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Situação na Síria é ‘desesperadora’, diz Conselho da ONU

Para Paulo Pinheiro, necessidade de ajuda humanitária é emergência absoluta

“A situação desesperadora dos civis na Síria constitui uma urgência absoluta”, afirmou nesta segunda-feira o presidente da comissão de investigação internacional sobre a Síria, o brasileiro Paulo Pinheiro, ao apresentar seu segundo relatório ante o Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, e acrescentando que o acesso humanitário sem entraves deve ser uma regra e não uma exceção.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março para protestar contra o regime de Bashar Assad, no poder há 11 anos.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram mais de 9.400 pessoas no país.
  3. • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.

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Segundo Pinheiro, mais de 70.000 pessoas foram deslocadas devido à violência, e outras milhares têm buscado refúgio em países vizinhos da Síria desde o início da revolta, há um ano. “Aqueles que fugiram da região relataram execuções sumárias em massa e campanhas de prisões arbitrárias”, salientou, pedindo o fim da impunidade. Neste fim de semana, 47 corpos de mulheres e crianças vítimas do regime foram encontrados na cidade rebelde de Homs, no mesmo dia em que a Síria aceitou o plano da Liga Árabe para solucionar o conflito no país.

Em resposta às críticas do relatório, o embaixador sírio na ONU em Genebra, Faysal Khabbaz Hamoui, concluiu “não haver nenhuma alternativa ao diálogo”, considerando que o relatório contém “acusações infundadas”, como tortura e crimes contra a humanidade. O diplomata acusou a comunidade internacional, citando em especial Israel, de armar o que chamou de terroristas e considerou que uma guerra “civil está sendo inflamada sob o pretexto de uma causa humanitária”.

“Este fogo vai se espalhar contra (…) aqueles que o alimentam e exacerbam”, ameaçou. “Este é o prelúdio de uma divisão na Síria”, acrescentou. Durante o debate, Moscou apoiou Damasco, pedindo a retirada das sanções contra a Síria. No entanto, o vice-representante russo na ONU, Mikhail Lebedev, solicitou um livre acesso humanitário e pediu para que não sejam “criadas regras artificiais” que interfiram no trabalho do Comitê Internacional da Cruz Vermelha e de outras agências humanitárias.

Histórico – Nomeada em agosto de 2011 pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, a comissão concluiu, em um relatório publicado pela primeira vez em novembro de 2011, que as forças de segurança sírias cometeram crimes contra a humanidade durante a repressão brutal contra manifestantes. Em seguida, provas foram reunidas pela comissão de investigação, sem que esta fosse autorizada a entrar na Síria, e mostram que nada mudou.

Mas os investigadores também acusam as forças rebeldes de “cometerem abusos, igualmente comparáveis aos cometidos pelo estado”. Eles também submeteram ao Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos um envelope fechado com uma lista confidencial de autoridades políticas e militares sírias suspeitas de envolvimento em crimes contra a humanidade.

(Com agência France-Presse)