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Fernando Haddad

13/01/2015

às 19:00 \ Política & Cia

A “conversão” de Marta Suplicy em crítica do lulopetismo é o-por-tu-nista. Ela conviveu com as maracutaias do partido por longos anos, e agora se afasta dele porque quer ser candidata em São Paulo

(Fotos: Ayrton Vignola/AE)

Marta Suplicy em 2010, quando estava às boas com a presidente Dilma Rousseff — a ponto de lhe fazer o papel de copeira. Um tanto contrariada, é verdade, mas…  (Fotos: Ayrton Vignola/AE)

Muito interessante a senadora Marta Suplicy (PT-SP) começar, de repente, a atirar publicamente contra o governo Dilma e contra o próprio PT.

O fel começou a vir à tona quando Marta deixou o Ministério da Cultura, em novembro passado, em cerimônia gelada na qual mal falou com a presidente. Depois, com seu famoso texto no Facebook no finalzinho de dezembro, baixando o sarrafo em seu sucessor, Juca Ferreira. E, finalmente, mais que tudo, na explosiva entrevista que concedeu à jornalista Eliane Cantanhêde, na edição deste domingo do Estadão. (A íntegra está aqui).

Uma das cortantes frases de Marta foi a seguinte:

– Cada vez que abro um jornal, fico mais estarrecida com os desmandos do que no dia anterior. É esse o partido que ajudei a criar e fundar? Hoje, é um partido que sinto que não tenho mais nada a ver com suas estruturas.

Puxa, como demorou, não, senadora? O PT foi fundado há quase 35 anos, em 1980. Os casos de corrupção nas administrações municipais — inclusive maracutaias em capitais importantíssimas — já datam desta década. Foram denunciados nos primórdios do partido por gente como Paulo de Tarso Venceslau, que, longe de ser de “direita”, participou da luta armada durante a ditadura militar.

Denúncias de outras natureza e sérias questões éticas vieram à tona por iniciativa de outros fundadores, sejam de “esquerda”, como o hoje editor César Queiroz Benjamin, também antigo participantes da luta armada, sejam do campo liberal, como o jurista Hélio Bicudo, que se destacou pela coragem e integridade como promotor público em sua luta contra o Esquadrão da Morte durante o período militar, foi deputado, candidato ao Senado e vice-prefeito de São Paulo antes de desiludir-se, como os demais citados, com o partido de Lula.

Vamos supor, porém, que tais questões fossem pequenas, embora graves.

Mas o mensalão, senadora? O maior escândalo de corrupção política da história da República até o surgimento do petrolão já vai completar DEZ ANOS em agosto, dona Marta. DEZ anos. Onde ficaram seus protestos contra os chefões petistas acusados e, finalmente, condenados à cadeia?

(Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Marta, quando ministra, com o vice-presidente Michel Temer, chefão do PMDB: ida ara o partido pode ter um Chalita pela frente (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Oportunidades para fazer reparos aos condenados não faltaram, não é mesmo? Como os dois réveillons que o ex-tesoureiro do PT que terminou na Papuda, Delúbio Soares, passou com a senhora, marido e amigos no Guarujá, lembra?

Onde estavam suas críticas quando estourou o escândalo Rosemary Noronha, a amigona de Lula — este mesmo que a senhora erigiu em “Deus” –, responsável pela transformação do escritório da Presidência em São Paulo em balcão de negócios?

De que lado a senhora esteve durante as várias tentativas de gente de seu partido de calar a boca da imprensa?

Quando foi que a senhora se posicionou contra a política externa de vassalagem a Cuba, Venezuela, Irã e outros regimes párias?

Não ouvimos seus reparos à barbaridade em que se constituiu a concessão de asilo político ao terrorista e assassino Cesare Battisti, julgado e condenado por todas as instâncias pelo Judiciário italiano, mas tratado pelo governo lulopetista como um “perseguido político”, como se a Itália de democracia exemplar fosse uma ditadura?

Agora, num passe de mágica, a senadora quer se dissociar de tudo isso. Como, porém, acreditar que isso se deva a convicções, e não por oportunismo?

Na entrevista à excelente Eliane Cantanhêde, ela própria acabou, talvez, dizendo mais do que pretendia, quando desabafou, a certa altura, entregando suas prováveis razões:

– Se for analisar friamente, é um partido no qual estou há muito tempo alijada e cerceada, impossibilitada de disputar e exercer cargos para os quais estou habilitada.

Ah! Chegamos ao ponto… A braveza da senadora pode estar todinha abrigada aqui. Ela quer espaço no partido, quer concorrer à Prefeitura no ano que vem — e o problema não está em que seu “Deus”, acima de partidos e convenções, já decidiu que o prefeito Fernando Haddad será o candidato do PT.

O problema é que Marta aprendeu com as eleições do ano passado que o PT não tem futuro em São Paulo. O massacre sofrido por Dilma no pleito presidencial diante do tucano Aécio Neves — que teve dois terços dos votos do eleitorado mais numeroso do país –, e a espetacular vitória em primeiro turno do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que venceu em 644 dos 645 município do Estado, deixando em um distante terceiro lugar o petista Alexandre Padilha, tornaram evidente, para a senadora, que com uma estrela vermelha no peito ela não chegará a lugar algum.

Eis aí, então, a razão de seu desencanto com o PT e do namoro com o PMDB. Se Lula conseguir emplacar o novo secretário municipal de Educação paulistano, Gabriel Chalita, como candidato do partido mais fisiológico do Brasil, gente perto de Marta assopra que ela poderá até ir para o Solidariedade, partido fundado pelo sindicalista e oportunista profissional Paulinho da Força.

Convicção ideológica é isso aí.

02/01/2015

às 17:34 \ Política & Cia

SÃO PAULO: Candidato à reeleição no ano que vem e com baixos índices de aprovação, o prefeito Haddad (PT) demora muito para socorrer a cidade no pós-vendaval. E o motivo é a folga de fim de ano de funcionários…

Haddad (dir.) com o governador tucano Geraldo Alckmin, na assinatura de um convênio autorizando quase 4 mil policiais militares a prestarem serviços remunerados à Prefeitura em horários de folga: o prefeito enfrentará o poderio do PSDB em sua tentativa de reeleição (Foto: Silva Junior/Folhapress)

Haddad (dir.) com o governador tucano Geraldo Alckmin, na assinatura de um convênio autorizando policiais militares a prestarem serviços remunerados à Prefeitura em horários de folga: o prefeito enfrentará o poderio do PSDB em sua tentativa de reeleição. Neste pós-vendaval, porém, não parece particularmente preocupado em agradar aos eleitores  (Foto: Silva Junior/Folhapress)

Nasci em São Paulo, criei-me no Paraná e, sempre seguindo os passos paternos, como o restante da família, morei, me formei e me tornei jornalista em Brasília, antes de tornar à terra natal, há longos 45 anos.

Ao longo de todos esses 45 anos, jamais vi a maior cidade do Brasil demorar tanto a se recuperar de uma situação de emergência como está acontecendo nestes dias posteriores ao vendaval de domingo passado, dia 28, quando a capital perdeu cerca de 500 árvores de grande porte, teve parte considerável de sua rede elétrica atingida, sofreu com a piora do trânsito e, por alguns períodos, chegou perto do colapso.

O prefeito Fernando Haddad (PT), abatido por baixíssimos índices de aprovação, é candidato à reeleição no ano que vem, quando deverá enfrentar a poderosa máquina do PSDB paulista, que está há 20 anos no governo estadual e conferiu ao presidenciável tucano Aécio Neves, em outubro passado, inéditos dois terços do total de votos válidos — na capital e no Estado.

A gestão que o prefeito confere à atual situação, porém, leva a crer que ele não está nem um pouco preocupado com isso — e me refiro apenas ao aspecto eleitoral para não me arriscar a cometer uma eventual injustiça imaginando que ele não se aflija preocupe com a situação dos paulistanos.

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Quedas de grandes árvores ou de grandes galhos de árvore, como este caso na Avenida República do Líbano, junto ao Parque do Ibirapuera, prejudicaram o trânsito e danificaram a rede elétrica. Esta árvore, especificamente, já foi retirada. Muitas outras ainda não (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

O fato, porém, é que a cidade, cinco dias depois do vendaval que atingiu quase 100 quilômetros por hora, exibe por toda parte ferimentos ainda não tratados: árvores caídas, troncos já serrados e montanhas de galhos e folhas que continuam amontoados em calçadas, semáforos (encargo da municipal Companhia de Engenharia de Trânsito) sem funcionar em cruzamentos absolutamente vitais — a bênção é o tráfego irrisório resultado do feriadão que boa parte da população fez por conta própria, ignorando ser hoje, sexta-feira, um dia útil.

O espantoso em tudo isso é a explicação oficial oferecida pela Prefeitura: há menos mão de obra disponível, devido às folgas de fim de ano de parte dos funcionários das Subprefeituras encarregados desse tipo de serviço.

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Esta árvore tombou cruzamento muito movimentado, o das ruas Cubatão e Eça de Queiroz, no bairro do Paraíso (Foto: Felipe Rau/Estadão Conteúdo)

É verdade! A maior cidade da América do Sul se dá ao luxo de conceder folga a grandes contingentes de trabalhadores que têm entre as principais funções, justamente, a de atuar em emergências — como é o caso. Fico imaginando se se tratasse de uma colossal inundação.

O incansável Corpo de Bombeiros, corporação ligada à Polícia Militar do Estado, atuou, como sempre, com rapidez e bravura enquanto se fez necessário, mas enfrenta limites legais: não pode remover árvores, limpar bueiros entupidos e por aí vai.

Diga-se a bem da verdade que a Eletropaulo, concessionária dos serviços de distribuição de eletricidade de São Paulo e braço da multinacional norte-americana AES, exibe comportamento igual ou similar ao da Prefeitura diante da multidão de problemas causados pelo temporal: parte da iluminação pública da cidade AINDA não voltou, muitos semáforos importantes estão sem energia, há ainda hoje bairros às escuras.

Só que os anônimos burocratas que tocam a empresa não são candidatos a nada, exceto, eventualmente, a um cortezinho de bônus no final do ano. Já Haddad…

15/10/2014

às 18:09 \ Política & Cia

OS BASTIDORES DO DEBATE DA BAND: tensão, piadas, Lula vestido de azul e…’fabulando?’

(Fotos: Ivan Pacheco/VEJA.com)

Durante os intervalos do debate, Dilma e Aécio trocam impressões com seu pessoal da área de comunicação (Fotos: Ivan Pacheco/VEJA.com)

Confiram algumas reações de partidários de Dilma e Aécio Neves nos estúdios da Band

Por Talita Fernandes, Mariana Zylberkan e Bela Megale, de São Paulo, para VEJA.com

Beagá – A propaganda eleitoral da presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) nunca escondeu que a busca pelo voto mineiro e a desconstrução das gestões de Aécio Neves (PSDB) no Estado são o grande alvo da campanha até as urnas, no dia 26.

Mas até petistas reconheceram que, ao martelar Minas no centro do debate, Dilma abriu a guarda para o tiro: Aécio afirmou que a petista está mais preocupada – e visitou mais Minas Gerais na campanha – com o Estado do que nas últimas décadas.

Tutu – O vice de Aécio, senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), cutucou: “Parece que ela está querendo ser governadora de Minas”.

No stress – Conhecido pelo seu temperamento explosivo, Aloysio Nunes Ferreira brincou com colegas na plateia antes do início do debate: “Já tomei meu Rivotril!”

Transitivo direto – O “fabulando” usado por Dilma quatro vezes para dizer que Aécio estaria remontando fatos surpreendeu a plateia no estúdio e até marqueteiros de plantão. “Fabulando?”, questionou um petista na plateia.

Confusa – Tucanos comemoraram quando Aécio cutucou a petista na pergunta sobre taxas de homicídios em Minas: “Apesar de confusa, vou tentar responder sua pergunta…”

Visual - Celso Kamura, cabeleireiro de Dilma Rousseff, disse que a petista está com as madeixas mais escuras. Ela deixou de fazer luzes porque seu cabelo estava ficando muito ressecado, contou.

Turbulência – Tucanos concordaram que o momento mais tenso para Aécio foi quando Dilma voltou a falar da construção do aeroporto na minúscula cidade mineira de Cláudio. A avaliação é que ele terá de responder sobre o tema nos próximos três debates.

Corujão – Cansado, o presidente do PT, Rui Falcão, comemorou quando o diretor de Jornalismo da Band, Fernando Mitre, anunciou que o debate acabaria antes da meia-noite. “Não durmo no avião, só jogo paciência para esquecer que estou lá no alto”.

Para o PT ver – O prefeito de São Paulo Fernando Haddad, com Aloizio Mercadante à frente, comemorou quando Dilma soltou a frase repetida sobre a nomeação prévia de Armínio Fraga como eventual ministro da Fazenda de Aécio: “Muito bom, hein?”, festejou Haddad.

Rodízio - O número elevado de convidados para o debate desta terça fez com que o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman tivesse de ceder sua credencial de acesso ao estúdio para o senador Agripino Maia (DEM – RN), coordenador da campanha de Aécio.

Cabos eleitorais - Animado com a possibilidade de vitória de Aécio, o sindicalista e deputado Paulinho da Força (SD-SP) ironizou o impacto que os escândalos da Petrobras podem ter na corrida presidencial. “Antes nós tínhamos um cabo eleitoral, o Haddad, agora nós temos três, com o Paulo Roberto Costa e o Alberto Youssef.”

Censura amiga - Wellington Dias, eleito governador do Piauí, brincou que a proibição de perguntas de jornalistas aos candidatos nos debates é uma forma de “censura”. Desavisado, ele não sabia que essa decisão partiu de seu próprio partido, o PT.

Azul ou vermelho? - Enquanto esperavam os candidatos chegarem à TV Bandeirantes, o deputado federal Bruno Araújo (PSDB-PE) e o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman assistiam na TV ao horário eleitoral. “Olha o Lula usando azul”, brincou Araújo, insinuando que o petista vestia a cor do partido tucano. “A chance deles agora é abolir o vermelho”, respondeu Goldman.

Programa eleitoral 2 - Araújo comentava indignado com os pernambucanos João Lyra Neto (PSB), governador de Pernambuco, e o prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), que o PT mostrou a transposição do São Francisco no horário eleitoral.

As obras estão atrasadas e o governo federal resolveu testar, mesmo assim, o projeto. “Eles abriram a torneira só para ir lá e filmar”. O comentário do parlamentar aconteceu depois de pernambucanos enviarem mensagens para ele por WhatsApp.

08/10/2014

às 12:00 \ Disseram

Oportunidade de mudar

“Não existem obstáculos insuperáveis. Temos de dar cada vez mais para o paulistano as condições de ele repensar os seus hábitos, a sua mobilidade.”

Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, ao defender as polêmicas ciclovias instaladas por toda a cidade em seu mandato

01/10/2014

às 15:35 \ Política & Cia

ELEIÇÕES SP: O debate que você não viu: homofobia, mensalão e a reação das famílias dos candidatos

Os candidatos ao governo de São Paulo: Geraldo Alckmin (PSDB), terceiro da esquerda para a direita,  Paulo Skaf (PMDB), segundo da direita para a esquerda, e Alexandre Padilha (PT), último da direita (Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

Os candidatos ao governo de São Paulo no debate da TV Globo: Geraldo Alckmin (PSDB), terceiro da esquerda para a direita, Paulo Skaf (PMDB), segundo da direita para a esquerda, e Alexandre Padilha (PT), último da direita (Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

Por Bruna Fasano e Andressa Lelli, de São Paulo, para VEJA.com

Mensalão – Alexandre Padilha (PT) e Laércio Benko (PHS) travaram o bate-boca mais quente do debate. Apoiador de Marina Silva, o nanico questionou Padilha sobre os ataques do PT à presidenciável do PSB e disse que muitos petistas mudaram de lado: “Muitos estão por trás das grades”, disse, referindo-se aos condenados no escândalo do mensalão. A ala tucana na plateia caiu em risadas. Padilha cobrou respeito: “Por mais de dez anos passei pelas áreas mais complexas e nunca fui acusado de nada. Marina é quem muda de posição a cada dia.”

Sofá de casa – Todos os candidatos ao Palácio dos Bandeirantes levaram a família para assistir ao debate promovido na TV Globo, o último no primeiro turno. O campeão de acompanhantes foi Paulo Skaf (PMDB), que levou quatro filhos. O governador Geraldo Alckmin (PSDB), que concorre à reeleição, levou a esposa, Lu Alckmin, dois filhos e as duas noras. Postaram selfies e fotos no Instagram.

Cegonha – Mulher de Alexandre Padilha, a jornalista Thássia Alves deixou o estúdio duas vezes para ir ao banheiro durante o debate. Thássia está grávida de quatro meses do primeiro filho do casal e diz que fará o pré-natal e o parto pelo SUS.

Não foi desta vez – O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), que acompanha o debate no estúdio, reconheceu que a eleição para o governo do Estado de São Paulo está morna. “Eu tenho impressão de que as pessoas começaram a prestar atenção na eleição estadual agora, que estava muito apagada. Os problemas estaduais são muito graves”, afirmou. O candidato do partido de Haddad, Padilha, ainda não conseguiu sair da casa dos 9% das intenções de voto. Faltam apenas quatro dias para as eleições.

Meu bem, volto já – Haddad deixou o estúdio da TV Globo no fim do segundo bloco e não foi mais visto. O relógio marcava 23h45.

Asseclas – Tanto petistas quando tucanos reuniram também as principais lideranças dos partidos para o debate. Na plateia, na primeira fila, torcendo por Padilha, estava o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, o senador Eduardo Suplicy e presidente estadual do PT, Emídio de Souza. No lado oposto, os apoiadores de Alckmin: o deputado José Aníbal e o presidente estadual dos PSDB, Duarte Nogueira.

Guarda-roupa – O petista Alexandre Padilha e o tucano Geraldo Alckmin sincronizaram a escolha do visual. Ambos vestiram terno escuro, camisa branca e gravata vermelha.

Sincronizados – Apenas um minuto de diferença separou a chegada de Skaf e de Alckmin. O carro blindado do peemedebista cruzou os portões da emissora às 21h36. O de Alckmin, às 21h37.

Repeteco – Na troca de perguntas entre Gilberto Natalini (PV) e Gilberto Maringoni (PSOL), o verde ironizou a formação da dupla, que se repetiu quase em todos os debates anteriores: “Ah, que bom! Vou perguntar para o meu xará”.

Bateu no Aerotrem – O nanico Gilberto Maringoni (PSOL) usou parte do tempo de uma resposta sobre Transportes para criticar a fala homofóbica do candidato à Presidência Levy Fidelix (PRTB), durante debate da TV Record no domingo. Visivelmente constrangido e sem saber como abordar o assunto, o verde Gilberto Natalini, a quem caberia a réplica, preferiu não entrar na questão e voltou a discutir a mobilidade urbana.

Futuro – O candidato do PHS, vereador Laércio Benko, perguntou a Skaf sua opinião sobre reeleição. O peemedebista deu a entender que, se reeleito, o governador Geraldo Alckmin não completaria seu mandato, já de olho nas eleições presidenciais de 2018. Mas saiu pela tangente, uma vez que seu partido, o PMDB, apoia a reeleição de Dilma. Na réplica, Benko escorregou e disse: “sou contra a eleição de deputados”.

Conectado – O marqueteiro Duda Mendonça, responsável pela campanha de Skaf, acompanhou todo o debate sem tirar os olhos do celular. Ele conversava com várias pessoas ao mesmo tempo pelo WhatsApp.

28/09/2014

às 14:00 \ Política & Cia

ELEIÇÃO EM SÃO PAULO: Por que o “poste” que Lula inventou como candidato não emplacou — e continua atolado em um dígito das preferências do eleitorado

Lula com o candidato que inventou para o PT tentar chegar ao Palácio dos Bandeirantes. Alexandre Padilha, porém, não emplacou, e sua luta agora é sair de um dígito nas preferências do eleitorado (Foto: Felipe Cotrim/VEJA.com)

Lula com o candidato que inventou para o PT tentar chegar ao Palácio dos Bandeirantes. Alexandre Padilha (dir.), porém, não emplacou, e sua luta agora é sair de um dígito nas preferências do eleitorado (Foto: Felipe Cotrim/VEJA.com)

Campanha errática do neófito Alexandre Padilha pode repetir o desastroso desempenho do PT em 1990, o pior do partido até hoje no Estado: os 9,5% de votos obtidos por Plínio de Arruda Sampaio

Por Felipe Frazão, para VEJA.com

A menos que a eleição para o governo de São Paulo produza uma reviravolta histórica, o Partido dos Trabalhadores não chegará ao segundo turno – isso se houver segundo turno.

Segundo as pesquisas eleitorais, o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, lançado na disputa como o “terceiro poste” do ex-presidente Lula — os outros foram a presidente Dilma, eleita em 2010, e o prefeito da capital, Fernando Haddad, em 2012 –, deve fracassar na tentativa de conquistar o eleitorado paulista e realizar a maior obsessão de seu padrinho político: desalojar o PSDB do Palácio dos Bandeirantes depois de quase duas décadas.

Após três meses de campanha, Padilha não conseguiu sequer atingir dois dígitos nas pesquisas. Contra o desempenho do PT, que nas eleições recentes amealhou 30% dos votos, o ex-ministro chega à última semana com 9%, segundo o Datafolha.

Se o prognóstico se confirmar nas urnas, o percentual representa apenas um quarto dos 35,21% dos votos atingidos em 2010 pelo ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil), candidato do PT com o melhor desempenho até hoje, mas derrotado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) no primeiro turno. Há doze anos (três eleições seguidas), o PT consegue mais de 30% dos votos no Estado.

Se permanecer abaixo dos dois dígitos, Padilha repetirá um resultado que o PT paulista não amarga desde 1990, quando o ex-deputado Plínio de Arruda Sampaio (morto em julho deste ano) teve o pior desempenho de um candidato petista, com 9,55% dos votos válidos.

Leiam também: Datafolha em SP: a uma semana da eleição, Alckmin seria reeleito
Em debate, Padilha e Skaf tentam ataque casado contra Alckmin

Dirigentes do PT admitem: eleição está perdida

Apesar de admitir reservadamente que a eleição está perdida, dirigentes do PT paulista ainda com alguma dose de otimismo apostam que Padilha conseguirá chegar a pelo menos 15% dos votos até o próximo domingo. As pesquisas internas são mais modestas: indicam 11%, resultado próximo ao obtido pelo mensaleiro José Dirceu, quando foi candidato ao Palácio dos Bandeirantes há vinte anos.

Padilha também entra na reta final fustigado por um novo escândalo em sua gestão no Ministério da Saúde. A Polícia Federal deflagrou na quinta-feira uma operação contra locadoras de veículos da Bahia que fraudaram uma licitação da Secretaria Especial da Saúde Indígena – as apurações apontam para a atuação de uma consultora do ministério que falava em nome de Padilha e teria cobrado propina de 15% em contratos superfaturados em 6,5 milhões de reais.

O petista negou envolvimento e disse que ele mesmo pediu as investigações após verificar o sobrepreço no serviço. Ainda que nada tenha sido provado, o desgaste é inevitável para quem já havia sido alvejado pela PF na Operação Lava Jato, que descobriu as gestões do ex-petista André Vargas no ministério durante a gestão de Padilha, em prol de um convênio com um laboratório Labogen, ligado ao doleiro Alberto Youssef.

Em uma das mensagens interceptadas, Vargas citou a indicação de um funcionário por Padilha – o que o ex-ministro nega. Além dos casos em âmbito nacional, Padilha viu seu discurso de combate ao crime organizado ser fragilizado pela descoberta de que o deputado estadual e ex-presidiário Luiz Moura (PT) havia sido flagrado em uma reunião na qual também estavam dezoito criminosos do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Expulso do partido e impedido de concorrer à reeleição, o deputado-bomba chegou a anular temporariamente na Justiça a candidatura de Padilha e de todos os candidatos do partido em São Paulo.

Campanha fracassada é planejada desde 2013

Desenhada por Lula, a campanha de Padilha começou a ser planejada em 2013, embora ainda em 2012 ele já sinalizasse que poderia despontar no partido, dada a sua dedicação em acompanhar as eleições municipais no Estado.

O PT elegeu para a presidência do Diretório Estadual o ex-prefeito de Osasco Emídio de Souza, que montou ampla base de partidos aliados e rendeu três vitórias seguidas ao PT na cidade da região metropolitana de São Paulo. Ex-coordenador da campanha de Mercadante, Emídio assumiu a mesma função com Padilha, com uma tarefa: popularizar o candidato no PT no interior do Estado – região mais refratária ao partido e simpática ao PSDB – e quebrar a base de apoio de Alckmin, atraindo para a coligação de Padilha partidos à direta do PT no espectro político brasileiro e que apoiavam, ao mesmo tempo, o governo Dilma Rousseff.

As duas principais metas traçadas pelo ex-presidente, porém, não foram atingidas. Padilha tem a menor coligação entre os três principais candidatos, ao lado apenas do PR e do PCdoB.

 

 

(Foto: Michel Filho/O Globo)

O apoio de Maluf ao candidato do PT: “foi a pior coisa possível, ficamos só com a foto”, admite um estrategista da campanha petista (Foto: Michel Filho/O Globo)

A adesão de Maluf 

Em junho, na última semana para formalizar as alianças, Padilha viu o PSD, do ex-prefeito Gilberto Kassab, e o PP, do deputado Paulo Maluf — alguém que o PT passou três décadas combatendo –, aderirem ao candidato do PMDB, Paulo Skaf. Padilha já tinha passado pelo desgaste público de anunciar, com fotos e abraços, uma aliança do PT com Maluf, que teria barrada sua nova candidatura à Câmara dos Deputados neste mês pela Lei da Filha Limpa.

“Foi a pior coisa possível, ficamos só com a foto do Maluf”, admitiu reservadamente um estrategista da campanha petista.

Ex-presidente da Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Skaf acumulava recall da eleição anterior e, com ampla exposição na TV em comerciais da entidade, já despontava como segundo colocado. O peemedebista também conseguiu apoio formal do Pros e do PDT, ambos da base governista – o que frustrou a estratégia recomendada por Lula. O site de VEJA apurou que um deputado estadual do PT chegou a sugerir pessoalmente a Padilha que ele “renunciasse e apoiasse Skaf no primeiro turno” – a aliança é tácita caso haja segundo turno entre Alckmin e Skaf.

Coube ao próprio Lula advertir, no início de setembro, que o candidato do PMDB estava “fazendo a campanha que o PT deveria fazer”. “Como se explica numa fábrica que eu vi o Skaf estar na frente do Padilha? No meu tempo, era impensável imaginar um peão votar no seu empregador”, reclamou Lula em reunião pública do partido. “Não tem explicação. Só pode ser falta de conhecimento e de motivação.”

Leia também: Para Alckmin não vencer em 1º turno, Padilha torce por Skaf

Quem é ele?

Dados de pesquisas internas encomendadas pelo PT indicam que Padilha ainda é um total desconhecido de 70% dos eleitores de São Paulo – a mesma taxa de seis meses atrás. O “desconhecimento” de Padilha, aliás, tornou-se a principal justificativa do partido para o iminente fracasso de um candidato estreante, que seguia a cartilha dos “postes”.

Saiu do governo federal com um programa para exibir como bandeira, o Mais Médicos, que espalhou em um ano 14.462 médicos generalistas por 3.771 municípios do país – capilaridade de 68% das prefeituras, atingida por meio de uma parceria destinada a repassar dinheiro para a ditatura cubana.

O programa, porém, foi apenas tema de propagandas no horário eleitoral na TV, sem grande repercussão a favor ou contra Padilha, ainda que São Paulo tenha recebido o maior contingente – 2.187 profissionais. A suposta desatenção de sete em cada dez eleitores, porém, não impediu que a rejeição de Padilha batesse a casa de 36% na última pesquisa Datafolha.

Segundo aliados, também faltou ao candidato uma articulação fina com o comitê de Dilma em São Paulo. A primeira evidência ocorreu em junho, quando a presidente faltou à Convenção Estadual que homologou a candidatura de Padilha. Alegando estar gripada, Dilma só gravou de última hora uma mensagem em vídeo exibida nos telões do Ginásio do Canindé.

Padilha cumpriu agenda distinta – e distante – da presidente em pelo menos mais quatro atos de grande exposição de Dilma no Estado: caminhada em Campinas e em São Bernardo do Campo, visita à Assembleia de Deus Ministério do Brás e um comício em Jales (promovido pelo PMDB com a presença de Skaf). Em outros três encontros de Dilma – com centrais sindicais, mulheres e taxistas –, Padilha compareceu, mas não teve destaque no palanque.

O Palácio do Planalto hesitou em privilegiar a campanha do petista, já que a presidente dizia ter “dois candidatos” na disputa paulista (Padilha e Skaf), o que considerava uma fórmula para derrotar o tucanato. Mas Skaf evitou se associar a Dilma por causa da rejeição da presidente, que chegou a 47% entre o eleitorado paulista. Só nesta semana, Dilma apareceu em depoimentos do programa de TV de Padilha – e defendendo investimentos do governo federal no Estado.

Falta de dinheiro

Coordenador da campanha de Dilma no Estado, o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), reconheceu mais um complicador na campanha estadual: a falta de dinheiro, que represou a produção de material de campanha, como cavaletes, bandeiras e adesivos. Uma das críticas é que Padilha gastou demais na fase da pré-campanha, quando percorreu 126 cidades no interior, de ônibus e avião.

Além da ínfima repercussão, o candidato e o PT acabaram multados em 50.000 reais por propaganda antecipada com as caravanas. Os gastos com a empresa Sales Táxi Aéreo durante a campanha, mais um item de valor elevado, ainda não foram declarados, correspondentes aos voos num bimotor turbohélice King Air B200, para oito passageiros. “A escassez de recursos, como nunca visto em campanha eleitoral, fez com que o nível de campanha de Padilha, a intensidade, fosse muito sofrível no começo”, disse Marinho na semana passada.

Segundo dados da Justiça Eleitoral, Padilha arrecadou 4,1 milhões de reais, mas gastou 35 milhões de reais – um rombo de 30,9 milhões de reais numa conta parcial até agosto. No mês passado, as equipes de comunicação e marketing, que consumiram cerca de 27 milhões de reais do borderô de campanha, chegaram a ser temporariamente reduzidas por causa de atrasos nos pagamentos.

Padilha investiu pesado em transmissões na internet ao vivo das agendas de campanha, o que demandou uma equipe paralela dedicada a web e redes sociais. Como ficou empacado no terceiro lugar e com previsão de arrecadação baixa em setembro, o comitê passou a concentrar a campanha nos maiores colégios eleitorais, ou seja, nas regiões metropolitanas da capital paulista, de Campinas e da Baixada Santista, onde o PT costuma obter melhor desempenho nas urnas.

A coordenação pediu empenho total até ao senador Eduardo Suplicy, que se tornou um fiel acompanhante de Padilha, a ponto de protagonizar uma cena símbolo da campanha: carregou o ex-ministro nas costas durante uma caminhada.

A estratégia de priorizar os grandes centros urbanos também visa a dar a Padilha uma identidade maior com o eleitorado que passou a votar no PT a partir da primeira eleição de Lula – aqueles 30% de votos válidos dos paulistas. Nas últimas semanas, Padilha endureceu o discurso e buscou polarizar com Alckmin – estratégia usada desde o início da campanha por Skaf.

Com jeito bonachão, fala mansa e ainda sem muita familiaridade com as câmeras, Padilha começou a campanha com um discurso que soou tímido e tentava atrair eleitores mais conservadores: foi apresentado como “bom moço” e “esperança da família”. O estilo levou Lula a taxá-lo como o petista com mais “cara de tucano”.

Ele fez questão de exacerbar a religiosidade, citando Deus e a Bíblia na TV e em entrevistas. Sempre apareceu em público ao lado da mulher, a jornalista e ex-assessora de imprensa Thássia Alves, o que provocou uma série de críticas no comitê, principalmente dos deputados que buscavam aparecer ao lado dele. Os políticos reclamavam que a candidata a primeira-dama aparecia demais e dispersava a atenção ao candidato.

Thássia se afastou dos palanques ao longo da campanha. Na quarta-feira, o ex-presidente Lula mostrou que a reclamação chegou até seus ouvidos, e que o desconhecimento de Padilha, de fato, ainda preocupa. Durante comício em Guarulhos, na Grande São Paulo, orientou cabos eleitorais e militantes petistas para a ordem de votação nas urnas no dia 5 de outubro e pediu que confirmassem o voto só quando reconhecessem o rosto de Padilha: “Olhem a cara dele para vocês não esquecerem. A mulher dele não vai aparecer junto, é só ele”.

Âncora

O fraco desempenho surpreende também porque ele sempre se mostrou à vontade entre militantes, andando nas ruas, pulando e cantando gritos e saudações típicas do partido durante caminhadas com juventude. O jeito “boa praça” agradou os militantes, mas não emplacou na TV.

O prefeito Fernando Haddad, que não tinha a mesma desenvoltura entre cabos eleitorais e militantes nas eleições de 2012, apresentou um discurso mais claro e objetivo, contrapondo-se como um candidato “novo” contra o tucano José Serra e o fenômeno Celso Russomanno (PRB).

Pouco adepto a reuniões partidárias, Haddad demorou a aderir à campanha de Padilha porque durante a maior parte do pleito ostentou baixíssima popularidade: chegou a ser aprovado por apenas 15% dos paulistanos, e sua gestão, reprovada por 47%. Depois de ter sido cobrado por Lula, Haddad apareceu na TV pela primeira vez nesta semana pedindo votos para a chapa de deputados do PT.

A entrada de Haddad na campanha coincide com sua recuperação de popularidade, agora na casa dos 22%. A reprovação de sua administração diminuiu para 28% após a inauguração de ciclovias na cidade. A campanha de Padilha também mandou rodar um panfleto distribuído nas ruas com promessas de campanha de Haddad já atingidas – ainda que nem todas tenham sido de fato cumpridas como aparece no panfleto. A assinatura é da coligação PT-PCdoB-PR, embora não atenda as exigências da Lei Eleitoral: não há CNPJ registrado, tampouco a tiragem.

Para o PT, a cara campanha de Padilha – ao menos 35 milhões de reais declarados à Justiça Eleitoral até agora – serviu apenas para tirar Haddad do buraco.

21/09/2014

às 19:40 \ Política & Cia

CARLOS BRICKMANN — Boa notícia: quem é assaltado deixou de ser criminoso e passou a ser vítima. E gente do PT e da Prefeitura petista de SP (paga pelos cofres públicos) investindo contra a Polícia Militar, que cumpria ordem judicial. E por aí vai a nossa aquarela tropical…

(Foto: Evaristo Sá/AFP)

Coisas que só acontecem no Brasil: badernaços nos grandes centros, criminalização de vítimas e privilégios para líderes do governo (Foto: Evaristo Sá/AFP)

AQUARELA TROPICAL

Notas da coluna de Carlos Brickmann publicadas neste domingo em diversos jornais

Se só existe no Brasil, e não é jabuticaba, é preciso tomar cuidado.

José Peixoto Filho e seu pai José Peixoto, 76 anos, foram assaltados a mão armada em Cascavel, Paraná. Reagiram e mataram os dois assaltantes. Peixoto Filho, ferido, foi preso e hospitalizado. Peixoto pai foi preso, passou a noite na cadeia e um juiz teve de soltá-lo. O juiz também suspendeu a prisão do filho. Uma boa notícia: quem é assaltado deixou de ser criminoso e voltou a ser vítima.

Os líderes do grupo de sem-teto que atacou a Polícia Militar, em São Paulo, para impedi-la de cumprir uma ordem judicial de reintegração de posse, levando a tumultos e incêndio de ônibus, são Ricardo Bonfim, da liderança do PT na Assembléia paulista, Osmar Silva Borges e Vera Eunice, ambos da Cohab, da Prefeitura paulistana, todos pagos com dinheiro público. O prefeito é Fernando Haddad, do PT.

O caro leitor consegue enviar qualquer coisa pelo Correio sem selo ou autenticação mecânica do pagamento? Não? Então não conhece as pessoas certas.

Por ordem da Diretoria Regional Metropolitana de São Paulo, chefiada por Wilson Abadio de Oliveira, ligado a Michel Temer, PMDB, vice de Dilma e candidato à reeleição, os Correios estão enviando, “em caráter excepcional”, pouco menos de cinco milhões de panfletos da chapa Dilma-Temer.

A norma exige chancela em cada panfleto, com nome e CNPJ do candidato e o ano da eleição – e o objetivo é atestar que o envio foi devidamente pago. Mas comprovar o pagamento é para os fracos.

Quem conhece gente certa faz como gosta, do jeito que quer. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

10/09/2014

às 16:37 \ Política & Cia

MARCO ANTONIO VILLA: “Lula, com seu estilo peculiar de fazer política, por onde passou deixou um rastro de destruição”

(Foto: Hugo Koyama)

Lula, em sua época sindicalista: “ele acabou sufocando a emergência de autênticas lideranças”, diz o historiador Marco Antonio Villa (Foto: Hugo Koyama)

O SILÊNCIO DE LULA

Artigo publicado no jornal O Globo

Marco-Antonio-Villa-veja.abril_.com_.br_-300x168Na história republicana brasileira, não houve político mais influente do que Luiz Inácio Lula da Silva. Sua exitosa carreira percorreu o regime militar, passando da distensão à abertura. Esteve presente na Campanha das Diretas. Negou apoio a Tancredo Neves, que sepultou o regime militar, e participou, desde 1989, de todas as campanhas presidenciais.

Quando, no futuro, um pesquisador se debruçar sobre a história política do Brasil dos últimos 40 anos, lá encontrará como participante mais ativo o ex-presidente Lula. E poderá ter a difícil tarefa de explicar as razões desta presença, seu significado histórico e de como o país perdeu lideranças políticas sem conseguir renová-las.

Lula, com seu estilo peculiar de fazer política, por onde passou deixou um rastro de destruição. No sindicalismo acabou sufocando a emergência de autênticas lideranças. Ou elas se submetiam ao seu comando ou seriam destruídas. E este método foi utilizado contra adversários no mundo sindical e também aos que se submeteram ao seu jugo na Central Única dos Trabalhadores.

O objetivo era impedir que florescessem lideranças independentes da sua vontade pessoal. Todos os líderes da CUT acabaram tendo de aceitar seu comando para sobreviver no mundo sindical, receberam prebendas e caminharam para o ocaso. Hoje não há na CUT — e em nenhuma outra central sindical — sindicalista algum com vida própria.

No Partido dos Trabalhadores — e que para os padrões partidários brasileiros já tem uma longa existência —, após três decênios, não há nenhum quadro que possa se transformar em referência para os petistas. Todos aqueles que se opuseram ao domínio lulista acabaram tendo de sair do partido ou se sujeitaram a meros estafetas.

Lula humilhou diversas lideranças históricas do PT. Quando iniciou o processo de escolher candidatos sem nenhuma consulta à direção partidária, os chamados “postes”, transformou o partido em instrumento da sua vontade pessoal, imperial, absolutista. Não era um meio de renovar lideranças. Não. Era uma estratégia de impedir que outras lideranças pudessem ter vida própria, o que, para ele, era inadmissível.

Os “postes” foram um fracasso administrativo. Como não lembrar Fernando Haddad, o “prefeito suvinil”, aquele que descobriu uma nova forma de solucionar os graves problemas de mobilidade urbana: basta pintar o asfalto que tudo estará magicamente resolvido. Sem talento, disposição para o trabalho e conhecimento da função, o prefeito já é um dos piores da história da cidade, rivalizando em impopularidade com o finado Celso Pitta.

Mas o símbolo maior do fracasso dos “postes” é a presidente Dilma Rousseff. Seu quadriênio presidencial está entre os piores da nossa história. Não deixou marca positiva em nenhum setor. Paralisou o país. Desmoralizou ainda mais a gestão pública com ministros indicados por partidos da base congressual — e aceitos por ela —, muitos deles acusados de graves irregularidades. Não conseguiu dar viabilidade a nenhum programa governamental e desacelerou o crescimento econômico por absoluta incompetência gerencial.

Lula poderia ter reconhecido o erro da indicação de Dilma e lançado à sucessão um novo quadro petista. Mas quem?

Marco Antonio Villa é historiador

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06/09/2014

às 18:00 \ Disseram

Caminho sem volta em São Paulo

“Ciclovia é caminho sem volta.”

Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, que pretende criar 400 quilômetros de vias exclusivas para ciclistas até o fim de seu mandato

06/09/2014

às 12:40 \ Política & Cia

Sem Dilma, PT assume volta de Lula em 2018 em encontro que debate erros de campanha em SP

Lula fala aos militantes do PT reunidos no Anhembi, em São Paulo (Foto: VEJA.com)

Lula se dirige aos militantes do PT reunidos no Anhembi, em São Paulo: agora, fala-se abertamente na volta em 2018 (Foto: VEJA.com)

Caciques do partido se reuniram com o ex-presidente para debater erros das campanhas da presidente-candidata Dilma Rousseff e do ex-ministro Alexandre Padilha, candidato ao governo paulista

Por Felipe Frazão, de VEJA.com

O PT reuniu nesta sexta-feira em São Paulo o ex-presidente Lula com caciques do partido para debater erros das campanhas da presidente-candidata Dilma Rousseff e do ex-ministro Alexandre Padilha, candidato ao governo paulista, e conclamar militantes a intensificar a campanha nas ruas.

No encontro, em que Dilma não esteve presente, dirigentes falaram abertamente lançar Lula como candidato em 2018.

“É grande a nossa responsabilidade de eleger a Dilma para dar continuidade nesse processo e preparar a volta do Lula em 2018”, disse o presidente nacional do PT, deputado estadual Rui Falcão.

“O caminho mais curto e melhor para o Lula voltar a ser presidente é a Dilma ser reeleita”, disse o presidente do PT estadual, Emídio de Souza, que também cometeu um ato falho. “É evidente que nós tivemos dificuldade com material de campanha no último período. Mas desde ontem e hoje, todas as macrorregiões e cidades estão recebendo panfletos à vontade com os principais pontos do Padilha, recebendo cédula do Lula… Do Lula não, da Dilma e do Suplicy.”

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Pela manhã, integrantes do Diretório Nacional redigiram uma resolução com críticas à candidata do PSB, Marina Silva, e pediram ajustes na tática de Dilma, que procurava convencer eleitores “com números” do governo federal. O manifesto diz que “os candidatos da oposição vestem a fantasia da mudança, mas seus programas de governo revelam que a mudança propalada serve mais aos grupos que os apoiam do que àquela desejada pela maioria da população.” O documento também fala em “ajuste conservador” e “retrocesso”.

“Não temos nada contra Marina Silva, temos contra o programa que ela encampou, as ideias que ela passou a defender, embora tenha mudado depois de um tuíte. É um contraste de projetos, não uma disputa de personalidades, um ataque duro àquelas ideias que representam o retrocesso”, disse Falcão. “Esse programa é hostil à classe trabalhadora. O programa do PSB e de seus coligados é um programa de desemprego. Eu não dou cheque em branco para o Banco Itaú.”

Vagner Freitas,  presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), braço sindical do PT, disse que Marina é uma “candidata forjada” e um “engodo nacional”.

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), também alfinetou a Marina. Ele disse que o PT sempre dialogou com os grandes bancos, mas que eles nunca mandaram no programa de governo. Haddad repudiou o que classificou como um “ataque ao patrimônio” dos doze anos de governo do PT. Ele falou que “é suportável o ataque à pessoa, à Dilma, ao Lula, ao Padilha, ao Suplicy e a mim”

O diretório do PT estacionou um caminhão lotado de material de campanha – bandeiras, panfletos e adesivos para carro – no estacionamento do Anhembi, local da reunião. Os dirigentes pediram que os parlamentares de todos as cidades promovam atos de campanha semanalmente, ainda que sem a presença de Padilha ou de Dilma. “Não tenham vergonha de usar a estrela do PT. Não aceitem provocação na rua, não tem de abrir a janela do carro para xingar ninguém”, pregou Emídio para combater a onda “anti-petista”.

 

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