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Protestos contra Putin em Moscou acabam com 100 detidos

Documentário que acusa oposição de ser paga para protestar causou revolta

Cerca de cem opositores russos foram detidos neste domingo em dois atos de protesto realizados em Moscou, um contra o Kremlin e outro em frente à torre da rede de televisão estatal, informaram as autoridades russas. Neste, cerca de 500 pessoas participaram do ato não-autorizado diante da torre de rádio e televisão de Ostankino, no norte da capital, para protestar contra um programa em que a oposição foi acusada de ser paga para realizar protestos contra o premiê Vladimir Putin.

Os manifestantes protestavam contra o programa transmitido na quinta-feira pela rede de televisão favorável ao Kremlin NTV, no qual os opositores eram acusados de agir a serviço dos Estados Unidos e de serem pagos para se manifestar contra Vladimir Putin, mandachuva da Rússia. “Vergonha NTV !”, “A Rússia sem Putin!”, bradavam os participantes diante do prédio que abriga principalmente escritórios da NTV. Depois de ter pedido em alto-falantes para que os manifestantes se dispersassem, a polícia começou a efetuar detenções.

O ex-ministro russo Boris Nemtsov e o líder da Frente de Esquerda, Serguei Udaltsov, estão entre as primeiras pessoas detidas. Udaltsov foi liberado à noite com uma convocação para comparecer na segunda-feira a um tribunal de Moscou, onde será julgado por organização de manifestação não-autorizada. Ele teve que pagar uma multa de 1.000 e 2.000 rublos (de 25 a 50 euros). Ele havia sido liberado na sexta-feira depois de ter sido condenado na véspera a 10 dias de prisão por um protesto anterior. Sua pena foi perdoada após pagamento de fiança.

Outros doze opositores foram detidos neste domingo na Praça Vermelha, em frente ao Kremlin, por terem tentado organizar uma manifestação não-autorizada, segundo as agências de notícias russas. Em frente às muralhas do Kremlin, os opositores lançaram balões brancos (símbolo de protesto contra Putin).

Documentário – Intitulado “Anatomia da contestação”, o programa da NTV foi transmitido na quinta-feira pela rede controlada pela gigante Gazprom, retomando na íntegra as acusações lançadas pelo atual primeiro-ministro antes de sua eleição à Presidência, em 4 de março. O documentário acusa os opositores de contratar manifestantes para que compareçam aos atos e de manipular vídeos e colocá-los na internet para deslegitimar as manifestações públicas a favor do primeiro-ministro e presidente eleito, Vladimir Putin.

(Com agência France-Presse)