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inflação

15/09/2014

às 14:00 \ Política & Cia

Às vésperas da eleição, mercado de trabalho começa a sentir o baque

Mercado de trabalho: desaceleração acompanha o arrefecimento econômico (Foto: Cristiano Mariz/VEJA)

Mercado de trabalho: desaceleração acompanha o arrefecimento econômico (Foto: Cristiano Mariz/VEJA)

Apesar do discurso eleitoral de pleno emprego, há sinais de esgotamento e corte de vagas em alguns segmentos; o momento é de rever o modelo

Por Luís Lima e Naiara Infante Bertão, para VEJA.com

O economista austríaco Friedrich Hayek escreveu certa vez que quando se usa o estado como ferramenta para estimular a criação de vagas, uma série de desequilíbrios é desencadeada. O Brasil vive essa realidade. A cantilena repetida à exaustão em época eleitoral é a de que o pleno emprego que se vê hoje leva a assinatura dos governos petistas.

O outro lado da moeda é que os desequilíbrios criados pela política econômica da gestão de Dilma Rousseff se tornam cada vez mais patentes e afetam não só a renda dos brasileiros, mas também o mercado de trabalho. Com a inflação no teto da meta, os juros começaram a subir e o emprego, consequentemente, deu sinais de esgotamento. A criação de vagas com carteira assinada em 2014 (até agosto) é a mais baixa desde 2002, início da série histórica disponibilizada pelo Ministério do Trabalho.

Apesar da desaceleração, a taxa de desemprego mais recente, que remonta a abril, está em 4,9% — um dos resultados mais baixos da história. Especialistas ouvidos pelo site de VEJA explicam que a menor geração de postos só não impactou a taxa de desemprego porque a oferta de mão de obra diminuiu: passou de 24,32 milhões em abril do ano passado para 24,11 milhões no mesmo mês deste ano, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que leva em conta as seis maiores regiões metropolitanas do país.

Leiam também:
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Criação de vagas até agosto é a pior da série histórica
Economia brasileira entra em recessão com recuo de 0,6% no segundo trimestre

Levantamento feito a pedido do site de VEJA pelo economista Hélio Zylberstajn, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), com base na PME, mostra outro fator estatístico que impede o aumento da taxa de desocupação. O estudo constata que, entre abril do ano passado e deste ano, 528 mil brasileiros em idade ativa preferiram não trabalhar. Esse número é equivalente à população de uma cidade como Ribeirão Preto (SP).

No jargão econômico, esses brasileiros são conhecidos como ‘nem-nem’: aqueles que não estudam, nem trabalham. De acordo com o cálculo de Zylberstajn, se estivessem trabalhando, a taxa de desemprego saltaria dos 4,9% atuais para 7%.

“Ao retornarem para um mercado de trabalho desaquecido, procurando emprego, esses indivíduos devem engordar as estatísticas de desemprego. A tendência é que não preencham novas vagas, que agora estão mais escassas”, alerta o economista e professor da Universidade de São Paulo (USP), José Paulo Chahad.

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Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que, em 2014, alguns segmentos já registram mais demissões do que contratações. É o caso do Comércio, que fechou mais de 6 mil vagas nos oito primeiros meses deste ano.

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08/09/2014

às 15:00 \ Política & Cia

CARLOS ALBERTO SARDENBERG: Brasil, sempre atrás na fila do crescimento

(Imagem: Igepri News)

O Brasil não soube aproveitar a onda global de crescimento econômico, diz Sardenberg (Imagem: Igepri News)

NA FILA DE TRÁS

A média de crescimento anual do Brasil foi sempre inferior àquela obtida pela América Latina e pelos emergentes

Artigo publicado no jornal O Globo

Carlos-Alberto-Sardenberg1Chile e Uruguai, ambos com 3% da população abaixo da linha da pobreza, em 2012, segundo os respeitados critérios de um trabalho conjunto do Banco Mundial e de uma instituição da Universidade de La Plata, o Centro de Estudios Distributivos Laborales y Sociales (Cedlas).

Pelo mesmo estudo, analisado em um oportuno texto dos economistas Ilan Goldfajn e Gino Olivares, do setor de análises econômicas do Itaú, o Brasil tinha naquele ano 10% da população abaixo da linha da pobreza, cerca de 20 milhões de pessoas.

E qual foi o país que mais reduziu a pobreza nesta região, no período de 2002 a 2012?

Peru: a população abaixo da linha de pobreza caiu de 30% para 11% nesses dez anos, uma queda de 19 pontos. Melhor dizendo: 5,7 milhões de peruanos escaparam da pobreza extrema.

No caso do Brasil, mesmo período, também houve queda expressiva da população mais pobre, de 16 pontos.

Olhando pelo outro lado — a parte da riqueza nacional que é apropriada pelos mais ricos — o país com melhor distribuição de renda é o Uruguai. Lá, em 2012, os 10% mais ricos ficaram com 30% da renda gerada no país.

De novo aqui, o Peru foi a nação que obteve os melhores resultados. A participação dos 10% mais ricos caiu de 43% para 34% da população.

No Brasil, mesmo período, a distribuição também melhorou, mas em ritmo menor. Os 10% mais ricos tinham 46% da riqueza da população em 2002, e 42% dez anos depois.

Para não aborrecer o leitor com mais dados (todos podem ser encontrados aqui), vamos logo para as conclusões: a distribuição de renda na América Latina melhorou de maneira generalizada nas últimas duas décadas, e mais acentuadamente na última.

Logo, se o fato é geral, devem existir causas comuns. O que houve de comum para esses países do fim dos anos 90 para cá?

Primeiro, a estabilização macroeconômica — não apenas a derrubada e controle da inflação em níveis baixos, mas também o controle das contas públicas, aberturas comerciais e para investimentos estrangeiros, em resumo, tudo que compõe o cardápio clássico (o famoso tripé: metas de inflação, superávits primários e câmbio flutuante).

Depois, toda a região foi beneficiada pelo espantoso crescimento da China, que se tornou neste século a principal parceira comercial da América Latina. Todos os países que tinham alimentos, minérios e petróleo para exportar ganharam muitos dólares, com os quais puderam construir reservas sólidas.

Com seu tamanho, a China puxou um forte crescimento econômico dos emergentes, que coincidiu, até 2008, com a boa expansão dos desenvolvidos. Um excelente cenário global.

Considerem o Brasil. No ano de 2000, exportou apenas um bilhão de dólares para a China. Dez anos depois, vendia cerca de US$ 45 bilhões. As exportações totais saíram da média anual de US$ 60 bilhões para os 245 bilhões.

Esse forte setor exportador gerou riqueza e desenvolvimento interno, com, entre outros efeitos, ganhos de arrecadação para os governos. Estes puderam, assim, gastar mais, especialmente nos programas sociais e na elevação do salário-mínimo em muitos lugares (as políticas de transferência de renda, também generalizadas na região).

Acrescente-se aí a queda do desemprego, efeito do crescimento, e se terá toda a história. Quer dizer, quase toda a história, pois cada país aproveitou de seu modo a onda global.

O Brasil aproveitou bem ou mal?

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05/09/2014

às 18:20 \ Política & Cia

EM SALVADOR, LULA CAIU DO PALANQUE DE TANTO MENTIR

O ex-presidente Lula se desequilibra e cai durante  comício do PT em Salvador (Foto: Margarida Neide/Agência A Tarde)

O ex-presidento Lula se desequilibra e cai durante comício do PT em Salvador. tropeçando nas próprias mentiras, para vergonha dos brasileiros de bem (Foto: Margarida Neide/Agência A Tarde)

Se mentira tem perna curta, foi ela quem encurtou subitamente uma das pernas de Lula, fazendo-o desabar grotescamente no palanque em que proferia baboseiras e ameaças em Salvador, em comício de apoio aos candidatos do lulopetismo na Bahia — que, por falar em pernas, andam pessimamente delas, devendo perder o governo do Estado e a vaga no Senado para a aliança DEM-PMDB-PSDB.

Antes de voltar à guerra do “eu” contra “eles”, e bazofiando que se Dilma vencer as eleições ele próprio voltará em 2018, Lula começou mentindo de leve. Só disse que a “gerentona” alcançou dois milagres: “manter os emprego e estabilizar a inflação”.

É verdade que os empregos vêm sendo mantidos, mas é claro que o Pinocchio-mor do PT não mencionou que a criação mensal deles vem desabando assustadoramente sob a batuta da “gerentona”: de um patamar de 200 a 300 mil vagas com carteira assinada por mês, o país caiu para apenas míseras 25.363 vagas em junho — o pior junho em DEZESSEIS ANOS — e mais preocupantes ainda 11.796 vagas em julho.

Como a economia está paralisada, e o ano que vem será duríssimo, provavelmente com crescimento próximo a zero, a tendência é que a criação de vagas se torne negativa — ou seja, que comece a haver demissões em número cada vez mais elevado.

Mas, tudo bem, vamos tomar ao pé da letra que empregos, embora de baixa qualidade e mal remunerados, estão sendo mantidos.

Agora, Lula elogiar Dilma pela proeza de “estabilizar a inflação”? Em que mundo, em que país vive Lula? Há quando tempo que esse “líder de massas” que só anda em jatinhos fretados para fazer palestras e só se hospeda, em tais ocasiões, em suítes presidenciais de hotéis, não vai a uma feira, a um supermercado, a uma farmácia???

A inflação mantém-se firmemente, ao longo da maior parte do governo Dilma, próxima ao TETO da meta, ou seja, ao máximo admitido pelo Banco Central, de 6,5%, quando não o supera — mesmo com as acrobacias safadas para varrê-la para baixo do tapete, e que vão explodir lá adiante, como o congelamento artificial dos preços dos derivados de petróleo e da energia elétrica, que está, respectivamente, quebrando a Petrobras e criando um rombo de dezenas de bilhões de reais nas geradoras e distribuidoras de energia.

A mentira maior e mais deslavada, contudo, viria depois.

Vejam só: “Ninguém está crescendo mais que o Brasil, a não ser quatro países e que pertencem ao G-20″”, disse o ex-presidento.

Não é imaginável que Lula comemore o grotesco crescimento estimado para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano — 0,52%!!!! (Confiram aqui os dados.)

O pior, porém, obviamente é mentir. SÓ QUATRO PAÍSES DO G-20 CRESCEM MAIS DO QUE O BRASIL?

MENTIRA! O Chile, aqui pertinho, que não pertence ao G-20, cresceu 2,2% só no primeiro semestre! Querem conferir, vejam aqui.

MENTIRA! No Peru, nosso vizinho a oeste, igualmente fora do G-20, a previsão de crescimento para este ano é de 4,4% — mais que oito vezes o país gerido pela “gerentona”. Para o ano que vem, que se prevê negro para o Brasil, com possível crescimento ZERO, a taxa prevista para o Peru é de 6%! Querem conferir? Vejam aqui.

MENTIRA! A Colômbia, nosso vizinho ao norte, com colossais gastos militares para espremer os narcoguerrilheiros das Farc (amiguinhas do PT) e tudo, foi o segundo país que mais cresceu NO MUNDO no primeiro trimestre, em comparação ao mesmo período de 2013 — 6,4% –, ficando apenas atrás da China, e a previsão de crescimento para o ano feita pelo governo, que é considerada conservadora por diferentes círculos, é de 4,7%. Querem conferir? Vejam aqui.

MENTIRA! MENTIRA! Crescem mais do que o Brasil dezenas de países, da Tailândia ao Panamá, do Equador ao Egito.

Na América Latina, somos uma vergonha, uma desmoralização, uma patuscada: só estamos à frente da catastrófica Venezuela e da Argentina do kirchnerismo desvairado.

É inacreditável — e, para os brasileiros de bem de qualquer tendência partidária, humilhante, vergonhoso — ver um ex-chefe de Estado proferir mentiras aos quatro ventos para eleger sua candidata.

Explicaram o desabamento de Lula no palanque como tendo ocorrido porque ele se aproximou das pessoas ao redor para cumprimentá-las.

Não: Lula acabou tropeçando mesmo foi na mentiralhada, sua grande arma política.

05/09/2014

às 18:11 \ Política & Cia

Inflação avança 0,25% em agosto e estoura (de novo) teto da meta

No ano, preços já sobem mais de 4% (Foto: Tuca Vieira/Folha Imagem)

No ano, preços já sobem mais de 4% (Foto: Tuca Vieira/Folha Imagem)

Segundo IBGE, em 12 meses até agosto o IPCA acumulou alta de 6,51%. No ano, preços já sobem mais de 4%

De VEJA.com

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou 0,25% em agosto, depois de ficar estável em julho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira. O indicador prévio (IPCA-15) do mês havia desacelerado para 0,14%.

Em agosto do ano passado, a inflação variou 0,24%.

Com isso, o acumulado em doze meses é de 6,51%, pouco acima dos 6,50% registrados no mesmo período até julho. Assim, o indicador ultrapassou, de novo, o limite da inflação “aceitável” pelo governo, cuja meta vai de 2,5% (mínimo) a 6,5% (máximo), com centro de 4,5%. Em junho, ele já havia batido 6,52% na mesma base de comparação. No acumulado dos oito primeiros meses do ano, a alta é de 4,02%.

Analistas ouvidos pela Reuters esperavam exatamente alta de 0,25% no mês passado, segundo a mediana de 25 projeções que variaram de 0,17% a 0,30%. Para o acumulado em doze meses, os economistas também acertaram em cheio – a expectativa era de avanço de 6,51% na mediana de 23 estimativas entre 6,43% a 6,57%.

Leiam mais:
Dilma: reduzir inflação implica cortar gastos sociais
Aécio quer reduzir inflação ao centro da meta em até 3 anos

Pesos pesados - A inflação em agosto só não veio maior porque o item Alimentação e Bebidas contribuiu com 0,04 ponto porcentual negativo. Pelo quinto mês consecutivo o grupo registrou recuo no IPCA, sendo este de 0,15% em agosto. Considerando somente os alimentos consumidos em casa a queda foi de 0,61%.

O grupo Habitação teve o maior impacto positivo, de 0,14 ponto porcentual no índice cheio (0,25%). Com o aumento nas taxas de água e esgoto das regiões metropolitanas do Rio de Janeiro (6,10%), Vitória (5,25%), Fortaleza (2,03%) e São Paulo (3,24%), o item subiu 1,46%.

Ainda em habitação, os preços de condomínios subiram 1,35% em agosto, enquanto o aluguel aumentou 0,66%. Artigos de limpeza ficaram 1,31% mais caros, assim como mão de obra para pequenos reparos (0,66%).

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04/09/2014

às 18:30 \ Política & Cia

Para tentar se reeleger, Dilma recorre sem o menor problema a empulhações. Vejam esta: ela apregoa uma conquista que, na verdade, é de FHC

(Foto: Reprodução/YouTube)

Em programa eleitoral, Dilma já se autoatribuiu crédito por realizações do governo FHC (Foto: Reprodução/YouTube)

A atual campanha para a Presidência tem revelado uma característica triste e infeliz da presidente Dilma: sua capacidade de torturar números sobre a economia e, aqui e ali – vamos ser francos –, falsear a realidade.

Sobre tortura de números, a reportagem de VEJA.com contida neste link é imperdível.

Sobre falsear a realidade, vamos em frente.

Peço paciência na leitura, porque é praticamente impossível simplificar os meandros jurídicos e constitucionais da trampolinagem eleitoral.

Um dos pontos em que Dilma vem insistindo em matéria de “realizações” de seu governo é o suposto aumento real — e considerável — de verbas para a saúde ocorrido durante o período do lulalato e de seu próprio governo. O excelente repórter da Folha de S. Paulo Gustavo Patu, porém, mantendo a performance de implacável escarafunchador dos números do governo, dias atrás mostrou que a presidente chama para si, indevidamente, algo que NÃO realizou e mostra dados que, na verdade, decorrem de medida do governo FHC.

E cita trecho de uma “informação” do programa eleitoral de rádio de Dilma: “Em 2002, o Orçamento da saúde era de 24 bilhões de reais, agora é de 91 bilhões — um aumento de 97,7 acima da inflação do período”, jactou-se ela.

Patu, contudo, lembra que, “apontada nas pesquisas como maior preocupação e motivo de insatisfação dos eleitores, a saúde foi menos priorizada pela administração petista que outras áreas sociais”. E recorda que “a ampliação orçamentária mencionada no programa é mero efeito de uma emenda à Constituição aprovada em 2000 [por iniciativa do presidente Fernando Henrique Cardoso], segundo a qual os recursos federais destinados à saúde devem ser corrigidos anualmente conforme a variação do Produto Interno Bruto (PIB), medida da renda nacional”.

“Os gastos federais no setor em 2002″, continua, equivaliam a 1,7% do PIB, o mesmíssimo percentual de hoje”, que é “o mínimo obrigatório”.

Pois bem, vamos explicar detidamente aos amigos do blog como e porque a presidente — com todo o respeito — MENTE.

FHC apresentou ao Congresso proposta de emenda constitucional que, a 13 de setembro de 2000, foi aprovada, recebendo o número 29. A emenda acrescentou um artigo às Disposições Transitórias da Constituição.

Vejam só o que diz o artigo e seus penduricalhos:

“Art. 77. Até o exercício financeiro de 2004, os recursos mínimos aplicados nas ações e serviços públicos de saúde serão equivalentes:”

“I – no caso da União:”

“a) no ano 2000, o montante empenhado em ações e serviços públicos de saúde no exercício financeiro de 1999 acrescido de, no mínimo, cinco por cento;”

“b) do ano 2001 ao ano 2004, o valor apurado no ano anterior, corrigido pela variação nominal do Produto Interno Bruto – PIB;”

(Foto: Kunocreative.com)

Os gastos com saúde subiram graças a medida adotada no governo FHC. De lá para cá, permaneceram percentualmente os mesmíssimos, mas Dilma joga com números (Foto: Kunocreative.com)

Ou seja a emenda começou acertando as situações da saúde para os anos de 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004 — por isso o acerto está nas Disposições Transitórias, ou seja, aquelas medidas constitucionais com data certa para vigorar.

A mesma emenda, contudo, previu que o artigo 198 da Constituição — a parte estável da Constituição, que estava e está em vigor — incluiria um parágrafo 3º estabelecendo que “lei complementar, que será reavaliada pelo menos a cada cinco anos”, estabeleceria os percentuais mínimos estabelecidos a serem aplicados em saúde.

E assim foi feito. As leis complementares (leis que precisam da metade mais um de todos os integrantes do Congresso para ser aprovadas) que se seguiram, a cada cinco anos, adotaram o critério de repassar para a saúde montante sempre atualizado pelo crescimento do PIB.

Lula e Dilma não enviaram os projetos de lei ao Congresso porque são bonzinhos e se preocupam mais com a saúde do povo do que os maldosos adversários tucanos — mas, sim, porque a Constituição, por iniciativa de FHC, assim ordenou.

A lei complementar que está em vigor atualmente é a número 141, de 13 de janeiro de 2012, que vocês podem consultar aqui.

Gastei todo esse palavrório para tentar explicar, aos leitores, o quanto o palavrório que o PT usa na campanha eleitoral pode ser ilusório, quando não, simplesmente, mentiroso.

04/09/2014

às 14:00 \ Política & Cia

Apesar do intenso falatório, é ensurdecedor o silêncio de Dilma em relação ao que pretende fazer pelo país se for reeleita

(Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

Em ponto crítico da corrida presidencial, Dilma ainda não disse o que pretende fazer no país se for reeleita (Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

SEM TER O QUE PROMETER

Editorial publicado no jornal O Estado de S. Paulo

Entra debate, sai debate, entra entrevista, sai entrevista, e uma coisa não acontece no coração da campanha eleitoral — a presidente Dilma Rousseff dizer ao perplexo eleitor o que ela pretende fazer se as urnas de outubro a mantiverem por mais quatro anos no governo do país.

É uma omissão espantosa, por onde quer que se a encare. Admitindo, apenas para raciocinar e na contramão de todas as evidências, que o seu mandato tenha sido a maravilha que ela alega e que só não foi a maravilha das maravilhas por culpa de uma persistente perversão do sistema econômico mundial — a sua suposta incapacidade de se recuperar da crise financeira de 2008, ou seja, de seis anos atrás —, soa no mínimo estranho que a candidata peça um crédito de confiança válido até 2018 lastreado exclusivamente no que apregoa ser o seu meritório desempenho passado.

Quanto mais não seja, o crescimento da candidatura Marina Silva nas pesquisas, a ponto de emparelhar com ela na liderança das intenções de voto, e a perspectiva de uma vitória da rival no segundo turno deveriam fazê-la enxergar o raquitismo da estratégia adotada, segundo a qual os feitos que ela não se cansa de alardear seriam suficientes para levar a maioria do eleitorado a renovar o seu contrato de locação do Planalto.

Ora, os seus fracassos como líder nacional (haja vista a sua liderança nas sondagens no quesito “rejeição”) e gestora da economia (haja vista a recessão a que ela derrubou o sistema produtivo, sem conseguir derrubar igualmente a inflação) não autorizam que se conclua que ela fracassa também em entender que as expectativas de futuro são o fator determinante das escolhas eleitorais. Não é por aí, portanto.

Toda votação, no limite, é um cotejo entre manter ou mudar. Mesmo quando a tendência da maioria é manter, esse desejo depende de algo mais do que da insistência dos incumbentes em prometer que continuarão no caminho que deu tão certo.

Para persuadir o público de que “o bom vai ficar ainda melhor”, têm de apresentar os seus projetos para tanto. Imagine-se então o que teria de prometer uma candidata à reeleição que, além de ter contra si os 35% dos eleitores que dizem que não votarão nela “de jeito nenhum”, foi posta diante do desafio de se haver com os 80% do eleitorado que exige mudanças na condução do governo — dos quais apenas uma minoria acredita que elas virão com ela.

Apesar disso, é ensurdecedor o silêncio de Dilma em relação ao que pretende fazer pelo país nos próximos quatro anos.

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02/09/2014

às 19:30 \ Política & Cia

Dúvidas sobre a democracia de Marina Silva

(Foto: Agência Brasil)

Marina quer a “democratização da democracia”, mas ainda deve explicações sobre o que isso significa (Foto: Agência Brasil)

Ao contrário das propostas no campo econômico, as ideias da candidata sobre a política são vagas e permitem interpretações preocupantes

Editorial publicado no jornal O Globo

Pelas próprias características do tema, propostas econômicas tendem a ser mais objetivas. A candidata Marina Silva (PSB) não poderia ser mais clara em pontos básicos de seu programa de governo, neste campo: restaurará o chamado “tripé” — metas de inflação, responsabilidade fiscal e câmbio flutuante —, para estabilizar a economia; formalizará a autonomia operacional do Banco Central, com mandato fixo para diretores; metas fiscais para a União e instituição do Conselho de Responsabilidade Fiscal para auditá-las, entre outros itens.

Já no campo político, o texto do programa de Marina não tem a mesma objetividade, é perigosamente vago. Admita-se que também o tema contribui para algum devaneio. Mas não necessariamente.

É óbvio que todos os partidos e candidatos se autointitulam democratas. E não há por que duvidar deles. O xis da questão é saber o entendimento do candidato sobre os mecanismos de funcionamento do regime de democracia representativa, estabelecido na Constituição.

Reconhece-se, e não apenas no Brasil, que este tipo de regime — o melhor já criado até hoje — deve passar por aperfeiçoamentos, para aproximar as ruas dos centros de decisão, mas sem abalar o sistema de representação.

Nos Estados Unidos, por exemplo, estados decidem por plebiscitos uma série de questões objetivas locais, em que cabem respostas binárias — sim ou não. (Daí ter sido um equívoco da candidata Dilma Rousseff, no debate da Bandeirantes, citar os plebiscitos americanos para justificar consultas populares no Brasil sobre temas intrincados como a reforma política).

Marina Silva e o PSB se propõem a fazer uma “democratização da democracia”. A candidata precisa esclarecer o que é isso. Até porque seu berço ideológico é o mesmo de frações do PT que namoram métodos de “democracia direta” desenvolvidos nos laboratórios do bolivarianismo chavista — arranjo de poder em grave crise na América Latina.

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02/09/2014

às 11:23 \ Política & Cia

Em entrevista ao Jornal da Globo, Marina Silva não se posicionou a respeito de assuntos polêmicos e abusou do “marinês”

Em entrevista ao Jornal da Globo, Marina Silva não assumiu posições (Foto: Reprodução/TV Globo)

Marina Silva se esforçou para não assumir posições na entrevista ao Jornal da Globo (Foto: Reprodução/TV Globo)

Questionada sobre temas espinhosos para a sua campanha em entrevista na bancada do programa, candidata do PSB à Presidência deu respostas evasivas

Do site de VEJA

“A senhora é a favor ou contra o casamento gay?”

“Vai reajustar a gasolina?”

“As termelétricas salvaram o Brasil neste ano. Pretende desligá-las se for eleita?”

Marina Silva, candidata do PSB à Presidência da República, mais uma vez abusou do “marinês” na madrugada desta terça-feira – a entrevista foi gravada horas antes nos estúdios da TV Globo – e, falando em rodeios, sem assumir posições assertivas, esquivou-se de perguntas sobre temas espinhosos para sua campanha no Jornal da Globo.

Marina abriu a série de entrevistas de 25 minutos com os presidenciáveis – Dilma foi a única que se recusou a participar.

Leia também:
Empatadas, Dilma e Marina polarizam debate na TV
Marina se esquiva de perguntas sobre casamento gay

Gays – Logo de cara, os entrevistadores fizeram quatro perguntas para Marina sobre o recuo de sua campanha, que modificou um trecho do programa de governo favorável ao casamento entre homossexuais no final de semana, um dia depois do texto ter sido divulgado.

Após o lançamento da cartilha de governo, Marina foi pressionada por pastores evangélicos. A saída foi alterar o documento e atribuir a mudança a um “erro de processo” – os coordenadores, segundo ela, incluíram a proposta “sem mediação”. Hoje, não foi diferente: “Foi incluído o documento enviado pelo movimento LGBT tal qual enviaram”.

Em seguida, o entrevistador questionou a candidata se ela concordava com uma manchete dizendo: “Marina é a favor do casamento gay”. Ela não concordou nem discordou. O entrevistador insistiu. E com esta manchete: “Marina é contra o casamento gay”. Marina não concordou nem discordou. E terminou dizendo que era a favor da união civil entre pessoas do mesmo sexo, conforme a legislação do país reconhece. “O que a lei assegura é a união civil.”

Em seguida, questionada se consultava a Bíblia antes de tomar suas decisões, deu nova volta, afirmou que seus críticos tentam colar nela a pecha de fundamentalista, mas lançou frases direcionadas ao eleitorado evangélico, como “uma pessoa que crê” e “a Bíblia é uma fonte de inspiração”.

Marina ainda repisou posições que tem martelado no dia a dia da campanha, como a defesa do tripé econômico – câmbio flutuante, meta de inflação e responsabilidade fiscal – com independência total do Banco Central, críticas à atual condução econômica – “Há uma visão tacanha de se governar pensando nas eleições” – e seu compromisso em acabar com a reeleição, se for eleita.

Já nos minutos finais, os apresentadores do Jornal da Globo questionaram a ambientalista, que carrega a bandeira da energia limpa, se pretende desativar as termelétricas, que salvaram o país neste ano. A pergunta foi direta: sim ou não? Marina começou a resposta: “Falando desse jeito há uma simplificação…” E deixou escapar um breve sorriso. Era o “marinês” mais uma vez em ação.

LEIAM TAMBÉM:

CONFIRMADO: DILMA NÃO PARTICIPARÁ, HOJE, DA SÉRIE DE ENTREVISTAS DE PRESIDENCIÁVEIS NO “JORNAL DA GLOBO”. Perguntas que seriam feitas a ela vão ser lidas no ar

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30/08/2014

às 15:00 \ Política & Cia

ENTREVISTA: Com Aécio presidente, a economia brasileira voltará a correr. Quem diz é Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central e coordenador econômico da campanha tucana

(Foto: Antonio Milena)

Como ministro da Fazenda caso Aécio Neves seja eleito, Armínio Fraga pretende tirar o país “dessa UTI de subsídios e proteções” (Foto: Antonio Milena)

CONFIANÇA E COMPETIÇÃO

O ex-presidente do Banco Central e futuro ministro da Fazenda, no caso de uma vitória de Aécio Neves nas eleições, traça seu projeto para dar um novo ímpeto à economia brasileira

Entrevista a Lauro Jardim e Giuliano Guandalini publicada em edição impressa de VEJA

Se o senador mineiro Aécio Neves conseguir vencer as próximas elei­ções para presidente da República, um integrante de peso de seu futuro governo já é certo. Será o ministro da Fazenda, o economista Armínio Fraga, que no comando do Banco Central foi o responsável por restabelecer a confiança na economia brasileira depois da desvalorização cambial de 1999.

Aos 57 anos, Fraga coordena a área econômica do candidato do PSDB. Os eixos do programa se amparam em resgatar a previsibilidade e a transparência na condução da economia, combatendo a inflação e o inchaço do setor público, ao mesmo tempo em que as reformas estruturais serão promovidas. Diz Armínio Fraga: “O Brasil foi colocado em uma trajetória populista, com resultados desastrosos e previsíveis”.

Quais são as evidências de que estamos entrando em uma tempestade na economia?

A opção feita no segundo mandato do Lula por um modelo com ênfase no incentivo ao consumo e na participação elevada do setor público na economia já se esgotou. Funcionou por algum tempo, graças em parte a um cenário externo favorável. Não houve, entretanto, sucesso em aumentar o investimento, que permanece baixo em relação ao tamanho da economia, nem a produtividade, que tem crescido pouco.

O engajamento do governo com o setor privado consiste cada vez mais de soluções improvisadas que não dão conta do recado. Temos uma infraestrutura totalmente desgastada e inadequada. O sistema tributário é extremamente custoso para as empresas, cheio de problemas. A qualidade da educação não vem melhorando em ritmo adequado.

Por fim, a macroeconomia também foi desajustada. A inflação está alta, mesmo com o represamento de preços, e a situação fiscal é opaca e vem se deteriorando.

Quais são os sintomas da ineficiência da atual política econômica?

O Brasil foi colocado em uma trajetória populista, com resultados desastrosos e previsíveis. Essa aposta errada parte de uma teoria antiquada, que tinha alguma importância até os anos 1970, mas que se mostrou equivocada. Os sintomas são diversos e tradicionais, com destaque para o crescimento cada vez mais baixo.

Para termos um parâmetro, durante o governo Fernando Henrique o avanço do PIB brasileiro foi similar ao da América Latina. Nos anos Lula, o crescimento médio foi também parecido com o da América Latina. Agora, com Dilma, vamos crescer 2 pontos porcentuais por ano, abaixo do avanço médio até dos países vizinhos. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

30/08/2014

às 0:00 \ Disseram

Fim prematuro do governo petista

“Hoje é um dia triste para o Brasil. O governo do PT terminou antes da hora. O legado será de crescimento baixo, investimento baixo, combinado com inflação e juros altos, e uma perda crescente na confiança da nossa economia.”

Aécio Neves, candidato tucano à Presidência, comentando o cenário de recessão, que Guido Mantega, ministro da Fazenda, nega que exista

 

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