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inflação

23/04/2014

às 6:00 \ Disseram

Adeus aos ícones do Brasil

“Com essa política de preços da gasolina, o governo está acabando com dois ícones nacionais: a Petrobras, que está sem caixa, e o etanol”

Adriano Pires, presidente do Centro Brasileiro de Infraestrutura, sobre o governo subsidiar a gasolina para esconder a inflação

20/04/2014

às 18:00 \ Disseram

Ainda falta esforço na economia

“No Brasil, há a necessidade de dar continuidade às medidas de aperto. Apesar dos aumentos substanciais da taxa de juros, a inflação continua no teto da banda.”

Panorama Econômico Mundial, relatório macroeconômico do Fundo Monetário Internacional

16/04/2014

às 19:45 \ Política & Cia

Post do Leitor: FHC, no governo, foi estadista; Lula, chefe de facção

O que diferencia os dois ex-presidentes? (Fotos: Ana Araujo//Tasso Marcelo)

Fazia tempo que não acontecia, mas hoje tenho o prazer de publicar mais um Post do Leitor do amigo do blog Mauro Pereira, representante comercial em Itapeva (SP)

FHC É O FLAGELO DO LULOPETISMO

POST DO LEITORPor esses dias, tive o prazer de reler excelente artigo assinado por Carlos Alberto Sardenberg estabelecendo um comparativo entre os ex-presidentes do Brasil, General Ernesto Geisel e Luiz Inácio Lula da Silva. Com texto predominantemente didático e absoluto conhecimento do tema proposto, Sardenberg nos brindou com uma aula sobre as diferenças que tornaram Geisel e Lula iguais.

Ainda que louvando o fértil saber do articulista renomado, me permito a licenciosidade de percorrer a contramão do seu raciocínio e apontar algumas das diferenças que mantiveram Fernando Henrique Cardoso e Lula diferentes.

Talvez a única semelhança entre eles se expresse no fato de ambos terem desfrutado de dois períodos de quatro anos à frente do Executivo Federal, mas até essa igualdade, beneficiada pelo princípio da naturalidade, se esvai na decisão do então ministro da Educação, e atual prefeito de São Paulo inventado por Lula, proclamando que nem sempre o resultado de quatro mais quatro é oito.

Baseado nesse inovador conceito matemático, entendo ser perfeitamente honesto presumir que os próprios petistas se incumbiram de mantê-los diferentes, o que pode ser creditado como uma das maiores contribuições de Fernando Haddad para o enriquecimento da biografia de FHC.

As diferenças

Vou passar o mais distante possível de qualquer avaliação individualizando a produção intelectual ou a formação acadêmica, pois seria pura perda de tempo. Uma eternidade os separa. Acho menos acachapante iniciar este breve paralelo a que me propus invocando o respeito que devotaram à instituição Presidência da República.

Se FHC restituiu a esse símbolo nacional sua importância e sua dignidade depauperadas pelas passagens devastadoras de Geisel, Sarney e Collor com a postura de chefe de Estado, Lula, no entanto, o remeteu de volta àquele período sombrio vulgarizando-o com o comportamento de chefe de facção. As desigualdades poderiam muito bem ser sintetizadas apenas nesse episódio específico que por si só já seria cabal, mas o exemplo utilizado, como poderemos constatar, é só uma pequena amostragem.

Se FHC revolucionou as comunicações abrindo o caminho para a popularização do telefone, até então privilégio reservado aos ricos, e estruturou o país para ingressar na modernidade da internet que batia à porta, Lula, por sua vez, acenou com uma bolsa-banda larga que não saiu do papel e, em nome de uma estranha democratização da informação, buscou o tempo todo censurar a imprensa.

Se FHC deixou como legado os fundamentos de uma política econômica vitoriosa que derrotou a inflação estratosférica que prejudicava somente os mais pobres e cuja estabilidade propiciou a reintegração do Brasil ao convívio das nações desenvolvidas, além de garantir o retorno dos investimentos internacionais em praticamente todos os setores da produção, Lula, como contrapartida, legou à sua sucessora um buraco enorme nas contas federais que está inviabilizando a administração da presidente Dilma Rousseff e desacelerando as obras do PAC, festejadas, ressalte-se, somente nas propagandas oficiais e nos confins do Brasil Maravilha registrado em cartório, território este habitado apenas pelo lulopetismo delirante.

Se FHC, apesar de algumas derrapadas infelizes, destacando-se o advento da reeleição, que na minha opinião não deveria ter acontecido, registre-se, e a infeliz declaração de apoio à liberação do consumo da maconha, ainda assim é reconhecido até hoje por sua preocupação com os ditames constitucionais e pelo relacionamento respeitoso com os outros dois Poderes, Lula, por sua vez, ganhou notoriedade pelo pouco apego à Constituição, pelo descarado aparelhamento do Judiciário e pela determinação de suprimir o Legislativo. Se não conseguiu, andou bem próximo disso.

Se FHC se empenhou em criar uma malha de proteção social, Lula se incumbiu de instalar uma rede de servidão eleitoral.

Do comportamento humano à lisura no desempenho político

Concluindo, a diferença entre Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva se revela contundente em todos os aspectos passíveis de análise, desde o comportamento humano à lisura no desempenho político, passando pela celebração da ética até ao exercício da competência, culminando no estadista que FHC foi sem nunca ter reivindicado e que Lula, descartando-se a vassalagem, sempre quis ser sem jamais ser reconhecido.

Se FHC é criticado por seu muito ter sido pouco, Lula o contrapõe por seu pouco ter sido muito. Simplificando, é mais edificante saudar o pouco concreto e realizado do que recorrer à exuberância manipulada do muito, abstrato e malandro, que se materializa apenas no inferno improdutivo das boas intenções. Simples. Não para os petistas, é óbvio.

11/04/2014

às 17:00 \ Política & Cia

No pior dos mundos: o governo cortou a Selic imaginando que juros baixos não trariam inflação. Agora há preços represados, juros altos e incertezas

TUDO PARA CIMA -- Sobem os juros, a inflação continua em alta, o déficit público aumenta... Só o crescimento continua medíocre

TUDO PARA CIMA — Sobem os juros, a inflação continua em alta, o déficit público aumenta… Só o crescimento econômico continua medíocre

Reportagem publicada em edição impressa de VEJA

O governo de Dilma Rousseff prestou uma inestimável contribuição para os estudos econômicos. Usou o país de cobaia e o submeteu a um experimento destinado a comprovar a hipótese segundo a qual uma redução abrupta na taxa de juros não teria efeitos sobre a inflação.

Julgava, dessa maneira, colocar contra a parede todo o conhecimento sobre política monetária acumulado nos últimos quarenta anos. Resultado do teste de laboratório: a hipótese é completamente furada.

Na concepção da equipe econômica e de seus colaboradores, a economia brasileira estaria preparada para funcionar em um ambiente de juros mais baixos, similares aos de países desenvolvidos.

Sob essa premissa, a taxa básica, a Selic, foi derrubada rapidamente no fim de 2011 e em 2012, chegando a 7,25%, o menor valor já registrado. Mas a inflação começou a subir ainda mais, distanciando-se do centro da meta de 4,5% ao ano. O governo custou a dar o braço a torcer e tentou conter a escalada dos preços lançando mão de expedientes tão antiquados quanto ineficientes, entre eles o controle dos preços dos combustíveis e a manipulação de tarifas.

A inflação, apesar do represamento de reajustes, permaneceu teimosamente elevada. Só então o Banco Central voltou a subir os juros. Na semana passada, a taxa Selic foi elevada para 11% ao ano – acima, portanto, dos 10,75% herdados por Dilma.

Juros mais altos, subsídios, contas públicas sendo arruinadas…

O país acabou no pior dos mundos. O governo desestruturou o arcabouço que dava base à estabilidade econômica sem com isso ter alcançado o seu objetivo de reduzir, de maneira duradoura, a Selic. O novo ciclo de alta deixou a taxa básica maior do que era no fim de 2010, carregando para cima os juros bancários cobrados dos consumidores e das empresas.

A inflação, nos anos Dilma, não ficou em nenhum momento no centro da meta oficial de 4,5% e ameaça estourar mais uma vez o limite superior, de 6,5%. Isso mesmo com o adiamento nos reajustes dos combustíveis e da eletricidade. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

19/03/2014

às 19:45 \ Política & Cia

VENEZUELA: A jovem deputada da oposição chama Maduro pela palavra certa — ditador

Deputada oposicionista, María Corina Machado participa de protestos em Caracas

A deputada oposicionista María Corina Machado participa de um protesto em Caracas: coragem de chamar as coisas pelo nome certo

Post do leitor e amigo do blog Moacir 1

Post do LeitorNa Venezuela jovens e velhos, estudantes e trabalhadores continuam defendendo suas barricadas nas cidades venezuelanas e multidões tomam as ruas de Caracas. Entre as bandeiras agitadas a gente consegue ver enormes bonecos .

Alguns dos quais muuuuito parecidos com o “comandante” Maduro.

E de repente nos deparamos com uma mulher franzina, de aspecto jovem em seus 40 anos. A corajosa deputada oposicionista Maria Corina Machado.

Ela faz um discurso emocionado, para lembrar aos que ali estão que manifestação pacífica é um direito de todos.

Que as guarimbas (como são chamados os agitadores infiltrados que incitam a violência em meio aos protestos) não estão sendo estimuladas por nenhum líder opositor.

Não tem medo de chamar Maduro do que ele é: DITADOR!

Em seus discursos, María Corina pede aos hermanos…

* que não deixem de ir para a rua pedir justiça para os assassinos de 28 venezuelanos;

* clamem pela liberdade para os mais de 400 presos políticos e para a imprensa;

* que não desistam de dar um “basta” à violenta repressão do regime;

* que insistam no apoio internacional contra todos os crimes que vêm sendo sistematicamente cometidos contra os direitos humanos pelo chavismo.

E exige, ainda, solução para os verdadeiros problemas da Venezuela: os terríveis indicadores de criminalidade, a inflação, a loucura cambial, a desindustrialização, o desabastecimento, a intromissão de Cuba nos assuntos do país.

María Corina luta como uma gigante, pela liberdade e pels direitos humanos

María Corina: “lá está ela, de jeans, pequenina, lutando feito um gigante”

Aquela jovem senhora, pela qualidade de seu discurso, poderia estar vivendo tranquilamente em qualquer lugar civilizado do vasto mundo.

Mas lá está ela, de jeans, pequenina, lutando feito um gigante.

A multidão avança quando termina o discurso:

Milhares tomas as ruas em protesto

Milhares tomas as ruas em protesto

e os democratas venezuelanos saem dali esperançosos:

venezuela-manifestacao

Até algum blog da vida noticiar que María Corina, ao tentar embarcar em um voo doméstico no aeroporto de Caracas, foi agredida por um grupo de chavistas enfurecidos que, não contentes,  tentaram invadir e depredar o aeroporto, como mostra o vídeo:

Diante disso, nos resta a pergunta:

Como é que as coisas chegaram a esse ponto na Venezuela?

LEIAM TAMBÉM:

O que está por trás do tímido tratamento do governo do Brasil aos protestos na Venezuela?

Post do Leitor com VÍDEOS: O mito da saúde em Cuba e os médicos cubanos submetidos a regime análogo ao de escravo no Brasil

VENEZUELA: Em vídeo, misses se unem para pedir paz

VENEZUELA: A NOTA DO PT SOBRE O QUE OCORRE NO PAÍS É ASQUEROSA. E mostra nas mãos de quem nós, brasileiros, estamos

Nas ruas da Venezuela, cenas de guerra civil

16/03/2014

às 19:00 \ Política & Cia

Carlos Brickmann: Choque de gestão? Sim: para Dilma. Para nós, foi um choque de alta tensão

"Choque de gestão? Sim: para Dilma, para nós, foi um choque de alta tensão" (Imagem: geckostickers.com.br)

Brickmann sobre a questão do possível apagão: “Lamentavelmente, o mundo real se recusa a seguir as ordens da presidente, por mais que sejam dadas aos gritos” (Imagem: geckostickers.com.br)

Nota da coluna que o jornalista Carlos Brickmann publica hoje, domingo, em vários jornais

É COR DE ROSA-CHOQUE

Carlos BrickmannA presidente Dilma tem as melhores intenções, mas nem sempre dão certo. E já se sabe de quem é a culpa do que não dá certo: é da maldita realidade.

No começo do ano passado, em rede nacional de rádio e TV, Dilma anunciou a realização de seu sonho: redução da conta de luz em 18%, para pessoas físicas, e 32% para pessoas jurídicas.

Passou-se um ano e pouco e o governo (não Dilma, nem em rede nacional de TV) anuncia que o sonho acabou. O Tesouro terá de entregar R$ 21 bilhões às distribuidoras de eletricidade.

Como é do couro que sai a correia, prepare seu couro: você, caro leitor, vai pagar a conta de luz com um bom aumento. E pagar ainda mais impostos para cobrir o buraco da energia.

Lamentavelmente, o mundo real se recusa a seguir as ordens da presidente, por mais que sejam dadas aos gritos. O fato é que, para qualquer pessoa, a mudança de preços é decisiva para definir seu comportamento: se a luz está mais barata, por que ficar regulando micharia? Luz acesa, que a conta baixou!

É o que ocorreu com os juros: Dilma decidiu que estavam altos e tinham de baixar (aliás, não estava sozinha: muitos empresários e economistas estavam de seu lado.

Mas havia um fator que Dilma não podia ignorar: o ministro da Fazenda, Guido Mantega, concordava com ela. Se Mantega estava a favor, alguma coisa devia estar errada).

Estava: os juros que a presidente mandara baixar na marra já voltaram às alturas. E ajudaram a manter a inflação acima do esperado.

Choque de gestão? Sim: para Dilma, para nós, foi um choque de alta tensão.

14/03/2014

às 16:00 \ Política & Cia

O PIB no atoleiro

NO SONHO do governo, o trem-bala estaria pronto para a Copa (Foto: Divulgação)

NO SONHO do governo, o trem-bala estaria pronto para a Copa (Foto: Divulgação)

Reportagem de Marcelo Sakate, publicada em edição impressa de VEJA

O PIB NO ATOLEIRO

O crescimento médio nos anos Dilma será um terço do prometido, em razão de baixos investimentos e pouca produtividade

A eleição de Dilma Rousseff para a Presidência, há pouco mais de três anos, ocorreu em um momento extraordinário para a economia. Em 2010, o PIB teve alta de 7,5%, o ritmo mais acelerado em um quarto de século. A indústria foi o motor do crescimento, com avanço de 11%. A confiança dos empresários e a disposição deles para investir na expansão de seus negócios estavam próximas de níveis recordes.

O governo Dilma deu partida nesse clima de otimismo. As projeções oficiais para o quadriênio seguinte eram ambiciosas. Estimavam um crescimento médio anual de 6% entre 2011 e 2014, capaz de fazer o Brasil consolidar-se como a quinta maior economia do mundo, deixando para trás potências como a França e a Inglaterra.

No discurso de posse, a presidente enfatizou a necessidade de promover os investimentos produtivos, sobretudo em infraestrutura, que passariam a ditar o dinamismo na economia.

Sonho do governo versus realidade do Brasil

Sonho do governo versus realidade do Brasil

Que diferença podem fazer três poucos anos. Em 2013, segundo o IBGE, o crescimento do PIB ficou em 2,3%, aquém das expectativas pelo terceiro ano consecutivo. O ritmo médio dos três primeiros anos do governo Dilma foi de 2%.

De acordo com consultorias econômicas, em 2014 o avanço, mais uma vez, ficará ao redor de 2%. Com isso, a taxa média nos anos Dilma será um terço da estimada originalmente pelo governo. O ritmo lento e a desvalorização do real farão o Brasil perder posições no ranking do PIB global, sendo ultrapassado por Índia e Rússia e caindo para o nono lugar. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

13/03/2014

às 21:58 \ Política & Cia

Entidade geralmente moderada, Confederação Nacional do Comércio faz pesadas críticas à política econômica do governo Dilma

Reunião da em geral moderada Confederação Nacional do Comércio: subindo o tom para criticar a política econômica do governo (Foto: CNC)

Reunião da em geral moderada Confederação Nacional do Comércio: subindo o tom para criticar a política econômica do governo (Foto: CNC)

Críticas ao “Estado leviatã, burocrático e opressivo”, com “baixa eficiência na gestão administrativa”, à sua “excessiva dimensão”, com “inúmeras superposições administrativas distribuídas por 39 ministérios, 78 autarquias, inúmeros conselhos e fundações”, aos “danos causados” pela gestão do governo à Petrobras e à Eletrobrás e à excessiva carga tributária foram o resultado da reunião de hoje, no Rio, da normalmente moderada diretoria da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Nota publicada no site da entidade manifestou “grande preocupação com o atual cenário da economia brasileira e sua evolução a curto e médio prazos”.

O veterano presidente da CNC, Antonio Oliveira Santos, há 33 anos no comando da entidade e flexível o suficiente para manter bons relacionamentos com sucessivos governos de diferentes orientações, desta vez subiu o tom, lamentando o baixo crescimento da economia somado aos desequilíbrios em alguns setores — citou o permanente déficit fiscal e crescimento da dívida pública — e queixando-se da inflação, da estagnação industrial, da deficiente infraestrutura dos transportes e do desequilíbrio do balanço de pagamentos.

Tudo isso, afirmou, exige correções de rumo na administração pública, sob pena de prejuízos ainda maiores para o país.

– A nosso ver, todo esse conjunto de entraves resulta, basicamente, da excessiva dimensão a que chegou o Estado brasileiro, com inúmeras superposições administrativas distribuídas por 39 Ministérios, 78 autarquias, inúmeros conselhos e fundações — disse Santos. — Esse Estado leviatã, burocrático e opressivo, de baixa eficiência na gestão administrativa, representa, hoje, cerca de 40% do PIB nacional, absorvendo e comprometendo significativa parcela da poupança privada que deveria financiar os investimentos mais essenciais.

A nota oficial sobre a reunião salienta, a certa altura, que “na avaliação da Confederação, a excessiva carga tributária e a crescente burocracia oficial, assim como os desvios da administração pública na utilização e gestão dos recursos fiscais, acarretam a perda de dinamismo da economia nacional e promovem o agravamento das pressões inflacionárias”.

Quanto às duas maiores empresas nacionais, a Petrobras e a Eletrobras, “estão sendo sacrificadas em sua situação financeira e patrimonial, em função da política de combate à inflação”, disse Santos, lembrando o fato de que, em menos de dois anos, a Petrobras perdeu 43% de seu valor patrimonial e a Eletrobras 70%, em detrimento dos acionistas minoritários. “É fundamental restabelecer o sistema de preços que fornece sinais que levam à melhor alocação dos fatores de produção e reforçam a democracia”.

O presidente da CNC pediu que o governo reveja suas posturas, “a começar pela redução da excessiva carga tributária e da sufocante burocracia oficial, além do restabelecimento do clima de confiança do setor empresarial, fundado nos princípios de segurança jurídica que devem presidir a maior liberdade de funcionamento do mercado”.

09/03/2014

às 19:31 \ Política & Cia

Carlos Brickmann: Me dá um dinheiro aí

Na farra do carnaval, quem pulou de raiva foram os aposentados, na ala dos palhaços do governo (Imagem: Espalhaí)

Na farra do carnaval, quem pulou de raiva foram os aposentados, na ala dos palhaços do governo (Imagem: Espalhaí)

Notas da coluna que o jornalista Carlos Brickmann publica hoje, domingo, em vários jornais

ME DÁ UM DINHEIRO AÍ

No Carnaval, os grandes vencedores, no quesito “Cadê o Meu?”, foram mais uma vez os bancos, num grandioso desfile patrocinado pelo Governo Federal. O dinheiro dos nove milhões de aposentados já estava em poder dos bancos na sexta-feira, 28 de fevereiro.

O Governo transformou a segunda-feira de Carnaval, dia útil, em mais um feriado, exclusivo para o sistema financeiro. E o pagamento dos aposentados, que deveria começar a sair na segunda, foi liberado apenas a partir do dia 6.

Nem vamos fazer as contas: só imagine quanto os bancos puderam faturar no overnight, aplicando o dinheiro que não era deles mas estava em seu poder. Por menor que seja a taxa, multiplicada por nove milhões é dinheiro.

Por que a segunda-feira de Carnaval deixou de ser dia útil? O INSS explicou que o calendário de 2014 foi fechado em 2013. E daí? Daí, nada. Em 2013, como em 2000, como em 1956, a segunda-feira de Carnaval cai na segunda-feira. E, a menos que mude de nome, continuará caindo na segunda todos os anos.

Enfim, só há uma explicação: se os bancos podiam ganhar mais algum, por que tirar dos banqueiros, que como se sabe quase não têm lucro, a chance de faturar de novo?

A segunda de Carnaval virou feriado e assim o primeiro dia útil do mês, para recebimento, passou para a quinta, 6. Já as contas que venceram no dia 5 continuaram vencendo no dia 5; os aposentados que paguem juros nos empréstimos consignados, nos cartões, nos financiamentos. Mais uma vez, ganham os bancos. Na guerra do Governo contra a pobreza, a pobreza está perdendo de goleada.

 

Bandeira branca

Mas, para que não se diga que os bancos faturam apenas graças ao auxílio do Governo, segue uma demonstração de que eles também sabem, sozinhos, descobrir o caminho do bolso dos incautos.

De acordo com levantamento do Idec, Instituto de Defesa do Consumidor, as anuidades de cartões de crédito subiram em um ano, em média, o triplo da inflação.

O banco que mais elevou preços atingiu inacreditáveis 85%; houve quem elevasse a anuidade em 50%. Dos seis maiores bancos do país, só dois – ambos estatais, pertencentes ao Governo Federal – não elevaram as anuidades: Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

 

O longo braço…

Para Francisco: "não se pode admitir que seres humanos sejam tratados como mercadoria" (Foto: Vaticano)

Para Francisco: “não se pode admitir que seres humanos sejam tratados como mercadoria” (Foto: Vaticano)

Preste atenção, neste ano, na Campanha da Fraternidade da Confederação Nacional de Bispos do Brasil: Fraternidade e o Tráfico Humano. Os traficantes de gente tiram as pessoas de seu país e as escravizam sem referências, sem amigos, sem documentos, em situação ilegal, em outras regiões do mundo.

Só no Brasil, segundo a CNBB, há mais de 240 rotas de tráfico humano, que envolvem desde a prostituição forçada até, no caso de crianças e adolescentes, a remoção de órgãos para venda em casos de transplante – “e não se pode admitir que seres humanos sejam tratados como mercadoria”, nas palavras do papa Francisco.

06/03/2014

às 20:11 \ Política & Cia

ELEIÇÕES 2014: Comitê eleitoral para Dilma dentro do próprio Alvorada pode. O TSE já resolveu que sim, porque é a residência da presidente. Mas, durante o expediente de trabalho?

COMITÊ DO PT – Palácio do Alvorada vira escritório da presidente para receber os aliados que comandarão sua campanha em outubro (Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula)

COMITÊ DO PT – Palácio do Alvorada vira escritório da presidente para receber os aliados que comandarão sua campanha em outubro (Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula)

Transformar a residência oficial da Presidência da República em uma extensão do diretório do PT, como ocorreu ontem, em Brasília, não encontra obstáculo na questão de utilização indevida de edifícios públicos para fins eleitorais.

O Tribunal Superior Eleitoral já tem decisão consolidada de que, sim, um presidente pode conduzir reuniões eleitorais ali porque, enquanto está no poder, o Alvorada é sua residência.

O problema, com a reunião feita pela presidente Dilma ontem, no Alvorada, com seus principais conselheiros — a começar pelo seu patrono, o ex-presidente Lula, passando pelo marqueteiro João Santana e o ex-ministro da Comunicação Franklin Martins — é outro: Dilma resolveu debater os rumos de sua campanha à reeleição, a montagem de palanques e as chapas do partido nos Estados em pleno horário de expediente.

Ela tinha passado o Carnaval na base da Marinha em Aratu, na Bahia, e seu primeiro compromisso foi essa reunião — como se o Brasil não tivesse qualquer problema a ser tratado.

Lula chegou ao palácio para o encontro ainda antes das 18 horas — dentro, portanto, do horário de expediente. E fez-se a reunião eleitoral e eleitoreira sem qualquer problema, como se a presidente estivesse tratando dos grandes temas nacionais, como a inflação, o buraco nas contas externas ou a paralisação da economia, e não de seus interesses eleitorais.

Dilma lançou mão do que já chamei de “doutrina Paulo Bernardo”, por causa do inesquecível dia 25 setembro de 2010, quando Lula, presidente e palanqueiro, esteve em Maringá (PR) em viagem oficial, com todo o esquema da Presidência mobilizado, mas não deixou de pedir votos para a então candidata Dilma e para Osmar Dias (PDT), seu candidato (derrotado) ao governo do Estado.

Lula não falou com a imprensa, com quem para variar andava às turras. A tarefa coube a Bernardo, atual ministro das Comunicações, então ministro do Planejamento.

Acossado por repórteres de rádio que lhe perguntaram se era correto Lula fazer propaganda em viagem oficial, o ministro saiu-se com esta:

– Mas ele falou na hora do almoço! Que me conste, horário de almoço não faz parte do expediente.

Pela peculiaríssima doutrina constitucional de Bernardo, que é bancário, o almoço seria, então, um intervalo no exercício da Presidência.

Como o presidente, quando tomava café, almoçava e jantava não tinha o costume de transmitir o poder ao então vice José Alencar, isso significava que, durante suas refeições, segundo a “doutrina Bernardo”, não haveria ninguém governando o Brasil.

Tudo para justificar o injustificável: Lula usava indevidamente o cargo na campanha por sua candidata, era multado volta e meia pela Justiça Eleitoral, zombava dela, e tudo ficava por isso mesmo.

Dilma parece seguir o mesmo caminho e seguir à risca a “doutrina Bernardo”. Só faltou alguém dizer que, durante a reunião com seu pessoal de campanha, a presidente na realidade não estava sendo presidente porque estava na hora do lanchinho da tarde.

 

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