Blogs e Colunistas

Fernando Haddad

10/09/2014

às 16:37 \ Política & Cia

MARCO ANTONIO VILLA: “Lula, com seu estilo peculiar de fazer política, por onde passou deixou um rastro de destruição”

(Foto: Hugo Koyama)

Lula, em sua época sindicalista: “ele acabou sufocando a emergência de autênticas lideranças”, diz o historiador Marco Antonio Villa (Foto: Hugo Koyama)

O SILÊNCIO DE LULA

Artigo publicado no jornal O Globo

Marco-Antonio-Villa-veja.abril_.com_.br_-300x168Na história republicana brasileira, não houve político mais influente do que Luiz Inácio Lula da Silva. Sua exitosa carreira percorreu o regime militar, passando da distensão à abertura. Esteve presente na Campanha das Diretas. Negou apoio a Tancredo Neves, que sepultou o regime militar, e participou, desde 1989, de todas as campanhas presidenciais.

Quando, no futuro, um pesquisador se debruçar sobre a história política do Brasil dos últimos 40 anos, lá encontrará como participante mais ativo o ex-presidente Lula. E poderá ter a difícil tarefa de explicar as razões desta presença, seu significado histórico e de como o país perdeu lideranças políticas sem conseguir renová-las.

Lula, com seu estilo peculiar de fazer política, por onde passou deixou um rastro de destruição. No sindicalismo acabou sufocando a emergência de autênticas lideranças. Ou elas se submetiam ao seu comando ou seriam destruídas. E este método foi utilizado contra adversários no mundo sindical e também aos que se submeteram ao seu jugo na Central Única dos Trabalhadores.

O objetivo era impedir que florescessem lideranças independentes da sua vontade pessoal. Todos os líderes da CUT acabaram tendo de aceitar seu comando para sobreviver no mundo sindical, receberam prebendas e caminharam para o ocaso. Hoje não há na CUT — e em nenhuma outra central sindical — sindicalista algum com vida própria.

No Partido dos Trabalhadores — e que para os padrões partidários brasileiros já tem uma longa existência —, após três decênios, não há nenhum quadro que possa se transformar em referência para os petistas. Todos aqueles que se opuseram ao domínio lulista acabaram tendo de sair do partido ou se sujeitaram a meros estafetas.

Lula humilhou diversas lideranças históricas do PT. Quando iniciou o processo de escolher candidatos sem nenhuma consulta à direção partidária, os chamados “postes”, transformou o partido em instrumento da sua vontade pessoal, imperial, absolutista. Não era um meio de renovar lideranças. Não. Era uma estratégia de impedir que outras lideranças pudessem ter vida própria, o que, para ele, era inadmissível.

Os “postes” foram um fracasso administrativo. Como não lembrar Fernando Haddad, o “prefeito suvinil”, aquele que descobriu uma nova forma de solucionar os graves problemas de mobilidade urbana: basta pintar o asfalto que tudo estará magicamente resolvido. Sem talento, disposição para o trabalho e conhecimento da função, o prefeito já é um dos piores da história da cidade, rivalizando em impopularidade com o finado Celso Pitta.

Mas o símbolo maior do fracasso dos “postes” é a presidente Dilma Rousseff. Seu quadriênio presidencial está entre os piores da nossa história. Não deixou marca positiva em nenhum setor. Paralisou o país. Desmoralizou ainda mais a gestão pública com ministros indicados por partidos da base congressual — e aceitos por ela —, muitos deles acusados de graves irregularidades. Não conseguiu dar viabilidade a nenhum programa governamental e desacelerou o crescimento econômico por absoluta incompetência gerencial.

Lula poderia ter reconhecido o erro da indicação de Dilma e lançado à sucessão um novo quadro petista. Mas quem?

Marco Antonio Villa é historiador

(PARA CONTINUAR LENDO, CLIQUEM AQUI)

06/09/2014

às 18:00 \ Disseram

Caminho sem volta em São Paulo

“Ciclovia é caminho sem volta.”

Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, que pretende criar 400 quilômetros de vias exclusivas para ciclistas até o fim de seu mandato

08/08/2014

às 15:00 \ Política & Cia

O deputado Luiz Moura não pertence mais ao PT, mas seus amigos favoráveis à coligação com o PCC estão firmes no partido

ENTRE AMIGOS — O agora ex-petista Moura, com Padilha, o irmão Senival e o prefeito Haddad (da esq. para a dir.)

ENTRE AMIGOS — O agora ex-petista Moura, com Padilha, o irmão Senival e o prefeito Haddad (da esq. para a dir.)

PAROU POR AQUI?

O PT expulsa deputado acusado de lavar dinheiro para o PCC. A decisão preserva o candidato Alexandre Padilha, mas deixa intacta a raiz do problema

Reportagem de Felipe FrazãoLuciano Pádua publicada em edição impressa de VEJA

Ex-assaltante, ex-presidiário, ex-foragido da Justiça, o deputado estadual Luiz Moura é agora um ex-petista também. Ele foi expulso do partido na semana passada para “conter o dano à imagem” do PT, como admitiu o presidente do diretório paulista, Emídio de Souza.

Em março, Moura foi flagrado em uma reunião com integrantes do PCC, a facção criminosa Primeiro Comando da Capital. Investigado, viu sua situação piorar progressivamente. Na terça-feira, o jornal O Estado de S. Paulo revelou que o deputado foi sócio de uma empresa suspeita de lavar dinheiro para o PCC. Dias depois, uma investigação do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) a que VEJA teve acesso trouxe a suspeita de que ao menos oito postos de gasolina dos quais o deputado foi ou continua sendo sócio serviram para o mesmo fim: dar aparência legal a dinheiro do crime.

A acusação que pesava contra Moura, portanto, de ser íntimo de uma facção criminosa em poucos meses evoluiu para a de prestar serviços a ela. Por essa suspeita, ele será investigado pelo Ministério Público, que aguarda autorização do Tribunal de Justiça.

O PT decidiu se livrar rapidamente do deputado Moura para evitar que as notícias sobre suas relações com bandidos respingassem na já combalida campanha ao governo paulista do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (4% das intenções de voto) e contribuíssem para derrubar a já bastante derrubada popularidade do prefeito Fernando Haddad (47% de rejeição), ambos do PT.

Mas a expulsão de Moura serviu também para poupar de desgastes e dissabores alguns dos companheiros mais umbilicalmente ligados ao deputado. Um deles é seu irmão, o vereador pelo PT Senival Moura, “dono” de um importante reduto eleitoral que, conhecido como “Mouralândia”, concentra bairros pobres do extremo leste da capital paulista, como Guaianases e Cidade Tiradentes.

Os outros companheiros íntimos que, ao menos por ora, podem respirar aliviados com a saída de cena do deputado Moura são os irmãos Jilmar e Jair Tatto.

Jilmar, padrinho político do agora ex-petista e atualmente secretário de Transportes, já foi acusado de ligações com o PCC, a exemplo do afilhado. Jair Tatto, vereador, é tão amigo de Moura que, no ano passado, fez questão de agradá-lo concedendo a sua mãe, Ivete, o título de cidadã paulistana em cerimônia realizada na Câmara Municipal de São Paulo.

Moura não está mais no PT, mas os bons amigos que deixou no partido prometem honrar sua obra.

04/08/2014

às 17:09 \ Política & Cia

Se forem verdadeiras certas críticas do PT ao prefeito de SP, Fernando Haddad, ele pode estar… fazendo a coisa certa

(Foto: Agência Estado)

O prefeito Fernando Haddad: “técnico” demais? (Foto: Agência Estado)

Qualquer leitor que haja frequentado o blog por um ou dois dias saberá que me oponho com vigor ao lulopetismo e, em consequência, não tenho a menor simpatia política por personagens como o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

Mas — sabe-se lá — vai ver que o prefeito tem feito coisas certas. Acossado por míseros 15% de apoio popular a sua gestão e tendo algumas dificuldades com vereadores da chamada “base aliada” na Câmara Municipal, Haddad vem encontrando crescentes problemas em seu próprio partido, o PT.

E isso porque, dizem alguns críticos, insiste em fazer uma “administração técnica demais”. As críticas seriam compartilhadas pelo próprio Deus do lulalato.

Por fazer uma “administração técnica”, no Brasil, entende-se, por exemplo, não nomear “cumpanhêros” para determinados cargos ou funções apenas por cupinchagem, mas exigindo qualificações e currículos. Em muitas decisões, tomar aquela que é melhor para os cidadãos, independentemente dos lucros políticos do partido a que pertence. E por aí vai. Se assim for, o que para os petistas seria uma má notícia se transforma, na verdade, em uma boa notícia.

Diz muito sobre “eztepaiz” que “adminstração técnica” seja um valor em baixa. Quem sabe Haddad, justamente por ir contra o que quer a cupinchada, não melhore seus índices de aprovação?

 

 

31/07/2014

às 18:00 \ Disseram

São Paulo pode mais

“Se cobra muito a revolução desde que não se mexa em nada. Isso é impossível. Como eu estou disposto a mudar a cidade, vou seguir a minha intuição de que existe uma chance de que a cidade descubra um destino para o qual ela está vocacionada. Essa cidade pode mais.”

Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, surpreendentemente otimista para um político com os seus níveis de aprovação, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo

19/07/2014

às 19:15 \ Política & Cia

O “POSTE” DE LULA DESABA: após um ano e meio de mandato, só 17% dos paulistanos aplaudem a gestão do prefeito Fernando Haddad

Desgaste com o PT: Haddad é acusado internamente de agir contra os interesses do partido (Ilustração: Studio Abacate)

Desgaste com o PT: Haddad tem ínfimo apoio popular e, dentro do PT, ainda é acusado de agir contra os interesses do partido (Ilustração: Studio Abacate)

 

Como o prefeito Fernando Haddad enfrenta nos bastidores a baixa popularidade entre os paulistanos e os atritos com vereadores e seu próprio partido

Reportagem de Daniel Bergamasco Mauricio Xavier, com colaboração de Silas ColomboJoão Batista Jr., publicada em edição impressa de VEJA SÃO PAULO

Ao assumir a principal cadeira do Edifício Matarazzo, a imponente sede da Prefeitura de São Paulo revestida de mármore travertino, em janeiro de 2013, Fernando Haddad frustrou a maior sanha dos vereadores: indicar subprefeitos. Aos poucos, acabou cedendo a pressões para a indicação de chefes de gabinete e de ocupantes de outros cargos, mas não dava brecha nas nomeações para as vagas mais cobiçadas.

Nos últimos tempos, esse muro caiu. Sob forte pressão dos parlamentares famintos de influência em órgãos recheados de poder e bons contratos, trocou, desde maio, doze desses chefes. Entre outros recompensados, Antonio Goulart (PSD) emplacou o titular da Vila Mariana, Orlando Silva (PCdoB), o do Jabaquara, Arselino Tatto (PT) e Milton Leite (DEM), o do M’Boi Mirim.

Dar um passo para trás foi crucial na governabilidade do petista, que viu sua base rachar na Câmara, está escanteado por boa parte do PT, tem problemas sérios de orçamento e recebeu, na última semana, mais um golpe. Pesquisa do Instituto Datafolha divulgada na segunda (30) manteve praticamente inalterado seu baixo índice de aprovação popular, o que representou uma péssima notícia para Haddad.

Após um ano e meio de mandato, apenas 17% dos paulistanos consideram sua gestão boa ou ótima. Na comparação do mesmo período com prefeitos das últimas três décadas, o número só é superior ao de Jânio Quadros (1986-1988), com 9%, e ao de Celso Pitta (1997-2000), com 11%.

Haddad bem que tentou minimizar a história. “Todo governo de mudança passa por isso. É preciso esperar um pouco até que as pessoas assimilem uma nova cultura”, afirmou. Nos bastidores, sua reação é dúbia. Se tem tomado providências para manter algum diálogo com vereadores, ele tenta não demonstrar grande apego ao cargo – costuma dizer aos aliados que o importante é implantar as medidas necessárias para a cidade.

Ao mesmo tempo, põe na ponta do lápis a conta da reeleição: se elevar a aprovação de 17% para 25% ao fim do mandato e conquistar um terço dos que o consideram regular (44%), teria fôlego para continuar na poltrona. Para isso ser possível, porém, avalia que precisa de empenho de Dilma Rousseff. Por questões políticas, a presidente pediu ao Senado que travasse um projeto de lei que aliviaria muito a sufocante dívida do município.

Com o ex-presidente Lula, a relação é melhor: os dois se falam sempre e almoçam uma vez por semana. Enquanto continua bem na foto com o padrinho político, está desgastado com o restante do PT.

José Américo (ao microfone), no dia em que os vereadores rejeitaram a criação de feriado em dia de jogo: o prefeito sente falta de apoio mais enfático (Foto: Rafael Arbex/Estadão Conteúdo)

José Américo (ao microfone), no dia em que os vereadores rejeitaram a criação de feriado em dia de jogo: o prefeito sente falta de apoio mais enfático (Foto: Rafael Arbex/Estadão Conteúdo)

Internamente, é acusado de agir contra os interesses do partido, ao ter criado, por exemplo, a Controlado­ria-Geral do Município, cujas investigações da máfia do ISS culminaram na saída do secretário de Governo, Antonio Donato, após um dos denunciados ter declarado que pagava mesada a ele para manter o esquema. Donato pediu afastamento jurando inocência e reclamando da falta de uma defesa enfática por parte do chefe.

Esse clima, somado à impopularidade, fará com que Haddad tenha participação discreta na campanha de Alexandre Padilha para o governo estadual. O partido elegeu não a ele, mas a senadora Marta Suplicy para circular com o candidato ao redor da capital.

Para piorar, a relação com o também petista José Américo, presidente da Câmara dos Vereadores, não é das melhores. Nos bastidores, ele costuma criticar o prefeito e um de seus nomes mais próximos, o secretário de Comunicação, Nunzio Briguglio, a quem chama de “Nunzio Bagulho”, pela dificuldade em ter seus pleitos atendidos.

Uma das últimas desavenças envolveu a recusa dos quinze convites para a abertura da Copa do Mundo, no Itaquerão, enviados pela administração. Américo queria embarcar todos os membros do plenário no evento.

O pior estaria por vir. Haddad avaliou que não houve empenho do suposto aliado na aprovação na Câmara de um feriado em 23 de junho, planejado para evitar o caos nos congestionamentos nesse dia: a metrópole receberia Holanda x Chile e o Brasil enfrentaria Camarões em Brasília.

Não ficou barato. Uma propaganda de rádio criada pela equipe de Haddad cravava: “A Prefeitura de São Paulo está buscando alternativas para minimizar os problemas de trânsito (…), uma vez que a Câmara Municipal não aprovou o feriado para esse dia”. Américo ligou furioso e, após dois dias no ar, a peça teve a provocação suprimida – segundo a Secretaria de Comunicação, a mudança do conteúdo estava planejada desde o princípio.

Em março, o prefeito havia revoltado os vereadores ao subir em carro de som do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e incitar os militantes a pressionar os políticos para a votação do Plano Diretor, o conjunto de diretrizes de longo prazo do desenvolvimento da cidade.

Em paralelo, o tom sereno do prefeito tem mudado desde a derrocada da popularidade. Em um gesto considerado como de desespero pelos opositores, teria feito acenos amigáveis a alguns deles. “Ele me chamou há algumas semanas em sua sala durante um evento e propôs uma trégua”, relata o tucano Floriano Pesaro. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

18/06/2014

às 13:59 \ Política & Cia

ELEIÇÕES 2014: Serra volta a pensar em candidatura ao Senado, mas não depende só dele

Alckmin com Serra, que poderá ir para o Senado, e com Kassab, eventual vice na chapa: o governador não disse ainda o que prefere para a eleição de outubro (Foto: Folhapress)

Alckmin com Serra, que poderá ir para o Senado, e com Kassab, eventual vice na chapa: o governador não disse ainda o que prefere para a eleição de outubro (Foto: Folhapress)

O PSDB namora com afinco a possibilidade de terminar com os 24 anos de Eduardo Suplicy (PT) como um dos três representantes de São Paulo no Senado, e as pesquisas de intenção de voto até agora colocam o ex-presidenciável e ex-governador tucano José Serra disparado na frente do petista.

Escaldado por três derrotas para cargos majoritários — a tentativa de chegar à Presidência, em 2002 e 2010, e sobretudo a eleição em que pretendia voltar à Prefeitura da capital em 2012, ganha pelo ex-ministro da Educação Fernando Haddad (PT) –, Serra inclinou-se a concorrer à Câmara dos Deputados, a que já pertenceu, e para a qual seria eleito certamente com grande votação. Isso teria a vantagem adicional de levar outros candidatos da coligação PSDB-DEM para Brasília.

O ex-governador, porém, segundo fontes bem informadas, voltou a pensar no Senado nos últimos dias. O problema é que o governador Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição e figura-chave para a convenção estadual do partido, ainda não decidiu se convidará o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) para compor a chapa como vice ou se prefere indicá-lo para brigar com Suplicy.

O dilema de Alckmin é compreensível. Um Kassab vice-governador seria algo muito pouco confortável, uma vez que ele pretende apoiar a reeleição da presidente Dilma — quando o candidato do partido do governador, naturalmente, é o senador Aécio Neves. Mas, se Kassab reforça a chapa para o Palácio dos Bandeirantes, não tem a penetração em todo o Estado de Serra como aspirante ao Senado.

Nenhuma das escolhas de Alckmin deixará de causar algum desgaste para os tucanos. De todo modo, o presidenciável Aécio Neves, presidente do partido, participará da decisão, e vai levar em conta que cresce a cada dia a pressão para que Serra seja o candidato ao Senado.

16/06/2014

às 18:17 \ Política & Cia

FHC: “Lula veste carapuça e rebaixa o nível da campanha”

O candidato à Presidência, Aécio Neves, e o ex-presidente FHC durante Convenção Nacional do PSDB, em São Paulo (Foto: Tom Dib/ACOM Bruno Covas)

O candidato à Presidência, Aécio Neves, e o ex-presidente FHC durante Convenção Nacional do PSDB, em São Paulo (Foto: Tom Dib/ACOM/Bruno Covas)

FHC: ‘LULA VESTE CARAPUÇA E REBAIXA NÍVEL DA CAMPANHA’

Petista disse que tucano comprou votos no Congresso para aprovar a reeleição presidencial. “Ninguém teve a coragem de levar essa falsidade à Justiça”, diz FHC

Por Felipe Frazão, do site de VEJA

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB) reagiu nesta segunda-feira à declaração de seu sucessor, o ex-presidente Lula (PT), que o acusou de ter comprado votos, em 1996, para aprovar a emenda constitucional que instituiu a reeleição no ano seguinte.

Sem nenhuma menção ao maior escândalo de corrupção da história do país, que marcou seu governo e terminou com seus aliados presos, o mensalão, Lula disse que FHC “estabeleceu a promiscuidade entre o Poder Executivo e o Congresso Nacional, quando começou a comprar voto para ser aprovada a reeleição, em 1996″.

Em nota, FHC rebateu: ”Lamento que o ex-presidente Lula tenha levado a campanha eleitoral para níveis tão baixos”, afirmou o tucano. “A acusação de compra de votos na emenda da reeleição não se sustenta: ninguém teve a coragem de levar essa falsidade à Justiça.”

Leia mais: Em SP, PT defende Dilma e esquece candidatura de Padilha
Tsunami varrerá PT do governo, diz Aécio Neves

Neste domingo, Lula aproveitou a convenção estadual do PT para homologar a candidatura do ex-ministro Alexandre Padilha (Saúde) ao governo de São Paulo para conclamar militantes a fazer uma campanha contra o “ódio da oposição e das elites” ao partido, à presidente Dilma Rousseff e ao prefeito paulistano Fernando Haddad – uma reação aos índices em declive de aprovação de Dilma e ao desgaste do PT.

Lula também disse que a oposição tentou tirá-lo da Presidência por meio de golpe, em 2005, auge do mensalão.

O ex-presidente FHC virou alvo de Lula porque participou no sábado da Convenção Nacional do PSDB que escolheu Aécio Neves como candidato à sucessão de Dilma.

FHC discursou contra “ladrões” e “farsantes”: “As urnas clamam, querem mudança. Elas cansaram de empulhação, corrupção, mentira e distanciamento entre o governo e o povo”.

Na ocasião, Aécio disparou:

– Um tsunami vai varrer do governo aqueles que não têm se mostrado dignos de atender às demandas da sociedade.

Os petistas reagiram dizendo que “no Brasil não tem tsunami” e que a onda gigante deveria servir para “trazer água de volta ao Sistema Cantareira” – em referência aos problemas de abastecimento no governo Geraldo Alckmin (PSDB).

Leia a íntegra da nota de FHC:

Lamento que o ex-presidente Lula tenha levado a campanha eleitoral para níveis tão baixos.

Na convenção do PSDB não acusei ninguém; disse que queria ver os corruptos longe de nós. Não era preciso vestir a carapuça.

A acusação de compra de votos na emenda da reeleição não se sustenta: ninguém teve a coragem de levar essa falsidade à Justiça. 

Não é verdade que a oposição pretendesse derrubar o presidente Lula em 2005.

Na ocasião, pedimos justiça para quem havia usado recursos públicos e privados na compra de apoios no Congresso, o que foi feito pelo Supremo Tribunal Federal. 

Apelo às lideranças responsáveis, do governo e da oposição, para que a campanha eleitoral se concentre na discussão dos problemas do povo e nos rumos do Brasil.

06/05/2014

às 15:50 \ Política & Cia

Petista Padilha quer aliança com Maluf e mensaleiro em São Paulo

Pré-candidato ao governo de São Paulo, o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha afirma que busca o apoio de Maluf e Valdemar Costa Neto (Foto:

Pré-candidato ao governo de São Paulo, o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha afirma que busca o apoio de Maluf e Valdemar Costa Neto (Foto: Folha de S. Paulo/UOL/SBT/Jovem Pan)

Candidato ao governo de São Paulo, ex-ministro da Saúde afirma que buscará o apoio de PP e PR e que “não ‘fulaniza’ a política”

Por Felipe Frazão, do site de VEJA

Pré-candidato ao governo de São Paulo, o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT) disse nesta terça-feira que buscará o apoio do PP, comandado pelo deputado Paulo Maluf em São Paulo, e do PR, do ex-deputado mensaleiro Valdemar Costa Neto. Os dois partidos apoiam o governador Geraldo Alckmin (PSDB) na Assembleia Legislativa do Estado e o governo Dilma Rousseff no plano federal.

“Vamos construir uma candidatura mais ampla, a aliança mais ampla que o PT já teve em São Paulo. Quero aliança com PP e com PR. Nós queremos tirar esses partidos da base do Alckmin”, disse o petista durante sabatina do jornal Folha de S.Paulo, UOL, SBT e rádio Jovem Pan.

Questionado por jornalistas se tiraria fotos ao lado de Maluf, como fez o prefeito da capital paulista, Fernando Haddad (PT), em 2012, Padilha esquivou-se e disse que ”não ‘fulaniza’ a política”: Vocês [a imprensa] vão mostrar [Maluf e Costa Neto ao meu lado]“.

O ex-presidente Lula cumprimenta o deputado federal Paulo Maluf, durante anúncio de apoio do PP à candidatura de Fernando Haddad a prefeito de São Paulo, em 2012 (Foto: Folhapress)

A FOTO HISTÓRICA: Lula troca afagos e sorrisos com aquele que por décadas foi a encarnação do demônio para o PT — o deputado Paulo Maluf –, durante anúncio de apoio do PP malufista à candidatura do petista Fernando Haddad a prefeito de São Paulo, em 2012 (Foto: Folhapress)

Procurado pela Interpol e condenado por superfaturamento de obras quando era prefeito da capital paulista, Maluf mantém o controle do diretório paulista do PP. Mesmo preso em Brasília, onde cumpre pena de sete anos e dez meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no mensalão, Valdemar Costa Neto é o principal líder do PR estadual.

A intenção do comando da campanha de Padilha é formar uma aliança que ajude o PT a superar a barreira do interior do Estado, que tradicionalmente rejeita o PT. “Faço questão de dialogar com quem não pensa igual ao PT”, disse Padilha.

04/05/2014

às 19:00 \ Política & Cia

CARLOS BRICKMANN: vaias indicam que acabou a época em que acusações a líderes petistas não colavam neles

DIA DO TRABALHADOR  CUT/CTB/CSB

Comemoração de 1º de maio da CUT; 80 mil pessoas anunciadas pelos dirigentes, mas só magros 3 mil presentes (Foto: Levi Bianco/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo)

Notas da coluna de Carlos Brickmann publicada em vários jornais neste domingo

Carlos Brickmann

O deputado federal Paulinho da Força, do Solidariedade, foi grosseiro ao se referir à presidente Dilma Rousseff.

Não precisava; não devia (e avançar na tequila num ato político é claramente inconveniente). Correu o risco de abafar a mais importante constatação dos festejos de Primeiro de Maio: a de que acabou a época em que acusações a líderes petistas não aderiam a eles.

Dilma, ausente, foi vaiada; vaiados foram, presentes, os ministros Gilberto Carvalho [que já havia sido vaiado em evento em território teoricamente "amigo", o Sindicato dos Bancários do Rio) e Ricardo Berzoini, o prefeito paulistano Fernando Haddad (ficou mui-to bra-vo!), o candidato ao governo paulista, Alexandre Padilha. Não foram vaiados só na festa da Força Sindical, que montou um palanque oposicionista; foram vaiados também - e alvejados por latas e garrafas - na festa da CUT, o braço sindical do PT.

É importante lembrar, também, que a CUT, de longe a maior central sindical do país, reuniu muito menos gente em sua festa de Primeiro de Maio do que a Força Sindical.

A Força reuniu mais de cem mil pessoas (e anunciou um milhão e meio). A CUT reuniu algo como três mil (e anunciou 80 mil). Até os números inflados por ambas as centrais mostram a diferença de público entre suas festas.

Pior ainda, a CUT festejava também o discurso como eu sou boazinha da presidente Dilma Rousseff em rede nacional de TV, com farta distribuição daquilo que o pessoal do Palácio chamou de "bondades". Não adiantou e as vaias dominaram a comemoração. A explicação oficial é que "houve infiltração".

OK. E tudo indica que a tal infiltração cada vez será mais visível e barulhenta.

xxx

Graça Foster, Alexandre Padilha e André Vargas: todos atingidos pela Operação Lava-Jato. É a PF criando problemas para o governo federal (Fotos: Agência Petrobras; Agência Brasil; Agência Câmara)

Coisa estranha

Certo, Polícia Federal é órgão de Estado, não de governo. É mas não é. E por que, sendo oficialmente subordinada ao ministro da Justiça, criou com a Operação Lava-Jato tantos problemas para o governo federal?

Atingiu a Petrobras (e, com isso, não apenas Graça Foster, um dos mais fiéis braços da presidente Dilma; atingiu a própria presidente Dilma); atingiu empreiteiras imensas, bem nas vésperas da eleição presidencial, na hora mais propícia para ordenhá-las; atingiu candidatos do bolso do colete do ex-presidente Lula, como o até há pouco ministro da Saúde, Alexandre Padilha, candidato-poste ao Governo paulista. Acertou André Vargas, petista roxo, capaz até da besteira de fazer desfeita ao presidente do Supremo, que se atreveu a votar pela condenação dos mensaleiros.

Durante um determinado período, dizia-se que a Polícia Federal tinha uma ala ligada ao ex-ministro José Serra, do PSDB.

Mas Serra saiu do Ministério há 12 anos.

E?

Siga os salários

pf2Quem nada tem a perder é perigoso, ensina Goethe. A Polícia Federal se queixa de estar há sete anos sem aumento. Queixa-se de ingerência política, de transferência a outros setores de suas atribuições constitucionais, de más condições de trabalho.

Um delegado da Polícia Federal começa com R$ 14 mil. E o promotor, que fez o mesmo curso jurídico e também prestou concurso? O Ministério Público do Rio está contratando promotores substitutos por R$ 22.800.

Talvez por isso a Polícia Federal ameace fazer greve na época da Copa.

Ou, em vez de cruzar os braços, esteja fazendo o que é pior para o governo: trabalhar.

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados