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Obama indica que pode acelerar saída do Afeganistão

Tropas americanas assumirão papel de apoio às forças afegãs neste semestre

Por Da Redação - 11 jan 2013, 18h58

O presidente Barack Obama afirmou nesta sexta-feira que as tropas americanas vão passar a exercer um papel de apoio no conflito afegão ainda no primeiro semestre deste ano. A decisão acelera a transferência das operações de combate para as forças afegãs, indicando a disposição do governo americano de acabar com uma guerra longa e impopular.

“A partir desta primavera, nossas tropas terão uma missão diferente: treinar, aconselhar, apoiar as forças afegãs”, disse Obama, em uma entrevista coletiva na Casa Branca, ao lado do presidente do Afeganistão, Hamid Karzai. Obama explicou que os soldados americanos ainda estarão em cobate, mas ao lado das tropas afegãs, que vão assumir a liderança. “Este será um momento histórico e outro passo em direção à soberania completa do Afeganistão”.

A missão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão, com tropas lideradas pelos EUA no combate a insurgentes talibãs junto com as forças do governo de Karzai, chegará ao fim em 2014. No entanto, um pequeno contingente poderá permanecer no país a partir de 2015, exatamente para exercer a função de apoio. “Esta será uma missão muito limitada, que não requer o mesmo trabalho que desenvolvemos ao longo dos últimos dez anos”, explicou Obama.

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Antes da entrevista, um comunicado conjunto foi divulgado ressaltando o progresso apresentado pelas forças afegãs, que lideram as ações de segurança em 80% do país – percentual que deverá chegar a 90% ainda neste semestre, quando então as tropas americanas e da Otan passarão a desenvolver o papel de aconselhamento. Na prática, os soldados do Ocidente deixarão de fazer patrulhas em aldeias afegãs – o que havia sido pedido pelo próprio Karzai.

Os dois presidentes não quiseram falar em números ao serem questionados sobre o tamanho das tropas que integrariam a força residual que permaneceria no Afeganistão após 2014. A Casa Branca examina opções entre 3.000 e 9.000 soldados, enquanto Karzai gostaria de um número mais substancial, algo perto de 15.000 soldados, destaca o jornal The New York Times. O presidente afegão também espera que os EUA forneçam ao Exército do país equipamentos militares.

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Atualmente, cerca de 66.000 soldados americanos atuam no Afeganistão. Os países aliados da Otan também têm reduzido regularmente suas tropas com o objetivo de encerrar o combate no ano que vem, apesar das dúvidas sobre a capacidade das forças afegãs de assumir totalmente a responsabilidade pela segurança do país.

Em dois momentos da entrevista, Obama ressaltou que o final de 2014 marcará um encerramento “responsável” da guerra que começou em resposta aos ataques contra os Estados Unidos promovidos pela rede terrorista Al Qaeda em setembro de 2001.

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