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Reverendo Moon morre aos 92 anos em Seul

Fundador da seita Unificação pela Paz Mundial, famosa por realizar cerimônias de casamento com milhares de casais, estava hospitalizado havia um mês

Por Da Redação 2 set 2012, 17h11

O controverso líder religioso Sun Myung Moon, conhecido como reverendo Moon, fundador da seita Unificação pela Paz Mundial, morreu neste domingo, aos 92 anos, em um hospital de Seul, na Coreia do Sul. Ele estava hospitalizado desde o mês passado, depois de sofrer complicações em decorrência de uma pneumonia. Na sexta-feira, Sun Myung Moon apresentava disfunção crítica dos órgãos vitais e sua situação era considerada “irreversível” pelos médicos. A seita fundada por Moon ficou famosa pelas cerimônias de casamento que reúnem milhares de casais.

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Em VEJA de 3/2/1999: A Nova Coreia Floresce no Pantanal

Preso seis vezes, uma delas em 1985, nos Estados Unidos, por sonegação fiscal, Moon respondeu por crimes como tráfico de armas e aliciamento de jovens. Mas nada o abalava: proclamava-se o escolhido por Jesus Cristo para salvar a humanidade.

Aos 16 anos, quando ainda vivia na Coreia do Norte, onde nasceu, o reverendo dizia ter tido uma revelação. Jesus deu-lhe uma missão. Só o reverendo poderia ajudá-lo a terminar seu trabalho de salvação da humanidade. Caberia a Moon criar a família ideal e, a partir dela, a nação ideal, o mundo ideal. Por isso, os casamentos arranjados são comuns entre os seguidores de Moon. O reverendo determinava quem deveria casar com quem, e os casais recebiam as bênçãos dele e de sua mulher, Hak Ja Han Moon. O líder, acreditam, sabia o que era melhor para todos.

Brasil – Nos anos 90, Moon deu início a um ambicioso projeto no Brasil: transformar a cidade de Jardim, no Pantanal do Mato Grosso do Sul, em uma “Nova Coreia” – e inundou a cidadezinha a 270 quilômetros de Campo Grande com milhares de coreanos e japoneses. A chegada em massa dos orientais à pequena cidade causou toda espécie de estranhamento. Os seguidores de Moon foram acusados de estar na região para extrair órgãos de criancinhas e mandá-los para uma rede mundial de traficantes. Também corria a história de que o vinho servido na fazenda continha sangue do próprio reverendo. Ou que não se podia chegar perto dos coreanos, porque eles praticavam lavagem cerebral.

Bispos inconformados com a presença dos seguidores do norte-coreano enviaram carta ao então ministro da Justiça, Nelson Jobim, querendo saber se Moon podia fazer sua empreitada brasileira. Se não, que fosse embora. Era natural que a hierarquia católica se incomodasse com os seguidores de Moon. Para eles, a mãe de Cristo não era virgem nem o pai era José. O reverendo disseminava a ideia de que Maria foi visitar uma prima, Isabel, e lá conheceu o marido dela, Zacarias, que a engravidou.

O movimento de Moon afirma que evangeliza em cerca de 200 países e reivindica três milhões de adeptos.

(Com AFP)

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