Blogs e Colunistas

Eduardo Campos

10/05/2013

às 18:11 \ Política & Cia

Ao elogiar Eduardo Campos de olho em sua campanha presidencial, Duda Mendonça comete ato falho sobre Lula e Dilma

Duda Mendonça e Eduardo Campos (Foto: Antonio Cruz / ABr :: Aqui CE)

O publicitário e marqueteiro Duda Mendonça, responsável pela mágica de criar o “Lulinha Paz e Amor” que acabou sendo eleito presidente em 2002, está feliz da vida por ter sido finalmente absolvido do processo do mensalão — uma vez que, em seu caso, o Ministério Público não recorreu da absolvição decidida pelo Supremo Tribunal Federal. (Duda recebeu parte do pagamento por seus serviços de uma conta hospedada num paraíso fiscal.)

Agora, segundo publicou recentemente a jornalista Vera Magalhães na coluna “Painel” da Folha de S. Paulo, Duda está de olho na eventual futura campanha do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), a presidente em 2014.

O marqueteiro considera Campos “uma mistura” de Lula com a presidente Dilma, e sentencia:

– É um líder carismático e, ao mesmo tempo, administrador sério. Saberá tocar projetos de ambos se chegar a presidente.

Pois bem, a primeira das duas frases permite, perfeitamente, a interpretação de que Lula era um líder carismático, mas não um administrador sério (se Dilma é uma mistura dos dois, uma das qualidades é dela, e certamente não o carisma)

Logicamente, cabe também a intepretação de que Dilma, a despeito de ser, em sua opinião, uma administradora séria, não tem carisma.

Releiam a frase e vejam se não é isso mesmo.

09/05/2013

às 14:00 \ Política & Cia

O “Estadão” sobre Afif ser vice de um governo de oposição em SP e ministro de Dilma ao mesmo tempo: “Se não a lei, ao menos o pudor deveria impedi-lo de ser ministro sem deixar de ser vice”

O ministro e vice-governador Afif e a presidente Dilma (Foto: André Dusek / AE)

O ministro e vice-governador Afif e a presidente Dilma (Foto: André Dusek / Agência Estado)

Nos costumes políticos brasileiros sempre haverá motivo para recorrer ao bordão do ex-presidente Lula. Fatos nunca antes ocorridos, lances nunca antes concebíveis, atitudes nunca antes esperadas se reproduzem com a naturalidade das noites que se seguem aos dias.

O inusitado da hora é um vice-governador de Estado acumular a função com a de ministro, como acaba de fazer o veterano político Guilherme Afif Domingos, reserva de Geraldo Alckmin, ao aceitar o convite da presidente Dilma Rousseff para se tornar o 39.º membro do seu gabinete.

Ele será o titular da nova pasta ministerial criada sob medida para as suas prioridades e aptidões, a Secretaria da Micro e Pequena Empresa. Já não bastasse o ineditismo da dupla função, há o da dupla militância.

Desde 1981 Afif passou por uma penca de siglas – a começar do então PDS de Paulo Maluf – até, enfim, assinar a ficha do PSD de Gilberto Kassab, em 2011.

Faz parte, de todo modo, de uma administração conduzida por um dos integrantes da comissão de frente do PSDB, a principal legenda de oposição à presidente petista a quem, em última análise, ajudará na campanha para a reeleição.

Caso, naturalmente, o seu desempenho na recém-criada Secretaria adicione pontos à popularidade da presidente. E ajudar ele quer, confiante em que continuará no cargo em 2015.

Nessa hipótese, o agradável se somará ao útil – a causa do micro e pequeno empreendedorismo, a serviço da qual Afif tem uma respeitável folha de realizações. Como se celebrizou por dizer, “juntos chegaremos lá”.

Se não a lei, ao menos o pudor deveria impedi-lo de ser ministro sem deixar de ser vice. Pela Constituição, apenas poderia ser – como foi – secretário e vice do mesmo governo.

Alckmin entregou-lhe a pasta de Desenvolvimento Econômico do Estado. Demitiu-o por ter pulado a cerca partidária, largando o DEM coligado ao PSDB em 2010 para se tornar praticamente o cofundador da sigla pela qual Kassab pretende chegar ao Bandeirantes, atropelando a reeleição do tucano no ano que vem.

A mesma reação o governador não pode ter agora: no Brasil, os vices não são nomeados ou demissíveis pelo chefe. Politicamente, para não passar recibo do golpe sofrido, Alckmin soltou uma nota constrangedora, cumprimentando Dilma pela escolha e prevendo que o escolhido “haverá de fazer mais ainda por São Paulo”.

Alckmin também teria desestimulado os planos de seus correligionários de entrar na Assembleia Legislativa com pedido de impeachment de Afif, na primeira oportunidade em que deixar de substituir o governador nos seus impedimentos.

Prevendo o impasse – seria grotesco se, nesses casos, se licenciasse do seu posto no governo federal para assumir o estadual -, o dublê de vice e ministro teria feito uma proposta indecorosa ao governador.

Este o avisaria de suas viagens a tempo de ele deixar o País pelo mesmo período. O apego de Afif ao que é, mais que um cargo, uma expectativa, como diziam os cínicos, configura o mais raso oportunismo, para falar português claro.

Difícil de apontar quem perdeu mais com o episódio – se Alckmin, o governador mais uma vez desrespeitado politicamente pelo vice infiel, ou se a sua fraturada legenda.

Não é de hoje que, em São Paulo, o PSDB é o seu pior inimigo. Vai a ponto de realizar uma convenção, como a de domingo, em que o nome do presidenciável Aécio Neves, apoiado por Fernando Henrique, nem é mencionado, e tem entre os seus quadros, sabe-se lá por quanto tempo ainda, o ex-candidato ao Planalto, duas vezes derrotado, José Serra, que afirma textualmente: “Já tive muitos cargos na minha vida e quero ter ainda mais”.

Não é difícil de apontar, porém, quem arrastou as fichas – a presidente Dilma e o ex-prefeito Kassab.

Ela deu um grande passo para assentar na base aliada os 48 deputados e 2 senadores kassabistas e assegurar o apoio do PSD, com o seu tempo de 1m39s em cada bloco diário do período de propaganda eleitoral, na campanha de 2014.

E ele se torna desde logo credor do Planalto – por se situar a uma distância virtualmente insuperável da candidatura dada como certa do governador pernambucano Eduardo Campos.

 

LEIAM TAMBÉM:

Afif Domingos, agora ministro de Dilma, deveria ter a decência de renunciar ao cargo de vice-governador de São Paulo, para o qual foi eleito como oposicionista

Sacada do leitor e VÍDEO PARA REFRESCAR A MEMÓRIA: Afif finalmente cumpre promessa da campanha presidencial de 1989

03/05/2013

às 15:00 \ Política & Cia

A preocupação do governo Dilma para 2014 ainda é — acreditem — José Serra

José Serra em nova legenda? (Foto: Lailson Santos)

José Serra em nova legenda? (Foto: Lailson Santos)

Nota de Otávio Cabral, publicada na edição de VEJA que está nas bancas

O ALVO DO GOVERNO

A tentativa do governo de inibir a criação de novos partidos tem como alvo o ex-governador José Serra.

Na avaliação do Palácio do Planalto, Serra está sem ambiente no PSDB e pode se transferir para a Mobilização Democrática, legenda que surgiu da fusão do PPS com o PMN.

Na nova casa, ele poderia ser candidato a presidente, o que aumentaria a possibilidade de segundo turno.

Ou poderia disputar o governo paulista e apoiar Eduardo Campos, o que resolveria a falta de palanque do candidato do PSB em São Paulo.

As duas hipóteses assustam os estrategistas de Dilma Rousseff, que por isso quer barrar a MD.

Serra não fala de seus planos nem aos melhores amigos.

01/05/2013

às 20:10 \ Política & Cia

Dora Kramer: O PMDB dá sinais de que pretende deixar o PT sozinho em mais uma de suas maluquices — agora, o ataque frontal ao Supremo Tribunal

 

No aniversário dos 46 anos do PMDB, Paes de Andrade, Eduardo Paes e Romero Jucá (de costas, no sentido horário), Eduardo Braga, Henrique Eduardo Alves, Renan Calheiros, Valdir Raupp, Sérgio Cabral, Michel Temer (em pé) e Rose de Freitas (Foto: PMDB)

O PMDB se afasta estrategicamente das maluquices do PT. Na foto, aniversário dos 46 anos do partido. Na foto, entre outros, o vice Michel Temer (em pé), o governador Sérgio Cabral (à direita de Temer para quem olha para a foto) e, na mesma ordem, os senadores Valdir Raupp, Renan Calheiros e Eduardo Braga (Foto: PMDB)

Artigo publicado no jornal O Estado de S.Paulo

ALÍVIO TEMPORÁRIO

Seria de se comemorar não fosse apenas efêmero o efeito que a troca de amabilidades formais tem sobre os constantes atritos entre os Poderes Judiciário e Legislativo. A cortesia põe água na fervura, mas não apaga o incêndio.

Propicia uma sensação de alívio, é verdade. Dá uma reconfortante impressão de civilidade, faz com que acreditemos na resolução dos conflitos por meio do entendimento. A trégua, porém, é temporária: não resiste ao imperativo da realidade, não cura a doença infantil do imobilismo do Congresso frente ao amadurecimento da consciência ativista do Judiciário.

E pelo que se viu do desempenho de petistas na Câmara enquanto os presidentes das duas casas do Congresso procuravam o ministro Gilmar Mendes a fim de apaziguar os ânimos com o Supremo Tribunal Federal, considere-se como forte obstáculo a disposição do PT para a guerra.

Não foi um obscuro Nazareno, mas o ex-presidente da Câmara Marco Maia, representante do partido por dois anos no posto, quem defendeu a emenda que submete decisões do STF ao crivo do Legislativo e ainda propôs outra criando novas limitações à Corte.

Não foi um deputado de menor expressão, mas Fernando Ferro – líder do PT por duas vezes – quem chamou o ministro Gilmar Mendes de “capitão do mato” por ter atendido em caráter liminar o pedido do senador Rodrigo Rollemberg para suspensão da votação em caráter de urgência do projeto que veda a novos partidos partilha do Fundo Partidário e do horário eleitoral na proporção das bancadas congressuais.

Essas e outras violências verbais e conceituais dão a medida do inconformismo do PT com o preceito republicano do equilíbrio e da independência entre os poderes. Note-se, portanto, que a coisa não vai se resolver com panos quentes.

A questão é mais profunda: o PT está com raiva do Supremo, assim como tem raiva da imprensa que não lhe presta reverência, assim como está com raiva de Eduardo Campos porque procura caminho de crescimento político para seu partido fora da área de influência governo-petista, assim como teria raiva do Parlamento caso não tivesse cooptado a maioria mediante métodos relatados pelo STF, assim como tem raiva de qualquer pessoa, grupo ou instituição que não se curve aos seus interesses.

Levando em consideração que o PT é o partido no poder, conta com uma presidente e um ex-presidente com altos índices de popularidade, tudo que diga ou faça tem peso e importância. Logo, a encrenca é de boa monta.

A boa notícia, ora vejam só os senhores e as senhoras, vem do PMDB. Assim como agiram por ocasião da CPI do Cachoeira ao recusar sociedade ao PT na sanha de vingança contra a revista VEJA e o procurador-geral da República, os pemedebistas agora mantêm prudente distância dessa ofensiva.

Renan Calheiros e Henrique Eduardo Alves – ambos do PMDB, respectivamente presidentes do Senado e da Câmara – tomaram a iniciativa de abrir conversações com o STF sobre a ideia de subtração de prerrogativas e a liminar que suspendeu a votação, diga-se, por solicitação de um senador representando diversos parlamentares.

O PMDB pode até não ter outras qualidades, mas tem experiência e juízo suficientes para saber tirar vantagem de determinadas distâncias. A intenção óbvia é deixar o PT isolado em mais uma de suas maluquices, cujos efeitos quase sempre se voltam contra o partido.

Mas, como dito acima, o problema não é simples nem de fácil solução. Ao contrário de alguns desatinos que cometia quando era oposição e não tinham maiores consequências, o PT é governo, usa sem cerimônia os instrumentos à disposição, não guarda respeito à coerência nem desiste com facilidade. Isso faz perniciosa diferença.

22/04/2013

às 18:07 \ Política & Cia

Dora Kramer: Sede ao pote

O Planalto e o PT podem fazer o diabo para alcançar o objetivo de consolidar a hegemonia e dizimar a concorrência. Mas, nesse trajeto, andam cultivando desacertos e desafetos que também podem lhes infernizar a vida no caminho da reeleição

O Planalto e o PT podem fazer o diabo para alcançar o objetivo de consolidar a hegemonia e dizimar a concorrência. Mas, nesse trajeto, andam cultivando desacertos e desafetos que também podem lhes infernizar a vida no caminho da reeleição

Artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo

SEDE AO POTE

Não bastasse o PT usar o governo para fazer política, a presidente Dilma Rousseff atrelou o governo à sorte na eleição, conforme apontam os fatos e é de conhecimento geral.

A questão em aberto é a seguinte: aonde isso vai dar? José Sarney e Fernando Henrique Cardoso podem relatar experiências ruins sobre quando, em 1986 e 1998 respectivamente, decidiram engatar a condução da economia a seus projetos eleitorais.

Sarney jogou fora a popularidade obtida durante o Plano Cruzado, chegando à eleição de 1989 sem condições sequer de tentar influir na escolha de candidato para a sucessão.

Fernando Henrique contratou uma crise cambial em 1999, começou a perder o patrimônio político conquistado no Plano Real e, não obstante tenha se mantido no caminho da estabilidade não podendo ser comparado a quem levou o País aos píncaros da inflação, não fez o sucessor. Inclusive porque nem ele nem o candidato (José Serra) em 2002 pareciam muito interessados um pelo outro.

Pois agora a avidez eleitoral chegou ao grau da obsessão. Com isso, a superioridade do campo governista vem sendo usada de maneira temerosa. O Planalto e o PT podem fazer o diabo para alcançar o objetivo de consolidar a hegemonia e dizimar a concorrência. Mas, nesse trajeto, andam cultivando desacertos e desafetos que também podem lhes infernizar a vida no caminho da reeleição.

O PMDB percebeu o tamanho do apetite e tratou de arrancar o compromisso da Vice-Presidência em 2014. O governo fica, assim, amarrado ao partido, sem margem de manobra para negociar a vaga. O PSB teve plena noção da volúpia na eleição municipal do Recife, quando o PT descumpriu um acordo com Eduardo Campos em torno de uma candidatura petista, mas conveniente para os dois lados, e quis impor outro nome no intuito de avançar sobre a seara do governador.

Desse modo abriu para Campos uma janela de oportunidade de se apresentar ao País como alternativa de poder, quando o roteiro original previa que só fizesse esse movimento depois de ajudar Dilma Rousseff a obter o segundo mandato.

Outro dado a ser levado em conta: a força com que o governo se jogou na aprovação do projeto para vedar o acesso de novos partidos ao Fundo Partidário e ao horário de rádio e TV antes de terem passado pelo crivo de uma eleição. Se não foi um gesto contra a legenda que a ex-senadora Marina Silva tenta criar para concorrer em 2014, pareceu.

E o que vale para efeito de ação e reação é a interpretação dos prejudicados. Durante a sessão na Câmara (o projeto ainda precisa ser aprovado no Senado), o deputado Alfredo Sirkis ocupou inúmeras vezes o microfone para alertar o PT sobre as consequências do ato visto como de forte hostilidade.

Lembrou que, em 2010, a neutralidade de Marina no segundo turno pesou em favor da candidata do PT e avisou que em 2014 pode haver engajamento desse grupo representativo da “política nova” ao adversário de Dilma que, e se, disputar com ela a etapa final. Marina Silva teria força política para desequilibrar um jogo dessa magnitude?

Talvez sim, talvez não, mas o governo pagou para ver, assim como está pagando para conferir se a aposta de Eduardo Campos é para valer. Se fosse menos ávido e obsessivo por vitórias a qualquer preço, o PT não precisava criar arestas. Bastava cumprir acordos e reconhecer o direito ao espaço alheio. Teria pela frente caminho mais suave.

22/04/2013

às 15:00 \ Política & Cia

Ricardo Noblat: “O general mentiu”

O general José Elito: o que ainda faz, no cargo, o chefe do Gabinete de Segurança Institucional? (Foto: O Globo)

Leiam abaixo por que o jornalista Ricardo Noblat, diante de um fato grave, acha que o chefe do GAbinete de Segurança Institucional da Presidência deve renunciar.

Por minha conta, acrescento que, se não o fizer, deveria ser demitido pela presidente Dilma, algo que, também digo eu, e difícil ou impossível de ocorrer.

O GENERAL MENTIU

Por Ricardo Noblat

O que ainda faz o general José Elito Carvalho Siqueira como ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da presidência da República?

O general mentiu ao país a respeito de uma operação de espionagem conduzida pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). E a mentira pública cometida por autoridade é considerado algo de muito grave no chamado mundo civilizado.

Motivo de demissão.

No último dia 19 de março, por exemplo, Jérome Cahuzac, ministro francês do Orçamento, pediu demissão do cargo depois que o Ministério Público decidiu investigá-lo por lavagem de dinheiro.

Cahuzac levara três meses negando que tivesse uma conta bancária no exterior – o que não constituía crime, por sinal. Acabou confessando que mentira.

Luiz Estevão de Oliveira (PMDB-DF) foi o primeiro senador brasileiro cassado.

Não perdeu o mandato por ter embolsado parte do dinheiro destinado à construção do Fórum da Jusiça Trabalhista de São Paulo. Perdeu porque mentiu ao se defender.

Richard Nixon, presidente dos Estados Unidos, fez o que pode para encobrir as ligações do seu governo com o arrombamento do comitê do Partido Democrata no edifício Watergate, em Washington. Renunciou ao mandato depois que se descobriu que mentira.

O jornal O Estado de S. Paulo denunciou no último dia 4 que o “governo montara uma operação coordenada pelo GSI e executada pela Abin para monitorar a movimentação sindical no Porto de Suape, em Pernambuco”.

Lembrou que Eduardo Campos, governador de Pernambuco e aspirante à sucessão de Dilma, se opõe à Medida Provisória que retirou dos Estados a autonomia para licitar novos terminais de carga. E que por causa disso andara se reunindo com sindicalistas.

“A ação envolve uma equipe de infiltrados no Porto de Suape e a produção de relatórios de inteligência repassados ao general José Elito”, informou o jornal.

No dia seguinte, o general assinou uma dura nota classificando a reportagem de “irresponsável”. E afimou a certa altura: “É mentirosa a afirmação de que a GSI/Abin tenha montado qualquer operação para monitorar o movimento sindical do Porto de Suape ou qualquer outra instituição do país.”

Recentemente, o jornal teve acesso ao documento que confirma tudo o que o general desmentiu.

Simplesmente tudo.

(CLIQUE AQUI PARA CONTINUAR LENDO)

16/04/2013

às 14:00 \ Política & Cia

Perguntar não ofende: afinal, o governador Eduardo Campos concorda ou não com o manifesto que seu partido assinou em solidariedade ao regime pária e criminoso da Coreia do Norte?

Eduardo Campos: qual versão do governador é a que vale — o candidato a presidente que procura empresários ou o chefe do partido que se solidariza com o regime pária da Coreia do Norte (Foto: opovo.com.br)

Há coisas que não dá para deixar passar.

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente do PSB, tem mostrado em público e, sobretudo, em reuniões com altas figuras do empresariado e das finanças do país, a imagem de um político moderado, democrata e pragmático que, na eventualidade de chegar ao Palácio do Planalto, seria simpático ao capital estrangeiro e aos investimentos privados.

O partido dele, porém, assinou um espantoso manifesto da “esquerda” brasileira se solidarizando com o regime pária e criminoso da Coreia do Norte na atual situação de crise por que passa a Península Coreana, um documento cretino o suficiente para culpar — como sempre — os Estados Unidos por uma situação cujo único e exclusivo responsável é o regime delirante de Pyongyang.
Pergunto, então: o governador Eduardo Campos, possível presidenciável do PSB em 2014, não tem nada a dizer sobre o manifesto?
Dois signatários se arrependeram a tempo e, envergonhados, saíram fora do documento: o PT e a CUT.
Os demais partidos estão lá.
O manifesto odioso foi divulgado há duas semanas, e Eduardo Campos continua quietinho, quietinho.
Vou aproveitar para repetir o comentário que fiz na ocasião, porque ele é inteiramente pertinente neste “perguntar não ofende”.
Vejam só:

A Coreia do Norte é, talvez, a ditadura mais totalitária do mundo. Inteiramente fechada para o mundo exterior, o comunismo fundado em 1949 pelo “presidente eterno” Kim Il-sung (morto em 1994, mas que oficialmente é o presidente) só promoveu fome, miséria, lavagem cerebral na população e Forças Armadas numerosas e bem equipadas.

Com mais território (120 mil quilômetros quadrados) e população menor (25 milhões de habitantes) do que a vizinha Coreia do Sul (100 mil quilômetros quadrados, 50 milhões de habitantes), a Coreia do Norte, com seu comunismo dinástico, conseguiu ter um Produto Interno Bruto quase CEM VEZES menor do que a do Sul — estimados 12,5 bilhões contra 1,15 trilhão de dólares.

A guerra contra o vizinho do sul (1950-1953) para eles ainda não terminou. Os norte-coreanos nunca assinaram um armistício definitivo, muito menos um tratado de paz. Com isso e seu programa de possuir armas nucleares, usam a chantagem contra o Ocidente para conseguir petróleo, alimentos e uma infinidade de produtos que não tem capacidade de oferecer à população.

Nas últimas semanas, seu dirigente, o gorducho cara de bobo Kim Jong-un, de 28 anos, há um ano no poder, declarou seu direito de ter armas nucleares, ameaçou atacar os Estados Unidos e “destruir a Casa Branca”, postou na web montagens fotográficas mostrando um bombardeio a Washington, posicionou mísseis em direção à Coreia do Sul e do Japão, movimentou tropas e fechou um complexo industrial, o de Kaesong, que mantém com o Sul — um dos raros territórios de distensão obtido em gestões anteriores dos dois países.

Até a China perdeu a paciência

A coisa chegou a um tal ponto que até a China, principal aliado da Coreia do Norte e quem mais ajuda a sustentar a economia podre do regime, perdeu a paciência. E não o fez por declarações da agência oficial chinesa ou por um funcionário da chancelaria, mas pela palavra do próprio presidente Xi Jinping, que disse, com todas as letras, em recado que os observadores diplomáticos entenderam ter endereço certo para Pyongyang:

– Nenhum país tem o direito de jogar a região ou o mundo no caos em razão de objetivos egoístas.

Obviamente, os Estados Unidos, principal aliado da Coreia do Sul, mostraram sua disposição de defender o governo de Seul, e realizam manobras militares conjuntas que incluem sobrevoos de grandes bombardeiros e a mobilização, em águas territoriais sul-coreanas, de navios de guerra.

Pois bem, em tudo isso, um amontoado de organizações brasileiras “de esquerda” inverteram os fatos enxergaram ameaças nucleares do “imperialismo americano” à Coreia do Norte.

O comunicado é assinado por organizações tradicionalmente antiamericanas e baderneiras, como o MST, e pelos picaretas biônicos da UNE, que detestam democracia e eleições diretas. Também pela CUT, é evidente.

Mas — VEJAM BEM — escondidinho lá no meio das siglas está nada menos do que o PSB — sim, o PSB do governador Eduardo Campos, que quer ser presidente da República em 2014 e vem cortejando, entre outros setores, o empresariado brasileiro.

Eis o absurdo texto da “esquerda”, que pode ser conferido no site do Partido Comunista do Brasil.

“A escalada da tensão na Península Coreana, com a participação direta dos Estados Unidos, tem aumentado a pressão e a preocupação com um possível conflito internacional, apesar dos pedidos reiterados por diálogo enquanto a Coreia do Sul, apoiada pelos EUA, toma medidas belicistas.

Neste contexto, movimentos e partidos brasileiros que lutam contra o imperialismo belicista e pela manutenção da paz e da soberania das nações enviaram a seguinte declaração à embaixada da Coreia Popular:

Senhor Embaixador da República Popular e Democrática da Coreia;

A campanha de uma guerra nuclear desenvolvida pelos Estados Unidos contra a República Democrática Popular da Coreia passou dos limites e chegou à perigosa fase de combate real.

Apesar de repetidos avisos da RDP da Coréia, os Estados Unidos tem enviado para a Coréia do Sul os bombardeios nucleares estratégicos B-52 e, em seguida, outros meios sofisticados como aeronaves Stealth B-2, dentre outras armas.

Os exercícios com esses bombardeios contra a RDP da Coréia são ações que servem para desafiar e provocar uma reação nunca antes vista e torna a situação intolerável.

As atuais situações criadas na península coreana e as maquinações de guerra nuclear dos EUA e sua fantoche aliada Coréia do Sul além de seus parceiros que ameaçam a paz no mundo e da região, nos levam a afirmar:

1. Nosso total, irrestrito e absoluto apoio e solidariedade à luta do povo coreano para defender a soberania e a dignidade nacional do país;

2. Lutaremos para que o mundo se mobilize para que os Estados Unidos e Coréia do Sul devem cessar imediatamente os exercícios de guerra nuclear contra a RDP da Coréia;

3. Incentivaremos a humanidade e os povos progressistas de todo o mundo e que se opõem a guerra, que se manifestem com o objetivo de manter a Paz contra a coerção e as arbitrariedades do terrorismo dos EUA.

Conscientes de estarmos contribuindo e promovendo um ato de fé revolucionária pela paz mundial, as entidades abaixo manifestam esse apoio e solidariedade.

Brasília, 02 de abril de 2013.

PCdoB, PT, PSB, Cebrapaz, CUT, MST, MDD, UJS, UNE, Unegro, Unipop, CDRI, CDR/DF, MPS, CMP, CPB, Telesur, TV Comunitária de Brasília, Jornal Revolução Socialista”.

Posteriormente à publicação deste post, tanto o PT como a CUT emitiram nota dizendo que não assinam o manifesto. 

15/04/2013

às 15:00 \ Política & Cia

Dora Kramer: governo trata Eduardo Campos (PSB) com luvas de veludo calçadas em mãos de ferro

Dilma com Eduardo Campos em solenidade oficial: relações cordiais, mas corda tensionada de um e de outro lado por causa de 2014 (Foto: opovo.com.br)

INIMIGOS CORDIAIS

Por Dora Kramer

Artigo publicado na Editoria de Política do jornal O Estado de S.Paulo

A amabilidade que a presidente Dilma Rousseff confere no trato a Eduardo Campos em sua rota de dissidência para uma possível candidatura presidencial em 2014, dissimula o clima de tensão pré-eleitoral que o governo e o PT criam em torno dele.

É possível detectar a mesma dualidade no governador de Pernambuco: reafirma sua aliança com o Planalto e ao mesmo tempo tensiona a relação com um discurso crítico.

Mas aqui vamos tratar de Eduardo Campos apenas da perspectiva do governo, como é vista a possibilidade de candidatura, se ameaça a reeleição de Dilma, se haverá retaliação ou se ainda há espaço para um “meia volta, volver”.

Atuar com mãos de ferro calçadas em luvas de veludo é um conceito difundido por Napoleão Bonaparte sobre a eficácia da combinação de gestos cordiais com atos firmes na política, que define bem o espírito da estratégia governista enunciada no primeiro parágrafo.

O governo não vai brigar – a não ser quando, e se, a luta for necessária – com Eduardo Campos, mas também não vai deixar de fazer suas escaramuças para dificultar-lhe a trajetória em direção à candidatura.

A mais explícita, e exemplar do que virá adiante, aconteceu em recente visita da presidente a Pernambuco, onde fez discurso cobrando lealdade de aliados e ressaltando que o crescimento do Estado deve-se aos inúmeros e vultosos (R$ 60 bilhões, segundo dados do Planalto) investimentos federais.

Com isso, atua no campo seguro – por ora o único – do possível desafiante com sua fórmula “dois em um”: Dilma e Lula. O governo tenta limitar seu discurso de eficácia administrativa a Pernambuco e também esvaziá-lo transferindo o êxito para a esfera federal, vale dizer, o PT.

O jogo talvez não seja assim tão combinado, mas fato é que parte do PT alimenta a tensão cobrando que o governo o trate desde já como adversário e outro grupo faz o papel moderado para manter a porta aberta para o caso de recuo.

E por que Eduardo Campos recuaria depois de avançar tantas casas, mais não seja para acumular forças para disputa futura (2018) da Presidência?

Na visão do governo, por causa das enormes dificuldades práticas que terá de enfrentar. Uma delas, a ambiguidade do discurso, forçosamente de oposição e pragmaticamente de situação. “Haverá o momento em que terá de se definir e aí é que começarão as pressões dos governadores, dos deputados e dos ocupantes de cargos federais”, argumenta um ministro do PT.

Ele vislumbra obstáculos intransponíveis na formação de alianças regionais, na fragilidade da máquina do PSB em comparação às estruturas do PT, PMDB, do PSDB; e na disputa por uma vaga no segundo turno com o tucano Aécio Neves.

Outro ministro do PT, como o citado acima com ótimo acesso à presidente, considera que na hora das definições ainda prevalecerá a tradicional disputa de petistas contra tucanos. E acrescenta: “Nos últimos anos quem tentou ser terceira via saiu das eleições menor do que entrou: Anthony Garotinho, Ciro Gomes, Heloisa Helena, Marina Silva e Cristovam Buarque”.

Na opinião dele, por mais que digam que a disputa entre PT e PSDB cansou o eleitorado, “a alternativa não tem sido um espaço político consistente”.

Ambos apostam (torcem?) que Eduardo Campos pensará melhor e concluirá pelo benefício do passo atrás. Acreditam que, na hipótese de um segundo turno entre Aécio e Dilma – nesse momento, no governo, a palavra de ordem é dizer que o mineiro tem anos luz de vantagem sobre o pernambucano – o governador ficaria necessariamente com a presidente.

Apontam dois motivos. Um: porque a disputa da vaga do segundo lugar definirá o nome mais forte da oposição em 2018. Outro: se Aécio ganhar teria a vantagem da reeleição, em tese adiando os planos de Eduardo Campos para 2022.

09/04/2013

às 14:00 \ Política & Cia

O PSB quer o presidente do Galo como candidato a governador em Minas

Alexandre Kalil: "Quero ser governador só do Atlético" (Foto: Richard Souza)

Alexandre Kalil: "Quero ser governador só do Atlético" (Foto: Richard Souza)

Nota de Otávio Cabral, publicada na edição de VEJA que está nas bancas

UM CARTOLA SOCIALISTA

A principal dificuldade do PSB para tomar viável a candidatura presidencial de Eduardo Campos é a falta de palanques fortes no Sudeste.

Na semana passada, o partido fez uma tentativa para resolver o problema em Minas: convidou Alexandre Kalil, presidente do Atlético Mineiro, para se filiar ao PSB e concorrer a governador.

O convite foi feito após a avaliação de uma pesquisa que mostra que Kalil chega a 17% das intenções de voto, atrás apenas de Fernando Pimentel, do PT [ex-prefeito de Belo Horizonte e atual ministro do Desenvolvimento].

O prestígio é embalado pelo bom desempenho do time desde o ano passado. O cartola, porém, não parece ter sido seduzido:

– Quero ser governador só do Atlético.

04/04/2013

às 15:00 \ Política & Cia

Os números da tragédia da seca do Nordeste fazem Dilma e Eduardo Campos deixarem de lado — momentaneamente — a disputa eleitoral

Manoel dos Santos e os netos acompanham o sofrimento da vaca Dourada. Dos 40 animais que tinha no curral, 20 já morreram de sede e fome (Foto: Hans von Manteuffel / O Globo)

Manoel dos Santos e os netos acompanham o sofrimento da vaca Dourada. Dos 40 animais que tinha no curral, 20 já morreram de sede e fome (Foto: Hans von Manteuffel / O Globo)

Nota de Otávio Cabral, publicada na edição de VEJA que está nas banca

OS NÚMEROS DA TRAGÉDIA

Pesquisa feita em parceria pela Universidade de São Paulo e pela Secretaria de Agricultura de Pernambuco mostra que 50% das propriedades rurais do sertão e do agreste nordestinos dependem de carro-pipa para conseguir água e que 17% delas fecharam as porteiras por causa da seca — a maior na região em cinquenta anos.

O rebanho bovino pernambucano foi reduzido a quase a metade: de 2,1 milhões de cabeças de gado, 200 mil morreram, 300 mil foram transferidas para outras regiões e 500 mil foram abatidas precocemente.

Com isso, a produção de leite caiu de 2,4 milhões para 600 mil litros por dia.

A gravidade do problema é tamanha que fez a presidente Dilma e o governador Eduardo Campos deixarem a disputa política de lado para conversar sobre soluções conjuntas para a questão.

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados