalmente desgastada e inadequada. O sistema tributário é extremamente custoso para as empresas, cheio de problemas. A qualidade da educação não vem melhorando em ritmo adequado.

Por fim, a macroeconomia também foi desajustada. A inflação está alta, mesmo com o represamento de preços, e a situação fiscal é opaca e vem se deteriorando.

Quais são os sintomas da ineficiência da atual política econômica?

O Brasil foi colocado em uma trajetória populista, com resultados desastrosos e previsíveis. Essa aposta errada parte de uma teoria antiquada, que tinha alguma importância até os anos 1970, mas que se mostrou equivocada. Os sintomas são diversos e tradicionais, com destaque para o crescimento cada vez mais baixo.

Para termos um parâmetro, durante o governo Fernando Henrique o avanço do PIB brasileiro foi similar ao da América Latina. Nos anos Lula, o crescimento médio foi também parecido com o da América Latina. Agora, com Dilma, vamos crescer 2 pontos porcentuais por ano, abaixo do avanço médio até dos países vizinhos. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

30/08/2014

às 0:00 \ Disseram

Fim prematuro do governo petista

“Hoje é um dia triste para o Brasil. O governo do PT terminou antes da hora. O legado será de crescimento baixo, investimento baixo, combinado com inflação e juros altos, e uma perda crescente na confiança da nossa economia.”

Aécio Neves, candidato tucano à Presidência, comentando o cenário de recessão, que Guido Mantega, ministro da Fazenda, nega que exista

29/08/2014

às 19:50 \ Política & Cia

PT bate de frente com Marina e condena independência do Banco Central

Site Muda Mais é alimentado por simpatizantes do Partido dos Trabalhadores (PT) e defende campanha de reeleição de Dilma (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

O site Muda Mais , que faz campanha para a reeleição de Dilma, afirma que ”a autonomia do Banco Central é uma medida fudamentalmente neoliberal” (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

SITE DO PT CRITICA AUTONOMIA DO BC E O CONTROLE DA INFLAÇÃO

Em texto publicado durante o debate na noite de terça, petistas do Muda Mais atribuem a Dilma opinião controversa sobre o papel da autoridade monetária

Por Naiara Infante Bertão e Gabriel Castro, para o site de VEJA

O site Muda Mais, mantido pelo PT e criado para divulgar a candidatura da presidente Dilma Rousseff à reeleição, publicou um texto na noite de terça-feira com potencial de fazer tremer bancos, investidores, empresas e o próprio eleitor.

O texto evidencia o que pensam as facções ideológicas mais perigosas do partido — e que, se afagadas, podem colocar em risco a estabilidade econômica numa hipótese de reeleição da presidente.

Intitulado “Tem candidato que defende a autonomia do Banco Central: saiba por que isso é ruim para a sua vida”, o texto foi publicado justamente quando o tema da autonomia da autoridade monetária era colocado em discussão no debate entre os candidatos à Presidência, transmitido pela Band.

Propondo-se a explicar como isso interfere no cotidiano do brasileiro, o material discorre sobre o que é o BC e como ele atua na condução da política monetária.

“A autonomia do Banco Central é uma medida fundamentalmente neoliberal. Os adeptos dessa teoria acreditam que o salário e o emprego se mantêm estáveis pela autorregulação do mercado, portanto é desnecessária (e eles acreditam ser prejudicial) a interferência do estado nas questões econômicas”, diz o texto.

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O tema foi trazido à discussão eleitoral justamente porque, ao longo do governo Dilma, as decisões técnicas do BC sofreram interferência do Palácio do Planalto, com a presidente traçando meta de redução da taxa básica de juros num momento em que a inflação apresentava trajetória crescente. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

27/08/2014

às 14:00 \ Política & Cia

Post do Leitor: “Por que acho que o melhor para o Brasil é a vitória de Marina”

(Foto: Dida Sampaio/AE)

“Marina tem DNA petralha, ela e muitos ‘cumpanheiros’ da cúpula do PT são cobras do mesmo ninho e de longa data — se a bomba explodir entre eles, melhor”, opina o leitor Paulo Marcos (Foto: Dida Sampaio/AE)

Texto do leitor Paulo Marcos

Post do LeitorAo acessar a coluna do Setti, algo que faço frequentemente com muito gosto, e ler sobre a enquete em curso sobre quem os leitores acham que irá para o segundo turno da eleição presidencial, fiquei refletindo sobre o assunto e cheguei à conclusão que o melhor para o Brasil em médio prazo será a vitória da candidata Marina Silva.

Digo isso por sabermos que, inevitavelmente, o próximo governo, de quem quer que seja, terá de tomar medidas impopulares, provavelmente conviver com um período de economia recessiva, cortar gastos, extinguir ministérios (acabando com muitas boquinhas de forma direta e indireta), acabar com muitos cargos comissionados, cortar verbas para ONGs, etc.

Os preços de energia elétrica e combustíveis estão represados faz um bom tempo e terão de ser reajustados, o que possivelmente acarretará em mais inflação, aumento da taxa de juros, falta de oferta de crédito no mercado e por aí vai.

Se imaginarmos um cenário sem o PT como oposição e toda sua rede de influência , que vai desde o ambiente político, passando pelo jornalístico (a grande maioria deste meio é composto de esquerdistas) e até o  universitário (as universidades públicas são verdadeiros criadouros de zumbis da ideologia comuno-socialista), o Aécio seria a melhor escolha.

Porém, no quadro atual, com uma bomba relógio prestes a explodir nas mãos do próximo governo, creio que farão da gestão do Aécio Neves um verdadeiro inferno — as forças sindicais promoverão todo tipo de greve e entrave, os movimentos sociais promoverão todo tipo de baderna, invasões e confrontos… Em suma, o PT e seus asseclas tocarão fogo neste país! E, cá para nós, o PSDB e o Aécio não têm tido e não terão pulso firme para bater de frente com a rede petralha (…).

E sabe o que vai acontecer, com uma população em sua maioria composta de gente ignorante financeiramente falando e muito ingênua no sentido político? Vão engolir a falácia que será disseminada pela rede petralha de que o PSDB destruiu o país, que são neoliberais, privateiros, defendem interesses internacionais e bla bla bla!

Com isso corremos o grande risco de o PT voltar novamente em 2018 e enterrar de vez qualquer possibilidade de se surgir uma corrente política nova e realmente viável para o Brasil. Esse é o meu maior temor!

Sendo Marina Silva a próxima presidente, não correremos este risco, além de termos a vantagem de tirar o PT de dentro das engrenagens da máquina do Estado, desaparelhando diversos setores e ainda por cima dando um freio no cronograma bolivariano do Foro de São Paulo em curso no país.

Marina tem DNA petralha, ela e muitos ‘cumpanheiros’ da cúpula do PT são cobras do mesmo ninho e de longa data — se a bomba explodir entre eles, melhor!

Acho que será um trauma tão grande que sepultará de vez a aventura socialista/populista no Brasil e abrirá o caminho para novas correntes políticas mais à direita (coisa que praticamente não existe hoje, salvo raras exceções), que defendam, sem constrangimento, a diminuição do Estado a sua menor presença na vida do cidadão, o liberalismo econômico, os valores da família, uma reforma tributária justa, as liberdades individuais, etc.

25/08/2014

às 19:44 \ Política & Cia

A VOLTA DE REYNALDO-BH: O “Caçador de Marajás” já saiu, escorraçado a pontapés. Agora, chega a Protetora das Saúvas. Ambos são engodos

(Foto: Agência Brasil)

Marina Silva é uma política profissional que, qual Collor repaginado, também diz que é preciso cuidado com os políticos — os outros (Foto: Agência Brasil)

 

Post do leitor e amigo do blog Reynaldo-BHPost do Leitor

Se cercar é hospício. Se cobrir vira circo.

Um dia um prefeito da maior capital do país se definiu como não sendo de centro, nem direita ou esquerda. Entendi que ele era de baixo.

Agora temos uma política profissional – sempre viveu disto – repetindo o discurso de Collor; cuidado dom os políticos (os outros). Quando na verdade o perigo maior acaba sendo ela própria.

Messiânica, com ar de retirante de boutique, seringueira de Brasília e acusadora de todos que ousam discordar, Marina Silva faz lembrar o que de pior temos nestas terras tupiniquins. O antigo PT, dono de ética e das verdades, há 12 anos. Deu no que sabemos. Difícil escolher entre o descaramento explícito e a desfaçatez silenciosa.

Uma escolha entre Dilma e Marina não é sequer um plebiscito. É uma roleta russa. Envolta em panos (caros) e echarpes (mais ainda), se porta frente aos marineiros como um guru a ser idolatrado. Concorda com tudo e não assume nada. Diz platitudes que, se não têm consistência, ao menos entendemos. Entendemos mesmo?

Como uma Madre Teresa, cultiva a figura que tenta ser uma Quixote de saias. Mesmo sendo um Sancho Pança emagrecido.

Não é contra nada. Mas longe de ser a favor de algo, pois para ser a favor é preciso ter ideias.

Dizer-se sucessora de dois ex-presidentes é o cúmulo da prepotência. Marina quer ser a continuidade e oposição ao mesmo tempo. Quer ser herdeira sem ter sido aliada de um deles, FHC. Do outro, foi usada e usou a imagem de pobres e nordestinos. Em uma falta de vergonha e compostura que envergonha qualquer povo da floresta, cidade ou de butequim.

Quem em sã consciência é contra a luz elétrica? Ter como programa a afirmação que apoia a luz elétrica é tanto assustador quanto ter a pretensão de ser presidente e contar com quadros (que a Rede de Embalar Idiotas não tem) de outros partidos.

Um ministério com Aloysio Nunes Ferreira e José Dirceu? Com Álvaro Dias e Ideli? Todos irmanados em mantras matinais quando a salvadora e casta presidente adentrar qualquer ambiente?

Marina Silva é um engodo. A Rede sabe disto. Eduardo Campos também sabia. O que ela tem de valioso são os votos de 2010 de quem, sem entender o que diz, prefere uma frase com pé e sem cabeça a outras frases – as de Dilma – sem ambas. É pouco. Muito pouco.

Collor ao lado da então mulher, Rosane, após assinar o documento de seu afastamento da Presidência, na saída do Palácio do Planalto (Foto: Roberto Stuckert Filho/Agência O Globo)

Collor ao lado da então mulher, Rosane, na saída do Palácio do Planalto, após assinar documento se afastando do poder (Foto: Roberto Stuckert Filho/Agência O Globo)

Tancredo morreu e herdamos Sarney. Eduardo deixou-nos esta figura amorfa e arrogante na mesma medida de julgar-se a nova dona do Brasil

Triste destino tem nos dado a Velha Senhora. Joga com a vida e morte escolhendo o absurdo para além da morte em si.

Marina escolheu o PSB por falta absoluta de opção. Continua apoiando petistas do Acre e do Rio de Janeiro. Continua sem saber que economia é ciência matemática e não slogan de sonháticos e pesadeláticos.

Continua a criar uma seita, que neste início de composição, é ainda mais sectária que o PT.

Acha que em se plantando tudo dá, mesmo que seja no quintal das casas dos protegidos pela falta de estrutura. Não enxerga o agronegócio. Assim como o idiotizado Suplicy (isto explica a amizade) é monotemática.

Alguém se lembra de UMA ÚNICA palavra dela acerca da saúde e dos médicos cubanos?

Da agressão a Yoani Sánchez?

Política fiscal?

Inflação?

Política de desenvolvimento da indústria?

Agências reguladoras?

Sobre os 39 ministérios?

Sobre a amante Rosemary?

Sabe-se o que ela pensa sobre política externa?

Infraestrutura?

Exportações?

Política de emprego e renda?

Para os marineiros, parece que são apenas detalhes. O importante, na visão tacanha deste grupo que lembram os hippies de Arembepe, são os povos da floresta, a plantação de mandioca e a sustentabilidade, que NUNCA definiu com precisão o que seja. Quem não quer a sustentabilidade? Aponte UM ser humano.

Marina é insustentável. Insuportável. Despreparada. Fruto de um destino cruel para com Eduardo Campos. Dona da verdade. Aproveitadora de partidos e lutas que não são dela.

Marina é – esta sim – um Collor repaginado.

Saiu o Caçador de Marajás a pontapés do Planalto (aliás, onde estava Marina nesta luta?).

E entra a Protetora das Saúvas. Mesmo que esta praga esteja atuando em rede.

25/08/2014

às 14:00 \ Política & Cia

J. R. GUZZO: “A conduta de Dilma e das forças que lhe dão apoio está construindo no país um ambiente de intolerância em estágio avançado”

DIÁLOGO? — O recado de Lula, Dilma e PT é: nós gostamos dos "movimentos sociais" e queremos governar com eles (Foto: Agência O Globo)

DIÁLOGO? — O recado de Lula, Dilma e PT é: nós gostamos dos “movimentos sociais” e queremos governar com eles (Foto: Agência O Globo)

O BONDE DO PLANALTO

Artigo publicado em edição impressa de VEJA

Pouco a pouco, os brasileiros começam a se perguntar o que valeria mais a pena para o país, e sobretudo para eles próprios, nas eleições de outubro próximo: manter Dilma Rousseff na Presidência da República, em sociedade com o ex-presidente Lula e o PT, ou enviar para lá um candidato contrário às figuras que mandam no Brasil há doze anos, e querem continuar mandando?

Cada um chegará às suas conclusões até a hora de votar, e aí seja o que Deus quiser.

Mas, além das questões sobre crescimento da economia, atendimento nos hospitais públicos, Bolsa Família e mais um mundo de temas que vão da construção de aeroportos no interior de Minas Gerais à compra de refinarias de petróleo no Texas, seria muito saudável que a campanha eleitoral colocasse em cima da mesa de discussões, sem medo, a seguinte pergunta: o que vai acontecer com as liberdades públicas e individuais depois de anunciado oficialmente o lado que ganhou?

Num país onde os adversários políticos estão de acordo sobre o que é democracia e o que é tirania, não é preciso fazer indagações desse tipo – ganhe quem ganhar, está combinado que ninguém mexe nos direitos e deveres de ninguém. O problema, em nossa vida real, é que o Brasil não é um país assim.

Como vai ficando cada vez mais claro na atual disputa pela Presidência, um dos lados não quer jogar segundo o que está escrito no regulamento democrático.

Mais ainda, anuncia publicamente que quer para o Brasil um futuro em que as garantias de liberdade em vigor no presente não estarão valendo mais; pelo que o governo propõe, seriam substituídas por um angu de normas que ele próprio pretende ir tirando da gaveta à medida que achar necessário.

Esse lado, para não ficar perdendo tempo com conversa fiada, velhaca e hipócrita, é o lado de Lula, de Dilma e do PT.

ALIADOS — O PT apoia os "ativistas" investigados pela prática de crimes previstos no Código Penal (Foto: AFP)

ALIADOS — O PT apoia os “ativistas” investigados pela prática de crimes previstos no Código Penal (Foto: AFP)

O que adianta esconder-se por trás de uma imparcialidade meia-boca, fingindo que estamos diante de uma disputa leal entre duas partes?

Não adianta nada, quando a cada dia fica demonstrado que o governo não respeita as ideias do adversário, propõe um regime que não combina com a Constituição vigente e, em vez de responder às críticas com argumentos lógicos, prefere ameaçar, insultar e agredir quem critica.

Nenhuma dessas observações vem da imaginação, ou da vontade de falar mal do governo. Vem diretamente do que estão fazendo, dia após dia, a própria candidata oficial e o seu padroeiro número 1. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

21/08/2014

às 16:00 \ Vasto Mundo

VENEZUELA: Não faltava mais nada. Agora, governo bolivariano instalará controles eletrônicos para impedir as pessoas de… comprar!

Retrato da Venezuela hoje: filas enormes de consumidores que esperam encontrar produtos básicos em supermercado da capital, Caracas (Diego Braga Norte/Veja.com/VEJA)

Retrato perfeito da Venezuela bolivariana: filas enormes de consumidores que esperam encontrar produtos básicos em supermercado da capital, Caracas — e raramente encontram. O mercado negro dispara (Diego Braga Norte/Veja.com/VEJA)

Governo quer impedir que pessoas comprem o mesmo produto duas vezes na mesma semana. Medida desastrada é paliativa e pune a população

Do site de VEJA

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, decretou na noite desta quarta-feira a instalação de um mecanismo de “controle biométrico” para limitar as compras de produtos e alimentos nos supermercados e mercados públicos e privados do país. “A ordem já está dada, através da superintendência de preços, para que se crie um sistema biométrico em todos os estabelecimentos e redes distribuidoras e comerciais da República”, disse Maduro durante mensagem em rede nacional de rádio e TV.

A regulação do consumo nas redes públicas já vinha sendo aplicada sistematicamente na Venezuela desde o início do ano, mas é a primeira vez que o governo Maduro interfere nas redes privadas de supermercados do país. Em 2010, o então presidente Hugo Chávez desapropriou as lojas da cadeia de supermercados Exito, do grupo francês Casino.

Mercado negro é alternativa para supermercados estatais vazios

Com a escassez crônica, o mercado negro – mantido por pessoas que estocam produtos básicos para revendê-los – na Venezuela é uma alternativa aos supermercados estatais vazios, porém limitar o consumo não é uma medida que ataca a origem do problema: a péssima gestão econômica do país.

Há ainda outra questão problemática na medida anunciada por Maduro, pois limitar o consumo em redes privadas é um ato ilegal, que interfere na administração e nos possíveis lucros das empresas. A medida desastrada ainda penaliza justamente a parte mais afetada pela escassez, a população.

Inflação já passa dos 60% ao ano

O mecanismo utilizará leitores óticos de impressões digitais para reconhecer cada comprador de produtos básicos. Segundo Maduro, “o sistema biométrico será perfeito” e servirá para evitar o que chamou de “fraude” envolvendo milhões de litros de gasolina e toneladas de alimentos subsidiados pelo governo, no momento em que a Venezuela enfrenta a falta de diversos produtos básicos e uma inflação anual que supera os 60%.

O sistema visa a impedir que uma pessoa compre o mesmo produto duas vezes na mesma semana, em qualquer supermercado das redes governamentais e privadas da Venezuela. Vários funcionários do governo Maduro indicaram que no prazo de 90 dias haverá um “programa piloto” para iniciar a venda controlada de produtos básicos no país “de maneira ordenada e justa”.

Maduro também anunciou “um sistema de referência” que processará a informação de tudo o que for distribuído e armazenado “para todos os produtos e insumos que movem a economia do país”. O presidente ordenou ainda o “confisco, de maneira imediata, de todos os elementos” utilizados para contrabando, incluindo galpões e veículos, que serão revertidos para os programas estatais de alimentos.

Maduro convocou as forças militares e policiais para deter todos os envolvidos em desvios e contrabando.

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Racionamento: os consumidores são fichados e recebem senhas para comprar na rede estatal

O sistema de controle de compras é a mais nova tentativa paliativa de Maduro para combater a escassez causada pela ingerência econômica de seu próprio governo. Desde março, as compras na rede estatal de supermercados – com preços subsidiados – são possíveis apenas dois dias por semana e com limite de produtos por consumidor.

Os venezuelanos interessados são fichados e recebem senhas, que funcionam em sistema de rodízio. Nas segundas-feiras podem comprar aqueles com as senhas terminadas em 1 e 2, 3 e 4; às terças e  quartas-feiras são os dias para os finais 5 e 6, 7 e 8. As quintas e sextas-feiras são reservadas aos consumidores com senhas que terminam em 9 e 0.

Violência: 65 mortos por dia

A Venezuela atravessou uma violenta onda de protestos entre fevereiro e final de maio devido à inflação, à falta de produtos básicos – como papel higiênico, açúcar, farinha ou leite – e à altíssima violência e criminalidade, que provocam em média 65 mortes por dia no país.

Os protestos foram repreendidos e resultaram na morte de mais de 40 pessoas, além de mais de 700 feridos.

20/08/2014

às 0:00 \ Disseram

“Não sei”

“Eu não sei, eu não sei da onde que estão seus dados.”

Dilma Rousseff, falando seu tradicional dilmês, em entrevista ao Jornal Nacional, ao “responder” à pergunta de William Bonner sobre “inflação alta, indústrias com estoques elevados, ameaça de desemprego ali na frente”

16/08/2014

às 16:00 \ Vasto Mundo

Após sete anos tentando, a Lituânia finalmente entrará para a zona do euro. O país comemora como um passo adiante

(Foto: Delfi.lt)

Em julho, a casa da moeda da Lituânia já começou a produzir euros em preparação para o ano que vem, quando adotará a moeda (Foto: Delfi.lt)

O último dos países bálticos da antiga União Soviética finalmente adotará o euro no início do ano que vem. A Lituânia, país de 3 milhões de habitantes e cerca de 65 mil quilômetros quadrados, já está produzindo a moeda comum europeia, que deve entrar em circulação em 1º de janeiro de 2015.

O anúncio de que a Lituânia se tornaria o 19º membro da zona do euro foi feito no dia 23 de julho por líderes europeus.

A introdução do país na moeda comum marcará também uma mudança de regras no Banco Central Europeu. Por enquanto, todos os membros do Conselho têm direito de voto nas políticas adotadas, mas, a partir da entrada da Lituânia, o poder de cada país será baseado em seu tamanho.

Com a mudança, os cinco maiores países terão, em conjunto, quatro votos, e os catorze restantes terão onze.

A Lituânia investe na missão de entrar na zona do euro desde 2007. Na época, a inflação nacional era um pouco alta, o que fez com que a União Europeia perdesse o interesse no país.

Desde que foi determinada a adoção do euro, a Casa da Moeda nacional tem trabalhado a todo vapor — e em três turnos. Saulius Vaitiekunas, diretor do órgão, afirmou que a produção é de mais de dois milhões de moedas a cada 20 horas.

Vytis, o símbolo ancestral da Lituânia

Vytis, o símbolo ancestral da Lituânia, estará no verso do euro que circulará no país

Enquanto alguns lobos solitários desaprovam a medida, sob o argumento da luta da Lituânia pela independência e pela moeda própria, a maior parte da população está entusiasmada — comerciantes já sabem calcular seus preços em ambas as moedas, e a facilidade deverá atrair turistas. Alguns dizem até que a Lituânia teria superado a crise global de 2008 mais rapidamente se utilizasse o euro.

Repete-se, com a Lituânia, o que ocorreu com vários outro países da Europa Oriental: enquanto muita gente fora da Europa e na própria Europa Ocidental veja com ceticismo a União Europeia e seu futuro, os países ex-comunistas sob a órbita da antiga URSS transformam em festa nacional sua adesão ao grupo e, quando chega a vez, à moeda comum. Encaram esses degraus como importantes passos adiante no progresso do país e em sua integração à comunidade internacional.

Foi assim na Polônia, na Hungria, na República Checa, na Eslovênia, na Eslováquia… Eu estava na Europa quando a Croácia foi admitida na UE, em julho do ano passado — e lembro-me de que o país inteiro comemorou como se fosse um Carnaval.

Mais do que em qualquer outra parte, na ex-área de domínio e influência da extinga URSS a União Europeia é vista como sinônimo de estabilidade política, fortalecimento econômico (apesar da brutal crise que se abate sobre a Europa desde a crise mundial de 2008), democracia, direitos humanos e crescimento civilizatório.

O argumento normalmente usado contra o euro (e que, em alguns casos, foi verdadeiro), de que sua introdução provoca um nivelamento para cima dos preços, parece que não vai ocorrer na Lituânia. As autoridades econômicas do país estimam que o aumento de preços com a troca da moeda será de 0,2% — contra uma inflação prevista para 1,5% no ano que vem.

Para manter o máximo possível da identidade nacional na moeda, o artista plástico lituano Antanas Zukauskas foi contratado para personalizar a parte de trás da versão lituana do euro com Vytis, o “Cavaleiro Branco”, símbolo heráldico do país desde 1366. O ícone foi proibido na época soviética e adotado como símbolo da luta pela independência em relação à ex-URSS.

16/08/2014

às 15:00 \ Política & Cia

SARDENBERG: A possibilidade de Marina Silva substituir Eduardo Campos como candidata leva o jogo das eleições de volta ao início

(Foto: ABr)

“Campos, na chapa, era o lado amigável ao mercado e, Marina, o social. (…) Agora, ela deve atrair os votos dos eleitores arrependidos, mas vai precisar de muita habilidade para manter a aliança original”  (Foto: Agência Brasil)

COMEÇAR DE NOVO

Simplificando, para facilitar, se poderia dizer que Campos era o lado ‘amigável ao mercado’; Marina, o social

Artigo publicado no jornal O Globo

Carlos-Alberto-Sardenberg1Há pesquisas eleitorais já prontas para divulgação, outras em campo. Não servem para mais nada. Marina Silva no lugar de Eduardo Campos muda o jogo na política e nas perspectivas econômicas.

Confirmada candidata a presidente, Marina pode obter entre 15% e 20% logo na primeira pesquisa. Com isso, chega nos calcanhares de Aécio Neves e torna praticamente inevitável o segundo turno.

O sentido da candidatura também muda. Sim, havia uma aliança, um acordo entre Campos e Marina, mas o candidato era o ex-governador de Pernambuco, com seu perfil: de esquerda e “amigável aos negócios”, como dizem os economistas para os líderes que se propõem a buscar justiça social no quadro do regime capitalista.

O papel de Marina, no essencial, era atrair os votos das pessoas que foram às ruas em junho do ano passado e que, apontavam as pesquisas, não se identificavam com os políticos tradicionais. Ao contrário, manifestavam uma bronca geral com a política. Marina estava fora disso. As pesquisas também indicaram que, entre os políticos conhecidos, era a única aprovada pelos manifestantes.

Aquelas manifestações não tinham uma agenda política determinada. Talvez por isso mesmo tenham sido tão amplas. O pessoal estava de bronca com a política, com a corrupção, com a inflação, com os serviços públicos, especialmente saúde e escolas, e com tudo o mais.

A chapa Campos/Marina era uma boa ideia por isso: uma tentativa de atrair esse pessoal, ou seja, os votos de Marina, para uma posição institucional, organizada, com metas e programa, representada pelo ex-governador de Pernambuco. Eis a terceira linha. Poderia ou não convencer o eleitor, mas fazia sentido.

Marina é certamente de esquerda, com o forte lado do ambientalismo. Há empresários e economistas ortodoxos ou próximos disso no seu time, mas ela está à esquerda deles. Nos meios econômicos, nos quais Eduardo Campos estava ganhando espaço, a restrição à chapa era justamente a presença de Marina.

Simplificando, para facilitar, se poderia dizer que Campos era o lado “amigável ao mercado”; Marina, o social. Ainda nos meios econômicos, era crescente a admiração pela administração de Campos em Pernambuco, sobretudo pela introdução de métodos de gestão privada inclusive nas áreas de educação e saúde.

De outro lado, ia por aí mesmo a bronca de muitos militantes da Rede Sustentabilidade, o verdadeiro partido de Marina Silva. Reclamavam da falta de maior compromisso do time de Campos com o social e a sustentabilidade.

O que reduzia essas tensões era a atuação pessoal dos dois líderes.

Resumindo: confirmada candidata, Marina Silva deve aparecer com talvez o dobro das intenções de voto obtidas até aqui por Campos. Deve atrair votos de eleitores de Dilma arrependidos. Mas terá de mostrar muita habilidade política para manter a aliança original.

De todo modo, ela deve garantir um segundo turno. Alcançará Aécio? Só se conseguir juntar os votos dela com todos aqueles dos eleitores de Campos e mais um pouco do centrão.

Aécio fica sozinho no centro, naquela região em que se quer mudar a política econômica num sentido mais conservador, mais pró-negócios. Deve herdar os eleitores de Campos que se aproximavam desse lado.

Isso no lado da oposição. Dilma deve ficar onde está — ou perder um tanto se Marina for mais para a esquerda. Ou seja, o jogo mudou. Aqui estão as primeiras especulações, mas vai começar de novo.

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