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inflação

26/03/2015

às 17:08 \ Política & Cia

Cristovam Buarque: A porta para um entendimento que enfrente a crise passa pela pressão das manifestações pacíficas de rua

(Foto: Luiz Maximiano/VEJA)

Cristovam Buarque: a crise em que estamos só será superada se o povo permanecer em clima de manifestação constante (Foto: Luiz Maximiano/VEJA)

VIGÍLIA PERMANENTE

Artigo de Cristovam Buarque* publicado no jornal O Globo

Nas democracias, o povo vai às ruas quando o descontentamento com o governo se alia à descrença com a oposição; e quando governo e oposição não se entendem para promover a reorientação do país, superando as razões de descontentamento e descrédito.

Após as últimas manifestações, o governo afirmou que os que foram às ruas eram os eleitores do opositor da candidata Dilma.

Em vez de estimular esse terceiro turno eleitoral, a presidente Dilma deveria reconhecer que os brasileiros têm razões para estarem descontentes: a imensa diferença entre as promessas do marketing de campanha e as medidas tomadas nos primeiros dias de governo; a inflação e o aumento nas tarifas de luz e no preço dos combustíveis; o desemprego crescente; a corrupção e a devastação da Petrobras; o corte de verbas na Educação; os equívocos do Fies, o baixo desempenho no Enem; a sensação de desamparo, insegurança e incerteza da população; o sentimento de falta de rumo do país.

É assustador perceber que o Brasil está mergulhado em tamanha crise sem que o governo reconheça seus erros, e sem que a oposição perceba que, embora a culpa seja do governo, o problema é de todos, e devemos tomar as decisões necessárias para salvar o Brasil e reorientar o futuro.

O governo precisa, em primeiro lugar, fazer uma análise crítica das causas de nossa atual situação e dos erros cometidos, na administração das contas públicas, na gestão de economia e na montagem da infraestrutura.

Em segundo lugar, precisa fazer um mea culpa. E em terceiro, em vez de acenar com essa vaga ideia de que está aberto ao diálogo, fazer um convite a todas as forças políticas e sociais rumo a um entendimento para reorientar o país.

Não basta diálogo, é preciso entendimento. Que oposição e governo componham um programa de médio prazo com um ajuste fiscal imediato, que:

 Tenha eficiência para cobrir o rombo das contas públicas;

 Seja justo para proteger os mais pobres dos custos necessários;

 Defina uma estratégia que preserve os investimentos essenciais ao crescimento econômico;

 Tenha legitimidade decorrente desse entendimento entre os partidos da base governista e políticos de todos os matizes, além de trabalhadores, empresários e comunidade intelectual;

Para que seja possível combinar esses princípios, em parte contraditórios, o ajuste deve ser gradual, programado ao longo do tempo, sem o choque que sacrifique o presente, nem o populismo que sacrifique o futuro.

Dificilmente isso será proposto pelo governo, ou aceito pela oposição.

Por isso, a porta para o entendimento necessário à superação da crise só será aberta se a população estiver em clima de manifestação permanente, pacífica, dentro da rotina do dia a dia, carregando faixas e falas aos seus locais de trabalho, usando as redes sociais.

Fazendo do Brasil uma imensa praça, em vigília permanente, até que as lideranças nacionais se entendam no propósito de salvar o Brasil.

*Cristovam Buarque, ex-reitor e professor emérito da Universidade de Brasília, é senador da República (PDT-DF)

26/03/2015

às 12:00 \ Disseram

O que diz o PT

“Qual o discurso do PT e do governo hoje? Dos juros? Da inflação? É dizer que não aconteceu nada no dia 15? Mas aconteceu…”

Senador Paulo Paim (PT-RS), em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo

12/03/2015

às 18:19 \ Política & Cia

É UM VEXAME INTERNACIONAL: o Brasil entrou no grupo dos 25 países com a pior inflação do mundo

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(CLIQUEM NA IMAGEM PARA AMPLIÁ-LA)

Infográfico publicado no blog Impávido Colosso, de VEJA.com

08/03/2015

às 15:30 \ Política & Cia

Fernando Henrique critica a “crise moral” provocada pelos “desmandos do lulopetismo” e fulmina a versão de que estaria promovendo “pacto de governabilidade” para ajudar Dilma: “Seria salvar o que não deve ser salvo”

 

(Foto: vejasp.abril.com.br)

O ex-presidente: “Qualquer conversa não pública com o governo pareceria conchavo para salvar o que não deve ser salvo” (Foto: vejasp.abril.com.br)

Post publicado originalmente às 13h38 de 7 de março de 2015

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, presidente de honra do PSDB, deixou claríssimo neste sábado que rejeita a tese de promover um “suposto pacto de governabilidade” por meio de conversas ou negociações com políticos próximos à presidente Dilma Rousseff.

“Qualquer conversa não pública com o governo pareceria conchavo na tentativa de salvar o que não deve ser salvo”, fulminou o ex-presidente em nota distribuída hoje.

A manifestação do ex-presidente é uma resposta a um texto publicado pelo jornal Folha de S.Paulo sustentando que o ex-presidente teria admitido a “aliados” a hipótese de uma aproximação com Dilma, com quem já manteve bom diálogo no passado.

O objetivo, na versão da Folha — notória por sua má vontade para com o PSDB, seria tentar ajudar “a achar uma saída para as crises política e econômica”.

A nota de FHC, porém, não poderia ser mais clara no sentido contrário, repudiando aproximações, criticando a possibilidade de “conchavo” e mencionando os “desmandos do lulopetismo” que conduziram o Brasil “à crise moral” e a economia “à recessão”.

A íntegra da nota:

“O momento não é para a busca de aproximações com o governo, mas sim com o povo.

“Este quer antes de mais nada que se passe a limpo o caso do Petrolão: quer ver responsabilidades definidas e contas prestadas à Justiça.

“Qualquer conversa não pública com o governo pareceria conchavo na tentativa de salvar o que não deve ser salvo.

“Cabe sim que as forças sociais, econômicas e políticas se organizem e dialoguem sobre como corrigir os desmandos do lulopetismo que levaram o país à crise moral e a economia à recessão.”

” Fernando Henrique Cardoso” 

28/02/2015

às 18:00 \ Política & Cia

SARDENBERG: Risco Petrobras, risco Brasil

(Imagem: Envolverde.com.br)

Em 2015, o Brasil afunda junto com a Petrobras (Imagem: Envolverde.com.br)

Artigo de Carlos Alberto Sardenberg publicado no jornal O Globo

Carlos-Alberto-Sardenberg1A inflação já estourou o teto da meta e vai continuar assim ao longo deste ano. Produção e consumo vão devagar, quase parando. Contas externas continuam no vermelho. Contas públicas são arrumadas a custo de corte de gastos, inclusive em benefícios sociais, e carga tributária.

O brasileiro já entendeu tudo. Pesquisa do Instituto Datapopular mostra que as pessoas esperam para este ano mais inflação, menos emprego, mais impostos e nada de aumento de salário.

Mas não há expectativa de desastre ou de uma crise aguda, não por causa do cenário econômico.

Por exemplo: a inflação em 12 meses, medida pelo IPCA-15 de fevereiro, bateu em 7,36%. Qual a previsão consensual entre os especialistas para o final do ano? A mesma coisa, 7,33%, tal como se vê no Relatório Focus, veiculado toda segunda-feira no site do Banco Central e que resume a opinião de fora do governo (consultorias, instituições financeiras, institutos de estudo e pesquisa).

O dólar tem oscilado entre R$ 2,80 e R$ 2,90. Expectativa para dezembro? R$ 2,90, e se chegar a R$ 3, pouca gente vai estranhar. Bate na inflação, encarece o importado, mas o BC agora parece mais sério no esforço de alcançar a meta de 4,5%, ainda que lá na frente. A taxa de juros vai subir de novo na próxima reunião.

Por outro lado, o dólar caro o ano todo deve ajudar a reduzir o déficit das contas externas, barateando exportações e encarecendo as viagens internacionais.

Também ninguém espera um desastre nas contas públicas. Ao contrário, é certo que estarão bem melhor do que ano passado só com a eliminação, já em prática, das lambanças do ex-ministro Mantega. Será difícil para o atual ministro Joaquim Levy cumprir a meta de economizar R$ 55 bilhões líquidos este ano, mas ninguém vai achar que é o fim do mundo se economizar uns 40 bi ou até menos que isso. Interromper a trajetória desastrosa dos últimos anos já é um baita avanço.

O país não escapa de uma recessão este ano, também conforme um amplo entendimento entre analistas aqui e lá fora. Logo, o desemprego deve aumentar — e as pessoas já perceberam que está mais difícil arranjar ou trocar de trabalho. Mas quando se estende o cenário para 2016, a coisa melhora no geral. A expectativa é de mais crescimento, com menos inflação e maior equilíbrio nas contas do governo.

Resumindo, 2015 é um ano ruim, pior que 2014, mas será também um período de arrumação. Dia desses, o ministro Joaquim Levy disse que não há tarefa de política econômica que não possa ser feita neste momento. Quis dizer que os problemas estão identificados, as receitas são conhecidas e já foram aplicadas em outras ocasiões. Há também amplo entendimento nisso.

Então, qual o problema, além do desconforto de cruzar este ano?

A Petrobras.

Considerem os investimentos em infraestrutura, por meio das concessões de estradas, portos, aeroportos, transportes a empresas privada — aqui está a única chance de intensificar a atividade econômica. Mas isso não pode deslanchar enquanto as empresas que se ocupam disso, todas clientes e fornecedoras da Petrobras, estiverem mais preocupadas em se livrar da Lava-Jato e vender ativos.

A própria estatal está cancelando obras e devolvendo sondas, plataformas etc. Estaleiros nacionais e estrangeiros que se instalaram por aqui perdem encomendas, sobram com capacidade ociosa. E não são competitivos no mercado externo porque, protegidos aqui, têm preços maiores e tecnologia menos atual.

Além disso, todo o mercado mundial de petróleo está em retração. Com a queda de preços, companhias pelo mundo todo desistem dos investimentos mais caros e, com isso, sobram equipamentos e navios. Aliás, ficaram mais baratos, o que poderia ser uma oportunidade para a Petrobras — que, entretanto, não pode aproveitá-la por causa da política de comprar máquinas com alto componente nacional.

Não foi só roubalheira — com o perdão desse “só”.

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21/02/2015

às 18:53 \ Política & Cia

LYA LUFT: A roubalheira repulsiva e a nação estarrecida

(Ilustração: Corbis Images)

(Ilustração: Corbis Images)

A NAÇÃO ESTARRECIDA

Artigo publicado em edição impressa de VEJA

Lya LuftOs extraordinários fatos que nas últimas semanas vêm se desenrolando diante dos nossos olhos estupefatos, a série de denúncias logo comprovadas de corrupção em órgãos estatais e partidos políticos, de­ixam-nos alertas: o que fizemos? Como permitimos que tudo isso chegasse a esse ponto — que nos parece quase sem volta —, exigindo terra arrasada para começar a construir, do erro, uma nova nação?

Pode até haver chefes que, em qualquer escalão, não percebam a corrupção entre seus funcionários, se for um breve episódio; mas, se se prolongar por um pouco de tempo que seja, denota grave incompetência de parte dos mandantes. Se souberem e fecharem os olhos permitindo que os crimes continuem, porque “afinal no Brasil é assim, sempre foi assim, e assim é por toda parte”, serão pelo menos cúmplices, ainda que não metam a mão pessoalmente no dinheiro (que neste caso se acumula em milhões e bilhões).

Dinheiro que faz uma desesperada falta em todos os aspectos tão carentes do país de que os responsáveis não cuidaram, ocupados em conseguir mais poder.

A roubalheira é ainda mais repulsiva, pois não se trata de roubar o não essencial, mas de tirar do prato dos pobres a comida, o dinheiro do remédio, os livros, mesas e cadeiras da escola, instrumentos e pessoal de hospitais e postos de saúde, possibilidade de tráfego aos caminhões que transportam alimento e bens de consumo, funcionamento ou mera manutenção das imensas engrenagens deste pobre país, que agora podemos chamar de “pobre” nos dois sentidos, material e moral.

Pobres de nós, que não sabíamos porque olhávamos para o outro lado, porque éramos mesmo ignorantes, porque acreditamos nos líderes errados, porque não nos informamos, porque não estávamos nem aí.

O que vai acontecer? Ao que vemos, muito mais denúncias, provas, prisões e — espero — condenações. Como ocupar os lugares de mando vazios? Que seja com gente competente, não com apaniguados e correligionários. Que seja com gente corajosa, disposta a enfrentar desafios que dinheiro nenhum compensa.

Todos de certa forma permitimos que acontecesse o que agora nos horroriza, ao menos a nós que acordamos, ou sempre denunciamos, nós que nos preocupamos tardiamente ou que já havia um bom tempo balançávamos a cabeça prenunciando os dias de hoje. “Virão tempos sombrios”, dizíamos uns aos outros: pois chegaram.

Uma inflação descontrolada, uma população assustada e a cada dia mais empobrecida, endividada e desatendida, autoridades confusas e desnorteadas, algumas tentando salvar o que pode ser salvo e corrigir o que pode ser corrigido, delineiam uma boa temporada de sofrimento para quase todos nós.

Aqueles em que tantos acreditaram nutrem pensamentos delirantes em sua ilha da fantasia, negando a tragédia que ocorre debaixo de seus olhos: pobreza, inflação descontrolada, endividamento em massa, decadência da educação, saúde, moradia, transporte, segurança e dignidade, e — pior de tudo — a morte lenta da confiança. Eles de todos os modos procuram pateticamente negar o verdadeiro drama que nos assola a todos, sem exceção.

A nação estará estarrecida? O título desta coluna reflete o que eu sinto e o que desejaria que todos sentissem. Parte do país finalmente abre os olhos, aponta as orelhas e atina com a realidade dura destes tempos que apenas começam a se revelar incrédulos. Porém, há semanas multidões requebram ao ritmo das músicas de Carnaval — porque afinal ninguém é de ferro.

Não sou contra o Carnaval, mas imagino que, quando elas despertarem para a realidade depois dessas festas, se botassem nariz de palhaço e voltassem às ruas, não para dançar enquanto o Titanic afunda, mas para protestar e exigir, poderiam salvar o que ainda pode ser salvo.

Que os deuses — e técnicos competentes — nos ajudem, e esta nau brasileira não se rompa, não se destroce, mas se equilibre e, ainda que penosamente, suba à tona e retome algum tipo de rota salvadora — antes que se apaguem as últimas luzes desta maltratada pátria.

15/02/2015

às 13:00 \ Política & Cia

Cristovam Buarque: Alguns dos antigos direitos trabalhistas não têm como ser mantidos, mas novos direitos devem ser implementados

(Charge: Sponholz)

(Charge: Sponholz)

NOVOS DIREITOS

Artigo de Cristovam Buarque (*) publicado no jornal O Globo

O problema do ajuste fiscal está na falta de ajustes sociais, que substituam direitos velhos por novos direitos estruturais, assegurando bem-estar social permanente aos cidadãos.

Ao longo dos últimos anos, o Brasil optou por uma verdadeira folia de gastos públicos, consumismo exacerbado, baixo nível de poupança e investimento, irresponsabilidade fiscal, preços administrados, contabilidade criativa escondendo a realidade, desonerações fiscais em dimensões escandalosas.

Ignorando os alertas, os partidos no governo comemoravam euforicamente os benefícios do curto prazo. De tanto repetirem a própria publicidade, as lideranças fizeram o povo acreditar nas ilusões: o pré-sal resolveria tudo, empresas como o grupo X colocariam o país no cenário mundial, o BNDES construiria a nação emergente mais dinâmica do século 21.

A realidade desfez as ilusões, os alertas se mostraram proféticos, mas a eleição não permitia que se admitisse a crise. A folia econômica que se esgotava chegou à política e as ilusões foram ampliadas pelo marketing. Os eleitores passaram a acreditar que nunca o Brasil fora tão rico, dinâmico e sem pobreza, e que o país daria passos para trás se não reelegesse o grupo no poder.

O resultado é que a economia brasileira chegou a 2014 em uma situação de crise de proporções catastróficas: déficit em transações correntes de 4,2%, déficit nominal de 6,7% e dívida pública bruta de 6,3% (em relação ao PIB); além de inflação persistente acima da meta.

Agora, passadas as eleições, o governo faz tudo o que acusava seus opositores de pretenderem fazer contra o povo e o país: elevação da taxa de juros, controle de gastos, redução de direitos e realismo nos preços passaram a ser defendidos como ajustes necessários. A fala do novo ministro da Fazenda, carregada de medidas antifolia, passou a ser aceita pelos que as criticavam, enquanto outros que antes se beneficiavam da folia começam a criticar os ajustes.

O problema das últimas medidas não está na fala do ministro Levy controlando ou eliminando direitos trabalhistas, mas na falta de falas ousadas dos demais ministros, como do Trabalho, da Educação e da Saúde, oferecendo novos direitos.

Alguns ajustes nos chamados benefícios sociais são necessários para corrigir os desastres criados pela folia fiscal, mas, em vez de repudiá-los ou de se conformar a eles, é preciso atualizá-los e fazê-los avançar.

Alguns dos antigos direitos trabalhistas não têm como ser mantidos, mas novos direitos devem ser implementados.

(*) Cristovam Buarque, ex-reitor e professor emérito da Universidade de Brasília, é senador da República (PDT-DF)

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14/02/2015

às 17:00 \ Vasto Mundo

Como a Venezuela de Chávez e Maduro virou uma máquina de criar pobreza

FRACASSO GARANTIDO — A favela Petare, em Caracas: a pobreza no país aumentou 28% (Foto: Fernando Llano/AP)

FRACASSO GARANTIDO — A favela Petare, em Caracas: a pobreza no país aumentou 28% (Foto: Fernando Llano/AP)

A MÁQUINA DE GERAR POBREZA

Reportagem de Nathalia Watkins publicada em edição impressa de VEJA

Manda a tradição caudilhista que um governo deve dar muitos presentes e subsídios para reduzir a pobreza.

Desde os dois primeiros mandatos de Juan Domingo Perón na Argentina, entre 1946 e 1955, não se via na América Latina uma máquina estatal tão poderosa para distribuir frango, geladeiras e farinha como a Venezuela bolivariana, favorecida pelos petrodólares.

O resultado dessa política, porém, é quase sempre o oposto do que se pretende. Um governo que gasta demais e sem controle acaba produzindo a inflação – o meio mais eficiente para multiplicar os miseráveis.

Segundo estudo divulgado dias atrás pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), órgão da ONU, a Venezuela é o único país da região em que o índice de pobreza (que impossibilita um padrão de vida digno) e o de miséria (quando não se tem dinheiro sequer para comer) aumentaram. O primeiro subiu de 25%, em 2012, para 32%, em 2013. O de miséria foi de 7,1% para 9,8% nesse intervalo.

6,2 salários mínimos para comprar uma cesta básica

A inflação da cesta básica no ano passado foi de 93%. Isso significa que, em doze meses, o preço das mercadorias quase dobrou. Os salários, por sua vez, não aumentaram na mesma proporção. Entre dezembro de 2013 e dezembro de 2014, a diferença no valor da cesta básica foi de três salários mínimos. Atualmente, são necessários 6,2 salários para comprá-la.

Os bons empregos sumiram. O setor produtivo foi destruído desde que Hugo Chávez assumiu o poder, em 1999, com estatizações, expropriações e leis contra a iniciativa privada. As únicas vagas foram criadas pelas estatais, que turbinaram ainda mais os gastos públicos.

Os 30 milhões de habitantes do país hoje dependem de alimentos importados, comprados com os dólares obtidos com a exportação de petróleo. Com a produção e o valor do barril em queda, há desabastecimento, inflação e mais pobreza. “De que adianta ganhar uma casa se não há dinheiro para pôr comida dentro dela?”, diz o economista venezuelano Oscar Meza, diretor do Centro de Documentação e Análise Social (Cendas), em Caracas.

“A realidade é ainda pior do que mostram os dados, porque a Cepal trabalha com as cifras oficiais, as mesmas que o governo tenta esconder. Uma estimativa real de pobreza certamente estaria em torno de 40%”, afirma Meza. Prevendo novos protestos contra a inflação, o governo aprovou uma lei que autoriza as forças de segurança a matar os manifestantes.

09/02/2015

às 14:33 \ Política & Cia

Mau desempenho da economia faz dólar ampliar alta e chegar perto de 2,80 reais

No exterior, alta do dólar era puxada por preocupações com China e Grécia. Aqui, pelo péssimo desempenho da economia (Foto: Getty Images)

No exterior, alta do dólar era puxada por preocupações com China e Grécia. Aqui, pelo péssimo desempenho da economia (Foto: Getty Images)

Expectativa de crescimento zero para a economia brasileira em 2015 é um dos fatores ligados à forte busca pela moeda americana

De VEJA.com

O dólar dispara frente ao real nesta segunda-feira. Após abrir o pregão em alta de 0,27%, a moeda americana chegou a ser negociada 2,7929 reais na venda, alta de 0,53% no fim da manhã. Por volta de 12h50, ela estava sendo vendida por 2,7914.

Na sexta-feira, o dólar havia fechado a 2,77 reais, maior valor em dez anos, desde 10 de dezembro de 2004.

Internamente, o foco continuava nos riscos crescentes de crescimento negativo da economia brasileira, com inflação alta. A insatisfação com a escolha de Aldemir Bendine para a presidência da Petrobras também ajudou a pressionar a busca por dólares, moeda considerada mais segura.

A pesquisa Focus, do Banco Central [que consulta as estimativas de cem instituições do mercado financeiro], trouxe piora nas projeções das instituições para a inflação e para o Produto Interno Bruto (PIB).

Pela primeira vez, a mediana das projeções do mercado financeiro para a atividade brasileira deste ano ficou em zero, ante uma ligeira expansão de 0,03% no levantamento da semana passada. Para 2016, a expectativa de 1,50% foi mantida.

Já a mediana das previsões para o IPCA (inflação) deste ano subiu de 7,01% para 7,15%. Para o final de 2016, a projeção foi mantida em 5,60%.

No exterior, as preocupações eram renovadas com China e Grécia.

O primeiro-ministro grego de esquerda, Alexis Tsipras, insistiu domingo que Atenas não vai pedir uma prorrogação do atual programa de resgate do país aos credores internacionais, mas sim um empréstimo-ponte, podendo deixar as partes envolvidas incapazes de chegar a um acordo de curto prazo, o que trouxe de volta o temor em relação à permanência ou não do país na zona do euro.

[O resgate da Grécia feito pela União Europeia e bancos privados custou mais de 220 bilhões de dólares.]

Na China, a balança comercial registrou superávit recorde em janeiro, mas as exportações caíram 3,3% ante estimativa de alta de 4,0% e as importações recuaram 19,9% ante previsão de queda de 3,3%. [As preocupações com a China, grande motor do mundo, voltam-se para uma expectativa de menor crescimento, o que impactaria fortemente um grande número de países que exportam para o gigante asiático.]

Ações

Na BM&FBovespa, o Ibovespa opera com volatilidade. O principal índice da bolsa de valores brasileira chegou a cair 0,76% (48.423 pontos) no meio da manhã, mas, por volta de 12h50, operava em sua máxima do pregão, alta de 0,51% (49.043 pontos).

(Com Estadão Conteúdo)

02/02/2015

às 16:13 \ Política & Cia

FHC: Chegou a hora de mudarmos as regras do jogo eleitoral — ou seremos engolidos por uma crise maior do que nós

(Foto: Agência Brasil)

O Brasil precisa se regenerar, começando pelo governo (Foto: Agência Brasil)

CHEGOU A HORA

Artigo de Fernando Henrique Cardoso publicado nos jornais O Estado de S. Paulo O Globo

Quando eventualmente este artigo vier a ser lido, a Câmara dos Deputados estará escolhendo seu novo presidente. Ganhe ou perca o governo, as fraturas na base aliada estarão expostas.

Da mesma maneira, o esguicho da operação “Lava Jato” respingará não só nos empresários e ex dirigentes da Petrobras nomeados pelos governos do PT, mas nos eventuais beneficiários da corrupção que controlam o poder. A falta de água e seus desdobramentos energéticos continuarão a ocupar as manchetes.

Não se precisa saber muito de economia para entender que a dívida interna (três trilhões de reais!), os desequilíbrios dos balanços da Petrobras e das empresas elétricas, a diminuição da arrecadação federal, o início de desemprego, especialmente nas manufaturas, o aumento das taxas de juros, as tarifas subindo, as metas de inflação sendo ultrapassadas dão base para prognósticos negativos do crescimento da economia.

Tudo isso é preocupante, mas não é o que mais me preocupa. Temo, especialmente, duas coisas: o havermos perdido o rumo da história e o fato da liderança nacional não perceber que a crise que se avizinha não é corriqueira: a desconfiança não é só da economia, é do sistema político como um todo. Quando esses processos ocorrem não vão para as manchetes de jornal.

Ao entrar na madeira, o cupim é invisível; quando percebido, a madeira já apodreceu.

Torres de petróleo no lago Maracaibo, na Venezuela (Foto: J.D. Barnell / Image International)

O Brasil investiu no petróleo quando as grandes potências mundiais iam na direção contrária (Foto: J.D. Barnell / Image International)

Por que temo havermos perdido o rumo? Porque a elite governante não se apercebeu das consequências das mudanças na ordem global. Continua a viver no período anterior, no qual a política de substituição das importações era vital para a industrialização. Exageraram, por exemplo, ao forçar o “conteúdo nacional” na indústria petrolífera, excederam-se na fabricação de “campeões nacionais” à custa do Tesouro.

Os resultados estão à vista: quebram-se empresas beneficiárias do BNDES, planejam-se em locais inadequados refinarias “Premium” que acabam jogadas na vala dos projetos inconclusos. Pior, quando executados, têm o custo e a corrupção multiplicados. Projetos decididos graças à “vontade política” do mandão no passado recente.

Pela mesma cegueira, para forçar a Petrobras a se apropriar do pré-sal, mudaram a lei do petróleo que dava condições à estatal de concorrer no mercado, endividaram-na e a distanciaram da competição. Medida que isentava a empresa da concorrência nas compras, se transformou em mera proteção para decisões arbitrárias que facilitaram desvios de dinheiro público.

Mais sério ainda no longo prazo: o governo não se deu conta de que os Estados Unidos estavam mudando sua política energética, apostando no gás de xisto com novas tecnologias, buscando autonomia e barateando o custo do petróleo.

O governo petista apostou no petróleo de alta profundidade, que é caro, descontinuou o etanol pela política suicida de controle dos preços da gasolina que o tornou pouco competitivo e, ainda por cima (desta vez graças à ação direta de outra mandona), reduziu a tarifa de energia elétrica em momento de expansão do consumo, além de ter tomado medidas fiscais que jogaram no vermelho as hidrelétricas.

Agora todos lamentam a crise energética, a falta de competitividade da indústria manufatureira e a alta dos juros, consequência inevitável do desmando das contas públicas e do descaso com as metas de inflação.

Os donos do poder esqueceram-se de que havia alternativas, que sem renovação tecnológica os setores produtivos isolados não sobrevivem na globalização e que, se há desmandos e corrupção praticados por empresas, eles não decorrem de erros do funcionalismo da Petrobras, nem exclusivamente da ganância de empresários, mas de políticas que são de sua responsabilidade, até porque foi o governo quem nomeou os diretores ora acusados de corrupção, assim como foram os partidos ligados a ele os beneficiados.

Preocupo-me com as dificuldades que o povo enfrentará e com a perda de oportunidades históricas. Se mantido o rumo atual, o Brasil perderá um momento histórico e as gerações futuras pagarão o preço dos erros dos que hoje comandam o país.

Depois de doze anos de contínua tentativa de desmoralização de quase tudo que meu governo fez, bem que eu poderia dizer: estão vendo, o PT beijou a cruz, tenta praticar tudo que negou no passado: ajuste fiscal, metas de inflação, abertura de setores públicos aos privados e até ao “capital estrangeiro”, como no caso dos planos de saúde.

Quanto ao “apagão” que nos ronda, dirão que faltou planejamento e investimento como disseram em meu tempo? Em vez disso, procuro soluções. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

 

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