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“Eu me divirto”

Gustavo Kuerten brinca com a fama simpática de “labrador humano” que se colou a sua imagem como comentarista da Globo na Olimpíada

Por Alexandre Salvador e Silvio Nascimento - Atualizado em 6 Oct 2017, 00h19 - Publicado em 20 Aug 2016, 12h35

O que achou de ser chamado de “labrador humano”, o simpaticão da Olimpíada, com suas participações na Globo? 
Sensacional essa ideia, eu me divirto. Agora surgiu também a história de me chamar de funcionário do mês. Querem me derrubar. Mas eu me divirto porque é uma forma de carinho, ainda mais no ambiente da internet, que costuma ser inóspito.

Estava previsto de você participar só no tênis ou outros esportes?
O projeto da Globo começou a ser costurado um ano e meio atrás e procuramos o modo mais adequado para que eu me sentisse à vontade. Era preciso aproveitar a minha relação com as pessoas, a emoção, as lembranças ainda frescas de quem estava lá dentro, jogando. Sou mais um torcedor, que aproxima as pessoas para a vivência do que está acontecendo com os atletas. Por isso foi formado o time de comentaristas, todos atletas, muito técnicos, que conhecem bem o esporte, como o vôlei, o atletismo, o basquete. 

Qual foi sua maior emoção nas transmissões? 
A medalha de ouro no boxe. A narração do Galvão ali do meu lado, aquela empolgação, parecia que eu estava grudado no ringue, queria entrar no monitor de TV. Nunca imaginei que teria a sensação de estar competindo novamente. Foi a Olimpíada mais emocionante da minha vida, mais até do que a de 2000, da qual participei.

O que fica de bom dos Jogos cariocas para o esporte brasileiro? 
Há um intervalo natural de baixa pós-Olimpíada. O principal, agora, é saber que o esporte precisa se sustentar sozinho, não pode depender de governos ou empresas. A NBA não depende de nada, de poder público algum, e sobra dinheiro. O futebol também se sustenta. Alguns esportes são capazes de se virar sozinhos, com boa engenharia e inteligência, como é o caso do vôlei. São bons exemplos que devemos seguir.

Obviamente, não dá para dizer que o Brasil virou uma potência olímpica. O que precisamos mudar? 
Primeiro, é necessário incentivar a formação de professores nos estágios iniciais da carreira e, em seguida, também os treinadores de alta performance. Eles precisam estar seguros para trabalhar, senão desistem e vão procurar outra forma de ganhar algum dinheiro. Depois, é preciso aprimorar o conhecimento, o que requer projetos de quinze, vinte anos. Não dá para achar que amanhã estará tudo resolvido. E o principal: desenvolver o interesse das crianças, tornar a prática do esporte confortável para elas.

Do ponto de vista de organização, valeu a pena para o Rio e para o Brasil sediar os Jogos?
Foi um sucesso, salvo alguns probleminhas. Fazia dois anos que não via o brasileiro tão feliz. Esse ambiente olímpico e esportivo trouxe um pouco de pulsação e orgulho ao brasileiro. É bobagem querer comparar nossa Olimpíada com outras, como a de Londres. Fizemos do modo que sabemos fazer.

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