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‘On The Road’ tem recepção tímida em Cannes

Adaptação do clássico da literatura beat, dirigida pelo brasileiro Walter Salles e com Kristen Stewart no elenco, recebeu aplausos modestos no festival

Por Carlos Helí de Almeida, de Cannes 23 Maio 2012, 10h38

O caminho foi longo e tortuoso, mas nem por isso a recepção no destino final foi tão calorosa quanto se esperava. Exibido na manhã desta quarta-feira para a imprensa na competição do 65º Festival de Cannes, a aguardada adaptação de On The Road, o clássico da literatura beat, de Jack Kerouac, dirigida pelo brasileiro Walter Salles, foi recebida por aplausos modestos por uma plateia aparentemente pouca empolgada com a viagem física e existencial de seus personagens.

Coproduzido pela francesa MK2 e a produtora Zoetrope, do americano Francis Ford Coppola, que comprou os direitos de adaptação do livro em 1979, On The Road chega aos cinemas como um delicado e complexo retrato de uma geração, que amadureceu no período do pós-Segunda Guerra. Publicado em 1957, o texto fala de dois aspirantes a escritores que, no final dos anos 40, cruzam as estradas do país numa aventura de autoconhecimento.

“Não é um filme sobre os escritores beat, mas sobre os anos de formação daquela geração”, explicou Walter Salles, ladeado pelo jovem elenco de seu filme, encabeçado por Kristen Stewart (da saga Crepúsculo), Kirsten Dunst, Garret Hedlund e Sam Riley. “De certa forma, esses jovens vivenciaram o despertar político e social da sociedade americana, ao mesmo tempo em que entravam na maturidade. E descobriram um país muito conservador”.

A adaptação – On The Road começou a tomar forma há 8 anos, quando Salles foi convidado para assumir a adaptação considerada difícil, por causas de implicações conceituais (a narrativa do livro não é linear) e logísticas. Como forma de se preparar para a tarefa, o diretor se propôs a fazer sua própria pesquisa, entrevistando pessoas relacionadas aos personagens do livro e a artistas de alguma forma afetados pela geração beat, como o músico David Byrne e o cineasta Wim Wenders. O esforço resultou no documentário Searching For On The Road, ainda em preparação.

O livro é uma compilação da experiências pessoais de Kerouac, que escondeu o nome dos envolvidos sob alter egos. No filme, Kristen Stewart interpreta Mariylou (a escritora Luanne Henderson, na vida real), a amante liberal (e libertina) de Dean Moriarty (o poeta Neal Cassady), vivido por Garret Hedlund, o melhor amigo de Sal Paradise (Jack Kerouac), que caiu nas mãos do ator Sam Riley. A travessia pelo país é pontilhada por troca de casais, drogas e jazz.

“Eu tinha 16 anos quando Walter me falou sobre o filme pela primeira vez. Fico feliz que tenha demorado um pouco para ficar pronto, porque tudo se encaixou completamente”, lembrou Kristen, hoje com 22 anos. “Gostaria de dizer que o Walter me protegeu de cenas mais embaraçosas, foi cuidadoso comigo. Mesmo assim, gosto da ideia de ir além dos limites. É um filme que te provoca”.

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