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Fernando Haddad

14/04/2015

às 6:00 \ Disseram

A cultura da democracia

“Ninguém aqui está falando de partido nem de eleição. Estamos falando de uma coisa muito mais importante que é a consolidação de uma cultura democrática.  Existem riscos consideráveis no horizonte de nossa sociedade.”

Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, sobre os protestos do último domingo (12) e os temas defendidos por manifestantes

13/04/2015

às 15:00 \ Política & Cia

Se os protestos de ontem mostraram algo, é que Dilma chegou ao fundo do poço. Mas quem está mesmo com problemas são as prefeituras

(Foto: Paulo Whitaker/Reuters)

Na capital paulista, a manifestação de 12 de abril atraiu menos pessoas que a do mês passado (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)

NO BARCO FURADO COM DILMA

Artigo de José Roberto de Toledo publicado no jornal O Estado de S. Paulo

O Datafolha e o esvaziamento dos protestos confirmaram o que a estabilização da confiança do consumidor tinha antecipado: Dilma Rousseff bateu no fundo do poço. É um poço sarneysiano, mas tem fundo. Escalá-lo, porém, vai ser demorado e escorregadio. O ajuste fiscal deve provocar muitas contrações antes de parir algo de positivo para a economia. O único aliado da presidente é o tempo – se ela conseguir domar o PMDB e se segurar no cargo.

Tempo é algo que os prefeitos, todavia, não têm. Pesquisa inédita feita pela Ideia Inteligência mostra que, na média, eles estão com 47% de avaliação ruim/péssima, ante 21% de boa/ótima. Mais: 43% acham que a vida piorou em suas cidades, e 59% desaprovam a atual administração municipal. O drama dos prefeitos é que eles encaram as urnas já no próximo ano. Com tamanho déficit de popularidade, a reeleição lhes será árdua.

A pesquisa foi feita por encomenda da Frente Nacional de Prefeitos, que reúne de Fernando Haddad (São Paulo, PT) a Eduardo Paes (Rio de Janeiro, PMDB), passando por ACM Neto (Salvador, DEM). Não foram divulgados resultados isolados por cidade.

O quadro é desolador para os gestores municipais. Dois em cada três leitores se dizem pouco ou nada informados sobre o atual prefeito de sua cidade. Só 29% ouviram falar de alguma realização da prefeitura — a taxa é ainda menor nos pequenos e médios municípios. Nos grandes, o que mais chamou a atenção do público foram ciclovias e ciclofaixas: 32% citaram esse tipo de obra, o único com mais de 5% de lembranças. As ciclovias são aprovadas por dois terços dos entrevistados nas metrópoles.

Comparando-se a pesquisa dos prefeitos com a recente pesquisa do Datafolha sobre Dilma, é possível identificar duas tendências distintas da opinião pública, que se completam.

A primeira é que a insatisfação dos brasileiros com seus governantes é ampla, geral e irrestrita. Pega todas as esferas de governo e não distingue partidos. É um sentimento genérico de descontentamento. Produz desconfiança em relação aos políticos e sensação de impotência no eleitor. O sistema mostra-se incapaz de atender, com a urgência necessária, às demandas do público.

Essa tendência vem da soma de agravos cotidianos. O tempo desmesurado perdido no trânsito, as interrupções frequentes no abastecimento de água, a insegurança, a demora para receber atenção médica adequada, a má qualidade do ensino, a percepção de corrupção generalizada.É o que explica uma popularidade tão baixa para tantos prefeitos agora. Mas há outra tendência.

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17/03/2015

às 6:00 \ Disseram

Para ser prefeito…

“Se alguém organizar essa bagunça pode ser candidato a prefeito em 2016.”

Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, em sua primeira aula no curso que dará para a pós-graduação em Ciência Política da USP, na qual pediu para seus alunos levantarem questões sobre a cidade

06/03/2015

às 20:20 \ Política & Cia

Perto do PSB, Marta Suplicy diz não ter “coragem” de defender o governo Dilma. “Vou defender o quê?”

Marta Suplicy participa de evento na Zona Leste de São Paulo(Reprodução/Facebook)

Marta Suplicy participa de evento na Zona Leste de São Paulo(Reprodução/Facebook)

Senadora do PT retoma críticas ao governo em evento em reduto eleitoral em São Paulo. Ela busca acerto com socialistas para disputar a prefeitura

Cada vez mais perto de deixar o PT, a senadora Marta Suplicy (SP), ex-ministra da Cultura de Dilma Rousseff, afirmou nesta sexta-feira que se sente desconfortável por representar o partido no Senado e “não tem coragem” de defender o governo federal. Ela discursou em um evento comemorativo do Dia Internacional da Mulher no Jardim Helena, Zona Leste de São Paulo.

A região é uma das trincheiras eleitorais do PT na capital paulista e reduto de votos de Marta – ele negocia uma transferência para o PSB com objetivo de disputar as eleições municipais contra o prefeito Fernando Haddad (PT). O acerto é dado como certo por líderes do PSB paulista.

No plano nacional, PSB, PPS, PV e Solidariedade formalizaram no fim do ano passado a criação de um bloco parlamentar de oposição que pode dar suporte à candidatura de Marta contra o projeto de reeleição de Haddad. Desde que saiu do governo, a ex-prefeita de São Paulo distanciou-se do comando do PT, recebeu acenos de diferentes legendas e passou a avaliar o cenário eleitoral paulistano.

Ela guarda mágoas de ter sido preterida pelo ex-presidente Lula em prol de Haddad (em 2012) e do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (em 2014).

“Eu sei que o partido não é mais o mesmo. Não é o partido que eu ajudei a fundar. É um partido que não se relaciona com a população. Estou muito triste. Sou senadora da República pelo PT. É uma situação muito desconfortável porque não tenho coragem de ir lá naquela tribuna fazer um discurso defendendo esse governo. Vou defender o quê?”, disse Marta, conforme relato publicado no site do jornal O Estado de S. Paulo.

28/02/2015

às 19:00 \ Política & Cia

J. R. GUZZO: Não há perigo de o Ministério e as secretarias da Cultura fazerem qualquer coisa de bom “neste país”

(Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)

Grafite autorizado: por decisão de Fernando Haddad, o patrimônio histórico de São Paulo — em lugares como os chamados “arcos do Jânio”, descobertos em escavação durante o mandato do ex-presidente como prefeito (1986-1989) –, agora estampa imagens como um rosto estranhamente parecido com o de Hugo Chávez (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)

SUPREMO TRIBUNAL CULTURAL

Artigo publicado em edição impressa de VEJA

J. R. GuzzoSe alguém, seja lá pelo motivo que for, quer impedir que alguma tarefa útil seja executada na cultura brasileira, pode chamar o Ministério da Cultura; o resultado é 100% garantido. E as secretarias de Cultura, ou outros mamutes culturais do poder público – haveria algum risco de fazerem algo de bom?

Fiquem todos sossegados: não há o menor perigo de que venha a acontecer, também aí, qualquer coisa que preste. Os fatos, sempre eles, são a prova disso. O Museu do Ipiranga, monumento básico da cultura de São Paulo, está fechado até 2022; é uma proeza que se candidata ao livro de recordes da cervejaria Guinness.

A formidável Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro vive esperando o padre para receber a extrema-unção. (Ainda recentemente passou meses a fio sem ar condicionado, com temperaturas internas que chegaram aos 50 graus. Nos últimos doze anos o governo fez três planos de carreira para seus funcionários; não cumpriu nenhum.)

O Museu Nacional de Belas Artes, também no Rio, com 200 anos de história e sua notável fachada de estilo Renascença francesa, é humilhado por goteiras. As construções das cidades históricas de Minas Gerais e do Norte, relíquias únicas da arquitetura colonial brasileira, podem virar entulho. Cinquenta anos após sua fundação, Brasília, a capital do Brasil Potência, ainda não tem um museu decente. É a vitória do Bolsa-Cupim.

Mas as figuras que mandam desde 2003 na máquina pública brasileira não se contentam com isso. Além de se negarem a fazer o trabalho pelo qual são pagas, querem, acima de tudo, decidir o que é cultura neste país e o que não é – ou o que é cultura certa e o que é cultura errada. São contra, é claro, essa cultura “que está aí”. A única que admitem é a sua, e no Brasil de hoje isso quer dizer “cultura popular”.

Basicamente, trata-se de um conjunto de atividades exercidas por pessoas que não sabem pintar, escrever, compor uma melodia, fazer um filme ou montar uma peça de teatro capazes de interessar a alguém – e que são sustentadas, de um jeito ou de outro, pelo Erário, por serem contra a “arte burguesa”, a favor da “arte dos desvalidos” ou praticarem algum outro truque que esconda a sua falta de talento, de mérito e de público.

Seu grão-vizir no momento é o doutor Juca Ferreira, ministro da Cultura (pela segunda vez), ex-secretário da Cultura da prefeitura de São Paulo e marechal de campo no combate contra o modelo de cultura “excludente”; imagina que “uma política cultural abrangente é um essencial instrumento da construção de uma nova cultura política”.

O ministro Juca e todos os que ganham a vida como ele formam hoje o Supremo Tribunal Cultural brasileiro. Não cabe nenhum recurso contra as suas decisões.

O último feito de armas dos árbitros que ora determinam se podemos ou não gostar disso ou daquilo deu-se na cidade de São Paulo, governada pelo PT do prefeito Fernando Haddad. Para executar sua “política de cidadania cultural”, a prefeitura resolveu convocar grafiteiros amigos para pichar os “Arcos do Jânio”, um modesto conjunto de arcadas que alivia um pouco a paisagem de deserto do centro de São Paulo.

Esses arcos nunca fizeram mal a ninguém. Não são o Coliseu de Roma ou a Catedral de Notre-Dame de Paris, mas é o que temos – e, já que temos tão pouco, supõe-se que esse pouco deveria ser deixado em paz. Nada disso: a prefeitura de São Paulo tem uma política cultural a executar. No caso, sem consultar ninguém, sepultou as arcadas sob um amontoado de rabiscos, borrões e desenhos deformados.

Oficialmente, isso é “arte da periferia”. Na prática, trata-se apenas de degradar a superfície de um muro. Esse tipo de coisa, como se sabe, sempre pode ficar pior, e ficou. Não demorou muito e apareceu, no meio da pichação, um rosto que é a própria fotografia do coronel Hugo Chávez, o líder de massas da Venezuela que a esquerda mais rústica tenta transformar num novo “Che” Guevara, ou algo assim.

Chávez? Nem pensar, diz a autoridade municipal. O autor queria apenas pintar um “rosto negro”, só isso. Foi pintando, pintando – e no fim, quem diria, saiu uma figura que é a cara do Chávez. Que coisa, não? Essa vida é mesmo uma caixinha de surpresas.

O prefeito se encanta com o homem que presenteou a Venezuela com a falta de papel higiênico? Problema dele. Mas Haddad foi eleito para governar a cidade por quatro anos; não tem o direito de privatizar a paisagem urbana para exibir suas crenças políticas, nem de mudar o “gosto conservador do paulistano”. Isso não é promover cultura. É fazer propaganda, apenas.

23/02/2015

às 18:49 \ Tema Livre

As bicicletas elétricas já viraram, rapidamente, tudo aquilo que a propaganda dos “e-carros” diz que eles vão ser

(Foto: E-bike.com.pt)

Uma e-bike como esta da Coluer chega a 30 km/h (Foto: E-bike.com.pt)

POLÍTICA DE UMA RODA SÓ

Artigo de José Roberto de Toledo publicado no jornal O Estado de S. Paulo

A prefeitura da metrópole argumenta com estatísticas: o uso de bicicletas na cidade cresceu 10% no último trimestre e bateu seu recorde. Elas já são 16% do tráfego de veículos no centro da cidade. É preciso fazer mais ciclovias e estações de aluguel.

Não, não é o paulistano Fernando Haddad. É seu colega londrino, que investe R$ 4 bilhões para melhorar a infraestrutura cicloviária de Londres e aumentar a segurança dos ciclistas. Fora do Brasil, o transporte a pedal não é uma mesquinha questão partidária. É uma imposição econômica.

Todo ano, o mundo produz mais de 130 milhões de bicicletas – o dobro do que fabrica de carros. E essa diferença continua crescendo, entre outros motivos, porque uma invenção centenária está, enfim, seduzindo o mercado: a e-bike.

A bicicleta motorizada existe desde o fim do século 19, mas apenas nos últimos anos a tecnologia evoluiu ao ponto de popularizar a produção de motores elétricos realmente eficientes e de baterias leves, recarregáveis e duradouras. Tudo isso combinado a sensores que captam o movimento e a força da pedalada e transferem para a roda a energia que faltava. O resultado é uma bicicleta que aplaina qualquer cidade.

Um ciclista neófito e com sobrepeso é capaz de subir os três quarteirões da ciclovia da Rua João Ramalho, uma das mais íngremes ladeiras paulistanas, sem ter um infarto – porque o motor elétrico complementa a pedalada com a força necessária. No plano, uma e-bike chega, sem esforço, a 25 km/h. Não é brinquedo. É muito mais um meio de transporte do que de lazer.

(Foto: E-bike.com.pt)

O motor elétrico dá impulso em percursos exigentes (Foto: E-bike.com.pt)

A e-bike já virou aquilo que a propaganda diz que o carro elétrico será um dia. Os números são incomparáveis. Enquanto as vendas de automóveis híbridos no mundo se contam aos milhares, as e-bikes são produzidas aos milhões. Tudo começou na China, onde o desenvolvimento dessa tecnologia é uma prioridade de Estado desde 1991. Hoje, nove em cada dez e-bikes são chinesas. Mas europeus e norte-americanos tentam recuperar o terreno perdido.

As vendas de e-bikes na Alemanha crescem 45% ao ano. Nos EUA, 80%. Um dos inventores da mountain bike, Gary Fisher disse aos fabricantes de bicicletas dos EUA no seu último congresso: “As e-bikes vão eclipsar as mountain bikes. Isso vai ser maior do que qualquer coisa que vocês já viram. E é melhor darem duro, porque, senão, a indústria automobilística vai tomar conta”.

As grandes montadoras de veículos e os fabricantes de autopeças já perceberam a oportunidade e entraram no mercado. Bosch e Yamaha, por exemplo, desenvolveram sistemas integrados de motor e bateria que podem ser adaptados a bicicletas comuns de outros fabricantes. Audi, Ford, Porsche e Smart – para citar algumas marcas que estão se adaptando das quatro para duas rodas – desenvolveram e vendem e-bikes. Não é difícil entender o motivo.

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05/02/2015

às 14:00 \ Política & Cia

BOLSA-TRAVESTI: a falsa solução de Haddad para um problema real de São Paulo

TRANSOFENSIVA — Haddad e seu secretário de Direitos Humanos, Rogério Sottili, com beneficiários do programa Transcidadania (Foto: Carla Carniel/Frame/Agência O Globo)

TRANSOFENSIVA — Haddad e seu secretário de Direitos Humanos, Rogério Sottili, com beneficiários do programa Transcidadania (Foto: Carla Carniel/Frame/Agência O Globo)

JE SUIS LGBT (E O QUE MAIS VIER)

Na busca pelo eleitorado de sua provável rival em 2016, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, cria o bolsa-travesti, mais uma falsa solução para um problema real

Reportagem de Mariana Barros publicada em edição impressa de VEJA

Desde segunda-feira, gays, travestis e transexuais que vivem nas ruas de São Paulo têm direito a uma bolsa de 840 reais por mês para frequentar a escola. O autor da ideia é o prefeito Fernando Haddad (PT), para quem o projeto, batizado de Transcidadania, vai “pôr São Paulo na vanguarda e colocar essas pessoas no caminho, dando [a elas] respeito, educação e trabalho”.

Os 100 inscritos até agora no programa, que custará 2 milhões de reais aos cofres da prefeitura, são, em sua maioria, semialfabetizados, moram na rua e não têm emprego fixo. O objetivo da prefeitura paulistana é que, com mais escolaridade, eles consigam encontrar uma colocação e melhorar de vida.

Trata-se de mais uma falsa solução de Primeiro Mundo para um problema real do Brasil. Os empecilhos para que essas pessoas obtenham um trabalho fixo não são os que o prefeito imagina. No mundo real, o principal deles é a pouca disposição — em geral, fruto de preconceito — de empregadores para aceitar travestis e transexuais no quadro de funcionários. E isso é algo que pouco mudará se um candidato tiver alguns anos a mais de estudo.

Outro empecilho é uma imposição do mercado: o salário oferecido a quem tem até o ensino médio — o máximo que o programa oferece nos primeiros dois anos — dificilmente superará os ganhos obtidos na prostituição, atividade exercida por 80% dos travestis de São Paulo, segundo estimativas da prefeitura.

Esses equívocos não são os únicos fatores a prenunciar a má sorte do novo projeto da prefeitura de São Paulo. O Transcidadania já nasceu sob a inspiração de uma ideia fracassada, o programa De Braços Abertos. Criado em janeiro do ano passado, ele tem como público-alvo os viciados em crack que vivem na região central paulistana conhecida como Cracolândia. Os beneficiários do bolsa-crack recebem 450 reais por mês, moradia gratuita em hotéis do centro da cidade e três refeições ao dia. A busca por tratamento não é obrigatória.

A contrapartida para os viciados receberem o dinheiro é trabalhar na varrição de ruas durante quatro horas por dia. Hoje são 453 os participantes (40% dos inscritos na primeira fase abandonaram o programa depois de dois meses, 21 saíram depois de um ano para trabalhar com carteira assinada). No ano passado, somente com o treinamento da equipe que atua no programa, a prefeitura gastou 15 milhões de reais. Até agora, no entanto, o resultado mais gritante do De Braços Abertos foi o aumento do preço do crack, que em dias de pagamento da bolsa dobra de valor: a pedra sobe de 10 para 20 reais.

Agora, os traficantes sabem que os usuários contam com uma fonte de renda garantida. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

13/01/2015

às 19:00 \ Política & Cia

A “conversão” de Marta Suplicy em crítica do lulopetismo é o-por-tu-nista. Ela conviveu com as maracutaias do partido por longos anos, e agora se afasta dele porque quer ser candidata em São Paulo

(Fotos: Ayrton Vignola/AE)

Marta Suplicy em 2010, quando estava às boas com a presidente Dilma Rousseff — a ponto de lhe fazer o papel de copeira. Um tanto contrariada, é verdade, mas…  (Fotos: Ayrton Vignola/AE)

Muito interessante a senadora Marta Suplicy (PT-SP) começar, de repente, a atirar publicamente contra o governo Dilma e contra o próprio PT.

O fel começou a vir à tona quando Marta deixou o Ministério da Cultura, em novembro passado, em cerimônia gelada na qual mal falou com a presidente. Depois, com seu famoso texto no Facebook no finalzinho de dezembro, baixando o sarrafo em seu sucessor, Juca Ferreira. E, finalmente, mais que tudo, na explosiva entrevista que concedeu à jornalista Eliane Cantanhêde, na edição deste domingo do Estadão. (A íntegra está aqui).

Uma das cortantes frases de Marta foi a seguinte:

– Cada vez que abro um jornal, fico mais estarrecida com os desmandos do que no dia anterior. É esse o partido que ajudei a criar e fundar? Hoje, é um partido que sinto que não tenho mais nada a ver com suas estruturas.

Puxa, como demorou, não, senadora? O PT foi fundado há quase 35 anos, em 1980. Os casos de corrupção nas administrações municipais — inclusive maracutaias em capitais importantíssimas — já datam desta década. Foram denunciados nos primórdios do partido por gente como Paulo de Tarso Venceslau, que, longe de ser de “direita”, participou da luta armada durante a ditadura militar.

Denúncias de outras natureza e sérias questões éticas vieram à tona por iniciativa de outros fundadores, sejam de “esquerda”, como o hoje editor César Queiroz Benjamin, também antigo participantes da luta armada, sejam do campo liberal, como o jurista Hélio Bicudo, que se destacou pela coragem e integridade como promotor público em sua luta contra o Esquadrão da Morte durante o período militar, foi deputado, candidato ao Senado e vice-prefeito de São Paulo antes de desiludir-se, como os demais citados, com o partido de Lula.

Vamos supor, porém, que tais questões fossem pequenas, embora graves.

Mas o mensalão, senadora? O maior escândalo de corrupção política da história da República até o surgimento do petrolão já vai completar DEZ ANOS em agosto, dona Marta. DEZ anos. Onde ficaram seus protestos contra os chefões petistas acusados e, finalmente, condenados à cadeia?

(Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Marta, quando ministra, com o vice-presidente Michel Temer, chefão do PMDB: ida ara o partido pode ter um Chalita pela frente (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Oportunidades para fazer reparos aos condenados não faltaram, não é mesmo? Como os dois réveillons que o ex-tesoureiro do PT que terminou na Papuda, Delúbio Soares, passou com a senhora, marido e amigos no Guarujá, lembra?

Onde estavam suas críticas quando estourou o escândalo Rosemary Noronha, a amigona de Lula — este mesmo que a senhora erigiu em “Deus” –, responsável pela transformação do escritório da Presidência em São Paulo em balcão de negócios?

De que lado a senhora esteve durante as várias tentativas de gente de seu partido de calar a boca da imprensa?

Quando foi que a senhora se posicionou contra a política externa de vassalagem a Cuba, Venezuela, Irã e outros regimes párias?

Não ouvimos seus reparos à barbaridade em que se constituiu a concessão de asilo político ao terrorista e assassino Cesare Battisti, julgado e condenado por todas as instâncias pelo Judiciário italiano, mas tratado pelo governo lulopetista como um “perseguido político”, como se a Itália de democracia exemplar fosse uma ditadura?

Agora, num passe de mágica, a senadora quer se dissociar de tudo isso. Como, porém, acreditar que isso se deva a convicções, e não por oportunismo?

Na entrevista à excelente Eliane Cantanhêde, ela própria acabou, talvez, dizendo mais do que pretendia, quando desabafou, a certa altura, entregando suas prováveis razões:

– Se for analisar friamente, é um partido no qual estou há muito tempo alijada e cerceada, impossibilitada de disputar e exercer cargos para os quais estou habilitada.

Ah! Chegamos ao ponto… A braveza da senadora pode estar todinha abrigada aqui. Ela quer espaço no partido, quer concorrer à Prefeitura no ano que vem — e o problema não está em que seu “Deus”, acima de partidos e convenções, já decidiu que o prefeito Fernando Haddad será o candidato do PT.

O problema é que Marta aprendeu com as eleições do ano passado que o PT não tem futuro em São Paulo. O massacre sofrido por Dilma no pleito presidencial diante do tucano Aécio Neves — que teve dois terços dos votos do eleitorado mais numeroso do país –, e a espetacular vitória em primeiro turno do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que venceu em 644 dos 645 município do Estado, deixando em um distante terceiro lugar o petista Alexandre Padilha, tornaram evidente, para a senadora, que com uma estrela vermelha no peito ela não chegará a lugar algum.

Eis aí, então, a razão de seu desencanto com o PT e do namoro com o PMDB. Se Lula conseguir emplacar o novo secretário municipal de Educação paulistano, Gabriel Chalita, como candidato do partido mais fisiológico do Brasil, gente perto de Marta assopra que ela poderá até ir para o Solidariedade, partido fundado pelo sindicalista e oportunista profissional Paulinho da Força.

Convicção ideológica é isso aí.

02/01/2015

às 17:34 \ Política & Cia

SÃO PAULO: Candidato à reeleição no ano que vem e com baixos índices de aprovação, o prefeito Haddad (PT) demora muito para socorrer a cidade no pós-vendaval. E o motivo é a folga de fim de ano de funcionários…

Haddad (dir.) com o governador tucano Geraldo Alckmin, na assinatura de um convênio autorizando quase 4 mil policiais militares a prestarem serviços remunerados à Prefeitura em horários de folga: o prefeito enfrentará o poderio do PSDB em sua tentativa de reeleição (Foto: Silva Junior/Folhapress)

Haddad (dir.) com o governador tucano Geraldo Alckmin, na assinatura de um convênio autorizando policiais militares a prestarem serviços remunerados à Prefeitura em horários de folga: o prefeito enfrentará o poderio do PSDB em sua tentativa de reeleição. Neste pós-vendaval, porém, não parece particularmente preocupado em agradar aos eleitores  (Foto: Silva Junior/Folhapress)

Nasci em São Paulo, criei-me no Paraná e, sempre seguindo os passos paternos, como o restante da família, morei, me formei e me tornei jornalista em Brasília, antes de tornar à terra natal, há longos 45 anos.

Ao longo de todos esses 45 anos, jamais vi a maior cidade do Brasil demorar tanto a se recuperar de uma situação de emergência como está acontecendo nestes dias posteriores ao vendaval de domingo passado, dia 28, quando a capital perdeu cerca de 500 árvores de grande porte, teve parte considerável de sua rede elétrica atingida, sofreu com a piora do trânsito e, por alguns períodos, chegou perto do colapso.

O prefeito Fernando Haddad (PT), abatido por baixíssimos índices de aprovação, é candidato à reeleição no ano que vem, quando deverá enfrentar a poderosa máquina do PSDB paulista, que está há 20 anos no governo estadual e conferiu ao presidenciável tucano Aécio Neves, em outubro passado, inéditos dois terços do total de votos válidos — na capital e no Estado.

A gestão que o prefeito confere à atual situação, porém, leva a crer que ele não está nem um pouco preocupado com isso — e me refiro apenas ao aspecto eleitoral para não me arriscar a cometer uma eventual injustiça imaginando que ele não se aflija preocupe com a situação dos paulistanos.

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Quedas de grandes árvores ou de grandes galhos de árvore, como este caso na Avenida República do Líbano, junto ao Parque do Ibirapuera, prejudicaram o trânsito e danificaram a rede elétrica. Esta árvore, especificamente, já foi retirada. Muitas outras ainda não (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

O fato, porém, é que a cidade, cinco dias depois do vendaval que atingiu quase 100 quilômetros por hora, exibe por toda parte ferimentos ainda não tratados: árvores caídas, troncos já serrados e montanhas de galhos e folhas que continuam amontoados em calçadas, semáforos (encargo da municipal Companhia de Engenharia de Trânsito) sem funcionar em cruzamentos absolutamente vitais — a bênção é o tráfego irrisório resultado do feriadão que boa parte da população fez por conta própria, ignorando ser hoje, sexta-feira, um dia útil.

O espantoso em tudo isso é a explicação oficial oferecida pela Prefeitura: há menos mão de obra disponível, devido às folgas de fim de ano de parte dos funcionários das Subprefeituras encarregados desse tipo de serviço.

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Esta árvore tombou cruzamento muito movimentado, o das ruas Cubatão e Eça de Queiroz, no bairro do Paraíso (Foto: Felipe Rau/Estadão Conteúdo)

É verdade! A maior cidade da América do Sul se dá ao luxo de conceder folga a grandes contingentes de trabalhadores que têm entre as principais funções, justamente, a de atuar em emergências — como é o caso. Fico imaginando se se tratasse de uma colossal inundação.

O incansável Corpo de Bombeiros, corporação ligada à Polícia Militar do Estado, atuou, como sempre, com rapidez e bravura enquanto se fez necessário, mas enfrenta limites legais: não pode remover árvores, limpar bueiros entupidos e por aí vai.

Diga-se a bem da verdade que a Eletropaulo, concessionária dos serviços de distribuição de eletricidade de São Paulo e braço da multinacional norte-americana AES, exibe comportamento igual ou similar ao da Prefeitura diante da multidão de problemas causados pelo temporal: parte da iluminação pública da cidade AINDA não voltou, muitos semáforos importantes estão sem energia, há ainda hoje bairros às escuras.

Só que os anônimos burocratas que tocam a empresa não são candidatos a nada, exceto, eventualmente, a um cortezinho de bônus no final do ano. Já Haddad…

15/10/2014

às 18:09 \ Política & Cia

OS BASTIDORES DO DEBATE DA BAND: tensão, piadas, Lula vestido de azul e…’fabulando?’

(Fotos: Ivan Pacheco/VEJA.com)

Durante os intervalos do debate, Dilma e Aécio trocam impressões com seu pessoal da área de comunicação (Fotos: Ivan Pacheco/VEJA.com)

Confiram algumas reações de partidários de Dilma e Aécio Neves nos estúdios da Band

Por Talita Fernandes, Mariana Zylberkan e Bela Megale, de São Paulo, para VEJA.com

Beagá – A propaganda eleitoral da presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) nunca escondeu que a busca pelo voto mineiro e a desconstrução das gestões de Aécio Neves (PSDB) no Estado são o grande alvo da campanha até as urnas, no dia 26.

Mas até petistas reconheceram que, ao martelar Minas no centro do debate, Dilma abriu a guarda para o tiro: Aécio afirmou que a petista está mais preocupada – e visitou mais Minas Gerais na campanha – com o Estado do que nas últimas décadas.

Tutu – O vice de Aécio, senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), cutucou: “Parece que ela está querendo ser governadora de Minas”.

No stress – Conhecido pelo seu temperamento explosivo, Aloysio Nunes Ferreira brincou com colegas na plateia antes do início do debate: “Já tomei meu Rivotril!”

Transitivo direto – O “fabulando” usado por Dilma quatro vezes para dizer que Aécio estaria remontando fatos surpreendeu a plateia no estúdio e até marqueteiros de plantão. “Fabulando?”, questionou um petista na plateia.

Confusa – Tucanos comemoraram quando Aécio cutucou a petista na pergunta sobre taxas de homicídios em Minas: “Apesar de confusa, vou tentar responder sua pergunta…”

Visual - Celso Kamura, cabeleireiro de Dilma Rousseff, disse que a petista está com as madeixas mais escuras. Ela deixou de fazer luzes porque seu cabelo estava ficando muito ressecado, contou.

Turbulência – Tucanos concordaram que o momento mais tenso para Aécio foi quando Dilma voltou a falar da construção do aeroporto na minúscula cidade mineira de Cláudio. A avaliação é que ele terá de responder sobre o tema nos próximos três debates.

Corujão – Cansado, o presidente do PT, Rui Falcão, comemorou quando o diretor de Jornalismo da Band, Fernando Mitre, anunciou que o debate acabaria antes da meia-noite. “Não durmo no avião, só jogo paciência para esquecer que estou lá no alto”.

Para o PT ver – O prefeito de São Paulo Fernando Haddad, com Aloizio Mercadante à frente, comemorou quando Dilma soltou a frase repetida sobre a nomeação prévia de Armínio Fraga como eventual ministro da Fazenda de Aécio: “Muito bom, hein?”, festejou Haddad.

Rodízio - O número elevado de convidados para o debate desta terça fez com que o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman tivesse de ceder sua credencial de acesso ao estúdio para o senador Agripino Maia (DEM – RN), coordenador da campanha de Aécio.

Cabos eleitorais - Animado com a possibilidade de vitória de Aécio, o sindicalista e deputado Paulinho da Força (SD-SP) ironizou o impacto que os escândalos da Petrobras podem ter na corrida presidencial. “Antes nós tínhamos um cabo eleitoral, o Haddad, agora nós temos três, com o Paulo Roberto Costa e o Alberto Youssef.”

Censura amiga - Wellington Dias, eleito governador do Piauí, brincou que a proibição de perguntas de jornalistas aos candidatos nos debates é uma forma de “censura”. Desavisado, ele não sabia que essa decisão partiu de seu próprio partido, o PT.

Azul ou vermelho? - Enquanto esperavam os candidatos chegarem à TV Bandeirantes, o deputado federal Bruno Araújo (PSDB-PE) e o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman assistiam na TV ao horário eleitoral. “Olha o Lula usando azul”, brincou Araújo, insinuando que o petista vestia a cor do partido tucano. “A chance deles agora é abolir o vermelho”, respondeu Goldman.

Programa eleitoral 2 - Araújo comentava indignado com os pernambucanos João Lyra Neto (PSB), governador de Pernambuco, e o prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), que o PT mostrou a transposição do São Francisco no horário eleitoral.

As obras estão atrasadas e o governo federal resolveu testar, mesmo assim, o projeto. “Eles abriram a torneira só para ir lá e filmar”. O comentário do parlamentar aconteceu depois de pernambucanos enviarem mensagens para ele por WhatsApp.

 

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