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O show de carisma de Isaquias

Depois de conquistar três medalhas, o canoísta baiano cativa público com selfies, piadas, cantorias e até um inusitado pedido por espelho para ver o cabelo

Por Thiago Prado - 20 Aug 2016, 15h26

Isaquias Queiroz estava a poucos minutos de subir ao pódio mais uma vez nesta Olimpíada, quando surpreendeu o superintendente executivo do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Marcus Vinícius Freire: “Me empresta o seu celular?”. “Por que?”, perguntou o dirigente. “O Jesus Morlán (técnico espanhol) está com o meu. Quero me ver no espelho”, respondeu com uma gargalhada. A cena da manhã deste sábado é a cara de Isaquias, um dos grandes nomes do esporte brasileiro na última semana. O canoísta de apenas 22 anos é carismático, vaidoso – o cabelo que o diga – e adora incrementar as frases com uma pitada de bom humor. Definitivamente, não sente o peso de ser o maior medalhista da história do Brasil em uma única edição de Jogos após as duas pratas e um bronze na canoagem velocidade.

“Com as duas medalhas, só tinha conseguido do Jesus férias até novembro. Agora com três, vou tentar descansar até janeiro. Só quero praia e sol”, brincou, em uma das dezenas de entrevistas que concedeu na zona mista do Estádio da Lagoa. No espaço, Isaquias mostrou-se medalha de ouro no relacionamento com o público. Em tempos de autógrafo fora de moda, dedicou-se a selfies com torcedores e até mesmo com um operador de câmera de uma afiliada da Globo na Bahia, sua terra natal. “Você é da Bahia? Aeee Bahia”, divertiu-se, abraçando o conterrâneo. Para desespero de assessores, preocupados com o excesso de compromissos com patrocinadores que está por vir, companheiros do passado também entraram em contato durante as entrevistas: “Como eu me sinto? Ué, o mesmo Isaquias sem rim de sempre oras”, respondeu um amigo que o telefonou, lembrando-se do episódio em que retirou o órgão após a queda de uma árvore.

O pós-medalha também teve espaço para trilha sonora. Com três medalhas no currículo, Isaquias foi instado por jornalistas a pedir uma música que simbolizasse as conquistas no Rio (exatamente como jogadores de futebol fazem no programa Fantástico da Globo ao marcarem três gols em um mesmo jogo). O baiano não titubeou e começou a cantar no meio da coletiva: “Se você não é negro, se junte a nós, não tem preconceito. Aqui só tem negão’. É do Leo Santana essa”, riu.

Brincadeiras à parte, Isaquias agradeceu o papel da torcida e prometeu buscar o ouro na modalidade na Olimpíada de Tóquio em 2020. Em conversa com VEJA, Marcus Vinicius do COB enalteceu os resultados do canoísta em provas de curta e longa distância: “É como se o Usain Bolt corresse os 100 e os 800 metros. A contratação de um treinador estrangeiro que já havia conquistado oito medalhas em Jogos fez a diferença. Técnico, planejamento e muita ciência do esporte levam a estes resultados”, afirmou, sem querer falar dos resultados gerais do Brasil nos Jogos. O dirigente marcou para amanhã uma entrevista coletiva sobre o desempenho olímpico do país.

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