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inflação

21/02/2015

às 18:53 \ Política & Cia

LYA LUFT: A roubalheira repulsiva e a nação estarrecida

(Ilustração: Corbis Images)

(Ilustração: Corbis Images)

A NAÇÃO ESTARRECIDA

Artigo publicado em edição impressa de VEJA

Lya LuftOs extraordinários fatos que nas últimas semanas vêm se desenrolando diante dos nossos olhos estupefatos, a série de denúncias logo comprovadas de corrupção em órgãos estatais e partidos políticos, de­ixam-nos alertas: o que fizemos? Como permitimos que tudo isso chegasse a esse ponto — que nos parece quase sem volta —, exigindo terra arrasada para começar a construir, do erro, uma nova nação?

Pode até haver chefes que, em qualquer escalão, não percebam a corrupção entre seus funcionários, se for um breve episódio; mas, se se prolongar por um pouco de tempo que seja, denota grave incompetência de parte dos mandantes. Se souberem e fecharem os olhos permitindo que os crimes continuem, porque “afinal no Brasil é assim, sempre foi assim, e assim é por toda parte”, serão pelo menos cúmplices, ainda que não metam a mão pessoalmente no dinheiro (que neste caso se acumula em milhões e bilhões).

Dinheiro que faz uma desesperada falta em todos os aspectos tão carentes do país de que os responsáveis não cuidaram, ocupados em conseguir mais poder.

A roubalheira é ainda mais repulsiva, pois não se trata de roubar o não essencial, mas de tirar do prato dos pobres a comida, o dinheiro do remédio, os livros, mesas e cadeiras da escola, instrumentos e pessoal de hospitais e postos de saúde, possibilidade de tráfego aos caminhões que transportam alimento e bens de consumo, funcionamento ou mera manutenção das imensas engrenagens deste pobre país, que agora podemos chamar de “pobre” nos dois sentidos, material e moral.

Pobres de nós, que não sabíamos porque olhávamos para o outro lado, porque éramos mesmo ignorantes, porque acreditamos nos líderes errados, porque não nos informamos, porque não estávamos nem aí.

O que vai acontecer? Ao que vemos, muito mais denúncias, provas, prisões e — espero — condenações. Como ocupar os lugares de mando vazios? Que seja com gente competente, não com apaniguados e correligionários. Que seja com gente corajosa, disposta a enfrentar desafios que dinheiro nenhum compensa.

Todos de certa forma permitimos que acontecesse o que agora nos horroriza, ao menos a nós que acordamos, ou sempre denunciamos, nós que nos preocupamos tardiamente ou que já havia um bom tempo balançávamos a cabeça prenunciando os dias de hoje. “Virão tempos sombrios”, dizíamos uns aos outros: pois chegaram.

Uma inflação descontrolada, uma população assustada e a cada dia mais empobrecida, endividada e desatendida, autoridades confusas e desnorteadas, algumas tentando salvar o que pode ser salvo e corrigir o que pode ser corrigido, delineiam uma boa temporada de sofrimento para quase todos nós.

Aqueles em que tantos acreditaram nutrem pensamentos delirantes em sua ilha da fantasia, negando a tragédia que ocorre debaixo de seus olhos: pobreza, inflação descontrolada, endividamento em massa, decadência da educação, saúde, moradia, transporte, segurança e dignidade, e — pior de tudo — a morte lenta da confiança. Eles de todos os modos procuram pateticamente negar o verdadeiro drama que nos assola a todos, sem exceção.

A nação estará estarrecida? O título desta coluna reflete o que eu sinto e o que desejaria que todos sentissem. Parte do país finalmente abre os olhos, aponta as orelhas e atina com a realidade dura destes tempos que apenas começam a se revelar incrédulos. Porém, há semanas multidões requebram ao ritmo das músicas de Carnaval — porque afinal ninguém é de ferro.

Não sou contra o Carnaval, mas imagino que, quando elas despertarem para a realidade depois dessas festas, se botassem nariz de palhaço e voltassem às ruas, não para dançar enquanto o Titanic afunda, mas para protestar e exigir, poderiam salvar o que ainda pode ser salvo.

Que os deuses — e técnicos competentes — nos ajudem, e esta nau brasileira não se rompa, não se destroce, mas se equilibre e, ainda que penosamente, suba à tona e retome algum tipo de rota salvadora — antes que se apaguem as últimas luzes desta maltratada pátria.

15/02/2015

às 13:00 \ Política & Cia

Cristovam Buarque: Alguns dos antigos direitos trabalhistas não têm como ser mantidos, mas novos direitos devem ser implementados

(Charge: Sponholz)

(Charge: Sponholz)

NOVOS DIREITOS

Artigo de Cristovam Buarque (*) publicado no jornal O Globo

O problema do ajuste fiscal está na falta de ajustes sociais, que substituam direitos velhos por novos direitos estruturais, assegurando bem-estar social permanente aos cidadãos.

Ao longo dos últimos anos, o Brasil optou por uma verdadeira folia de gastos públicos, consumismo exacerbado, baixo nível de poupança e investimento, irresponsabilidade fiscal, preços administrados, contabilidade criativa escondendo a realidade, desonerações fiscais em dimensões escandalosas.

Ignorando os alertas, os partidos no governo comemoravam euforicamente os benefícios do curto prazo. De tanto repetirem a própria publicidade, as lideranças fizeram o povo acreditar nas ilusões: o pré-sal resolveria tudo, empresas como o grupo X colocariam o país no cenário mundial, o BNDES construiria a nação emergente mais dinâmica do século 21.

A realidade desfez as ilusões, os alertas se mostraram proféticos, mas a eleição não permitia que se admitisse a crise. A folia econômica que se esgotava chegou à política e as ilusões foram ampliadas pelo marketing. Os eleitores passaram a acreditar que nunca o Brasil fora tão rico, dinâmico e sem pobreza, e que o país daria passos para trás se não reelegesse o grupo no poder.

O resultado é que a economia brasileira chegou a 2014 em uma situação de crise de proporções catastróficas: déficit em transações correntes de 4,2%, déficit nominal de 6,7% e dívida pública bruta de 6,3% (em relação ao PIB); além de inflação persistente acima da meta.

Agora, passadas as eleições, o governo faz tudo o que acusava seus opositores de pretenderem fazer contra o povo e o país: elevação da taxa de juros, controle de gastos, redução de direitos e realismo nos preços passaram a ser defendidos como ajustes necessários. A fala do novo ministro da Fazenda, carregada de medidas antifolia, passou a ser aceita pelos que as criticavam, enquanto outros que antes se beneficiavam da folia começam a criticar os ajustes.

O problema das últimas medidas não está na fala do ministro Levy controlando ou eliminando direitos trabalhistas, mas na falta de falas ousadas dos demais ministros, como do Trabalho, da Educação e da Saúde, oferecendo novos direitos.

Alguns ajustes nos chamados benefícios sociais são necessários para corrigir os desastres criados pela folia fiscal, mas, em vez de repudiá-los ou de se conformar a eles, é preciso atualizá-los e fazê-los avançar.

Alguns dos antigos direitos trabalhistas não têm como ser mantidos, mas novos direitos devem ser implementados.

(*) Cristovam Buarque, ex-reitor e professor emérito da Universidade de Brasília, é senador da República (PDT-DF)

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14/02/2015

às 17:00 \ Vasto Mundo

Como a Venezuela de Chávez e Maduro virou uma máquina de criar pobreza

FRACASSO GARANTIDO — A favela Petare, em Caracas: a pobreza no país aumentou 28% (Foto: Fernando Llano/AP)

FRACASSO GARANTIDO — A favela Petare, em Caracas: a pobreza no país aumentou 28% (Foto: Fernando Llano/AP)

A MÁQUINA DE GERAR POBREZA

Reportagem de Nathalia Watkins publicada em edição impressa de VEJA

Manda a tradição caudilhista que um governo deve dar muitos presentes e subsídios para reduzir a pobreza.

Desde os dois primeiros mandatos de Juan Domingo Perón na Argentina, entre 1946 e 1955, não se via na América Latina uma máquina estatal tão poderosa para distribuir frango, geladeiras e farinha como a Venezuela bolivariana, favorecida pelos petrodólares.

O resultado dessa política, porém, é quase sempre o oposto do que se pretende. Um governo que gasta demais e sem controle acaba produzindo a inflação – o meio mais eficiente para multiplicar os miseráveis.

Segundo estudo divulgado dias atrás pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), órgão da ONU, a Venezuela é o único país da região em que o índice de pobreza (que impossibilita um padrão de vida digno) e o de miséria (quando não se tem dinheiro sequer para comer) aumentaram. O primeiro subiu de 25%, em 2012, para 32%, em 2013. O de miséria foi de 7,1% para 9,8% nesse intervalo.

6,2 salários mínimos para comprar uma cesta básica

A inflação da cesta básica no ano passado foi de 93%. Isso significa que, em doze meses, o preço das mercadorias quase dobrou. Os salários, por sua vez, não aumentaram na mesma proporção. Entre dezembro de 2013 e dezembro de 2014, a diferença no valor da cesta básica foi de três salários mínimos. Atualmente, são necessários 6,2 salários para comprá-la.

Os bons empregos sumiram. O setor produtivo foi destruído desde que Hugo Chávez assumiu o poder, em 1999, com estatizações, expropriações e leis contra a iniciativa privada. As únicas vagas foram criadas pelas estatais, que turbinaram ainda mais os gastos públicos.

Os 30 milhões de habitantes do país hoje dependem de alimentos importados, comprados com os dólares obtidos com a exportação de petróleo. Com a produção e o valor do barril em queda, há desabastecimento, inflação e mais pobreza. “De que adianta ganhar uma casa se não há dinheiro para pôr comida dentro dela?”, diz o economista venezuelano Oscar Meza, diretor do Centro de Documentação e Análise Social (Cendas), em Caracas.

“A realidade é ainda pior do que mostram os dados, porque a Cepal trabalha com as cifras oficiais, as mesmas que o governo tenta esconder. Uma estimativa real de pobreza certamente estaria em torno de 40%”, afirma Meza. Prevendo novos protestos contra a inflação, o governo aprovou uma lei que autoriza as forças de segurança a matar os manifestantes.

09/02/2015

às 14:33 \ Política & Cia

Mau desempenho da economia faz dólar ampliar alta e chegar perto de 2,80 reais

No exterior, alta do dólar era puxada por preocupações com China e Grécia. Aqui, pelo péssimo desempenho da economia (Foto: Getty Images)

No exterior, alta do dólar era puxada por preocupações com China e Grécia. Aqui, pelo péssimo desempenho da economia (Foto: Getty Images)

Expectativa de crescimento zero para a economia brasileira em 2015 é um dos fatores ligados à forte busca pela moeda americana

De VEJA.com

O dólar dispara frente ao real nesta segunda-feira. Após abrir o pregão em alta de 0,27%, a moeda americana chegou a ser negociada 2,7929 reais na venda, alta de 0,53% no fim da manhã. Por volta de 12h50, ela estava sendo vendida por 2,7914.

Na sexta-feira, o dólar havia fechado a 2,77 reais, maior valor em dez anos, desde 10 de dezembro de 2004.

Internamente, o foco continuava nos riscos crescentes de crescimento negativo da economia brasileira, com inflação alta. A insatisfação com a escolha de Aldemir Bendine para a presidência da Petrobras também ajudou a pressionar a busca por dólares, moeda considerada mais segura.

A pesquisa Focus, do Banco Central [que consulta as estimativas de cem instituições do mercado financeiro], trouxe piora nas projeções das instituições para a inflação e para o Produto Interno Bruto (PIB).

Pela primeira vez, a mediana das projeções do mercado financeiro para a atividade brasileira deste ano ficou em zero, ante uma ligeira expansão de 0,03% no levantamento da semana passada. Para 2016, a expectativa de 1,50% foi mantida.

Já a mediana das previsões para o IPCA (inflação) deste ano subiu de 7,01% para 7,15%. Para o final de 2016, a projeção foi mantida em 5,60%.

No exterior, as preocupações eram renovadas com China e Grécia.

O primeiro-ministro grego de esquerda, Alexis Tsipras, insistiu domingo que Atenas não vai pedir uma prorrogação do atual programa de resgate do país aos credores internacionais, mas sim um empréstimo-ponte, podendo deixar as partes envolvidas incapazes de chegar a um acordo de curto prazo, o que trouxe de volta o temor em relação à permanência ou não do país na zona do euro.

[O resgate da Grécia feito pela União Europeia e bancos privados custou mais de 220 bilhões de dólares.]

Na China, a balança comercial registrou superávit recorde em janeiro, mas as exportações caíram 3,3% ante estimativa de alta de 4,0% e as importações recuaram 19,9% ante previsão de queda de 3,3%. [As preocupações com a China, grande motor do mundo, voltam-se para uma expectativa de menor crescimento, o que impactaria fortemente um grande número de países que exportam para o gigante asiático.]

Ações

Na BM&FBovespa, o Ibovespa opera com volatilidade. O principal índice da bolsa de valores brasileira chegou a cair 0,76% (48.423 pontos) no meio da manhã, mas, por volta de 12h50, operava em sua máxima do pregão, alta de 0,51% (49.043 pontos).

(Com Estadão Conteúdo)

02/02/2015

às 16:13 \ Política & Cia

FHC: Chegou a hora de mudarmos as regras do jogo eleitoral — ou seremos engolidos por uma crise maior do que nós

(Foto: Agência Brasil)

O Brasil precisa se regenerar, começando pelo governo (Foto: Agência Brasil)

CHEGOU A HORA

Artigo de Fernando Henrique Cardoso publicado nos jornais O Estado de S. Paulo O Globo

Quando eventualmente este artigo vier a ser lido, a Câmara dos Deputados estará escolhendo seu novo presidente. Ganhe ou perca o governo, as fraturas na base aliada estarão expostas.

Da mesma maneira, o esguicho da operação “Lava Jato” respingará não só nos empresários e ex dirigentes da Petrobras nomeados pelos governos do PT, mas nos eventuais beneficiários da corrupção que controlam o poder. A falta de água e seus desdobramentos energéticos continuarão a ocupar as manchetes.

Não se precisa saber muito de economia para entender que a dívida interna (três trilhões de reais!), os desequilíbrios dos balanços da Petrobras e das empresas elétricas, a diminuição da arrecadação federal, o início de desemprego, especialmente nas manufaturas, o aumento das taxas de juros, as tarifas subindo, as metas de inflação sendo ultrapassadas dão base para prognósticos negativos do crescimento da economia.

Tudo isso é preocupante, mas não é o que mais me preocupa. Temo, especialmente, duas coisas: o havermos perdido o rumo da história e o fato da liderança nacional não perceber que a crise que se avizinha não é corriqueira: a desconfiança não é só da economia, é do sistema político como um todo. Quando esses processos ocorrem não vão para as manchetes de jornal.

Ao entrar na madeira, o cupim é invisível; quando percebido, a madeira já apodreceu.

Torres de petróleo no lago Maracaibo, na Venezuela (Foto: J.D. Barnell / Image International)

O Brasil investiu no petróleo quando as grandes potências mundiais iam na direção contrária (Foto: J.D. Barnell / Image International)

Por que temo havermos perdido o rumo? Porque a elite governante não se apercebeu das consequências das mudanças na ordem global. Continua a viver no período anterior, no qual a política de substituição das importações era vital para a industrialização. Exageraram, por exemplo, ao forçar o “conteúdo nacional” na indústria petrolífera, excederam-se na fabricação de “campeões nacionais” à custa do Tesouro.

Os resultados estão à vista: quebram-se empresas beneficiárias do BNDES, planejam-se em locais inadequados refinarias “Premium” que acabam jogadas na vala dos projetos inconclusos. Pior, quando executados, têm o custo e a corrupção multiplicados. Projetos decididos graças à “vontade política” do mandão no passado recente.

Pela mesma cegueira, para forçar a Petrobras a se apropriar do pré-sal, mudaram a lei do petróleo que dava condições à estatal de concorrer no mercado, endividaram-na e a distanciaram da competição. Medida que isentava a empresa da concorrência nas compras, se transformou em mera proteção para decisões arbitrárias que facilitaram desvios de dinheiro público.

Mais sério ainda no longo prazo: o governo não se deu conta de que os Estados Unidos estavam mudando sua política energética, apostando no gás de xisto com novas tecnologias, buscando autonomia e barateando o custo do petróleo.

O governo petista apostou no petróleo de alta profundidade, que é caro, descontinuou o etanol pela política suicida de controle dos preços da gasolina que o tornou pouco competitivo e, ainda por cima (desta vez graças à ação direta de outra mandona), reduziu a tarifa de energia elétrica em momento de expansão do consumo, além de ter tomado medidas fiscais que jogaram no vermelho as hidrelétricas.

Agora todos lamentam a crise energética, a falta de competitividade da indústria manufatureira e a alta dos juros, consequência inevitável do desmando das contas públicas e do descaso com as metas de inflação.

Os donos do poder esqueceram-se de que havia alternativas, que sem renovação tecnológica os setores produtivos isolados não sobrevivem na globalização e que, se há desmandos e corrupção praticados por empresas, eles não decorrem de erros do funcionalismo da Petrobras, nem exclusivamente da ganância de empresários, mas de políticas que são de sua responsabilidade, até porque foi o governo quem nomeou os diretores ora acusados de corrupção, assim como foram os partidos ligados a ele os beneficiados.

Preocupo-me com as dificuldades que o povo enfrentará e com a perda de oportunidades históricas. Se mantido o rumo atual, o Brasil perderá um momento histórico e as gerações futuras pagarão o preço dos erros dos que hoje comandam o país.

Depois de doze anos de contínua tentativa de desmoralização de quase tudo que meu governo fez, bem que eu poderia dizer: estão vendo, o PT beijou a cruz, tenta praticar tudo que negou no passado: ajuste fiscal, metas de inflação, abertura de setores públicos aos privados e até ao “capital estrangeiro”, como no caso dos planos de saúde.

Quanto ao “apagão” que nos ronda, dirão que faltou planejamento e investimento como disseram em meu tempo? Em vez disso, procuro soluções. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

26/01/2015

às 14:00 \ Política & Cia

Roberto Campos e preços que subiram 32 quatrilhões de vezes

(Foto: Getty Images)

Os zeros de um quatrilhão: do ano da proclamação da República, 1889, até 1991, os preços mundiais subiram em média 23 vezes. No Brasil, elevaram-se 32 quatrilhões de vezes, segundo as contas de Roberto Campos (Foto: Getty Images)

Alguns leitores devem se lembrar que já informei, aqui, estar em fase de organização de meu site pessoal, contendo milhares de textos, fotos, vídeos, áudios e outros materiais de várias décadas de carreira.

O site ainda não está pronto, mas pretendo disponibilizá-lo aos amigos do blog quando a transferência de material para ele estiver em fase mais adiantada.

Pois bem, o ato de organizar o site me tem dado a oportunidade de reencontrar todo tipo de material, desde longas reportagens, artigos de que não me lembrava mais e alguns milhares — sim, milhares — de notas que publiquei em colunas nos jornais e revistas em que trabalhei.

Uma delas é muito relevante para os leitores pós-Plano Real, que não sabem medir a importância que teve a ação dos governos Itamar Franco (1992-1995) e Fernando Henrique Cardoso (1995-2003) na derrubada da inflação — esta mesma inflação que, irresponsavelmente, a presidente Dilma deixou desandar em seu primeiro mandato.

A notinha abaixo dá uma ideia do que foi o horror da inflação que por décadas flagelou os brasileiros, principalmente os mais pobres.

Ela foi publicada no longínquo dia 24 de setembro de 1991 na “Coluna do Estadão” — coluna que não existe mais no jornal de que fui editor-chefe entre 1990 e 1992, tendo o Augusto Nunes como diretor de Redação. Cita o economista, ex-embaixador, ex-senador, ex-deputado, diplomata e gênio da raça Roberto Campos, falecido em 2001 aos 84 anos de idade:

O País da inflação

Vale replay este trecho do artigo dominical de Roberto Campos  no Estado:

“Enquanto nos 101 anos desde a proclamação da República os preços mundiais aumentaram em média 23 vezes, no Brasil eles subiram 32 quatrilhões de vezes!”

22/01/2015

às 19:30 \ Política & Cia

AÉCIO NEVES, em entrevista: “A candidata Dilma escolheu o caminho da mentira. Mentiu aos brasileiros sobre o que disse que faria”

(Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Com o governo fazendo o oposto do que prometeu em campanha, quem vai pagar a conta são os trabalhadores (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Entrevista a Marcelo Sakate publicada em edição impressa de VEJA

Aécio Neves foi atacado pela candidata à reeleição Dilma Rousseff durante a campanha eleitoral de 2014. O senador, que alertava para a necessidade de correção de distorções na política econômica, foi acusado de planejar uma receita de aumento de impostos e de juros para reequilibrar as contas públicas e combater a inflação – receita, agora, seguida por Dilma.

A VEJA, Aécio diz que a presidente está fazendo o oposto do que prometeu, como a decisão de promover mudanças nas regras para a concessão de alguns benefícios sociais. “Isso explica o grande sentimento de frustração e perplexidade que se percebe hoje no país”, diz o senador.

A presidente Dilma Rousseff tem adotado ou sinalizado medidas que atacou na eleição, como corte de gastos do governo e aumento de impostos e de juros. As circunstâncias mudaram?

As contradições são enormes. As circunstâncias não mudaram. Há muito tempo o PSDB alerta sobre as medidas equivocadas do governo Dilma na área econômica, que se traduziram em baixo crescimento, desequilíbrio fiscal, perda de competitividade da indústria e desequilíbrio externo.

Na campanha, falei diversas vezes da necessidade de ajustes para que a economia voltasse a crescer e pudéssemos continuar com a melhoria da renda e a redução das desigualdades e da pobreza, que, agora, estão em risco.

A candidata Dilma, mesmo conhecendo a gravidade do quadro econômico, não apenas negava a necessidade de ajuste como atacava aqueles que faziam o alerta.

Assistimos agora a um estelionato eleitoral sem precedentes, pois o governo terá de fazer um ajuste fiscal muito mais duro do que seria necessário no caso do PSDB, porque o mercado sabe que foi a própria presidente Dilma que, deliberadamente, entregou ao seu segundo mandato uma herança maldita.

Apesar dos alertas, a presidente deixou de tomar uma série de medidas e não hesitou em permitir que os problemas do país se agravassem, pensando apenas em vencer as eleições.

Quais as consequências de a presidente ter prometido uma política econômica e agora adotar outra?

Existe uma grande questão que, acredito, deve preocupar muitos dos aliados do governo: refiro­me à perda de credibilidade. E credibilidade é um ativo essencial a qualquer governo.

Na campanha, a candidata tinha dois caminhos: respeitar o povo, o que significa respeitar a verdade, ou mentir sobre a realidade e sobre as suas reais intenções.

A candidata escolheu o caminho da mentira. Mentiu aos brasileiros sobre o que disse que faria.

Vejo três grandes problemas. Primeiro, o estelionato eleitoral. O governo prometeu uma série de medidas que não vai cumprir e está agora elaborando, às pressas, um novo plano de governo que não discutiu com os eleitores.

Segundo, como o governo não se preparou para uma agenda de reformas, as providências estão sendo tomadas por meio de medidas provisórias, sem o debate com a sociedade e, principalmente, com os trabalhadores. O que se anunciou até agora são medidas isoladas que não fazem parte de uma agenda estrutural. Mudanças de tributos deveriam integrar uma reforma tributária, e não medidas isoladas com o único propósito de aumentar a arrecadação.

Terceiro, as medidas de ajuste estão sendo anunciadas pela equipe econômica, e não pela presidente, que deveria ter a responsabilidade de fazê-lo. Tem-se a impressão de que ela não está muito convicta das propostas e que, a qualquer momento, pode desautorizá-las.

Há quem argumente que campanha é uma situação e que o dia a dia do governo é outra.

Esse é o discurso de quem não respeita a população, de quem acredita que vale tudo, que se pode fazer o diabo para vencer uma eleição, até enganar o próprio povo.

Compromissos de campanha devem ser compromissos de governo. Se não for assim, as campanhas serão transformadas em concursos para ver quem mente mais e melhor.

É antiético prometer uma coisa e fazer algo totalmente diferente depois de eleito. A candidata prometeu que não iria mudar direitos sociais e, agora, propõe dificultar o acesso ao seguro-desemprego.

Falei na campanha da necessidade de reduzir os subsídios dos bancos públicos e de o governo cortar despesas, preservando investimentos sociais. A candidata Dilma prometia aumentar os subsídios e agora quer fazer um corte radical, prejudicando os trabalhadores.

Assistimos a um governo fazendo o oposto do que prometeu. Isso explica o grande sentimento de frustração e perplexidade que se percebe no país. Muita gente se sente enganada.

Dilma terá apoio político para levar adiante um programa econômico que ela e o PT tanto criticaram?

Há uma imensa confusão quando se fala que as medidas do governo são as mesmas que seriam adotadas pela oposição.

Não são. As medidas em um governo do PSDB seriam previamente discutidas com a sociedade, feitas de forma gradual e negociadas no Congresso. O governo terá problemas para aprovar algumas propostas.

O PT escolheu fazer o ajuste fiscal pela via simplista de aumento de impostos e redução de direitos trabalhistas, por meio de medidas provisórias, sem nenhuma discussão com a sociedade e sem enfrentar as questões estruturais.

Para usar uma expressão cara à presidente, trata-se de uma solução “rudimentar”. E injusta com os brasileiros.

Qual a avaliação do senhor em relação às medidas anunciadas?

Há um equívoco com relação ao instrumento utilizado. As medidas deveriam passar por amplo debate na sociedade e no Congresso. E eu não dificultaria o acesso ao seguro-desemprego em um período de baixo crescimento, em que o desemprego tende a aumentar. Isso é injusto com o trabalhador.

No caso do abono salarial, por que retirar totalmente o direito a esse benefício de quem trabalhou por menos de seis meses?

O correto não é tirar o benefício, mas sim torná-lo proporcionalmente maior para quem trabalhou por mais tempo.

O governo não quer o debate e repete, cada vez com menos constrangimento, a velha e carcomida fórmula de garantir apoio às suas propostas por meio da distribuição de cargos e espaços de poder aos aliados.

Infelizmente, quem vai pagar a conta serão, mais uma vez, os brasileiros e, em especial, os trabalhadores.

22/01/2015

às 14:00 \ Política & Cia

DOCUMENTO: Leia a íntegra do artigo de José Dirceu criticando a condução da economia pelo governo Dilma

Caminhamos para uma recessão. Com o governo consciente disso, esperamos

Texto publicado a 20 de janeiro de 2015 no Blog do Zé, do ex-ministro José Dirceu

Que 2ª feira! Calor, aumento de impostos num pacotaço anunciado pelo ministro da Fazenda, de juros e queda de energia em importantes cidades do país causada pela onda de calor inédita no pais…Ontem nem parecia uma 2ª feira, estava mais para uma 6ª feira 13. Só noticias ruins.

O aumento de impostos e dos juros são apenas consequências, desdobramentos da busca de um superavit de 1,2% do PIB este ano. A elevação dos juros visa derrubar a demanda e vem casada com o aumento do IOF – Imposto sobre Operações Financeiras para os empréstimos às pessoas físicas. Aí, também refreando o consumo.

Caminhamos assim – conscientemente, espero, por parte do governo – para uma recessão com todas as suas implicações sociais  e políticas. Fica evidente, empiricamente, pela prática, que o aumento dos juros não refreou a inflação cujas causas estão fora do alcance da politica monetária do Banco Central (BC), mas nos preços administrados, serviços e alimentos.

Quando a inflação cair…se cair…

Assim, quando a inflação cair – se cair… – será pela queda violenta da demanda e não pela alta dos juros. O que espanta é o silêncio de nossas autoridades sobre os efeitos da atual taxa Selic de 11,75% – o sonho de consumo do mercado financeiro – e sobre o serviço da divida interna de R$ 250 bi ao ano, ou o correspondente a 6% do PIB nacional. É a maior concentração de renda do mundo no período de um ano e para uma minoria detentora dos títulos públicos de nossa divida interna.

[Atualização: o Conselho de Política Monetária (Copom) aumentou nesta quarta-feira ara 12,25%.]

Como a arrecadação cairá com a recessão é preciso de novo que nossas autoridades expliquem como farão o superávit e manterão os investimentos públicos e os gastos sociais.  Têm de explicar: como o pais voltará a crescer?

Fora o fato que as autoridades da área econômica diariamente criticam abertamente os bancos públicos e seu papel de vanguarda no financiamento subsidiado (porque necessário) de nossa indústria, agricultura, infraestrutura social e econômica.

A pergunta que não cala é: quem os substituirá, quem continuará a desempenhar esse papel dos bancos oficiais?

Semana começa com muita apreensão sobre os rumos do país

Sobre o efeito maléfico e daninho dos juros altos na valorização do real e nas contas externas também nada, nem uma palavra… Nossa indústria que se vire. A semana começa, assim, com muita apreensão pelos caminhos do país. Mas podem ter certeza, com muita festa no mercado financeiro e nas redações de nossa mídia.

Mesmo que haja algum choro e ranger de dentes pelo aumento dos impostos, no fundo dirão, melhor assim que uma reforma tributária que taxe os ricos, o patrimônio e a renda, as fortunas e heranças e os fantásticos lucros financeiros. Isso, talvez, explique o silêncio dos responsáveis pela política econômica e pelo governo sobre a volta da CPMF ou de algum outro imposto ou tributo equivalente e que cumpra seu papel.

20/01/2015

às 16:30 \ Política & Cia

Veto de Dilma ao reajuste de 6,5% da tabela do Imposto de Renda é um retrocesso

(Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Prejuízo: ao vetar o reajuste da tabela do Imposto de Renda, a presidente Dilma pune o contribuinte (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Avaliação é de Cláudio Damasceno, presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal. Prejuízo do contribuinte ante o IPCA já é de 64,28%

O veto da presidente Dilma Rousseff ao reajuste de 6,5% para a tabela do Imposto de Renda de Pessoa Física este ano – como previa emenda do deputado Mendonça Filho (DEM-PE) ao Projeto de Lei de Conversão 018/2015 – é um retrocesso e mais uma pesada punição imposta ao contribuinte.

A avaliação é de Cláudio Damasceno, presidente do Sindifisco Nacional (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal), ao comentar a decisão presidencial, publicada hoje no “Diário Oficial da União”.

Com o fechamento do IPCA de 2014 em 6,41%, a defasagem da tabela do IRPF acumulada desde 1996 chega a 64,28%. Pelo índice oficial de inflação e reajustes salariais que superam os 8%, muitos contribuintes passaram a descontar IRPF – ou mudam de faixa de alíquota, e com isso são mais tributados – pelo simples fato de terem melhorado seus ganhos nas datas-base.

A ideia do Governo Federal seria o reajuste de 4,5%, como já deu a entender o ministro Pepe Vargas (Relações Institucionais) – restabelecendo aquilo já anunciado por Dilma em 30 de abril passado, cuja medida provisória perdeu a validade no final de 2014. Se o Palácio do Planalto enviar MP ao Congresso com esse percentual, no final de 2015 a defasagem (mantida a projeção para o IPCA em 6,79%) estará em 67,88%.

Prejuízo de 75% – Porém, pode ser pior. Basta que o Governo Federal, por conta do ajuste fiscal que pretende impor, dê reajuste zero à tabela. Assim, a defasagem pode chegar ao final deste ano em 75,43% – caso o IPCA feche nos previstos 6,79%. Estudo elaborado pelo Sindifisco Nacional, com base em informações da Receita Federal e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), chega a essa conclusão.

“O contribuinte mais uma vez é o maior sacrificado. E a situação preocupa, porque não há regra prevista. Há somente acenos da parte do Governo”, lamentou Damasceno.

17/01/2015

às 18:00 \ Política & Cia

A campanha eleitoral cínica e mentirosa feita por Dilma vem sendo desmascarada a cada dia. Agora, é a vez da pancada nas contas de luz — que podem subir em média 40%

Reajuste na conta varia de distribuidora para distribuidora (Foto: Itaci Batista/Estadão Conteúdo)

Aumentos na conta de luz: governo empurrou os custos reais das elétricas para debaixo do tapete para mascarar a inflação, causou um rombo de mais de 17 bilhões ao setor, teve que lhe emprestar dinheiro — e, agora, chegou a vez de o consumidor pagar a conta (Foto: Itaci Batista/Estadão Conteúdo)

Post originalmente publicado às 18h56 de 14 de janeiro de 2014

Ficou para a história do mau caratismo em campanhas eleitorais o debate pela TV, no segundo turno da eleição presidencial do ano passado, no qual a presidente Dilma afirmou que seu oponente, o tucano Aécio Neves, iria adotar “medidas impopulares”, o que ela simplificou de forma calhorda para “ou seja, medidas contra o povo”.

Em país sério, líder que anuncia adotar e principalmente líder que põe em prática medidas impopulares — pensando no bem do país, em consertar erros, em colocá-lo no rumo e não, como gênios do mal, esfregando as mãos de prazer em prejudicar “o povo” –, independentemente de sofrer prejuízos eleitorais, é candidato certo a estadista.

No manequeísmo primário que vivemos no Brasil, porém, quem toma medidas pensando em futuras gerações, e não em futuras eleições, é apedrejado demagogicamente pelos adversários — e o pior de tudo é que eles sabem que, uma vez no poder, terão que fazer muito, ou tudo, do que criticavam no outro.

O caso da presidente Dilma já está se tornando clássico. No afã de obter votos, ela atribuiu a Aécio até iniciativas que ele não chegou a prometer — as “medidas impopulares”, que certamente precisariam ser levadas a efeito para fazer frente à herança maldita dilmista, foram referidas pelo economista e ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, que seria o ministro da Fazenda de Aécio.

Pois foi só passar a eleição, e foi aquilo que vimos, e estamos vendo: subida nos juros, depois uma paulada em meia dúzia de benefícios da Previdência Social que não excluiu nem viúvas, um brutal corte de despesas etc etc… Agora, como jornalistas independentes cansaram de repetir durante a campanha eleitoral, chega a vez de começar pagar a conta da demagogia de empurrar para debaixo do tapete custos enormes, que tornariam ainda pior a inflação da herança maldita que Dilma acabaria deixando para si própria.

Dilma debatendo com Aécio na Globo: confundindo de propósito "medidas impopulares" com "medidas contra o povo" -- que, agora, ela está adotando (Foto: Reprodução TV Globo)

Dilma debatendo com Aécio na Globo: confundindo de propósito “medidas impopulares” com “medidas contra o povo” — que, agora, ela está adotando (Foto: Reprodução TV Globo)

No caso, da energia elétrica, com preços artificialmente controlados pelo governo anterior de Dilma, o que levou as empresas geradoras e distribuidoras a um monumental déficit, coberto aqui e ali por empréstimos favorecidos pelo governo para que as empresas não quebrassem. Mas a brincadeira está acabando, e, para compensar o arrocho artificial na eletricidade, vem aí — preparem-se, todos! — uma paulada considerável nas contas de energia elétrica. A coisa pode chegar a… 40% EM MÉDIA, ou seja, haverá muitos casos em que estará acima deste patamar — isso num país em que, jurava a presidente-candidata, a inflação “está sob controle”.

A estimativa de que as contas de energia elétrica devem subir, em média, 40% em 2015 vêm de uma estimativa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que foi apresentada na segunda-feira à presidente Dilma Rousseff e aos novos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e de Minas e Energia, Eduardo Braga.

O aumento é bem maior do que o que consta no relatório de inflação do Banco Central, que previa alta de 17% e pode representar um acréscimo de 1,2 ponto porcentual no índice de inflação (IPCA) deste ano.

Segundo o jornal Valor Econômico, referido em matéria de VEJA.com, na estimativa da Aneel já está previsto o fim da ajuda do Tesouro às elétricas.

Diz ainda VEJA.com que “em ano de corte de gastos, o governo disse na segunda-feira que não bancará mais o rombo financeiro, deixando para trás a política tão defendida pela presidente em 2012, baseada em subsídios ao setor”.

Só em 2014 as elétricas precisaram tomar emprestados colossais 17,8 bilhões de reais.

Agora, quem começará a pagar a conta somos nós, consumidores.

 

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