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Em vídeo, Procure Saber fala, fala e não diz nada

Por quase 5 minutos, Gil, Roberto e Erasmo tentam limpar a imagem sem fazer proposta nenhuma. Em texto repetitivo, palavras ‘privacidade’ e ‘intimidade’ são ditas oito vezes, juntas, contra três ocorrências de ‘direito’ ou ‘liberdade' à informação. 'Liberdade de expressão', por sua vez, não recebe uma só menção

Por Da Redação
29 out 2013, 22h54

Com perdão pelo trocadilho, o Procure Saber poderia se chamar Procure Confundir. Em vídeo publicado na noite desta terça-feira no perfil oficial do grupo no Facebook, Gil, Roberto e Erasmo Carlos passam 4 minutos e 45 segundos tentando limpar a imagem da turma, composta ainda de Chico Buarque, Caetano Veloso, Djavan e Marisa Monte. Mas não trazem um argumento ou proposta para o debate que dizem querer criar a respeito das biografias.

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“Confiamos que o poder judiciário há de encontrar uma maneira de conciliar o direito constitucional à privacidade com o direito também fundamental de informação”, diz Roberto Carlos em certo momento, passando o problema para o sistema judiciário. Em julho de 2012, a Associação Nacional dos Editores de Livros (Anel) entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo que fossem declarados parcialmente inconstitucionais os artigos 20 e 21 do Código Civil, que obrigam escritores e editores a obter anuência de personagens ou herdeiros para a publicação de um livro. O processo está sob os cuidados da ministra Carmen Lúcia, que deve promover audiência pública sobre o caso no fim de novembro.

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Em seus primeiros pronunciamentos públicos, feitos por meio de Djavan, Caetano Veloso, Chico Buarque e Paula Lavigne, o Procure Saber defendia que a legislação permanecesse como está. Agora, depois de muito criticado, o grupo dá sinais de recuo. “Se nos sentirmos ultrajados, temos o dever de buscar nossos direitos, sem censura prévia, sem necessidade de que se autorize por escrito quem quer falar de quem quer que seja”, diz Erasmo Carlos. Esse trecho do vídeo lembra o óbvio, que há instrumentos jurídicos para aquele que se sentir injustiçado buscar recompensa, mas não esclarece se o grupo irá de fato adotar uma nova postura e, por exemplo, liberar livros que já tenha vetado – a exemplo de Roberto Carlos em Detalhes, pesquisa do historiador Paulo Cesar de Araújo retirada do mercado em 2007, a mando do cantor.

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Para piorar, na sequência Gil e Erasmo se aferram à questão da privacidade e da intimidade. “Mas a reflexão sobre os direitos coletivos e a necessidade de preservá-los, não só o direito à intimidade, à privacidade, mas também o direito à informação, nos leva a considerar que deve haver um ponto de equilíbrio entre eles”, diz Gil. “Não abro mão do direito à privacidade e à intimidade, à nossa e à dos que podem sofrer por estar ligados a nós”, afirma Erasmo.

Matemática – Juntas, aliás, as palavras “privacidade e intimidade” foram ditas oito vezes durante o vídeo. Já as menções a “direito” ou “liberdade” de informação aparecem três vezes. E a liberdade de expressão, coitada, sequer foi citada.

Já a questão contábil desapareceu do discurso do grupo. Se antes Caetano, Chico, Djavan e Paula falavam em pagamento de autores ou editores a seus personagens, agora Gil, Roberto e Erasmo apenas se colocam como defensores dos menos favorecidos.

“Quando nos sentimos invadidos, julgamos que temos o direito de nos preservar e de certa forma preservar a todos os que de alguma maneira não têm, como nós temos, o acesso à mídia, ao judiciário, aos formadores de opinião”, diz Gil, em trecho que será praticamente reeditado ao final do vídeo. “Nossa vida é nossa melhor defesa. E, se aqui nos exprimimos, não fazemos apenas no nosso próprio nome, mas em nome daqueles homens e mulheres que não possuem o acesso que temos.”

​Em tempo: coube a Roberto recitar algumas das passagens escritas para limpar a imagem do grupo. “Não negamos que essa vontade de evitar a exposição da intimidade, da nossa dor ou da dor dos que nos são caros em dado momento nos tenha levado a assumir uma posição mais radical”, diz o cantor. “Não somos censores. Nós estamos onde sempre estivemos. Pregando a liberdade, o direito às ideias, o direito de sermos cidadãos que têm uma vida comum, que têm família e que sofrem e amam. Às vezes, a dois ou na solidão, sem compartilhar com todos momentos que são nossos.”

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