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Fernando Haddad

19/07/2014

às 19:15 \ Política & Cia

O “POSTE” DE LULA DESABA: após um ano e meio de mandato, só 17% dos paulistanos aplaudem a gestão do prefeito Fernando Haddad

Desgaste com o PT: Haddad é acusado internamente de agir contra os interesses do partido (Ilustração: Studio Abacate)

Desgaste com o PT: Haddad tem ínfimo apoio popular e, dentro do PT, ainda é acusado de agir contra os interesses do partido (Ilustração: Studio Abacate)

 

Como o prefeito Fernando Haddad enfrenta nos bastidores a baixa popularidade entre os paulistanos e os atritos com vereadores e seu próprio partido

Reportagem de Daniel Bergamasco Mauricio Xavier, com colaboração de Silas ColomboJoão Batista Jr., publicada em edição impressa de VEJA SÃO PAULO

Ao assumir a principal cadeira do Edifício Matarazzo, a imponente sede da Prefeitura de São Paulo revestida de mármore travertino, em janeiro de 2013, Fernando Haddad frustrou a maior sanha dos vereadores: indicar subprefeitos. Aos poucos, acabou cedendo a pressões para a indicação de chefes de gabinete e de ocupantes de outros cargos, mas não dava brecha nas nomeações para as vagas mais cobiçadas.

Nos últimos tempos, esse muro caiu. Sob forte pressão dos parlamentares famintos de influência em órgãos recheados de poder e bons contratos, trocou, desde maio, doze desses chefes. Entre outros recompensados, Antonio Goulart (PSD) emplacou o titular da Vila Mariana, Orlando Silva (PCdoB), o do Jabaquara, Arselino Tatto (PT) e Milton Leite (DEM), o do M’Boi Mirim.

Dar um passo para trás foi crucial na governabilidade do petista, que viu sua base rachar na Câmara, está escanteado por boa parte do PT, tem problemas sérios de orçamento e recebeu, na última semana, mais um golpe. Pesquisa do Instituto Datafolha divulgada na segunda (30) manteve praticamente inalterado seu baixo índice de aprovação popular, o que representou uma péssima notícia para Haddad.

Após um ano e meio de mandato, apenas 17% dos paulistanos consideram sua gestão boa ou ótima. Na comparação do mesmo período com prefeitos das últimas três décadas, o número só é superior ao de Jânio Quadros (1986-1988), com 9%, e ao de Celso Pitta (1997-2000), com 11%.

Haddad bem que tentou minimizar a história. “Todo governo de mudança passa por isso. É preciso esperar um pouco até que as pessoas assimilem uma nova cultura”, afirmou. Nos bastidores, sua reação é dúbia. Se tem tomado providências para manter algum diálogo com vereadores, ele tenta não demonstrar grande apego ao cargo – costuma dizer aos aliados que o importante é implantar as medidas necessárias para a cidade.

Ao mesmo tempo, põe na ponta do lápis a conta da reeleição: se elevar a aprovação de 17% para 25% ao fim do mandato e conquistar um terço dos que o consideram regular (44%), teria fôlego para continuar na poltrona. Para isso ser possível, porém, avalia que precisa de empenho de Dilma Rousseff. Por questões políticas, a presidente pediu ao Senado que travasse um projeto de lei que aliviaria muito a sufocante dívida do município.

Com o ex-presidente Lula, a relação é melhor: os dois se falam sempre e almoçam uma vez por semana. Enquanto continua bem na foto com o padrinho político, está desgastado com o restante do PT.

José Américo (ao microfone), no dia em que os vereadores rejeitaram a criação de feriado em dia de jogo: o prefeito sente falta de apoio mais enfático (Foto: Rafael Arbex/Estadão Conteúdo)

José Américo (ao microfone), no dia em que os vereadores rejeitaram a criação de feriado em dia de jogo: o prefeito sente falta de apoio mais enfático (Foto: Rafael Arbex/Estadão Conteúdo)

Internamente, é acusado de agir contra os interesses do partido, ao ter criado, por exemplo, a Controlado­ria-Geral do Município, cujas investigações da máfia do ISS culminaram na saída do secretário de Governo, Antonio Donato, após um dos denunciados ter declarado que pagava mesada a ele para manter o esquema. Donato pediu afastamento jurando inocência e reclamando da falta de uma defesa enfática por parte do chefe.

Esse clima, somado à impopularidade, fará com que Haddad tenha participação discreta na campanha de Alexandre Padilha para o governo estadual. O partido elegeu não a ele, mas a senadora Marta Suplicy para circular com o candidato ao redor da capital.

Para piorar, a relação com o também petista José Américo, presidente da Câmara dos Vereadores, não é das melhores. Nos bastidores, ele costuma criticar o prefeito e um de seus nomes mais próximos, o secretário de Comunicação, Nunzio Briguglio, a quem chama de “Nunzio Bagulho”, pela dificuldade em ter seus pleitos atendidos.

Uma das últimas desavenças envolveu a recusa dos quinze convites para a abertura da Copa do Mundo, no Itaquerão, enviados pela administração. Américo queria embarcar todos os membros do plenário no evento.

O pior estaria por vir. Haddad avaliou que não houve empenho do suposto aliado na aprovação na Câmara de um feriado em 23 de junho, planejado para evitar o caos nos congestionamentos nesse dia: a metrópole receberia Holanda x Chile e o Brasil enfrentaria Camarões em Brasília.

Não ficou barato. Uma propaganda de rádio criada pela equipe de Haddad cravava: “A Prefeitura de São Paulo está buscando alternativas para minimizar os problemas de trânsito (…), uma vez que a Câmara Municipal não aprovou o feriado para esse dia”. Américo ligou furioso e, após dois dias no ar, a peça teve a provocação suprimida – segundo a Secretaria de Comunicação, a mudança do conteúdo estava planejada desde o princípio.

Em março, o prefeito havia revoltado os vereadores ao subir em carro de som do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e incitar os militantes a pressionar os políticos para a votação do Plano Diretor, o conjunto de diretrizes de longo prazo do desenvolvimento da cidade.

Em paralelo, o tom sereno do prefeito tem mudado desde a derrocada da popularidade. Em um gesto considerado como de desespero pelos opositores, teria feito acenos amigáveis a alguns deles. “Ele me chamou há algumas semanas em sua sala durante um evento e propôs uma trégua”, relata o tucano Floriano Pesaro. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

18/06/2014

às 13:59 \ Política & Cia

ELEIÇÕES 2014: Serra volta a pensar em candidatura ao Senado, mas não depende só dele

Alckmin com Serra, que poderá ir para o Senado, e com Kassab, eventual vice na chapa: o governador não disse ainda o que prefere para a eleição de outubro (Foto: Folhapress)

Alckmin com Serra, que poderá ir para o Senado, e com Kassab, eventual vice na chapa: o governador não disse ainda o que prefere para a eleição de outubro (Foto: Folhapress)

O PSDB namora com afinco a possibilidade de terminar com os 24 anos de Eduardo Suplicy (PT) como um dos três representantes de São Paulo no Senado, e as pesquisas de intenção de voto até agora colocam o ex-presidenciável e ex-governador tucano José Serra disparado na frente do petista.

Escaldado por três derrotas para cargos majoritários — a tentativa de chegar à Presidência, em 2002 e 2010, e sobretudo a eleição em que pretendia voltar à Prefeitura da capital em 2012, ganha pelo ex-ministro da Educação Fernando Haddad (PT) –, Serra inclinou-se a concorrer à Câmara dos Deputados, a que já pertenceu, e para a qual seria eleito certamente com grande votação. Isso teria a vantagem adicional de levar outros candidatos da coligação PSDB-DEM para Brasília.

O ex-governador, porém, segundo fontes bem informadas, voltou a pensar no Senado nos últimos dias. O problema é que o governador Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição e figura-chave para a convenção estadual do partido, ainda não decidiu se convidará o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) para compor a chapa como vice ou se prefere indicá-lo para brigar com Suplicy.

O dilema de Alckmin é compreensível. Um Kassab vice-governador seria algo muito pouco confortável, uma vez que ele pretende apoiar a reeleição da presidente Dilma — quando o candidato do partido do governador, naturalmente, é o senador Aécio Neves. Mas, se Kassab reforça a chapa para o Palácio dos Bandeirantes, não tem a penetração em todo o Estado de Serra como aspirante ao Senado.

Nenhuma das escolhas de Alckmin deixará de causar algum desgaste para os tucanos. De todo modo, o presidenciável Aécio Neves, presidente do partido, participará da decisão, e vai levar em conta que cresce a cada dia a pressão para que Serra seja o candidato ao Senado.

16/06/2014

às 18:17 \ Política & Cia

FHC: “Lula veste carapuça e rebaixa o nível da campanha”

O candidato à Presidência, Aécio Neves, e o ex-presidente FHC durante Convenção Nacional do PSDB, em São Paulo (Foto: Tom Dib/ACOM Bruno Covas)

O candidato à Presidência, Aécio Neves, e o ex-presidente FHC durante Convenção Nacional do PSDB, em São Paulo (Foto: Tom Dib/ACOM/Bruno Covas)

FHC: ‘LULA VESTE CARAPUÇA E REBAIXA NÍVEL DA CAMPANHA’

Petista disse que tucano comprou votos no Congresso para aprovar a reeleição presidencial. “Ninguém teve a coragem de levar essa falsidade à Justiça”, diz FHC

Por Felipe Frazão, do site de VEJA

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB) reagiu nesta segunda-feira à declaração de seu sucessor, o ex-presidente Lula (PT), que o acusou de ter comprado votos, em 1996, para aprovar a emenda constitucional que instituiu a reeleição no ano seguinte.

Sem nenhuma menção ao maior escândalo de corrupção da história do país, que marcou seu governo e terminou com seus aliados presos, o mensalão, Lula disse que FHC “estabeleceu a promiscuidade entre o Poder Executivo e o Congresso Nacional, quando começou a comprar voto para ser aprovada a reeleição, em 1996″.

Em nota, FHC rebateu: ”Lamento que o ex-presidente Lula tenha levado a campanha eleitoral para níveis tão baixos”, afirmou o tucano. “A acusação de compra de votos na emenda da reeleição não se sustenta: ninguém teve a coragem de levar essa falsidade à Justiça.”

Leia mais: Em SP, PT defende Dilma e esquece candidatura de Padilha
Tsunami varrerá PT do governo, diz Aécio Neves

Neste domingo, Lula aproveitou a convenção estadual do PT para homologar a candidatura do ex-ministro Alexandre Padilha (Saúde) ao governo de São Paulo para conclamar militantes a fazer uma campanha contra o “ódio da oposição e das elites” ao partido, à presidente Dilma Rousseff e ao prefeito paulistano Fernando Haddad – uma reação aos índices em declive de aprovação de Dilma e ao desgaste do PT.

Lula também disse que a oposição tentou tirá-lo da Presidência por meio de golpe, em 2005, auge do mensalão.

O ex-presidente FHC virou alvo de Lula porque participou no sábado da Convenção Nacional do PSDB que escolheu Aécio Neves como candidato à sucessão de Dilma.

FHC discursou contra “ladrões” e “farsantes”: “As urnas clamam, querem mudança. Elas cansaram de empulhação, corrupção, mentira e distanciamento entre o governo e o povo”.

Na ocasião, Aécio disparou:

– Um tsunami vai varrer do governo aqueles que não têm se mostrado dignos de atender às demandas da sociedade.

Os petistas reagiram dizendo que “no Brasil não tem tsunami” e que a onda gigante deveria servir para “trazer água de volta ao Sistema Cantareira” – em referência aos problemas de abastecimento no governo Geraldo Alckmin (PSDB).

Leia a íntegra da nota de FHC:

Lamento que o ex-presidente Lula tenha levado a campanha eleitoral para níveis tão baixos.

Na convenção do PSDB não acusei ninguém; disse que queria ver os corruptos longe de nós. Não era preciso vestir a carapuça.

A acusação de compra de votos na emenda da reeleição não se sustenta: ninguém teve a coragem de levar essa falsidade à Justiça. 

Não é verdade que a oposição pretendesse derrubar o presidente Lula em 2005.

Na ocasião, pedimos justiça para quem havia usado recursos públicos e privados na compra de apoios no Congresso, o que foi feito pelo Supremo Tribunal Federal. 

Apelo às lideranças responsáveis, do governo e da oposição, para que a campanha eleitoral se concentre na discussão dos problemas do povo e nos rumos do Brasil.

06/05/2014

às 15:50 \ Política & Cia

Petista Padilha quer aliança com Maluf e mensaleiro em São Paulo

Pré-candidato ao governo de São Paulo, o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha afirma que busca o apoio de Maluf e Valdemar Costa Neto (Foto:

Pré-candidato ao governo de São Paulo, o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha afirma que busca o apoio de Maluf e Valdemar Costa Neto (Foto: Folha de S. Paulo/UOL/SBT/Jovem Pan)

Candidato ao governo de São Paulo, ex-ministro da Saúde afirma que buscará o apoio de PP e PR e que “não ‘fulaniza’ a política”

Por Felipe Frazão, do site de VEJA

Pré-candidato ao governo de São Paulo, o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT) disse nesta terça-feira que buscará o apoio do PP, comandado pelo deputado Paulo Maluf em São Paulo, e do PR, do ex-deputado mensaleiro Valdemar Costa Neto. Os dois partidos apoiam o governador Geraldo Alckmin (PSDB) na Assembleia Legislativa do Estado e o governo Dilma Rousseff no plano federal.

“Vamos construir uma candidatura mais ampla, a aliança mais ampla que o PT já teve em São Paulo. Quero aliança com PP e com PR. Nós queremos tirar esses partidos da base do Alckmin”, disse o petista durante sabatina do jornal Folha de S.Paulo, UOL, SBT e rádio Jovem Pan.

Questionado por jornalistas se tiraria fotos ao lado de Maluf, como fez o prefeito da capital paulista, Fernando Haddad (PT), em 2012, Padilha esquivou-se e disse que ”não ‘fulaniza’ a política”: Vocês [a imprensa] vão mostrar [Maluf e Costa Neto ao meu lado]“.

O ex-presidente Lula cumprimenta o deputado federal Paulo Maluf, durante anúncio de apoio do PP à candidatura de Fernando Haddad a prefeito de São Paulo, em 2012 (Foto: Folhapress)

A FOTO HISTÓRICA: Lula troca afagos e sorrisos com aquele que por décadas foi a encarnação do demônio para o PT — o deputado Paulo Maluf –, durante anúncio de apoio do PP malufista à candidatura do petista Fernando Haddad a prefeito de São Paulo, em 2012 (Foto: Folhapress)

Procurado pela Interpol e condenado por superfaturamento de obras quando era prefeito da capital paulista, Maluf mantém o controle do diretório paulista do PP. Mesmo preso em Brasília, onde cumpre pena de sete anos e dez meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no mensalão, Valdemar Costa Neto é o principal líder do PR estadual.

A intenção do comando da campanha de Padilha é formar uma aliança que ajude o PT a superar a barreira do interior do Estado, que tradicionalmente rejeita o PT. “Faço questão de dialogar com quem não pensa igual ao PT”, disse Padilha.

04/05/2014

às 19:00 \ Política & Cia

CARLOS BRICKMANN: vaias indicam que acabou a época em que acusações a líderes petistas não colavam neles

DIA DO TRABALHADOR  CUT/CTB/CSB

Comemoração de 1º de maio da CUT; 80 mil pessoas anunciadas pelos dirigentes, mas só magros 3 mil presentes (Foto: Levi Bianco/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo)

Notas da coluna de Carlos Brickmann publicada em vários jornais neste domingo

Carlos Brickmann

O deputado federal Paulinho da Força, do Solidariedade, foi grosseiro ao se referir à presidente Dilma Rousseff.

Não precisava; não devia (e avançar na tequila num ato político é claramente inconveniente). Correu o risco de abafar a mais importante constatação dos festejos de Primeiro de Maio: a de que acabou a época em que acusações a líderes petistas não aderiam a eles.

Dilma, ausente, foi vaiada; vaiados foram, presentes, os ministros Gilberto Carvalho [que já havia sido vaiado em evento em território teoricamente "amigo", o Sindicato dos Bancários do Rio) e Ricardo Berzoini, o prefeito paulistano Fernando Haddad (ficou mui-to bra-vo!), o candidato ao governo paulista, Alexandre Padilha. Não foram vaiados só na festa da Força Sindical, que montou um palanque oposicionista; foram vaiados também - e alvejados por latas e garrafas - na festa da CUT, o braço sindical do PT.

É importante lembrar, também, que a CUT, de longe a maior central sindical do país, reuniu muito menos gente em sua festa de Primeiro de Maio do que a Força Sindical.

A Força reuniu mais de cem mil pessoas (e anunciou um milhão e meio). A CUT reuniu algo como três mil (e anunciou 80 mil). Até os números inflados por ambas as centrais mostram a diferença de público entre suas festas.

Pior ainda, a CUT festejava também o discurso como eu sou boazinha da presidente Dilma Rousseff em rede nacional de TV, com farta distribuição daquilo que o pessoal do Palácio chamou de "bondades". Não adiantou e as vaias dominaram a comemoração. A explicação oficial é que "houve infiltração".

OK. E tudo indica que a tal infiltração cada vez será mais visível e barulhenta.

xxx

Graça Foster, Alexandre Padilha e André Vargas: todos atingidos pela Operação Lava-Jato. É a PF criando problemas para o governo federal (Fotos: Agência Petrobras; Agência Brasil; Agência Câmara)

Coisa estranha

Certo, Polícia Federal é órgão de Estado, não de governo. É mas não é. E por que, sendo oficialmente subordinada ao ministro da Justiça, criou com a Operação Lava-Jato tantos problemas para o governo federal?

Atingiu a Petrobras (e, com isso, não apenas Graça Foster, um dos mais fiéis braços da presidente Dilma; atingiu a própria presidente Dilma); atingiu empreiteiras imensas, bem nas vésperas da eleição presidencial, na hora mais propícia para ordenhá-las; atingiu candidatos do bolso do colete do ex-presidente Lula, como o até há pouco ministro da Saúde, Alexandre Padilha, candidato-poste ao Governo paulista. Acertou André Vargas, petista roxo, capaz até da besteira de fazer desfeita ao presidente do Supremo, que se atreveu a votar pela condenação dos mensaleiros.

Durante um determinado período, dizia-se que a Polícia Federal tinha uma ala ligada ao ex-ministro José Serra, do PSDB.

Mas Serra saiu do Ministério há 12 anos.

E?

Siga os salários

pf2Quem nada tem a perder é perigoso, ensina Goethe. A Polícia Federal se queixa de estar há sete anos sem aumento. Queixa-se de ingerência política, de transferência a outros setores de suas atribuições constitucionais, de más condições de trabalho.

Um delegado da Polícia Federal começa com R$ 14 mil. E o promotor, que fez o mesmo curso jurídico e também prestou concurso? O Ministério Público do Rio está contratando promotores substitutos por R$ 22.800.

Talvez por isso a Polícia Federal ameace fazer greve na época da Copa.

Ou, em vez de cruzar os braços, esteja fazendo o que é pior para o governo: trabalhar.

04/05/2014

às 17:30 \ Política & Cia

NEIL FERREIRA: eu não sou macaco não

De um eleitorado total de 135 milhões de pessoas, 80 milhões não votaram em Dilma -- e isso não é algo que se possa ignorar (Foto: Celso Junior / Reuters)

A presidenta abusou do populismo… (Foto: Celso Junior / Reuters)

Por Neil Ferreira

neil-ferreiraAntes Poste Escriptum:

1º de Maio:

apenas um dia

(só um dia !)

depois do dia 30 de abril, em que todo mundo produtivo

(todo mundo !)

Foi forçado a pagar o dízimo ao Lula

(o dinheiro do imposto que o otariado nacional pagou foi pro Lula, sim senhor, e seu quadrilheiros; se não foi, foi pro Delúbio; se não foi, fica sendo).

Miss Piggy anunciou em cadeia nacional de rádio e TV, um minúsculo desconto na tabela do IR, em descarada campanha eleitoral contra a lei, fora do prazo legal; todos nós ouvimos o silêncio cúmplice do TSE e o parvo silêncio da oposicinha.

Veja que sapiência da homa sapienta (se temos “presidenta” , temos “homa sapienta”): a cuja marcou o desconto só para daqui um ano, na próxima declaração; se ela não for reeleita, a conta fica para quem for eleito.

E, ishperrta, deu aumento pra Bolsa Família, este pra vigorar agora e começar a pagar os votos a serem comprados no feirão do “país dos mais de 80%”.

Até o Financial Times, sério, responsável e respeitado (dizem que frequenta todas as mesas de todos os presidentes de todos os países deste mundo e do Paraguai) disse que a Miss Piggy abusou do populismo.

Eu não sou macaco não

Neil yes nós temos banana Ferreira

O macaco tá certo; faz questão de não ter mais nada a ver com seus alegados descendentes, se é que algum dia teve. Não adianta uma campanha de propaganda enganosa dizer que “Somos todos macacos”; não somos. Eu não sou macaco não.

Os amigos da minha geração, ou até alguns mais novos, talvez se lembrem de uma marchinha que fez enorme sucesso em um dos nossos carnavais do passado: “Yes nós temos banana, Banana pra dar e vendeeeer…”

A dita cuja banana foi beneficiada por uma marqueteragem que atingiu nível mundial e recolocou Darwin e sua Teoria da Evolução na mídia: “Somos todos macacos”. Eu não sou macaco não.

Vamos e venhamos, o jogador Dani Alves, que fez um gesto dramático e bem humorado contra o racismo, ao comer a banana que atiraram nele num jogo de futebol, detonou reações favoráveis nos clubes de futebol, imprensa e redes sociais politicamente corretas, em todas as línguas e sotaques, só não lembro da China nem da Coréia do Norte, reino daquele gordinho gozado mas perigoso, ambas repúblicas populares do povo chinês e coreano, respectivamente.

Até Neymar Jr, que não dá ponto sem nó na costura da sua imagem, apareceu no mesmo dia com uma foto dele e do seu filho com um cacho de bananas. Não perdoa nem seu filho nas marqueteragens.

Haveria de plantão, como dizem que há todos os dias, prontos pra registrar seus mergulhos e expressões de dor de fratura exposta, na beira de serem inscritas candidatas ao “Oscar”, produtores(as), fotógrafos(as), iluminadores(as), figurinistas, maquiadores(as) e cacho de bananas disponível em Barcelona, onde é mergulhador titular da equipe olímpica de mergulhos ornamentais do Barcelona FC.

Pode me xingar de zelite (sou), direitista (não sei se isso ainda existe) e conservador (sou), caindo aos pedaços de tanto preconceito e merecendo apanhar até na cova do dente, como se diz na pequena e simpática cidade em que nasci.

Meu avô Alexandre e seu irmão, Tio Gué (de Miguel), deram seus nomes à Praça da Igreja, a principal da cidade. Isso não é vantagem porque doaram para a cidade e para a Igreja o terreno bem no centro e o largo foi construído em volta Igreja, ficou uma beleza.

Chamo em meu socorro outra musiquinha pra explicar o que preciso dizer e as palavras me faltam: “Pode me bater, Pode me prender” — aqui dou uma contribuiçãozinha pra melhorar a musiquinha — “ Pode me bater, Pode me prender, Mas macaco eu não sou não”.

Não somos todos macacos, não (Foto: Reprodução Instagram)

Não somos todos macacos, não (Foto: Reprodução Instagram)

De tanto repetir, você vai acabar acreditando que eu não sou macaco não. Disse Goebbels, guru do Duda Mendonça: “– Repita a mentira mil vezes e ela vira verdade”.

Mendonça repetiu zilhões de vezes a mentira “Lulinha paz e amor”, o maior estelionato político de todos os tempos,que virou verdade.

O “país dos mais de 80%” acreditou e votou. Você não queria Democracia? Pois Democracia é isso aí; foi com o voto que o puseram e aos Postes lá; será com o voto que os tiraremos de lá.

Meus ancestrais de milhões de anos atrás podem ter sido macacos, sou evolucionista e acredito no Darwin, mas hoje não sou mais, já fui promovido a um espécime piorado e destruidor do que há de mais rico e belo na natureza, o homo sapiens. A Amazônia está ficando careca, vítima da nossa sapiência.

Apelidado de “câncer da Terra” por alguma inteligência superior, quem sabe um alien, que Darwin não era mas dele recebeu o dom do saber e de ser um sábio da humanidade, que a Ciência e a História transformaram em imortal.

Vamos devagar com essa história de “homo”, que quando um sai do armário é tratado como “sapiens” e herói da raça pela mídia e pelos “entendidos” de grande parte da sociedade bem pensante e politicamente correta, que se juntam em multidões na Parada Gay de São Pulo, sejam eles praticantes, e/ou simpatizantes, e/ou “entendidos”.

Depois de tanto tempo, os macacos nada têm a ver com nosotros; e nem querem. Tanto quanto sei, são incapazes de produzir um macaco-Hitler e o holocausto; um macaco-Stálin e os milhões de mortos da grande fome da estatização das propriedades e da produção agrícolas; o macaco-Truman e as bombas atômicas despejadas sobre Hiroshima e Nagasaki; o macaco-Pol Pot, que destruiu o Camboja também com milhões de mortos; o macaco-Mao Tsé-tung, que já foi o farol da humanidade para os então jovens enxutos e cabeludos, hoje barrigudos e carecas esquerdopatas, que desfilavam gritando Maô Maô Maô, imitando o “sutaque” da turminha da Sorbona — é nóis us mano; nóis fala “Sorbone” mas é “Sorbona”, tá lá no Aurélio, pode conferir, sou mais o Aurélio do que uns e outros.

E nem um macaco-Tião Viana, que despachou 500 haitianos sem nada pra sobreviverem até mesmo com indignidade, serem despejados em São Paulo, como se fossem seu lixo humano.

Quando o macaco-Alckmin, esse sim um macaco de responsa que orgulharia seus ancestrais macacais, quis conversar sobre o assunto, certamente com o livrinho do macaco- Lenin dentro da algibeira, “Que fazer” — pra mim o macaco-Lenin não respondia e sim perguntava — o macaco Tião veio com as quatro patas em riste (macaco tem patas ou mãos ?, acho que tem mãos), ofendendo e xingando toda a macacada pólista de zelite preconceituosa, o absurdo dos absurdos: Sumpólo é a maior cidade nordestina do universo e todos os brasileiros nordestinos que aqui vivem e trabalham, nunca sofreram preconceito. Preconceituosa é a macaca- M(S)inistra dus Dereitos dus Mano, qui num levantô nem uma patinha em defesa da pobre macacada-haitiana.

Meu avô era árabe e nem por isso ainda sou quibe cru; chamava-se Scandara Haddad, lindo e forte nome sírio, nada a ver com Haddad, o mais recente poste do Lula, que o elegeu brefeito de Sum Baulo pelo “país dos mais de 80%”, que elegeu a Primeira Poste de todos, Miss Piggy, e que agora quer eleger governador de São Paulo mais um poste, Padilha. Todo cuidado é pouco.

Padilha só é flor que se cheire pra cumpanherada; foi aprovado Summa Cum Laude no vestiba da corrupa , cotista que é na Universidade Doleira do PhD Youssef.

Ministro Alexandre Padilha, com um golpe novinho para desvendar (Foto: Givaldo Barbosa / Ag. O Globo)

O “poste” Padilha: cotista na Universidade Doleira (Foto: Givaldo Barbosa / Ag. O Globo)

É dos que têm tudo pra ser aprovado logo na primeira chamada. É um daqueles postes que Lula quer enfiar na goela do Estado de São Paulo, pra ser mais um dos que ele falou com toda cara de pau: “De poste em poste vou iluminar o Brasil”; é bebé, mamá na gata ocê num qué né” (ouvido passagem na minha cidadezinha do interior e que se ajusta perfeitamente ao que quero expressar).

O poste Padilha não vai ser fincado em São Paulo se depender de mim e dos meus amigos, ativistas voluntários na internet; não são militantes pagos, da blogosfera chapa-branca suja e malcheirosa, sustentada pelo governo, descaradamente, com uma massa inaudita de anúncios do governo e das estatais.

Miss Piggy bateu recordes de dinheiro jogado fora, anunciando obras que não existem. Não sujo as mãos com petróleo das verdades veiculadas nesses anúncios impressos e comerciais de tv

Os federais já apontaram as ligações do Padilha com Youssef, em número suficiente e comprovado pela “Operação Lava-Jato”, pra tacar-lhe uma bela acusação pela pelo PGR, Procurador Geral da República, que também me parece ser cego, surdo e mudo.

Os macacos-macacos se recusariam a aceitar que o DNA da sua raça estivesse contaminado por semelhante indivíduo, como o macaco-Padilha.

Quanto mais passo os olhos pelas manchetes dos jornais, mais acho que os macacos-macacos se recusam a aceitar que parentes deles são é nóis; o macaco-macaco num é nóis não. Nisso empatamos, eu não sou macaco não e o macaco num é nóis não.

O macaco-Lula, guinchou (macaco guincha ? também não sei) com o mais macacal de todos os seus guinchos: — “O julgamento do mensalão foi 80% político e só 20% jurídico”.

Concordo: se fosse 100% jurídico ele também já estaria na Papuda, cujos pensionistas, do macaco-Dirceu pra baixo, o macaco-Lula disse que não são macacos da sua confiança; mas quem os pariu que os embale (hoje to bão de Vox populi Vox Dei, sorry periferia).

A Petrobras d’O Petróleo é Nosso (nosso nada, é deles), o Bando do Brasil (é bando mesmo), a Nossa Caixa Deles, o BNDESDeles, os Fundões de Pensões Deles afundados nos fundos das fossas que o digam.

Se você achou muito confuso o que o macaco aqui escreveu, o macaco aí está certo. Cito o macaco-Picasso:

“– Se o mundo é incompreensível, a minha pintura também pode ser”.

Mesma coisa com os meus escritos.

24/04/2014

às 18:00 \ Política & Cia

REYNALDO-BH: “Que saibamos identificar – e evitar – os ‘postes’ de Lula neste 2014″

(Foto: Daniel Teixeira/AE)

Fernando Haddad: “em São Paulo, conseguiu o impossível: ser pior que Pitta e Maluf” (Foto: Daniel Teixeira/AE)

POST DO LEITORPost do leitor e amigo do blog Reynaldo-BH

Os postes. Ah, os postes. Alguns de madeira outros de concreto.

E aquela nova espécie, feitos de gente que se deixa usar pelos desígnios do imperador de Garanhuns.

O orgulho e empáfia de Lula que escolhe inexpressivos e despreparados atores para serem protagonistas dependentes do Senhor do PT.

Dilma e Haddad. Uma soma que, se efetuada, dá menos que zero.

Não são donos da própria voz. Repetem a voz do dono. Não são intelectualmente honestos. E são acima de tudo, falsificações assumidas de uma competência inexistente.

No Brasil, já sofremos os efeitos maléficos da super-gerente que não soube comandar uma loja de R$ 1,99. Que exibia em currículo qualificações acadêmicas inexistentes e que, na área onde era a czarina, assinou contratos sem ler.

Na cidade de São Paulo, Haddad conseguiu o impossível. Ser pior que o Pitta, Maluf e agregados. Nada do que prometeu foi cumprido. Criou cortinas de fumaça para esconder os usuários de crack. É ameaçado por sem-tetos. Lança planos impossíveis e projetos que nunca sairão do papel. Aumenta o IPTU a partir de critérios de zonas eleitorais, inovando bolivarianamente uma “justiça” ideológica.

Quantos postes serão necessários para que todos entendam que postes também podem ser… forcas? Sim, forcas, aqueles postes de onde pendem cordas em que pessoas são enforcadas ou se enforcam.

Agora lança Padilha no maior Estado do Brasil. Um ex-médico (renegou a tudo que deveria respeitar) envolvido em mentiras e planos mirabolantes desenhados por outros. Um programa, o “Mais Médicos”, de escravidão consentida e aproveitada com os médicos cubanos. A queda absurda dos índices de atendimento à saúde no Brasil. E a proximidade com André Vargas, o deputado-doleiro.

padilha agencia brasil

Padilha, o novo poste do PT (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Postes não se movem. Há sempre alguém que os coloca de pé.

Um ser humano que aceita ser poste e até se orgulha disto – em detrimento de méritos próprios ou de formação pessoal – merece minha eterna desconfiança à partida.

São menores do que a sombra do poste e sabem disto.

Dilma é um poste. Haddad a repetição do mesmo. Saíram da mesma forma. Do mesmo molde.

Lula se orgulha em ser o engenheiro dos postes que não iluminam e que atrapalham o cenário. Faz bem a megalomania congênita que marca este desvio de conduta que se tornou presidente.

Que saibamos identificar em 2014 – e evitar – os postes de Lula.

16/04/2014

às 19:45 \ Política & Cia

Post do Leitor: FHC, no governo, foi estadista; Lula, chefe de facção

O que diferencia os dois ex-presidentes? (Fotos: Ana Araujo//Tasso Marcelo)

Fazia tempo que não acontecia, mas hoje tenho o prazer de publicar mais um Post do Leitor do amigo do blog Mauro Pereira, representante comercial em Itapeva (SP)

FHC É O FLAGELO DO LULOPETISMO

POST DO LEITORPor esses dias, tive o prazer de reler excelente artigo assinado por Carlos Alberto Sardenberg estabelecendo um comparativo entre os ex-presidentes do Brasil, General Ernesto Geisel e Luiz Inácio Lula da Silva. Com texto predominantemente didático e absoluto conhecimento do tema proposto, Sardenberg nos brindou com uma aula sobre as diferenças que tornaram Geisel e Lula iguais.

Ainda que louvando o fértil saber do articulista renomado, me permito a licenciosidade de percorrer a contramão do seu raciocínio e apontar algumas das diferenças que mantiveram Fernando Henrique Cardoso e Lula diferentes.

Talvez a única semelhança entre eles se expresse no fato de ambos terem desfrutado de dois períodos de quatro anos à frente do Executivo Federal, mas até essa igualdade, beneficiada pelo princípio da naturalidade, se esvai na decisão do então ministro da Educação, e atual prefeito de São Paulo inventado por Lula, proclamando que nem sempre o resultado de quatro mais quatro é oito.

Baseado nesse inovador conceito matemático, entendo ser perfeitamente honesto presumir que os próprios petistas se incumbiram de mantê-los diferentes, o que pode ser creditado como uma das maiores contribuições de Fernando Haddad para o enriquecimento da biografia de FHC.

As diferenças

Vou passar o mais distante possível de qualquer avaliação individualizando a produção intelectual ou a formação acadêmica, pois seria pura perda de tempo. Uma eternidade os separa. Acho menos acachapante iniciar este breve paralelo a que me propus invocando o respeito que devotaram à instituição Presidência da República.

Se FHC restituiu a esse símbolo nacional sua importância e sua dignidade depauperadas pelas passagens devastadoras de Geisel, Sarney e Collor com a postura de chefe de Estado, Lula, no entanto, o remeteu de volta àquele período sombrio vulgarizando-o com o comportamento de chefe de facção. As desigualdades poderiam muito bem ser sintetizadas apenas nesse episódio específico que por si só já seria cabal, mas o exemplo utilizado, como poderemos constatar, é só uma pequena amostragem.

Se FHC revolucionou as comunicações abrindo o caminho para a popularização do telefone, até então privilégio reservado aos ricos, e estruturou o país para ingressar na modernidade da internet que batia à porta, Lula, por sua vez, acenou com uma bolsa-banda larga que não saiu do papel e, em nome de uma estranha democratização da informação, buscou o tempo todo censurar a imprensa.

Se FHC deixou como legado os fundamentos de uma política econômica vitoriosa que derrotou a inflação estratosférica que prejudicava somente os mais pobres e cuja estabilidade propiciou a reintegração do Brasil ao convívio das nações desenvolvidas, além de garantir o retorno dos investimentos internacionais em praticamente todos os setores da produção, Lula, como contrapartida, legou à sua sucessora um buraco enorme nas contas federais que está inviabilizando a administração da presidente Dilma Rousseff e desacelerando as obras do PAC, festejadas, ressalte-se, somente nas propagandas oficiais e nos confins do Brasil Maravilha registrado em cartório, território este habitado apenas pelo lulopetismo delirante.

Se FHC, apesar de algumas derrapadas infelizes, destacando-se o advento da reeleição, que na minha opinião não deveria ter acontecido, registre-se, e a infeliz declaração de apoio à liberação do consumo da maconha, ainda assim é reconhecido até hoje por sua preocupação com os ditames constitucionais e pelo relacionamento respeitoso com os outros dois Poderes, Lula, por sua vez, ganhou notoriedade pelo pouco apego à Constituição, pelo descarado aparelhamento do Judiciário e pela determinação de suprimir o Legislativo. Se não conseguiu, andou bem próximo disso.

Se FHC se empenhou em criar uma malha de proteção social, Lula se incumbiu de instalar uma rede de servidão eleitoral.

Do comportamento humano à lisura no desempenho político

Concluindo, a diferença entre Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva se revela contundente em todos os aspectos passíveis de análise, desde o comportamento humano à lisura no desempenho político, passando pela celebração da ética até ao exercício da competência, culminando no estadista que FHC foi sem nunca ter reivindicado e que Lula, descartando-se a vassalagem, sempre quis ser sem jamais ser reconhecido.

Se FHC é criticado por seu muito ter sido pouco, Lula o contrapõe por seu pouco ter sido muito. Simplificando, é mais edificante saudar o pouco concreto e realizado do que recorrer à exuberância manipulada do muito, abstrato e malandro, que se materializa apenas no inferno improdutivo das boas intenções. Simples. Não para os petistas, é óbvio.

11/03/2014

às 21:04 \ Política & Cia

A chuva em São Paulo e a vocação para a má notícia

Chuva em São Paulo (Foto: Milton Michida / AE)

Chuva em São Paulo: é boa quando existe a ameaça de falta de água, mas a mídia prefere mostrar alagamentos e piora no trânsito (Foto: Milton Michida / AE)

Choveu intensamente hoje em São Paulo. Aliás, tem chovido bastante neste mês de março, diferentemente do que ocorreu em janeiro e fevereiro, tradicionalmente meses de chuva intensa e que, para espanto dos meteorologistas, foram meses virtualmente “secos”.

Pois bem, a maior cidade do país está sob ameaça de falta de água devido ao baixíssimo nível das represas que a alimentam, em especial o Sistema Cantareira.

Como choveu muito hoje, imaginei que as emissoras de rádio e os sites noticiosos que se interessam pelo assunto iriam o dia todo tentar conferir o impacto das chuvas na questão da possível falta de água.

Que nada! O que li e ouvi, em quase toda parte, foi sobre… alagamentos, bueiros entupidos (graças à brilhante gestão do prefeito Fernando Haddad, que nem para isto tem servido), caminhões enguiçados, congestionamento de trânsito — tudo causado pela chuva.

Com exceção de um pequeno registro pela Rádio CBN — façamos justiça –, o público só recebeu as MÁS notícias sobre a chuva, quando a queda de chuva é, a esta altura, também uma ÓTIMA notícia.

Então, fui conferir no site da Sabesp, a estatal responsável pelo fornecimento de água e o tratamento de esgotos da maioria dos municípios paulistas, e verifiquei que, a despeito da situação crítica dos reservatórios, há, sim, boas notícias.

Uma delas é que, nos onze dias de março, já caiu dos céus 92,8 milímetros de chuva, contra 73 milímetros ocorridos em todo o mês de fevereiro e 87,8 em janeiro, neste caso contra uma média histórica de quase o triplo — 259,9 milímetros.

Em março tem chovido muito mais do que em janeiro e em fevereiro, o que pode afastar o perigo da falta de água para 22 milhões de habitantes da região metropolitana de São Paulo.

Mas a queda pela notícia ruim é uma praga difícil de exterminar.

11/03/2014

às 15:00 \ Política & Cia

Lula não é invencível — seus candidatos derrotados são afastados para não manchar sua fama de milagreiro

Humberto Costa, Patrus Ananias e Hélio Costa: derrotados afastados de Lula para não acabar com o efeito milagreiro (Fotos: Moreira Mariz / Agência Senado :: PT :: Agência Estado)

Humberto Costa, Patrus Ananias e Hélio Costa: derrotados em eleições e depois afastados de Lula para não empanar a fama do ex-presidente de que elege quem quiser (Fotos: Moreira Mariz / Agência Senado :: PT :: Agência Estado)

Post do leitor Leonardo Saade

“LULA NÃO É INVENCÍVEL — SEUS CANDIDATOS DERROTADOS SÃO AFASTADOS PARA NÃO MANCHAR SUA FAMA DE MILAGREIRO”

Post do LeitorComo diz o genial Augusto Nunes, Lula deixou a Presidência para virar animador de palanque.

Criou-se o mito de que Lula era um Midas da política, que todo candidato apoiado por Lula ganha a eleição, e que todo candidato que critica Lula ou se opõe a seu indicado, perde.

Assim como pesquisa eleitoral, política nunca foi ciência exata, desmentindo o mito de Lula. É verdade que o “filho do Brasil” elegeu Dilma para presidente e Fernando Haddad para prefeito de São Paulo. Mas houve muitos casos de candidatos apoiados por Lula que perderam a eleição.

Esses candidatos derrotados foram afastados da órbita de Lula para não estragar sua fama de “milagreiro”.

Só para citar exemplos mais recentes, o atual prefeito de Recife, Geraldo Julio, teve o apoio do governador Eduardo Campos (PSB) para derrotar o candidato lulista, o ex-ministro da Saúde e senador Humberto Costa (PT).

Em Belo Horizonte, o prefeito Márcio Lacerda (PSB), é aliado firme de outro presidenciável, como Campos – o tucano Aécio Neves – e em 2012 venceu sem maiores problemas, já no primeiro turno, o candidato petista Patrus Ananias, apoiado por Lula e Dilma.

Sem falar na virada humilhante que o tucano Antônio Anastasia, vice de Aécio e seu candidato ao Palácio da Liberdade, aplicou no candidato lulista Hélio Costa (PMDB) na eleição para governador de Minas em 2010. Anastasia começou as pesquisas com miseráveis 5% das intenções de voto contra os 55% de Hélio Costa, fervorosamente apoiado por Lula.

No resultado final, Anastasia venceu no primeiro turno.

Nos casos de vitória, como de Dilma e Haddad, os méritos foram todos para Lula, considerado “gênio político” por uns, e até “deus” por Marta Suplicy. Nos caso de derrota (vários), o fracasso era afastado do nome de Lula, de forma a não manchar sua fama de milagreiro.

Acho que se Eduardo Campos quer marcar seu nome como oposição, não basta se opor apenas ao nome de Dilma, mas, ao projeto lulopetista, de que Dilma faz parte. Claro que contra o PT em 2014, eu, pessoalmente, votaria até no Levy Fidelix em um improvável segundo turno contra Dilma, para não votar em branco e ajudar o projeto petista de se perpetuar no poder.

Mas seria melhor se os candidatos de oposição tivessem uma postura mais firme e constante, e não uma oposição “dependendo da situação” e “dependendo do candidato adversário”.

Lula não é invencível.

E a oposição precisa ser firme, se unir para provar que de fato o mito Lula não é infalível, que seu apoio não é garantia de vitória para ninguém.

Para que o Brasil possa descansar em paz do lulopetismo. Para que Lula caia na real e deixe de ser animador de palanque para tornar-se apenas ex-presidente.

 

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