Blogs e Colunistas

inflação

21/11/2014

às 16:30 \ Política & Cia

Mantega fez festa por conta da inflação do mês, mas, como de costume, se precipitou na comemoração

(Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Mantega: como sempre, seu otimismo sobre a inflação foi exagerado (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

A INFLAÇÃO E A FESTA DE MANTEGA

Editorial publicado no jornal O Estado de S. Paulo

Quem vê o ministro da Fazenda, Guido Mantega, festejar a última notícia oficial sobre a inflação pode até se perguntar se o Brasil terá virado uma cópia da Alemanha, um país conhecido pela ojeriza à alta de preços e à gastança com dinheiro público. A boa notícia apareceu na quarta-feira, quando foi divulgado o IPCA-15, medido entre o meio de um mês e o meio de outro.

Segundo a nova apuração, os preços ao consumidor subiram 0,38% nas quatro semanas até 12 de novembro. Um mês antes haviam subido 0,48%. Com aumentos mais moderados, especulou o ministro, nem será necessário um novo aperto da política monetária antes do fim do ano. Mas teve a prudência de ressalvar: o Banco Central (BC) tem autonomia para suas decisões.

Um dia antes, o diretor de Política Monetária do BC, Carlos Hamilton, havia admitido o risco de um novo arrocho: sem complacência, disse ele, o Comitê de Política Monetária (Copom) poderá recalibrar sua política, se isso “for adequado”.

Como de costume, a exibição de otimismo do ministro da Fazenda pode ter sido prematura ou, no mínimo, um tanto exagerada. O IPCA-15 já subiu 5,63% neste ano e 6,42% em 12 meses. Está quase no limite da tolerância, de 6,5%, e, além disso, novos sinais positivos serão necessários para indicar uma firme desaceleração dos preços. Por enquanto, outros dados podem servir de base a apostas muito menos otimistas. Sinais de aceleração e de maiores problemas foram divulgados na mesma quarta-feira pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

No período de um mês até 10 de novembro, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) subiu 0,72%. A coleta publicada no mês anterior havia mostrado uma variação de 0,13%. Esse resultado ainda refletiu a redução de vários grupos de preços por atacado. Essa etapa, tudo indica, está encerrada.

O IGP é formado por três componentes. Os preços por atacado entram na conta com peso de 60%. De um mês para outro a variação desse grupo passou de 0,03%, – quase zero – para 0,93%. No caso dos produtos agropecuários o salto foi de 0,47% para 2,44%. Os preços dos produtos industriais passaram de uma contração de 0,13% para um aumento de 0,38%.

Esses dados são um indício forte de pressões nos próximos meses. Uma acomodação dos preços por atacado nem sempre se reflete proporcionalmente no varejo. Nessas ocasiões, os preços ao consumidor podem continuar subindo, se a demanda final for muito alta. Isso tem ocorrido no Brasil. Mas pressões originadas no atacado dificilmente deixam de empurrar os preços no varejo, se as condições de crédito e de renda favorecerem o gasto familiar.

(PARA CONTINUAR LENDO, CLIQUEM AQUI)

13/11/2014

às 16:13 \ Política & Cia

SARDENBERG: Para 2015, Lula quer que Dilma faça na economia o que ele fez em 2003, ou seja, exatamente o contrário do que pratica a presidente

(Foto: Folhapress)

Em 2003, Lula continuou o modelo FHC e a economia prosperou. Dilma, por outro lado, não quis manter o que já funcionava (Foto: Folhapress)

DILMA 15 E LULA 2003

Artigo de Carlos Alberto Sardenberg publicado no jornal O Globo

Carlos-Alberto-Sardenberg1O regime de superávit primário foi introduzido nas contas públicas brasileiras em 1999, no segundo mandato de FHC, em meio à crise de desvalorização do real. Até aquele momento, havia déficits e a dívida pública subia todos os anos. Os títulos do Tesouro Nacional, as promissórias do governo, eram papel podre no mercado internacional.

Depois de dez anos seguidos de superávits — os mais altos no primeiro governo Lula — e de constante redução da dívida, o Brasil foi premiado com o grau de investimento em 2008. Lula comemorou dizendo que a gente finalmente se tornara um país sério.

Tudo melhorou: dívida menor, juros reais menores, inflação baixa e na meta, custo menor de financiamento no exterior. O regime de superávits primários (economia no orçamento para pagar juros e reduzir a dívida), o sistema de metas de inflação, também de 1999, e o câmbio flutuante formaram a base da estabilidade macroeconômica daqueles anos. É tudo isso que começou a ser derrubado no primeiro governo Dilma.

Não por acaso, uma das agências, a Standard&Poors, reduziu a nota brasileira em março último.

Surpreende esse comportamento de Dilma? Não. Olhando um pouco para trás, fica mais fácil entender.

O PT combateu ferozmente todas as bases do Real. Prometia suspender pagamentos das dívidas interna e externa. Como dizia Lula, sim, ele mesmo, não fazia sentido gastar o dinheiro público pagando credores enquanto o povo passava fome.

Os economistas do partido, Guido Mantega à frente, diziam: fazer superávits primários elevados era “suicídio”, política recessiva e nefasta. A saída era aumentar o gasto público em tudo, de salários a obras, em vez de remunerar banqueiros e rentistas.

A campanha de Lula em 2002 começou com esses parâmetros. Mantega era o principal assessor econômico. Maria da Conceição Tavares, a inspiradora de documentos que pregavam a ruptura com o modelo neoliberal.

E aconteceu o quase milagre. Eleito em 2002, Lula, em vez de jogar fora o modelo FHC, mandou para o lixo todos os documentos petistas. Seguiu direitinho a cartilha ortodoxa. Fez superávits primários anuais superiores a 3% do Produto Interno Bruto, bastante elevados e previstos no plano anunciado por FHC em 1999, em acordo com o FMI.

Por que Lula mudou? Porque o dólar foi a R$ 4,00 na véspera de sua eleição; capitais fugiram do país; uma promissória do governo brasileiro de 100 dólares era negociada a 35 dólares, junk bonds, puro lixo; o Tesouro não conseguia se financiar, ou seja, tomar mais dinheiro emprestado aqui mesmo, porque os credores, quando apareciam, exigiam juros absurdos.

Diziam os petistas que era a reação do capital internacional. Mas o que queriam? Quem seria idiota de financiar um governo que promete dar o calote?

A sorte é que Lula não era economista do PT, muito menos seu principal colaborador da época, o médico e político Antonio Palocci. Este convenceu o presidente eleito que a opção era simples: ou a cartilha ortodoxa ou o caos (inflação disparando, financiamento zero da dívida, calotes, recessão).

Lula topou. Por necessidade. Provavelmente, não estava convencido do acerto daquela política econômica, assim como provavelmente não se entusiasmava com a linha petista. Pragmático, usou a que cabia para o momento.

No governo, quando a situação se equilibrou, o mercado e o FMI ficaram felicíssimos e Lula pôde então tocar seus programas sociais. E mais coisas neoliberais, como legislação que garantiu o sistema de crédito. Pois é, a coisa funcionava.

(PARA CONTINUAR LENDO, CLIQUEM AQUI)

07/11/2014

às 14:00 \ Política & Cia

Segundo mandato de Dilma: MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA

MAIS QUATRO ANOS — Dilma venceu a disputa mais acirrada desde a redemocratização: vantagem de 3,5 milhões de votos entre 143 milhões de eleitores (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

MAIS QUATRO ANOS — Dilma venceu a disputa mais acirrada desde a redemocratização: vantagem de 3,5 milhões de votos entre 143 milhões de eleitores (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA NO SEGUNDO MANDATO

A reeleição de Dilma Rousseff dará ao PT dezesseis anos ininterruptos no Palácio do Planalto. Especialistas apontam os riscos dessa situação, inédita na história da democracia brasileira, e sugerem formas de se proteger de seus efeitos deletérios

Reportagem de Mariana BarrosMarcelo Sakate publicada em edição impressa de VEJA

Com a reeleição da presidente Dilma Rousseff no domingo passado, seu partido, o PT, conseguiu um feito inédito na democracia brasileira: a chancela eleitoral para permanecer no poder por dezesseis anos ininterruptos. Bom para o PT, arriscado para o Brasil.

Sem alternância, fundamental para manter forte a democracia e irrigadas as instituições, a sociedade terá de redobrar a fiscalização para que o partido no poder não caia na tentação totalitária de submeter os interesses do país aos seus. Especialistas e juristas ouvidos por VEJA apontam as áreas e as instituições mais vulneráveis a desmandos partidários nos próximos quatro anos.

Entre os mais ameaçados, estão o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal, o Itamaraty e a imprensa livre.

PRISÃO ASSISTENCIAL

O PERIGO: de o PT perpetuar o formato sem porta de saída do programa que se tornou um mecanismo para manter dependentes do governo federal – e atrelados a ele – 50 milhões de brasileiros pobres. Nos quinze estados em que Dilma venceu no segundo turno, os beneficiários do Bolsa Família representam, em média, 43% das famílias. Nos lugares onde a presidente perdeu, a média é de 21%.

COMO REAGIR: defender a apresentação no Congresso de um projeto de lei na mesma linha do que foi proposto por Marina Silva na campanha, que estimule a participação dos adultos beneficiários do Bolsa Família em programas de qualificação, como os de ensino técnico. A medida permitiria a eles entrar no mercado de trabalho com chances de obter melhores vagas de emprego e, ao mesmo tempo, se libertar do garrote do governo. A mudança ainda impulsionaria a produtividade.

CERCO À IMPRENSA

O PERIGO: de a presidente reeleita, pressionada pelo PT, defender a aprovação do projeto que o partido do governo chama de “controle social da mídia” – na verdade, uma tentativa de censurar os meios de comunicação pelo controle do seu conteúdo.

COMO REAGIR: a saída é cobrar do Congresso que barre qualquer tentativa que fira a liberdade de imprensa. O mesmo vale para a opinião pública, cuja pressão fez o governo recuar da implementação de boa parte do Programa Nacional de Direitos Humanos 3, inclusive a diretriz 22, que, na prática, instituía a censura.

CONSELHOS POPULARES

O PERIGO: de o governo insistir no decreto 8243/14, que entrega a “conselhos populares” a prerrogativa de tomar decisões da alçada do Executivo e do Congresso – um modelo que atropela a democracia representativa e se assemelha ao de países como a Venezuela, o Equador e a Bolívia, com os resultados conhecidos.

COMO REAGIR: a Câmara derrubou o decreto 8243/14 na semana passada, mas ainda falta passar pelo Senado. Se o governo insistir na medida, será necessário recorrer ao Supremo para barrá-la. Mas, mesmo que o decreto caia desta vez, nada impede que nos próximos quatro anos o governo apresente outra medida de igual inspiração, como já fez anteriormente. Congresso e sociedade devem permanecer atentos para evitar qualquer ameaça ao equilíbrio dos poderes. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

06/11/2014

às 15:15 \ Política & Cia

SARDENBERG: A desconstrução das promessas de campanha de Dilma, assim como o aumento de preço do combustível, “não se anuncia, se pratica”

(Foto: Ricardo Moraes/Reuters)

Para Graça Foster, “aumento não se anuncia, se pratica” (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)

DESCONSTRUÇÃO SECRETA

Artigo de Carlos Alberto Sardenberg publicado no jornal O Globo

Carlos-Alberto-Sardenberg1Você tem um posto e vai fazer a compra habitual de gasolina e diesel, na refinaria da Petrobras. Quando checa a nota fiscal – epa! o preço subiu? – pergunta ao funcionário da estatal.

Ele: “estamos praticando esse preço”.

“Percebi, mas aumentou quando e quanto?”

“Não anunciamos, só praticamos”.

Você ainda não perdeu a paciência e observa:

“Cara, se eu fizer a conta, eu descubro de quanto foi o aumento. Por que você não me diz logo?”

“Porque nossa presidente disse que não se anuncia”.

Essa conversa termina aí, mas haverá outras, que vão se modificando conforme, digamos, a interpretação dos envolvidos.

No posto de gasolina, o motorista manifesta a mesma surpresa: “Que preço é esse?”

O frentista: “É esse mesmo e é melhor você não perguntar muito”. E, sussurrando: “parece que o aumento é secreto”.

“Nossa! Mas ainda pode pagar com cartâo?”

Próximo ambiente: uma corretora de Nova York, com o operador encarregado dos papéis da Petrobras falando com o colega no Brasil:

“Afinal, o preço do combustível sobe ou não por aí?”

Pausa para o leitor: a Petrobras, durante meses, foi obrigada pelo governo a vender o combustível por um preço inferior ao que pagava lá fora. De janeiro de 2011 até aqui, estima-se que tenho acumulado um prejuízo de mais de R$ 60 bilhões com isso. Objetivo do governo: segurar a inflação brasileira. Consequência óbvia, desequilíbrio financeiro da estatal, desvalorização das ações.

Volta à conversa da corretora. O operador brasileiro: “olha, o preço vai aumentar, se já não aumentou, mas não se sabe de quanto.”

O colega americano: “Um aumento secreto? Mas é uma empresa pública, com investidores no mundo todo”.

O brasileiro, meio chateado: “Pois é, é o me perguntam os clientes brasileiros”.

“E aí, o que a gente faz? Vende ou compra?”

O brasileiro, se divertindo: “Isso também não se anuncia, se pratica”.

What?”

“Deixa pra lá”.

Eis a situação a que está exposta a Petrobras, uma das maiores companhias do mundo. Depois de dez horas de reunião, em dois dias, para aprovar o balancete do terceiro trimestre e o aumento de preços, tudo que disse a presidente da companhia, Graça Foster, foi aquele achado: “Aumento não se anuncia, se pratica”.

Talvez quisesse dizer que não se anuncia antecipadamente. Sabe como é, se todo mundo sabe que a gasolina vai subir daqui a três dias, os postos ficarão congestionados. O problema é que Graça Foster vem dizendo há meses que a empresa precisa aumentar o preço de venda do combustível. E deixa claro que não faz isso porque o governo, dono da Petrobras, não autoriza.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, é também o presidente do Conselho de Administração da estatal, órgão, aliás, que deve aprovar balanço e tarifas. Mantega ora diz que preço é problema da Petrobras, ora que é do Conselho no qual ele manda. De fato, o governo tem sete membros num Conselho de dez integrantes.

Foi esse Conselho que fez aquela longa reunião, terminada na última terça, sem comunicação ao público.

Há um outro problema, talvez mais grave, o  do balanço, auditado pela PwC, empresa internacional, que obviamente está preocupada com a repercussão das denúncias feitas em delação premiada pelo ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa.

Se o que ele falou for verdade, então a Petrobras foi assaltada por anos a fio, sem que os controles internos (havia?) e a auditoria externa percebessem. Constrangedor, não é mesmo? Uma grande empresa de auditoria, a Arthur Andersen, acabou por não ter percebido as falcatruas da Enron, multuinacional americana.

Até aqui, o resultado dessa complexa situação foi o pedido de licença, por exatos 31 dias,  do presidente da Transpetro, Sérgio Machado. A Transpetro é a maior subsidiária da Petrobras – compra navios, por exemplo. Costa afirma ter recebido propina de R$ 500 mil reais das mãos de Machado. Este, indicado para o posto na chamada cota pessoal do senador Renan Calheiros, nega tudo.

A licença foi um modo de contornar a situação. Fora, ele não assina o balanço que tanto preocupa os auditores da Pwc. Seria o suficiente para eles?

A presidente Dilma disse, na sua campanha, que a oposição pretendia acabar com a Petrobras. Como está em curso um processo de desconstrução das mensagens de campanha, será que a presidente resolveu, digamos, assumir essa tarefa?

Não, sem sentido.

Mas que há uma desconstrução, ao menos parcial, isso não se discute. A alta da taxa básica de juros, decretada pelo Banco Central três após a eleição, foi o primeiro passo. O aumento da gasolina e do diesel seria o segundo.

O terceiro, uma faxina – lembram-se? – na Petrobras. O quarto, a nomeação de um ministro da Fazenda amigável ao mercado. O quinto, um forte ajuste das contas públicas, com corte de gastos e/ou aumento de impostos.

E se for mesmo por aí – há dúvidas razoáveis – tanto os eleitores de Dilma quanto os de Aécio poderão se perguntar: a gente votou em quem mesmo?

E correm o risco de ouvir: desconstrução não se anuncia, se pratica.

04/11/2014

às 19:11 \ Política & Cia

Impeachment: cabe no momento político brasileiro?

(Foto: Hemera)

Dentro da justiça brasileira, cabe um impeachment no momento atual? (Foto: Hemera)

Artigo de Antonio Riccitelli*

antonio riccitelliApesar de reeleita, a presidente da República vivencia uma crise institucional, sem precedentes. Ao ter sua gestão desaprovada por quase metade da população, perdeu a oportunidade de esclarecer à sociedade sobre os índices e notícias de reiterados escândalos, não aqueles que, de acordo com os especialistas, foram apresentados durante sua campanha, superficialmente, ou maquiados, como, por exemplo, os da inflação.

Esperavam-se medidas enérgicas e efetivas contra as sistemáticas e incontáveis denúncias de corrupção; um planejamento mínimo adequado para evitar o maior déficit público registrado nas últimas décadas e, particularmente, o rígido controle da inflação, que há muito aproxima-se da casa dos dois dígitos.

Por seu turno, percebe-se ainda a insatisfação, já demonstrada pelos partidos de sustentação da base política do governo, sintomas de tempos difíceis que se avizinham.

A expectativa natural da considerável parcela da população que desaprovou a forma de gestão do atual governo é de uma sistemática fiscalização por parte dos  partidos de oposição e de toda a sociedade, diante da insatisfação dos mais variados setores, prenunciando dificuldades na administração da res publica, incluindo-se a possibilidade de um processo de impeachment contra a Chefe do Executivo Federal.

Oriundo da Inglaterra, com características de instituto penal, o impeachment, significa impedir que servidores de alto escalão da Administração Pública continuem  a exercer de forma inadequada suas funções para às quais foram eleitos ou nomeados, colocando em risco o indisponível interesse público.

Peça importante para a implantação do Parlamentarismo naquele país, revestiu-se com características políticas ao ser introduzido na Constituição norte-americana, garantindo o equilíbrio entre os poderes alicerçado no sistema de checks and balances. Em nosso sistema assume características políticas ao ser contemplado pela Constituição Federal de 1988 e é  representado em nosso sistema jurídico pela expressão crime de responsabilidade.

A seguir apresenta-se o roteiro constitucional, o conjunto resumido de procedimentos e os protagonistas do instituto do impeachment. O inciso I do art. 51 da Constituição delega à Câmara dos Deputados o poder de autorizar, por meio de dois terços de seus membros, a instauração do processo de impeachment contra o presidente e o vice-presidente da República e os ministros de Estado.

O art. 52, I determina a competência privativa do Senado Federal para processar e julgar o presidente e o vice-presidente da República, bem como altas autoridades nos crimes de responsabilidade, definidos na Lei  n. 1.079/50.

O inciso II, ainda do art. 52, atualizado por redação disposta na Emenda Constitucional n. 45, amplia a competência privativa do Senado, conferindo-lhe, também, a competência para processar e julgar os ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União, nos crimes de responsabilidade.

Assim, são razões suficientes para ensejar a instauração do processo de impeachment contra o presidente e o vice-presidente, bem como de outros agentes descritos no inciso II do art. 52, aquelas expressas no art. 85 da Carta Magna de 1988, valendo destacar que o próprio enunciado do mencionado artigo considera crimes de responsabilidade os atos do presidente da República que atentem contra a Constituição Federal, e especialmente contra a probidade na administração, bem como contra a lei orçamentária e o cumprimento das leis e das decisões judiciais, expressos respectivamente nos incisos V,VI e VII do mesmo.

Pelo exposto percebe-se a gravidade do momento e o sutil, porém, indiscutível fato de que, por muito menos, no Brasil, foram protagonistas do processo do impeachment o ex-presidente Collor e o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta. Analogamente, em nível internacional, o ex- Presidente dos EUA, Richard Nixon e, mais recentemente, o ex-presidente do Paraguai, Fernando Lugo.

O Brasil mudou, as eleições de 2014 representaram um claro desejo de mudanças no atual sistema político-administrativo pátrio. Profundas e efetivas mudanças são aguardadas, particularmente as de modelo de gestão pública, ou talvez até de seus próprios agentes.

O momento é de sistemática e responsável fiscalização, a fim de se evitar a interferência, por menor que seja, de qualquer projeto pessoal de poder, que possa ameaçar as instituições democráticas de direito, tão bravamente conquistadas.

* Antonio Riccitelli é advogado, comentarista político e autor do livro “Impeachment à brasileira: instrumento de controle parlamentar?” (Editora Manole, SP, 2005)

02/11/2014

às 19:00 \ Política & Cia

CARLOS BRICKMANN: Do que é que nos livramos… Já pensaram se Aécio fosse eleito: os juros iriam subir dois dias depois etc etc, não é mesmo?

(Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

Imaginem se Aécio tivesse ganho a eleição. A primeira medida, com bem advertiu a presidente Dilma, seria aumentar os juros… Já pensaram? (Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

Notas de Carlos Brickmann publicadas neste domingo em diversos jornais

carlos_brickmannE há quem discuta a sabedoria do voto popular.

Imagine se Aécio Neves tivesse ganho a eleição: a primeira medida, como bem advertiu sua adversária Dilma Rousseff, seria elevar os juros. Na hora, o caro leitor pode ter certeza, obrigaria o Banco Central a aumentar os juros básicos de 11% para 11,25%, com aquela desculpa capenga de sempre: combater a inflação.

Dilma já dizia que o PSDB planta inflação para colher juros (e, claro, beneficiar os banqueiros).

E, por falar nessa gente, a equipe de Aécio já estaria caçando banqueiros para botar no governo. A equipe, não ele: como avisou o PT, Aécio é pouco afeito ao trabalho, e já teria viajado de férias com a família, de preferência gastando dinheiro público. Estava em campanha porque quis, para realizar seus sonhos pessoais, mas mesmo assim iria querer descansar por nossa conta, numa praia reservada só para ele e a prole, com a Marinha garantindo seu sossego. Eta, playboy!

Alguém tem de trabalhar, não é mesmo? Sua equipe estaria, nesse período, começando a desovar o saco de maldades. Imagine o que não faria com a tarifa de eletricidade! Dizem que seu plano era elevá-la em 54%, de um golpe só, usando Roraima como cobaia.

E, terminado o período de ócio no paraíso tropical estatizado, Aécio ficaria conchavando com um ex-presidente, já que sua preocupação nunca foi atender à população, mas ampliar o período do partido no poder.

O ex-presidente é meio idoso, mas de repente – pode ser. E qual será sua equipe? Oras! Já festejou, já descansou, está na mordomia, ainda querem que decida?

Herança maldita

Não se pode esquecer que o povo dele estaria escarafunchando documentos para botar a culpa de tudo no governo anterior. Seria capaz de dizer, por exemplo, que jamais as contas do governo federal estiveram em tão mau estado.

Só em setembro, o buraco é de R$ 20,4 bilhões (o pior resultado, antes, tinha sido um pequeno saldo positivo de R$ 3,9 bilhões).

Deve ser coisa de quem detesta o PT, Lula e Dilma – embora sejam dados oficiais, fornecidos pelo Tesouro.

Filosofando

Quem não conhece o passado está condenado a repeti-lo, dizia o pensador George Santayana.

O Brasil conhece o passado: Collor acusou Lula de querer confiscar a poupança, ganhou a eleição e quem a confiscou foi ele. A história acontece como tragédia e se repete como farsa, dizia o pensador Karl Marx. O Brasil vive o pior dos mundos: conhece o passado e o repete; e a farsa é trágica.

Coisa estranha 1

O PSDB, dias depois da eleição, pediu ao TSE uma auditoria especial dos resultados. No pedido, informou que não põe em dúvida a lisura da apuração nem o trabalho da Justiça Eleitoral. “Temos absoluta confiança de que o TSE cumpriu seu papel, garantindo a segurança do processo eleitoral.”

Se não há queixas quanto à apuração nem quanto à lisura do TSE, de que reclamam os tucanos?

(Foto: Dida Sampaio/AE)

Roseana Sarney: transparência, claro! — mas no governo dos outros (Foto: Dida Sampaio/AE)

Fim de feira

A governadora do Maranhão, Roseana Sarney, PMDB, que promete morar em Miami tão logo entregue o cargo, daqui a dois meses, enviou à Assembleia mensagem solicitando que seja aprovada uma Lei de Transparência.

Detalhe: valeria apenas para o próximo governo.

Transparência boa, só no governo dos outros.

30/10/2014

às 19:50 \ Política & Cia

O Banco Central aumenta os juros, preocupado com a marcha da inflação — aquela mesma que Dilma, na campanha, disse que estava “inteiramente sob controle”. Quem é que diz a verdade, afinal?

(Ilustração: american.org)

O símbolo quase universal da inflação, o dragão: ué, por que aumentar os juros se ela está “sob controle”, como diz Dilma (Ilustração: american.org)

A mesma inflação que a presidente Dilma reassegurou algumas dezenas de vezes estar “sob controle” ou “sob absoluto controle” — inclusive nos debates transmitidos pela TV– é vista de forma bem diferente pelo Banco Central, cujos diretores foram, todos, nomeados pela mesma Dilma.

Ao decidir, ontem, subir de 11% para 11,25% a taxa básica de juros da economia, a chamada taxa Selic, o Conselho de Política Monetária do BC (Copom) justificou a elevação assinalando que a alta recente do dólares, entre outros fatores, terá impacto nos preços pagos pelo consumidor e que subir os juros neste momento seria uma forma de garantir que a inflação seja mantida em níveis adequados nos próximos dois anos.

Na linguagem arrevezada, quase impenetrável, em que são redigidos seus comunicados, o BC afirmou:

“Para o comitê [o Copom], desde sua última reunião, entre os outros fatores, a intensificação dos ajustes de preços relativos na economia tornou o balanço de riscos para a inflação menos favorável”.

Em português claro, a correria pelo aumento de preços aumentou os riscos de a inflação continuar subindo.

Então, vem à tona a velha questão: qual Dilma fala a verdade? A Dilma da campanha, segundo a qual a inflação não constituía problema, ou a Dilma cujo BC eleva juros porque a inflação preocupa?

27/10/2014

às 20:25 \ Política & Cia

REYNALDO-BH: Para Dilma vencer, o povo foi levado a crer que precisava de alguém que lhes desse o que era – sempre foi – direito de cada brasileiro

Em junho de 2013, o gigante acordou. Nas eleições de 2014, ele voltou a dormir (Foto: Eduardo Biermann/VEJA)

Reynaldo-BH: “Em junho de 2013, o gigante acordou. Nas eleições de 2014, ele voltou a dormir” (Foto: Eduardo Biermann/VEJA)

Post do amigo e leitor Reynaldo-BH

POST DO LEITORExistem derrotas que são maiores que as vitórias. Hoje, 27 de outubro de 2014, é dia de celebrar uma destas.

Poucos – muito poucos – param para tentar entender o que seja DEMOCRACIA. Virou palavra vulgar, geralmente dita por ditadores ou por quem não tem respeito pelo conceito.

Democracia envolve o respeito ao Estado de Direito. Quem se importa em definir o que seja a raiz da cidadania (outro termo que está em desuso) e a sua importância?

Dilma Roussef está eleita. E eu, como democrata, me curvo a esta vontade popular. Pouco importa se os votos que obteve vieram de Minas, do Nordeste ou de onde for. Ela foi eleita por brasileiros.

Tenho ódio pelo resultado ou por ela? Sinceramente, não. “Ódio é um copo de veneno que você toma e se espera que o outro morra”.

Tenho medo? De novo, não. Já tenho idade para saber sobreviver. Sobrevivi a tempos em que a inflação era de 1.000% e que meu salário acabava uma semana após recebê-lo. Já visitei meu pai preso em um navio e em uma cidade – a última do Brasil – na fronteira com o Paraguai. Já vivi o exílio e a dor de perder parentes que ainda hoje estão desaparecidos. Já apostei na mudança que sonhava com o partido que hoje é um ajuntamento de bandidos, que serão – quem viver verá – presos nos próximos anos.

Qual o sentimento então? O da frustração. Como um Brasil goleado no Mineirão. Sempre acreditei que não foi o “time do Felipão” que foi goleada. Era previsível que a Seleção seria goleada. Se não fosse pela Alemanha, seria pela Holanda ou Argentina. Mas o ufanismo estéril vencia a cada jogo.

Não me julgava – nem julgo – senhor ou dono das verdades. Mas, as “verdades” de Dilma eram só delas. Acreditou-se que só ela – como uma salvadora caudilhesca – seria capaz de manter o mínimo de conquistas sociais. Que eram benesses.

O povo foi levado a crer que precisava de alguém que lhes desse o que era – sempre foi – direito de cada brasileiro. O mesmo povo que foi às ruas por R$ 0,20 no ano passado, voltou a adormecer e a acreditar mais em um partido que em si mesmo.

Esqueceu o passado. Não se lembrou de que tiramos do poder um presidente eleito, a pontapés.

Que derrubamos, nas ruas, uma ditadura.

Que exigimos que o Ministério Público não fosse amordaçado.

Que uma lei Maria da Penha existisse.

Que homofobia fosse crime.

Que os Estados e municípios gastassem somente o que arrecadassem e que no último ano de governo (prática normal desde sempre, até então) deixassem a conta para quem os sucederia (a Lei de Responsabilidade Fiscal, tão combatida – à época, pelo PT), que passamos um ano calculando quando valia uma URV (Unidade de Referência criada como estágio para a implantação definitiva do Real), que as greves não fossem criminalizadas, que as Forças Armadas fossem proibidas de se manifestarem politicamente (com a Constituição de 1988, que o PT assinou com RESSALVAS por escrito), que o primeiro embrião do Bolsa Família existente foi criado ao mesmo tempo pelo então governador do DF, Cristovão Buarque, e pelo falecido prefeito tucano de Campinas (SP), José Roberto Magalhães Teixeira, e pagava às famílias que mantinham filhos estudando, que o Vale Transporte fosse criado com a oposição dos donos e empresas de ônibus, que Bolsa Aimentação criasse a até hoje existente cesta básica, etc.

Quando Lula ganhou a eleição (a primeira), a inflação disparou de 5,6% para 12,%. O receio era que o que o PT havia prometido (congelamento de preços, fim do real recém-implantado, calote na dívida INTERNA, idem na externa, etc – que constavam do programa oficial) viesse a ser implantado.

FHC chamou os empresários e AFIRMOU que Lula JAMAIS faria nada daquilo. E pediu a Lula que ASSINASSE uma “CARTA AO POVO BRASILEIRO” onde se comprometia com as conquistas até então alcançadas.

A FIANÇA de FHC fez parar ade subir a inflação — que ele, hoje, é acusado de ter aumentado. Em uma época que se comprava um apartamento por mil alguma coisa (cruzeiro, cruzados, etc), NUNCA se sabia o valor da prestação ao fim do mês! E era comum DEVOLVER o bem comprado, pois após pagar uns 2.000 qualquer coisa, ainda – pela inflação – se devia outros 10.000!

Assim, não tenho ÓDIO nem MEDO. Eu já vivi. O que me DÓI – e sim, dói muito – foi e continuará a ser, a escolha pela ignorância. A falta de rebeldia. A preguiça em ler. O desprezo pela própria capacidade de avaliação. Dos jovens! Seria uma OFENSA a todos eles acreditar que uma leitura pudesse influenciar quem tem TODA uma vida pela frente. Que são sim – os jovens são NA essência mais puros e honestos! – o que se acostumou a dar o nome de futuro.
NADA do que se lia era levado em consideração, nunca como verdade, mas ao menos como instigação a se buscar a verdade.

A defesa do indefensável era (e é) pavorosa.

Se há um Pronatec, Prouni e Bolsa Família, são CONQUISTAS que DEVERIAM SER LEI.

Não são. SÃO DIREITOS que cabem NUNCA como dádiva, mas como reparação. As cotas raciais são somente uma PEQUENA parte da injustiça histórica de um país que foi um dos últimos a abolir a escravatura. A lei Maria da Penha, a respostas a um país em que matar mulheres (em nome abjeto da dita “honra”) foi por muito tempo, um crime impune. NADA NOS FOI DADO! TUDO CONQUISTADO! » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

27/10/2014

às 16:30 \ Política & Cia

NOVO GOVERNO DILMA: Petrorroubalheira devolve PT ao pesadelo do mensalão

(Foto: EFE)

Com a reeleição de Dilma, o PT vai tornar-se o primeiro partido a se manter no poder por 16 anos consecutivos, mas para Dilma será difícil, e sobretudo arriscado, jogar o que vem por aí para debaixo do tapete (Foto: EFE)

UM MANDATO INÉDITO

Artigo de Elio Gaspari publicado no jornal O Globo

elio gaspariOs eleitores deram ao PT um mandato inédito na história nacional. Um mesmo partido ficará no poder nacional por 16 anos sucessivos.

A doutora Dilma reelegeu-se num cenário de dificuldades econômicas e políticas igualmente inéditas. Lula recebeu de Fernando Henrique Cardoso um país onde se restabelecera o valor da moeda. Ela recebe dela mesma uma economia travada. Tendo percebido o tamanho da encrenca, em setembro anunciou a substituição do ministro Guido Mantega. Por quem, não disse. Para quê, muito menos.

A dificuldade política será maior. As petrorroubalheiras devolveram o PT ao pesadelo do mensalão. Em 2005, o comissariado se blindou e, desde então, fabrica teorias mistificadoras, como a do caixa dois, ou propostas diversionistas como a da necessidade de uma reforma política. Pode-se precisar de todas as reformas do mundo, mas o que resolve mesmo é a remessa dos ladrões para a cadeia.

O Supremo Tribunal Federal deu esse passo, formando a bancada da Papuda. Foi a presença de Marcos Valério na prisão que levou o ‘‘amigo Paulinho’’ a preferir a colaboração à omertà mafiosa.

Dilma teve uma atitude dissonante em relação às condenações do mensalão. Protegeu-se sob o manto do respeito constitucional às decisões do Judiciário. No debate da TV Globo, quando Aécio Neves perguntou-lhe se achou ‘‘adequada’’ a pena imposta ao comissário José Dirceu, tergiversou. Poderia ter seguido na mesma linha: decisão da Justiça não deve ser discutida. Emitiu um péssimo sinal para quem sabe que as petrorroubalheiras tomarão conta da agenda política por muito tempo.

Será muito difícil, e sobretudo arriscado, tentar jogar o que vem por aí para baixo do tapete. Ou a doutora parte para a faxina, cortando na carne, ou seu governo vai se transformar num amestrador de pulgas, de crise em crise, de vazamento em vazamento, até desembocar nas inevitáveis condenações.

O comissariado acreditou na mágica e tolerou o contubérnio do PT com o PP paranaense do deputado José Janene. A proteção dada aos mensaleiros amparou o doutor e ele patrocinou a indicação do ‘‘amigo Paulinho’’ para uma diretoria da Petrobras. Ligando-se ao operador Alberto Youssef, herdeiro dos contatos de Janene depois que ele morreu, juntaram-se aos petropetistas e a grandes empresas. O resultado está aí.

Em 2002, depois do debate da TV Globo, Lula foi para um restaurante do Rio e comemorou seu desempenho tomando de uma garrafa de vinho Romanée Conti que custava R$ 9.600. A conta ficou para Duda Mendonça, o marqueteiro da ocasião. Quem achou a cena esquisita pareceu um elitista que não queria dar a um ex-metalúrgico emergente o direito de tomar vinho caro. Duda confessou que fazia suas mágicas com o ervanário do mensalão.

Passaram-se 12 anos e os repórteres Cleo Guimarães e Marco Grillo mostraram que, na semana passada, Lula esteve no município de São Gonçalo, onde disse que ‘‘a elite brasileira não queria que pobre estudasse’’.

Seguiu da Baixada Fluminense para a Avenida Atlântica e hospedou-se no Copacabana Palace, subindo para a suíte 601, de 300 metros quadrados, com direito a mordomo. Outros sete apartamentos do hotel estavam reservados para sua comitiva., reescrito ou redistribuído sem autorização.

26/10/2014

às 11:00 \ Política & Cia

Quatro medidas do fracasso de Dilma na condução da economia

 

dilma-entregara-pais-pior-2010-20142

 

De VEJA.com

Quase quatro anos após o começo do mandato de Dilma Rousseff, o Brasil amarga índices econômicos muito piores quando comparados aos que ela encontrou no dia 1 de janeiro de 2011.

Durante o governo da petista, a dívida pública federal (soma da dívida pública interna e externa) passou de 1,7 trilhões de reais em dezembro de 2010 para 2,2 trilhões de reais em agosto de 2014, um crescimento de 31%.

Crescimento que não se repetiu nas ações da Petrobras. Após escândalos de corrupção e controle de preços, as ações que em 31 de dezembro de 2010 eram avaliadas em 27,29 reais, hoje (24 de outubro) giram em torno de 16,50 reais. Uma depreciação de 40%.

O dólar, cotado a 1,66 reais em 30 de dezembro de 2010, hoje (24 de outubro) vale cerca de 2,47 reais, o que representa uma desvalorização de 49% da moeda nacional.

Como se não bastasse, enquanto a inflação entre janeiro e dezembro de 2010 foi de 5,91%, o mesmo índice entre outubro de 2013 e setembro de 2014 foi de 6,75%.

Fontes: Banco Central, Tesouro Nacional e Thomson Reuters

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados