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inflação

12/04/2015

às 19:42 \ Política & Cia

PROTESTOS: De forma discreta, gente do governo comemora. Mas — santo Deus! — comemorar o quê?

Cena da manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo: havia até cartazes pedindo o juiz Sérgio Moro para o Supremo Tribunal Federal (Foto: Renato Matsukawa/VEJA.com)

Cena da manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo: havia até cartazes pedindo o juiz Sérgio Moro para o Supremo Tribunal Federal (Foto: Renato Matsukawa/VEJA.com)

O governo não abriu a boca para dizer nada sobre os protestos, exceto declarações moderadas, aqui e ali, sobre serem “parte da democracia”.

Nos bastidores, porém, há quem do lado de dentro comemore o fato de as manifestações de protestos contra o governo Dilma terem supostamente movimentado menos pessoas, a começar por São Paulo — mais de 1 milhão de manifestantes no dia 15 de março, segundo os cuidadosos cálculos da Polícia Militar feitos com tecnologia que utiliza helicópteros, e “apenas” 275 mil hoje, dia 12.

Nas redes sociais, manipuladas pelo Planalto, o que inclui os blogueiros alugados, houve mais mensagens favoráveis do que contrárias à presidente.

E daí?

Na verdade, pergunto: santo Deus! Comemorar o quê?

A pesquisa de opinião do Instituto Datafolha divulgada hoje mostra que a aprovação ao governo da presidente Dilma — como escreveu a Folha de S. Paulo — “estacionou”. Sim, “estacionou” em miseráveis 16%, ainda no patamar dos mais baixos da história, porque… NÃO PODIA CAIR MAIS. É quase impossível!

Ou seja, a avaliação do governo continua uma catástrofe — 60% de “ruim” ou “péssimo”.

Em Belo Horizonte, cartazes feitos à mão batiam diretamente em Lula (Foto: Reynaldo Rocha)

Em Belo Horizonte, cartazes feitos à mão batiam diretamente em Lula como “chefe do petrolão” (Foto: Reynaldo Rocha)

Nos protestos de hoje, no conjunto, não se sabe se havia mais ou menos gente. Pode até ter havido menos, mas ocorreram manifestações em quase QUINHENTAS cidades!

A economia está estagnada, e vai piorar, com a política de austeridade levada a efeito pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para evitar que as contas públicas — irresponsavelmente administradas pela “gerentona” no mandato anterior, especialmente no ano eleitoral de 2014 — venham a explodir de vez.

A inflação, por mais que os juros subam, continua afetando os brasileiros. Há sinais assustadores que, ao longo do ano, poderá bater nos dois dígitos.

A presidente deixou de mandar no governo. Está emparedada. Virou uma rainha da Inglaterra, cercada por políticos matreiros do PMDB: o coordenador político é o vice-presidente Michel Temer, e quem manda e desmanda na pauta do Congresso e em algo mais são os presidentes da Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ) — inimigo jurado e declarado do PT –, e do Senado, Renan Calheiros (AL).

O escândalo do petrolão continua sendo investigado a fundo, e a cada dia surgem mais evidências de que gente graúda do PT poderá caminhar para atrás das grades.

Finalmente, todas as pesquisas de opinião, divulgadas ou não — bem como as ruas — mostram uma rejeição brutal, formidável, colossal, contra o PT, antes o partido que tinha a preferência da maior fatia da opinião pública.

Sendo assim, pergunto: o que essa gente tem para comemorar?

08/04/2015

às 17:10 \ Política & Cia

Mais uma realização do governo da “gerentona”: segundo o IBGE, a inflação em 12 meses é de 8,13% — a maior em 11 anos

Conta de luz foi o grande vilão do mês (Foto: Marcelo Bittencourt/Futura Press/VEJA)

Conta de luz foi o grande vilão do mês de março, que teve o maior IPCA em 20 anos (Foto: Marcelo Bittencourt/Futura Press/VEJA)

A variação mensal do IPCA foi a maior para meses de março há 20 anos, de acordo com o IBGE. Conta de luz foi o que mais pesou no índice

De VEJA.com

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,32% em março, atingindo o maior nível desde fevereiro de 2003, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. Esta é também a maior variação para meses de março em vinte anos – mais elevada foi 1,55% em 1995.

Com isso, no acumulado de doze meses, a inflação está em 8,13%, maior patamar desde dezembro de 2003, e bem distante do teto da meta do Banco Central, de 6,5%. Vale lembrar que o centro da meta, número que deve ser perseguido, é de 4,5%.

Mesmo assim, o resultado de março veio um pouco abaixo da mediana de estimativas de analistas ouvidos pela agência Reuters, de alta de 1,39%. Para os doze meses até março, a expectativa era de avanço de 8,20% na mediana de trinta projeções.

Em fevereiro, o índice havia avançado 1,22%. No primeiro trimestre de 2015, os preços já subiram 3,83%, de acordo com o IBGE, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Em março, o grupo Habitação respondeu, sozinho, por 0,79 ponto porcentual de 1,32% de alta do IPCA ante fevereiro. A conta de luz foi o grande vilão: aumento médio foi de 22,08% no mês. Sem a conta de luz, o IPCA geral aumentaria apenas 0,61%.

Com a entrada em vigor, a partir de 2 de março, da revisão das tarifas aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) ocorreram aumentos extras, fora do reajuste anual, para cobrir custos das concessionárias com a compra de energia. Na mesma data, houve reajuste de 83,33% sobre o valor da bandeira tarifária vigente, a vermelha, passando de 3,00 reais para 5,50 reais.

No Rio de Janeiro, a variação da energia refletiu, também, o reajuste anual de 34,91% em uma das concessionárias, que entrou em vigor em 15 de março. À exceção de Recife, que apresentou variação de 0,65% em razão de redução de impostos, as demais regiões pesquisadas tiveram aumentos significativos na energia.

06/04/2015

às 18:18 \ Política & Cia

É o trabalho da oposição garantir que a voz do povo seja ouvida

(Foto: VEJA.com)

Em 15 de março, mais de 2 milhões de pessoas foram às ruas, não atrás de ganhos pessoais, mas querendo uma mudança no país (Foto: VEJA.com)

A VOZ VERDE-AMARELA DO POVO

Artigo de Almir Pazzianotto* publicado no jornal O Estado de S. Paulo

Cometerá a presidente Dilma Rousseff irreparável erro, que poderá custar-lhe o governo, se menosprezar o que se viu no dia 15 de março. Em São Paulo, a capital econômica do Brasil, concentraram-se mais de 1,5 milhão de pessoas na Avenida Paulista e nas ruas adjacentes. Em todo o país, além de 2 milhões se fizeram presentes nos protestos.

Ninguém reivindicava aumento de salários, vencimentos ou vantagem pessoal. Exigia-se, entretanto, o combate incessante à corrupção que se alastrou nestes últimos 12 anos. Os alvos eram, pela ordem, a presidente da República, atacada de surdez e cegueira diante da realidade, o Ministério anárquico, o partido contaminado, o caos administrativo, o peleguismo e o nosso alcaide. Para os jornais do dia 16/3, corrupção e “fora PT” foram os assuntos dominantes.

Creio que a melhor análise da situação partiu do Palácio do Planalto, cuja Secretaria de Comunicação (Secom) definiu como errática a política da presidente ao se comunicar com a população. Segundo o documento, revelado pelo Estado na edição de 18/3, “as mudanças nas regras do seguro-desemprego, o desastrado anúncio do corte do Fies, o aumento da gasolina e de energia e o massacre nas TVs com as denúncias de corrupção na Petrobras geraram entre dilmistas um sentimento de abandono e traição”.

Dilmistas ou petistas? Pouco importa. O fato é que as hostes arrogantes e agressivas do PT batem em retirada sem comando, fustigadas pelo povo.

O documento, embora duro, não vai ao cerne da questão. A presidente da República não é apenas errática, trata-se de caso clássico de alguém cujo temperamento a impede de entender, aceitar, ter a humildade necessária para corrigir o que faz errado. A isso se agregue o fato de expor o pensamento de maneira cansativa e quase ininteligível.

O partido, por outro lado, não colabora. Faz exigências descabidas, o que ocorre, também, com os aliados.

Tivesse S. Exa. coragem, extinguiria ministérios inúteis, mandaria ministros, assessores e secretárias de volta para casa, como medida elementar e indispensável de contenção de despesas. Sanearia as estatais e sociedades de economia mista; reduziria a brutal quantidade de cargos de confiança e funções comissionadas, responsáveis por gastos desnecessários. Convocaria o presidente do PT e lhe determinaria a imediata expulsão dos integrantes da legenda comprometidos ou indiciados pelo cometimento de ilícitos, a começar pelo tesoureiro.

Se a corrupção é a “senhora idosa”, estamos diante de dama robusta, a quem a idade não corrigiu, tampouco debilitou; alguém recolhido ao albergue do PT, onde é cuidada com desvelo e a quem se tentou proteger com a imunidade.

* Almir Pazzianotto Pinto é advogado, foi ministro do Trabalho e presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST)

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29/03/2015

às 17:10 \ Política & Cia

J. R. GUZZO: Está tudo dando errado para Dilma porque ela fez tudo errado em seus quatro anos de governo

(Foto: Ueslei Marcelino)

Dilma não admite que há algo errado, não ouve ninguém, não tem culpa de nada… (Foto: Ueslei Marcelino)

A MARCHA DA INSENSATEZ

Artigo publicado em edição impressa da revista EXAME

J. R. GuzzoVai terminando o verão do descontentamento. Como terminará o outono que se abre aí à frente? Há mais de 20 anos, desde os tempos de anarquia do infeliz governo de Fernando Collor, o Brasil não vivia um período tão longo de desencanto com o dia a dia, desgosto pela autoridade de quem está na Presidência da República e desprezo pelo que é percebido, cada vez mais, como sua pura e simples incapacidade de governar.

Num espaço de alguns poucos dias, o país assistiu às maiores demonstrações públicas de condenação a um governo já registradas na memória nacional, à pior queda em sua avaliação nas pesquisas de opinião e à extravagante demissão de um ministro de Estado que resolveu, por conta própria, declarar guerra à Câmara dos Deputados.

Pouco antes, na mesma cadência de uma desgraça a cada dia útil, ou o equivalente a isso, a presidente Dilma Rousseff tinha sido esmagada numa disputa irracional pela presidência da Câmara; seu adversário era o candidato desejado não pela oposição, mas pelo principal partido de apoio ao governo. O Senado Federal lhe enviou de volta o texto de uma mensagem de medida provisória que fazia parte das prioridades econômicas do Palácio do Planalto.

O monumental escândalo de corrupção da Petrobras produz tensão contínua no noticiário cotidiano. Os dados econômicos, um após o outro, são uma sequência de derrotas. O ano mal completou três meses e já está certo que haverá recuo da economia em 2015, depois do “crescimento zero” de 2014. A inflação dá sinais ruins, o dólar não para de subir e o “pleno emprego” foi para o espaço.

Há outras coisas, ainda; mas não é preciso ficar pendurando mais roupa nesse varal para constatar que o barômetro do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff tem registrado mau tempo fixo desde o dia da posse, e mesmo antes, logo após sua vitória nas eleições de outubro último.

É um fenômeno, sem dúvida — ninguém se lembra de algum outro caso de presidente, governo e partido que tenham entrado em decadência instantânea após ganhar uma reeleição. Mas também não se trata de nenhum enigma. Está tudo dando errado, agora, porque tudo foi feito em favor do erro nos quatro últimos anos de governo.

Na verdade, nada deu certo desde que Dilma assumiu a Presidência em janeiro de 2011; alguém é capaz de citar três coisas realmente boas, ou duas — vá lá, uma só —, que possam ser claramente atribuídas à atual gerência do Brasil? Esteve sempre muito claro, e foi dito diversas vezes, que durante esse tempo todo o governo praticamente não parou de gerir o país com desejos em vez de realidades, recusou-se a aceitar fatos econômicos elementares e transformou superstições ideológicas em política de Estado.

Abandonou áreas inteiras da administração pública a aglomerados “de esquerda” que se imaginam capazes de acabar, no curtíssimo prazo, com o capitalismo neste país. Desde o primeiro dia foi preguiçoso para pensar, hostil à troca de ideias e amador na execução de suas obrigações. Com o século 21 já em sua segunda década, pensa como se vivesse em 1950. Não ouve ninguém. Não tem culpa de nada.

A desordem diária que o Brasil vive hoje, na política, na economia e nos atos do governo, é o resultado inevitável dessa marcha rumo à insensatez. A presidente e seu entorno, ao que parece, não estão percebendo o que acontece no mundo das realidades — e isso, obviamente, não prenuncia nada de bom para o outono, ou para o inverno, ou para qualquer estação que venha adiante.

Dilma nem sequer admite que possa haver alguma coisa realmente errada com seu governo; no máximo, e com muita hesitação, sugere que talvez tenha havido algum engano quanto à dosagem das medidas tomadas ao longo de seu governo. Não está vendo nem a árvore nem a floresta. Como esperar uma mudança firme de rumo, capaz de devolver ao governo a capacidade de governar, se a presidente não consegue ver onde está, muito menos para onde está indo?

Não há, por enquanto, nenhuma resposta à disposição do público em geral.

26/03/2015

às 17:08 \ Política & Cia

Cristovam Buarque: A porta para um entendimento que enfrente a crise passa pela pressão das manifestações pacíficas de rua

(Foto: Luiz Maximiano/VEJA)

Cristovam Buarque: a crise em que estamos só será superada se o povo permanecer em clima de manifestação constante (Foto: Luiz Maximiano/VEJA)

VIGÍLIA PERMANENTE

Artigo de Cristovam Buarque* publicado no jornal O Globo

Nas democracias, o povo vai às ruas quando o descontentamento com o governo se alia à descrença com a oposição; e quando governo e oposição não se entendem para promover a reorientação do país, superando as razões de descontentamento e descrédito.

Após as últimas manifestações, o governo afirmou que os que foram às ruas eram os eleitores do opositor da candidata Dilma.

Em vez de estimular esse terceiro turno eleitoral, a presidente Dilma deveria reconhecer que os brasileiros têm razões para estarem descontentes: a imensa diferença entre as promessas do marketing de campanha e as medidas tomadas nos primeiros dias de governo; a inflação e o aumento nas tarifas de luz e no preço dos combustíveis; o desemprego crescente; a corrupção e a devastação da Petrobras; o corte de verbas na Educação; os equívocos do Fies, o baixo desempenho no Enem; a sensação de desamparo, insegurança e incerteza da população; o sentimento de falta de rumo do país.

É assustador perceber que o Brasil está mergulhado em tamanha crise sem que o governo reconheça seus erros, e sem que a oposição perceba que, embora a culpa seja do governo, o problema é de todos, e devemos tomar as decisões necessárias para salvar o Brasil e reorientar o futuro.

O governo precisa, em primeiro lugar, fazer uma análise crítica das causas de nossa atual situação e dos erros cometidos, na administração das contas públicas, na gestão de economia e na montagem da infraestrutura.

Em segundo lugar, precisa fazer um mea culpa. E em terceiro, em vez de acenar com essa vaga ideia de que está aberto ao diálogo, fazer um convite a todas as forças políticas e sociais rumo a um entendimento para reorientar o país.

Não basta diálogo, é preciso entendimento. Que oposição e governo componham um programa de médio prazo com um ajuste fiscal imediato, que:

 Tenha eficiência para cobrir o rombo das contas públicas;

 Seja justo para proteger os mais pobres dos custos necessários;

 Defina uma estratégia que preserve os investimentos essenciais ao crescimento econômico;

 Tenha legitimidade decorrente desse entendimento entre os partidos da base governista e políticos de todos os matizes, além de trabalhadores, empresários e comunidade intelectual;

Para que seja possível combinar esses princípios, em parte contraditórios, o ajuste deve ser gradual, programado ao longo do tempo, sem o choque que sacrifique o presente, nem o populismo que sacrifique o futuro.

Dificilmente isso será proposto pelo governo, ou aceito pela oposição.

Por isso, a porta para o entendimento necessário à superação da crise só será aberta se a população estiver em clima de manifestação permanente, pacífica, dentro da rotina do dia a dia, carregando faixas e falas aos seus locais de trabalho, usando as redes sociais.

Fazendo do Brasil uma imensa praça, em vigília permanente, até que as lideranças nacionais se entendam no propósito de salvar o Brasil.

*Cristovam Buarque, ex-reitor e professor emérito da Universidade de Brasília, é senador da República (PDT-DF)

26/03/2015

às 12:00 \ Disseram

O que diz o PT

“Qual o discurso do PT e do governo hoje? Dos juros? Da inflação? É dizer que não aconteceu nada no dia 15? Mas aconteceu…”

Senador Paulo Paim (PT-RS), em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo

12/03/2015

às 18:19 \ Política & Cia

É UM VEXAME INTERNACIONAL: o Brasil entrou no grupo dos 25 países com a pior inflação do mundo

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(CLIQUEM NA IMAGEM PARA AMPLIÁ-LA)

Infográfico publicado no blog Impávido Colosso, de VEJA.com

08/03/2015

às 15:30 \ Política & Cia

Fernando Henrique critica a “crise moral” provocada pelos “desmandos do lulopetismo” e fulmina a versão de que estaria promovendo “pacto de governabilidade” para ajudar Dilma: “Seria salvar o que não deve ser salvo”

 

(Foto: vejasp.abril.com.br)

O ex-presidente: “Qualquer conversa não pública com o governo pareceria conchavo para salvar o que não deve ser salvo” (Foto: vejasp.abril.com.br)

Post publicado originalmente às 13h38 de 7 de março de 2015

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, presidente de honra do PSDB, deixou claríssimo neste sábado que rejeita a tese de promover um “suposto pacto de governabilidade” por meio de conversas ou negociações com políticos próximos à presidente Dilma Rousseff.

“Qualquer conversa não pública com o governo pareceria conchavo na tentativa de salvar o que não deve ser salvo”, fulminou o ex-presidente em nota distribuída hoje.

A manifestação do ex-presidente é uma resposta a um texto publicado pelo jornal Folha de S.Paulo sustentando que o ex-presidente teria admitido a “aliados” a hipótese de uma aproximação com Dilma, com quem já manteve bom diálogo no passado.

O objetivo, na versão da Folha — notória por sua má vontade para com o PSDB, seria tentar ajudar “a achar uma saída para as crises política e econômica”.

A nota de FHC, porém, não poderia ser mais clara no sentido contrário, repudiando aproximações, criticando a possibilidade de “conchavo” e mencionando os “desmandos do lulopetismo” que conduziram o Brasil “à crise moral” e a economia “à recessão”.

A íntegra da nota:

“O momento não é para a busca de aproximações com o governo, mas sim com o povo.

“Este quer antes de mais nada que se passe a limpo o caso do Petrolão: quer ver responsabilidades definidas e contas prestadas à Justiça.

“Qualquer conversa não pública com o governo pareceria conchavo na tentativa de salvar o que não deve ser salvo.

“Cabe sim que as forças sociais, econômicas e políticas se organizem e dialoguem sobre como corrigir os desmandos do lulopetismo que levaram o país à crise moral e a economia à recessão.”

” Fernando Henrique Cardoso” 

28/02/2015

às 18:00 \ Política & Cia

SARDENBERG: Risco Petrobras, risco Brasil

(Imagem: Envolverde.com.br)

Em 2015, o Brasil afunda junto com a Petrobras (Imagem: Envolverde.com.br)

Artigo de Carlos Alberto Sardenberg publicado no jornal O Globo

Carlos-Alberto-Sardenberg1A inflação já estourou o teto da meta e vai continuar assim ao longo deste ano. Produção e consumo vão devagar, quase parando. Contas externas continuam no vermelho. Contas públicas são arrumadas a custo de corte de gastos, inclusive em benefícios sociais, e carga tributária.

O brasileiro já entendeu tudo. Pesquisa do Instituto Datapopular mostra que as pessoas esperam para este ano mais inflação, menos emprego, mais impostos e nada de aumento de salário.

Mas não há expectativa de desastre ou de uma crise aguda, não por causa do cenário econômico.

Por exemplo: a inflação em 12 meses, medida pelo IPCA-15 de fevereiro, bateu em 7,36%. Qual a previsão consensual entre os especialistas para o final do ano? A mesma coisa, 7,33%, tal como se vê no Relatório Focus, veiculado toda segunda-feira no site do Banco Central e que resume a opinião de fora do governo (consultorias, instituições financeiras, institutos de estudo e pesquisa).

O dólar tem oscilado entre R$ 2,80 e R$ 2,90. Expectativa para dezembro? R$ 2,90, e se chegar a R$ 3, pouca gente vai estranhar. Bate na inflação, encarece o importado, mas o BC agora parece mais sério no esforço de alcançar a meta de 4,5%, ainda que lá na frente. A taxa de juros vai subir de novo na próxima reunião.

Por outro lado, o dólar caro o ano todo deve ajudar a reduzir o déficit das contas externas, barateando exportações e encarecendo as viagens internacionais.

Também ninguém espera um desastre nas contas públicas. Ao contrário, é certo que estarão bem melhor do que ano passado só com a eliminação, já em prática, das lambanças do ex-ministro Mantega. Será difícil para o atual ministro Joaquim Levy cumprir a meta de economizar R$ 55 bilhões líquidos este ano, mas ninguém vai achar que é o fim do mundo se economizar uns 40 bi ou até menos que isso. Interromper a trajetória desastrosa dos últimos anos já é um baita avanço.

O país não escapa de uma recessão este ano, também conforme um amplo entendimento entre analistas aqui e lá fora. Logo, o desemprego deve aumentar — e as pessoas já perceberam que está mais difícil arranjar ou trocar de trabalho. Mas quando se estende o cenário para 2016, a coisa melhora no geral. A expectativa é de mais crescimento, com menos inflação e maior equilíbrio nas contas do governo.

Resumindo, 2015 é um ano ruim, pior que 2014, mas será também um período de arrumação. Dia desses, o ministro Joaquim Levy disse que não há tarefa de política econômica que não possa ser feita neste momento. Quis dizer que os problemas estão identificados, as receitas são conhecidas e já foram aplicadas em outras ocasiões. Há também amplo entendimento nisso.

Então, qual o problema, além do desconforto de cruzar este ano?

A Petrobras.

Considerem os investimentos em infraestrutura, por meio das concessões de estradas, portos, aeroportos, transportes a empresas privada — aqui está a única chance de intensificar a atividade econômica. Mas isso não pode deslanchar enquanto as empresas que se ocupam disso, todas clientes e fornecedoras da Petrobras, estiverem mais preocupadas em se livrar da Lava-Jato e vender ativos.

A própria estatal está cancelando obras e devolvendo sondas, plataformas etc. Estaleiros nacionais e estrangeiros que se instalaram por aqui perdem encomendas, sobram com capacidade ociosa. E não são competitivos no mercado externo porque, protegidos aqui, têm preços maiores e tecnologia menos atual.

Além disso, todo o mercado mundial de petróleo está em retração. Com a queda de preços, companhias pelo mundo todo desistem dos investimentos mais caros e, com isso, sobram equipamentos e navios. Aliás, ficaram mais baratos, o que poderia ser uma oportunidade para a Petrobras — que, entretanto, não pode aproveitá-la por causa da política de comprar máquinas com alto componente nacional.

Não foi só roubalheira — com o perdão desse “só”.

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21/02/2015

às 18:53 \ Política & Cia

LYA LUFT: A roubalheira repulsiva e a nação estarrecida

(Ilustração: Corbis Images)

(Ilustração: Corbis Images)

A NAÇÃO ESTARRECIDA

Artigo publicado em edição impressa de VEJA

Lya LuftOs extraordinários fatos que nas últimas semanas vêm se desenrolando diante dos nossos olhos estupefatos, a série de denúncias logo comprovadas de corrupção em órgãos estatais e partidos políticos, de­ixam-nos alertas: o que fizemos? Como permitimos que tudo isso chegasse a esse ponto — que nos parece quase sem volta —, exigindo terra arrasada para começar a construir, do erro, uma nova nação?

Pode até haver chefes que, em qualquer escalão, não percebam a corrupção entre seus funcionários, se for um breve episódio; mas, se se prolongar por um pouco de tempo que seja, denota grave incompetência de parte dos mandantes. Se souberem e fecharem os olhos permitindo que os crimes continuem, porque “afinal no Brasil é assim, sempre foi assim, e assim é por toda parte”, serão pelo menos cúmplices, ainda que não metam a mão pessoalmente no dinheiro (que neste caso se acumula em milhões e bilhões).

Dinheiro que faz uma desesperada falta em todos os aspectos tão carentes do país de que os responsáveis não cuidaram, ocupados em conseguir mais poder.

A roubalheira é ainda mais repulsiva, pois não se trata de roubar o não essencial, mas de tirar do prato dos pobres a comida, o dinheiro do remédio, os livros, mesas e cadeiras da escola, instrumentos e pessoal de hospitais e postos de saúde, possibilidade de tráfego aos caminhões que transportam alimento e bens de consumo, funcionamento ou mera manutenção das imensas engrenagens deste pobre país, que agora podemos chamar de “pobre” nos dois sentidos, material e moral.

Pobres de nós, que não sabíamos porque olhávamos para o outro lado, porque éramos mesmo ignorantes, porque acreditamos nos líderes errados, porque não nos informamos, porque não estávamos nem aí.

O que vai acontecer? Ao que vemos, muito mais denúncias, provas, prisões e — espero — condenações. Como ocupar os lugares de mando vazios? Que seja com gente competente, não com apaniguados e correligionários. Que seja com gente corajosa, disposta a enfrentar desafios que dinheiro nenhum compensa.

Todos de certa forma permitimos que acontecesse o que agora nos horroriza, ao menos a nós que acordamos, ou sempre denunciamos, nós que nos preocupamos tardiamente ou que já havia um bom tempo balançávamos a cabeça prenunciando os dias de hoje. “Virão tempos sombrios”, dizíamos uns aos outros: pois chegaram.

Uma inflação descontrolada, uma população assustada e a cada dia mais empobrecida, endividada e desatendida, autoridades confusas e desnorteadas, algumas tentando salvar o que pode ser salvo e corrigir o que pode ser corrigido, delineiam uma boa temporada de sofrimento para quase todos nós.

Aqueles em que tantos acreditaram nutrem pensamentos delirantes em sua ilha da fantasia, negando a tragédia que ocorre debaixo de seus olhos: pobreza, inflação descontrolada, endividamento em massa, decadência da educação, saúde, moradia, transporte, segurança e dignidade, e — pior de tudo — a morte lenta da confiança. Eles de todos os modos procuram pateticamente negar o verdadeiro drama que nos assola a todos, sem exceção.

A nação estará estarrecida? O título desta coluna reflete o que eu sinto e o que desejaria que todos sentissem. Parte do país finalmente abre os olhos, aponta as orelhas e atina com a realidade dura destes tempos que apenas começam a se revelar incrédulos. Porém, há semanas multidões requebram ao ritmo das músicas de Carnaval — porque afinal ninguém é de ferro.

Não sou contra o Carnaval, mas imagino que, quando elas despertarem para a realidade depois dessas festas, se botassem nariz de palhaço e voltassem às ruas, não para dançar enquanto o Titanic afunda, mas para protestar e exigir, poderiam salvar o que ainda pode ser salvo.

Que os deuses — e técnicos competentes — nos ajudem, e esta nau brasileira não se rompa, não se destroce, mas se equilibre e, ainda que penosamente, suba à tona e retome algum tipo de rota salvadora — antes que se apaguem as últimas luzes desta maltratada pátria.

 

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